A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quinta-feira (17), por 267 votos a favor e 116 contra, o projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental no país. A proposta, que vai à sanção do presidente Lula (PT), teve forte articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representa mais uma vitória do setor agro no Congresso. Segundo os ruralistas, as novas regras trazem segurança jurídica e podem acelerar obras de infraestrutura e empreendimentos agroindustriais, inclusive no campo.
De acordo com os textos analisados, o projeto cria sete tipos de licenciamentos, com destaque para a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite ao empreendedor obter autorização por meio de autodeclaração. Também foram incluídas a Licença Ambiental Especial (LAE), sugerida pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), e a Licença de Operação Corretiva (LOC), que regulariza atividades sem licença prévia. A proposta ainda autoriza licenças renováveis automaticamente e retira a exigência de anuência do Ibama em casos de desmatamento da Mata Atlântica, transferindo mais responsabilidade para órgãos estaduais e municipais.
Entre os pontos mais polêmicos, estão a liberação facilitada para projetos de mineração e exploração de petróleo na Margem Equatorial, com prazos máximos de um ano para a resposta ambiental. A oposição, liderada por ambientalistas e setores da esquerda, apelidou o projeto de “PL da Devastação”, alegando que ele enfraquece os mecanismos de proteção a florestas, rios e solos, além de limitar a participação de indígenas e quilombolas nos processos de licenciamento fora de áreas demarcadas.
Apesar da orientação contrária do governo, a proposta teve apoio de ministérios como Transportes, Agricultura, Minas e Energia e Casa Civil. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ficou isolada na tentativa de barrar o avanço da proposta. A expectativa agora é de que Lula vete parte do texto, principalmente no que diz respeito ao enfraquecimento do Conama. No entanto, a FPA já articula para derrubar os vetos no Congresso, e também se prepara para eventual judicialização do tema no STF. Para o agronegócio, trata-se de uma resposta necessária a um sistema burocrático que vinha travando empreendimentos e investimentos no campo.

A Operação Ronda Agro Ciber II, com foco na repressão ao comércio eletrônico irregular de bebidas alcoólicas no Brasil, foi deflagrada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na última quarta-feira (16).
A ação conjunta retirou do ar mais de R$ 1 milhão em anúncios ilegais, principalmente de whiskys de luxo comercializados sem autorização de importação ou com indícios de falsificação.
Durante a operação foram identificadas mais de 70 marcas diferentes com irregularidades em plataformas digitais. O principal problema constatado foi a ausência do registro de importação junto ao Mapa, requisito obrigatório para que bebidas alcoólicas estrangeiras possam ser comercializadas legalmente no Brasil.
De acordo com a pasta, sem esse registro, não há garantias de rastreabilidade, controle sanitário ou conformidade com os padrões de identidade e qualidade exigidos pela legislação.
A fiscalização detectou indícios de importação clandestina, com produtos sem controle adequado de transporte e armazenamento.
Além disso, também haviam fortes indícios de falsificações, com conteúdo de procedência desconhecida e potencial presença de substâncias tóxicas, como o metanol.
Muitas propagandas também eram enganosas, levando o consumidor a acreditar que estava adquirindo produtos originais, quando, na verdade, se tratavam de versões clandestinas.
Segundo os Ministérios envolvidos, o comércio irregular de bebidas também afeta o setor, ao gerar concorrência desleal com empresas que operam de forma legal, além de provocar evasão de tributos como Imposto de Importação (II), IPI e ICMS.
“Embora muitos dos produtos pareçam autênticos, trata-se de comércio irregular, que, em alguns casos, podem configurar contrabando. Há ainda indícios da reutilização de garrafas vazias para fins de falsificação, o que amplia os riscos sanitários e de segurança para os consumidores”, alerta o Mapa, em nota.
A operação contou com o apoio de ferramentas do Programa de Monitoramento do Trânsito e Comércio Irregular de Produtos Agropecuários (Monitora), especialmente do módulo “e-Monitora”, voltado à identificação de irregularidades no comércio eletrônico de produtos agropecuários.
As plataformas digitais foram notificadas e os anúncios, removidos. As próximas etapas da operação incluem a identificação e responsabilização administrativa e criminal dos autores das infrações.
De acordo com a nota publicada no site do Ministério da Agricultura, a iniciativa faz parte de uma estratégia contínua do Mapa e do MJSP para proteger a saúde pública, combater a pirataria e preservar a integridade do mercado agropecuário brasileiro.
A operação foi coordenada pelo Mapa, por meio do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras) e do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), em parceria com o Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, órgão vinculado ao MJSP.

A soja responde por 74% do óleo vegetal usado na produção de biodiesel no Brasil, o que equivale a 7,2 bilhões de metros cúbicos. Já o milho representa cerca de 21% da produção nacional de etanol, segundo a segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Apesar da relevância desses grãos, o país busca ampliar o uso de fontes renováveis na matriz energética.
A Embrapa Soja, por meio do pesquisador César de Castro, realizou uma análise sobre a viabilidade e eficiência de diversas matérias-primas para o programa de biocombustíveis no país, especialmente para o biodiesel. Essa pesquisa foi apresentada no livro Biodiesel no Brasil: Reflexões Sobre o Potencial das Principais Matérias-Primas, que será lançado durante o X Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja 2025, em Campinas (SP). A publicação gratuita, em formato digital, reúne trabalhos de especialistas da Embrapa e de outras instituições.
Segundo os autores, a transição para fontes renováveis tem impulsionado a pesquisa em cerca de 350 espécies vegetais com potencial para biodiesel, como macaúba, pinhão-manso, nabo forrageiro, colza, girassol, canola e camelina. Apesar disso, a soja ainda domina a produção de óleo vegetal no Brasil, com outras culturas como palma de óleo, algodão e girassol ocupando posições menores no mercado. O algodão e o dendê são apontados como matérias-primas regionais para atender à Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).
O livro também destaca a importância da soja como cultura-chave na produção de bioenergia, mostrando sua relação direta com cadeias de outros materiais graxos, incluindo gorduras bovina, suína e de frango, além do óleo de fritura. Os autores ressaltam a necessidade de adoção de culturas com alta produtividade e elevado teor de óleo, que atendam aos critérios de baixas emissões de carbono e sejam compatíveis com práticas sustentáveis de manejo do solo.
Por fim, a soja ocupa cerca de 47,5 milhões de hectares no Brasil, seguida pelo milho, que cultiva em aproximadamente 21 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O país é o maior produtor mundial de soja, com expectativa de 169 milhões de toneladas na safra 2024/2025. O milho, que produz quase 116 milhões de toneladas, tem grande potencial de crescimento para o etanol, podendo aumentar sua competitividade em algumas regiões e mercados, segundo o pesquisador César de Castro.

O agronegócio vive um momento de profunda evolução. Novas tecnologias, práticas regenerativas e o avanço da sucessão familiar estão mudando a forma como o setor se estrutura e isso exige uma nova abordagem de comunicação.
Segundo Fernanda Blasque, profissional com mais de 20 anos de carreira em comunicação corporativa, comunicar o agro hoje é atuar como ponte entre quem produz, quem consome e quem regula. E isso pede muito mais do que campanhas tradicionais.
“O agro é altamente tecnificado, sustentável e internacionalizado. Mas quem está fora ainda não sabe disso. Cabe a nós tradutores desse setor mostrar essa realidade com linguagem acessível e responsável.”
A sustentabilidade no agro ainda enfrenta desafios de compreensão, tanto por parte do consumidor urbano quanto por produtores que estão em fases diferentes de adoção de práticas mais regenerativas.
Um dos principais desafios, segundo Fernanda, é equilibrar a educação técnica com a construção de confiança. Conceitos como agricultura regenerativa, crédito de carbono e o uso de biológicos precisam ser traduzidos em uma linguagem que o produtor entenda e que a sociedade valorize.
“Não basta só informar. É preciso mostrar como essas práticas impactam positivamente o meio ambiente, a produção e o alimento que chega à mesa.”
Para romper a bolha do setor e mostrar um agro moderno e responsável, é essencial criar pontes com outros universos. Ações que envolvem figuras públicas, esportes ou cultura têm sido estratégicas para atrair a atenção do grande público.
Seja em projetos com esportistas, artistas ou influenciadores, o importante é que a comunicação não fique restrita ao setor. Um bom exemplo é trazer vozes que não são do agro para aprender e contar suas descobertas, ampliando a visibilidade de práticas sustentáveis, tecnologias e do impacto social do agronegócio.
“Quando alguém de fora conhece o agro de perto, acaba se apaixonando. E vira um defensor.”
Comunicar o agro hoje é mais do que falar de produtividade é mostrar o impacto positivo do setor na vida das pessoas e no futuro do planeta. Isso exige propósito, inovação, sensibilidade e estratégia.
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Pecuarista, você já pensou em ter um pronto-socorro dentro da própria fazenda? Essa é a proposta da farmácia da pecuária, tema em destaque no programa Giro do Boi desta sexta-feira (18). Quer transformar sua fazenda em um centro de atendimento rápido e eficaz? Assista à entrevista completa abaixo e conheça esta iniciativa!
A solução da Zoetis Saúde Animal chega para dar agilidade ao manejo sanitário e garantir que nenhuma vida animal seja perdida por falta de atendimento rápido.
Segundo Patrícia Andrade Nobre, gerente de marketing da Zoetis, e Henrique Hooper, coordenador de serviços técnicos da empresa, a ideia é simples e eficaz: disponibilizar um kit com medicamentos de uso imediato, uma cartilha de aplicação e capacitação da equipe da fazenda para agir nos primeiros minutos de uma emergência.
A farmácia da pecuária vem com antibióticos, anti-inflamatórios, antitérmicos, antissépticos e antiparasitários – todos selecionados para situações comuns e críticas no rebanho, como:
Tudo é organizado em um armário específico, com acesso rápido e prático. A cartilha anexa orienta o produtor sobre qual medicamento usar, qual a dosagem correta e a via de aplicação (intramuscular, subcutânea, etc.).


Mesmo com toda a estrutura da farmácia, os especialistas alertam: ela não substitui o médico-veterinário. A proposta é garantir os primeiros socorros com segurança até que o profissional chegue.
A Zoetis prega o conceito dos “cuidados contínuos”:
A empresa oferece apoio técnico por meio de consultores em todo o Brasil, que ajudam a montar protocolos personalizados para cada fazenda.
Outro ponto importante é a gestão estratégica da farmácia na fazenda. As doenças variam conforme a época do ano – no inverno, por exemplo, é crucial ter medicamentos contra pneumonia.
Além disso, o produtor e sua equipe recebem treinamentos técnicos sobre uso correto, carência dos produtos e até interpretação de bulas. Tudo isso visando evitar perdas, aumentar a produtividade e manter a segurança alimentar.
A capacitação também ensina o chamado “olhar clínico”, que ajuda o trabalhador rural a identificar os primeiros sinais de doença, antecipando o tratamento e garantindo a recuperação mais rápida dos animais.
Com essa ferramenta na mão e informação na cabeça, o produtor se torna mais eficiente, ágil e estratégico.
A farmácia da pecuária é um avanço importante para quem trabalha com gado de corte a pasto, em confinamento ou leiteiro, reduzindo custos e aumentando a taxa de sucesso no tratamento de doenças.
A citricultura é uma das bases da economia rural no noroeste paulista, especialmente em municípios como Estrela d’Oeste, Cosmorama e Jales. Com o aumento de exigências técnicas e ambientais no setor, pequenos e médios produtores têm buscado alternativas para garantir produtividade, sustentabilidade e permanência no campo.
Nesse contexto, o projeto Fruto Resiliente, da Fundação Solidaridad, tem fortalecido a produção de laranja por meio de assistência técnica gratuita e personalizada, além de treinamentos, materiais educativos e acompanhamento direto nas propriedades.
Atualmente, mais de 500 produtores participam ativamente da iniciativa, que já atendeu mais de 800 citricultores desde seu início em novembro de 2019.
A Fundação Solidaridad é uma organização internacional sem fins lucrativos, que atua no desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas do agronegócio, promovendo práticas responsáveis, inclusão social e melhoria da produtividade.
O trabalho começa com um diagnóstico detalhado da propriedade, que considera aspectos legais, ambientais e produtivos. A partir desse mapeamento, são oferecidas recomendações personalizadas para cada citricultor.
Entre as práticas incentivadas estão:
“O feijão com arroz é o que resolve o problema dentro da propriedade. Uma das principais mudanças foi a análise de solo. Hoje, praticamente 100% dos produtores da região já fazem”, destaca o analista de campo Lucas Fim Torres.
Em Estrela d’Oeste (SP), a família Sentinello carrega uma longa história ligada à terra. Os avôs de Elton Sentinello vieram da Itália com amor pela roça e começaram a vida rural cultivando café. Foi apenas nos anos 1980 que o pai de Elton iniciou o plantio de laranja, dando início à citricultura na propriedade. Hoje, é o filho quem conduz a produção
Em Estrela d’Oeste (SP), a família Sentinello carrega uma longa história ligada à terra. Os avôs de Elton Sentinello vieram da Itália com amor pela roça e começaram a vida rural cultivando café. Foi apenas nos anos 1980 que o pai de Elton iniciou o plantio de laranja, dando início à citricultura na propriedade. Hoje, é o filho quem conduz a produção, com base técnica e foco em sustentabilidade.
Com o apoio do projeto Fruto Resiliente, Elton tem feito ajustes no manejo e investido na recuperação de áreas. Ele destaca os resultados obtidos no pomar mais jovem, com dois anos e meio, onde já é possível ver frutos em diferentes estágios de desenvolvimento.

“A gente fica feliz de ver o resultado. Tudo isso veio do que o meu pai passou”, afirma.
A dedicação ao campo segue em família. A poucos quilômetros do sítio, o cunhado de Elton, ex-tesoureiro Fábio Martin, trocou a cidade pela zona rural e hoje cultiva mais de 4 mil pés de laranja. Ele conta que já havia participado da formação de pomares antes, o que serviu de base para tocar a nova propriedade. “Nos alegra muito acordar e trabalhar praticamente no quintal de casa”, destaca.
Em Cosmorama (SP), o produtor Jerônimo Antônio Segala, de 71 anos, enfrentava perdas por conta da leprose e do cancro cítrico. Com apenas três hectares, ele viu a produtividade cair até receber assistência técnica pelo projeto.
A análise da água revelou um pH de 7,6 — valor que comprometia a eficiência dos defensivos. Com a correção para pH 5, os sintomas da leprose foram controlados. Além disso, Jerônimo adaptou o local de armazenamento de defensivos e aprendeu o processo de devolução das embalagens.
“Hoje a gente guarda os vasilhames no lugar certo e depois devolve. Ficou ótimo”, conta.

Com foco na sustentabilidade e no cumprimento da legislação ambiental, o Fruto Resiliente tem contribuído para melhorar a renda, a organização da produção e o planejamento das propriedades. Além disso, os produtores ganham condições para acessar programas de certificação, financiamento e inserção em mercados exigentes.
“Produzir com responsabilidade, respeitar a legislação e buscar as melhores práticas não é mais escolha. É obrigação se o produtor quiser continuar vendendo”, reforça o gerente de programas da Fundação Solidaridad Guilherme Margarido Ortega.
Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares
Agrolink
– Leonardo Gottems

Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares – Foto: Pixabay
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, iniciou uma investigação contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais no setor digital, tendo como foco o sistema de pagamentos instantâneos Pix. A apuração, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), ocorre com base na Seção 301 da Trade Act e pode levar à imposição de tarifas ou restrições contra o país.
Segundo o USTR, o Pix, por ser gratuito para pessoas físicas e desenvolvido pelo Banco Central, representa uma distorção de mercado que afeta empresas norte-americanas como PayPal, Visa, Mastercard, Apple Pay e Google Pay. A investigação também engloba temas como proteção de dados, decisões judiciais brasileiras que impactaram plataformas digitais dos EUA, além de críticas ao combate à pirataria e alegadas vantagens do agronegócio brasileiro por atuação em áreas desmatadas ilegalmente.
Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares. Em 2024, o governo americano usou o mesmo mecanismo para questionar o QRIS da Indonésia, impondo tarifas de até 32%. No caso do Brasil, o embate também tem motivações políticas. Trump mencionou o processo judicial contra Jair Bolsonaro e ameaçou aplicar tarifas de 50% a produtos brasileiros, enquanto nomes ligados ao trumpismo, como o bilionário Peter Thiel, têm interesse direto em empresas concorrentes ao Pix.
A reação do governo brasileiro veio com críticas públicas e ironia nas redes sociais. Especialistas avaliam que o ataque ao sistema estatal de pagamentos brasileiro é uma tentativa de proteger o domínio das big techs americanas, num momento em que o Banco Central do Brasil avança em planos de internacionalização do Pix por meio de acordos com outros países e participação no projeto Nexus, coordenado pelo G20 e o Banco de Compensações Internacionais. A audiência pública do caso está marcada para 3 de setembro.

A cidade de Campinas sediará, na próxima semana, dois importantes eventos da cadeia produtiva de soja. Entre os dias 21 e 24 de julho, a cidade paulista será palco da 10ª edição do Congresso Brasileiro de Soja (Cbsoja), realizado em conjunto com o Mercosoja 2025. Promovido pela Embrapa Soja, o evento marca duas datas: os 100 anos da soja no Brasil e os 50 anos da Embrapa. As inscrições seguem abertas por aqui.
Com o tema “Pilares para o amanhã”, o encontro reunirá pesquisadores, produtores, técnicos, representantes da indústria, cooperativas, governo e setor financeiro, em uma agenda intensa voltada ao futuro da cultura da soja. As inscrições seguem abertas.
Há 14 temporadas, a Embrapa Soja mantém uma parceria técnica com o projeto Soja Brasil, fortalecendo sua atuação junto ao setor produtivo e reafirmando seu compromisso com a disseminação do conhecimento científico no campo.
A agenda inclui quatro conferências e nove painéis temáticos, com mais de 50 palestras de especialistas do Brasil e do exterior. Os assuntos abordados englobam biotecnologia, sustentabilidade, valor agregado, propriedade intelectual, logística no Mercosul e desafios da agricultura tropical.
Uma das inovações desta edição é o espaço “Mãos à Obra”, voltado à discussão prática sobre temas-chave para o manejo da lavoura. Serão cinco focos principais: fertilidade do solo e adubação, controle de plantas daninhas, bioinsumos, manejo de nematoides e impedimentos ao desenvolvimento radicular.
O congresso também sediará o workshop internacional Soybean2035, que propõe um debate sobre os próximos dez anos da biotecnologia na soja, com a participação de pesquisadores do Brasil, China, Estados Unidos e Canadá.
No campo da pesquisa, foram aprovados 328 trabalhos científicos, que serão apresentados em nove sessões temáticas. Os temas abordam desde fisiologia, genética e fitopatologia até economia rural e transferência de tecnologia.
Embora introduzida no país em 1882, a soja só passou a ter peso comercial na década de 1960. A criação da Embrapa, em 1975, foi determinante para o desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições do Cerrado, ampliando o cultivo da oleaginosa para novas fronteiras agrícolas. Esse é um dos temas que será discutido durante a programação.
Segundo dados da Conab, o Brasil colheu cerca de 167 milhões de toneladas de soja na safra 2024/25, mantendo-se como o maior produtor mundial, à frente de Estados Unidos e Argentina.
Com 50 anos de atuação, a Embrapa Soja liderou avanços tecnológicos que contribuíram para elevar a produtividade, reduzir custos e ampliar a sustentabilidade da cultura no Brasil. A unidade é hoje considerada uma referência global em pesquisa aplicada à soja em ambientes tropicais.

As exportações brasileiras de café solúvel somaram o equivalente a 1,944 milhão de sacas de 60 kg, no primeiro semestre de 2025. O volume é 1,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em receita cambial, o valor é de US$ 586,925 milhões, número 45,2% superior no mesmo comparativo anual. Os dados são do relatório estatístico da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Entre os 81 países que compraram café solúvel do Brasil entre janeiro e o fim de junho deste ano, os EUA lideram o ranking, com a importação do equivalente a 361.088 sacas do
produto. Fechando o top 5, aparecem Argentina, com 193.298 sacas; Rússia, com 138.492 sacas Indonésia, com 75.140 sacas; e Peru, com 74.069 sacas.
O desempenho do primeiro semestre não foi impactado pela confusão tarifária provocada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, por isso as indústrias brasileiras de cafés solúveis conseguem manter seu ritmo de abastecimento global, consolidando o país como o principal produtor e exportador mundial do produto, analisa Aguinaldo Lima, diretor de Relações Institucionais da Abics.
Por outro lado, o anúncio feito pelo presidente Trump, no último dia 9 de julho, de taxar produtos brasileiros a serem importados pelos norte-americanos em 50% a partir de 1 de agosto, gera grande preocupação e pode impactar o desempenho das compras do principal parceiro comercial dos cafés solúveis brasileiros.
Atualmente, os EUA respondem por 19% do total, em volume e receita cambial, das exportações brasileiras de café solúvel. Por sua vez, o Brasil é o segundo principal fornecedor do produto aos norte-americanos, respondendo por 24% do mercado estadunidense.
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Para o presidente da Abics, Fabio Sato, a eventual implantação das taxas de 50%, a partir de 1 de agosto, tende a impactar a competitividade do café solúvel nacional no principal mercado
consumidor do mundo.
Se isso se tornar realidade, o produto brasileiro, certamente, perderá espaço para o produzido por outros concorrentes, uma vez que o principal fornecedor, o México, poderá comercializar sem tarifas, e os demais principais fornecedores serão taxados de 10% a, no máximo, 27%, aponta.
Conforme dados atualizados pela Abics, a população brasileira consumiu 11,090 mil toneladas (o equivalente a 480.578 sacas) de café solúvel no primeiro semestre de 2025, apresentando um crescimento de 4,2% na comparação com o mesmo intervalo de seis meses em 2024.
Por tipo de produto consumido, observa-se um avanço de 18,7% no freeze dried (liofilizado), para 1,557 mil toneladas, e de 2,5% no spray dried (em pó), a 11,090 mil toneladas. O consumo de todos os tipos de café solúvel importado - já incluídos no compilado total de spray e freeze dried -, por sua vez, apresentou uma elevação de 23%.
O diretor de Relações Institucionais da Abics acredita que a evolução no consumo interno se dá por dois motivos: melhor qualidade e novos produtos no mercado e custo mais acessível em relação aos demais cafés.
O solúvel tem um custo por xícara relativamente inferior para os consumidores, além de não demandar gastos com filtros e outros utensílios em seu preparo, o que gera economia essencial em tempos de inflação. Além disso, nossas indústrias não param de investir e apresentar novidades, melhorando ainda mais a qualidade da bebida e ampliando a diversidade de uso do produto em diversas formas de preparo e processamentos, conclui Lima.