As cotações da manga nas praças do Nordeste seguiram em queda na última semana, apontam levantamentos da equipe Hortifrúti/Cepea.
No Vale do São Francisco, a tommy foi negociada à média de R$ 1,50/kg entre 14 e 18 de julho. Este valor representa um recuo de 4% em relação à da semana anterior. A palmer desvalorizou 7%, sendo comercializada a R$ 2,16/kg.
Em Livramento de Nossa Senhora (BA), as baixas foram ainda mais intensas, de 27% para a tommy, à média de R$ 1,15/kg, e de 31% para a palmer, a R$ 1,74/kg.
Pesquisadores do Hortifrúti/Cepea explicam que a pressão sobre os valores vem da demanda retraída e da tendência de aumento gradual na disponibilidade, principalmente da fruta do Vale.
A maior taxa de câmbio somada à perspectiva de safra menor sustentaram os preços do trigo na semana passada no Rio Grande do Sul e no Paraná. É isso o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo o instituto, os vendedores seguem firmes, acompanhando o desenvolvimento das lavouras e focados na finalização do cultivo da atual temporada.
Compradores continuam adquirindo conforme as oportunidades de mercado e buscando especialmente o produto importado.
Já em São Paulo, houve uma maior retração compradora e, com isso, alguns vendedores acabaram cedendo às pedidas, ainda conforme levantamentos do Cepea.
No campo, a semeadura atingiu 91% da área destinada ao cultivo de trigo no Brasil, em linha com intervalo equivalente de 2024 e com a média dos últimos cinco anos.
A sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros — como café, carne e suco de laranja e outros — têm prazo estabelecido para revisão: 1º de agosto de 2025. A expectativa no meio diplomático e empresarial é intensa, mas a previsibilidade, quase nula.
O que está em jogo não é apenas uma questão comercial. Trata-se de uma disputa que ganhou contornos ideológicos, jurídicos e eleitorais. A medida foi tomada unilateralmente pelo presidente Donald Trump em meio a uma escalada verbal contra o Supremo Tribunal Federal, em especial contra o ministro Alexandre de Moraes, a quem o governo americano acusa de perseguição política à família Bolsonaro.
Na prática, a sobretaxa de 50% não teve justificativas técnicas, sanitárias ou ambientais. Foi uma retaliação disfarçada de sanção comercial. Trump buscou atender à base bolsonarista no Brasil, que o enxerga como um aliado estratégico contra o que chamam de “ativismo judicial”.
A retaliação tarifária foi, portanto, uma resposta simbólica à atuação de Moraes, que vinha endurecendo decisões judiciais contra aliados de Bolsonaro. Isso aproxima a política externa americana de uma pauta tipicamente brasileira, o que é inédito e perigoso.
A grande dúvida é: por que Donald Trump, em pleno segundo mandato, dobraria sua aposta em torno da defesa de Bolsonaro e sua família, quando o próprio ex-presidente brasileiro hoje tem pouca relevância estratégica real para os Estados Unidos?
Essa aliança é mais simbólica do que prática. Bolsonaro não comanda um Estado, não controla o Congresso e nem representa um bloco político consolidado. Já Trump enfrenta crescente rejeição no cenário internacional, não conseguiu conter a ofensiva russa na Ucrânia, apoia de forma acrítica a ofensiva israelense em Gaza, e sua imagem está associada à instabilidade global.
Na política interna americana, cresce a desconfiança entre republicanos moderados quanto à radicalização de Trump. Há quem veja nas sanções ao Brasil um erro de cálculo que pode custar caro ao partido Republicano nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026.
O desgaste internacional,com protestos em universidades, críticas de governos aliados e instabilidade econômica, começa a respingar nos Estados Unidos. A inflação nos alimentos, a perda de mercados importadores e os custos logísticos estão sendo sentidos por empresas e consumidores americanos.
A resposta mais prudente é: depende do humor político. Tecnicamente, o governo americano não sustenta a medida, ela é frágil em termos legais na OMC e contraproducente para a indústria americana. No entanto, se Trump decidir estender o conflito como forma de manter sua base radical mobilizada, a renovação da tarifa não pode ser descartada.
Conclusão: o que está por trás da disputa?
Essa crise não é apenas sobre o Brasil ou Alexandre de Moraes. Tampouco se limita à família Bolsonaro. É sobre até onde um presidente dos EUA pode ir para impor sua vontade ideológica ao mundo, mesmo que isso custe caro ao seu país. E mais: até que ponto o Brasil continuará aceitando ser tratado como peão num jogo que não começou aqui?
O Brasil precisa agir com firmeza e inteligência. Seja com a retirada ou a manutenção das sobretaxas, a mensagem central é clara: precisamos de uma política externa soberana, de uma estratégia comercial diversificada e, sobretudo, de uma classe política que entenda que o mundo mudou, e não há mais espaço para submissão nem para aventuras ideológicas alheias.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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Outro fator decisivo foi a previsão de clima mais seco – Foto: Bing
A soja negociada na Bolsa de Chicago (CBOT) terminou a semana com valorização, revertendo a tendência de queda observada no início do período. Segundo a TF Agroeconômica, a oleaginosa teve forte impulso devido à retomada de compras no mercado futuro, sustentadas pela boa demanda interna por óleo de soja e por um novo acordo comercial com a Indonésia, importante consumidor de farelo.
Na sexta-feira (19), o contrato de soja para agosto — referência para a safra brasileira — subiu 0,61%, fechando a US$ 10,27 por bushel. O contrato de setembro avançou 0,89%, cotado a US$ 10,21. O farelo de soja para agosto também apresentou forte alta de 1,97%, encerrando a US$ 274 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja recuou 0,71%, fechando a US$ 55,82 por libra-peso.
Além da retomada da demanda, rumores de compradores chineses buscando fretes no Golfo do México sinalizaram um possível retorno da China às compras da soja americana, após um longo período de afastamento. Outro fator decisivo foi a previsão de clima mais seco no Centro-Oeste dos Estados Unidos, o que elevou o interesse por contratos futuros como forma de proteção diante de possíveis impactos na produção.
Com isso, no acumulado da semana, a soja registrou alta de 2,34% (ou US$ 23,50 cents/bushel), o farelo teve alta de 1,40% (US$ 3,70/ton curta) e o óleo de soja acumulou ganho de 3,85% (US$ 2,07/libra-peso), demonstrando a força do mercado de derivados frente às incertezas climáticas e à melhora no apetite global por produtos agrícolas americanos. As informações foram divulgadas no início desta segunda-feira.
De 14 a 18 de julho, a média do Indicador Cepea/Esalq para o cor Icumsa de 130 a 180 foi de R$ 118,77/saca de 50 kg. O valor representa alta de 2,11% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o Centro de Pesquisas, representantes de vendas das usinas seguiram firmes nos valores ofertados pelo cristal de melhor qualidade (Icumsa até 180), em resposta às recentes quedas que já estavam causando preocupações com relação aos custos de produção.
Além disso, pesquisadores explicam que a disponibilidade do cristal tipo Icumsa 150 se mantém restrita para as negociações na pronta entrega. Isso, tendo em vista que a maior quantidade produzida está comprometida com as exportações.
De 14 a 18 de julho, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado no estado de São Paulo fechou em R$ 2,5239/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins). Valor este que representa uma baixa de 1,1% frente ao do período anterior.
Para o anidro, o recuo foi de 1,33%, com o Indicador Cepea/Esalq a R$ 2,9204/litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins).
Segundo o centro de pesquisas, o ritmo de negócios de etanol continua lento, com distribuidoras adquirindo poucos volumes na expectativa de oportunidades mais atrativas.
Além disso, pesquisadores explicam que o período de férias escolares tende a reduzir a necessidade de novas aquisições dos produtos das usinas.
Johanna Foods, uma distribuidora de sucos de laranja dos EUA, acionou a Justiça contra o tarifaço sobre produtos brasileiros anunciado por Trump. A ação protocolada na última sexta-feira (18) pede uma medida cautelar para impedir a implementação da tarifa de 50% sobre produtos do Brasil.
A empresa alega na ação que medida “causará danos financeiros significativos e diretos” ao negócio e aos consumidores norte-americanos, violando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional e a Constituição dos EUA.
O documento também alerta que os EUA não tem como atender a demanda por suco sem as importações do Brasil. “A produção de suco de laranja dos EUA, particularmente na Flórida, caiu mais de 95% nos últimos 25 anos devido a fatores como a doença do greening cítrico, furacões e desenvolvimento urbano, tornando o fornecimento doméstico insuficiente para atender aos requisitos de produção”, diz trecho do documento protocolado na Justiça.
O Sebrae lançou um portal exclusivo para preparar micro e pequenas empresas para a COP30. O evento acontece em novembro de 2025, em Belém (PA), e a plataforma Sebrae COP30 reúne conteúdos, cursos, consultorias e histórias inspiradoras voltadas ao empreendedorismo sustentável.
A plataforma reúne conteúdos, cursos, consultorias e histórias inspiradoras voltadas ao empreendedorismo sustentável. Nesse sentido, a proposta é simples: conectar os pequenos negócios à agenda da bioeconomia e mostrar que eles também têm lugar no centro do debate climático.
O que tem no portal?
Entre os destaques, estão:
Cursos e capacitações em áreas como turismo, moda, alimentação e inovação verde;
Consultorias personalizadas e eventos presenciais ou online;
Histórias reais de negócios sustentáveis que já geram impacto positivo.
Além disso, todo o material é gratuito e pensado para quem quer crescer com propósito.
Espaço do Sebrae na COP30
Paralelamente ao portal, o Sebrae terá um espaço físico em Belém: a En-Zone, um hub de conexões com vitrine de produtos sustentáveis, loja colaborativa e programação ao vivo. A ideia é dar visibilidade aos pequenos negócios durante o evento global.
“Queremos que os donos de pequenos negócios brasileiros não sejam meros expectadores. Que sejam protagonistas de um novo modelo de desenvolvimento justo e inclusivo”, afirma Décio Lima, presidente do Sebrae.
A COP30 será um evento histórico, o primeiro do tipo realizado na Amazônia. Por isso, representa uma chance única para os pequenos negócios ampliarem sua visibilidade, captarem recursos e se posicionarem em um mercado cada vez mais orientado pela sustentabilidade.
Acesse e participe
Portanto, o portal já está no ar e pode ser acessado pelo site oficial do Sebrae. É uma chance de aprender, se posicionar e aproveitar as oportunidades que a COP30 pode oferecer para quem empreende com consciência.
No acumulado das exportações, até a 3ª semana do mês de julho, as exportações do setor de agropecuária registrou queda de -1,9%, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex).
Já outros setores da economia do país tiveram crescimento nas exportações. A indústria de transformação registrou alta de 7,2% no volume de exportações e a indústria extrativa teve alta de 5%.
Superávit
Na 3ª semana de julho, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,53 bilhão e corrente de comércio somou US$ 13,43 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 7,48 bilhões e importações de US$ 5,95 bilhões
No acumulado do ano, as exportações totalizam US$ 185,48 bilhões e as importações US$ 151,78 bilhões, com saldo positivo de US$ 33,7 bilhões e corrente de comércio de US$ 337,26 bilhões.
Comparadas as médias até a 3ª semana de julho de 2024 com o mesmo período do ano passdado houve crescimento de 4,5%. Em relação às importações, o crescimento foi de 12,9%.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na segunda-feira (21) a abertura de investigação sobre o suposto uso de informações privilegiadas envolvendo o tarifaço anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Brasil. O mecanismo é conhecido como insider trading.
O pedido de investigação foi feito na semana passada ao Supremo pela Advocacia-Geral da União (AGU) no âmbito do inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é investigado pela atuação junto ao governo norte-americano para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo e tentar barrar o andamento da ação penal sobre a trama golpista que pretendia impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no terceiro mandato, em 2022.
Em março deste ano, Eduardo, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pediu licença do mandato parlamentar e foi morar nos Estados Unidos, sob a alegação de perseguição política.
Segundo a AGU, o objetivo da ação é investigar movimentações atípicas no mercado cambial brasileiro antes e depois de Trump anunciar a taxação de 50 % das exportações brasileiras para os Estados Unidos a partir de 1° de agosto.
No despacho, Moraes determinou que o pedido da AGU seja transformado em uma petição apartada do inquérito de Eduardo Bolsonaro e tramite em sigilo.
Na sexta-feira (18), no mesmo inquérito, Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e foi obrigado a colocar tornozeleira eletrônica e proibido de sair de casa entre 19h e 6h.
As medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes após a PGR alegar risco de fuga do ex-presidente, que é réu na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022 e deve ser julgado pelo Supremo em setembro.