quarta-feira, maio 13, 2026

Agro

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preços caem para a menor média nos últimos 12 meses



A falta de umidade dos solos em algumas áreas somada à leve retração de produtores continuou limitando um avanço mais expressivo na oferta de mandioca na semana passada, Isso é o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Por outro lado, conforme o instituto, a demanda enfraquecida pelos derivados seguiu pressionando as cotações da matéria-prima, com a média tendo a maior desvalorização semanal desde janeiro deste ano e recuando para o menor patamar em 12 meses.

Levantamentos mostram que o preço médio a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 471,36 (R$ 0,8198/grama de amido) na última semana. O valor representa queda de 4,3% frente à anterior. 

Em relação ao mesmo período do ano passado, a baixa é de 4,9%, em termos reais (utilizando o IGP-DI como deflator).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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mesmo com reação no indicador, cotações caem



O Indicador do milho Esalq/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP), vem reagindo nos últimos dias, mas ainda acumula queda na parcial de julho. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Segundo o Centro de Pesquisas, ao mesmo tempo em que os vendedores limitam as ofertas em regiões onde a colheita está mais atrasada, em outras localidades, o ritmo acelerado das atividades de campo eleva a disponibilidade, pressionando as cotações.        

Além disso, agentes consultados pelo Cepea relatam que o aumento nos fretes reforça o suporte sobre os preços. 

Pesquisadores ressaltam que as boas expectativas quanto às produções brasileiras e mundiais continuam restringindo os negócios, visto que parte dos consumidores sinaliza estar estocada e aguarda o próximo mês para adquirir o cereal a patamares inferiores aos atuais.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Fundo JBS pela Amazônia lança projeto que pode aumentar em 60% a renda de comunidades rurais



O Fundo JBS pela Amazônia acaba de lançar, em parceria com a organização socioambiental Ecoporé e com os Escritórios Verdes JBS, o projeto Vitrines de Restauração, uma iniciativa inovadora que une recuperação ambiental e desenvolvimento socioeconômico. O objetivo é recuperar áreas degradadas em propriedades rurais em Rondônia. A iniciativa tem potencial de alavancar a restauração em mais de 3.000 hectares de vegetação nativa, especialmente em propriedades rurais da cadeia da pecuária, e gerar um incremento de até 60% na renda das comunidades envolvidas, por meio da comercialização de sementes nativas.

O projeto foi estruturado a partir da atuação dos Escritórios Verdes da JBS, iniciativa da empresa que oferece assistências técnica, ambiental e gerencial gratuitas a produtores interessados em regularização ambiental e em adoção de melhores práticas. Foram mapeados produtores rurais com Cadastro Ambiental Rural (CAR) válido, mas com áreas degradadas a serem recompostas. O Fundo JBS pela Amazônia financia a iniciativa, enquanto a Ecoporé é responsável por sua operacionalização: isolamento das áreas, semeadura por muvuca de sementes e realização de oficinas de capacitação. Os Escritórios Verdes acompanham e orientam o desenvolvimento das ações em campo.

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A muvuca é uma técnica de semeadura direta baseada em uma mistura de sementes de dezenas de espécies nativas e de adubação verde. Inspirada em práticas indígenas do Xingu, ela garante cobertura rápida do solo, fomenta a biodiversidade e favorece a regeneração natural da floresta. A iniciativa ainda fortalece a economia de comunidades tradicionais ao valorizar o trabalho da Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica (RESEBA), iniciativa liderada pela Ecoporé que é formada por indígenas, quilombolas e agricultores familiares, todos remunerados pela produção e fornecimento das sementes utilizadas na recomposição vegetal, gerando renda, promovendo inclusão social e reconhecimento de saberes ancestrais.

“O Vitrines de Restauração tem como proposta unir ciência, engajamento comunitário e sustentabilidade para criar um modelo replicável de restauração florestal, fortalecendo a bioeconomia da região, impulsionando práticas produtivas mais responsáveis”, afirma Lucas Scaracia, gerente-executivo do Fundo JBS pela Amazônia.

O projeto começou com produtores selecionados que se comprometeram a abrir suas propriedades para que outros produtores conheçam a técnica e a repliquem em suas terras.

“Trabalhamos para que cada propriedade atendida seja não apenas uma área restaurada, mas também um espaço de aprendizagem e replicação. Nosso objetivo é que cada produtor engajado se torne um potencial mobilizador. Acreditamos que soluções baseadas na natureza, como a muvuca de sementes, são chave para aliar conservação e desenvolvimento regional, além de promover a regularização ambiental das propriedades, elemento essencial para integridade das cadeias produtivas e acesso a mercados”, afirma Marcelo Ferronato, diretor presidente da Ecoporé.

Em julho será realizada a primeira oficina de apresentação do projeto, e entre outubro e novembro está previsto o início do plantio com sementes. Nesta fase inicial, o Fundo JBS pela Amazônia investirá mais de R$ 200 mil na iniciativa.

O Vitrines de Restauração nasce com foco local, mas com visão de longo prazo. Em um cenário conservador o projeto pode impulsionar a restauração, ao longo de dez anos, de 100 a 300 hectares e utilizar até 21 toneladas de sementes nativas. Já em um cenário mais expansivo, pode chegar a até 3.000 hectares restaurados, com uso de até 210 toneladas de sementes, mantendo o potencial de incremento de até 60% na renda das comunidades envolvidas.



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Indústria do tabaco geral 44 mil empregos no Brasil



Um levantamento realizado junto às empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e ao Sindicato da Indústria do Tabaco no Estado da Bahia (Sinditabaco-BA), atualizou os números de empregos gerados pelas indústrias do setor no Brasil. Na Região Sul, são 30.472 empregos, enquanto no Nordeste, onde há produção de tabaco na Bahia, em Sergipe e Alagoas, são 13.640 postos de trabalho, totalizando 44.112 no Brasil.

O número resulta da soma de 15.758 empregados efetivos, 22.790 trabalhadores temporários contratados na safra, 3.523 terceirizados fixos nas empresas e 2.041 transportadores. Os dados foram coletados entre as associadas das duas entidades, sem contabilizar os postos de trabalho de empresas não associadas nem os empregos indiretos gerados pelo setor.

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Na Região Sul, onde se concentra o maior complexo industrial de tabaco do mundo, há 11.118 empregados efetivos e 14.390 trabalhadores temporários contratados no pico da safra. Também foram contabilizados 3.173 terceirizados fixos, que atuam em áreas como alimentação, segurança e limpeza, além de 1.791 transportadores de tabaco cru, responsáveis pelo transporte da matéria-prima das propriedades até as indústrias.

Já no Nordeste, onde predomina a produção de tabaco para charutos, o Sinditabaco-BA contabilizou 4.640 empregados efetivos e 8.400 temporários contratados durante a safra. A região também conta com 350 terceirizados fixos e 250 transportadores de tabaco, totalizando os 13.640 empregos.

O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, destaca que os postos de trabalho gerados pelo setor contribuem significativamente para a qualidade de vida das famílias dos trabalhadores, além de impulsionar os comércios locais e o setor de serviços.

“Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, onde está concentrada a maior parte das indústrias de tabaco, possuem renda per capita diferenciada. Isso se deve, em grande parte, às indústrias de tabaco, que movimentam a economia regional”, comenta o executivo.



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alta nas cotações é limitada pelo valor elevado do frete



Os preços da soja seguiram em alta na última semana, impulsionados pelo aquecimento nas demandas doméstica e internacional (sobretudo da China). Fato este que elevou os prêmios de exportação no Brasil. É isso o que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Por outro lado, conforme o Centro de Pesquisas, as quedas do real e do dólar, limitaram o movimento da alta. Além disso, o encarecimento dos fretes rodoviários reduziu a receita de sojicultores no País. Essa alta é observada desde o mês passado, mas foi intensificada nas últimas semanas. 

Diante disso, pesquisadores explicam que produtores mostram preferência em negociar a soja com entrega nos próximos meses em detrimento do spot. Isso porque, com a finalização da colheita da segunda safra do milho, a tendência é que a oferta de caminhões aumente e, consequentemente, que o custo com frete rodoviário recue.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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BNDES registra R$ 5,3 bilhões em crédito aprovado no Plano Safra 2025/2026



O BNDES alcançou um volume de R$ 5,3 bilhões em aprovações de crédito do Plano Safra 2025/2026. A aprovação envolveu recursos equalizados dos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), dentre os quais destacam-se o Pronaf, o Pronamp, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota).

Nas linhas de custeio, abertas no dia 17, foi consumido R$ 1,7 bilhão. Nas linhas de investimentos em instalações e máquinas, abertas na quinta-feira (24), foram aprovados R$ 3,6 bilhões.

No total, foram recebidas 13,1 mil operações, por meio de 21 agentes financeiros credenciados, em mais de 20 linhas de financiamento. Deste total de operações, 9 mil foram para custeio, sendo que 5,5 mil destinadas ao Pronaf. Esse modelo de operação permite uma distribuição descentralizada de recursos por todo o país, chegando a 93% dos municípios brasileiros, facilitando o desenvolvimento e a execução da política pública de apoio ao setor.

Na próxima quinta-feira (31), o banco vai abrir a linha para a agricultura familiar destinada a investimentos.

“Este volume expressivo de recursos aprovados em poucos dias demonstra o papel estratégico do BNDES no apoio ao agro brasileiro, promovendo tanto o crescimento da agricultura familiar quanto o desenvolvimento da agricultura empresarial. A demanda está aquecida e o BNDES tem demonstrado que tem capacidade para atuar, de forma diligente, atendendo os produtores na velocidade que o país precisa. Também importante destacar que mais de 90% das operações, cerca de 12 mil, foram operadas por bancos cooperativos e cooperativas de crédito, o que mostra a importância desse segmento para ampliar o acesso ao crédito no Brasil”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

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Recorde de recursos

No Plano Safra 2025/2026, o banco vai disponibilizar R$ 70 bilhões para financiar investimentos da agricultura brasileira, no período entre o dia 01 de julho de 2025 e 30 de junho de 2026. O montante é o maior orçamento já disponibilizado pelo Banco ao setor agropecuário, 5% acima do valor do Plano Safra anterior e 180 % maior que o disponibilizado pelo BNDES no Plano Safra 22/23.

Serão R$ 39,7 bilhões em recursos equalizáveis que poderão ser acessados por meio de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), um incremento de 19% em relação ao ano anterior. Tais programas contam com prazos, taxas e orçamentos determinados.

Deste montante, serão R$ 26,3 bilhões para médios e grandes produtores da agricultura empresarial, com taxas de juros entre 8,5% e 14% ao ano, e R$ 13,4 bilhões para pequenos produtores da agricultura familiar, com juros entre 0,5% e 8% ao ano.

Para a agricultura empresarial, os recursos serão oferecidos por meio de 9 programas, entre eles, Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Proirriga, Prodecoop e PCA. Já para a agricultura familiar, o BNDES opera com diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

No Plano Safra 2025/2026 serão destinados R$ 13,4 bilhões para o Pronaf, aumento de 9% em relação ao montante operado pelo BNDES no Plano Safra anterior.



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AgroNewsPolítica & Agro

Demanda aquecida impulsiona preços da soja, mas frete caro pressiona margens



Produtores apostam em entregas futuras com expectativa de frete menor




Foto: USDA

Os preços da soja registraram nova valorização no mercado brasileiro ao longo da última semana, impulsionados por uma combinação de fatores que reforçam o apetite da demanda tanto no Brasil quanto no exterior. A procura da China, principal compradora do grão, segue intensa e elevou os prêmios de exportação nos portos nacionais, favorecendo a sustentação das cotações.

De acordo com informações divulgadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o movimento de alta foi limitado pelas recentes quedas no dólar e nos preços internacionais da oleaginosa. Além disso, o aumento nos custos de frete rodoviário, intensificado nas últimas semanas, tem reduzido a rentabilidade dos sojicultores brasileiros. O encarecimento logístico é apontado como um dos principais obstáculos no curto prazo.

O levantamento do Cepea também destaca que, diante desse cenário, muitos produtores têm optado por negociar contratos com entrega futura, deixando o mercado spot (de entrega imediata) em segundo plano. A expectativa é de que, com o avanço da colheita do milho safrinha e maior disponibilidade de caminhões, os preços do transporte rodoviário tendam a recuar nos próximos meses.

Essa estratégia de comercialização demonstra cautela por parte dos agricultores, que buscam maximizar a margem de lucro em um ambiente de incertezas cambiais e logísticas. Apesar do bom momento nas exportações, o custo elevado com transporte pode comprometer a competitividade do grão brasileiro no mercado global.

O cenário atual reforça a importância da eficiência logística e da gestão estratégica de contratos por parte dos produtores. Com o mercado externo atento ao fornecimento sul-americano, principalmente após as perdas registradas nos EUA, o Brasil segue como protagonista nas negociações da soja em 2024.





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O que está em jogo para o agro brasileiro?


No domingo (27), os EUA e União Europeia anunciaram um acordo comercial histórico, que evita o aumento de tarifas e amplia a cooperação entre os dois maiores blocos econômicos do mundo. O anúncio foi celebrado por ambos como uma vitória estratégica, mas do outro lado do Atlântico, o setor agroexportador brasileiro acendeu o sinal de alerta.

Mesmo sem ser parte direta do tratado, o Brasil, maior potência agrícola do hemisfério sul, pode ser fortemente impactado. Neste artigo, explico, de forma didática e clara, como o agronegócio brasileiro corre o risco de perder espaço, competitividade e mercado com esse novo alinhamento internacional.

Desvio de comércio: Brasil pode perder mercado para os EUA

Com a redução de barreiras entre EUA e Europa, produtos agrícolas americanos poderão entrar no mercado europeu com menores tarifas ou menos exigências burocráticas. Isso favorece exportações de milho, soja, carnes e outros produtos dos EUA — justamente os principais itens da pauta brasileira.

  • – Se o milho americano chegar mais barato à Europa, o grão brasileiro pode ser descartado por questões logísticas ou regulatórias.
  •  -O mesmo vale para carnes bovinas e suínas, onde a concorrência por cotas e mercados é cada vez mais acirrada.

Regras ambientais e sanitárias mais rígidas podem virar barreira ao Brasil

Um dos pilares do acordo é o alinhamento regulatório, especialmente em questões ambientais e sanitárias. Isso significa que EUA e UE podem adotar padrões conjuntos de produção sustentável, rastreabilidade e controle de emissões.

Para o Brasil, isso representa um risco: produtores que não conseguirem comprovar boas práticas ambientais e rastreabilidade detalhada podem ser excluídos desses mercados.

  • – A União Europeia já exige “desmatamento zero” em seus fornecedores.
  •  -Caso os EUA adotem padrão semelhante, os dois maiores mercados do mundo passarão a exigir certificações que muitos produtores brasileiros ainda não possuem.

Impacto nos preços internacionais das commodities

Com dois gigantes exportadores cooperando, a oferta global de alimentos e matérias-primas tende a aumentar. E o resultado direto disso é a queda dos preços internacionais das commodities agrícolas.

  • – Soja, milho, carne, trigo e outros produtos podem sofrer desvalorização nos mercados internacionais.
  • – Isso afeta a receita direta dos produtores brasileiros, que já enfrentam margens apertadas devido a juros altos, endividamento e aumento de custos operacionais.

O risco de isolamento comercial do Brasil

Enquanto EUA e Europa avançam em parcerias estratégicas, o Brasil ainda luta para ratificar o acordo Mercosul–UE, paralisado por questões ambientais e disputas políticas.

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Se o Brasil não avançar em seus próprios acordos bilaterais ou regionais, corre o risco de ficar à margem das grandes cadeias globais de valor, perdendo acesso a mercados premium.

Além disso, a dependência crescente da China, que já responde por mais de 30% das exportações do agro brasileiro, aumenta a vulnerabilidade geopolítica do país.

O que o Brasil pode (e precisa) fazer

Para enfrentar esse novo cenário, o agronegócio brasileiro e o governo federal precisam agir em três frentes:

  • Aprovar o Acordo Mercosul–UE e buscar novos pactos bilaterais com países estratégicos.
  • Avançar em rastreabilidade, certificações ambientais e sustentabilidade da produção.
  • Investir em agregação de valor, com produtos processados, marcas fortes e diversificação da pauta exportadora.

O novo acordo entre EUA e União Europeia não menciona o Brasil,  mas terá efeitos concretos sobre o país. A competição será mais dura, as exigências serão maiores, e o espaço para improvisos será cada vez menor.

Se quiser manter sua posição de liderança mundial na exportação de alimentos, o Brasil precisará se adaptar rapidamente. O mundo está mudando, e o agro brasileiro não pode ficar parado

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Tarifaço entra na semana decisiva; perspectiva de acordo com os EUA fica mais distante



O Brasil entra esta semana em um período decisivo, que pode mudar para pior o rumo de sua economia – pelo menos no curto prazo. Está prevista para entrar em vigor na sexta-feira ,1º de agosto, a tarifa de 50% prometida pelo presidente americano, Donald Trump, para todos os produtos brasileiros vendidos para o mercado americano. E, pelo menos até o momento, não há o menor sinal de que esse movimento poderá ser revertido ou adiado.

As tentativas do governo brasileiro de negociar com os EUA, encabeçadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, têm se mostrado infrutíferas. Na semana passada, Alckmin disse ter tido no sábado (19) uma conversa de 50 minutos com o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick. “Nós conversamos com o governo norte-americano, tivemos uma conversa com o secretário de Comércio, longa, colocando todos os pontos e destacando o interesse do Brasil na negociação, e destacando que o presidente Lula tem orientado negociação, não ter contaminação política nem ideológica”

Mas o próprio presidente Lula parece não ter muita esperança de uma reversão da cobrança até o dia 1º. Na sexta-feira (24), disse que o vice-presidente liga todos os dias para conversar sobre a tarifa, mas que ninguém responde. “Ninguém pode dizer que o Alckmin não quer conversar. Todo dia ele liga para alguém, e ninguém quer conversar com ele”, disse Lula.

No domingo (27), Howard Lutnick afirmou que as tarifas, previstas para começar em 1º de agosto, não serão adiadas. “Sem mais períodos de carência”, afirmou, em entrevista, à Fox News. Mesmo assim, Lutnick afirmou que, quando as taxas começarem, os países ainda poderão falar com o governo americano. “O presidente está definitivamente disposto a negociar e conversar com as grandes economias, com certeza.”

Mais tarde, o próprio presidente Trump reafirmou, durante sua viagem à Europa, que a data de 1º de agosto não será adiada.

Brasil tem a maior taxa

O prazo de 1º de agosto não é exclusivo para o Brasil. É a data dada por Trump para subir as tarifas para dezenas de países que não conseguirem fechar um acordo a tempo. Mas é no Brasil onde a tarifa será mais alta – nenhum outro país terá a taxa de 50%.

Alguns países já haviam conseguido fechar acordos com Trump, evitando o “mal maior”: Reino Unido, Vietnã, Indonésia, Filipinas e Japão. No domingo (27), foi a vez de União Europeia também finalizar um acerto com o governo americano, com uma tarifa básica de 15% – a ameaça de Trump era elevar a taxa para 30%.

No caso brasileiro, porém, as negociações se tornam um pouco mais complicadas pelo viés político que tomaram. Quando anunciou que taxaria os produtos brasileiros, Trump condicionou a reversão da decisão ao fim do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, que o presidente americano disse ser uma “caça às bruxas”.

“Não estou enxergando um caminho no curto prazo para poder reduzir essas tarifas”, disse o diretor para as Américas da consultoria Eurasia, Christopher Garman. “Nós estamos num embate, e o problema é que o presidente Trump se enxerga no drama do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nós precisamos lembrar que o Trump se sentiu vítima de uma caça às bruxas de medidas judiciais. Ele se sentiu censurado. Ele enxerga o movimento progressista Democrata como uma ameaça à democracia. Então, quando ele vê o drama do entorno da família Bolsonaro e as queixas da direita brasileira, o Trump encontra respaldo.”

Para Garman, o melhor cenário para o Brasil, nesse caso, é receber as tarifas e não retaliar. Ao longo do tempo, avalia, pode ser que as empresas e o governo brasileiro consigam algum espaço para aliviar o cenário. “O impacto das tarifas globais tende a chegar ao bolso do consumidor através de mais inflação. Portanto, a Casa Branca pode ficar mais passível de aceitar tarifas menores”, afirma.

O economista André Perfeito, por sua vez, diz que o acordo entre União Europeia e Estados Unidos anunciado neste domingo traz ainda mais pessimismo para a situação do Brasil na busca de uma solução para a questão da tarifa de 50%. “O Brasil está definitivamente isolado e as tarifas ganham ares de sanção que buscam restabelecer a América como quintal dos EUA”, disse.

Para o economista, o acordo aponta para a perspectiva de que os EUA não permitirão que o Brasil se alie de maneira individual a blocos ou projetos que não sejam do interesse de Washington, o que, para Perfeito, “cria uma novidade política que há muito tempo não se via”. Ele considera que a revista The Economist apontou corretamente, em sua edição da semana passada, que o que ocorre com o Brasil só pode ser comparado ao período da Guerra Fria.

Impacto sobre a economia brasileira

A tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras terá um forte impacto sobre a economia brasileira, uma vez que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Entre os setores mais afetados estão o de petróleo; ferro e aço; café; máquinas e equipamentos; celulose; e carne.

Os efeitos ainda não estão muito claros, mas alguns cálculos mostram que haverá perdas relevantes. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou, para o curto prazo, uma queda de R$ 52 bilhões nas exportações brasileiras e diminuição de 110 mil empregos no país.

Já a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) fala de uma perda, no longo prazo, de R$ 175 bilhões para a economia brasileira , com retração de 1,49% do PIB e com 1,3 milhão a menos de postos de trabalhos, caso a tarifa de 50% para as exportações brasileiras entre em vigor. A queda na renda das famílias atingiria até R$ 24,39 bilhões, e na arrecadação do governo seria de R$ 4,86 bilhões.

Além disso, segundo a Fiemg, num cenário hipotético em que o Brasil respondesse aos EUA com uma taxa recíproca de 50% sobre as importações americanas, a queda no PIB brasileiro poderia chegar, em longo prazo, a R$ 259 bilhões. Dessa forma, o número de empregos seria impactado em 1,934 milhão de vagas, a massa salarial ficaria R$ 36,18 bilhões menor e a redução da arrecadação de impostos chegaria a R$ 7,21 bilhões.

Efeitos já são sentidos nas empresas

Mesmo sem a certeza de que a taxa entrará mesmo em vigor, os efeitos negativos já começam a ser sentidos em alguns setores. Os produtores de ferro-gusa (uma matéria-prima da siderurgia), que têm uma forte dependência do mercado americano, relatam que contratos de exportação já foram suspensos, e que muitas empresas poderão ter de paralisar as operações a partir de agosto.

Com duas operações em Minas Gerais (uma em Sete Lagoas e outra em Divinópolis), a SDS Siderúrgica, comandada pelo empresário Frederico Henriques Lima e Silva, já teve suspenso embarque programado para agosto. O cliente pediu que a carga fosse suspensa até uma definição da aplicação da tarifa de 50% a produtos brasileiros.

Da produção de Sete Lagoas da SDS, em dois altos-fornos, cerca de 40% vai para usinas de aço (25%) e fabricantes de autopeças (15%) dos EUA, informou Lima e Silva. Uma parcela um pouco maior, de 45%, é destinada a produtoras de autopeças da Europa, que demanda ferro-gusa tipo nodular, que tem especificação para essa aplicação, de maior sofisticação em qualidade. O restante é comercializado no mercado interno.

Há cerca de um ano, a SDS adquiriu a unidade de Divinópolis e investiu R$ 25 milhões na reforma da usina, que passou a ter capacidade de 12 mil toneladas por mês. A medida do presidente dos EUA, Donald Trump, pegou o empresário no contrapé: a retomada das operações estava prevista para este mês de julho.

“Entre 60% e 70% da produção dessa usina seria destinada a usinas de fabricação de aço americanas. Havia uma perspectiva de expansão da demanda no país com base na competitividade do gusa brasileiro, que contribui para descarbonizar a indústria do aço, pois é produzido uso de carvão vegetal”, afirma o empresário.

Exportadores de manga e uva do Vale do São Francisco também temem o que pode acontecer com seu setor se as tarifas entrarem mesmo em vigor. A região, com produção concentrada em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), é responsável por mais de 90% da exportação brasileira dessas frutas.

A GrandValle, produtora e exportadora de manga e uva sediada na região, estima prejuízo entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões apenas com cargas de manga caso não surjam acordos até a data. O diretor de exportações da empresa, Luca Balallai, disse que o envio de manga exportada pela empresa para os EUA está previsto para começar em cerca de quatro semanas. E a grande preocupação é a falta de destinos viáveis para escoar a produção caso o tarifaço se concretize. “Não temos outros mercados como alternativa para um volume tão concentrado em um período curto de tempo”, disse.

O setor de pescados é outro que já vê efeitos do tarifaço. “Provavelmente, não sairemos (para alto-mar) em agosto”, disse Arimar França Filho, diretor da Produmar, uma das maiores exportadoras de peixes frescos para os EUA, e vice-presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN). “Exportamos peixe fresco e não temos alternativa para vendê-lo, já que o mercado brasileiro não absorve nossa produção e o europeu está fechado para a pesca brasileira desde 2017”, diz.

Com custos maiores para a pesca de peixes frescos, os barcos que atuam nesse segmento ficam 20 dias em alto-mar, antes de voltar aos portos. Caso o tarifaço seja mantido, a frota de 35 navios das empresas da região, que movimentam por volta de US$ 50 milhões anuais na pesca de peixes como atum e costeiros, deve ficar parada no próximo mês.

Parte dos cerca 1,5 mil trabalhadores dessa indústria na região também será afetada. “Os pescadores são CLT, mas têm um salário variável, ligado à produção”, afirmou França. “Vão receber menos.”

Movimentação dos empresários contra o tarifaço

Apesar de as negociações sobre as tarifas estarem a cargo do governo, as empresas também têm se movimentado para tentar influenciar a decisão de Trump. O que boa parte delas tem tentado é buscar o apoio de seus parceiros americanos, que importam os produtos brasileiros, para que a pressão seja feita em solo americano, pelas empresas de lá.

O argumento, nesse caso, seriam as perdas que os consumidores americanos teriam com o encarecimento de produtos importantes no dia a dia, como o café ou o suco de laranja – produtos nos quais o Brasil tem uma participação muito importante no mercado americano.

É o que tem feito, por exemplo, o setor de laranja. “O produto brasileiro é muito importante para as empresas americanas”, disse Ibiapaba Netto, diretor executivo da associação CitrusBR. “Eles têm grande interesse em que o problema seja resolvido e cada uma delas está procurando sua forma de levar a demanda a quem de direito, sem que pareça uma afronta ao governo.” A CitrusBR reúne as principais empresas produtoras e exportadoras brasileiros de sucos cítricos: Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company.

Quase 60% do suco de laranja presente em todas as garrafinhas consumidas nos EUA sai do Brasil. Na safra 2024/2025, o País enviou 306 mil toneladas – ou 85 milhões de caixas – do insumo aos EUA, que equivalem a nada menos do que 70% das importações do produto feitas por aquele país. Na sequência, o México responde por 22%, a Costa Rica por 3% e outros países por 1%, segundo a CitrusBR.

Mesmo com todo esse poder, os exportadores brasileiros – e seus clientes – têm se mantido discretos nesse momento. Negociações estão em curso em diferentes frentes, mas a ideia é evitar posicionamentos públicos que soem como atos de hostilidade ao governo Trump. “Todos têm o mesmo interesse, mas as companhias americanas têm mais condições de levar adiante essa prerrogativa”, disse Netto.

No caso do café, um dos principais produtos vendidos pelo Brasil aos EUA, entidades que representam os exportadores têm tratando diretamente do tema com a National Coffee Association (NCA). O diálogo vem sendo conduzido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) com a NCA. A entidade americana, por sua vez, já acionou o governo dos EUA.

“76% dos americanos consomem café. Além disso, a indústria do café gera 2,2 milhões de empregos e US$ 343 bilhões na economia americana. Por isso, o pedido que será levado pela indústria americana é para que o café entre em lista de exceção à tarifa”, relatou uma liderança do setor nacional quanto aos argumentos utilizados nos Estados Unidos, maior consumidor da bebida no mundo.

No caso das mineradoras, o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, informou na segunda-feira (21), , que as empresas do setor estão se organizando para ir aos EUA negociar com empresas daquele país medidas a serem adotadas por conta do tarifaço.

De acordo com Jungmann, apesar de o cenário em relação à sobretaxa ainda estar bastante incerto, as empresas “ficam no aguardo, mas vão tomando providências”. Isso porque há um fluxo de produção, logística e contratual que precisa ser respeitado e que tem impactado cada empresa de forma diferente. No caso da mineração, os EUA respondem por 20% das importações e 3,5% das exportações do setor.

Plano de contingência

De qualquer forma, com a perspectiva cada vez mais concreta de um tarifaço no radar, também está em gestação no governo um “plano de contingência” para responder às taxas impostas pelos Estados Unidos. Na quinta-feira, 24, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que esse plano já está concluído e será submetido à análise do presidente Lula.

Segundo o ministro, o documento reúne “medidas de todo gosto”, incluindo a possibilidade de abertura de linhas de crédito em apoio a empresas afetadas.

“O cardápio encomendado por Lula foi elaborado, inclusive dentro da lei internacional”, afirmou Haddad em entrevista à rádio Itatiaia. “Todo o cardápio possível e imaginável vai ser apresentado a Lula para decisão.”



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A quatro dias do tarifaço, governo diz que busca por negociação, mas que soberania é inegociável



Faltando quatro dias para a implementação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros entrarem em vigor nos EUA, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) diz em nota que o governo brasileiro segue buscando negociação com o governo Trump.

“Desde o anúncio das medidas unilaterais feito pelo governo norte-americano, o governo brasileiro, por orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem buscando negociação com base em diálogo, sem qualquer contaminação política ou ideológica’, diz trecho da nota.

Em outro trecho, o comunicado diz que o Brasil segue aberto ao debate, mas que a soberania nacional é inegociável.

“Reiteramos que a soberania do Brasil e o estado democrático de direito são inegociáveis. No entanto, o governo brasileiro continua e seguirá aberto ao debate das questões comerciais, em uma postura que já é clara também para o governo norte-americano”.

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Por fim, a nota destaca a longevidade das relações econômicas entre os dois países. “O Brasil e os Estados Unidos mantêm uma relação econômica robusta e de alto nível há mais de 200 anos. O governo brasileiro espera preservar e fortalecer essa parceria histórica”.



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