segunda-feira, maio 11, 2026

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Setor de fertilizantes do Brasil escapa de nova tarifa



Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais



Os Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais
Os Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais – Foto: Divulgação

O governo dos Estados Unidos anunciou no dia 31 de julho uma tarifa extra de 40% sobre uma série de produtos brasileiros importados. A nova taxação passa a valer uma semana após sua publicação e, em certos casos, eleva a carga tributária total para 50%, como parte de uma estratégia comercial voltada à proteção da indústria americana.

Entretanto, conforme análise da consultoria GlobalFert, produtos considerados essenciais para a agricultura ficaram de fora da medida. Fertilizantes à base de nitrogênio, fósforo e potássio, além de micronutrientes como boro, zinco, enxofre e magnésio, não serão impactados pela tarifa adicional. Também seguem isentos compostos como hidróxido de potássio, sulfatos de zinco, manganês e magnésio, além de substâncias industriais com uso agrícola, como silício técnico e óxido de alumínio.

A decisão norte-americana levou em conta a classificação dos produtos conforme o código HTSUS (Harmonized Tariff Schedule of the United States), que define com precisão os itens sujeitos a impostos, cotas ou exclusões. Com isso, a cadeia de fertilizantes permanece fora da lista de alvos da nova política comercial, o que evita impactos imediatos ao setor.

Segundo a GlobalFert, os Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais de fertilizantes com o Brasil. Apenas 0,4% das exportações brasileiras de NPK nos últimos cinco anos tiveram os EUA como destino. Já nas importações, os produtos norte-americanos representaram 1% do total recebido nesse período, com leve recuo para 0,7% no primeiro semestre de 2025.

 





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Da profecia catastrófica de Malthus à potência do agro brasileiro


A história da civilização está intrinsecamente ligada à história da agropecuária. Foi o domínio sobre a produção de alimentos que permitiu ao ser humano deixar de ser nômade, formar cidades, construir culturas e desenvolver conhecimento. Cada etapa da evolução humana — do arado rudimentar à biotecnologia — foi impulsionada pela busca por maior eficiência, produtividade e segurança alimentar.

Mas nem sempre o futuro da agropecuária foi visto com otimismo. No início do século XIX, o economista britânico Thomas Malthus lançou uma teoria que marcou profundamente o pensamento econômico e social: segundo ele, a população cresceria em ritmo geométrico, enquanto a produção de alimentos avançaria apenas em ritmo aritmético. O resultado, segundo Malthus, seria a fome, a miséria e o colapso da sociedade.

Essa visão, embora lógica para sua época, subestimou um fator essencial: a resiliência humana e sua capacidade de inovação.

O que a história revelou, nas décadas seguintes, foi exatamente o oposto da previsão malthusiana. O ser humano, especialmente o produtor rural, não se acovardou diante do desafio da escassez. Pelo contrário, reinventou a agricultura por meio de tecnologias, práticas sustentáveis, organização social e políticas públicas eficientes em várias partes do mundo.

A mecanização, os fertilizantes, a irrigação, as sementes geneticamente melhoradas, o controle biológico de pragas e, mais recentemente, a agricultura digital, são apenas alguns exemplos de como a inteligência humana superou os limites naturais com ética, ciência e trabalho árduo.

Além disso, há um traço profundamente humanitário no ofício do produtor rural: sua missão é alimentar o outro. Cada lavoura colhida e cada animal criado são frutos do esforço de quem acorda cedo, enfrenta intempéries e convive com riscos — tudo isso para garantir alimento para milhões de pessoas.

Apesar disso, certos discursos ideológicos, geralmente originados na esquerda política, insistem em reduzir a agropecuária a uma atividade exploratória. Tentam retratar o campo como espaço de opressão, apagando as histórias de superação, os ganhos sociais promovidos pela agricultura moderna e a inclusão produtiva de milhares de famílias graças ao avanço do setor rural.

Essa visão simplista e ideologizada ignora que o agro também é feito por pequenos produtores, cooperativas, assentados e famílias inteiras que encontraram no trabalho com a terra uma forma digna de viver e de contribuir com o país. A agricultura não é exclusividade de latifúndios — ela é plural, diversa e essencial para todos.

O agro no Brasil: uma revolução silenciosa

O Brasil é a maior prova viva de que a tese de Malthus não resistiu à determinação do homem do campo. Em poucas décadas, o país passou de importador crônico de alimentos para uma das maiores potências agropecuárias do mundo, liderando exportações de carne, soja, milho, café, açúcar e tantos outros produtos.

Esse salto só foi possível graças ao trabalho de milhões de brasileiros — agricultores, técnicos, cientistas, empresários, cooperativistas — que entenderam que alimentar o mundo é uma missão da nação.

E a transformação ainda está em curso: o Brasil avança com a agricultura regenerativa, a rastreabilidade, o uso de inteligência artificial no campo e novas formas de agregação de valor. O agro brasileiro é hoje, além de competitivo, um dos mais sustentáveis do planeta.

Conclusão: Malthus errou — e o produtor rural venceu

A agropecuária moderna é um dos maiores triunfos da humanidade. Desmentiu profecias sombrias com inovação, superou visões ideológicas com resultados concretos e se consolidou como um dos pilares da soberania, da paz e da dignidade humana.
No Brasil, esse setor não é apenas uma engrenagem econômica. É a expressão de um povo que, ao trabalhar a terra, revela o melhor de si: resiliência, solidariedade e compromisso com o futuro.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Redes sociais ajudam alavancar as vendas no campo


A tradição da cachaça artesanal, que começou com o bisavô João Rocha Gusmão nos anos 1930, hoje ganha o mundo pelas mãos de Halyson Gusmão, produtor rural no Vale do Mucuri, nordeste de Minas Gerais. 

O que começou à beira da estrada de ferro com o plantio de cana e produção rústica, passou de geração em geração até alcançar o universo digital.

“Tá no sangue”, resume Gusmão, que hoje cuida de toda a cadeia: da colheita da cana ao envelhecimento do destilado e comercialização. 

Mas a virada de chave veio quando procurou o Sebrae/MG para legalizar o negócio iniciado por seu pai, Carlos Avelino. “O Sebrae foi fundamental. Com isso, eles me orientaram passo a passo até o registro junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA)”, conta.

Além da legalização, o Sebrae também ajudou a estruturar o marketing digital da cachaçaria, criando o site e impulsionando a atuação nas redes sociais. “Fiz o Empretec e outros cursos. E hoje a maior parte das minhas vendas vem do Instagram e do WhatsApp Business”, explica Gusmão.

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Homem com camiseta preta, sentado e à sua frente, garrafas de cachaça que ele produz Homem com camiseta preta, sentado e à sua frente, garrafas de cachaça que ele produz
Halyson Gusmão, produtor rural. Foto: Aqrquivo pessoal.

Porém, se antes o produtor rodava mais de mil quilômetros por semana visitando clientes, agora, boa parte dos pedidos chega virtualmente.

“Eu não pensava que seria tão rápido. Hoje o cliente me chama no WhatsApp, pergunta como comprar e eu direciono para o site. Ainda não tem e-commerce, mas já está em desenvolvimento com o Sebrae/MG.”

A mudança no modelo de vendas trouxe praticidade, segurança e um novo fôlego para o negócio familiar. A cachaça mineira, que já percorreu as trilhas do Vale do Jequitinhonha, agora chega até o Canadá e aos Estados Unidos. “É gratificante, porque tem muito suor, muito trabalho e dedicação por trás”, diz Gusmão.

Participando pela segunda vez de uma feira internacional de turismo, Halyson Gusmão conta com orgulho sua trajetória. “Ano passado fechei vários contratos pela rodada de negócios. Este ano estou focado na Rota Bahia-Minas, mas é sempre uma oportunidade valiosa.”

Com orgulho da história familiar e visão empreendedora, Gusmão mostra que tradição e inovação podem andar juntas.





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Campanha quer ampliar consumo de feijão



A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro



A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro
A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro – Foto: Canva

Mesmo com preços mais baixos, o feijão está sendo deixado de lado na alimentação dos brasileiros. Segundo dados da Scanntech, divulgados recentemente, o consumo do grão caiu 4,2%, apesar de uma redução de 17,5% no preço. O arroz seguiu tendência parecida, com queda de 4,7% no volume consumido e retração de 14,2% nos preços.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), a queda no consumo de feijão é uma preocupação antiga. Nas últimas quatro décadas, o consumo per capita passou de 19 kg para 12,8 kg por ano. Entre os fatores estão a urbanização, famílias menores e a falta de tempo para cozinhar. Diante desse cenário, o setor está se mobilizando com a campanha Viva Feijão, que aposta em vídeos, redes sociais e influenciadores para reconectar o brasileiro com esse alimento tradicional e afetivo.

A ação inclui também o engajamento de produtores e parceiros do setor por meio do Clube Premier do Ibrafe, com incentivo à participação em eventos como o Pulse Day e à divulgação do perfil @vivafeijao no Instagram. A campanha pretende ainda ocupar as ruas com adesivos e divulgar opções de feijão pronto para atender ao consumidor moderno.

A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro. Para o Ibrafe, essa é uma causa social e cultural que precisa da força coletiva do setor para ser revertida.     “Vamos disponibilizar um adesivo oficial para carros, caminhonetes, tratores e onde mais for possível. Você pede, e nós enviamos o arquivo para impressão na sua região. Se o consumidor moderno acha complicado preparar pequenas porções de Feijão, vamos ocupar espaço com o Feijão pronto. O importante é manter o Feijão vivo no prato do brasileiro e transformar essa mobilização em força coletiva do setor”, conclui.

 





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Inflação avança, mas atividade perde força; ouça análise do que mexe com o mercado na semana


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que os indicadores dos EUA mostraram enfraquecimento do mercado de trabalho e da demanda interna, afetando mercados globais.

No Brasil, o BC manteve a Selic em 15% e adotou tom firme diante da inflação.

Os destaques da semana incluem os dados do Caged e a ata da reunião do Copom.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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Chegada de nova frente fria e temporais; veja a previsão do tempo para hoje



Frente fria se desloca do Sul para o Sudeste nesta segunda-feira (4) e a chuva começa a perder força no extremo oeste e sul do RS, com influência do ar polar, as temperaturas diminuem na Campanha e Fronteira Oeste. As instabilidades ainda persistem no norte do estado, e nas demais áreas da Região Sul – com risco para temporais na Serra e norte do RS, entre o sul e oeste de SC e em cidades do oeste e sudoeste do PR. Semana começa com atenção em Porto Alegre e Florianópolis e chuva moderada em Curitiba, além, de temperaturas mais baixas. O mar fica mais agitado na costa da Região Sul, porém, sem ressaca – ventos mais fortes no leste de SC e PR com rajadas de até 70 km/h.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

No Sudeste, ar seco no interior da e frente fria se aproximando do sul de São Paulo. Previsão de chuva moderada no extremo sul de SP – com o deslocamento da frente fria, chove durante o final da tarde e à noite na Região do Vale do Ribeira. O tempo continua mais aberto no interior e norte paulista e entre RJ, MG e ES, com condições para bastante vento e rajadas moderadas de até 50 km/h. Na cidade de SP a nebulosidade aumenta durante o dia, mas não chove. A semana começa com tempo firme e calor na cidade do RJ, em Belo Horizonte e Vitória. Os índices de umidade relativa do ar continuam baixos em todo o interior do Sudeste – com alerta entre o Triângulo e noroeste de MG.

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Enquanto no Centro-Oeste, o fluxo de umidade da Região Norte e a presença da baixa pressão no Paraguai, estimulam pancadas mais irregulares entre o noroeste, oeste e sudoeste de MT e parte do centro-sul e oeste de MS – segunda abafada, ainda com boas aberturas de sol e atenção para Campo Grande e Cuiabá, que podem receber pancadas fortes com raios de forma localizada. Entre GO e DF, tempo mais seco e firme – dia ensolarado e com umidade abaixo de 20% em Brasília e Goiânia.

Já no Nordeste, o risco de temporal continua em Aracaju e Maceió neste começo de semana – o vento úmido que sopra do mar contra o continente mantém nuvens mais carregadas e o risco para chuva desde cedo – atenção para o interior da PB, PE, AL, SE e todo o centro norte do RN e CE – a chuva pode acontecer com força intercalando alguns períodos de melhoria. Ar mais seco no sul do MA, PI, oeste e norte da BA e chuva moderada em Salvador e São Luís.

E no Norte, a presença de umidade combinada com as altas temperaturas mantém as instabilidades entre AM, AC e RO com previsão de pancadas fortes e risco para raios. Alerta entre AC e AM e chuva forte, também, sobre Macapá e Belém.



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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Suinocultura deve manter cenário de preços firmes com demanda aquecida e…


Exportações avançando e custos sob controle devem sustentar a rentabilidade do setor

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A oferta estável, o mercado interno aquecido e as crescentes exportações impulsionaram o aumento no preço do suíno vivo e da carne suína no varejo no primeiro semestre de 2025. Para o segundo semestre, a expectativa é de que a disponibilidade siga ajustada, enquanto a demanda — tanto interna quanto externa — permanece aquecida, sustentando os preços no mercado físico.

A Safras & Mercado apontou que a disponibilidade doméstica de carne suína está enxuta, favorecida pelo ótimo ritmo da exportação, que por sua vez tende a ultrapassar a marca das 115 mil toneladas em junho, seguindo a última média divulgada pela Secex.

Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), compiladas pela HN Agro, a produção de carne suína no Brasil deve crescer 2,2% em 2025, totalizando 4,6 milhões de toneladas em equivalente carcaça, frente às 4,5 milhões de toneladas registradas no ano passado. No sentido oposto, a China — maior produtora global — deve apresentar uma leve retração de 0,1%, com a produção estimada em 57 milhões de toneladas, ante as 57,06 milhões de toneladas de 2024.

O abate de 230,99 mil cabeças de suínos a mais no 1º trimestre de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior, foi impulsionado por aumentos em 17 das 26 Unidades da Federação participantes da pesquisa. Esse resultado da produção do abate de suínos registrou o melhor mês de janeiro, e significou o melhor 1° trimestre da série histórica iniciada em 1997.

“No caso do abate de suínos, a gente observa que, apesar do crescimento, o abate vem em uma desaceleração para poder manter a oferta equilibrada. Também observamos uma diversificação das nossas exportações, temos conseguido ampliar os nossos destinos para envio das carnes, o que tem favorecido a estabilidade deste mercado. A China reduziu muito as compras da nossa carne suína, mas conseguimos outros destinos, como as Filipinas, que tiveram uma ascensão nos últimos períodos e alcançaram a primeira posição nas compras”, explicou a gerente da pesquisa, Angela Lordão.

O Presidente da APCS, Valdomiro Ferreira, explica que muitos suinocultores seguraram os animais neste mês de junho a espera de preços superiores a R$ 180,00/@. “No começo de junho, o setor estava com uma perspectiva altista e que pudesse ultrapassar esse patamar de cotação até o final do mês, isso acabou levando os produtores a seguraram os animais mais leves na granja”, comentou em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

A Associação tem pedido aos suinocultores que não aguardem a retomada de preços, pois isso pode comprometer o ganho de peso dos animais e também gerar um excesso de oferta no início de julho. “Nós estamos pedindo para que os suinocultores não segurem os animais nas granjas e não aguardem retomada de preços, já que esse período melhora a conversão alimentar do animal, assim ele consome mais e ganha mais peso”, informou. 

Já no estado do Rio Grande do Sul, a oferta e a demanda para a suinocultura no estado continua ajustada desde do final do ano passado, conforme comentou o Presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Folador. “Já terminamos o primeiro semestre e não temos oferta sobrando, mas se tivesse mais disponibilidade de animais os frigoríficos estariam comprando”, comentou ao Notícias Agrícolas. 

A liderança gaúcha ainda reforça que o cenário de oferta ajustada tem sido positiva ao setor, pois os preços estão se mantendo estáveis com viés de alta e deixando margens positivas para o suinocultor. 

Custo de Produção

O poder de compra do suinocultor paulista vem crescendo frente ao milho e ao farelo de soja – principais insumos da atividade. Segundo as informações do Cepea, esse cenário tem sido favorecido pelo aumento no valor do suíno vivo e pela queda nos preços dos insumos, como o milho. 

O levantamento do Itaú BBA indicou que os custos da suinocultura caíram 3%, ao passo em que os preços do animal vivo avançaram 1%, e este patamar do spread se manteve na primeira metade de junho, com os custos e os preços caindo proporcionalmente, na ordem de 2%.

De acordo com os custos de produção, Folador reportou que o preço do milho e do farelo estão estáveis na localidade. “Nós acreditamos que esse cenário deve permanecer para o segundo semestre, mas estamos acompanhando que a demanda está bem aquecida e isso pode contribuir para o mercado”, relatou Folador. 

Com um aumento da oferta de cereal e preços pressionados, os suinocultores estão com margens mais atrativas e alguns casos estão aproveitando para estocar o milho para garantir a rentabilidade até o final do ano. 

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o Presidente da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira, destacou que os suinocultores estão tendo rentabilidade já que a relação de troca está favorável ao suinocultor. 

“Hoje, o preço do suíno está em R$ 168,00/@ e a saca do milho está em R$ 68,00 a saca posto Campinas. Nós estamos com uma relação de troca de uma arroba suína por 2,47 sacos de milho, sendo que o ideal é 2,5. Por tanto, nós estamos muito próximos de uma relação saudável”, comentou ao Notícias Agrícolas. 

Com relação ao farelo de soja, o setor de suinocultura está aguardando preços abaixo de R$ 1.600 por tonelada para o segundo semestre. “Com isso, nós estamos acompanhando produtores comprando farelo de soja de forma antecipada para os próximos dois meses e devemos comprar o farelo até dezembro”, destacou. 

No entanto, o agronegócio também acompanha a recente escalada de tensão no Oriente Médio, com o conflito entre Irã e Israel, que já começa a refletir de forma direta no setor. O impacto mais imediato tem sido o aumento no custo dos adubos nitrogenados, essenciais para culturas como o milho

Esse cenário traz consequências práticas para o planejamento agrícola. Tradicionalmente, em Santa Catarina, o milho é plantado entre setembro e outubro no estado e exige grande volume de nitrogênio na sua adubação. Com os preços elevados, muitos produtores já cogitam migrar parte das áreas destinadas ao milho para o cultivo da soja, que demanda menos fertilizante nitrogenado.

“Se o custo inviabilizar a cultura do milho, o produtor acaba optando pela soja. Isso pode agravar ainda mais o déficit de produção interna, já que nosso estado não tem safrinha e depende fortemente da produção de milho para alimentar suas cadeias de suínos, aves e leite. Hoje já temos um déficit de 5 a 6 milhões de toneladas de milho, e esse número pode crescer ainda mais”, alerta João Carlos Di Domenico, produtor rural e presidente da Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam). 

Demanda

A demanda por carne suína será um dos fatores determinantes para a formação de preços no segundo semestre de 2025, em um cenário de oferta doméstica mais ajustada. As exportações devem seguir aquecidas, enquanto a carne suína deve enfrentar maior concorrência da carne de frango, que apresenta preços mais acessíveis e pode ganhar espaço nas gôndolas diante do consumidor sensível ao custo.

As importações de carne suína pela China devem recuar 0,5% em 2025, totalizando 1,3 milhão de toneladas em equivalente carcaça, levemente abaixo das 1,306 milhão de toneladas adquiridas em 2024, segundo estimativas do USDA compiladas pela HN Agro. O Japão também deve reduzir suas compras no mercado internacional, com previsão de queda de 1,8%, passando de 1,487 milhão de toneladas no ano passado para 1,46 milhão neste ano.

Em sentido oposto, as Filipinas devem intensificar as importações da proteína, com alta projetada de 5,7% em 2025. O volume deve alcançar 630 mil toneladas, frente às 590 mil toneladas adquiridas em 2024, em meio às dificuldades do país em conter a peste suína africana e garantir o abastecimento interno.

As exportações brasileiras de carne suína devem crescer 4,5% em 2025, totalizando 1,6 milhão de toneladas em equivalente carcaça, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) compiladas pela HN Agro. O volume supera os 1,535 milhão de toneladas embarcadas em 2024 e reforça a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Na contramão, outros grandes exportadores devem enfrentar retração nas vendas externas. Os Estados Unidos devem embarcar 3,155 milhões de toneladas, queda de 2,2% em relação ao ano anterior. o USDA estima que a União Europeia, por sua vez, deve reduzir suas exportações em 3,8%, com estimativa de 2,9 milhões de toneladas em 2025, frente às 3,014 milhões de toneladas registradas em 2024.

O consumo de carne suína no mercado interno brasileiro deve avançar 1 % em 2025, alcançando 3,002 milhões de toneladas em equivalente‑carcaça e superando as 2,972 milhões de toneladas registradas em 2024, apontam projeções do USDA compiladas pela HN Agro. 
No maior polo de demanda global, a China, o movimento é inverso: espera‑se leve recuo de 0,1 %, para 58,2 milhões de toneladas, resultado de ajustes no plantel após os impactos da peste suína africana. 

Já as Filipinas surgem como destaque de expansão em função da dificuldade para conter a peste suína africana e com produção doméstica limitada, o país deve elevar suas compras em 5 %, passando de 1,576 milhão para 1,655 milhão de toneladas, o que tende a abrir espaço adicional para a proteína brasileira.

O Itaú BBA apontou que a China reduziu muito sua necessidade de importações desde 2021, após se recuperar da Peste Suína Africana. No caso das compras de carne suína do Brasil, as vendas estão 30% menores neste ano após terem caído 40% em 2024. Mesmo assim, ainda é o segundo principal destino externo, tendo sido ultrapassada somente pelas Filipinas. Ou seja, apesar das compras menores, ainda é um mercado importante para o Brasil.

Segundo as informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), de janeiro a março de 2025, 26 países registraram casos de peste suína africana contabilizando 2.251 casos registrados neste período. A ABPA ainda reforça que há décadas não ocorre casos de PSA no Brasil.

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Número de casos de peste suína africana | Informação e elaboração Secex

De acordo com as informações da Scot Consultoria, a carne suína enfrenta uma forte concorrência no mercado doméstico. De um lado, a carne de frango, mais barata. Do outro, a carne bovina, com preços mais atrativos que no passado. 





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Soja ‘não acelera’ em meio a preços travados em julho arrastado



O mercado brasileiro de soja encerrou julho com ritmo lento e poucos negócios. Com a colheita da safrinha avançando, os produtores priorizaram a comercialização do milho e deixaram a soja em segundo plano.

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Segundo a consultoria Safras & Mercado, a queda nos contratos futuros em Chicago, pressionados pelo clima favorável ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, contribuiu para a cautela no mercado doméstico. Ainda assim, a valorização do dólar e dos prêmios de exportação ajudou a conter parte das perdas.

Preços de soja

No interior do Brasil, os preços da soja oscilaram entre estabilidade e leve recuo, enquanto nos portos houve valorização. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos caiu de R$ 135,00 para R$ 132,00. Em Rondonópolis (MT), subiu de R$ 115,00 para R$ 122,00. No Porto de Paranaguá (PR), o valor passou de R$ 133,50 para R$ 138,00.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), o contrato com vencimento em novembro acumulou queda de 3,68% ao longo do mês, encerrando julho cotado a US$ 9,8925 por bushel. O clima favorável nos Estados Unidos alimenta expectativas de uma safra cheia em meio a uma oferta global já elevada, o que pressiona as cotações internacionais.

O dólar, por sua vez, subiu 3% no mês, encerrando julho em torno de R$ 5,60. A valorização da moeda norte-americana e a alta nos prêmios amenizaram os efeitos negativos da CBOT no mercado interno.

Safra 25/26 de soja

De acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, a área plantada com soja no Brasil deve atingir 48,217 milhões de hectares na safra 2025/26, um crescimento de 1,2% em relação ao ciclo anterior. A produção está estimada em 179,875 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 4,6% sobre a safra 2024/25. Caso se confirme, será o maior volume já registrado no país.

Para o analista Rafael Silveira, o aumento de área deve ocorrer principalmente no Centro-Oeste e no Nordeste, regiões que ainda apresentam disponibilidade de áreas de pastagem para conversão em lavouras. No entanto, ele alerta que os custos de produção seguem elevados e os juros continuam pressionando o orçamento dos produtores.

“O ponto central é que deveremos observar aumento de área em muitos estados produtores. No entanto, os custos de produção estão mais elevados, com juros ainda altos, o que pode resultar em redução nos investimentos em tecnologia para a cultura da soja, fator que limita o potencial de produtividade em diversas regiões”, explica Silveira.

No Rio Grande do Sul, o cenário é mais desafiador. Segundo o analista, o estado vem sendo afetado por sucessivas adversidades climáticas, o que tem comprometido a produtividade e desestimulado o investimento. Por isso, não há expectativa de expansão de área, e o uso de tecnologias nas lavouras deve ser reduzido, tornando-as mais vulneráveis a novos eventos extremos.

Já no Mato Grosso, a expectativa é de continuidade no bom desempenho. “2025 é um ano de recuperação de produtividade no Mato Grosso, que deve continuar liderando a produção nacional”, afirma Silveira.



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Após tarifaço, China sinaliza maior abertura para o agro brasileiro



Após semanas de tensões comerciais causadas pela anúncio de uma taxação de 50% das exportações brasileiras pelo os EUA, a China começa a sinalizar uma abertura mais ampla para o agronegócio do Brasil. Em um movimento visto como estratégico, Pequim aprovou a habilitação de 183 novas empresas brasileiras de café para exportação ao mercado chinês. A medida entrou em vigor na última quarta-feira (30) e terá validade de cinco anos.

No entanto, a decisão foi anunciada pela Embaixada da China no Brasil nas redes sociais no sábado (2), que destacou a qualidade do café brasileiro como um diferencial importante. A ação ocorre em meio à intensificação das relações comerciais entre os dois países, especialmente no setor agroalimentar.

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Além do café, o governo brasileiro também celebrou a ampliação de acesso a outros produtos. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil conseguiu novas habilitações para exportação de gergelim ao mercado chinês, o que pode beneficiar pequenos e médios produtores nordestinos. Paralelamente, a China também habilitou os primeiros estabelecimentos brasileiros para exportar farinhas de aves e suínos, sinalizando uma diversificação na pauta exportadora do agro nacional.

Analistas veem essas medidas como indícios de que, mesmo em meio a disputas comerciais, há disposição por parte da China em preservar e até expandir a cooperação no setor agrícola, essencial para sua segurança alimentar.

A movimentação pode representar uma oportunidade estratégica para o Brasil ampliar sua presença no país que é seu principal parceiro comercial.



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Lula descarta desafiar EUA, mas diz que Brasil não é republiqueta


O Brasil não deve abrir mão de procurar viabilizar uma alternativa ao dólar como moeda para fazer comércio internacional, afirmou neste domingo (3) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso sobre o tarifaço de 50% que os Estados Unidos (EUA) impuseram contra o país. Cerca de 36% das exportações brasileiros foram taxadas pela Casa Branca. 

“Eu não vou abrir mão de achar que a gente precisa procurar construir uma moeda alternativa para que a gente possa negociar com os outros países. Eu não preciso ficar subordinado ao dólar”, afirmou o presidente brasileiro.

Apesar de os EUA não citarem diretamente a substituição do dólar no comércio global como motivo para taxação do Brasil, analistas têm apontado que essa proposta em discussão no Brics está por trás da ação de Donald Trump. 

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Durante a Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro (RJ), entre 6 e 7 de julho, Trump fez críticas ao bloco e prometeu retaliar países que substituam o dólar no comércio. O uso do dólar como moeda internacional concede uma vantagem competitiva para os EUA na economia global. 

Em convenção do Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília, Lula destacou que o Brasil não quer desafiar os EUA, mas que o país tem interesses estratégicos que precisa defender. O presidente afirmou que o Brasil não é uma “republiqueta” e que quer negociar em igualdade de condições.

“Os EUA são muito grande, é o país mais bélico do mundo, é o país mais tecnológico do mundo, é o país com a maior economia do mundo. Tudo isso é muito importante. Mas nós queremos ser respeitados pelo nosso tamanho. Nós temos interesses econômicos e estratégicos. Nós queremos crescer. E nós não somos uma republiqueta. Tentar colocar um assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável. É inaceitável”, avaliou.

Lula fez referência às críticas dos EUA ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, um dos motivos apontados por Trump para taxar o Brasil.

Relações diplomáticas 

O presidente brasileiro, por outro lado, acrescentou que o governo segue aberto a negociações com os EUA e que, apesar de o país norte-americano não ter mais a mesma importância econômica que já teve para o Brasil, as relações diplomáticas devem ser preservadas.

“O Brasil hoje não é tão dependente como já foi dos Estados Unidos. O Brasil tem uma relação comercial muito ampla no mundo inteiro. A gente está muito mais tranquilo do ponto de vista econômico. Mas, obviamente, que eu não vou deixar de compreender a importância da relação diplomática com os Estados Unidos, que já dura 201 anos”, afirmou.

Lula disse ainda que o governo vai trabalhar para defender as empresas e os trabalhadores afetados pelo tarifaço enquanto deixa a porta aberta para negociações com a Casa Branca.

“Vamos dizer o seguinte, ‘olha, quando quiser negociar, as propostas estão na mesa. Aliás, já foram apresentadas propostas pelo [vice-presidente] Alckmin e pelo [ministro das relações exteriores] Mauro Vieira. Então, é simplesmente isso”, finalizou.

Negociações

Após a formalização do tarifaço, a Secretaria de Tesouro dos EUA entrou em contato com o Ministério da Fazenda para iniciar negociações. Na última sexta-feira (1º), o presidente Donald Trump disse que está disposto a conversar com o presidente Lula.  

Segundo Haddad, o governo deve anunciar, nos próximos dias, um pacote de medidas com linhas de crédito para empresas afetadas pelo tarifaço de Trump.



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