Na próxima quinta-feira (14), a cidade de Cuiabá (MT) será o palco do “Seminário Justiça Territorial – Respeito aos direitos civis nos processos de demarcação de terras indígenas”. O encontro é promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e será realizado a partir das 8h, no Espaço Reali. Estarão presentes autoridades, juristas, representantes do setor produtivo e da sociedade civil.
O seminário tem como objetivo fomentar um debate técnico em torno da Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) e da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 24/2025, que propõe transferir ao Congresso Nacional a competência para criação de áreas de preservação ambiental e demarcação de terras indígenas. A intenção é discutir as implicações legais e sociais desses processos, buscando garantir o respeito aos direitos civis e à segurança jurídica.
Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja MT, destaca a importância do tema para o setor produtivo. “Vamos tratar sobre segurança jurídica e os impactos sociais nas demarcações de terras indígenas, porque cresce a preocupação do setor e do produtor rural por conta de 22 municípios que serão afetados por demarcações. Na nossa visão, isso tem um concreto risco de insegurança jurídica ao direito de propriedade, onde produtores consolidados antes da Constituição de 1988 estão sendo prejudicados com processos questionáveis de demarcação”.
Para Leonardo Bortolin, presidente da AMM, os impactos vão além dos produtores, afetando também a gestão pública municipal. “Buscamos equilíbrio entre quem produz e o direito dos povos indígenas, mas precisamos considerar a insegurança jurídica que este tema tem levantado para municípios. Imagine uma ‘redemarcação’ com perda de área produtiva, o que isso significa economicamente para a população e para a Prefeitura. É crucial que as autoridades se mobilizem para garantir que novas demarcações sejam exclusivas do Congresso Nacional”, afirmou.
A colheita do café avança em todo o Brasil e já se aproxima da reta final, com os trabalhos em campo atingindo 94% da área estimada para esta safra, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, divulgado nesta sexta-feira (8). O ritmo desacelerou nos últimos dias, mas é um movimento comum na reta final dos trabalhos.
No entanto, em Minas Gerais, maior estado produtor do país, a safra de 2025 deve ser menor que a do ano passado. O recuo é atribuído à bienalidade negativa e às condições climáticas adversas, como períodos de seca durante fases importantes do ciclo da cultura.
De acordo com o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas deve colher cerca de 26,1 milhões de sacas, o que representa uma redução de 7,1% frente à temporada de 2024. Apesar das perdas previstas, a colheita do arábica tem avançado bem nas principais regiões do estado.
Em entrevista ao Mercado & Companhia, o coordenador técnico Emater-MG, Willem de Araújo, explicou que além da seca, chuvas recentes em algumas áreas têm dificultado a secagem dos grãos nesta fase final da colheita. “O produtor está com pressa agora. Os preços estão em alta e ele já começa a pensar na próxima safra. Isso acelera o ritmo da colheita em algumas regiões”.
Segundo o especialista, a colheita já foi praticamente encerrada no Sul de Minas e no Cerrado, restando áreas de montanha, onde a maturação é mais lenta. Ainda assim, a definição dos números finais da safra pode demorar.
“Muitos produtores ainda não estocaram nem entregaram todo o café às cooperativas. Além disso, há relatos de que estão sendo necessários de 10% a 15% mais grãos para formar uma saca beneficiada. Isso indica que a produção final pode ser ainda menor que os 26 milhões de sacas inicialmente previstos”, afirma.
Qualidade melhor, mas com ressalvas
Sobre a qualidade das plantas, Araújo afirma que as lavouras irrigadas e situadas em áreas mais altas estão com melhor condição fitossanitária. “Essas áreas produziram menos, o que ajuda na recuperação. Em geral, a situação está melhor que no ano passado, quando tivemos um inverno mais quente e plantas desajustadas. Mas aquelas que produziram muito este ano dificilmente vão se recuperar a tempo para a próxima safra.”
Orientações da Emater
Diante do cenário desafiador, a Emater recomenda atenção ao manejo e planejamento antecipado. “Agora é a hora do produtor fazer as podas, escolhendo a técnica mais adequada para cada área. Os preços do café estão em níveis remuneradores, então o momento é favorável para já adquirir insumos com melhores condições”, orienta.
Além disso, ele destaca a importância do investimento em sistemas de irrigação mais eficientes, especialmente nas regiões mais secas, como forma de garantir produtividade com qualidade e menor custo.
Mercado de olho no tarifaço
No mercado, os olhares se voltam para o cenário internacional. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), agentes do setor ainda acreditam que a tarifa adicional de 50% sobre as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos pode ser revertida.
A pressão vem de grandes empresas norte-americanas que dependem do café brasileiro para a composição de seus blends industriais. O Brasil é responsável por cerca de 25% do café importado pelo mercado norte-americano e é o principal fornecedor da variedade arábica, base da indústria local de torrefação.
De acordo com o coordenador técnico, o cenário é incerto. “Ainda estamos aguardando uma definição. Isso pode afetar o volume exportado e deve influenciar a tomada de decisão dos produtores nos próximos meses”, conclui.
De 12 a 15 de agosto de 2025, o 13º Congresso Brasileiro do Arroz Irrigado acontecerá em Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul. Promovido pela Sociedade Sul-Brasileira do Arroz Irrigado (Sosbai) e pela Embrapa, com a participação da Epagri, Irga e das principais universidades do estado, como UFPel, UFRGS e UFSM, o evento reunirá cerca de 700 participantes e oferecerá uma programação técnica focada em pesquisa, genética, mercado, clima e insumos para o arroz irrigado.
Entre as presenças de destaque está a pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria, premiada este ano com o World Food Prize, conhecido como o Nobel da Agricultura. Ela apresentará seu trabalho sobre bioinsumos no Brasil, enfatizando processos microbianos que promovem o crescimento das plantas e a fixação biológica do nitrogênio. Com mais de 500 publicações técnico-científicas e 30 prêmios, Mariangela é uma autoridade reconhecida na área.
No dia 14 de agosto, Mariangela participará do painel “Desafios e Oportunidades para o Uso de Bioinsumos em Arroz Irrigado”, onde abordará avanços da biotecnologia do solo para tornar o país mais independente de insumos importados, com produtos sustentáveis e produzidos localmente. Segundo ela, “o uso de bioinsumos representa uma oportunidade única para a agricultura brasileira se desenvolver de forma sustentável e inovadora”.
Além desse painel, o congresso discutirá o mercado nacional e europeu do arroz, os avanços no melhoramento genético para resistência a pragas e doenças, e os impactos das mudanças climáticas na produção irrigada. O encontro também terá a conferência magna com o engenheiro Paulo Hermann, referência no agronegócio brasileiro.
Voltado a pesquisadores, técnicos, professores, produtores e estudantes, o congresso promove a troca de conhecimento e fortalece o setor orizícola brasileiro, com foco em inovação e sustentabilidade.
Em uma nova ofensiva contra o que chamam de “interferência do Judiciário”, líderes da oposição anunciaram na terça-feira (5) que irão retomar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o foro privilegiado para autoridades. A medida é apresentada como uma resposta institucional às sucessivas tensões entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o Supremo possui inquéritos em segredo de justiça contra parlamentares que, segundo críticos, poderia usar para fazer pressão política.
A proposta, que tramita desde 2013, foi apresentada pelo então senador Álvaro Dias e tem como objetivo restringir drasticamente o alcance do foro especial por prerrogativa de função — popularmente conhecido como foro privilegiado. A versão aprovada no Senado em 2017 limita o foro apenas aos presidentes da República, da Câmara, do Senado e do STF. Atualmente, cerca de 55 mil autoridades no Brasil têm acesso a esse benefício, que garante o julgamento apenas por tribunais superiores, mesmo por crimes comuns.
Oposição vê “tempestade perfeita” contra Moraes no Congresso após a prisão de Bolsonaro
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impor prisão domiciliar a Jair Bolsonaro (PL), nesta segunda-feira (4), intensificou a pressão nacional e internacional por uma reação do Congresso à sua atuação, vista pela oposição como autoritária e criminosa.
Aliados do ex-presidente reagiram à prisão com indignação nas redes sociais, entrevistas e pronunciamentos públicos. Eles classificaram o ato como “tirania judicial”, “silenciamento político” e “absurdo jurídico”. Nos bastidores, contudo, a decisão que agrava a crise institucional é tida como indutora da “tempestade perfeita” contra Moraes.
O prazo para entrega da declaração de imposto sobre propriedade territorial rural (DITR), referente ao ano de 2025, inicia-se na próxima segunda-feira (11) e vai até 30 de setembro. Este ano, a Receita Federal trouxe algumas mudanças relacionadas à autenticação via portal gov.br.
O advogado tributarista Pedro Marco, do escritório Lavez Coutinho, esclarece que o documento deve ser remetido por toda pessoa física ou jurídica que em 1 de janeiro deste ano era proprietária, titular de domínio útil ou possuidora de imóvel rural, incluindo até mesmo os usufrutuários.
“Essa obrigação também alcança quem, entre janeiro e a entrega da DITR, tenha perdido a posse ou a propriedade por desapropriação ou alienação ao Poder Público. É importante destacar que nos casos de imóveis que são pertencentes a espólio, deve declarar o inventariante enquanto não for concluída a partilha, ou na falta do inventariante o cônjuge meeiro, companheiro ou ainda o sucessor”, enumera
A respeito da autenticação via gov.br, é obrigatório que, para transmitir a DITR, o usuário tenha conta nível prata ou ouro. “Por um lado, esse esse fato reforça a segurança, mas pode ser uma barreira no que diz respeito ao acesso digital, já que se exige o reconhecimento facial, a integração com bancos credenciados. Então, sem inclusão digital, pode crescer a dependência de produtores em terceiros para cumprir a obrigação”, destaca.
Simplificação da DITR
Marco ressalta outro ponto novo para o envio da DITR neste ano: a retirada da obrigatoriedade do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
“Até 2024 era necessário apresentar o ADA, obtido junto ao Ibama para fim de apuração de Área de Preservação Permanente, as chamadas APPs e de reserva legal. Neste ano, pela primeira vez, essa obrigatoriedade foi retirada da instrução normativa da receita, passando a exigir apenas o número do Cadastro Ambiental Rural (CAR).”
Segundo ele, o imposto eventualmente gerado com o envio da declaração pode ser pago à vista ou em até quatro parcelas mensais, desde que cada uma seja de, pelo menos, R$ 50. Entretanto, valores abaixo de R$ 100 só podem ser pagos à vista.
“Uma novidade que é interessante é o pagamento via Pix, usando o QRcode que é gerado pelo próprio sistema. Isso facilita para quem etá longe de agência bancária. Mas é importante que o contribuinte esteja atento a golpes […]. Por isso, é importante gerar esse código para pagamento via Pix somente via canais oficiais da receita”, alerta o especialista.
Contudo, o modelo tradicional de pagamento, via Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), continua disponível.
Isenção de envio
O adovgado conta que existem hipóteses em que o produtor fica isento do envio da DITR, como no caso de pequenas propriedades exploradas por agricultores familiares que não possuam outro imóvel rural.
“O mesmo vale para propriedades de domínio público ou de interesse social”, define Marco.
Já para quem necessita enviar a DITR e não a transmitiu, está sujeito à multa de 1% ao mês sobre o valor do imposto devido. “É possível regularizar [a pendência] depois caso seja constatado erro, omissão ou inexatidão [dos dados] no momento da entrega da declaração. Neste caso, o contribuinte precisa entregar uma DITR retificadora, mas isso precisa ser feito antes que tenha sido iniciado o procedimento de lançamento da multa”, conclui.
Na última semana, o município de Jaguaré, no Espírito Santo, sediou o segundo encontro do “Circuito de Resultados do Projeto Campo Futuro”, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes) e do Sindicato Rural local. Produtores de café arábica e conilon e pimenta-do-reino debateram custos de produção, técnicas de manejo, estratégias de agregação de valor e perspectivas de mercado.
O presidente do Sindicato Rural de Jaguaré, Gedson Salarolli, ressaltou que o levantamento revela o custo real de cada saca de café e do quilo de pimenta, permitindo calcular o lucro. A coordenadora da CNA, Ana Lígia Lenat, destacou que o projeto também orienta na tomada de decisões e no uso de tecnologias. Já a técnica Letícia Barony apresentou dados da pimenta-do-reino, que teve margem bruta positiva, mas líquida negativa, reflexo de uma quebra de 50% na safra 2024/25 devido ao excesso de calor.
O pesquisador Matheus Mangia, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), destacou a importância de conhecer os custos do café para definir preços e rever o fluxo de caixa e identificar problemas, como perdas na colheita. “Ao calcular os custos, sabemos exatamente onde a colheita pesa, o que nos permite agir na organização e na redução das perdas. No café conilon, ainda conseguimos ganhos em eficiência hídrica e energética”, explicou.
Produtores como Terezinha Lucia Sossai e Márcio Gomes reforçaram que mensurar custos é essencial para melhorar a gestão das lavouras. O Campo Futuro é uma iniciativa do Sistema CNA/Senar em parceria com universidades e centros de pesquisa. Os próximos encontros estão agendados para João Pessoa (PB) em 14 de agosto, Sorriso (MT) em 28 de agosto e Chapecó (SC) em 19 de setembro.
Pecuaristas, a busca por resultados extraordinários na pecuária brasileira continua a render histórias inspiradoras. No estado da Bahia, um lote de novilhas F1 angus está surpreendendo e mostrando que a combinação de genética, manejo de ponta e tecnologia pode gerar resultados impressionantes. Já clica aí pra assistir ao vídeo abaixo e conferir essa história que é pura inspiração para a sua fazenda!
Com um trato caprichado no confinamento, os animais ultrapassaram as 18 arrobas de peso por carcaça. Essa prova de excelência e inovação na lida foi o grande assunto do quadro Giro pelo Brasil desta sexta-feira (8).
O programa, transmitido pelo Canal Rural, destacou o trabalho de uma produtora que, com um manejo de alta tecnologia, está produzindo um gado de altíssima qualidade e com um peso que impressiona, reforçando o constante avanço da pecuária brasileira.
A receita de sucesso da Captar na Bahia
Foto: Divulgação/Friboi de Itapetinga (BA)
De onde veio essa novilhada que está dando o que falar? Essa produção de primeira é da Captar Agrobusiness e Confinamento, controladora da Fazenda Captar West Bahia Farm, localizada em Luís Eduardo Magalhães, no estado da Bahia.
O pessoal da Captar está de parabéns por um trabalho que reflete o cuidado, o investimento e a visão de quem busca a excelência na criação de bovinos.
Quem fez questão de apresentar esses resultados impressionantes foi Lucas Nascimento de Oliveira, zootecnista e originador da unidade da Friboi de Itapetinga, na Bahia.
Lucas destacou a qualidade do lote e como o manejo bem-feito é fundamental para alcançar esses patamares de peso e qualidade que impressionam.
Os números que comprovam qualidade na Bahia
Foto: Divulgação/Friboi de Itapetinga (BA)
Agora, preparem-se para os números que confirmam a excelência desse lote. A Captar levou para o abate 132 novilhas F1 angus, com 90% de aprovação no Protocolo 1953, um selo de qualidade que valoriza a carne macia e suculenta.
A terminação no confinamento durou 110 dias, e o gado, que é da própria Captar, mostra que o trabalho de melhoramento genético da companhia está no caminho certo para garantir mais e mais resultados.
O peso médio por carcaça após o abate foi de impressionantes 18,4 arrobas, o que comprova que o investimento em confinamento, aliado a animais de boa genética, traz um retorno impressionante e faz a pecuária de ponta brilhar!
Para finalizar, Lucas lembrou ainda a data do Circuito Nelore de Qualidade na unidade da Friboi de Itapetinga: 30 de outubro. Uma ótima oportunidade para ver mais gado de qualidade e conhecer as boas práticas de manejo da região.
O que é o Protocolo 1953?
Foto: Divulgação/Friboi de Itapetinga (BA)
O Protocolo 1953, que garante um dos maiores bônus aos pecuaristas do país. Lançado em 2018, o Protocolo 1953 privilegia os pecuaristas que trabalham para obter animais que garantem carne macia, saborosa e suculenta.
Entre as regras básicas para que um animal desta grife de carne seja certificado, está o grau de sangue (ter no mínimo 50% de sangue de raças taurinas).
Cruzamento industrial de valor agregado ao pecuarista
O programa abriu uma porta para valorizar não só animais cruzados com Angus, mas de demais raças com sangue taurino como hereford, charolês, blonde d’aquitaine e demais animais de raças sintéticas como o canchim.
No entanto, para trilhar o caminho da produção de um bovino que gera uma carne de qualidade não depende somente da genética.
A alimentação do gado foi um ponto fundamental, pois o animal precisa ter um acabamento de gordura adequado.
Bovinos machos, só castrado mesmo
Além disso, os machos precisam ser castrados e terem até dois dentes incisivos para serem classificados no programa.
As novilhas precisam ter até quatro dentes. A maturidade e o acabamento também são fundamentais. Confira a entrevista na íntegra para saber os detalhes desse programa que está elevando os ganhos da arroba do boi pelo país.
No interior de Mato Grosso, a vida da família Freitas sempre foi regida pelo ritmo das ordenhas, pelas madrugadas no curral e pela persistência silenciosa de um homem: o produtor rural Alaerte Alves de Freitas. Por 30 anos, ele se dedicou à produção de leite com afinco, mesmo em tempos difíceis, quando o lucro era escasso e a técnica, limitada.
Hoje, ao lado da esposa Zilmar e dos filhos Lucas e Gustavo, colhe os frutos de uma trajetória marcada pelo trabalho árduo e pela abertura para o novo. Com o apoio do Sebrae e do Senar, a família multiplicou a produção leiteira, alcançando picos de 700 litros diários. Agora, eles se preparam para um novo ciclo: a transição para a pecuária de corte.
Lucas Alves de Freitas, engenheiro agrônomo e técnico do Senar, guarda na memória o esforço do pai, que começou praticamente do zero. “Com seis anos, eu já tirava leite de seis vacas. Cresci vendo meu pai levantar cedo todo dia, mesmo quando não tinha certeza se valia a pena continuar”, conta.
O início foi modesto. A produção diária girava em torno de 70 a 80 litros, e quase tudo era feito manualmente. “Era tudo no braço, e a gente trabalhava com o que tinha. Meu pai sempre foi muito dedicado, mas sabia que, sozinho, não ia conseguir evoluir”, relata Lucas.
Foi nesse contexto que a chegada do projeto Balde Cheio, do Sebrae, se tornou um divisor de águas. A decisão de participar do programa não foi fácil. “A gente ficou com medo de mudar, mas minha mãe insistiu. Começamos a seguir as orientações dos técnicos e, aos poucos, vimos a diferença”, lembra Lucas.
Foto: acervo pessoal
Técnica e coragem: o segredo para crescer
O ponto de virada veio com a técnica. Com os novos conhecimentos, o rebanho ganhou qualidade genética, a pastagem foi reorganizada e a produção disparou. “Saímos de 80 para 700 litros por dia. E tudo isso foi feito com o que já tínhamos na propriedade. Só mudamos o jeito de fazer”, afirma Lucas.
Zilmar Alves de Freitas, esposa de Alaerte, também reconhece o impacto da assistência técnica. “Veio a irrigação, a divisão de pastos, a recuperação de pastagens, o controle sanitário. A produção cresceu muito. E tudo isso começou com a coragem da familia”, lembra.
Com o passar do tempo e os desafios de saúde do patriarca, a família decidiu iniciar uma transição planejada para a pecuária de corte. A decisão, embora difícil, é encarada como mais uma etapa da caminhada iniciada por Alaerte há três décadas.
“Estamos migrando do leite para o corte. É um desafio, mas temos suporte técnico da ATeG Senar, o que nos dá segurança”, afirma o filho Lucas.
A nova fase conta com apoio gerencial, controle financeiro detalhado e orientações sobre mercado e nutrição animal. Mesmo com a mudança, o respeito ao trabalho feito até aqui permanece.
“Meu pai construiu tudo isso com as mãos e com muito sacrifício. A gente só está conseguindo seguir em frente porque ele plantou essa base forte”, completa Gustavo, irmão de Lucas.
O valor de um pai que nunca desistiu
Para a família Freitas, a história do pai é uma homenagem à perseverança e à fé no trabalho rural. Desde pequeno, Lucas viveu essa realidade: com apenas seis anos, já cuidava de suas vacas leiteiras, uma rotina que manteve até se formar em agronomia.
“Neste Dia dos Pais, ele é o exemplo de um homem incansável, que nunca desistiu e sempre acreditou, mesmo nos momentos difíceis. Ele sempre diz: ‘Meu filho, um dia vai melhorar’. Hoje, graças a ele, temos conhecimento, estrutura e um futuro promissor”, orgulha-se o filho.
Mais que na produção, seu legado ensina que é possível crescer sem deixar o campo, mudar com humildade e que o conhecimento técnico é o melhor aliado do produtor familiar. A trajetória da família, marcada por superação, inovação e união, mostra que o campo é um lugar de oportunidades, especialmente quando se tem um pai que lidera pelo exemplo, mesmo em silêncio.
Do leite ao corte: uma história de legado e transformação
A transição para a pecuária de corte é um novo capítulo que se constrói sobre a base sólida de três décadas de dedicação ao leite. A capacitação técnica, o apoio do Sebrae e do Senar, e a união familiar mostram que é possível reinventar o negócio sem perder a essência. Para muitos, o leite é apenas um produto.
Para Alaerte, foi o caminho para construir um futuro melhor para os filhos. Um pai que, com sabedoria, coragem e trabalho duro, ensinou que a maior herança que se pode deixar é o conhecimento.
De acordo com dados análise agro mensal do Cepea, o mês de julho foi marcado por uma tendência de queda nos preços do milho, apesar de algumas reações pontuais que indicaram uma leve recuperação em algumas regiões. A pressão sobre o cereal no mercado interno foi gerada principalmente pela retração de consumidores, que estavam aguardando uma possível desvalorização mais acentuada do grão. Esse comportamento foi influenciado pelo avanço da colheita da segunda safra, que já mostrava sinais de ser recorde no Brasil, e também pelas exportações enfraquecidas.
A expectativa em torno de uma colheita abundante gerou um cenário de cautela entre os consumidores. Com estimativas que indicam uma safra recorde de milho, os compradores decidiram adotar uma postura mais conservadora, acreditando que os preços do grão poderiam continuar a cair à medida que a oferta aumentasse. Essa espera, somada à desaceleração das exportações, levou os consumidores a priorizarem a utilização de lotes negociados antecipadamente, no intuito de evitar maiores custos em compras futuras.
Por outro lado, o mercado interno foi também impactado pela flexibilidade dos vendedores, que estavam mais dispostos a negociar os preços para acelerar as vendas. A demora na comercialização e as dificuldades de escoamento da produção nacional forçaram muitos vendedores a ajustarem suas expectativas de preço, especialmente diante da previsão de grande oferta. Isso contribuiu para uma dinâmica de preço mais competitiva, onde os compradores tentaram pressionar por melhores condições de negociação.
Em termos de oferta, a colheita da segunda safra, que avançava de forma significativa em julho, foi um fator determinante para o enfraquecimento da pressão de compra. Com o aumento da oferta de milho, os consumidores se sentiram mais seguros para adiar as compras, aguardando uma eventual queda dos preços. O mercado doméstico, assim, se viu envolvido em um ciclo de retração que impactou diretamente as cotações do milho no Brasil.
Enquanto isso, o cenário das exportações também desempenhou um papel crucial. A desaceleração nas vendas externas de milho, devido à redução da demanda em mercados tradicionais e ao aumento da oferta interna, afetou a confiança no mercado. A falta de novos contratos de exportação mais robustos fez com que o mercado interno ficasse ainda mais dependente da movimentação de grãos no território nacional, o que contribuiu para a desaceleração dos preços.
Apesar das quedas registradas em julho, os analistas indicam que o mercado de milho ainda apresenta um potencial de recuperação nas próximas semanas. Com a colheita da safra de verão e a entrada da segunda safra, a oferta do grão tende a estabilizar, o que poderá permitir uma recuperação gradual das cotações. Contudo, o cenário continuará dependente das condições climáticas e da dinâmica das exportações, que seguem como fatores de influência.