Segundo o instituto, vendedores estão focados no desenvolvimento da safra, nos trabalhos de campo e também no início da colheita no Sul do Brasil. Aqueles com necessidade imediata acabam cedendo nos valores pedidos, enquanto moageiras bem estocadas ofertam preços ainda menores.
Além disso, a proximidade da entrada de maior volume da safra 2025, as boas expectativas de produtividade, a taxa cambial em patamares mais baixos e a ampla oferta mundial reforçam a pressão sobre as cotações internas.
Em agosto de 2025, a média mensal no Rio Grande do Sul foi de R$ 1.291,08/tonelada, quedas de 2% frente a julho/25 e de 12,2% em relação a agosto/24, em termos reais (deflacionamento pelo IGP-DI).
No Paraná, a média foi de R$ 1.433,50/t, baixa de 2,9% no comparativo mensal e de 9,4% no anual. Em São Paulo, os recuos foram de 4,6% e 12,6%, respectivamente, com média de R$ 1.431,12/t em agosto/25.
Em Santa Catarina, a cotação média foi de R$ 1.432,41/t, retrações de 0,6% e 7,6%, nesta mesma ordem.
Entre 25 e 29 de agosto, a média do Indicador Cepea/Esalq, cor Icumsa de 130 a 180, foi de R$ 118,69/saca de 50 kg. O valor representa baixa de 1,56% em relação à verificada no intervalo anterior.
Pesquisadores explicam que o recuo das cotações foi atribuído à menor movimentação no mercado. Houve pequena presença de compradores interessados em negociações do cristal para pronta-entrega.
De fato, a liquidez captada pelo Cepea caiu 47% na última semana em comparação com a anterior.
Dados da Unica mostram que, na primeira quinzena de agosto, a região Centro-Sul produziu 3,615 milhões de toneladas de açúcar, avanço de 15,96% frente ao mesmo período de 2024. O mix de produção esteve significativamente mais açucareiro, com 55% da cana direcionada ao açúcar.
O governo federal definiu as regras para implementação de medidas preventivas a incêndios florestais em propriedades rurais. Entre elas, prevê a proibição do uso do fogo em pastagens, áreas agrícolas ou áreas de manejo florestal sem autorização prévia e formal do órgão ambiental.
As regras foram aprovadas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, e publicadas em resolução no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 1º de setembro. A medida ocorre após o recorde de incêndios florestais registrado no ano passado em meio à seca nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do país.
O objetivo das medidas é de reduzir as ações irregulares ou ilegais que possam causar incêndios florestais, reduzir a ocorrência de grandes incêndios florestais, formar e mobilizar ambientes e resilientes ao incêndios florestais e incentivar planejamentos e ações conjuntas entre proprietários rurais para compartilhamento de equipamentos, veículos, aeronaves e brigadistas ao combate de incêndios florestais, segundo a resolução.
A elaboração de aceiros, faixas sem vegetação que funcionam como barreiras para evitar a propagação dos incêndios florestais, bem como de queima controlada para fragmentação do combustível, também estarão sujeitas à orientação técnica e autorização do órgão ambiental.
A resolução determina como medida preventiva o uso de sistemas e dispositivos de monitoramento, comunicação e alerta para acionamento de brigadas locais particulares ou dos Corpos de Bombeiros Militares.
As regras preveem ainda o uso de aeronaves adaptadas para transporte e lançamento de água para combate ao incêndio florestal, a manutenção periódica de máquinas e equipamentos agrícolas e o uso de reservatório natural ou artificial de água e bomba com capacidade para abastecimento de equipamento, veículo ou aeronave de transporte e lançamento de água para combate a incêndio florestal.
Todos imóveis rurais, à exceção de agricultores familiares, deverão elaborar e implementar as medidas da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) ou do Plano Operativo de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais.
De acordo com a resolução, produtores rurais terão o prazo de dois anos para se adequar e cumprir as novas regras. O cumprimento das medidas da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) ,servirá como atenuante para possíveis penas a produtores rurais em decorrência de incêndios florestais. A resolução entra em vigor na próxima segunda-feira.
Pesquisadores explicam que o comportamento é atípico para o período, considerado por usinas do Centro-Sul como de pico de colheita e, consequentemente, de queda de preços no spot.
Dados mensais do Cepea, iniciados em 1999, mostram que, em 11 temporadas, o valor do combustível cedeu de julho para agosto. Segundo o Centro de Pesquisas, na atual temporada (2025/26), o suporte aos preços vem da menor oferta.
As adversidades enfrentadas pela indústria na produção de etanol, devido ao baixo rendimento agrícola, às queimadas dos canaviais do ano passado e ao clima seco nas principais regiões produtoras, têm resultado em menor oferta de cana-de-açúcar.
No fechamento de agosto de 2025, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado teve média de R$ 2,6716/litro, alta de 4,02% em relação ao mês anterior. Para o anidro (modalidade spot e contratos), a média foi de R$ 2,9713/litro, aumento de 3,08% em igual comparação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou a Medida Provisória 1.310 com R$ 30 bilhões em crédito extraordinário – fora da meta fiscal – para bancar as medidas de crédito do “Plano Brasil Soberano” de apoio a empresas afetadas pelas tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O Diário Oficial da União (DOU) também traz outras duas MPs com crédito extraordinário. Uma delas destina R$ 30,590 milhões ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para inclusão produtiva rural e distribuição de alimentos a grupos populacionais tradicionais e famílias em situação de insegurança alimentar e nutricional advindas de situações de emergência ou calamidade pública.
Outra MP destina R$ 83,5 milhões ao Ministério da Agricultura e Pecuária para fortalecimento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa).
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro trimestre do ano. Com esse resultado, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996.
Em relação ao segundo trimestre de 2024, a atividade econômica brasileira teve alta de 2,2%. No semestre e no acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,5% e 3,2%, respectivamente.
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na manhã desta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o instituto, o PIB brasileiro chega a R$ R$ 3,2 trilhões. A variação positiva no trimestre ante trimestre é a 16ª seguida, ou seja, desde o segundo trimestre de 2021 (-0,6%).
Setores
O PIB pode ser calculado pela ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do consumo (gastos e investimentos).
Pela ótica da oferta, as expansões dos serviços (0,6%) e da indústria (0,5%) compensaram o recuo da agropecuária (-0,1%). Pelo lado da oferta, o consumo das famílias cresceu 0,5%, enquanto o consumo do governo caiu 0,6%, e investimentos tiveram perda de 2,2%. Os serviços e consumo das famílias atingiram patamares recordes.
Em relação ao segundo semestre de 2024, a alta de 2,2% foi puxada pela agropecuária, que deu um salto de 10,1%, impulsionado pelo ganho de produtividade de alguns produtos da lavoura.
Freio dos juros
O resultado de 0,4% no trimestre é uma desaceleração, uma vez que no primeiro trimestre, houve alta de 1,3%.
A coordenadora da Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a perda de ritmo de crescimento era esperada por causa da política monetária restritiva, ou seja, juros altos.
“As atividades indústrias de transformação e construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário”, avalia ela, acrescentando que os efeitos negativos na construção e na produção de bens de capital [máquinas e equipamentos] ajudam a explicar a queda nos investimentos.”
A pesquisadora explica que o setor de serviços é menos impactado por essa política restritiva.
“Foi uma alta disseminada pelo setor e puxada pelas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; informação e comunicação, impulsionado pelo desenvolvimento de software, e transporte, armazenagem e correio, puxado por transporte de passageiros”, descreve.
A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).
A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo ─ de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).
Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.
Esse conjunto de efeitos freia a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo.
Expectativa para 2025
Na segunda-feira (1º) o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que traz expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Em relação ao PIB fechado de 2025, o mercado estima crescimento de 2,19%.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda calcula expansão de 2,5% em 2025, de acordo com a edição de julho do bimestral Boletim Macrofiscal. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%, quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando a economia cresceu 4,8%.
O que é o PIB
O Produto Interno Bruto (PIB) é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.
O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.
Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, seu PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.
Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.
O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.
O Rio Grande do Sul registrou queda nos preços da soja e agora debate sobre calendário de plantio, segundo informações da TF Agroeconômica. “As indicações de preços para pagamento em meados de setembro, com entrega entre agosto e setembro, ficaram em R$ 140,00 nos portos. No interior, as cotações marcaram perda em torno de R$ 135,20 (-0,59%) por saca em Cruz Alta. Passo Fundo e Santa Rosa/São Luiz caíram para R$ 134,00 (-1,47%) variando conforme a data de pagamento, enquanto em Panambi o preço de pedra foi registrado em R$ 123,00 por saca ao produtor”, comenta.
Santa Catarina mantém estabilidade, mas o déficit de armazenagem preocupa. “No porto de São Francisco do Sul, referência para a exportação, o preço seguiu sem grandes alterações, reforçando o quadro de equilíbrio momentâneo no estado. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,84”, completa.
Boa competitividade e logística equilibrada no Mato Grosso do Sul. “O mercado de soja em Mato Grosso registrou recuo nas principais praças, refletindo a queda dos prêmios de exportação e resultando em desvalorização média no estado. Campo Verde: R$ 124,00 (-0,11%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum: R$ 118,00 (-1,33%). Primavera do Leste: R$ 123,14 (-0,25%). Rondonópolis: R$ 127,80 (+3,02%). Sorriso: R$ 118,11 (-0,63%)”, indica.
O Paraná projeta safra maior e vê preços firmes em Paranaguá. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 142,88. Em Cascavel, o preço foi 127,76 (-0,82%). Em Maringá, o preço foi de R$ 134,50 (+2,14%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 135,50 (+2,80%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 139,65. No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00”, informa.
O Mato Grosso ainda enfrenta gargalos logísticos e pressão sobre armazenagem. “O mercado de soja em Mato Grosso registrou recuo nas principais praças, refletindo a queda dos prêmios de exportação e resultando em desvalorização média no estado. Campo Verde: R$ 124,00 (-0,11%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum: R$ 118,00 (-1,33%). Primavera do Leste: R$ 123,14 (-0,25%). Rondonópolis: R$ 127,80 (+3,02%). Sorriso: R$ 118,11 (-0,63%)”, conclui.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a destinação de R$ 300 milhões para operações de Contratos de Opção de Venda (COV) de arroz, mecanismo que garante ao produtor o direito de vender ao governo a um preço previamente definido.
Segundo o órgão, o programa pretende contratar cerca de 200 mil toneladas de arroz. Essa é a terceira rodada de COV em menos de um ano:
Na primeira, foram negociadas 91,7 mil toneladas;
Na segunda, aproximadamente 110 mil toneladas, com preço médio em torno de R$ 74 por saca de 50 kg;
Agora, a meta é dobrar o volume, alcançando as 200 mil toneladas.
O contraponto dos produtores
Para os rizicultores, o valor não cobre o custo real de produção. Dados da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) apontam que o custo médio do arroz gira entre R$ 85 e R$ 92 por saca, dependendo da região. Ou seja, o preço praticado nos leilões representa uma perda entre R$ 11 e R$ 18 por saca para o produtor.
Além disso:
O setor ainda sofre os impactos das enchentes de 2024, que elevaram o passivo dos agricultores gaúchos, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional.
Muitos estão descapitalizados, com dívidas que, em alguns casos, cresceram mais de 30% em um ano.
O temor é que, ao formar estoques, o governo repita o passado: quando os preços reagirem, poderá liberar produto armazenado, derrubando novamente o mercado.
O sentimento é de desânimo generalizado. “Vai ser a maior crise do agro da história”, resumiu um representante da União Central de Rizicultores (UCR).
Do ponto de vista governamental, a estratégia é conter a pressão sobre o preço do arroz, item central da cesta básica. O risco, porém, é transferir a conta para o campo.
Historicamente, a formação de estoques reguladores garantiu estabilidade ao consumidor, mas gerou frustrações no produtor. Hoje, com custos médios acima de R$ 90 por saca e preços de mercado em torno de R$ 70 a R$ 75, a margem negativa só tende a aumentar.
A dificuldade não se restringe ao arroz. A soja, carro-chefe do agro, também vive pressão:
O preço médio em agosto de 2025 recuou para cerca de R$ 120 por saca, contra custos estimados entre R$ 115 e R$ 125;
Muitos produtores que arrendam terras, pagando valores contratados na fase de preços recordes, agora operam no limite do prejuízo.
Esse quadro aprofunda o endividamento. O crédito rural para a safra 2024/25 já registrava aumento da inadimplência acima de 20% em algumas linhas, segundo o Banco Central.
O impasse é claro:
Para o governo, os R$ 300 milhões em COVs representam um seguro contra a alta do arroz no consumidor.
Para o campo, o programa não cobre custos, amplia o risco de endividamento e ameaça a viabilidade da produção.
Se nada mudar, o Brasil pode atravessar uma das maiores crises do agro moderno, não apenas pela pressão de preços, mas pela falta de instrumentos estruturais: seguro rural robusto, crédito de capital de giro, renegociação de dívidas e incentivo à agregação de valor.
Enquanto a Conab forma estoques, os produtores se perguntam: será este mais um capítulo de repetição dos erros do passado?
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Plantar alface ao ar livre no Brasil pode se tornar cada vez mais difícil nas próximas décadas. Isso é o que revelam mapas de risco climático elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), com base em projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e em modelos utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Os dados indicam que, até o fim do século, praticamente todo o território brasileiro enfrentará risco alto ou muito alto para a produção da folhosa mais consumida pelos brasileiros.
A pesquisa considerou dois cenários climáticos: um otimista, com controle parcial das emissões de gases de efeito estufa, e outro pessimista, em que as emissões continuam crescendo até 2100. Em ambos, as perspectivas não são animadoras para o cultivo tradicional da hortaliça. O verão é a estação mais crítica, com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C em boa parte do país, patamar bem acima do ideal para o desenvolvimento da alface, que exige clima ameno e umidade equilibrada.
“Compreender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface, em um país tropical como o Brasil, é essencial para desenhar estratégias de adaptação. Isso permite antecipar impactos e evitar prejuízos”, explica o engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador em Mudanças Climáticas Globais da Embrapa.
Diante disso, as duas principais frentes de atuação da pesquisa têm sido o desenvolvimento de cultivares de alface com maior tolerância ao calor e de sistemas de produção para garantir a sustentabilidade do cultivo diante de condições climáticas adversas.
Entre os exemplos estão os sistemas regenerativos, que restauram a fertilidade do solo e a biodiversidade – como o sistema de plantio direto de hortaliças (SPDH) e o cultivo orgânico com compostagem e uso de bioinsumos; e os sistemas adaptados ao clima, que utilizam tecnologias e estratégias para evitar perdas por estresses climáticos – como o cultivo em ambientes protegidos ou controlados e o zoneamento agroclimático.
De cada 100 hectares plantados, mais de 90 permanecem sem seguro em 2025. É o famoso “apostar contra o clima e deixar a sorte cuidar”.
Quando o clima não ajuda — e se mostra cada vez mais instável —, a conta vem pesada. Quem paga? Produtor, consumidor e governo, que corre para improvisar renegociações.
Há 25 anos vejo o agro crescer em tecnologia, produtividade e exportações. Mas, na gestão de riscos, avançamos timidamente. O seguro rural continua tratado como política secundária, quando deveria ser prioridade nacional.
Outros países já consolidaram o seguro como política de Estado. Aqui, seguimos presos a modelos dos anos 1970. Pior: desmontamos o pouco que já tínhamos.
O Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR), do Ministério da Agricultura, cobria 14 milhões de hectares em 2021. Hoje, não passa de 4 milhões. Com subsídios menores e instáveis, o seguro rural perdeu capacidade de pulverizar riscos, concentrando-se em poucos estados do Centro-Sul via canais bancários que exigem garantias em operações de maior risco, e afastando tanto o Centro-Norte quanto produtores com menor percepção de risco em todo o país.
Trata-se de uma política agrícola que aprofunda a seleção adversa: riscos mais propensos a sinistros contratam seguro com maior frequência, elevando o custo médio e aumentando o risco da carteira.
O efeito é imediato: prêmios mais altos, coberturas reduzidas e risco crescente diante da alta sinistralidade e da instabilidade climática.
Uma política inconsistente e imprevisível desestrutura a lógica de um seguro acessível, capaz de cobrir custos de produção e garantir fluxo de caixa — deixando o país exposto aos riscos das mudanças climáticas.
O ecossistema do seguro rural vive um efeito cascata:
Produtores deixam de contratar por alto custo e baixa cobertura;
Seguradoras e resseguradoras veem vendas caírem e risco aumentar;
Empresas de serviços e de tecnologia para o seguro precisam se readequar ou buscar outras oportunidades;
Corretores não conseguem recuperar investimentos nem manter a folha de pessoal;
Peritos, sem mercado, buscam outras atividades.
Se a situação não se reverter, a rede do seguro rural, fruto de duas décadas de construção, pode se fragilizar a ponto de perder sua sustentabilidade.
É nesse cenário que nasce o Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, com a missão de produzir dados, pesquisas e diagnósticos sólidos, por uma instituição isenta e de referência nacional. Assim, o objetivo é que governo e setor privado deixem de adivinhar e passem a decidir com base em estudos técnicos propositivos.
Renegociar dívidas não resolve. É maquiagem cara sem atacar a raiz do problema. Seguro rural é o mecanismo mais eficiente para manter produtores de pé, financiadores recebendo e o setor funcionando sem sombra de inadimplência.
O Brasil precisa de previsibilidade. Seguro rural não é luxo. É condição de sobrevivência. Enquanto tratarmos o tema como gasto e não como investimento, seguiremos presos ao ciclo da improdutividade: improviso, prejuízos e perda de competitividade.
O Observatório é um chamado à ação. Ou o Brasil assume o seguro rural como política estratégica, ou continuará brincando com fogo — e pagando caro por isso, desperdiçando a chance histórica de ampliar em 40% sua produção agrícola nos próximos dez anos.
Em tempos de guerra, mudanças climáticas e COP30, vale lembrar as sábias palavras do professor emérito da FGV e eterno ministro Roberto Rodrigues: “Onde tem comida, tem paz.”
*Pedro Loyola é consultor em gestão de riscos agropecuários e financiamento sustentável e coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.
O Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.