domingo, maio 3, 2026

Agro

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Colheita de trigo inicia na região Sul, mas negócios seguem lentos



Com moinhos abastecidos, as negociações de trigo em grão seguem limitadas, apontam os levantamentos  do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Segundo o instituto, vendedores estão focados no desenvolvimento da safra, nos trabalhos de campo e também no início da colheita no Sul do Brasil. Aqueles com necessidade imediata acabam cedendo nos valores pedidos, enquanto moageiras bem estocadas ofertam preços ainda menores. 

Além disso, a proximidade da entrada de maior volume da safra 2025, as boas expectativas de produtividade, a taxa cambial em patamares mais baixos e a ampla oferta mundial reforçam a pressão sobre as cotações internas. 

Em agosto de 2025, a média mensal no Rio Grande do Sul foi de R$ 1.291,08/tonelada, quedas de 2% frente a julho/25 e de 12,2% em relação a agosto/24, em termos reais (deflacionamento pelo IGP-DI).

No Paraná, a média foi de R$ 1.433,50/t, baixa de 2,9% no comparativo mensal e de 9,4% no anual. Em São Paulo, os recuos foram de 4,6% e 12,6%, respectivamente, com média de R$ 1.431,12/t em agosto/25. 

Em Santa Catarina, a cotação média foi de R$ 1.432,41/t, retrações de 0,6% e 7,6%, nesta mesma ordem.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Cotações do açúcar encerram agosto em queda



Os preços do açúcar cristal encerraram agosto em queda no mercado spot de São Paulo. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Entre 25 e 29 de agosto, a média do Indicador Cepea/Esalq, cor Icumsa de 130 a 180, foi de R$ 118,69/saca de 50 kg. O valor representa baixa de 1,56% em relação à verificada no intervalo anterior. 

Pesquisadores explicam que o recuo das cotações foi atribuído à menor movimentação no mercado. Houve pequena presença de compradores interessados em negociações do cristal para pronta-entrega. 

De fato, a liquidez captada pelo Cepea caiu 47% na última semana em comparação com a anterior. 

Dados da Unica mostram que, na primeira quinzena de agosto, a região Centro-Sul produziu 3,615 milhões de toneladas de açúcar, avanço de 15,96% frente ao mesmo período de 2024. O mix de produção esteve significativamente mais açucareiro, com 55% da cana direcionada ao açúcar.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Governo publica regras para prevenção de incêndio florestal em propriedade rural



O governo federal definiu as regras para implementação de medidas preventivas a incêndios florestais em propriedades rurais. Entre elas, prevê a proibição do uso do fogo em pastagens, áreas agrícolas ou áreas de manejo florestal sem autorização prévia e formal do órgão ambiental.

As regras foram aprovadas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, e publicadas em resolução no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 1º de setembro. A medida ocorre após o recorde de incêndios florestais registrado no ano passado em meio à seca nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do país.

O objetivo das medidas é de reduzir as ações irregulares ou ilegais que possam causar incêndios florestais, reduzir a ocorrência de grandes incêndios florestais, formar e mobilizar ambientes e resilientes ao incêndios florestais e incentivar planejamentos e ações conjuntas entre proprietários rurais para compartilhamento de equipamentos, veículos, aeronaves e brigadistas ao combate de incêndios florestais, segundo a resolução.

A elaboração de aceiros, faixas sem vegetação que funcionam como barreiras para evitar a propagação dos incêndios florestais, bem como de queima controlada para fragmentação do combustível, também estarão sujeitas à orientação técnica e autorização do órgão ambiental.

A resolução determina como medida preventiva o uso de sistemas e dispositivos de monitoramento, comunicação e alerta para acionamento de brigadas locais particulares ou dos Corpos de Bombeiros Militares.

As regras preveem ainda o uso de aeronaves adaptadas para transporte e lançamento de água para combate ao incêndio florestal, a manutenção periódica de máquinas e equipamentos agrícolas e o uso de reservatório natural ou artificial de água e bomba com capacidade para abastecimento de equipamento, veículo ou aeronave de transporte e lançamento de água para combate a incêndio florestal.

Todos imóveis rurais, à exceção de agricultores familiares, deverão elaborar e implementar as medidas da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) ou do Plano Operativo de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais.

De acordo com a resolução, produtores rurais terão o prazo de dois anos para se adequar e cumprir as novas regras. O cumprimento das medidas da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) ,servirá como atenuante para possíveis penas a produtores rurais em decorrência de incêndios florestais. A resolução entra em vigor na próxima segunda-feira.



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Em movimento atípico, etanol valoriza em agosto pelo segundo ano consecutivo



A cotação média do etanol hidratado no mercado paulista subiu em agosto pelo segundo ano consecutivo. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Pesquisadores explicam que o comportamento é atípico para o período, considerado por usinas do Centro-Sul como de pico de colheita e, consequentemente, de queda de preços no spot.

Dados mensais do Cepea, iniciados em 1999, mostram que, em 11 temporadas, o valor do combustível cedeu de julho para agosto. Segundo o Centro de Pesquisas, na atual temporada (2025/26), o suporte aos preços vem da menor oferta. 

As adversidades enfrentadas pela indústria na produção de etanol, devido ao baixo rendimento agrícola, às queimadas dos canaviais do ano passado e ao clima seco nas principais regiões produtoras, têm resultado em menor oferta de cana-de-açúcar. 

No fechamento de agosto de 2025, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado teve média de R$ 2,6716/litro, alta de 4,02% em relação ao mês anterior. Para o anidro (modalidade spot e contratos), a média foi de R$ 2,9713/litro, aumento de 3,08% em igual comparação.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Governo publica MP com crédito extraordinário de R$ 30 bilhões para medidas contra o tarifaço



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou a Medida Provisória 1.310 com R$ 30 bilhões em crédito extraordinário – fora da meta fiscal – para bancar as medidas de crédito do “Plano Brasil Soberano” de apoio a empresas afetadas pelas tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O Diário Oficial da União (DOU) também traz outras duas MPs com crédito extraordinário. Uma delas destina R$ 30,590 milhões ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para inclusão produtiva rural e distribuição de alimentos a grupos populacionais tradicionais e famílias em situação de insegurança alimentar e nutricional advindas de situações de emergência ou calamidade pública.

Outra MP destina R$ 83,5 milhões ao Ministério da Agricultura e Pecuária para fortalecimento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa).



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PIB cresce 0,4% no segundo trimestre, aponta IBGE



O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro trimestre do ano. Com esse resultado, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996.

Em relação ao segundo trimestre de 2024, a atividade econômica brasileira teve alta de 2,2%. No semestre e no acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,5% e 3,2%, respectivamente.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi divulgado na manhã desta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o instituto, o PIB brasileiro chega a R$ R$ 3,2 trilhões. A variação positiva no trimestre ante trimestre é a 16ª seguida, ou seja, desde o segundo trimestre de 2021 (-0,6%).

Setores

O PIB pode ser calculado pela ótica da produção (análise do desempenho das atividades econômicas) ou do consumo (gastos e investimentos).

Pela ótica da oferta, as expansões dos serviços (0,6%) e da indústria (0,5%) compensaram o recuo da agropecuária (-0,1%). Pelo lado da oferta, o consumo das famílias cresceu 0,5%, enquanto o consumo do governo caiu 0,6%, e investimentos tiveram perda de 2,2%. Os serviços e consumo das famílias atingiram patamares recordes.

Em relação ao segundo semestre de 2024, a alta de 2,2% foi puxada pela agropecuária, que deu um salto de 10,1%, impulsionado pelo ganho de produtividade de alguns produtos da lavoura.

Freio dos juros

O resultado de 0,4% no trimestre é uma desaceleração, uma vez que no primeiro trimestre, houve alta de 1,3%.

A coordenadora da Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a perda de ritmo de crescimento era esperada por causa da política monetária restritiva, ou seja, juros altos.

“As atividades indústrias de transformação e construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário”, avalia ela, acrescentando que os efeitos negativos na construção e na produção de bens de capital [máquinas e equipamentos] ajudam a explicar a queda nos investimentos.”

A pesquisadora explica que o setor de serviços é menos impactado por essa política restritiva.

“Foi uma alta disseminada pelo setor e puxada pelas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; informação e comunicação, impulsionado pelo desenvolvimento de software, e transporte, armazenagem e correio, puxado por transporte de passageiros”, descreve.

A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).

A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo ─ de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).

Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.

Esse conjunto de efeitos freia a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo.

Expectativa para 2025

Na segunda-feira (1º) o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que traz expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Em relação ao PIB fechado de 2025, o mercado estima crescimento de 2,19%.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda calcula expansão de 2,5% em 2025, de acordo com a edição de julho do bimestral Boletim Macrofiscal.
Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%, quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando a economia cresceu 4,8%.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.

O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.

Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, seu PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.

O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.



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AgroNewsPolítica & Agro

Como a soja encerrou a semana nos estados?


O Rio Grande do Sul registrou queda nos preços da soja e agora debate sobre calendário de plantio, segundo informações da TF Agroeconômica. “As indicações de preços para pagamento em meados de setembro, com entrega entre agosto e setembro, ficaram em R$ 140,00 nos portos. No interior, as cotações marcaram perda em torno de R$ 135,20 (-0,59%) por saca em Cruz Alta. Passo Fundo e Santa Rosa/São Luiz caíram para R$ 134,00 (-1,47%) variando conforme a data de pagamento, enquanto em Panambi o preço de pedra foi registrado em R$ 123,00 por saca ao produtor”, comenta.

Santa Catarina mantém estabilidade, mas o déficit de armazenagem preocupa. “No porto de São Francisco do Sul, referência para a exportação, o preço seguiu sem grandes alterações, reforçando o quadro de equilíbrio momentâneo no estado. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,84”, completa.

Boa competitividade e logística equilibrada no Mato Grosso do Sul. “O mercado de soja em Mato Grosso registrou recuo nas principais praças, refletindo a queda dos prêmios de exportação e resultando em desvalorização média no estado. Campo Verde: R$ 124,00 (-0,11%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum: R$ 118,00 (-1,33%). Primavera do Leste: R$ 123,14 (-0,25%). Rondonópolis: R$ 127,80 (+3,02%). Sorriso: R$ 118,11 (-0,63%)”, indica.

O Paraná projeta safra maior e vê preços firmes em Paranaguá. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 142,88. Em Cascavel, o preço foi 127,76 (-0,82%). Em Maringá, o preço foi de R$ 134,50 (+2,14%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 135,50 (+2,80%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 139,65. No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00”, informa.

O Mato Grosso ainda enfrenta gargalos logísticos e pressão sobre armazenagem. “O mercado de soja em Mato Grosso registrou recuo nas principais praças, refletindo a queda dos prêmios de exportação e resultando em  desvalorização média no estado. Campo Verde: R$ 124,00 (-0,11%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,42 (-1,29%), Nova Mutum: R$ 118,00 (-1,33%). Primavera do Leste: R$ 123,14 (-0,25%). Rondonópolis: R$ 127,80 (+3,02%). Sorriso: R$ 118,11 (-0,63%)”, conclui.

 





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Programa de compra de arroz do governo não atende as necessidades do produtor


grãos de arroz
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a destinação de R$ 300 milhões para operações de Contratos de Opção de Venda (COV) de arroz, mecanismo que garante ao produtor o direito de vender ao governo a um preço previamente definido.

Segundo o órgão, o programa pretende contratar cerca de 200 mil toneladas de arroz. Essa é a terceira rodada de COV em menos de um ano:

  • Na primeira, foram negociadas 91,7 mil toneladas;
  • Na segunda, aproximadamente 110 mil toneladas, com preço médio em torno de R$ 74 por saca de 50 kg;
  • Agora, a meta é dobrar o volume, alcançando as 200 mil toneladas.

O contraponto dos produtores

Para os rizicultores, o valor não cobre o custo real de produção. Dados da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) apontam que o custo médio do arroz gira entre R$ 85 e R$ 92 por saca, dependendo da região. Ou seja, o preço praticado nos leilões representa uma perda entre R$ 11 e R$ 18 por saca para o produtor.

Além disso:

O setor ainda sofre os impactos das enchentes de 2024, que elevaram o passivo dos agricultores gaúchos, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional.

Muitos estão descapitalizados, com dívidas que, em alguns casos, cresceram mais de 30% em um ano.

O temor é que, ao formar estoques, o governo repita o passado: quando os preços reagirem, poderá liberar produto armazenado, derrubando novamente o mercado.

O sentimento é de desânimo generalizado. “Vai ser a maior crise do agro da história”, resumiu um representante da União Central de Rizicultores (UCR).

Do ponto de vista governamental, a estratégia é conter a pressão sobre o preço do arroz, item central da cesta básica. O risco, porém, é transferir a conta para o campo.

Historicamente, a formação de estoques reguladores garantiu estabilidade ao consumidor, mas gerou frustrações no produtor. Hoje, com custos médios acima de R$ 90 por saca e preços de mercado em torno de R$ 70 a R$ 75, a margem negativa só tende a aumentar.

A dificuldade não se restringe ao arroz. A soja, carro-chefe do agro, também vive pressão:

O preço médio em agosto de 2025 recuou para cerca de R$ 120 por saca, contra custos estimados entre R$ 115 e R$ 125;

Muitos produtores que arrendam terras, pagando valores contratados na fase de preços recordes, agora operam no limite do prejuízo.

Esse quadro aprofunda o endividamento. O crédito rural para a safra 2024/25 já registrava aumento da inadimplência acima de 20% em algumas linhas, segundo o Banco Central.

O impasse é claro:

  • Para o governo, os R$ 300 milhões em COVs representam um seguro contra a alta do arroz no consumidor.
  • Para o campo, o programa não cobre custos, amplia o risco de endividamento e ameaça a viabilidade da produção.

Se nada mudar, o Brasil pode atravessar uma das maiores crises do agro moderno, não apenas pela pressão de preços, mas pela falta de instrumentos estruturais: seguro rural robusto, crédito de capital de giro, renegociação de dívidas e incentivo à agregação de valor.

Enquanto a Conab forma estoques, os produtores se perguntam: será este mais um capítulo de repetição dos erros do passado?

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Calor pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até o fim do século



Plantar alface ao ar livre no Brasil pode se tornar cada vez mais difícil nas próximas décadas. Isso é o que revelam mapas de risco climático elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), com base em projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e em modelos utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Os dados indicam que, até o fim do século, praticamente todo o território brasileiro enfrentará risco alto ou muito alto para a produção da folhosa mais consumida pelos brasileiros.

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A pesquisa considerou dois cenários climáticos: um otimista, com controle parcial das emissões de gases de efeito estufa, e outro pessimista, em que as emissões continuam crescendo até 2100. Em ambos, as perspectivas não são animadoras para o cultivo tradicional da hortaliça. O verão é a estação mais crítica, com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C em boa parte do país, patamar bem acima do ideal para o desenvolvimento da alface, que exige clima ameno e umidade equilibrada.

“Compreender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface, em um país tropical como o Brasil, é essencial para desenhar estratégias de adaptação. Isso permite antecipar impactos e evitar prejuízos”, explica o engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador em Mudanças Climáticas Globais da Embrapa.

Diante disso, as duas principais frentes de atuação da pesquisa têm sido o desenvolvimento de cultivares de alface com maior tolerância ao calor e de sistemas de produção para garantir a sustentabilidade do cultivo diante de condições climáticas adversas.

Entre os exemplos estão os sistemas regenerativos, que restauram a fertilidade do solo e a biodiversidade – como o sistema de plantio direto de hortaliças (SPDH) e o cultivo orgânico com compostagem e uso de bioinsumos; e os sistemas adaptados ao clima, que utilizam tecnologias e estratégias para evitar perdas por estresses climáticos – como o cultivo em ambientes protegidos ou controlados e o zoneamento agroclimático.



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FGV cria Observatório do Seguro Rural


De cada 100 hectares plantados, mais de 90 permanecem sem seguro em 2025. É o famoso “apostar contra o clima e deixar a sorte cuidar”.

Quando o clima não ajuda — e se mostra cada vez mais instável —, a conta vem pesada. Quem paga? Produtor, consumidor e governo, que corre para improvisar renegociações.

Há 25 anos vejo o agro crescer em tecnologia, produtividade e exportações. Mas, na gestão de riscos, avançamos timidamente. O seguro rural continua tratado como política secundária, quando deveria ser prioridade nacional.

Outros países já consolidaram o seguro como política de Estado. Aqui, seguimos presos a modelos dos anos 1970. Pior: desmontamos o pouco que já tínhamos.

O Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR), do Ministério da Agricultura, cobria 14 milhões de hectares em 2021. Hoje, não passa de 4 milhões. Com subsídios menores e instáveis, o seguro rural perdeu capacidade de pulverizar riscos, concentrando-se em poucos estados do Centro-Sul via canais bancários que exigem garantias em operações de maior risco, e afastando tanto o Centro-Norte quanto produtores com menor percepção de risco em todo o país.

Trata-se de uma política agrícola que aprofunda a seleção adversa: riscos mais propensos a sinistros contratam seguro com maior frequência, elevando o custo médio e aumentando o risco da carteira.

O efeito é imediato: prêmios mais altos, coberturas reduzidas e risco crescente diante da alta sinistralidade e da instabilidade climática.

Uma política inconsistente e imprevisível desestrutura a lógica de um seguro acessível, capaz de cobrir custos de produção e garantir fluxo de caixa — deixando o país exposto aos riscos das mudanças climáticas.

O ecossistema do seguro rural vive um efeito cascata:

  1. Produtores deixam de contratar por alto custo e baixa cobertura;
  2. Seguradoras e resseguradoras veem vendas caírem e risco aumentar;
  3. Empresas de serviços e de tecnologia para o seguro precisam se readequar ou buscar outras oportunidades;
  4. Corretores não conseguem recuperar investimentos nem manter a folha de pessoal;
  5. Peritos, sem mercado, buscam outras atividades.

Se a situação não se reverter, a rede do seguro rural, fruto de duas décadas de construção, pode se fragilizar a ponto de perder sua sustentabilidade.

É nesse cenário que nasce o Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, com a missão de produzir dados, pesquisas e diagnósticos sólidos, por uma instituição isenta e de referência nacional. Assim, o objetivo é que governo e setor privado deixem de adivinhar e passem a decidir com base em estudos técnicos propositivos.

Renegociar dívidas não resolve. É maquiagem cara sem atacar a raiz do problema. Seguro rural é o mecanismo mais eficiente para manter produtores de pé, financiadores recebendo e o setor funcionando sem sombra de inadimplência.

O Brasil precisa de previsibilidade. Seguro rural não é luxo. É condição de sobrevivência. Enquanto tratarmos o tema como gasto e não como investimento, seguiremos presos ao ciclo da improdutividade: improviso, prejuízos e perda de competitividade.

O Observatório é um chamado à ação. Ou o Brasil assume o seguro rural como política estratégica, ou continuará brincando com fogo — e pagando caro por isso, desperdiçando a chance histórica de ampliar em 40% sua produção agrícola nos próximos dez anos.

Em tempos de guerra, mudanças climáticas e COP30, vale lembrar as sábias palavras do professor emérito da FGV e eterno ministro Roberto Rodrigues: “Onde tem comida, tem paz.”

*Pedro Loyola é consultor em gestão de riscos agropecuários e financiamento sustentável e coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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