O mercado de grãos abriu a quarta-feira (10) com movimentos distintos para trigo, soja e milho nos principais centros de negociação. Segundo a TF Agroeconômica, o trigo segue pressionado pela ampla oferta no Hemisfério Norte e pela boa perspectiva de safra no Hemisfério Sul, o que limita os ganhos mesmo diante de uma demanda discreta. Em Chicago, o contrato de dezembro/25 fechou a US$ 519,75 por bushel, em leve baixa de 0,50 cent. No Brasil, a colheita nos estados produtores pressiona os preços, que recuaram para R$ 1.387,86 no Paraná e R$ 1.270,79 no Rio Grande do Sul. Na Argentina, compradores reduziram em 3 cents as indicações de dezembro.
A soja apresentou quedas em Chicago, com o contrato de setembro/25 encerrando a US$ 1.006,75 por bushel (-4,00). O mercado aguarda o novo relatório do USDA, enquanto observa o início do plantio no Brasil, ainda limitado pela falta de chuvas. No Paraná, os preços subiram: R$ 135,69 no interior e R$ 141,74 em Paranaguá. Nos EUA, 21% das lavouras já apresentam queda de folhas, ritmo próximo à média histórica. No Canadá, os estoques de canola ficaram em 1,6 milhão de toneladas, 50% abaixo do registrado em 2024, o que trouxe suporte indireto.
Já o milho registrou baixas moderadas em Chicago, com o contrato de dezembro/25 a US$ 417,75 (-2,00). A pressão vem da colheita recorde nos EUA, embora as exportações americanas tenham sustentado parte dos preços, superando seguidamente a média necessária para cumprir a meta da temporada. No mercado brasileiro, os preços se mantiveram firmes: R$ 65,47 na B3 e R$ 65,15 no indicador Cepea. Na Argentina, excesso de chuvas atrasou o plantio de até 1,3 milhão de hectares, enquanto o mercado aguarda os dados do USDA e do WASDE, que podem revisar para baixo a produção norte-americana.
Este ano tem sido de mudanças no perfil de compras de fertilizantes: na América do Sul, Brasil e Argentina buscam alternativas mais econômicas, substituindo fontes concentradas por opções de melhor custo-benefício.
Aqui, o cenário abre espaço para o avanço do sulfato de amônio, que vem registrando volumes recordes de importação devido à competitividade frente à ureia. Para os fosfatados, o Super Triplo e o Super Simples estão sendo mais utilizados na safra 25/26, em substituição ao MAP.
Esse movimento reflete a busca por alternativas mais acessíveis diante de custos elevados e relações de troca desfavoráveis.

O momento atual do mercado brasileiro é de finalização das aquisições de suprimentos para o plantio que se aproxima, com alguns negócios ainda em aberto e atenção para a logística. Além dos preços dos fertilizantes, a safra 25/26 está sendo marcada por dificuldade na tomada de crédito, juros altos e inadimplência, que limitaram a antecipação das compras.
Além disso, tem-se grandes incertezas macroeconômicas diante das instabilidades geopolíticas. Por outro lado, boas perspectivas climáticas e de produção trazem ânimo ao agricultor, enquanto o preço do fertilizante começa a recuar.
Após um longo período de elevação de preços e sustentação nos patamares mais altos desde 2022, com máxima atingida em julho, o mercado global de fertilizantes nas últimas semanas indica retração, diante da demanda enfraquecida e recuperação da oferta em alguns segmentos.
A Índia se mantém como principal compradora, garantindo algum suporte às cotações, mas a ausência de outros países tem limitado o fôlego do setor. Do lado da oferta, a China aliviou as cotas de exportação no final de agosto, disponibilizando volumes de ureia e MAP, sendo fundamental para reajustes de queda.
Depois de meses de preços firmes, os fosfatados começam a dar sinais de fraqueza. O retorno da China ao mercado internacional e a resistência dos compradores em adquirir MAP nos níveis atuais pesam sobre o setor. O mercado de potássicos, por sua vez, encontra os principais compradores abastecidos e oferta estável.

A fraqueza da demanda no exterior, somada à queda do dólar frente ao real, tem contribuído para melhorar as relações de troca nas últimas semanas, e reduzir o custo dos insumos em reais.
Os valores dos fertilizantes continuam elevados, acima dos patamares vistos no ano passado, mas o atual movimento baixista pode representar uma janela de oportunidade para os agricultores no planejamento da próxima temporada.
Há uma perspectiva de novas quedas daqui para o final do ano, enquanto as atenções se voltam principalmente para a ureia, diante da necessidade do uso da fonte de nitrogênio na segunda safra de milho. A decisão de compra deve seguir atrelada ao comportamento dos preços dos grãos, com atenção às relações de troca.

*Maísa Romanello é engenheira agrônoma, especialista em fertilizantes da consultoria Safras & Mercado
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Pecuaristas, uma mudança nas regras do Ibama para o desembargo de áreas impedidas exige atenção máxima de todos que atuam no agronegócio. A nova normativa pode dificultar a regularização e a conformidade ambiental, gerando multas e prejuízos comerciais, principalmente na negociação de gado e grãos. Assista ao vídeo abaixo e confira os esclarecimentos na íntegra.
Nesta quarta-feira (10), o advogado Pedro Puttini Mendes, especialista em legislação rural e ambiental, esclareceu o tema no quadro “Direito Agrário” do programa Giro do Boi.
Ele alertou que, a partir da Instrução Normativa número 8 de 2024, não basta mais regularizar a área embargada, mas sim comprovar a conformidade ambiental de toda a propriedade rural.

O embargo é uma sanção administrativa imposta por infrações ambientais, como desmatamento ilegal, uso irregular do solo e descumprimento de normas. A penalidade impede a continuidade das atividades na área afetada e exige a recuperação do dano ambiental.
Com a nova instrução normativa do Ibama, para solicitar o desembargo de uma área, o proprietário rural deve:
Essa mudança impõe uma maior responsabilidade ao produtor rural para agir de forma preventiva, mantendo toda a documentação da fazenda atualizada e em conformidade.

A principal recomendação para os produtores rurais é clara: revisar toda a documentação ambiental da propriedade. Os cadastros obrigatórios, que são autodeclaratórios, precisam estar bem preenchidos e atualizados.
Os documentos essenciais incluem:
A falta de atenção a esses documentos pode gerar bloqueios comerciais, pois grandes redes frigoríficas e empresas do setor agrícola já exigem a regularidade socioambiental como critério de contratação de seus fornecedores. Quem não tiver a documentação em dia pode ficar fora do mercado.
Não cumprir as normas ambientais não é mais só uma obrigação legal, é também uma estratégia de proteção patrimonial. A fiscalização está cada vez mais rigorosa, e as exigências ambientais são crescentes no mercado nacional e internacional.
Estar em conformidade com a legislação é o que vai diferenciar aquele que prospera de quem enfrenta prejuízos e restrições.
A orientação é clara: se a propriedade rural tem algum histórico de embargo ambiental ou se você pretende evitar problemas futuros, procure assessoria técnica e jurídica especializada para avaliar toda a documentação, identificar as pendências e elaborar um plano de ação.

A combinação de safras recordes nos Estados Unidos e no Brasil, somada a um real valorizado e a incertezas na demanda chinesa, dão sinais de um ciclo de baixa aos preços das commodities agrícolas, em especial soja e milho.
A afirmação é do consultor Agribusiness na FlowInvest Eduardo Anastácio Jr. Ele lembra que, no Brasil, a soja CIF Paranaguá segue em torno de R$ 140 por saca, praticamente no mesmo nível do ano passado. “Esse aparente equilíbrio, no entanto, esconde pressões estruturais”, adverte.
Isso porque o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu último relatório, projeta que a safra 2025/26 norte-americana da oleaginosa seja de 116,8 milhões de toneladas, ao passo que o ciclo do cereal deve atingir o recorde de 425 milhões de toneladas.
O órgão aponta, ainda, que os estoques finais de milho devem alcançar 53,8 milhões de toneladas, o maior patamar em cinco anos. Assim, com a colheita norte-americana ganhando força nas próximas semanas, a demanda ganha papel de destaque.
Neste cenário, os holofotes se dirigem à China. “Tradicionalmente, cerca de três quartos da soja exportada no mundo têm como destino o país asiático. Em 2024, suas importações ficaram em 112 milhões de toneladas, e a projeção para 2025 é de 106,5 milhões de toneladas, segundo o USDA”, destaca Anastácio Jr.
A redução do apetite chinês se deve à diminuição de seu rebanho suíno e às tensões comerciais com Washington.
“Até o momento, Pequim concentrou suas compras no Brasil e na Argentina, deixando de adquirir volumes significativos dos Estados Unidos. Esse movimento tem ajudado a sustentar os preços locais, mas caso se prolongue, pode levar os Estados Unidos a acumular excedentes capazes de pressionar os contratos futuros na Bolsa de Chicago”, considera o consultor da FlowInvest.
De acordo com ele, o milho sofre menos influência direta da China, já que suas importações variam de quatro a 23 milhões de toneladas, dependendo da produção local. “Contudo, o impacto indireto de uma safra farta nos Estados Unidos e da falta de demanda chinesa pode intensificar a pressão global”, salienta.
Em momentos de excesso de estoque, é comum um ajuste do lado da oferta, mas isso não tem ocorrido. Pelo menos no que se refere à soja: de acordo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 de soja deve alcançar 175 milhões de toneladas, frente às 169 milhões do ciclo anterior.
Anastácio Jr. lembra que o câmbio é outro fator de peso. “Como as commodities são precificadas em dólar, a conversão para o real impacta diretamente a rentabilidade do produtor. O real está na faixa de R$ 5,40, após se valorizar cerca de 12% em 2025, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro atraído por uma Selic em 15% ao ano. Essa valorização reduz o ganho dos exportadores, mesmo em um cenário de preços internacionais estáveis”, alerta.
De acordo com ele, a próxima janela de oportunidade para valorização pode vir do clima no Brasil, entre setembro e o final do ano.
“Eventos climáticos adversos poderiam reduzir a produção e sustentar as cotações. No entanto, se a safra se desenvolver sem grandes problemas, a tendência é de pressão contínua: a expansão da oferta neutraliza qualquer aumento de consumo estimulado por preços mais baixos.”
O consultor destaca que no cenário macroeconômico também não há sinais de mudança relevante. “O governo segue sem indicar cortes de gastos capazes de abrir espaço para uma queda mais acentuada nos juros, o que poderia levar a uma desvalorização do real”, pondera.
De modo geral, soja e milho enfrentam um cenário de abundância de produção, incerteza na demanda chinesa e moeda doméstica valorizada. Anastácio Jr. reforça que a única variável de curto prazo capaz de alterar essa equação é o clima. “Até lá, produtores e investidores devem se preparar para um mercado pressionado, sem muito espaço para valorização”, conclui.

Na última segunda-feira (8), foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o decreto presidencial que designa 14 novos nomes para o cargo de adidos agrícolas, em substituição aos atuais, nas representações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) junto a missões diplomáticas brasileiras no exterior.
Foram nomeados os seguintes representantes:
“O presidente Lula nos confiou a missão estratégica de ampliar o portfólio de exportações do Brasil. Aqui no Mapa trabalhamos incessantemente para fortalecer e estabelecer novas parcerias diplomáticas e comerciais que abram mercados para os nossos produtos. A nomeação dos novos adidos fortalecerá esse trabalho e gerará novas oportunidades”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.
O objetivo é que a atuação dos adidos agrícolas fortaleça as relações comerciais internacionais do Brasil, permitindo o crescimento e o acesso a novos mercados para os produtos da agropecuária nacional.
O posto tem prazo de quatro anos, contado a partir da data de apresentação à representação diplomática.
Atualmente, o Brasil conta com adidos agrícolas em 38 representações no exterior, localizadas nos seguintes países e orgãos:

Em audiência pública realizada na terça-feira (9), o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS) apoiou o Projeto de Lei 10.556/2018, cujo objetivo é assegurar que a palavra “leite” seja usada exclusivamente em produtos de origem animal.
“Trata-se de assegurar que o consumidor tenha clareza sobre o que está adquirindo. Leite é alimento de origem animal, e essa diferenciação precisa estar expressa”, destacou o secretário-executivo da entidade, Darlan Palharini.
De acordo com ele, algumas marcas de produtos vegetais se apropriam de imagens e de termos próprios dos laticínios em seus rótulos. “Isso gera confusão para o consumidor, desvaloriza e ameaça a sustentabilidade do setor lácteo, além de prejudicar os produtores”, reforçou.
No debate, realizado na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, o Sindilat indicou ainda que produtos vegetais precisam de rotulagem clara. Segundo Palharini, as bebidas vegetais devem ser comercializadas com denominações próprias, não como substitutas do leite.
Para ele, os rótulos devem destacar a ausência de leite no produto e indicar a composição e os alergênicos de forma evidente.
A audiência atendeu ao requerimento do deputado federal Heitor Schuch (RS) e reuniu representantes do ramo do leite de todo o Brasil, como a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) e a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) e de outros órgãos no debate do projeto de autoria da deputada federal Tereza Cristina (MS).
O Fundecitrus recebeu, na última quinta-feira (28), a visita de pesquisadores da Corporación Colombiana de Investigación Agropecuaria – Agrosavia, da Colômbia, que vieram conhecer de perto a citricultura brasileira. Participaram da visita o fitotecnista Maurício Martinez e a fitopatologista Nubia Murcia.
Durante o encontro, os visitantes colombianos conheceram as principais iniciativas do Fundecitrus nas áreas de pesquisa e sustentabilidade, com foco no manejo do greening e da Clorose Variegada dos Citros (CVC). O objetivo da visita foi aprofundar conhecimentos e levar modelos de pesquisa e estratégias bem-sucedidas desenvolvidas no Brasil para adaptar junto aos produtores de citros na Colômbia.
A Agrosavia é uma entidade pública colombiana, de caráter científico e técnico, sem fins lucrativos, responsável pela geração de conhecimento e desenvolvimento tecnológico no setor agrícola, que tem o objetivo de melhorar a competitividade, garantir a sustentabilidade dos recursos naturais e fortalecer a capacidade científica do país, contribuindo para a qualidade de vida da população.
Pela manhã, os pesquisadores visitaram os laboratórios de Diagnóstico, Biotecnologia, Interação Vetor-Planta-Patógeno, Ecologia Química e Comportamento de Insetos, além de participarem de palestras técnicas com pesquisadores do Fundecitrus. No período da tarde, os representantes da Agrosavia apresentaram um panorama da citricultura colombiana à equipe da instituição.
O pesquisador do Fundecitrus Juan Arenas destacou a importância da cooperação internacional no enfrentamento das pragas e doenças que afetam a citricultura. “Assim como o Brasil, a Colômbia também enfrenta desafios com pragas e doenças que comprometem a produção de citros, como o greening. A troca de experiências, tecnologias e estratégias de manejo entre as instituições fortalece o combate a essas doenças. Parcerias como essa constroem pontes de conhecimento que beneficiam toda a cadeia citrícola na América Latina”, afirma.
Os visitantes estavam acompanhados do pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Bahia) Walter Soares. Com o apoio da Embrapa, eles estão conhecendo variedades de citros cultivadas no Brasil. “A citricultura brasileira é referência mundial, principalmente no combate ao greening, e atrai pesquisadores de outros países. Essa troca de conhecimento é essencial para o avanço das pesquisas”, destaca.
De acordo com o fitotecnista Maurício Martinez, o greening está presente na Colômbia há oito anos e, agora, os primeiros casos de CVC também começaram a surgir. “Conhecer uma instituição como o Fundecitrus, que atua em pesquisa, é essencial para darmos continuidade ao nosso trabalho. Na Colômbia, os pequenos produtores lideram o mercado de citros. Por isso, vamos levar tudo o que aprendemos no Brasil para que as estratégias de manejo sejam aplicadas da forma correta”, explica.
Também participaram da visita o pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi, o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Eduardo Girardi e o consultor do Fundecitrus e pesquisador Silvio Lopes.
Durante a semana, os pesquisadores colombianos visitaram pomares comerciais, cooperativas e packing house. Na sexta-feira (29), visitaram o Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis (SP).
Congresso é considerado uma oportunidade estratégica para o setor

Foto: Fundecitrus
O Fundecitrus recebeu, na semana passada, a visita de cerca de 30 viveiristas e profissionais da área de diferentes países, que vieram conhecer de perto os trabalhos desenvolvidos pela instituição. A passagem pelo Brasil integrou a programação preliminar do Congresso Internacional de Viveiristas, realizado em Viña del Mar, no Chile.
O grupo era composto por profissionais da Austrália, Estados Unidos, Egito, África do Sul, Holanda, Chile, Argentina entre outros. Durante a visita, eles conheceram os laboratórios de Diagnóstico, Biotecnologia, Ecologia Química e Comportamento de Insetos do Fundecitrus.
O congresso, organizado pela Sociedade Internacional de Viveiros Cítricos, é considerado uma oportunidade estratégica para o setor, reunindo especialistas em busca de inovações, práticas de cultivo e conexões internacionais que fortalecem a citricultura em diferentes regiões do mundo.