domingo, abril 26, 2026

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Pesquisa usa nanotecnologia para elevar eficiência de herbicida no cultivo de milho



O milho é uma das principais culturas agrícolas do Brasil, com produção anual que varia conforme fatores climáticos e de manejo. Para a safra 2024/25, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de cerca de 126,9 milhões de toneladas. O montante estimado reflete o crescimento da produtividade nos últimos anos, impulsionado pela expansão da segunda safra, pelo uso de sementes geneticamente modificadas e pela adoção de tecnologias como o plantio direto, mesmo diante de condições climáticas variáveis.

Apesar da evolução no cultivo, um dos principais desafios para a produção de milho segue sendo o manejo de plantas daninhas. Estas competem por luz, água e nutrientes, e dessa forma afetando o desenvolvimento da cultura. Para minimizar perdas, se definem os primeiros 10 a 15 dias após a emergência da planta como o período crítico de competição. Assim, nesses primeiros dias é necessário controlar a presença de plantas infestantes de forma eficiente para garantir crescimento saudável e o máximo rendimento da safra.

Pesquisas em herbicidas mais seguros e eficientes

Assim para minimizar o impacto provocado pelo uso de herbicidas no controle de plantas daninhas, pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) analisaram a nanoencapsulação da atrazina, demonstrando como é possível potencializar a ação do ingrediente ativo sem comprometer a tolerância das plantas.

O estudo comparou o uso da atrazina convencional com formulações em nanocápsulas feitas de diferentes materiais, incluindo poli(ε-caprolactona), quitosana e zeína, todos biodegradáveis e derivados de resíduos da agroindústria. Testes em casa de vegetação mostraram que todas as formulações, incluindo nanocápsulas sem herbicida, foram seguras para a fisiologia e o crescimento das plantas.

Bruno Teixeira de Sousa, um dos pesquisadores envolvidos no trabalho, destaca que as plantas de milho tratadas com atrazina nanoencapsulada apresentaram resposta antioxidante mais intensa, com aumento significativo na atividade de enzimas como ascorbato peroxidase, catalase, peroxidase e superóxido dismutase. O efeito negativo sobre a fotossíntese foi temporário, com recuperação total observada 14 dias após a aplicação. Assim, as plantas conseguiram se proteger de forma eficaz contra o estresse provocado pelo herbicida.

“Os resultados confirmam que a nanoencapsulação permite potencializar a ação da atrazina sem comprometer o vigor das plantas de milho, oferecendo uma estratégia mais segura e eficiente para o manejo de plantas daninhas, especialmente durante o período crítico de competição”, pontua.

Dessa forma, os resultados reforçam o potencial da nanoencapsulação como estratégia inovadora para o manejo de plantas daninhas, unindo maior eficácia do herbicida à segurança para a cultura do milho.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.



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Qual é sua maior dificuldade na propriedade?



Na interatividade da semana, perguntamos: Qual é sua maior dificuldade na propriedade? A pesquisa mostrou que a maior dificuldade no campo, atualmente, é controlar custos e contas, apontado por 59% dos participantes. Em seguida, vender a produção por um bom preço aparece como o segundo maior desafio (33%), enquanto apenas 8% destacaram como principal dificuldade a organização do dia a dia e dos processos.

O gestor de agronegócios do Sebrae/RS, André Bordignon, avaliou os resultados e destacou a importância da profissionalização no campo.
“Primeiro, eu acho que esses são três temas importantíssimos quando se trata de gestão do negócio, quando se trata em cada vez mais a gente entender a necessidade de se encarar a propriedade rural como uma empresa, então trabalhar o profissionalismo no campo.”, afirma André.

Segundo ele, não surpreende que a organização dos processos tenha sido o ponto menos votado. “Não é surpresa nenhuma que, por exemplo, o menos votado foi a parte de processo produtivo, organização do processo produtivo e tal, porque isso é sim a principal aptidão e afinidade do produtor rural, é assim que ele foi moldado a trabalhar.”

Controle de custos e contas

“O que foi mais pontuado é diretamente relacionado à gestão do negócio, que é principalmente hoje um tema de mais importante pensando na competitividade dos negócios, que é a redução de custos. […] O Sebrae tem uma grande expertise com relação a este ponto, especificamente sobre este ponto, que a gente tem diversos produtos que vão auxiliar o produtor a entender melhor este processo, a entender a importância dele para o negócio, que um processo bem gerido, com uma boa gestão, auxilia demais para todo o planejamento do processo produtivo, para as tomadas de decisões, inclusive para as colocações e acesso ao mercado.”, afirma Bordignon.

Um exemplo prático vem das propriedades leiteiras no Rio Grande do Sul:
“A gente traz metodologias de trabalho que visam aumentar a produção de leite a pasto, em detrimento do gasto com a ração, por exemplo, que é um custo alto para a propriedade rural. […] Então são alternativas que se criam e se estabelecem na propriedade, aliando a parte produtiva e a parte financeira que vão de encontro a esta necessidade que temos hoje em função da competitividade e principalmente de acesso ao mercado.”

A fala reforça que, diante de um mercado volátil e regulado pela lei da oferta e demanda, os produtores precisam buscar alternativas que unam produtividade e gestão financeira para manter a rentabilidade no campo.



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Brasil amplia exportações de carnes para o Azerbaijão



Brasil soma 442 aberturas de mercado desde 2023



Foto: Pixabay

O governo brasileiro informou que as autoridades sanitárias do Azerbaijão autorizaram a exportação de produtos cárneos termoprocessados ??de aves, bovinos, caprinos, ovinos e suínos do Brasil para aquele país. Segundo comunicado oficial, “a decisão amplia as possibilidades de comércio entre os dois países e diversifica os destinos da produção brasileira”.

O Azerbaijão, localizado na região do Cáucaso e com cerca de 10,2 milhões de habitantes, vem ampliando suas relações comerciais com o Brasil. Em 2024, as exportações brasileiras para o país somaram mais de US$ 21 milhões, com destaque para carnes, produtos florestais e outros itens de origem animal, conforme dados oficiais.

De acordo com o governo, “com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 442 aberturas de mercado desde o início de 2023, em 72 destinos”, consolidando a presença do setor no comércio internacional.nal.





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Arbitragem no agronegócio cresce 200%



A média de duração das disputas no setor é de 19,4 meses


A média de duração das disputas no setor é de 19,4 meses
A média de duração das disputas no setor é de 19,4 meses – Foto: Pixabay

O Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM-CCBC) registrou um crescimento expressivo nas arbitragens ligadas ao agronegócio. Entre 2021 e 2024, os casos aumentaram 200%, movimentando R$ 494 milhões, ante R$ 147,5 milhões nos quatro anos anteriores.

Em 2025, a expansão continua, com dois novos casos registrados até abril, totalizando R$ 65 milhões em disputas em andamento. Segundo Ricardo de Carvalho Aprigliano, vice-presidente do CAM-CCBC, o agronegócio tem descoberto na arbitragem uma solução rápida e eficaz para conflitos, método já consolidado em setores como energia e infraestrutura.

“Já há algum tempo o uso da arbitragem é bastante frequente para resolução de conflitos em setores como energia e infraestrutura, por exemplo. Mas podemos dizer que, nos últimos anos, o agronegócio também vem descobrindo que esse método é um ótimo caminho para uma solução rápida e eficaz para as partes interessadas nas ações”, afirma Ricardo de Carvalho Aprigliano, vice-presidente do CAM-CCBC.

A média de duração das disputas no setor é de 19,4 meses. Dos casos, 68% envolvem questões societárias, 14% contratos de compra e venda de produtos agrícolas, 9% imóveis rurais e arrendamentos, e 9% questões financeiras como securitização de créditos rurais. Embora os processos sejam sigilosos, o CAM-CCBC publica sentenças quando se tornam públicas, com o objetivo de incentivar o estudo e o desenvolvimento da arbitragem no país.

“Nosso centro de arbitragem e mediação trabalha com sigilo, mas também com transparência; por isso, quando a sentença é pública, nós a publicamos em nossos canais de comunicação”, explica Aprigliano.

 





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Boi gordo mantém preços estáveis em São Paulo



Escalas do boi gordo variam entre oito e dez dias



Foto: Kadijah Suleiman

De acordo com a análise de sexta-feira (26) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria, “as cotações do boi gordo permaneceram estáveis em São Paulo”. O boletim informa que “a oferta de boiadas esteve contida e as escalas de abate começaram a encurtar”, o que explica a estabilidade. As escalas de abate atenderam, em média, a oito dias no estado.

Em Tocantins, o informativo destacou que “o cenário foi de mercado ofertado e com escalas de abate confortáveis”. Na região Sul, “as escalas de abate atenderam, em média, a dez dias”. Na região Norte, “as escalas de abate ficaram, em média, em dez dias”.

Em Goiás, “a oferta de bovinos esteve mais enxuta, mas a escala de abate foi suficiente”, informou a Scot Consultoria.

Em Alagoas, “com a oferta tendo atendido à demanda, mas sem gerar excedentes, as cotações permaneceram estáveis na comparação diária”, concluiu o informativo.





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Paraná prevê safra recorde de grãos



Estado projeta recorde com culturas de inverno



Foto: Divulgação

O Paraná deve colher 46,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/2025, número considerado recorde para o estado. O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), informou nesta quinta-feira (25) que a projeção ainda depende da conclusão da colheita das culturas de inverno. “A previsão fica bem acima da safra 23/24, de 38,48 milhões de toneladas, e supera o recorde da safra 22/23, de 45,48 milhões de toneladas”, disse o boletim de safra do Deral.

Segundo o Departamento, o Paraná colheu 21,4 milhões de toneladas de soja. A produção de milho atingiu 20,4 milhões de toneladas e a de feijão chegou a 841 mil toneladas, o que contribuiu para o patamar histórico desta safra. O estado ainda colheu 136 mil toneladas de arroz e 44,9 mil toneladas de café na safra 24/25. “Os produtores já colheram 41% da área de trigo, com rendimento médio de 3.258 kg/ha, contra 2.139 kg/ha na safra anterior”, informou o Deral. A produtividade também aumentou nas lavouras de cevada: no ciclo anterior o rendimento chegou a 3.841 kg/ha e este ano passou para 4.333 kg/ha.

A previsão é que o Paraná colha 449 mil toneladas de cevada nos 103 mil hectares cultivados nesta safra, área superior aos 82,2 mil hectares do ciclo anterior. A colheita atingiu até agora 12% da área cultivada. “Se as condições favoráveis persistirem, a safra recorde estará assegurada”, afirmaram técnicos do Deral.

A safra de verão 25/26 está em início de plantio. As chuvas que favoreceram a safra de inverno também umedeceram o solo, permitindo maior ritmo de semeadura nos próximos dias. Até o início desta semana, o milho atingia 64% de área plantada, a batata 60% e o feijão da primeira safra 28%, com maior concentração de produção no Sul do estado.





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Manejo e genética são primordiais para se ter alta produtividade no cultivo


Manejo adequado e a adaptação genética dos clones são os fatores centrais para se ter uma boa produtividade das florestas plantadas com eucalipto em Mato Grosso. Esta é uma das avaliações feitas por Maurel Behling, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril. Ele recomendou ainda que o produtor abandone práticas menos eficientes, como o uso de “sobras” de herbicidas e adubos, e adote as novas técnicas para garantir um ciclo de produção otimizado.

Práticas como preparo correto do solo, adubação equilibrada e controle de pragas são decisivas para o bom desenvolvimento dos plantios. “O manejo é o que está, de fato, nas mãos do produtor. É a ferramenta capaz de transformar o potencial da floresta em resultados concretos”, afirmou Behling.

O pesquisador destacou ainda que a escolha de clones adaptados às condições de solo e clima de cada região é fundamental para garantir produtividade. Em parceria com a Arefloresta e outros órgãos, a Embrapa está conduzindo testes de validação em diversas fazendas do estado, com apoio do Fundo Desenvolve Floresta. O objetivo é identificar e disponibilizar aos produtores materiais genéticos superiores.

Behling lembrou que o ciclo de produção do eucalipto, que dura em média sete anos, é capaz de gerar biomassa de alta qualidade para diferentes cadeias produtivas. “O eucalipto está para as espécies madeireiras como o Bombril está para as esponjas de aço: é 1001 utilidades… e atende de pobre ao nobre”, disse, ressaltando o potencial versátil da madeira para atender desde a indústria de papel até a fabricação de peças para tratores e automóveis.

Cheio de detalhes, o processo de produção do eucalipto envolve uma série de etapas bem definidas, iniciando com o planejamento e a implantação da floresta. Em seguida vêm a condução, a manutenção e, posteriormente, a colheita da biomassa e o transporte do material. “Essa cadeia produtiva estruturada garante a entrega de uma matéria-prima versátil, capaz de atender a uma vasta gama de indústrias”, frisou.

Behling, que atua em diferentes projetos como melhoramento genético do eucalipto e na avaliação de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com foco em sustentabilidade e ganhos de produtividade, destacou ainda que a produção de eucalipto se destaca como alternativa sustentável, por ser renovável e contribuir para a redução de carbono na atmosfera. Para ele, abandonar práticas ultrapassadas e adotar novas tecnologias é o caminho para consolidar a silvicultura como atividade estratégica em Mato Grosso.

 





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Clima beneficia safra de inverno na região Sul



Milho e arroz avançam com plantio acelerado



Foto: Pixabay

De acordo com o Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), divulgado nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), “os volumes de chuva registrados na região Sul nos 20 primeiros dias de setembro favoreceram os cultivos de inverno na maioria das áreas produtoras”. O documento aponta que “os maiores volumes foram distribuídos no Rio Grande do Sul, principalmente na primeira semana do mês”. Os dados espectrais indicam que “as condições foram desenvolvidas nas principais regiões de produtos de trigo , grão com a maior área semeada nas culturas de inverno, mesmo com o registro de problemas e tempestades em algumas áreas”.

Ainda segundo o Boletim, “os gráficos de evolução do índice de crescimento das principais produtoras de trigo, onde as atividades se encontram majoritariamente em desenvolvimento vegetativo, enchimento e preenchimento de grãos, mostram que as condições, no geral, foram realizadas”. O documento destaca que “nas regiões monitoradas, observa-se que o índice evoluiu acima da média histórica durante a maior parte do período de desenvolvimento das atividades, encontrando-se, neste momento, próximo ou acima da safra anterior”.

No Rio Grande do Sul, “principal estado produtor de trigo, a condição geral das atividades é considerada boa”. No Paraná, “o clima favoreceu o avanço da colheita e a maior parte das atividades encontra-se em maturação”. Em Santa Catarina, “a cultura apresenta bom potencial produtivo” e “a maior parte das culturas catarinenses apresentam-se em desenvolvimento vegetativo, enquanto alguns avançam para o enchimento de grãos”. A alternância entre períodos de sol e umidade “tem favorecido o crescimento das plantas”. ???????

Sobre as culturas de verão da safra 2025/26, o Boletim informa que “a semeadura da nova safra está avançando, principalmente sob o cultivo irrigado ou em áreas com disponibilidade de água no solo”. O plantio de arroz irrigado “está no início no Rio Grande do Sul, concentrado nas áreas de cultivo pré-germinado”, e em Santa Catarina “a semeadura do grão está mais avançada no litoral Norte”. Já “a semeadura do milho primeira safra ocorre em ritmo acelerado na região Sul, favorecida pelo aumento das temperaturas e pelas precipitações regulares”. Quanto à soja , “o plantio é incipiente no Centro-Oeste e está concentrado, especialmente, em áreas irrigadas”. No Paraná, “o plantio foi iniciado em algumas áreas das regiões Oeste e Sudoeste, onde a umidade não só tem permitido as operações de campo e propiciou um bom desenvolvimento inicial das atividades”.





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Agricultores franceses protestam contra o acordo Mercosul-União Europeia



Agricultores franceses protestaram em diversas partes do país nesta sexta-feira (26) contra o acordo Mercosul-União Europeia. Eles alegam que o pacto entre os blocos econômicos promoverá concorrência desleal e acusam os produtos agrícolas sul-americanos de não atenderem os padrões de qualidade do Velho Continente.

As manifestações foram convocadas pela Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores da França e mobilizaram centenas de tratores.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente da entidade, Olivier Hardouin, criticou o governo de Emmanuel Macron e disse que o momento é um dos mais importantes para a agricultura francesa.

“O presidente da República exita em assuntos com Mercosul, Estados Unidos e questões ucranianas que vem junto com todos os seus produtos sobrecarregar os nossos mercados e [comprometer a nossa] competitividade. No momento em que muitos agricultores hesitam em reunir-se, quando não há governo, a Federação dos Agricultores permanece um corpo intermediário que age por vocês no dia a dia”, disse.

Para o professor da FGV Agro, Leonardo Munhoz, as reclamações dos agricultores franceses são injustificadas, uma vez que a versão final do acordo fechado entre os blocos inclui diversas salvaguardas à União Europeia, como o limite de importação de carne bovina, por exemplo, que é de, no máximo, 1,5%.

“Os agricultores franceses e de toda a União Europeia vão ter um subsídio da política agrícola comum deles de mais de 300 bilhões de euros. Então há todo um sistema de proteção que o Mercosul teve de ceder para o governo francês, para o governo da Irlanda, para o governo da Itália. Essa resistência por parte dos produtores franceses, essa reclamação é sem motivo”, diz.

Franceses podem vetar o acordo?

A expectativa é que o acordo Mercosul-União Europeia seja assinado até o fim do ano, mas a França tem sido a voz mais estridente contra o pacto. Munhoz lembra que a proposta ainda precisa ser apreciada pelo parlamento europeu e pela Comissão Europeia — semelhante ao Senado brasileiro.

“A França pode influenciar os euro-deputados e também o Conselho Europeu a votarem contra, mas ela, sozinha, não consegue vetar esse acordo, ela precisaria de mais ou menos 35% desses votos”, detalha.

Assim, o professor conta que a França precisaria contar com o voto contrário de parlamentares de nações que já demonstraram resistência ao pacto entre os blocos, casos de Irlanda e Itália.

Munhoz ressalta que o presidente francês era um dos mais estridentes contra o acordo, mas agora se mostra favorável, dentro dos termos de salvaguarda, por conta de a Europa necessitar de mais parceiros uma vez em que Donald Trump sobretaxou diversos itens da pauta de exportação global.

“O agricultor francês, no meu ver, pode reclamar e tentar argumentar, mas acho que a pressão da realidade e da necessidade da União Europeia ter mais parceiros comerciais vai acabar prevalecendo”, considera.

Segundo Munhoz, nessa equação também pesa o fato de a União Europeia ter a demanda de vender aos países membros do Mercosul produtos de maior valor agregado, como carros, bebidas alcoólicas e chocolates, por exemplo, isentos de tarifa, o que está previsto no acordo.

Especificamente ao Brasil, o especialista detalha que ficam duas lições para que o acordo entre os blocos seja de fato implementado, uma vez que o país leva vantagem ao ter um agro mais competitivo que o europeu: combater o desmatamento ilegal e a rastabilidade dos produtos agropecuários.



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Produtores terão apoio para comercializar feijão


Os produtores e produtores de feijão do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná terão nova oportunidade de apoio à comercialização e ao escoamento da leguminosa da safra 2024/25. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que realizará, nos dias 1º e 2 de outubro, leilões públicos de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP). Segundo a Companhia, “ao todo, serão oferecidas 16,2 mil toneladas de Pepro e outras 16,2 mil toneladas de PEP”.

De acordo com a Conab, “dessa vez não haverá limite por produtor para participar da subvenção”. A Companhia explicou que, com isso, “os produtores podem participar da Pepro e também vender às empresas que contratam o PEP”. No entanto, “é vedado ao agricultor negociar com a Conab um volume de feijão referente à mesma safra 2024/25 que excede a produção prevista na área declarada no Sican”.

Os leilões marcados para o dia 1º de outubro serão destinados à agricultura familiar. A Conab destacou que irá oferecer “6,48 mil toneladas de pepro de feijão-preto exclusivamente para os agricultores e agricultores familiares, bem como suas cooperativas sediadas nos estados da região Sul do país”. Para receber o prêmio, “o produtor ou cooperativa deverá comprovar a produção e a venda ou escoamento do feijão-preto para a indústria de beneficiamento ou comerciante de uma localidade diferente de onde ocorre o plantio do produto”.

No mesmo dia, também serão oferecidas “6,48 mil toneladas de PEP para indústrias de beneficiamento e comerciantes de feijão-preto do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul”. Nessa operação, “o participante deverá comprovar a compra do feijão-preto in natura obrigatoriamente de familiares agricultores diretamente ou por meio de suas cooperativas, pelo Preço Mínimo e o posterior escoamento do produto”.

 

Na quinta-feira (2), os leilões Pepro serão realizados em caráter de ampla concorrência. Segundo a Conab, “todos os produtores, cooperativas, agricultores familiares inclusivos, poderão participar”. O mesmo ocorrerá com o PEP, “em que as indústrias de beneficiamento e comerciantes do grão precisarão comprovar a compra do feijão-preto in natura de agricultores, inclusive da agricultura familiar, pelo Preço Mínimo e o posterior escoamento do produto”.

A Companhia ressaltou que, para participar dos leilões, “os interessados ??devem estar inscritos na Bolsa de Mercadorias pela qual pretendem atuar e em situação regular perante o Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican) da Conab, além de possuir cadastro em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) e perante o Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), entre outras disposições previstas nos editais”.

 

A ação foi autorizada pela Portaria Interministerial dos ministérios da Agricultura e Pecuária, da Fazenda, do Planejamento e Orçamento, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar n.º 24/2025, publicada em 25 de agosto de 2025. O documento “define um volume de recursos de até R$ 21,7 milhões para escoamento de 32,4 mil toneladas de feijão da safra 2024/25 para fora dos estados de origem da produção”.

Segundo a Conab, “os leilões públicos a serem realizados no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) são importantes ferramentas para diminuir oscilações na renda dos produtores rurais e garantir uma remuneração mínima, atuando como balizadora da oferta, incentivando ou desestimulando a produção e garantindo a regularidade do abastecimento nacional”.





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