segunda-feira, abril 13, 2026

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Soja fecha com mais de 1% de queda em Chicago pressionada pela falta de…


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A ligação entre Donald Trump e Xi Jinping aconteceu nesta sexta-feira (19) e, mais uma vez, as conversas não trouxeram qualquer novidade efetiva nas relações entre os dois países. E assim, o pouco que a soja subiu nos últimos dias na Bolsa de Chicago apoiada na esperança de que o cenário sino-americano fosse fortalecido no âmbito do agronegócio, devolveu na sessão desta sexta-feira (19) e terminou o dia com baixas de dois dígitos na Bolsa de Chicago. 

“A ausência de sinais mais claros de um acordo pressiona os preços da soja e provoca a reversão do movimento positivo observado pela manhã nas bolsas americanas, que passaram a operar em baixa”, afirmou a equipe da Agrinvest Commodities. 

Assim, o pregão terminou com os principais vencimentos da soja recuando entre 10,50 e 11,25 pontos, com o novembro voltando aos US$ 10,26; o janeiro a US$ 10,45 e o maio a US$ 10,74 por bushel. Foram perdas de mais de 1% que o mercado foi intensificando ao longo do dia. 

“Fizemos progressos em muitas questões muito importantes, incluindo comércio, fentanil, a necessidade de encerrar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a aprovação do acordo do TikTok”, escreveu Trump nas mídias sociais. “A ligação foi muito boa, voltaremos a nos falar por telefone, agradecemos a aprovação do TikTok e ambos esperamos nos encontrar na Apec!”, complementou. 

A agência de notícias estatal da China Xinhua informou que “sobre o TikTok, Xi disse que a posição da China é clara: o governo chinês respeita a vontade das empresas e dá as boas-vindas às empresas para que conduzam negociações comerciais com base nas regras de mercado para chegar a uma solução consistente com as leis e regulamentações chinesas, ao mesmo tempo em que equilibra os interesses”.

E assim, o agronegócio segue às margens da discussão entre as duas maiores economias do mundo, com não só o mercado sentindo a pressão em Chicago, como os produtores rurais norte-americanos vivendo uma calamidade financeira diante da ausência das compras de soja americana pela nação asiática. 

O mercado segue confinado em um intervalo já conhecido de preços diante de notícias que já conhece. No radar estão a conclusão da safra dos EUA, o início da safra do Brasil, a demanda da China e o mandato dos combustíveis norte-americanos, o que deixou o óleo de soja também bastante volátil na CBOT nos últimos dias. Nesta sexta, o derivado terminou o dia com mais de 1% de baixa, contribuindo para as baixas do grão. 

MERCADO BRASILEIRO

No Brasil, os produtores estão dividindo suas atenções entre os trabalhos de campo e de comercialização. A soja disponível segue com volume recorde de exportação, mais de 124 milhões de toneladas já negociadas, enquanto na safra 2025/26 os negócios ainda estão atrasados. 

“A grande questão é que a safra nova está lenta (nas vendas). Temos perto de 19% negociado da safra nacional e o normal seria mais de 27% para esta época, em estados como o Mato Grosso, o normal seria mais de 25% para esta época, e está tudo atrasado. E isso é importante o produtor se posicionar para o produtor não correr o risco e chegar na colheita e ter que vender em cima da colheitadeira, em cima da máquina, e pegar um mercado muito ofertado. E isso não é nada favorável para o produtor”, explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.





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Reportagem sobre retomada de cooperativa vence Prêmio SomosCoop RS



A reportagem especial produzida pela jornalista Eliza Maliszewski e pelo cinegrafista Marcel Oliveira venceu a primeira edição do Prêmio SomosCoop Melhores do Ano RS. O material mostrou a trajetória de superação da Cooperativa Langhiru, que completou 70 anos e retomou o crescimento após enfrentar uma das maiores crises da sua história. A premiação ocorreu na noite desta segunda-feira (13), em Porto Alegre.

Promovido pelo Sistema Ocergs, o prêmio reconhece iniciativas que fortalecem o cooperativismo e valorizam práticas de gestão e inovação no Rio Grande do Sul. Além disso, a conquista ocorre em um momento simbólico: a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, reforçando a relevância do modelo para o desenvolvimento sustentável.

Para o presidente da Langhiru, Paulo Birck, o reconhecimento por meio do prêmio é um incentivo para seguir avançando. “Merecido reconhecimento e pra nós motivação, porque com certeza vem mais coisa boa pra frente na história da cooperativa”, afirmou.

A história contada na reportagem

Gravada no Vale do Taquari, a reportagem mostrou como produtores de leite e de frango, como Silvani Thies e Nelson Müller, mantêm suas atividades com o apoio da cooperativa. O conteúdo também retratou a fase de reestruturação da Langhiru, que reduziu dívidas, reorganizou a produção e aposta na avicultura e no leite para garantir a sustentabilidade do negócio.

Com 5 mil associados, sendo cerca de 1,4 mil ativos, a cooperativa tem fortalecido o diálogo interno e a participação dos cooperados nas decisões, segundo a atual gestão.

Força do cooperativismo no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul concentra o maior número de cooperados do Brasil, unindo produtores de diferentes portes e regiões. No estado, são 95 cooperativas ligadas ao agronegócio, responsáveis por um faturamento que passou de R$ 22 bilhões em 2015 para quase R$ 50 bilhões em 2023 — um crescimento de 120% na última década.

No mesmo período, surgiram 29 novas cooperativas voltadas ao agro, reforçando a importância do segmento na economia gaúcha.

Orgulho e compromisso

Ao celebrar o prêmio, a repórter Eliza Maliszewski reforçou o papel do jornalismo rural na valorização do cooperativismo.

“Estamos muito honrados. Foi uma oportunidade de mostrar a força das cooperativas do RS e contar a história de uma instituição que superou dificuldades financeiras e a enchente no Vale do Taquari”, disse.

A profissional também destacou o papel do Canal Rural em informar e contar histórias como as do Paulo, da Silvani e do Nelson. “Essa é a nossa missão: estar junto do nosso público, contando histórias que inspiram e fortalecem o setor”, afirmou.



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Incêndio em subestação provoca apagão na madrugada em todas as regiões



O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que à 0h32 desta terça-feira (14) uma ocorrência no Sistema Interligado Nacional (SIN) provocou a interrupção de cerca de 10.000 megawatts (MW) de carga, afetando os quatro subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

Em nota, o ONS detalhou que a ocorrência teve início com um incêndio em um reator na Subestação de Bateias, no Paraná, desligando toda a subestação de 500 kilovolts (kV) e ocasionando a abertura da interligação entre as duas regiões. “No momento, a Região Sul exportava cerca de 5.000 MW para o Sudeste/Centro-Oeste”.

Ainda de acordo com o comunicado, na região Sul, houve perda de aproximadamente 1.600 MW de carga. No Nordeste, a interrupção foi da ordem de 1.900 MW; no Norte, de 1.600 MW; e no Sudeste, de 4.800 MW.

“Assim que identificou a situação, o ONS iniciou ação conjunta com os agentes para restabelecer a energia nas regiões.”

“O retorno dos equipamentos e a recomposição das cargas se deu de maneira segura, logo nos primeiros minutos, sendo que, em até uma hora e meia, todas as cargas das regiões Norte, Nordeste, Sudeste/Centro-Oeste foram restabelecidas. As cargas da Região Sul foram recompostas totalmente por volta de duas horas e meia após a ocorrência.”

Segundo o ONS, uma reunião com os principais agentes envolvidos na ocorrência está programada para hoje. Um outro encontro, definido como reunião preliminar de Análise da Perturbação, está previsto para ocorrer até a próxima sexta-feira (17).



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Preços da batata sobem nos atacados



As cotações da batata subiram na última semana, conforme aponta levantamento do Hortifrúti/Cepea.

De 6 a 10 de outubro, a média da batata especial tipo ágata foi de R$ 46/sc de 25 kg no atacado de São Paulo, aumento de 22,2% em relação ao período anterior. Nos atacados do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, as valorizações foram ainda maiores, de 38,5% e 31,6%, para R$ 52/sc e R$ 45/sc, respectivamente.

Segundo pesquisadores do Hortifrúti/Cepea, o setor já esperava o movimento de alta e está atrelado à desaceleração da safra de inverno, com a colheita em Vargem Grande do Sul (SP) na reta final. 

Atacadistas declaram que o Cerrado Mineiro e o Sudeste Paulista são atualmente as principais regiões que abastecem as centrais. Conforme o Hortifrúti/Cepea, para as próximas semanas, a expectativa é que os tubérculos se valorizem ainda mais, com a finalização da safra de Vargem Grande do Sul e a desaceleração em outras praças.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Média do trigo importado é a menor em quase 5 anos



Dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que, em setembro, o preço do trigo importado pelo Brasil foi o menor desde novembro de 2020. A média foi de US$ 230,09/tonelada, o equivalente a R$ 1.235,12/t, considerando-se o câmbio de R$ 5,368 no mês. 

No mesmo período, a média do cereal no Rio Grande do Sul, segundo levantamento do centro de pesquisas, foi de R$ 1.259,39/t, o que indica maior competitividade do produto importado em relação ao brasileiro.

O Brasil importou 568,98 mil toneladas de trigo em setembro, acumulando 5,249 milhões de toneladas na parcial do ano, o maior volume para o período desde 2007. Diante de um mercado internacional cada vez mais competitivo, pesquisadores apontam que as negociações envolvendo o trigo nacional estão lentas e os valores, pressionados.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Açúcar cristal tem preços firmes em São Paulo



Os preços do açúcar cristal estiveram um pouco mais firmes no spot paulista na última semana. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, alguns compradores buscaram negociar novos lotes, especialmente de cristal tipo Icumsa 150. Diante da restrição da oferta, por conta do maior volume destinado às exportações, os agentes das usinas do estado de São Paulo procuraram vender no spot a preços firmes. 

De 6 a 10 e outubro, o Indicador Cepea/Esalq, cor Icumsa 130 a 180, mercado paulista, teve média de R$ 117,36/saca de 50 kg. Valor que representa uma pequena alta de 0,44% frente à do período anterior.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Vendas de etanol hidratado quase dobram na semana



O volume de etanol hidratado vendido pelas usinas paulistas na última semana quase dobrou frente ao do período anterior, refletindo o aquecimento da demanda. Isso é o que mostram os dados coletados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Além disso, segundo o Centro de Pesquisas, os valores ofertados por usinas para novos lotes atraíram distribuidoras. Ressalta-se que, nos últimos três anos, a quantidade comercializada de hidratado cresceu de setembro para outubro. 

Neste ano, especificamente, compradores também estão atentos aos menores estoques nas usinas frente aos de 2024. Assim, este contexto pode estar estimulando os negócios neste mês. Apesar do cenário de maior liquidez, levantamentos do Cepea mostram que as cotações seguiram estáveis no spot paulista.  

Entre 6 e 10 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado para o estado de São Paulo fechou em R$ 2,7156/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), pequeno recuo de 0,4% sobre o período anterior. Para o anidro, a variação foi negativa em ligeiro 0,36%, com o Indicador Cepea/Esalq a R$ 3,1126/litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Semeadura do feijão sofre impacto das chuvas



Feijão 1ª safra tem ritmo lento em parte do Estado



Foto: Pixabay

O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS na quinta-feira (9) indica que as chuvas no período dificultaram o preparo das áreas e atrasaram o avanço da semeadura do feijão 1ª safra. Assim como na semana anterior, os índices de plantio continuam desuniformes entre as regiões produtoras. No Planalto Médio, praticamente todas as áreas foram semeadas, enquanto na Região Sul o processo está mais atrasado. Nos Campos de Cima da Serra, a semeadura deve iniciar em dezembro. Segundo a Emater/RS, as lavouras encontram-se em estágio vegetativo e apresentam desenvolvimento considerado adequado.

Nos cultivos destinados ao consumo familiar, a Emater/RS projeta rendimento menor, com comercialização do excedente em pequenos mercados próximos às áreas de produção. A área projetada para o feijão 1ª safra é de 26.096 hectares, com produtividade média estimada em 1.779 quilos por hectare.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, 50% da área total prevista já foi implantada, apesar do atraso na semeadura. A produtividade média estimada é de 2.237 quilos por hectare. Na região de Ijuí, a semeadura atingiu 90% do total previsto, com bom desenvolvimento vegetativo e sem registros relevantes de pragas, segundo o órgão.

Em Pelotas, 19% da área projetada foi semeada. Os municípios que já iniciaram o plantio incluem Amaral Ferrador, Pinheiro Machado, Herval, Canguçu, Santana da Boa Vista e São Lourenço do Sul. Já na região de Soledade, a semeadura alcançou 60% do total, e a Emater/RS informou que as lavouras apresentam boa emergência de plantas e sanidade satisfatória, com produtividade média de 1.600 quilos por hectare.

Na região administrativa de Santa Maria, o avanço da semeadura foi menor no período, chegando a 50% do total projetado. A área de cultivo prevista é de 1.033 hectares, e a produtividade média esperada é de 1.414 quilos por hectare, conforme dados da Emater/RS.





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O colapso da agricultura em Gaza no epicentro da crise humanitária


Até 2023, Gaza era um retrato de potencial e vida: olivais, laranjais, morangos em estufas, hortas irrigadas. Hoje, essas mesmas terras são zonas proibidas, estragadas pelos bombardeios, interditadas por bloqueios ou soterradas sob escombros. Quando a terra deixa de poder produzir, como segue a vida?

Em Gaza, a agricultura já foi muito mais que subsistência, era motor econômico, fonte de identidade e segurança alimentar. Estima-se que antes da escalada atual, o setor agrícola respondia por até 10 % do PIB local (dados de organismos internacionais).

As culturas predominantes incluíam frutas cítricas (laranja, limão), morangos, oliveiras (para azeite), além de hortaliças, trigo e flores.

Boa parte da produção era consumida internamente; acredita-se que cerca de 40 % da extensão territorial da Faixa de Gaza era dedicada à agricultura.

Além disso, centenas de milhares de famílias dependiam direta ou indiretamente da agricultura, seja como produtores, em cadeias de insumos ou no comércio local e exportações regionais.

Relatórios recentes da FAO / UNOSAT revelam que 98,5 % das terras agrícolas de Gaza estão atualmente danificadas, inacessíveis ou ambas, restando apenas 1,5 % de cropland utilizável (aproximadamente 232 hectares).

  • Em setembro de 2024, já se estimava que 67,6 % dos campos agrícolas estavam danificados — sendo 71,2 % de pomares, 67,1 % de culturas de campo e 58,5 % de hortaliças.
  • Em maio de 2025, a FAO advertiu que menos de 5 % das terras agrícolas permanecem disponíveis para cultivo.
  • Dados anteriores apontam que já em abril/maio de 2025 mais de 80 % da área agrícola total (12.537 há de 15.053 ha) estava danificada ou inacessível.

Esses números indicam uma destruição estrutural e sistêmica do setor agrícola.

Cerca de 44,3 % das estufas foram danificadas de forma significativa.

Os pomares, incluindo oliveiras e frutíferas, estão entre os mais afetados; grande parte das árvores foi destruída ou arruinada pela ação de tanques e explosões.

Na zona de Al-Qarara, local de um banco de sementes que mantinha variedades adaptadas localmente, 60 % das terras agrícolas foram niveladas, e poços, reservatórios e estruturas hidráulicas foram destruídos.

Com o banco de sementes destruído, a base genética local foi dizimada, agricultores ficaram sem fontes próprias de sementes adaptadas e ficaram dependentes de insumos externos.

A pecuária foi quase inteiramente aniquilada: estima-se que 96 % do rebanho bovino foi perdido, por morte direta ou pela falta de alimento e água.

O setor de pesca, historicamente vital para a segurança alimentar costeira, também entrou em colapso: barcos foram destruídos, áreas marítimas tornaram-se zonas de combate e restrições navais foram impostas.

Sistemas de irrigação, poços hidráulicos, canais, reservatórios e estações de bombeamento foram danificados ou destruídos em grande escala.

Adicione-se a isso a contaminação do solo por explosivos, metais pesados e resíduos de guerra, tornando certos terrenos impraticáveis mesmo após remoção de escombros.

Em 2025, órgãos como FAO, WFP e UNICEF alertaram que Gaza entrou em situação de fome generalizada, com centenas de milhares de pessoas em risco iminente. Mais de 39 % da população relatou que passou dias sem ter o que comer. A produção local quase zerada, aliada a bloqueios de importação de alimentos e insumos, transformou praticamente toda a população em dependente de ajuda humanitária externa.

As consequências nutricionais são devastadoras: a desnutrição infantil crônica pode gerar danos irreversíveis ao crescimento físico, à imunidade e às funções cognitivas, efeitos que persistem por gerações.

O ataque sistemático ao sistema de produção agrícola ultrapassa o aspecto econômico. É um ataque ao direito humano à terra, ao alimento e à autonomia. Reduzir Gaza à mera receptora de ajuda internacional — sem restaurar sua capacidade produtiva — aprofunda o ciclo de dependência, fragilidade e humilhação.

Onde ainda é possível, em recantos remanescentes, agricultores arriscam retomar cultivos com sementes mínimas, improvisando ferramentas, irrigação rústica e tutela improvisada contra ataques.

Em áreas de menor incidência de conflito, alguns esforços de recuperação já são visíveis, ainda que fragilizados.

Relatórios da ONU estimam que a remoção de escombros pode levar uma década, enquanto recuperar a fertilidade do solo e infraestrutura completa pode demandar até 25 anos.
Mas o desafio vai além de reconstruir estruturas físicas: exige segurança (remoção de minas e explosivos), garantia de acesso humano e liberdade produtiva, assistência técnica, financiamento contínuo, redes de sementes locais e decisões políticas sobre uso da terra envolvidas.

Projetos de reconstrução bem-sucedida dependem de priorizar a reativação das cadeias alimentares locais, visando autonomia nutricional, e não simplesmente importar alimentos como paliativo eterno.

A transformação de Gaza, de terra fértil a território interditado, é uma tragédia que se projeta para além da destruição material. É uma ferida na identidade, na dignidade e na soberania de milhões. Reerguer Gaza não será apenas plantar de novo — será restaurar o laço entre as pessoas e a terra, entre o alimento e a liberdade.

Mas esse renascimento exige muito mais que boa vontade: exige compromisso contínuo da comunidade internacional, proteção efetiva diante do conflito, liberação humanitária irrestrita, investimento de longo prazo e, acima de tudo, o respeito ao direito humano básico de produzir e se alimentar.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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EUA e China ampliam guerra comercial e passam a cobrar novas taxas sobre embarcações



Os Estados Unidos e a China iniciaram nesta segunda-feira (14) a cobrança de novas taxas portuárias sobre embarcações ligadas um ao outro, ampliando o conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo para o setor marítimo.

As medidas surgem após novas restrições chinesas à exportação de terras raras e ameaças do presidente Donald Trump de elevar tarifas sobre produtos chineses. Apesar da escalada nas tensões, ambos os governos afirmaram que as negociações seguem abertas, em uma tentativa de conter a reação negativa dos mercados.

Taxas e retaliações

O governo chinês informou que as taxas adicionais serão aplicadas a navios de propriedade, operação, construção ou bandeira norte-americana, mas haverá isenção para embarcações construídas na China ou que cheguem vazias para reparos. As cobranças seguirão um ciclo anual e deverão ser recolhidas no primeiro porto de entrada ou nas primeiras cinco viagens do ano.

Em resposta, os Estados Unidos adotaram medidas equivalentes sobre embarcações chinesas, com o objetivo declarado de reduzir a influência de Pequim no setor marítimo e fortalecer a indústria naval americana.

Sanções e impactos

Além das tarifas, Pequim sancionou cinco subsidiárias da empresa sul-coreana Hanwha Ocean, acusando-as de colaborar com uma investigação norte-americana sobre práticas comerciais chinesas. As ações da Hanwha caíram quase 6% após o anúncio.

A China também abriu uma investigação para avaliar os impactos das medidas dos EUA sobre seu setor naval. Especialistas alertam que a escalada pode distorcer o comércio global e aumentar os custos de transporte marítimo, embora empresas do setor afirmem já estar se adaptando ao cenário de tensão prolongada.

Isenções e reações do mercado

Apesar da retaliação, Washington concedeu isenções temporárias a navios chineses que transportam etano e gás liquefeito, válidas até dezembro deste ano. Ainda assim, estima-se que 11% da frota mundial de navios de gás e 15% dos petroleiros serão afetados pelas novas tarifas.

O episódio evidencia o uso crescente do transporte marítimo como instrumento geopolítico, à medida que Estados Unidos e China utilizam políticas comerciais e ambientais como ferramentas de pressão econômica.

Mesmo com o aumento das tensões, as ações da gigante chinesa COSCO subiram mais de 2%, após a empresa anunciar um programa de recompra de ações para proteger investidores e demonstrar confiança no setor.



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