sábado, abril 11, 2026

Agro

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Manejo com cercas melhora produção e bem-estar animal na pecuária leiteira



O uso planejado de cercas está transformando a pecuária leiteira brasileira e pode contribuir para o aumento da produtividade e do bem-estar animal. Com estruturas bem planejadas, é possível organizar a alternância de animais, preservar a qualidade da forragem e otimizar o aproveitamento das áreas de alimentação. Esse foi o tema do Raio-x da Pecuária desta semana, quadro do telejornal Mercado & Companhia.

Segundo Vanessa Amorim, analista de mercado da Belgo Arames, o manejo rotacionado é uma das práticas simples que têm garantido ganhos consistentes aos produtores. “Muitas vezes o aumento da produção está ligado a ações básicas, como a divisão correta do pasto e o uso de cercas bem planejadas. Isso intensifica a produção e ajuda a aumentar a renda na atividade”, explica.

Manejo rotacionado e qualidade do leite

A especialista destaca que o manejo rotacionado evita tanto o sobrepastejo quanto o subpastejo, permitindo que os animais mantenham uma nutrição adequada. “Quando o gado se alimenta de forma equilibrada, o leite apresenta mais proteína e sólidos totais, o que melhora o rendimento industrial”, afirma.

Além disso, o sistema contribui para a saúde e o bem-estar do rebanho, preservando a sustentabilidade econômica das propriedades.

Cercas elétricas ganham espaço

De acordo com a analista, não existe um único modelo ideal de cerca e o tipo deve ser definido conforme o sistema de produção. “Temos sistemas confinados, intensivos e semi-intensivos. Mas as cercas elétricas estão ganhando destaque pela mobilidade e pelo custo-benefício”, afirma.

O uso de cercas elétricas permite ajustar o tamanho dos piquetes conforme a lotação animal e a disponibilidade de forragem, facilitando o pastejo rotacionado. “Elas podem ser realocadas com facilidade e se adaptam bem tanto em sistemas a pasto quanto nos confinados”, completa.



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AgroNewsPolítica & Agro

“A agricultura não pode ficar à mercê do clima”, diz Gilberto Cunha


O 23º Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, realizado em 2025, reuniu especialistas para discutir os desafios impostos pelas mudanças climáticas à agricultura. O encontro se consolida como um dos mais importantes espaços de diálogo entre ciência, tecnologia e campo, abordando de forma direta a necessidade de construir resiliência climática e apoiar a tomada de decisões estratégicas no agronegócio.

Segundo Gilberto Cunha, Presidente da Comissão Científica, o evento chega em um momento importante para o setor. “O Congresso é fundamental porque traz as grandes questões que hoje afetam a agricultura mundial, e em particular a brasileira. O Rio Grande do Sul é um exemplo disso. Nos últimos cinco anos, o estado enfrentou inundações e estiagens severas, que trouxeram muitos prejuízos para a agricultura gaúcha”, destacou.

O tema central desta edição — a construção da resiliência climática via o suporte à tomada de decisões — reflete a urgência de um novo olhar sobre a agricultura diante das emergências climáticas globais. Para Gilberto, o Brasil precisa avançar em soluções práticas que combinem informação meteorológica, manejo agrícola e gestão de riscos.

“Não podemos mais ignorar que as anomalias climáticas extremas estão mais severas e mais frequentes. Esse Congresso trata exatamente disso: como usar a tecnologia a favor da agricultura brasileira”, explicou.

Durante o evento, painéis especiais abordaram as enchentes de 2024, que atingiram fortemente o Rio Grande do Sul. As discussões buscaram apontar caminhos técnicos e políticos para evitar que tragédias climáticas voltem a comprometer a produção rural.

“Não há uma medida única para lidar com riscos climáticos. É uma solução integrada, que passa pela mitigação, transferência e acompanhamento dos riscos. A agrometeorologia tem muitas respostas e faz parte da solução para os desafios climáticos na agricultura”, reforçou Gilberto.

Entre os exemplos citados pelo especialista está o manejo do trigo, cultura de destaque no sul do país. Ele explica que o excesso de chuva na primavera é o principal obstáculo à produção. “O maior problema do trigo no Sul é o excesso de umidade, especialmente entre setembro e novembro, que favorece doenças de espiga, de difícil controle. Diferente do Cerrado, onde o desafio é a falta de água, aqui as chuvas em excesso são o grande inimigo”, observou.

Apesar das dificuldades, Gilberto ressalta que os avanços tecnológicos têm garantido boas produtividades, mesmo em condições adversas. “A tecnologia de produção de trigo, seja em genética ou em manejo de cultura, melhorou muito nos últimos anos. Hoje se consegue boas produtividades, mesmo em situações inóspitas. É claro que não há milagre, mas há uma evolução significativa”, afirmou.

Para além da ciência, Cunha defende que é preciso fortalecer as políticas públicas de seguro rural, ferramenta essencial para reduzir o impacto dos riscos climáticos sobre os produtores.

“O Brasil precisa ampliar a indústria do seguro rural. Ainda é uma prática incipiente, mas é um mecanismo de transferência de risco. Já tivemos momentos melhores, mas precisamos evoluir e ampliar a base de produtores segurados. A agricultura é uma atividade de grandes investimentos e não pode ficar à mercê do clima”, avaliou.

Gilberto conclui reforçando que o uso da informação meteorológica associada ao manejo das culturas é indispensável para o futuro da agricultura. “A agricultura não pode prescindir do bom uso da informação meteorológica. Ela é essencial para o planejamento e para reduzir os impactos das variações do clima sobre a produtividade”, finalizou.


O Congresso Brasileiro de Agrometeorologia de 2025 consolida-se, assim, como um fórum de diálogo e inovação, reunindo ciência, políticas públicas e prática de campo em busca de um mesmo objetivo: garantir um futuro mais sustentável e resiliente para a agricultura brasileira.





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Chuvas favorecem plantio do milho 1ª safra, mas frente fria exige atenção



As lavouras de milho da primeira safra mostram bom desenvolvimento neste início de outubro. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os produtores já semearam 31,2% das áreas previstas. O ritmo supera o do mesmo período do ano passado e a média dos últimos cinco anos.

O meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, destaca que o clima tem favorecido o avanço da safra, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Enquanto os gaúchos já plantaram 83% da área com o cereal, Santa Catarina tem 72% das lavouras implantadas.

Na região Sul, que concentra os principais produtores do cereal, apenas o Paraná ainda enfrenta dificuldades. “No norte do estado, as lavouras vinham sofrendo com as altas temperaturas e a falta de chuva, mas as precipitações dos últimos dias devem reverter o quadro”, afirma Müller.

Previsão para os próximos dias

Para as outras regiões, o meteorologista prevê que a chuva também deve chegar ao Sudeste, parte do Centro-Oeste e até o interior do Matopiba. Segundo Müller, o cenário vai ajudar o produtor a avançar com os trabalhos de campo.

Para a segunda metade de outubro, entretanto, a tendência é de que as chuvas se concentrem em certas regiões.

“Em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás — regiões que estão iniciando a semeadura do milho, as precipitações previstas devem favorecer bastante o plantio. No Matopiba, as chuvas devem chegar entre segunda e terça-feira, com acumulados de 20 a 30 milímetros”, afirma.

Nos dois estados do Sudeste, o plantio deve avançar a partir da metade da próxima semana, quando as mínimas voltam a ficar acima de 15°C. No Centro-Oeste, especialmente em Goiás, o frio não será intenso, e as chuvas devem ocorrer de forma mais regular, permitindo o avanço dos trabalhos em campo sem grandes riscos.

Pontos de atenção no plantio

Müller alerta que o produtor de milho deve redobrar a atenção com as mudanças de temperatura após as chuvas. A massa de ar frio prevista para a próxima semana pode derrubar as mínimas no Sul para abaixo de 10°C e deixar São Paulo e Minas Gerais com temperaturas entre 13°C e 14°C. O risco de geada, porém, está descartado.

Segundo o meteorologista, o solo mais frio dificulta a germinação das sementes e pode atrasar o início do plantio. “O ideal é esperar o aquecimento do solo antes de avançar com a semeadura. Essa recuperação deve ocorrer entre quinta e sexta-feira da próxima semana”, orienta.

No Sul, a recomendação é aguardar a elevação da temperatura, já que o solo está úmido e as chuvas devem voltar na última semana de outubro. O frio ainda predomina até o fim do mês e pode comprometer a germinação do milho.



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EUA, Irã, Santa Lúcia e Uruguai abrem mercados a produtos do Brasil



O Brasil poderá exportar produtos agropecuários para novos mercados, informaram o Ministério da Agricultura e Relações Exteriores, em nota conjunta. As aberturas envolvem alimentos para cães, sementes, carnes e mudas para Estados Unidos, Irã, Santa Lúcia e Uruguai.

“O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e fitossanitárias com quatro países, que resultaram em nove novas aberturas de mercado para o agronegócio brasileiro”, destacaram as pastas.

Os Estados Unidos autorizaram a entrada de alimentos para cães com origem vegetal do Brasil. O Irã deu aval para importação de sementes de abobrinha e sementes de melancia brasileiros.

Para Santa Lúcia, ilha da Comunidade do Caribe, o país poderá exportar carne de aves e seus produtos, carne suína e seus produtos, bem como carne bovina e seus produtos. No Uruguai, as autoridades locais liberaram as exportações brasileiras de mudas de eucalipto, mudas de oliveira e plantas ora-pro-nóbis.

No ano, o país acumula 153 aberturas de mercado para o agronegócio nacional.



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Embrapa desenvolve ferramenta de IA para combate de verminose em ovinos



Uma nova ferramenta desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) pode auxiliar os produtores de ovinos no controle da verminose. A doença pode chegar a provocar 30% de mortalidade dos animais infectados. O StopVerme já está disponível para celulares de usuários do sistema Android.

A ferramenta auxilia o produtor a identificar quais animais realmente necessitam de vermifugação. Para isso, ela analisa imagens da mucosa ocular do animal, captadas pela câmera do celular, e identifica se existe um grau avançado de anemia, um dos principais sintomas de infecção parasitária.

Como funciona o aplicativo

Segundo o pesquisador Marcel Teixeira, da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE), e que integrou a equipe que desenvolveu o aplicativo, o StopVerme opera de forma semelhante à técnica tradicional de exame da coloração da mucosa ocular por meio do cartão Famacha. A diferença está, especialmente, no uso de inteligência artificial para análise das imagens e potencial para resolver dois problemas: a baixa disponibilidade desse cartão no Brasil e possíveis erros de leitura da mucosa causados pela subjetividade do manejador.

“Buscamos minimizar, com o aplicativo, a questão da subjetividade do olho humano. A inteligência artificial tem a vantagem de aprender com novos dados. Com isso, a cada captura de imagem, ela vai se aperfeiçoando. A gente espera que a acurácia e a sensibilidade do método sejam, com o tempo, melhoradas. E ele estará disponível com instruções, tutoriais, informações para facilitar seu uso”, destaca o pesquisador.

Para Teixeira, o aplicativo pode ainda, colaborar, de forma mais efetiva, com a seleção dos animais que realmente necessitam de vermifugação. Isso deve evitar a prática de aplicação indiscriminada desses medicamentos em todo o rebanho, o que pode favorecer a resistência dos parasitas aos vermífugos. “O nosso objetivo no desenvolvimento da ferramenta é massificar um controle seletivo, reduzir o uso das drogas no tratamento e evitar esses problemas com resistência”, conta o cientista.

O pesquisador da Embrapa Selmo Alves, que também integrou a equipe, ressalta que essa primeira versão do aplicativo contou com estratégias para garantir boa acurácia. Uma dessas foi a comparação das leituras de mucosa realizadas com exames de sangue dos mesmos animais. Com isso, foi possível verificar se os graus de anemia eram, de fato compatíveis.

Maior praticidade

Também foi observado o envolvimento de extensionistas e agricultores nos testes preliminares do manuseio do aplicativo. “Na última fase, estivemos em 65 propriedades, incluindo animais de diferentes raças ovinas, como Somalis, Santa Inês e mestiços, incluindo em torno de 35 a 40 técnicos, além de alguns produtores na atividade. Essas pessoas testaram o aplicativo e o consideraram de uma aplicabilidade e facilidade muito grande”, destaca Alves.

Uma dessas usuárias dos testes preliminares foi Helena Oliveira, médica-veterinária da Secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Uruoca (CE). Helena confirmou a percepção de facilidade de acesso às funcionalidades do StopVerme. “A impressão que tive é de que o aplicativo é extremamente fácil de utilizar, tanto para os técnicos quanto para os produtores. Sua proposta é ser simples e prático, com uma interface que facilita a compreensão, até mesmo para aqueles que não possuem familiaridade com a leitura”, avalia ela.

A médica-veterinária acredita que o StopVerme trará contribuição relevante para as rotinas no campo. “Com frequência, observamos animais debilitados em consequência de verminoses, enquanto muitos produtores desconhecem a real causa dessa condição e, principalmente, como seria simples preveni-la e tratá-la. O aplicativo proporcionará ao produtor o conhecimento necessário para identificar quando um animal precisa ser vermifugado, evitando que chegue a um estado debilitado. Dessa forma, contribuirá não apenas para a saúde dos animais, mas também para a melhoria da eficiência e dos resultados na produção”, acredita Oliveira.

Inteligência artificial em favor da sanidade dos rebanhos

O trabalho de desenvolvimento de software do StopVerme foi coordenado pelo professor Iális Cavalcante Júnior, do campus Sobral da UFC, com apoio de estudantes do curso de Engenharia da Computação. De acordo com ele, a ferramenta conta com as possibilidades de aprendizado de inteligência artificial para reconhecimento de imagens compatíveis com a anemia.

“Trata-se de um algoritmo que tende a aprender alguns padrões de imagens para esse aprendizado, associando aos resultados dos exames de sangue dos animais. Hoje o aplicativo entende e reconhece quando a imagem da mucosa ocular se aproxima de um animal doente ou de um animal com saúde”, diz o professor.

Segundo Cavalcante, uma das vantagens desse aprendizado da IA é que a acurácia da ferramenta poderá ser aprimorada a partir do próprio uso do aplicativo, com as imagens e informações inseridas pelos usuários. “As futuras versões poderão vir com este aprimoramento, agregando também as imagens captadas pelos produtores rurais. O modelo também vai aprender os novos padrões de imagens para ser mais eficiente”, conta ele.

O professor avalia que as funcionalidades do StopVerme poderão favorecer desde a coleta de informações úteis em maior escala, até a rotina dos manejos nas propriedades rurais. “Quando o usuário entender as funcionalidades, ele vai poder inserir dados como os vermífugos que ele usa, associar à condição do animal e ter respostas mais rápidas. Agiliza também as análises, porque o criador não precisa ficar muito tempo com os animais contidos”, exemplifica o professor.

Os pesquisadores da Embrapa destacam também o potencial da ferramenta em contribuir com outras estratégias de manejo para controle de verminose e para o fornecimento de informações como insumos de políticas públicas para sanidade dos rebanhos no Brasil.

Teixeira conta que esse trabalho seletivo para vermifugação é uma etapa do controle integrado de verminose. Este envolve uma série de outras medidas de manejo em uma estratégia mais ampla. “O aplicativo é uma ferramenta a mais, mas, quando a gente se baseia na anemia, estamos falando de um único verme que causa o problema, o Haemonchus contortus, e isso não exclui a necessidade de um técnico avaliar a possibilidade de outros vermes estarem atacando este animal. Às vezes o animal está com uma mucosa de boa coloração, mas está com diarreia ou perdendo peso”, pondera o pesquisador da Embrapa. “Em todo caso, achamos que o aplicativo vai ter alto impacto, porque 90% da carga parasitária nos animais, normalmente se trata do Haemonchus, ele é nosso principal problema”, esclarece.

Segundo o pesquisador, algumas das funcionalidades permitirão dados úteis para pesquisas e, possivelmente, para estratégias que podem integrar as políticas sanitárias. “Poderemos mapear o uso do aplicativo e saber em quais locais estamos encontrando maiores níveis de anemia, onde estes animais estão recebendo mais vermífugos, quais vermífugos são utilizados. São dados que podem servir para planejamentos futuros e novas políticas públicas”, acrescenta Teixeira. “O aplicativo poderá ser uma ferramenta dentro de um plano sanitário de controle em que outras doenças infecciosas também podem estar presentes”, endossa Selmo Alves.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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EUA compraram equivalente a US$ 339 milhões em pesos argentinos entre 9 e 15 de outubro



A consultoria econômica argentina 1816 acredita que, entre 9 e 15 de outubro, o Tesouro dos EUA comprou pesos equivalentes a cerca de US$ 339 milhões.

Para a Associated Press, o titular da consultoria LP Consulting, Leonardo Piazza, afirma que, na Argentina, todos os atores econômicos estão comprando dólares ou ativos atrelados ao dólar, enquanto o número um das finanças internacionais, que fabrica dólares, está comprando pesos.

Hoje, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou a compra de pesos “nos mercados à vista” e no “Blue Chip Swap”, que reflete a taxa de câmbio a partir de operações de compra e venda de títulos ou ações.



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AgroNewsPolítica & Agro

Setor rural se prepara para nova era tributária no Brasil



A nova tributação no destino deve alterar o equilíbrio entre estados


“O Brasil é um dos raros países que está tentando fazer uma reforma tributária antes de uma reforma administrativa"
“O Brasil é um dos raros países que está tentando fazer uma reforma tributária antes de uma reforma administrativa” – Foto: Pixabay

O encontro entre o poder político e o financeiro promete movimentar a Avenida Faria Lima nesta terça-feira (15), onde o ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera Mano Filho participa de um debate sobre os impactos da Reforma Tributária no agronegócio. O evento, promovido pelo Grupo Studio em seu espaço VIP voltado a profissionais do direito e da contabilidade, busca traduzir as novas regras em estratégias de adaptação e vantagem competitiva.

“O Brasil é um dos raros países que está tentando fazer uma reforma tributária antes de uma reforma administrativa. Estamos tratando apenas o lado da receita, sem nenhuma ação do lado das despesas. Por isso, não acho que a reforma atual vai melhorar o nosso sistema tributário”, afirma.

Com a substituição de PIS, Cofins e ICMS pelo IBS e pela CBS, o agronegócio entra em um ciclo de mudanças profundas que afetam desde a gestão de caixa até a precificação. Cálculos preliminares indicam que margens podem variar até 15% em algumas cadeias, conforme o nível de verticalização. Enquanto insumos terão alíquotas reduzidas, produtos processados e exportações indiretas podem ser penalizados com restrições de créditos tributários — agora vinculados ao pagamento efetivo e exigindo maior rastreabilidade financeira.

A nova tributação no destino deve alterar o equilíbrio entre estados produtores e consumidores, afetando cadeias integradas, exportadoras e cooperativas. Empresas que hoje se beneficiam de incentivos estaduais precisarão reavaliar modelos de negócio, margens e precificação. O cenário também exige reestruturação contábil, revisão de contratos e adequação aos novos regimes fiscais.

Dentro desse contexto, a Studio Agro, divisão especializada do Grupo Studio, tem orientado empresas a revisar enquadramentos fiscais, recuperar créditos e otimizar a governança tributária. O foco está em transformar a complexidade da reforma em eficiência operacional e sustentabilidade competitiva para o agronegócio brasileiro.

“Nosso papel é traduzir a complexidade tributária em soluções práticas. A reforma está exigindo que o produtor rural se torne também um gestor de eficiência fiscal. Quem entender isso primeiro vai garantir vantagem e sustentabilidade em um ambiente cada vez mais competitivo”, conclui.

 





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Indícios de uma ‘indústria’ de recuperação judicial no agro prejudicará o setor


Não tenho constatações para dizer que grupo suspeito de comprar sentenças montou fraudes em recuperações judiciais (RJ) no agronegócio. Mas indícios de uma “indústria” de RJ no agro prejudicará o setor, sem dúvida.

Os ciclos dos preços das commodities ao longo da história são clássicos. Aprendi com Shunji Nishimura, fundador da Jacto, com quem tive meu primeiro emprego no agro, a seguinte lição: “Quando tudo vai bem, se prepara para ir mal; quando tudo vai mal, se você está preparado, irá bem”. E para esse sábio mentor estar preparado significava duas coisas: investimento em inovação e segurança financeira no caixa.

Tivemos abruptos aumentos das commodities no período da covid-19 e, após, o recuo. E ciclos contrastantes – os insumos não diminuíram de preços, os custos e as mercadorias sim, com exceções. Em paralelo a isso, aspectos na gestão fiscal do país, valor dos juros elevados para a atividade agrícola, guerras tarifárias, etc., e também como conversei com o economista chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, sempre nos relembra a importância sagrada da gestão na atividade.

Então, sobre o crescimento acentuado de pedidos de RJ no agro, trago aqui a opinião do economista chefe da Farsul, Antônio da Luz:

“Nós entendemos que as recuperações judiciais são um direito do produtor. Aliás esse é um direito que não veio de graça, foi conquistado, inclusive com o envolvimento das entidades, os representantes, etc. Porque não era possível que todo mundo tivesse esse direito e o produtor, não. Quantas vezes os produtores depositaram os seus grãos e depois uma empresa pediu RJ e tiveram prejuízos? A RJ foi conquistada porque se queria ter esse último recurso. Agora, esse recurso não pode ser usado como primeiro. Nós temos observado que muitos produtores, possivelmente por má orientação, estão entrando com pedidos de RJ sem ter clareza do que ela significa e dos impactos que causa. Em primeiro lugar, para si mesmos, porque ela pode levar à falência, mas também para a questão do risco sistêmico, porque, uma vez que o agente financeiro não sabe de onde vem o tiro, vem com isso o aumento de incerteza e uma restrição ainda maior creditícia, o que não é bom para ninguém. Nem para quem pede e também para quem não pede. Todos terminam sendo prejudicados pelo risco sistêmico. Então esse é um remédio que tem de ser utilizado com muita cautela. Acontece que eu estava conversando com um juiz aqui de uma vara do estado do Rio Grande do Sul para onde vai parte das RJs, e ele me disse que um percentual grande das dívidas dos produtores sequer eram passíveis de entrar dentro de uma RJ, o que suscitou uma dúvida. Se o produtor está fazendo isso, ele o faz por quê? Por que não sabe? Se não sabe, será que está recebendo a correta orientação? O fato é que a RJ é um instrumento muito pesado e de último recurso e em alguns casos, em algumas regiões, nos parece que há uma certa indústria da RJ, o que é ruim para todo o sistema, seja o financeiro ou os produtores rurais que precisam do crédito para seguir tocando para frente as suas operações. Então precisa ter prudência, cautela, saber o que está fazendo e boa orientação. Recuperações Judiciais podem, sim, ser o último recurso, mas nunca, jamais, podem ser o primeiro”. Portanto, há sim um indício de uma “indústria” gerando pedidos de recuperação judicial, porém com fortes indícios de indução a este caminho, o que com certeza prejudicará ainda mais as dificuldades de crédito desta safra.

José TejonJosé Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Fazendeiro da Ilha do Marajó quer criar a ‘universidade do búfalo’


Celular? Videogame? Brinquedos eletrônicos? A principal diversão das crianças no município de Soure, na Ilha de Marajó (PA), é bem diferente das favoritas dos pequenos de outras partes do país: nadar em áreas alagadas ao lado de búfalos.

Elas têm a missão de adestrar os animais, ao mesmo tempo que o trabalho vira um detalhe entre saltos e mergulhos, que ajudam a amenizar o calor intenso da região.

O búfalo é o principal símbolo do Marajó, que tem o maior rebanho do país: estimativas variam entre 650 mil e 800 mil animais. A maior parte está nos municípios de Soure, Chaves e Cachoeira do Arari.

Eles estão representados em estátuas na rua, são usados para transporte, policiamento e na gastronomia, como o famoso filé mignon com queijo.

Fazenda de Búfalos na Ilha de Marajó.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Projeto inédito sobre búfalos

A importância do animal fez a família proprietária da Fazenda e Empório Mironga planejar a criação de uma “Universidade do Búfalo”: o Centro de Estudos da Bubalinocultura.

Ainda não há previsão de implementação do projeto, mas seria o primeiro no país dedicado à pesquisa e divulgação sobre genética, manejo e aproveitamento integral do mamífero.

“Este centro não seria privilégio do veterinário ou do agrônomo, zootecnista e biólogo. Envolveria outras áreas como um tecnólogo de alimento, de turismo, medicina”, diz o fazendeiro Carlos Augusto Gouvêa, conhecido como Tonga.

Enquanto o projeto não sai do papel, a família organiza a “Vivência Mironga”, turismo pedagógico iniciado em 2017 que permite aos visitantes conhecerem o cotidiano da propriedade, a produção do queijo artesanal de leite de búfala e as práticas agroecológicas.

“Foi quando entrou o turismo e paramos de tentar essa expansão da produção. Hoje, o turismo responde por dois terços da fazenda. Em setembro, tivemos um recorde de 400 visitantes”, diz Gabriela Gouvêa, filha de Tonga e presidente da Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQM).

O queijo do Marajó tem origem secular e é feito a partir de leite cru, com técnicas passadas de geração em geração.

A luta pela legalização dessa produção foi longa e contou com a participação ativa da família, que ajudou a construir legislação sanitária específica para o queijo artesanal.

Em 2013, a queijaria da Mironga foi a primeira a obter inspeção oficial e, anos depois, o produto recebeu a Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) participou do processo de diagnóstico, legalização e organização coletiva.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Culinária afetiva

O Café Dona Bila, em Soure, se tornou um ponto de encontro entre a memória afetiva e a gastronomia regional.

À frente do negócio está Lana Correia, empreendedora cearense que uniu a culinária nordestina — com cuscuz e tapioca — aos ingredientes típicos do Pará, com destaque para o queijo marajoara e a carne de búfalo.

“Comecei com delivery em 2023 e a demanda aumentou. Por isso, abri meu espaço físico. Queria que o café tivesse sabor e clima de casa”, conta Lana.

De acordo com Lana, o ambiente acolhedor e o cardápio cheio de referências familiares conquistaram moradores e turistas. Os pratos mais pedidos são a tapioca molhada (com recheios de queijo e carne), o bolo de milho cremoso e o cuscuz recheado.

A empreendedora criou dois novos pratos devido aproximação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que vai ser realizada em Belém, em novembro.

As receitas destacam ingredientes locais: o Cuscuz de Murrá, feito com filé de búfalo, e o Cuscuz Praia do Amor, com camarão regional e queijo do Marajó.

Lana vive em Soure há quatro anos e completou dois à frente do Café Dona Bila. Antes, trabalhou na área de educação superior, em Fortaleza e Belém, e foi no Marajó que descobriu sua paixão pela gastronomia.

“Eu cozinhava só para amigos. Aqui, descobri um talento que nem eu sabia que tinha”, diz Lana.

Ela teve o apoio do Sebrae em capacitações e articulações locais, e tem se firmado como um símbolo da nova geração de empreendedores marajoaras, mais atentos à valorização da cultura local.

Preocupações ambientais

Em contrapartida as relações culturais e econômicas históricas do búfalo no Marajó, a produção e consumo dos derivados do búfalo têm desafios ambientais para enfrentar. A redução da emissão de gases do efeito estufa é o tema principal da COP30.

O último levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), de 2023, indica a pecuária como segunda maior emissora do país, atrás apenas das mudanças de uso da terra.

Os bovinos, categoria dos quais o búfalo faz parte, foram responsáveis por emitir 405 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MTCO2e) nesse período.

Isso ocorre pela liberação do gás metano (CH4) durante o processo de digestão do animal. Sendo assim, talvez seja esses um dos principais quebra-cabeças a serem estudados pelo futuro Centro de Estudos da Bubalinocultura.



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AgroNewsPolítica & Agro

Silo de grãos desaba em Illinois e deixa região sem energia



Não há relatos de feridos



Foto: Reprodução – Internet

Na última quarta-feira (15), a cidade de Martinton, em Illinois (EUA), foi palco de um grave incidente com um silo de grãos que colapsou repentinamente, espalhando toneladas de grãos por uma ampla área. O acidente gerou momentos de tensão entre trabalhadores e moradores próximos.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o instante em que a estrutura cede, rachando ao meio e levantando uma grande nuvem de poeira. No topo do silo, faíscas visíveis antecedem o colapso, indicando a quebra de cabos elétricos, o que resultou em cortes de energia para centenas de pessoas.

Segundo autoridades locais, sinais de desgaste já haviam sido notados na construção, o que permitiu a evacuação dos funcionários momentos antes do desabamento. Técnicos que trabalhavam na limpeza do local perceberam uma rachadura lateral pouco antes do acidente, mas não houve tempo suficiente para conter o colapso da estrutura.

Apesar da força do impacto e dos clarões causados pela ruptura elétrica, não há relatos de feridos. 





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