Ritmo preocupante
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Os aumentos nos preços de bovinos (2,94%), minério de ferro (0,83%) e soja em grão (1,23%) puxaram o ranking de pressões sobre a inflação no atacado dentro do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de novembro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Houve pressão também de café em grão (2,51%) e carne bovina (2,14%). Por outro lado, foram registrados alívios de leite in natura (-8,14%), gasolina automotiva (-3,29%), arroz em casca (-7,68%), cana-de-açúcar (-1,08%) e trigo em grão (-8,67%).
O IGP-10 passou de um avanço de 0,08% em outubro para elevação de 0,18% em novembro. O índice acumulou uma alta de 0,34% em 12 meses.
“O resultado do IGP-10 foi influenciado principalmente pela aceleração mais intensa nos preços de produtos da indústria de transformação no IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), especialmente aqueles ligados a alimentos, a exemplo de carne bovina, farelo de soja e óleo de soja bruto”, afirma Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) passou de uma queda de 0,04% em outubro para uma alta de 0,15% em novembro.
Quanto aos diferentes estágios de processamento, o grupo de Bens Finais saiu de uma alta de 0,45% em outubro para elevação de 0,10% em novembro. A taxa do grupo Bens Intermediários passou de queda de 0,25% em outubro para alta de 0,32% em novembro. O grupo das Matérias-Primas Brutas saiu de recuo de 0,23% em outubro para aumento de 0,08% em novembro.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá indicar um corte na projeção da safra norte-americana de soja para 2025/26 em seu relatório de novembro. Os dados atualizados de oferta e demanda dos EUA e do mercado mundial serão divulgados nesta sexta-feira (14), às 14h.
De acordo com analistas consultados por agências internacionais, a nova estimativa para a produção norte-americana deve ficar em 4,265 bilhões de bushels, abaixo dos 4,301 bilhões previstos no relatório de setembro, o mais recente disponível, já que a paralisação do governo americano impediu a divulgação dos números de outubro.
Para os estoques de passagem dos Estados Unidos em 2025/26, o mercado projeta 292 milhões de bushels, contra 300 milhões estimados anteriormente.
No quadro mundial de oferta e demanda, os estoques finais de soja para 2024/25 devem ser revisados para 123,4 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo dos 123,6 milhões divulgados em setembro.
Para 2025/26, a expectativa é que o USDA indique 124,6 milhões de toneladas, ante 124 milhões projetados no relatório anterior.
As informações são da Safras & Mercado.

As perspectivas iniciais de exportadores para a temporada de embarques 2025/26 de suco de laranja eram positivas, especialmente diante da isenção da sobretaxa dos Estados Unidos sobre as importações da commodity do Brasil e da reação na produção de laranja no estado de São Paulo.
Pesquisadores do Cepea indicam que, no entanto, a limitada demanda por parte da Europa tem mantido as vendas externas de suco aquém do esperado neste começo de safra (de julho/25 a outubro/25).
Dessa forma, agentes de indústrias processadoras do estado de São Paulo consultados pelo Cepea tem adotado uma postura de extrema cautela em termos de compra de novas frutas.
A estratégia tem sido a de cessar, por ora, o fechamento de novos contratos, mantendo somente contratos firmados anteriormente, e com novas aquisições exclusivamente no mercado spot, onde compradores propõem valores mais baixos.
Do lado do citricultor, o cenário é de apreensão. De acordo com pesquisadores do Cepea, os menores preços ofertados podem comprometer a viabilidade financeira de muitos pomares, sobretudo se esse patamar continuar até o final da temporada.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

O volume de carne de frango exportado pelo Brasil em outubro foi o segundo maior da história, ficando atrás somente da quantidade escoada em março de 2023. Esse resultado já era previsto por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Pesquisadores do instituto ressaltam que esse excelente desempenho das vendas externas ocorreu mesmo sem a participação do principal importador da carne brasileira, a China. O país anunciou a retomada das compras no Brasil no dia 7 de novembro, colocando um “ponto final” nas suspensões impostas por diferentes países após o caso de gripe aviária em maio deste ano.
Segundo pesquisadores do Cepea, à China, especificamente, foram seis meses de suspensão nos envios, e a retomada dos embarques ao país asiático tende a elevar o volume total das exportações neste último bimestre do ano.
Para novembro, pesquisadores do Cepea indicam que o cenário é promissor, sobretudo por conta do retorno da China. Nesta parcial de novembro (primeiros cinco dias úteis do mês), a média diária de embarques atingiu o recorde da série da Secex (iniciada em 1997).
Já os preços dos ovos estão em movimento de queda nesta semana em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo pesquisadores, a pressão vem do enfraquecimento da demanda.
Por outro lado, as vendas externas mostraram reação em outubro, após terem caído por três meses seguidos. Dados da Secex indicam que o Brasil exportou 2,37 mil toneladas de ovos in natura e processados em outubro, volume 14% acima do embarcado em setembro/24 e 13,6% superior ao de outubro/24. O volume escoado no mês foi o maior para o período em nove anos.
Dessa forma, em termos de receita, o setor arrecadou US$ 6,05 milhões em outubro, aumentos de 9,3% na comparação mensal e 43% na anual.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

A Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou ao governo federal o reforço da segurança na COP30 após o protesto registrado na terça-feira (11), quando um grupo tentou avançar para a Blue Zone, área reservada às negociações oficiais da conferência em Belém.
A carta foi enviada à Casa Civil, responsável pela interlocução com a coordenação do evento. O conteúdo não foi divulgado, mas a pasta informou que atende integralmente às demandas da ONU.
A segurança interna da Blue Zone é conduzida pelo Departamento das Nações Unidas para Segurança e Proteção (UNDSS). O órgão determina os procedimentos adotados no interior da área e coordena ações com as forças brasileiras.
Após o protesto, representantes do governo federal, do governo do Pará e do UNDSS revisaram os controles existentes nas áreas classificadas como Laranja e Vermelha, que compõem o perímetro de proteção da conferência. Segundo a Casa Civil, houve reposicionamento das equipes policiais e ampliação das barreiras.
Entre as mudanças realizadas, está o aumento da área intermediária entre a Blue Zone e a Green Zone. A medida busca diminuir riscos de aglomeração e impedir tentativas de avanço não autorizado. A Força Nacional e a Polícia Federal passaram a atuar de forma conjunta na Green Zone, responsável por atividades abertas ao público credenciado.
Também foram instaladas novas estruturas de contenção, como gradis e barreiras metálicas, para reforçar pontos considerados vulneráveis pelas equipes de segurança.
A organização da COP30 também identificou falhas estruturais durante o evento. Para reduzir o desconforto térmico em tendas e salas, foram instalados novos aparelhos de ar-condicionado, incluindo unidades do modelo sprint. Equipes técnicas corrigiram goteiras após problemas nas calhas do Media Center e do posto médico.
O ato que motivou o pedido da ONU ocorreu no início da noite de terça-feira, quando manifestantes e representantes de povos indígenas chegaram aos detectores de metal da entrada principal da Blue Zone. Eles carregavam faixas e bandeiras de coletivos estudantis, mensagens contra a exploração de petróleo e manifestações de apoio à Palestina.
A equipe de segurança formou cordões humanos para impedir o avanço. Dois agentes ficaram feridos. Como a Blue Zone é considerada território sob responsabilidade da ONU, a retirada dos manifestantes foi conduzida diretamente pela organização. Após o bloqueio inicial, pessoas com credenciais puderam deixar normalmente o pavilhão.

Os governos de Argentina e Estados Unidos fecharam, nesta quinta-feira (13), um acordo comercial que inclui a exportação de proteínas e insumos estratégicos. O pacto, que entra em vigor em 26 de novembro, amplia o acesso da carne bovina argentina ao mercado norte-americano.
Na prática, os EUA reduzem tarifas e destravam barreiras para a entrada da proteína argentina. A medida deve aumentar a competitividade dos frigoríficos locais em um dos mercados mais disputados do mundo. Já a Argentina concede preferências tarifárias para bens americanos, incluindo tecnologia e máquinas agrícolas, além de eliminar licenças de importação.
O acordo inclui ainda uma frente estratégica em lítio e minerais críticos, insumos importantes para a transição energética e para a indústria de máquinas e equipamentos utilizados no campo. O objetivo é facilitar investimentos e alinhar regras de segurança econômica e exportações.
A Argentina também adotará padrões técnicos dos Estados Unidos em setores industriais e reforçará a proteção à propriedade intelectual. Essas mudanças podem influenciar cadeias ligadas ao agronegócio, como a de defensivos e biotecnologia.
O governo argentino destacou o ganho para a pecuária. Em comunicado, afirmou que o acordo “ampliará significativamente” o acesso da carne bovina aos Estados Unidos. Javier Milei também reforçou o alinhamento com Donald Trump para aprofundar a cooperação econômica.
O chanceler Pablo Quirno afirmou que o pacto cria condições para aumentar investimentos americanos no país, inclusive em áreas ligadas ao agronegócio e à indústria de alimentos. O ministro do Interior, Diego Santilli, definiu o acordo como “histórico”, com “menos tarifas e mais mercados”.
Do lado americano, a Casa Branca disse que a Argentina abrirá preferências para diversos produtos dos EUA, incluindo químicos, medicamentos, maquinário agrícola e uma gama de insumos ligados ao setor produtivo. O embaixador Peter Lamelas afirmou que os Estados Unidos seguem como “o parceiro mais confiável” da Argentina em estabilidade econômica e energia.
(*) Com informações de Safra News e Estadão Conteúdo
O Sistema CNA/Senar promoveu, na terça (12), em seu estande na Blue Zone, um debate sobre o tema “Transição Justa para o Agro”, durante a programação da COP 30, que acontece até o dia 21 de novembro, em Belém.
O debate, moderado pelo presidente eleito do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, reuniu o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, André Dobashi, o diretor de Educação Formal e Infraestrutura do Senar, André Sanches, e a gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Débora Ingrisano.
O painel abordou a importância do setor mostrar ao mundo que a agropecuária é parte da solução para os problemas climáticos, graças às tecnologias sustentáveis aplicadas nos últimos anos e que os produtores rurais já vêm fazendo em termos de produção sustentável.
Na abertura do encontro, Domingos Velho Lopes destacou que o país já cumpre sua pauta da transição energética por meio do agro e ocupa a primeira posição no G-20 em geração de energia limpa, contribuindo de forma expressiva para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
André Dobashi falou sobre técnicas sustentáveis na propriedade que já contribuem para a transição justa promovida pelo setor, como o Sistema de Plantio Direto, que ajudou o produtor rural a evoluir em termos de produtividade.
Segundo ele, o setor também pode agregar mais tecnologias à sua produção para promover soluções climáticas e difundir informações para um número cada vez maior de produtores. Um dos desafios, na sua avaliação, é promover o acesso de mais produtores a tecnologias como rastreabilidade de dados e agricultura digital.
Educação – O diretor de Educação Formal e Infraestrutura do Senar, André Sanches, deu um panorama sobre o trabalho da instituição voltado para profissionais que vão atuar no agro, com o intuito de prepará-los para o processo de transição justa para o agro. E reforçou o papel da produção sustentável do ponto de vista ambiental, econômico e social.
De acordo com o diretor, esses são conceitos transversais de todos os treinamentos que o Senar oferece, tanto nos cursos de formação quanto nos cursos de nível superior da Faculdade CNA. Ele ressaltou, ainda, a importância da transferência de tecnologia e conhecimento dentro do setor agropecuário.
Já Débora Ingrisano, da OCB, falou sobre o engajamento das cooperativas com a produção sustentável e da interação com os produtores neste processo.
Débora também defendeu o uso da educação como ferramenta para a sustentabilidade e transição justa.
O governo dos Estados Unidos está interessado em resolver a relação comercial com o Brasil. Essa é a avaliação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após se reunir com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O encontro, que ocorreu nesta quinta-feira (13), foi seguido de uma reunião ampliada de aproximadamente 1h junto a outros negociadores.
O principal assunto das negociações foi as tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros. O chamado “tarifaço” está em vigor desde agosto deste ano.
Em uma postagem na rede social X (antigo Twitter), Rubio postou uma foto com o ministro brasileiro e afirmou que ambos discutiram “assuntos de importância mútua”. O secretário norte-americano destacou também “um quadro de reciprocidade para a relação comercial entre os EUA e o Brasil”.

Vieira, por sua vez, disse que o encontro terminou de maneira positiva. “Houve demonstração do governo americano a resolver todas as questões pendentes e virar a página”, destacou. Além disso, o ministro afirmou que Brasil e EUA buscam concluir, até o fim deste mês, um acordo provisório que estabeleça o roteiro das negociações pelos próximos anos.
O terceiro dia da COP30 foi marcado por um equilíbrio delicado entre boas notícias e frustrações. Belém amanheceu com um anúncio relevante, a União Europeia confirmou uma nova doação ao Fundo Amazônia, reforçando a parceria com o Brasil e a prioridade internacional da floresta. O gesto tem forte peso simbólico e diplomático e dá ao país mais margem nas negociações, ao mesmo tempo em que aumenta a cobrança por resultados concretos.
A conferência também apresentou a Global Initiative on Jobs & Skills for the New Economy, que pretende formar profissionais para a economia verde e projeta até 375 milhões de novos empregos na próxima década. É a COP tentando deixar de ser um palco de metas abstratas para se tornar um espaço de construção de capacidades reais.
Mas a realidade rapidamente mostrou seus limites. Apesar da boa vontade política, o financiamento climático continua travado. Programas essenciais, como os ligados à saúde e adaptação climática, seguem sem os recursos necessários, revelando que o mundo ainda hesita em abrir o cofre na escala que o problema exige.
Ao mesmo tempo, um protesto de indígenas que romperam barreiras de segurança e entraram na zona azul expôs um ponto sensível, a sensação de exclusão das decisões que impactam seus territórios. O ato foi pacífico, mas simbólico, e deixou claro que inclusão não pode ser apenas retórica.
Para o Brasil, o dia reforçou duas mensagens centrais. A primeira é que a Amazônia se consolida como ativo geopolítico estratégico. A segunda é que a pressão internacional por resultados, transparência e governança será cada vez maior. Para o setor produtivo, o recado também é evidente: cadeias agropecuárias, industriais e de bioenergia terão de incorporar novas tecnologias, rastreabilidade e práticas de baixa emissão, porque a economia verde deixou de ser tendência e se tornou requisito de mercado.
Mesmo com sinais positivos, o saldo do dia mostra que a COP30 ainda vive entre o mundo das promessas, cheio de anúncios e metas, e o da prática, limitado por conflitos sociais, disputas territoriais e escassez de recursos. A transição climática está avançando, mas ainda não no ritmo que o planeta exige.


*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.