quinta-feira, maio 28, 2026

Agro

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Chicago tem dia de recuperação por dólar fraco



Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) encerraram a quarta-feira (5) com ganhos, após uma recuperação técnica após cinco sessões seguidas de perdas, que levaram os preços para os menores níveis desde o início de janeiro.

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O mercado permaneceu atento às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com uma taxa de 25% sobre o México e o Canadá, além de um adicional de 10% sobre a China. Enquanto Canadá e China anunciaram medidas retaliatórias, o México prometeu ações até o final da semana.

A pressão gerada por esses fatores foi intensa no começo da quarta-feira (4), mas logo as perspectivas mudaram. A informação de que as tarifas poderiam ser renegociadas entre os Estados Unidos, México e Canadá ainda no mesmo dia, aliada à percepção de uma resposta moderada por parte da China para manter abertas as portas para novos diálogos, ajudou a reverter o clima negativo no mercado.

Queda do dólar

Além disso, a queda do dólar em relação a outras moedas trouxe maior competitividade aos produtos agrícolas dos EUA, contribuindo para a recuperação dos preços. Outro fator importante foi o anúncio da China de novos incentivos fiscais e uma previsão de crescimento de 5% para sua economia em 2025, o que sinaliza um potencial aumento na demanda por produtos como a soja.

Contratos futuros da soja

Os contratos da soja em grão para entrega em maio subiram 12,75 centavos, ou 1,27%, fechando a US$ 10,11 3/4 por bushel. A posição para julho teve um ganho de 11,25 centavos, ou 1,10%, fechando a US$ 10,25 por bushel.

Nos subprodutos, o farelo de soja com vencimento em maio subiu US$ 6,30, ou 2,14%, para US$ 399,80 por tonelada. Já o óleo de soja para maio teve uma alta mais modesta de 0,35%, fechando a 42,99 centavos de dólar.



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Conflito China x EUA pode impactar a demanda por grãos no Brasil? Especialista responde



As tarifas impostas pela China aos produtos agrícolas dos Estados Unidos podem impactar a demanda por soja e milho do Brasil? Pequim aplicou tarifas de 15% sobre importações de trigo, milho e algodão dos EUA e tarifas de 10% sobre outros alimentos, incluindo soja e laticínios. Na opinião do diretor da AgResource Brasil, Raphael Mandarino, existe muita especulação sobre o assunto.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

“Na política, amanhã tudo pode mudar, então eu já afirmo que a volatilidade vai continuar no primeiro semestre de 2025, e será marcado por essas oscilações intensas devido essa incerteza que a gente tem, tanto política como comercial”, disse durante entrevista cedida à jornalista Pryscilla Paiva, no telejornal Mercado & Companhia.

“A gente tem que analisar semana a semana tudo que está sendo feito e as retaliações adicionais que podem surgir. Isso tudo pode mudar, mas no momento atual, essa ação tem que ser feita com bastante cautela sem mudar a gestão estratégica dessa comercialização”, afirmou

EUA X China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na sessão conjunta do Congresso americano na noite desta terça-feira (4), ressaltando as medidas tomadas por seu governo nas primeiras seis semanas da administração. Trump afirmou que seu governo estava “apenas começando”. Mais de uma vez, o republicano ressaltou que a sua vitória eleitoral foi um “mandato” da população americana.

A China retaliou os americanos com um aumento de próprias tarifas sobre alimentos importados dos Estados Unidos e essencialmente bloqueando vendas para 15 empresas do país.

Oportunidades

Raphael acredita que as medidas impostas pela China em reposta as tarifas dos EUA podem reconfigurar o comércio global, e o Brasil, com o setor do agronegócio, tem que agir rapidamente para aproveitar as oportunidades. A entrevista completa do diretor da AgResource Brasil, Raphael Mandarino, está disponível em nosso canal do Youtube.



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Morre o ex-ministro da Agricultura e Pecuária Antônio Andrade



Morreu na manhã desta quarta-feira (5), aos 71 anos, o ex-ministro da Agricultura e Pecuária no biênio 2014 e 2015, Antônio Andrade. Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), presidiu o partido e exerceu dois mandatos na Câmara dos Deputados, entre 2007 e 2015.

Em 2014, licenciou-se do mandato para assumir o Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff. Entre 2015 e 2019, foi vice-governador de Minas Gerais na gestão de Fernando Pimentel.

Antônio Andrade em MG

Antônio Andrade ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) por três mandatos, entre 1994 e 2002. Era formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Foi prefeito da cidade de Vazante (noroeste do Minas) de 1989 a 1992, cidade onde passou seus últimos anos de vida.

O corpo de Antônio Andrade foi velado na Câmara Municipal de Vazante e sepultado na mesma cidade.



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Com 5 milhões de t a menos de reserva, preço do milho dispara



Os preços do milho seguem registrando altas expressivas na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No encerramento de fevereiro, o Indicador Esalq/BM&FBovespa (base Campinas – SP) operava na casa dos R$ 87,00/saca de 60 kg.

Motivos para alta do milho

Segundo pesquisadores do Cepea, os aumentos do milho se devem à maior presença de compradores no mercado spot – onde as transações de compra e venda de ativos são realizadas de forma imediata ou em um prazo muito curto -, a dificuldades logísticas e aos baixos estoques domésticos.

Neste caso, os pesquisadores ressaltam que os estoques brasileiros estão baixos, e nem mesmo o avanço da colheita da safra verão tem elevado a disponibilidade interna.

Volume estocado de milho

De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estoque de passagem no final de janeiro de 2025 foi de apenas 2,1 milhões de toneladas, expressivos 70% inferior ao do ano anterior, quando era de 7,2 milhões de toneladas.

Sobre o Cepea

O Cepea é parte do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), unidade da Universidade de São Paulo (USP) e realiza pesquisas sobre a dinâmica de cadeias produtivas e também sobre o funcionamento integrado do agronegócio, o que abrange questões (transversais) de defesa sanitária, políticas comerciais externas e influência de novas tecnologias.

A equipe Cepea calcula periodicamente o PIB do Agronegócio (nacional e de estados), o PIB de cadeias produtivas e, também, índices de exportação do setor



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Estado do Centro-Oeste deve receber 250 mm de chuva



Três regiões brasileiras serão fortemente impactadas pela chuva ao longo de março: grande parte do Norte, áreas do Centro-Oeste e do Sul, conforme o prognóstico climático divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Para o produtor rural, as precipitações são bem-vindas, já que ajudarão a preparar o solo para o plantio da segunda safra, além de contribuir para o desenvolvimento de culturas já instaladas. No entanto, para a colheita, as chuvas em excesso podem ser prejudiciais.

Irregularidade da chuva

Grande parte das lavouras do Brasil se concentram nas regiões do Centro-Oeste, Sul e Nordeste, áreas que inspiram atenção e vêm recebendo ora muitas chuvas, ora calor intenso.

“Num momento em que as safras de arroz, feijão, milho e soja estão em processo de colheita nessas regiões e também em áreas do Nordeste, como a Bahia e o Piauí, esses eventos climáticos demandam atenção”, diz a nota do Inmet.

De acordo com o prognóstico climático de março, as chuvas ficarão mais concentradas nas regiões Norte e Nordeste, onde deverão estar acima da média do mês.

Assim, a atenção vai para o nordeste e sudeste de Mato Grosso, que podem registrar chuvas em torno de 250 mm, o que deve atrasar a colheita do arroz.

De acordo com o monitoramento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta região, somente 10% do cereal havia sido colhido até o final de fevereiro. “O processo da colheita vai depender bastante do regime de chuvas”, salientou a agrônoma da entidade Patrícia Campos. “Chuvas em excesso poderão atrapalhar o ritmo da colheita”, acrescentou.

As chuvas também poderão ficar acima da média do mês, com um volume aproximado de 130 mm, no norte do Rio Grande do Sul e na faixa central e leste de Santa Catarina, mas estima-se baixo prejuízo às lavouras.

Precipitações bem-vindas

Para o plantio das culturas, o aporte hídrico é fundamental para o enchimento e a maturação dos grãos – desde que não em excesso – e garante uma janela de umidade própria para o plantio da segunda safra, destaca a meteorologista Danielle Ferreira, do Inmet .

Patrícia Campos, da Conab, ressalta que o principal prejuízo na lavoura ainda é a falta de chuvas, e não o excesso.

As chuvas deste período favoreceram a semeadura da segunda safra do milho, que já ultrapassou os 50%, e a do algodão, que está praticamente finalizada. “A chuva atrapalha a colheita, mas no geral é benéfica para o plantio”, afirma.



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AgroNewsPolítica & Agro

Milho cai em Chicago com temor de tarifas



O temor é que eventuais restrições comerciais prejudiquem as exportações dos EUA



O movimento de baixa foi impulsionado pela falta de avanços nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros
O movimento de baixa foi impulsionado pela falta de avanços nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros – Foto: Leonardo Gottems

O mercado de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) registrou queda significativa nesta segunda-feira (04), com os temores sobre tarifas comerciais superando a boa demanda pelo grão. Segundo a TF Agroeconômica, a cotação de março, referência para a safra de verão brasileira, encerrou com desvalorização de 2,92% ou 13,25 cents/bushel, a US$ 440,25. O contrato para maio também recuou 2,82%, cotado a US$ 456,25 por bushel.

O movimento de baixa foi impulsionado pela falta de avanços nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros. Até o momento, não houve indicações de que o ex-presidente Donald Trump possa rever a imposição de novas tarifas, o que aumentou a incerteza sobre o comércio do milho com Canadá e México, os maiores compradores do grão americano e seus derivados.

Mesmo com sinais de forte demanda, o mercado de milho não resistiu à pressão das incertezas tarifárias. O temor é que eventuais restrições comerciais prejudiquem as exportações dos EUA, em um momento em que o Departamento de Agricultura do país (USDA) projeta aumento de área plantada, produtividade, produção e estoques para a safra 2025/26.

“As inspeções de exportação de milho aumentaram moderadamente na semana até 27 de fevereiro, registrando um volume de 1.351 mil tons. Isso também estava no limite superior das estimativas dos analistas, que variavam entre 950 e 1,400 mil tons. O México foi o destino número 1, com 416,56 mil tons. Os totais acumulados para o ano comercial de 2024/25 permanecem visivelmente acima do ritmo do ano passado, após atingir 27,25 milhões de toneladas”, conclui.

 





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MT deve ultrapassar 49 milhões de toneladas de soja, aponta Imea



O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revisou a projeção de safra de soja do estado de Mato Grosso para a temporada 2024/25, estimando um total de 49,62 milhões de toneladas, um crescimento de 5,22% em relação à previsão de fevereiro e 27,05% superior à safra de 2023/24.

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A revisão foi realizada com base nos dados obtidos pelo Projeto Imea em Campo, desenvolvido em parceria com a Aprosoja e o Iagro. Durante os 57 dias do projeto, que ocorreu entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, as equipes percorreram mais de 31 mil quilômetros, abrangendo 88 municípios produtores de soja, que juntos representam uma área de 11 milhões de hectares.

Ao todo, foram realizadas 802 avaliações detalhadas, incluindo análises agronômicas, avaliação da sanidade das lavouras e coletas de amostras para verificar o peso dos grãos, que ajudam a traçar um panorama preciso da produção.

Em relação à área plantada, o levantamento manteve a estimativa de 12,66 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,47% se comparado à safra anterior. O grande destaque ficou para a produtividade, que registrou um avanço de 5,22% em relação à previsão anterior, alcançando 65,31 sacas por hectare (sc/ha). Esse aumento na produtividade reflete as condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo da cultura e supera em 25,22% o rendimento da safra 2023/24.



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Saiba como está a colheita de soja no Brasil



A colheita da soja avança pelo Brasil, com 48,4% da área colhida até o dia 2 de março, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os estados com maior progresso são Mato Grosso, com 80,5% da área já colhida, seguido por Tocantins (55%), Mato Grosso do Sul (58%) e Goiás (56%).

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A colheita de soja no Brasil

Em Mato Grosso, as chuvas mais volumosas reduziram o ritmo da colheita, mas, no geral, não houve perda de qualidade dos grãos. No Rio Grande do Sul, as chuvas persistiram, mas com distribuição irregular, o que limita o potencial produtivo em algumas regiões. A colheita, ainda incipiente, mostra heterogeneidade no rendimento entre as áreas.

No Paraná, as chuvas continuaram e foram mais abrangentes, o que ajudou nas lavouras mais tardias, mas também reduziu o ritmo de colheita. Em Goiás, mais da metade da área foi colhida. Apesar de interrupções pontuais devido ao excesso de chuvas, as operações seguiram em andamento.

Em Mato Grosso do Sul, as chuvas limitaram o avanço da colheita, mas beneficiaram as lavouras em floração e enchimento de grãos, embora ainda haja pressão de mosca-branca. Em Minas Gerais, pouco mais de um terço da área foi colhida, e as lavouras mais tardias têm enfrentado perdas devido à escassez de chuvas.

Na Bahia, a redução das chuvas favoreceu o avanço da colheita. No Maranhão, a alternância de dias secos e chuvas foi benéfica para a cultura e o avanço da colheita. No Piauí, a irregularidade das chuvas tem beneficiado a maturação e a colheita dos grãos, mas gera preocupações quanto às lavouras mais tardias.

Já Santa Catarina, a colheita é incipiente e segue, principalmente, no Oeste, com boa sanidade das lavouras, embora haja registros pontuais de alguns problemas. No Tocantins, há um atraso pontual na colheita devido às chuvas, enquanto no Pará, a persistência das chuvas tem favorecido as lavouras mais tardias, mas tem limitado o avanço da colheita.



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AgroNewsPolítica & Agro

Venda ao México e exportações sustentam milho nos EUA



No entanto, fatores baixistas também surgiram



“Se os excedentes não forem escoados, ficam no país e pressionam os preços para baixo"
“Se os excedentes não forem escoados, ficam no país e pressionam os preços para baixo” – Foto: Divulgação

A TF Agroeconômica destacou fatores de alta e baixa que influenciam o mercado do milho. No lado positivo, exportadores privados dos EUA venderam 115 mil toneladas de milho para o México, com entrega prevista para o ciclo 2024/25. Além disso, as inspeções de exportação aumentaram na semana até 27 de fevereiro, totalizando 1,351 milhão de toneladas, ficando no limite superior das projeções dos analistas. O México liderou as compras, com 416,56 mil toneladas, enquanto o volume acumulado no ano comercial já soma 27,25 milhões de toneladas, acima do ritmo registrado no ano passado.  

No entanto, fatores baixistas também surgiram. A transição do fenômeno La Niña para condições neutras de ENSO pode impactar a produção agrícola global, segundo o meteorologista do USDA, Brad Rippey. Além disso, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, mencionou um pacote de US$ 30 bilhões em assistência emergencial aos produtores, aprovado pelo Congresso, o que pode influenciar a dinâmica do mercado.  

Outro fator de preocupação veio do ex-presidente Donald Trump, que anunciou a imposição de tarifas sobre importações agrícolas a partir de 2 de abril. No entanto, a TF Agroeconômica avalia essa decisão como um erro estratégico, pois, sem exportações para escoar os excedentes, os preços podem cair abaixo dos custos de produção, reduzindo a oferta no médio e longo prazo.  

“Se os excedentes não forem escoados, ficam no país e pressionam os preços para baixo, podendo chegar abaixo dos custos de produção, resultando em menos produção a médio e longo prazos. A exportação é necessária para garantir bons preços, divisas para o país e qualidade dos produtos”, conclui.

 





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Desembolso no Plano Safra 2024/25 recua 20% e atinge R$ 245,57 bi



O valor desembolsado no Plano Safra 2024/25, iniciado em julho de 2024, alcançou R$ 245,57 bilhões até o mês passado em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores. Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central na última sexta-feira (28) e publicados pelo Estadão Conteúdo.

O montante desembolsado até fevereiro corresponde a 51,53% do total disponível para a safra, de R$ 476,59 bilhões. O valor ficou 19,57% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2023/24, de R$ 305,31 bilhões.

Até o fim de fevereiro, foram realizados 1,407 milhão contratos em todas as modalidades, 13,3% menos que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 1,622 milhão de contratos. Na safra atual, observou-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada, quando o recuo nos recursos liberados chegou a 48%.

A retração no desembolso do Plano Safra tende a se manter até o fim da temporada, prevê o assessor técnico de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Guilherme Rios.

“A retração não representa falta de demanda dos produtos rurais e, sim, a dificuldade do produtor rural em acessar os recursos oficiais, justamente em momento de maior seletividade no acesso a fontes privadas. O apetite no campo por novos financiamentos se mantém sobretudo para custear as atividades, apesar do freio em investimentos”, avalia Rios.

“É provável que não seja aplicado todo volume previsto para o Plano Safra atual, à exceção dos recursos subsidiados. O impacto da redução das contratações está nos recursos livres (nos quais não há subvenção do Tesouro em parte dos juros)”, projetou.

A menor demanda por recursos já era esperada em virtude do aumento dos juros, das burocracias para acesso ao crédito oficial e das limitações de tomada de recursos por porte de produtor rural, segundo Rios.

“Quando olhamos as fontes privadas, vemos aumento em torno de 60% no financiamento da safra, portanto a demanda por novos financiamentos não diminuiu. Aquilo que não está sendo suprido pelo crédito oficial está sendo suprido pelo mercado privado e pelos títulos agrícolas”, disse.

Ele cita que no início do Plano Safra, quando a Selic era de 10,5% ao ano, e em virtude dos custos acessórios dos empréstimos, algumas fontes privadas e títulos como Cédulas de Produto Rural (CPRs) eram mais atraentes para determinados portes de produtores. Essa conjuntura levou especialmente grandes produtores a se financiarem em maior volume por meio de títulos agrícolas.

“Naquele momento, em virtude da facilidade na tomada dos recursos era mais interessante ao produtor se financiar junto ao mercado privado. Agora, com a escalada da Selic, o custo das fontes privadas vai aumentar, o que pode levar os produtores a recorrerem mais ao crédito oficial diante da redução da participação do principal funding”, pontuou Rios.

Modalidades e programas para o Plano Safra

Os financiamentos para custeio somaram R$ 141,76 bilhões de julho de 2024 a fevereiro de 2025, 15,3% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 606.592 contratos. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 63,90 bilhões no período, 16,7% menos que na temporada passada, em 784.498 contratos. As operações de comercialização atingiram R$ 25,49 bilhões (queda de 31%), em 14.628 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 14,42 bilhões (recuo de 41%), em 1.168 contratos.

No período, 1,068 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 44,22 bilhões ao fim de fevereiro. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 168.480 operações, totalizando R$ 44,98 bilhões nos primeiros oito meses do ano-safra. Outros 170.712 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 156,372 bilhões em financiamentos de julho a fevereiro na safra 2024/25.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 57,86 bilhões foram provenientes das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs, a taxa livre), fonte não controlada, ante R$ 127,82 bilhões de igual período da safra 2023/24.

Mesmo com a queda entre os anos-safras, as LCAs se consolidaram como a principal fonte do crédito rural oficial no acumulado da safra 2024/25. Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 44,35 bilhões. Outros R$ 35,44 bilhões de julho de 2024 a fevereiro deste ano foram provenientes dos recursos livres equalizáveis.

No Plano Safra 2024/25, o governo ofereceu R$ 76 bilhões para agricultura familiar, R$ 65,23 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp e R$ 335,36 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas. Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 400,59 bilhões para a agricultura empresarial.



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