segunda-feira, maio 25, 2026

Agro

AgroNewsPolítica & Agro

Onda de recuperações judiciais no agro acende alerta


A recuperação judicial tem se tornado uma alternativa cada vez mais comum no agronegócio brasileiro. No entanto, especialistas alertam para o uso indevido desse mecanismo, que deveria garantir a continuidade de empresas viáveis, mas vem sendo empregado como estratégia para postergar falências e esvaziar patrimônios.

Segundo o advogado Bruno Finotti, a recente escalada de pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário está diretamente ligada à volatilidade do mercado. “Nos últimos anos, houve um aumento expressivo nos preços dos grãos, inflacionando custos de arrendamento e insumos. Com a estabilização dos preços, muitas empresas, que se endividaram durante a alta, foram surpreendidas e buscaram a recuperação judicial como uma forma de ganhar tempo”, explica.

O problema, segundo Finotti, é que muitas dessas empresas já estão em situação irreversível. “A recuperação judicial deveria ser usada para reestruturar negócios viáveis, mas vemos casos em que o pedido serve apenas para suspender cobranças e permitir que gestores reorganizem interesses, esvaziem ativos e se preparem para uma falência inevitável”, alerta o advogado.

Essa prática prejudica credores, reduz a confiança no mercado e pode levar o judiciário a adotar um controle mais rigoroso sobre os pedidos de recuperação. “A tendência é que os tribunais passem a exigir planos mais sólidos, coibindo abusos e garantindo que a recuperação judicial cumpra seu papel original”, destaca Finotti.

Outro ponto polêmico envolve o mecanismo de “cram down”, que permite ao juiz aprovar um plano de recuperação mesmo sem a concordância dos credores. “Muitas vezes, essa ferramenta é usada para viabilizar planos insustentáveis, o que apenas adia o problema”, explica o advogado.

Para evitar distorções no uso da recuperação judicial, especialistas defendem critérios mais rígidos para a concessão do benefício. “É essencial garantir que produtores rurais com potencial de reestruturação tenham acesso ao mecanismo, evitando que ele se torne apenas um paliativo para empresas sem viabilidade financeira”, conclui Finotti.





Source link

News

Empresa abre 900 vagas para auditores agrícolas em quatro estados



A empresa Bureau Veritas anunciou a abertura de 900 vagas temporárias para a função de auditor agrícola no Projeto Harvest, que visa garantir a rastreabilidade e a conformidade da produção de soja nas principais regiões produtoras do país.

As oportunidades são voltadas para os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, mas pessoas de todo o Brasil podem se candidatar. A iniciativa é conduzida em parceria com a Kuhlmann Monitoramento Agrícola, empresa do grupo Bureau Veritas.

O projeto ampliou o número de vagas disponíveis. No ano anterior, foram contratados 700 profissionais temporários. Segundo Guilherme Cauduro, diretor de Agronegócios, Food e Commodities do Bureau Veritas, o crescimento da demanda no setor agrícola motivou a ampliação do quadro.

“Este é um trabalho muito importante para o fortalecimento do setor, pois garante que as práticas agrícolas atendam aos mais altos padrões de sustentabilidade e conformidade”, declarou.

Exigências para as vagas

As vagas exigem ensino médio completo, idade mínima de 18 anos e carteira de habilitação permanente na categoria B. Candidatos selecionados que residem fora das regiões de atuação terão os custos de deslocamento e alimentação custeados pela empresa. Os profissionais também terão direito a vale-alimentação e opção de transporte.

O processo seletivo ocorre de forma online e as contratações seguem até abril de 2025. Não é exigida experiência prévia, pois os aprovados participarão de treinamentos sobre o projeto, atividades e sistemas de inspeção. Após essa etapa, será realizada uma imersão presencial nos escritórios-base ou nas regiões de atuação.

Os contratos têm duração até maio. A rotina dos auditores inclui o monitoramento da entrada de grãos nos pontos de recebimento de soja. Entre as atividades, estão o acompanhamento da amostragem dos caminhões, a realização de testes de biotecnologia, a conferência de documentos e o registro de informações no sistema do Bureau Veritas. A atuação será em locais estratégicos de recebimento e armazenamento nas regiões produtoras.

A empresa afirma que há possibilidade de crescimento dentro do projeto. Em 2024, por exemplo, 33% dos auditores do Paraná foram promovidos a líderes, sendo que 55% deles atuaram em edições anteriores do Projeto Harvest.

O histórico de recontratação é destacado pela organização como um indicativo do compromisso com o desenvolvimento profissional.

As inscrições podem ser feitas pelo site oficial da empresa.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Brasil e Japão fortalecem parceria em biocombustíveis



O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina



O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina
O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina – Foto: Divulgação

A União da Indústria de cana-de-açúcar e Bioenergia (UNICA) e o Instituto de Economia da Energia do Japão (IEEJ) assinaram um Memorando de Entendimento (MOU) para fortalecer a cooperação entre Brasil e Japão no setor de biocombustíveis. O acordo foi formalizado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tóquio e visa consolidar o etanol brasileiro como peça-chave na transição para uma economia de baixo carbono. A parceria busca ampliar o intercâmbio tecnológico e criar um ambiente favorável para investimentos e avanços regulatórios no setor de energia renovável.  

O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina para 10% até 2030, o que impulsiona a demanda por biocombustíveis sustentáveis. O Brasil, maior produtor mundial de etanol, se posiciona como fornecedor estratégico devido à confiabilidade do suprimento e à baixa intensidade de carbono do produto. 

“O Japão quer descarbonizar e o etanol brasileiro é a melhor solução para isso. Este contrato reforça a cooperação entre Brasil e Japão e ajuda a estabelecer um ambiente propício para novas parcerias, além de incentivar investimentos e avanços regulatórios que consolidam os biocombustíveis como um dos pilares da transição energética global”, afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.

O mercado japonês já consome 1,5 bilhão de litros de etanol por ano, mas com a meta de aumentar a mistura para 20% até 2040 e garantir que 10% do combustível usado em voos internacionais seja SAF até 2030, a demanda crescerá significativamente. Para atender esse volume, seriam necessários aproximadamente 2,38 bilhões de litros de etanol por ano, utilizando a tecnologia Alcohol to Jet (ATJ). Esse cenário fortalece a parceria entre Brasil e Japão no fornecimento de biocombustíveis e impulsiona o comércio bilateral.  





Source link

News

publicado edital do projeto que integra malha rodoviária de GO e MT



A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nesta sexta-feira (28) o edital para a concessão da Rota Agro, composta por trechos das rodovias federais BR-060 e BR-364, em Goiás e Mato Grosso.

O projeto, que tem apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ligará as cidades de Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT), num total de cerca de 483 km.

Esse é o terceiro lote a ser levado a leilão no âmbito do contrato de estruturação de rodovias federais celebrado entre o BNDES e o Ministério dos Transportes (MT).

O trecho rodoviário é estratégico para a integração dos modais rodoviário e ferroviário, de acordo com o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.

“Em Rondonópolis, está o maior terminal de grãos da América Latina, responsável por escoar a safra da região pelo Porto de Santos. No outro extremo do lote, fica o terminal de Rio Verde da Ferrovia Norte-Sul. Além disso, a BR-364 também é uma alternativa de ligação rodoviária do Centro-Oeste com o Porto de Santos”, disse o diretor.

O edital da Rota Agro prevê a seleção, por concorrência internacional, do parceiro privado que ofertar a menor tarifa de pedágio. A oferta estará associada a um aporte de recursos para explorar os trechos rodoviários realizando serviços de operação, recuperação, manutenção e ampliação de capacidade. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 4,4 bilhões, ao longo de 30 anos.

Melhorias da Rota Agro

As principais melhorias envolvem 46 km de duplicações complementadas com 180 km de terceiras faixas em pista simples. Também está prevista a implantação de um contorno às cidades vizinhas de Alto Araguaia e Santa Rita do Araguaia na divisa dos estados de Mato Grosso e Goiás, além de vias marginais em determinadas travessias urbanas e a implantação de dois Pontos de Parada e Descanso para os caminhoneiros.

O leilão para a concessão da Rota Agro acontece no próximo dia 14 de agosto, na sede da B3, em São Paulo.



Source link

News

Projeto prevê incentivo fiscal para impulsionar pesquisa agropecuária no Brasil



A pesquisa agropecuária brasileira pode ganhar um novo impulso com o projeto de lei (PL) 380/25, que propõe incentivos fiscais para investimentos no setor. A proposta, em tramitação na Câmara dos Deputados, permite que contribuintes deduzam do Imposto de Renda os valores aplicados em pesquisa agropecuária, direcionando os recursos para o Fundo Nacional de Apoio à Pesquisa Agropecuária (Funapa), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Além da arrecadação via dedução fiscal, o fundo também contará com 0,5% da receita bruta de loterias e concursos de prognósticos federais. O texto também institui o Programa Nacional de Apoio à Pesquisa Agropecuária (Pronapa), com a missão de captar e direcionar investimentos para inovação no campo.

Incentivo à pesquisa pode ser batizada como Lei Paolinelli

O deputado Zé Vitor (PL-MG), autor da proposta, ressaltou a importância da medida para o avanço da agropecuária brasileira. “Esse projeto visa estabelecer um mecanismo adicional de captação e direcionamento de recursos a fim de estimular e fomentar a pesquisa agropecuária brasileira”, afirmou.

Como forma de reconhecimento ao legado do ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli (1936-2023), responsável pela estruturação da Embrapa na década de 1970, o parlamentar propõe que a lei seja batizada de “Lei Paolinelli”.

Próximos passos

O PL 380/25 será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Caso seja aprovado, seguirá para votação no Plenário da Câmara e, posteriormente, no Senado.



Source link

News

Haddad diz que governo não pretende mudar regras do arcabouço fiscal



O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta-sexta-feira (28), em São Paulo, que o governo não pretende mudar as regras estabelecidas pelo arcabouço fiscal, que define um teto e um controle de gastos.

“Nós não pretendemos mudar o desenho da política [econômica]. Na minha opinião, essa é uma combinação virtuosa entre uma meta de déficit primário combinada com uma regra de gastos”, disse o ministro durante a Arko Conference, realizada na sede da Galapagos Capital, em São Paulo.

“Nós estamos falando de uma economia que reage e que vem reagindo muito às políticas públicas que estão sendo retomadas e o tudo que a gente quer demonstrar é que o Brasil tem condição de crescer a taxas próximas à média mundial, sem grandes pressões internacionais”, afirmou Haddad. “Nós estamos crescendo bem, em uma média de 3,3%”, destacou.

“A gente entendeu que, em virtude das pressões, a gente moderou um pouco o ritmo do crescimento, mas nada que lembre o que acontece mundo afora, quando você faz um ajuste super-ortodoxo e recessivo, que acaba prejudicando a trajetória da própria dívida em função do buraco que se abre nas contas públicas. Nós entendemos que o caminho mais correto de reconstruir o superávit primário é o caminho da moderação”, completou.

De acordo com Haddad, essa política econômica será mantida pelo governo sem “medidas exóticas” e com finalidade eleitoral. “Não vamos inventar nada. Não é do feitio do presidente Lula inventar nada exótico por razões eleitorais. Ele vai fazer o que está convicto que tem que fazer”, afirmou..

O ministro da Fazenda reforçou que o governo segue comprometido em perseguir as metas fiscais e afirmou que a taxa de juros do país, que está em sua visão “ultra restritiva”, vai cumprir o papel de controlar a inflação e esfriar a economia. “Não vejo nenhuma razão para surpresa. Nós vamos manter o curso da nossa política, cumprindo as metas, buscando as metas e entendendo que esse é o caminho”.

Caged

Durante o evento, o ministro comentou os dados referentes ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e que revelaram a abertura de mais de 431 mil vagas formais de trabalho em fevereiro.

De acordo com ele, esse resultado não demonstra aquecimento na economia, como vem sendo especulado e temido pelo mercado, mas seria um reflexo da expectativa de se obter uma super safra neste ano.

“As pessoas precisam se lembrar que quando você tem super safra, em fevereiro ou março, você contrata todo mundo. Você vai ter uma safra para transportar em poucos meses, então você terá uma super contratação de transporte e de mão de obra, funciona assim no Brasil”, explicou.

Desvalorização do dólar

Ao falar a investidores, o ministro comentou também sobre sua expectativa de que ocorra uma desvalorização global do dólar neste ano, em meio às reformas que estão sendo colocadas em práticas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Eu posso errar no timing, mas dificilmente na peça. Não consigo enxergar equilíbrio ali na economia americana sem alguma desvalorização do dólar. Eu não consigo ver por onde o equilíbrio vai acontecer sem o dólar passar por algum processo de desvalorização. Não acho que tarifa vai resolver. Não acredito que tarifa resolva ali. Pelo contrário, acredito que a tarifa possa agravar a situação”, afirmou.

Se isso vier a ocorrer, ressaltou Haddad, o trabalho do Banco Central para conter a inflação pode se tornar mais fácil.

“Talvez a gente consiga ver, já neste ano, uma desvalorização do dólar, mesmo que o juro não caia tanto quanto previsto. Se isso for verdade, vai aliviar para o Banco Central. A pressão sob o Banco Central vai diminuir e nós podemos ter uma reacomodação”, disse.

Crédito consignado

Em conversa com jornalistas após participar do evento na capital paulista, Haddad comentou ainda sobre o consignado privado. Para o ministro, a grande procura pelo consignado privado que vem sendo observado nos últimos dias não significa que o endividamento esteja aumentando, mas que as pessoas têm buscado essa proposta para trocar a dívida que já possuem por uma taxa mais baixa.

“Obviamente que o trabalhador que não tem dívida, depois vai também buscar o seu consignado. Se ele quiser fazer uma compra, ele vai ter à disposição dele uma taxa razoável. Isso também vai acontecer. Mas nesse momento, tem uma demanda muito expressiva por troca de dívida. Tem gente com dívidas muito caras, com taxas muito elevadas”, disse.

Segundo ele, a proposta do consignado privado, elaborado pelo atual governo, é “amparar o trabalhador que tem uma dívida alta”.

“É muito natural que as pessoas que estão com um crédito e pagando uma prestação elevadíssima por causa da taxa de juros, recorra agora ao sistema bancário para trocar a dívida de 5% ou 6% [de juros] ao mês para algo inferior a 3%”, disse ele.

“O consignado privado foi criado para isso, para amparar o trabalhador que tem uma dívida cara. Às vezes essa dívida não é nem com um banco, pode ser até com um agiota. E a pessoa está saindo do agiota”, acrescentou.



Source link

News

alta mundial do cacau afeta custo do chocolate e vendas


O aumento do custo do cacau em nível mundial, de cerca de 180% em dois anos, está refletindo no valor dos produtos para a Páscoa e para a produção permanente do setor. A alta da fruta se concentrou no segundo semestre do ano passado, em decorrência da quebra de safra nos grandes produtores africanos.

A instabilidade no setor deve se manter também nesta temporada, com o maior produtor, Costa do Marfim, ainda enfrentando impacto significativo de ondas de calor e da seca. 

“Isso vai influenciar o desenvolvimento da planta, a brotação e a formação dos frutos, e com isso uma menor oferta”, disse Letícia Barony, assessora técnica da comissão nacional de fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Em Gana, segundo maior produtor, Letícia avalia que há um cenário de tendência de recuperação na produção, com o governo divulgando indicadores para um cenário de colheita atrativo, que pode levar a um reequilíbrio para a oferta.

Cacau do Brasil

No Brasil, a perspectiva é de aumento de safra, após quedas sucessivas. O país é atualmente o sexto maior produtor mundial de cacau, com mais de 90% da produção nos estados do Pará e Bahia, com uma produção anual de 300 mil toneladas por ano. 

“A gente percebe, ainda assim, muita volatilidade e incerteza dentro do mercado, tanto em relação à oferta, quanto em relação à demanda e principalmente aos preços que esses produtos serão ofertados. Isso pega toda a cadeia de valor, não só na amêndoa de cacau, mas nas indústrias moageiras, indústrias de derivação e também na disponibilização desses produtos ao consumidor”, analisa a assessora técnica da CNA.

Para a confederação, a perspectiva é de aumento das safras neste e no próximo ano, com o resultado dos investimentos em áreas não tradicionais de cultura cacaueira, como o cerrado baiano, no oeste do estado, onde o cultivo ocorre a pleno sol, com irrigação e uso intensivo de tecnologias. São Paulo e o norte de Minas são outras possibilidades de áreas de cultivo, além da consolidação da recuperação das culturas da Bahia e do Pará. 

Outra tendência é o aumento do processamento do cacau no país, gerando produtos com maior valor agregado tanto para o mercado externo quanto para o interno.

Retração

O setor de chocolates prevê uma retração de cerca de 20% na quantidade total de ovos de Páscoa produzidos neste ano, em relação à produção do ano passado. Apesar dessa diminuição, a expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicad) é de contratação de pouco mais de 9,6 mil trabalhadores temporários, 26% a mais do que em 2024, com expectativa de 20% serem efetivados.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os preços dos ovos de chocolate e produtos relacionados (bombons, miniovos, coelhos e barras) tiveram aumento médio de 14%, e as colombas ficaram 5% mais caras neste ano.

Para lidar com o aumento de custos, o setor usa como estratégia a diversificação de portfólio, com produtos menores e mais variados. Como o chocolate não é um produto essencial, como o arroz ou uma proteína (ovo, carne ou equivalente vegetal) seu consumo pode ser diminuído ou evitado mais facilmente. Com isso o preço tem um limite, a partir do qual a demanda começa a cair.

Adaptações

O aumento na matéria prima já é sentido nos produtos, tanto no atacado quanto no varejo. Enquanto redes populares já exibem ovos de Páscoa acima de R$ 70, pequenos produtores têm de pesquisar fornecedores e buscam maior variedade de produtos para aproveitar a data, tradicionalmente a melhor do ano para os chocolateiros.

A chef Dayane Cristin colocou a pesquisa como um elemento estratégico de sua produção. Moradora de Osasco, na grande São Paulo, ela pesquisa em três grandes lojas da região, semanalmente, o chocolate e as outras matérias primas para sua produção de trufas e outros doces.

Com barras de 2,5 kg, ela confecciona uma média de 1.250 trufas por semana, que vende no transporte público, de segunda a sábado. Com a alta dos preços, ela teve que aumentar o tempo despendido com os orçamentos.

“Eu vou cotando, o preço do chocolate tem aumentado, e em alguns lugares produtos como o chocolate branco estão em falta. Eu tenho me organizado, comprado em grande quantidade e com isso consigo um valor menor”, conta Cristin.

Mesmo com o esforço ela teve de aumentar o valor das trufas no começo deste ano, de R$ 3 para R$ 4. Além do chocolate, outros produtos que usa, como o leite condensado e o creme de leite, tiveram altas consideráveis no último ano, assim como as frutas.

A incerteza sobre os preços levou Dayane Cristin a segurar a tabela de valores para a Páscoa, que saiu apenas esta semana.

“Muitos clientes já pediam, mas eu esperei pois teve um aumento significativo [nos custos]. As caixas dos ovos estão muito caras, no meu caso eu vendo muito mais em ovo de colher. Minha meta esse ano é em torno de R$ 15 a R$ 20 mil, em ovos”, conta a chef, que apesar das dificuldades está bem animada com a data.

Tecnologia na cultura do cacau

Letícia Barony, da CNA, avalia que o setor tem conseguido melhorias sensíveis em tecnologias ao longo da cadeia, resultando em ganhos de produtividade, seja para os grandes produtores, seja para as áreas menores. A

s técnicas de produção que respeitam a qualidade ambiental e a qualidade de vida para o produtor e para os trabalhadores envolvidos se destacam em processos como a quebra do cacau, a fermentação e a armazenagem. 

“São pontos cruciais para que a gente tenha maior eficiência no uso da mão-de-obra, maior eficiência do processo como um todo e também melhor qualidade para melhor posicionamento de mercado desse produto, na comercialização”, complementa.

Estes avanços tecnológicos se refletem inclusive na política externa brasileira. A Agência de Promoção de Exportações e investimentos (ApexBrasil) participou de uma missão à África, passando pela Costa do Marfim, Gana e Nigéria, a convite do Itamaraty e com participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além de representantes de 40 empresas nacionais do setor. Na missão, foram assinados termos de cooperação tecnológica para aumentar os ganhos das nações aliadas no setor.

Segundo a Apex, apesar de deter 60% das lavouras, esses países ficam com apenas 6% da renda do setor. “Uma organização dos cinco maiores produtores pode ajudar a aumentar a renda daqueles que estão na base da cadeia de produção”, afirma a agência brasileira. 



Source link

News

quase 2 mil agtechs e 451 hubs mapeados



O ecossistema de inovação no agronegócio brasileiro registrou crescimento expressivo entre 2023 e 2024, segundo o Radar Agtech Brasil, lançado nesta quarta-feira (26) durante o Radar Agtech Summit, no Cubo Itaú, em São Paulo.

O levantamento, desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Homo Ludens e a SP Ventures, aponta aumento de 224% no número de incubadoras voltadas ao agro, que passaram de 32 para 107 em um ano.

As aceleradoras de startups também cresceram 90%, passando de 21 para 40, enquanto os hubs de inovação aumentaram 29%, de 82 para 106. Os parques tecnológicos voltados ao setor passaram de 93 para 117, um avanço de 25%. No total, foram mapeadas 451 iniciativas entre hubs, aceleradoras, incubadoras e parques tecnológicos.

Além dos ambientes, o Radar ampliou o escopo em 2024 e trouxe, pela primeira vez, uma análise detalhada sobre os investidores do setor. O número de fundos de venture capital, corporate ventures e iniciativas financeiras voltadas a agtechs e foodtechs cresceu de forma relevante, sinalizando o amadurecimento do setor.

De acordo com a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o documento se consolidou como uma das principais referências em inteligência estratégica para o agro brasileiro. “Com o escopo ampliado, reforçamos o compromisso de produzir conhecimento estratégico e apoiar a inovação em toda a cadeia agroalimentar”, afirmou.

O analista da Embrapa Aurélio Favarin destacou a importância de mapear também os ambientes que dão suporte às startups. “Além das startups, é fundamental entender as condições necessárias para que elas nasçam e se desenvolvam. Os ambientes de inovação e os investidores são cruciais nesse processo”, disse.

Desde sua primeira edição, em 2019, o Radar Agtech Brasil já identificou um crescimento de 75% no número de agtechs, passando de 1.125 para 1.972 startups em 2024. Essas empresas atuam em áreas como gestão de propriedades, automação agrícola, sensoriamento remoto e biotecnologia.

Inovação pelo país

O estudo também revelou a descentralização dos ambientes de inovação pelo país. Apesar da concentração no Sudeste (36,8%), o Sul já representa 31%, seguido pelo Nordeste (17,5%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (5%). São Paulo concentra 43,5% dos ambientes no Sudeste, mas regiões como o Nordeste e Norte vêm ganhando relevância, com crescimento de 3,5% para 5,9% e de 1,5% para 5,0%, respectivamente.

Francisco Jardim, sócio da SP Ventures, destacou o momento de transformação que o setor vive. “As startups agtech da América Latina estão liderando uma revolução, trazendo tecnologias avançadas e novos modelos de negócio para responder aos desafios impostos pela crise climática e insegurança alimentar”, afirmou.

A internacionalização também foi apontada como uma tendência em ascensão. Startups brasileiras têm se conectado a hubs de inovação globais, ampliando seu acesso a novos mercados e tecnologias.

O levantamento identificou ainda o avanço da sustentabilidade e da digitalização. Em 2024, cerca de 41,5% das agtechs atuam no segmento “Dentro da Fazenda”, com foco em automação e gestão rural. Também se destacam soluções com foco em bioinsumos, rastreabilidade e agricultura regenerativa.

Para Luiz Sakuda, sócio da Homo Ludens, o cenário atual exige a criação de redes conectadas e vivas. “A agricultura responde por cerca de 22% do PIB brasileiro. É imprescindível investir em inovação para transformar o setor e garantir sua sustentabilidade”, disse.

O Radar Agtech 2024 reforça que o futuro da inovação no agro passa por colaboração entre startups, instituições de pesquisa, investidores e produtores, para gerar soluções eficazes e ampliar a competitividade do setor agroalimentar brasileiro.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

IPCA-15 registra alta de 0,64% em março; combustíveis e alimentos pressionam índice


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,64% em março, ficando 0,59 ponto percentual abaixo da taxa de fevereiro, que foi de 1,23%. O IPCA-E, indicador que representa o IPCA-15 acumulado trimestralmente, atingiu 1,99%, superando a taxa de 1,46% registrada no mesmo período de 2024. Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 5,26%, acima dos 4,96% observados no período anterior. Em março de 2024, a taxa foi de 0,36%.

De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram variação positiva em março. O maior impacto veio do grupo Alimentação e Bebidas, que avançou 1,09% e contribuiu com 0,24 ponto percentual no índice geral. Em seguida, o grupo Transportes registrou alta de 0,92%, representando impacto de 0,19 ponto percentual. Juntos, esses dois segmentos foram responsáveis por cerca de dois terços do índice do mês. Outras variações foram registradas entre 0,03%, em Artigos de Residência, e 0,81%, em Despesas Pessoais.

A alimentação no domicílio apresentou aceleração, passando de 0,63% em fevereiro para 1,25% em março, impulsionada pelas altas no preço do ovo de galinha (19,44%), do tomate (12,57%), do café moído (8,53%) e das frutas (1,96%). Já a alimentação fora do domicílio registrou avanço de 0,66%, acima dos 0,56% observados no mês anterior, com destaque para a refeição, que passou de 0,43% para 0,62%. O lanche, por outro lado, desacelerou de 0,77% para 0,68%.

No grupo Transportes, o destaque foi a alta de 1,88% nos combustíveis, com aumentos nos preços do óleo diesel (2,77%), do etanol (2,17%), da gasolina (1,83%) e do gás veicular (0,08%). O preço das passagens de trem subiu 1,90%, refletindo o reajuste de 7,04% nas tarifas no Rio de Janeiro, vigente desde 2 de fevereiro. As passagens de ônibus intermunicipais também sofreram reajustes, com aumento médio de 14% em Porto Alegre, impactando o índice em 4,99%.

O grupo Despesas Pessoais avançou 0,81%, influenciado pela alta nos preços de ingressos para cinema, teatro e concertos, que subiram 7,42% após o encerramento da promoção da Semana do Cinema em fevereiro. Já no grupo Habitação, houve desaceleração de 4,34% em fevereiro para 0,37% em março, reflexo da energia elétrica residencial, que subiu 0,43%, considerando o reajuste de 1,37% em uma concessionária do Rio de Janeiro. No entanto, a redução na alíquota do PIS/COFINS resultou em queda de preços nessa localidade (-0,12%). O gás encanado recuou 0,51%, refletindo cortes tarifários no Rio de Janeiro (-0,92%) e em Curitiba (-1,79%), aplicados a partir de 1º de fevereiro.

Regionalmente, todas as áreas analisadas apresentaram alta no mês. Curitiba registrou a maior variação, com aumento de 1,12%, impulsionado pelas elevações nos preços da gasolina (7,06%) e do etanol (6,16%). Já Fortaleza teve a menor variação, de 0,34%, devido à redução nos preços da energia elétrica residencial (-1,69%) e da gasolina (-0,90%).

Os dados foram levantados entre 13 de fevereiro e 17 de março de 2025 e comparados aos preços vigentes entre 15 de janeiro e 12 de fevereiro do mesmo ano. O IPCA-15 considera famílias com renda entre 1 e 40 salários-mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia. A metodologia segue os mesmos critérios do IPCA, diferenciando-se apenas pelo período de coleta dos preços e pela abrangência geográfica.





Source link