segunda-feira, maio 25, 2026

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Balança comercial inicia abril com superávit de US$ 1,8 bi


A balança comercial brasileira iniciou o mês de abril de 2025 com superávit de US$ 1,8 bilhão, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). A corrente de comércio no período alcançou US$ 10,5 bilhões, com exportações de US$ 6,1 bilhões e importações de US$ 4,4 bilhões.

No acumulado do ano, as exportações somam US$ 83,5 bilhões, enquanto as importações totalizam US$ 71,7 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 11,8 bilhões. A corrente de comércio acumulada até o momento é de US$ 155,2 bilhões.

Segundo a Secex, houve aumento de 11,4% na média diária das exportações na primeira semana de abril em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho setorial indica crescimento de 3,7% nas exportações da agropecuária, com destaque para produtos como café não torrado (8%), especiarias (134,8%) e soja (2,7%). Na indústria extrativa, o avanço foi de 5,9%, impulsionado pelas vendas de fertilizantes brutos (325,8%), minérios de Cobre (129,4%) e petróleo bruto (13%).

A indústria de transformação registrou aumento de 19% nas exportações, com elevação nas vendas de farelos de soja e outros alimentos para animais (55%), produtos residuais de petróleo (1.385,6%) e aço semi-acabado (221,8%).

Por outro lado, a Secex identificou quedas nas exportações de trigo e centeio não moídos (-11,7%), milho (-46,8%) e algodão em bruto (-14%) na agropecuária. Na indústria extrativa, as retrações envolveram minério de Ferro (-24,2%) e minérios de níquel (-99,9%). Já na indústria de transformação, os recuos mais relevantes foram registrados em açúcares e melaços (-33,7%), celulose (-34,3%) e óleos combustíveis (-24,5%).

As importações também apresentaram crescimento, com destaque para a agropecuária (51,2%), a indústria extrativa (5,7%) e a indústria de transformação (9,5%). Na agropecuária, foram impulsionadas pelas compras de milho (349,8%), cacau (916,4%) e cevada (65,5%). Na indústria extrativa, aumentaram as aquisições de fertilizantes brutos (61,8%) e petróleo bruto (14,1%). Na indústria de transformação, sobressaíram medicamentos (30,9%), compostos químicos (36,3%) e veículos de passageiros (48,9%).

Apesar do crescimento geral nas importações, foram registradas quedas em produtos como trigo (-37,5%), soja (-96,9%) e pescado (-32,4%) na agropecuária; gás natural (-29,7%) e outros minerais em bruto (-38,2%) na indústria extrativa; e Cobre (-42,5%) e válvulas eletrônicas (-28,1%) na indústria de transformação.





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Indústria de suco de laranja deve sofrer impacto de R$ 1,1 bilhão com tarifaço de Trump



A cadeia brasileira de suco de laranja deve sofrer um impacto significativo com a tarifa adicional de 10% sobre os produtos importados aos Estados Unidos, conforme ordem executiva anunciada por Donald Trump na semana passada.

A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) indica que os norte-americanos respondem por cerca de 37% dos embarques brasileiros do produto.

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela entidade, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, foram enviados 207.205 toneladas de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ 66 Brix) ao país da América do Norte, totalizando US$ 879,8 milhões em faturamento.

Impacto de US$ 100 milhões/ano

A CitrusBR informa em nota que, com base no desempenho atual da safra 2024/25 e projetando-se uma exportação anualizada de aproximadamente 235,5 mil toneladas ao mercado norte-americano, o impacto da nova tarifa pode atingir cerca de US$ 100 milhões por ano, ou R$ 585 milhões considerando o câmbio de R$ 5,85 por dólar.

“Esse valor se soma aos tributos já incidentes, como a tarifa de US$ 415 por tonelada de FCOJ equivalente a 66 Brix. Apenas em 2024, esse tributo representou cerca de US$ 85,9 milhões em pagamentos. Assim, somando-se as tarifas atuais e a nova medida, o total de impostos pode atingir cerca de US$ 200 milhões anuais, ou aproximadamente R$ 1,1 bilhão”, destaca a CitrusBR.

A entidade ressalta que as empresas brasileiras seguem, de forma individual e com base em suas estratégias comerciais, abastecendo o mercado dos Estados Unidos com suco de laranja de alta qualidade.

No entanto, o setor lamenta que a medida tenha sido adotada sem considerar o histórico de complementaridade entre a produção brasileira e a indústria da Flórida, além da relação de longo prazo com empresas engarrafadoras que atuam nos Estados Unidos.



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Starlink, de Elon Musk, vai colocar mais 7,5 mil satélites na órbita do Brasil



A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou nesta terça-feira (8) o pedido da Starlink para lançar mais 7,5 mil satélites na órbita do país. A empresa de Elon Musk já tinha 4,4 mil satélites em operação e agora chegará a 11,9 mil unidades, o que deve reforçar a sua liderança no segmento de internet rápida por satélites

A decisão do conselho diretor da Anatel aconteceu por meio de votação em circuito deliberativo, longe dos holofotes. O tema havia sido colocado em pauta na reunião ordinária do conselho na semana passada, mas teve o pedido de análise adiado por até 120 dias a pedido do relator do processo, o conselheiro Alexandre Freire. Entretanto, Freire decidiu expor seu voto em uma deliberação no sistema virtual da agência.

A aprovação da Anatel ocorreu de forma unânime. Com isso, o órgão regulador atendeu integralmente o pleito da Starlink para a alteração do direito de exploração que já estava em voga, ampliando o número de unidades na órbita e as faixas de frequências utilizadas para transmissão do sinal de internet. A alteração da licença custará R$ 102 mil à empresa de Musk e será válida até 2027.

A aprovação aconteceu à revelia das outras empresas de internet por satélite no Brasil, que haviam pedido à Anatel que indeferisse o pedido da Starlink devido aos riscos de congestionamento na órbita e interferências, dado o aumento expressivo no número de satélites, bem como o uso de novas frequências.

Como resposta a essa intensificação na corrida comercial na órbita, a Anatel emitiu um “alerta regulatório”, mecanismo por meio do qual informa a sociedade que fará uma atualização do marco normativo vigente devido aos riscos identificados.

Entre outras medidas, foi determinado que o Comitê de Infraestrutura de Telecomunicações e o Comitê de Espectro e Órbita da Anatel deverão promover, de forma urgente, discussões técnicas e estudos aprofundados para subsidiar a análise de impacto regulatório considerando as diretrizes internacionais, eficiência no uso do espectro, segurança das redes, soberania nacional e promoção da concorrência.

“Embora tenhamos deferido, por unanimidade, o pedido de alteração do direito de exploração satelital da starlink para ampliação do número de satélites e faixas de frequências autorização, bem como atualização das redes associadas, este caso deixou claro para mim as limitações da regulamentação atual para oferecer respostas adequadas às complexas questões que emergem nesse cenário”, afirmou o relator, Alexandre Freire, em nota.



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Mapa prorroga estado de emergência zoosanitária em 180 dias



O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional por conta do vírus da influenza aviária H5N1 de alta patogenicidade (IAAP) – também conhecida como gripe aviária – em aves silvestres no Brasil.

A Portaria nº 784 foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (7).

De acordo com nota da pasta, a prorrogação acontece de forma preventiva com objetivo de manter as condições do Mapa em adotar medidas de erradicação do foco de forma rápida e a mobilização de verbas da União e a articulação com outros ministérios, organizações governamentais – nas três instâncias: federal, estadual e municipal – e não governamentais.

No final de março, o Ministério publicou a Portaria nº 782, que suspende a realização de exposições, torneios, feiras e outros eventos com aglomeração de aves.

A medida tem como objetivo prevenir a propagação da doença e poderá ser flexibilizada apenas com a autorização do Serviço Veterinário Estadual, mediante avaliação epidemiológica e plano de biosseguridade aprovado.

Casos de gripe aviária no Brasil

O primeiro caso de gripe aviária no Brasil foi registrado no dia 15 de maio de 2023, em aves silvestres. Até esta data, foram registrados 166 focos da doença, sendo 163 em aves silvestres e três em espécies de subsistência.

Segundo o Ministério, até este momento, não há registro de circulação do vírus na criação comercial, o que mantem o Brasil com status de país livre de influenza aviária perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), exportando seus produtos para consumo de forma segura.



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Exagero de chuva pode somar até 300 mm nos próximos dias no Sul; veja áreas


A chuva deve seguir frequente e volumosa no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina até a próxima quinta-feira (10). Algumas áreas, como a faixa litorânea dos dois estados, podem ter acumulados de até 300 mm no período, de acordo com a Climatempo.

Segundo a previsão dos meteorologistas, além do litoral, o volume de chuva devem ser mais empressivo no extremo sul e parte da Costa Doce no Rio Grande do Sul. Já em Santa Catarina, o destaque fica para o sul do estado e para a faixa sul da Grande Florianópolis.

No mapa acima, as áreas em amarelo indicam volumes de chuva entre 50 mm e 100 mm, enquanto as áreas em roxo sinalizam acumulados que podem variar de 150 mm a 300 mm.

A combinação de chuva intensa e solo já encharcado aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra, especialmente nas áreas costeiras.

Além disso, a Climatempo chama atenção para as rajadas de vento, que podem agravar a situação em alguns pontos, trazendo risco para queda de árvores e postes.

A população deve ficar atenta às atualizações meteorológicas e aos alertas emitidos pelas autoridades locais.

É importante evitar áreas de risco, manter-se em locais seguros e seguir as orientações da Defesa Civil. O cenário climático exige atenção especial para quem vive nas regiões destacadas no mapa, especialmente no litoral da região.



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conheça os profissionais que testam até 15 alimentos por dia



Garantir que cada alimento chegue à mesa do consumidor com sabor, textura e aparência impecáveis é o foco dos Mestres Sensoriais da Seara. Esses profissionais atuam diariamente em laboratórios especializados da marca avaliando até 15 itens por dia, utilizando todos os sentidos para assegurar a qualidade dos mais de 700 produtos comercializados pela empresa no Brasil.

Com atuação em áreas como controle de qualidade, pesquisa e desenvolvimento (P&D), os Mestres Sensoriais analisam desde o desempenho da embalagem até a suculência e a crocância dos alimentos.

Rosane Souza, profissional mais experiente da equipe, participa do programa desde sua criação, há cinco anos. “Nosso trabalho é muito semelhante à percepção do consumidor. Utilizamos todos os nossos sentidos para garantir que o produto esteja perfeito. A missão é proporcionar uma experiência completa e satisfatória”, afirma.

Na unidade da Seara em Duque de Caxias (RJ), Rosane atualmente conduz testes com linguiças para churrasco. Sua rotina começa com a preparação do ambiente, seguindo com avaliações técnicas que incluem corte, temperatura e degustação. Junto à equipe de P&D, ela também participa de reuniões para ajustar formulações, mantendo os padrões definidos pela empresa.

A atuação desses profissionais vai além da análise sensorial convencional. Eles são formados pela Academia de Mestres Sensoriais, programa pioneiro da Seara no Brasil que já capacitou cerca de 370 pessoas desde 2019. Atualmente, 90 Mestres Sensoriais estão distribuídos pelas unidades da marca em todo o país.

Durante a formação, que ocorre em módulos semanais, os participantes realizam testes básicos de percepção sensorial. Aqueles aprovados passam por treinamentos regulares e reciclagens anuais. A equipe responsável pelo conteúdo é formada por quase dez cientistas sensoriais, incluindo um chef de cozinha.

“Na Seara, investimos em iniciativas pioneiras, como o programa de Mestres Sensoriais, para garantir que cada produto ofereça uma experiência completa e memorável. Nosso trabalho combina ciência, inovação e paixão para superar as expectativas dos consumidores”, explica Luciara Rech Peil, diretora-executiva de Inovação e P&D da Seara.

Além da prática, o trabalho envolve conhecimentos em estatística, bioquímica e biologia. O objetivo é antecipar tendências e alinhar os produtos ao que o mercado busca. A análise sensorial é essencial para o sucesso de uma receita — indo além da boa procedência da matéria-prima — e se consolida como peça-chave na diferenciação da marca no mercado de alimentos.



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R$ 2 bilhões não resolvem problemas do seguro rural, diz Fávaro



O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, disse hoje (8) durante o 18º Congresso Internacional da Associação Latino-Americana para o Desenvolvimento do Seguro Agropecuário (Alasa) que, mais importante do que aumento de recursos financeiros para o prêmio de subvenção do seguro rural está a estruturação das políticas públicas para o setor.

“O Brasil é um dos poucos países no mundo a disponibilizar quase R$ 18,5 bi para subvenção às taxas de juros. Não se trata de R$ 1 bi ou R$ 2 bi para o seguro rural, o desafio é muito maior do que achar que vamos fazer a parametrização ou o incremento de R$ 2 bilhões e simplesmente está resolvido o seguro”, disse.

A afirmação foi feita a jornalistas durante a abertura do evento que ocorre em Brasília. Ainda durante a entrevista, Fávaro declarou que o seguro tem que ser obrigatório ao produtor que capta recursos subsidiados, mas desde que o seguro seja atraente ao agricultor.

“A obrigatoriedade de ser um seguro que seja atrativo, não um ônus, um peso nos ombros”, afirma.

No site do Ministério da Agricultura, o governo informa que ao contratar uma apólice de seguro rural o produtor (pessoa física ou jurídica) pode minimizar suas perdas ao recuperar o capital investido na sua lavoura.

“O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) oferece ao agricultor a oportunidade de segurar sua produção com custo reduzido, por meio de auxílio financeiro do governo federal”, diz o comunicado.

Resolução para o seguro rural

Por fim, Fávaro também disse que resolver a questão é um desafio e o congresso é uma oportunidade para aprofundar discussões e construir soluções em torno do tema.

“Tenho certeza que daqui sairão ideias e propostas por parte do parlamento, das entidades representativas dos produtores, das seguradoras e do governo um modelo sustentável e eficiente”, disse.

Sobre o Congresso Alasa

Com o tema “Protegendo o futuro do agro: assegurando o amanhã”, o 18º Congresso Internacional Alasa reúne profissionais e instituições ligadas ao seguro rural, como seguradoras, cooperativas agropecuárias, bancos, produtores, especialistas e autoridades públicas de toda América Latina.

O evento segue até a quinta-feira (10).



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Embrapa realiza workshop sobre metodologias de certificação de baixo carbono no agro


Nos dias 3 e 4 de abril, a Embrapa Meio Ambiente promoveu em Jaguariúna (SP) o Workshop Contabilidade Ambiental em Protocolos de Baixo Carbono, reunindo especialistas de diversas Unidades, como Gado de Corte, Meio Ambiente, Milho e Sorgo, Pecuária Sudeste e Soja. O foco do evento foi alinhar estratégias para padronizar as métricas de emissões e remoções de carbono, integrando-as aos diferentes sistemas produtivos do agronegócio brasileiro.

Os debates foram guiados pela necessidade de desenvolver soluções sustentáveis que atendam às exigências internacionais. O formato presencial do workshop possibilitou uma troca enriquecedora entre as cadeias produtivas, permitindo que soluções para soja, milho, sorgo e trigo também beneficiassem a pecuária.

Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, destacou a importância do workshop para o desenvolvimento de ferramentas, como calculadoras de carbono, que utilizam metodologias reconhecidas, como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e o método BRLUC (Brazilian Land Use Change). Essas tecnologias são cruciais para garantir a competitividade do Brasil em mercados que valorizam práticas ambientais responsáveis.

Berndt observou que a diversidade dos sistemas produtivos no Brasil gera desafios específicos. Ele ressaltou que a Embrapa está tecnicamente preparada, mas é vital promover um diálogo entre as regiões para conectar a ciência à realidade local. Além disso, enfatizou a necessidade de comunicar claramente os benefícios econômicos e ambientais das novas tecnologias aos produtores.

Marília Folegatti, pesquisadora cuja equipe é responsável pelos estudos sobre a metodologia ACV na Embrapa Meio Ambiente, ressaltou a colaboração observada nos encontros entre os representantes dos Programas de Baixo Carbono da instituição. Segundo ela, as reuniões, apesar de dedicadas a técnicas para a contabilidade de carbono, também foram focadas em soluções de Tecnologia da Informação. Como resultado principal, espera-se a criação de uma plataforma com ferramentas comuns e harmonizadas, capazes de integrar um conjunto de culturas agrícolas e atividades pecuárias de baixo carbono, tanto do ponto de vista tecnológico quanto metodológico.

Henrique Debiase, da Embrapa Soja, considerou o alinhamento entre as iniciativas de certificação um marco em relação às mudanças climáticas. O evento contou com a participação de representantes dos selos de Soja, Milho, Sorgo, Trigo e Leite e Carne Baixo Carbono, visando padronizar critérios metodológicos e evitar fragmentações que possam prejudicar a credibilidade das certificações.

Ele alertou para a importância de protocolos que reflitam a realidade dos sistemas tropicais. Muitos métodos foram desenvolvidos para climas temperados e podem distorcer a realidade da produção brasileira. “Aplicar modelos estrangeiros gera distorções que penalizam injustamente nossa agricultura”, ressaltou Debiase, que também destacou a sustentabilidade de muitos sistemas brasileiros, apesar dos desafios do desmatamento ilegal.

A integração e a sintonia entre os programas de baixo carbono foram reforçadas por Arystides Resende, da Embrapa Milho e Sorgo. Ele considerou o workshop essencial para garantir que todas as iniciativas avancem de forma alinhada, respeitando a interconexão entre grãos e pecuária. Resende afirmou que a adaptação de metodologias internacionais à realidade tropical é crucial para evitar penalizações injustas.

O workshop representou um passo importante na consolidação de uma base técnica nacional robusta, crucial para o Brasil se afirmar como líder no desenvolvimento de tecnologias agropecuárias de baixo carbono, pondera Resende.

Contexto da pecuária

Para Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, a decisão do governo brasileiro de ampliar e incentivar o uso de metodologias de contabilidade de carbono é fundamental diante da crescente relevância do tema. Segundo ele, essas ferramentas são essenciais para calcular a pegada de carbono — indicador que expressa o volume total de gases de efeito estufa emitidos por um produto ou processo no seu ciclo de vida —, informação cada vez mais demandada por consumidores, mercados e formuladores de políticas públicas.

“No caso da pecuária, essa é uma oportunidade ainda mais significativa”, avalia Giolo. “Trata-se de uma cadeia produtiva frequentemente criticada por suas emissões, mas que, com o uso dessas metodologias, poderá demonstrar também sua capacidade de remoção de carbono da atmosfera. E, nesse ponto, os sistemas pecuários apresentam um potencial de remoção até maior que o das lavouras.”

Embora o setor seja frequentemente apontado como um dos principais emissores, o pesquisador destaca que, ao considerar também as remoções, o balanço final de emissões pode ser bastante reduzido. “Isso representa um avanço importante para a pecuária, que passa a mostrar não apenas suas emissões, mas também sua contribuição positiva na mitigação dos gases de efeito estufa”, afirma.

Giolo ressalta ainda que, no caso da carne bovina, essas ferramentas abrem espaço para valorizar sistemas de produção sustentáveis. “A calculadora será utilizada para a certificação da marca Carne Baixo Carbono, que terá seu lançamento na COP30.

Na COP30

Paula Packer, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, destaca que o Brasil levará à COP30 a proposta de adoção de métodos de cálculo de carbono mais compatíveis com as particularidades dos sistemas agrícolas tropicais, sem perder a articulação com as métricas globais. As abordagens hoje dominantes, moldadas por realidades de clima temperado, negligenciam características essenciais da produção brasileira, como a possibilidade de duas ou até três safras por ano e a ampla diversidade de solos e condições climáticas nos diferentes biomas do país.

Packer também enfatiza que as práticas previstas no Plano ABC+ — ampliadas por meio da política nacional de recuperação de pastagens degradadas — têm papel estratégico tanto na mitigação quanto na adaptação às mudanças do clima. Ela destaca que o objetivo do workshop foi promover a harmonização das ferramentas de cálculo da pegada de carbono, de forma a reconhecer e valorizar as contribuições da agricultura tropical para o equilíbrio climático global.





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EUA anunciam tarifa adicional para a China; sobretaxa chegaria a 104%



O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começará a cobrar tarifa adicional de 50% sobre os bens importados da China amanhã, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Com isso, a tarifa sobre importação de produtos chineses para os EUA chegaria a 104%.

“Presidente quer fazer um acordo com a China, mas não sabe como começar”, disse Leavitt em entrevista coletiva nesta terça-feira (8).

“Se a China fizer um acordo, presidente ficará afável”, afirmou.

Leavitt disse que as negociações sobre as tarifas vão priorizar aliados e parceiros. As negociações serão no modelo one-stop (completas), o que significa que a presença militar e ajuda estrangeira serão pontos considerados nas discussões sobre tarifas, disse a porta-voz.

Leavitt afirmou ainda que estão em andamento conversar sobre tarifas com Israel. Em relação ao Irã, a porta-voz disse que as negociações de sábado serão diretas.

China vai à OMC por tarifas

A China iniciou uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas recíprocas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 2 de abril. De acordo com o comunicado da OMC, a China questiona “medidas dos EUA que impõem uma tarifa adicional de 10% sobre importações de todos os parceiros comerciais, com início em 5 de abril”, além de uma tarifa adicional de 34% especificamente sobre produtos importados da China, que entra em vigor em 9 de abril. Nesta terça, a Casa Branca ainda anunciou uma tarifa adicional de 50%.

“A China afirma que as medidas são inconsistentes com as obrigações dos Estados Unidos sob várias disposições do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt, na sigla em inglês) de 1994, do Acordo sobre Valoração Aduaneira e do Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias”, diz a OMC.



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Custo da cesta básica sobe em 14 capitais brasileiras em março



Apenas três capitais brasileiras não apresentaram aumento no custo médio da cesta básica no mês de março. Das 17 capitais analisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, somente Aracaju (-1,89%), Natal (-1,87%) e João Pessoa (-1,19%) mostraram redução no custo médio.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), responsável pela pesquisa, as maiores elevações observadas no mês de março ocorreram nas capitais da Região Sul do país:

  • Curitiba (3,61%);
  • Florianópolis (3%); e
  • Porto Alegre (2,85%)

Produtos que mais aumentaram

Entre os maiores vilões para o aumento da cesta no mês passado estão o café, que subiu em todas as capitais analisadas, o tomate e o leite integral. Por outro lado, o preço do quilo da carne bovina de primeira caiu em 15 capitais, com exceção de João Pessoa (PB) e do Recife (PE).

A cesta básica mais cara do país continua a ser a de São Paulo, onde o custo médio chegou a R$ 880,72. Em seguida vêm Rio de Janeiro (R$ 835,50), Florianópolis (R$ 831,92) e Porto Alegre (R$ 791,64).

Cesta básica mais cara e mais barata

Já a cesta mais barata foi observada nas capitais das regiões Norte e Nordeste do país, onde a composição de produtos é diferente. Os menores valores médios foram encontrados em Aracaju (R$ 569,48), João Pessoa (R$ 626,89), no Recife (R$ 627,14) e em Salvador (R$ 633,58).

Com base na cesta mais cara, que em março foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o salário mínimo em fevereiro deveria ser de R$ 7.398,94 ou 4,87 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.518,00.



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