domingo, maio 24, 2026

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China reduz compras de soja: quais são as consequências?


O mercado da soja atravessou uma semana de forte oscilação, influenciado por fatores externos como o avanço lento do plantio nos Estados Unidos, a desvalorização do dólar e o aumento nas exportações brasileiras. Apesar do bom desempenho logístico, as cotações no mercado físico recuaram, refletindo a leve queda no contrato de maio na Bolsa de Chicago, que fechou em US$10,36 por bushel (-0,77%).

Segundo análise da plataforma Grão Direto, o destaque da semana foi a exportação de 14,5 milhões de toneladas de soja brasileira em abril, superando em 1,2 milhão de toneladas a projeção anterior. O desempenho positivo é impulsionado pela demanda global, mesmo diante de um cenário desafiador, marcado pela guerra tarifária entre China e Estados Unidos. Em março, a China reduziu em 40% suas importações, aplicando tarifas de 125% sobre a soja norte-americana — o que pode abrir espaço para um avanço ainda maior do Brasil no mercado asiático?.

Além disso, o mercado observa com atenção os efeitos da unificação cambial na Argentina, que encerrou o regime do “dólar blend”. A medida traz mais previsibilidade ao comércio e pode tornar o país vizinho mais competitivo nas exportações de soja e farelo, pressionando os prêmios brasileiros. A Argentina, maior exportadora de farelo do mundo, deve ganhar espaço justamente quando o Brasil colhe os frutos de uma safra robusta e bons números de exportação?

O câmbio também tem desempenhado papel importante. O dólar comercial encerrou a semana cotado a R$5,81, queda de 1,02%, influenciado por expectativas positivas em torno do ajuste fiscal brasileiro. A tendência é de estabilidade para os próximos dias, com o viés de manutenção do patamar atual, salvo novidades significativas no cenário político e econômico.

Para os próximos dias, o mercado de soja deve seguir atento à volatilidade, especialmente com possíveis correções técnicas nas cotações de Chicago e novos desdobramentos da disputa comercial entre China e EUA. A orientação dos analistas é que produtores e agentes do setor acompanhem de perto o câmbio, os prêmios de exportação e as decisões estratégicas da Argentina para não perderem competitividade.





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JBS conclui registro na SEC e convoca assembleia para votar dupla listagem



A JBS anunciou mais um avanço em seu processo de dupla listagem. Com o pedido aprovado pela Securities and Exchange Commission (SEC), o conselho de administração da empresa convocou para 23 de maio a assembleia geral extraordinária que vai decidir se a JBS terá uma dupla listagem, com papeis negociados na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), nos Estados Unidos, e na Brasil, Bolsa, Balcão (B3), no Brasil. A operação também depende da aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os acionistas minoritários terão total poder de decisão. A J&F e a BNDESPar, os dois principais acionistas em volume de papeis, vão se abster de votar, o que deixará a decisão a cargo de detentores de pouco mais de 30% do free float da companhia.

“Acreditamos que essa operação vai aumentar nossa visibilidade no cenário internacional, atrair novos investidores e fortalecer ainda mais nossa posição como líder global de alimentos”, afirma Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS.

Caso a proposta seja aprovada pela assembleia, a empresa estima o início da oferta das ações no mercado americano a partir de junho.

“Quando aprovado, o processo representará um novo capítulo na história da Companhia, com potencial de destravar o valor da ação e chegar a uma base mais ampla de investidores”, diz o CFO da JBS, Guilherme Cavalcanti.

A JBS está entre as maiores empresas de alimentos do mundo com uma plataforma diversificada de proteínas e de geografias. Com mais de 250 fábricas, produz em 17 países, possui mais de 300 mil clientes e seus produtos chegam a mais de 180 países. Nascida no Brasil há 71 anos, a JBS emprega hoje 280 mil pessoas.

De acordo com Tomazoni, os marcos conquistados pela JBS, ao longo dos mais de 70 anos de história, comprovam a eficácia da estratégia de atuação como uma plataforma global diversificada, tanto em proteínas como em geografias, impulsionada por marcas fortes e um portfólio de produtos de maior valor agregado. “Construímos uma cultura organizacional sólida. Temos as pessoas certas, nos lugares certos. Somente a dedicação e empenho de nossos colaboradores permitem à JBS chegar à excelência operacional ímpar”, afirma Tomazoni.



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Capital brasileira tem abril mais chuvoso desde 1961



O temporal da madrugada não foi suficiente: voltou a chover forte no fim da tarde desta terça-feira (22) em Cuiabá, capital de Mato Grosso.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já registrou 281,6 mm acumulados do dia primeiro de abril até às 9 horas do dia 22, hora de Brasília.

Confira, abaixo, alguns números da chuva de abril em Cuiabá que comprovam como o mês está sendo muito fora dos padrões climatológicos:

  • Total de chuva acumulada em 22 dias: 281,6 mm, mais do que o dobro da média para abril, que é de 112,8 mm
  • Abril mais chuvoso desde 1961 (em 64 anos)
  • Maior chuva em 24 horas de 2025: 92,9 mm entre 9h do dia 8 e 9h do dia 9 de abril (hora de Brasília)
  • Maior volume mensal de precipitação de 2025 até agora

E quem pensa que já basta, está enganado. Segundo a Climatempo, a previsão é de mais pancadas de chuva até o fim do mês.



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Chuvas atrasam a colheita da soja


As chuvas registradas no início da última semana interromperam temporariamente a colheita da soja no Rio Grande do Sul, conforme aponta o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (17). Com a redução da umidade, os trabalhos foram retomados em algumas regiões, especialmente no Norte e no Centro do Estado. A colheita já alcança 60% da área cultivada.

A umidade favoreceu o uso de dessecantes químicos, o que contribuiu para uma melhor uniformidade da maturação nas lavouras. A Emater/RS-Ascar observa, no entanto, que “as perdas aumentam conforme a colheita avança”, embora áreas com cultivos mais atrasados apresentem bom desenvolvimento. Ainda restam 35% das lavouras em maturação e 5% em fase de enchimento de grãos, beneficiadas pelas chuvas recentes.

Na Fronteira Oeste, a colheita foi retomada no dia 10 de abril nas áreas de solo arenoso. Em Manoel Viana, 45% dos 58 mil hectares já foram colhidos. A expectativa dos produtores é recuperar o atraso. “A previsão de tempo seco anima os agricultores a concluir a colheita”, informou o informativo. Em Alegrete, 40% da área cultivada foi colhida, mas com perdas estimadas em 50%. Já em São Borja, metade da área já foi colhida, e o acionamento de seguros privados e do Proagro pode alcançar 80% dos produtores.

Na Campanha, as operações foram dificultadas pelo excesso de umidade no solo. Em Aceguá, apenas 5% da área foi colhida até o momento. Hulha Negra apresenta 10% da colheita concluída, com produtividades variando conforme o nível de investimento e as condições climáticas durante o ciclo reprodutivo.

No Norte do Estado, a colheita se aproxima da conclusão em Erechim, com 95% das áreas já colhidas. A produtividade média foi estimada em 2.275 kg/ha, afetada pela estiagem entre janeiro e março. “A diferença de poucos dias no plantio influenciou significativamente os rendimentos”, afirma a Emater.

A região de Ijuí, que concentra 14,7% da área de soja do Estado, colheu até agora 84% da área. A operação foi retomada nos dias 10 e 11 de abril, aproveitando a melhora no clima. A produtividade apresenta grande variabilidade, e os agricultores já iniciaram os trabalhos de correção de solo após a retirada da cultura.

Em outras regiões, a colheita avança com restrições. Em Caxias do Sul, mais da metade da área foi colhida, apesar das interrupções pelas chuvas. A produtividade média está em 3.231 kg/ha, com redução de 15%. Em Frederico Westphalen, 87% da área foi colhida, mas a produtividade média caiu 30%, ficando em 2.425 kg/ha.

Na região de Passo Fundo, onde se concentra quase 10% da área do Estado, 85% da soja já foi colhida. Em Pelotas, as chuvas contínuas paralisaram os trabalhos e geraram preocupação com a qualidade dos grãos, que podem apodrecer nas vagens. Apenas 20% da área foi colhida, embora 42% das lavouras estejam prontas.

Santa Maria, responsável por 15,7% da produção estadual, colheu mais da metade da área. As perdas pela estiagem são significativas. Em Santa Rosa, os trabalhos foram retomados após os dias chuvosos, e as lavouras mais tardias se aproximam do fim do enchimento de grãos. Nas áreas mais recentes, produtores avaliam o uso de fungicidas para controlar a ferrugem asiática.

Na região de Soledade, a colheita foi interrompida na primeira metade da semana passada e retomada no dia 10. A produtividade caiu de 3.359 para 2.260 kg/ha. Segundo a Emater, as áreas de maior altitude apresentam maior avanço nos trabalhos do que aquelas localizadas no Baixo Vale do Rio Pardo.

O preço médio da saca de 60 quilos apresentou queda de 2,04% em relação à semana anterior, passando de R$ 127,38 para R$ 124,78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o valor para o produto disponível foi de R$ 135,00 por saca.





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Chile passará a comprar carne suína do Paraná


O Chile reconheceu o Paraná como zona livre de febre aftosa sem vacinação, o que significa a autorização para importar carne suína de produtores do estado.

O anúncio oficial deve ser feito entre esta terça-feira (22) e amanhã (23), no âmbito da visita da comitiva do presidente chileno Gabriel Boric ao Brasil. A decisão foi antecipada pelo ministro da Agricultura chileno, Esteban Valenzuela.

“Reconhecemos que o Paraná está livre de febre aftosa e, portanto, poderemos receber carnes deste estado muito importante do sul do Brasil”, anunciou, nas redes sociais.

De acordo com o ministro chileno, a iniciativa é parte dos esforços para reforçar as relações comerciais entre os dois países, fortalecendo o comércio de produtos agropecuários.

Ele informou ainda que as autoridades chilenas seguem negociando a compra de carne com representantes de outras unidades federativas brasileiras que atendam às exigências fitossanitárias impostas pelo Serviço Agrícola e Pecuário (SAG) do Chile.

Demanda antiga

O reconhecimento chileno é uma demanda antiga dos frigoríficos paranaenses, conforme o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Luis Rua.

“Este é um pleito muito antigo do estado [Paraná] […] e, logo, logo, as empresas paranaenses deverão estar exportando carne suína para o Chile”, comentou Rua, classificando como “muito importante” o anúncio.

Em 2024, o estado foi o terceiro maior exportador de carne suína entre as unidades federativas livre de aftosa.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), no ano passado, as exportações de carne suína (considerando produtos in natura e processados) totalizaram 1,352 milhão de toneladas. O resultado, 10% superior ao de 2023, estabeleceu um novo recorde para o setor, que obteve cerca de US$ 3,03 bilhões com as vendas externas.

Do volume total de carne suína exportada, o Paraná respondeu com 185,5 mil toneladas, ficando atrás apenas de Santa Catarina (730,7 mil toneladas) e Rio Grande do Sul (289,9 mil toneladas).

Mel chileno

concha com melconcha com mel

Em contrapartida à decisão do Chile, o Brasil abriu seu mercado para compra de mel chileno.

“Há uma grande notícia para nosso [chileno] setor apícola. O Brasil decidiu autorizar o ingresso [em território brasileiro] de nossas exportações de mel”, acrescentou Esteban Valenzuela.

Febre aftosa

Desde 2021, a Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa), principal autoridade mundial em saúde animal, reconhece o Paraná como um dos estados brasileiros livre de febre aftosa sem vacinação, ao lado de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso.

Na ocasião, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) celebrou o fato apontando que o reconhecimento internacional “coloca o Paraná em um outro patamar, permitindo-o acessar mercados que pagam mais pelos produtos com essa chancela de qualidade.”

Além disso, em maio de 2024, após o fim da última campanha nacional de imunização, o governo brasileiro anunciou que todo o rebanho nacional está livre da doença.

A autodeclaração nacional é uma etapa necessária para que a Omsa reconheça o status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação ao restante do território brasileiro.



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Boi gordo despenca em Goiás, mas mantém estabilidade em outras praças



O mercado físico do boi gordo abriu a semana mais curta após o final de semana prolongado com inexpressivo fluxo de negócios.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, muitas indústrias seguem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curto prazo.

“Em estados como Mato Grosso, o mais provável é que o mercado siga em viés de alta, considerando o bom volume pluviométrico em abril que mantém as pastagens em boas condições. Goiás também é exceção neste momento, com tentativas de compra em patamares mais baixos. Em outros estados o que se evidencia é a predominante acomodação dos preços”, assinalou.

  • São Paulo: R$ 329,92 – na quinta: R$ 330,25
  • Goiás: R$ 310,71 – antes do feriado: R$ 326,25
  • Minas Gerais: R$ 325,88 – anteriormente: R$ 325,29
  • Mato Grosso do Sul: R$ 319,32 – estável
  • Mato Grosso: R$ 328,38 – na quinta: R$ 329,26

Mercado atacadista

O mercado atacadista apresenta predominante acomodação dos preços no início da semana, e a expectativa é por uma reposição mais lenta ao longo da cadeia produtiva durante o restante do mês.

O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 26,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha segue cotada a R$ 18,50 por quilo.

Exportações de carne

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 795,713 milhões em abril (13 dias úteis), com média diária de US$ 61,208 milhões.

A quantidade total exportada pelo país chegou a 159,328 mil toneladas, com média diária de 12,256 mil toneladas.

O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.994,20. Em relação a abril de 2024, houve alta de 43,1% no valor médio diário da exportação, ganho de 29,8% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,2% no preço médio.



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Preços caem no Paraná; saiba onde mais as cotações da soja recuaram



O mercado doméstico da soja teve bastante lentidão nesta terça-feira. Segundo informações da consultoria Safras & Mercado, o produtor ficou meio fora, com os preços recuando em relação aos patamares observados nas últimas semanas. Por outro lado, os prêmios ficaram estáveis, com poucas variações, enquanto o dólar caiu com força e Chicago subiu pouco. Com isso, os preços no físico recuaram, deixando o mercado travado.

Preços da soja no país

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 131,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 132,00
  • Porto de Rio Grande (RS): caiu de R$ 138,00 para R$ 136,50
  • Cascavel (PR): caiu de R$ 131,00 para R$ 130,00
  • Porto de Paranaguá (PR): caiu de R$ 136,00 para R$ 134,00
  • Rondonópolis (MT): caiu de R$ 118,00 para R$ 116,00
  • Dourados (MS): caiu de R$ 122,00 para R$ 120,00
  • Rio Verde (GO): caiu de R$ 117,00 para R$ 116,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a terça-feira em alta, basicamente por conta de uma recuperação técnica. Outros pontos que ajudaram na sustentação dos preços foram a alta do petróleo, o dólar em patamar baixo frente a outras moedas e a preocupação com chuvas nos Estados Unidos, que poderiam atrasar o plantio.

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A recuperação, no entanto, seguiu limitada pelas preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e China e pela ampla oferta de soja sul-americana entrando no mercado.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório sobre a evolução do plantio das lavouras de soja. Até 20 de abril, a área plantada estava estimada em 8%. Em igual período do ano passado, o número era de 7%. A média para os últimos cinco anos é de 5%. Na semana anterior, o plantio estava em 2%.

Contratos futuros da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com baixa de 5,50 centavos de dólar ou 0,53% a US$ 10,35 por bushel. A posição julho teve cotação de US$ 10,46 por bushel, perda de 4,50 centavos ou 0,43%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com baixa de US$ 0,80 ou 0,26% a US$ 303,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 48,03 centavos de dólar, com baixa de 0,28 centavo ou 0,57%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,36%, negociado a R$ 5,7278 para venda e a R$ 5,7258 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,7191 e a máxima de R$ 5,8021.



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Mercado da soja pressionado por incertezas tarifárias e risco de alta nos juros dos EUA


O mercado internacional da soja enfrenta um momento de forte tensão. Apesar da demanda global continuar firme – sustentada principalmente pela China, que segue como principal compradora – o cenário macroeconômico e geopolítico atual impõe riscos significativos à formação de preços da commodity.

Tarifas, tensões comerciais e volatilidade

As recentes movimentações dos Estados Unidos em ampliar barreiras tarifárias, sobretudo no contexto da guerra comercial com a China, acendem um sinal amarelo para os exportadores. O risco é duplo: por um lado, a elevação de tarifas pode afetar os fluxos comerciais globais e encarecer produtos; por outro, gera instabilidade no apetite dos importadores, que podem postergar compras ou buscar alternativas mais baratas no curto prazo.

O Brasil, que historicamente se beneficia de tensões entre EUA e China, pode até ganhar mercado no curto prazo. No entanto, esse “bônus geopolítico” pode ser anulado por uma retração geral nos preços, caso os compradores globais passem a atuar com mais cautela.

Alta dos juros nos EUA: fuga dos fundos das commodities

Outro fator crítico é a possível alta nos juros americanos. Com a inflação persistente nos Estados Unidos, o Federal Reserve pode ser forçado a manter ou até elevar os juros por mais tempo. Isso torna os ativos de renda fixa norte-americanos mais atrativos, desviando capital especulativo dos mercados de commodities agrícolas, como a soja.

Esse movimento, tecnicamente, pressiona os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT). Mesmo com fundamentos de oferta e demanda relativamente equilibrados, os fundos reduzem posições compradas, o que provoca queda nos preços de curto prazo.

Gráfico técnico aponta fragilidade

Tecnicamente, os contratos da soja têm enfrentado resistência na casa dos US$ 10,70/bushel e suporte em torno de US$ 9,50. A perda deste último nível pode levar a commodity a testar novas mínimas do ano. A forte demanda temporária tem mantido os prêmios nos portos altamente compensadores.

Conclusão: preços pressionados apesar da demanda

Mesmo com a demanda asiática resiliente e estoques globais relativamente controlados, o ambiente macro e político atual gera uma pressão de baixa nos preços da soja. O produtor brasileiro, atento ao câmbio e aos custos internos, precisa redobrar o cuidado na comercialização, evitando vendas precipitadas e monitorando a movimentação dos fundos e do cenário global. A Participação dos fundos, divulgada no dia 18/04/2025, em Chicago aumentou consideravelmente, podendo levar os preços a romperem a resistência de US$ 10,70/bushel.

Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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resultados das provas objetivas são divulgados



Os resultados finais das provas do concurso da Embrapa foram divulgados nesta terça-feira (22), no site da entidade. Confira aqui os nomes aprovados.

As provas, realizadas em 23 de março deste ano, eram voltadas para os seguintes cargos:

  • Técnico (áreas de Laboratório e Campos Experimentais, nas subáreas de Manejo Animal, Manejo Florestal e Mecânica de Precisão);
  • Assistente (subáreas de Manejo Animal e Operador de Máquinas Agrícolas e Veículos).

O cargo que registou o maior número de inscritos foi o de técnico na área de Suprimento, Manutenção e Serviços – subárea de Suporte à Gestão, com 41.790 no total, o que significa 2.199 pessoas por vaga.

A título de comparação, o curso de Medicina, na Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), da Universidade de São Paulo (USP), o mais concorrido do país, tem relação de 96,5 candidatos por vaga.

De acordo com a Embrapa, para os cargos de pesquisador e analista, os resultados estão previstos para a próxima terça-feira (29).

Realização da prova prática

A Embrapa informa que os candidatos aprovados nas provas objetivas precisam acessar o site do Cebraspe, que é a banca organizadora do concurso, no dia 12 de maio, para verificarem os locais de realização da prova prática.

Essa próxima etapa do concurso está prevista para acontecer nos dias 17 e 18 de maio. Já as convocações devem iniciar a partir de junho.

Conforme o site da Embrapa, serão 1.027 vagas para os cargos de pesquisador, analista, assistente e técnico, na classe inicial de cada cargo, e à constituição de cadastro de reserva.

Todos os cargos têm jornada de trabalho de 40 horas semanais e regime de contratação via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Os salários são os seguintes:

  • Assistente (nível fundamental incompleto): R$ 2.186,19;
  • Técnico (nível médio ou técnico – a depender da especialidade): R$ 5.556,81;
  • Analista (nível superior conforme as áreas determinadas no edital): R$ 10.921,33
  • Pesquisador (exige mestrado): R$ 12.814,61



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Fungo da antracnose do milho surgiu na Mesoamérica e se espalhou com ajuda humana


Um estudo internacional identificou que o fungo Colletotrichum graminicola, causador da antracnose do milho, pode ter se originado na Mesoamérica e se espalhado globalmente com auxílio da ação humana. A pesquisa, conduzida por uma rede de cientistas de 17 países, analisou 212 isolados do patógeno coletados em diferentes regiões dos cinco continentes e apontou que a troca de sementes contaminadas foi um dos principais vetores para a disseminação da doença.

De acordo com os dados divulgados pela Embrapa, a análise genética revelou a existência de três linhagens distintas do fungo: norte-americana, brasileira e europeia. A linhagem europeia é a mais virulenta, o que acende um alerta para o risco de novos surtos, especialmente em áreas de clima temperado. A linhagem da América do Norte é considerada a mais antiga, tendo possivelmente atuado como intermediária na dispersão do patógeno para outras regiões agrícolas do mundo.

A pesquisadora Flávia Rogério, colaboradora da Universidade de Salamanca (Espanha) e da Universidade da Flórida (EUA), explicou que isolados argentinos se agruparam na linhagem europeia, indicando uma possível migração genética entre a América do Sul e a Europa. Esse fluxo pode ter sido favorecido por práticas de melhoramento genético em viveiros de inverno, onde sementes contaminadas circulam entre continentes.

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A mobilidade do fungo e a alta taxa de recombinação genética observadas pelos cientistas ajudam a entender a complexidade do controle da doença. Cerca de 80% dos isolados analisados apresentam sinais de mistura genética, fator que dificulta o desenvolvimento de cultivares resistentes. Segundo Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente (SP), o papel da ação humana — sobretudo com o uso de sementes infectadas — é decisivo para a disseminação do patógeno.

Ensaios de laboratório apontaram que isolados diferentes do fungo exibem níveis variados de virulência, com destaque para os europeus, que podem causar perdas totais em condições severas. Na década de 1970, plantações inteiras nos Estados Unidos foram dizimadas por surtos da doença, com prejuízos de até 100% em regiões do centro-norte do país.

Além da antracnose, o milho enfrenta ameaça de outros patógenos como Setosphaeria turcica, que também tem origem no México e trajetória de expansão semelhante. A recomendação dos especialistas é investir em estratégias integradas de manejo, como rotação de culturas, uso de cultivares resistentes, adubação equilibrada e a evitação de plantios sucessivos.





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