domingo, maio 24, 2026

Agro

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CNA propõe R$ 594 bi no Plano Safra e reformas no seguro agrícola



A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou ao Ministério da Agricultura suas propostas para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2025/2026, o Plano Safra. O documento foi apresentado pelo diretor técnico da entidade, Bruno Lucchi, ao secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, nesta quinta-feira (24).

O material foi construído com base em reuniões regionais com federações estaduais, sindicatos rurais, produtores e entidades setoriais de todo o país. A proposta destaca dez pontos prioritários para o próximo Plano Safra, em meio a um cenário que combina restrições domésticas, alta de juros e instabilidade geopolítica.

A CNA defende a revisão das condições operacionais do crédito rural, ampliação dos recursos disponíveis, modernização do seguro agrícola e desburocratização do acesso ao financiamento, especialmente para pequenos e médios produtores.

Entre os principais desafios apontados estão a alta volatilidade cambial, aumento dos custos com insumos e o risco de elevação da taxa Selic para 15% ao ano, o que pode afetar o custo e a oferta de crédito rural.

Segundo a entidade, o Plano Safra tem papel estratégico para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor. Por isso, o documento propõe:

As 10 propostas da CNA para o Plano Safra 2025/26:

  1. Aprovação do PL 2951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, que moderniza o seguro rural e operacionaliza o Fundo Catástrofe.
  2. Garantia de R$ 4 bilhões ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com aplicação integral e suplementação, se necessário.
  3. Disponibilização de R$ 594 bilhões no Plano Safra: R$ 390 bilhões para custeio e comercialização, R$ 101 bilhões para investimentos e R$ 103 bilhões para a agricultura familiar, com execução eficiente dos recursos.
  4. Prioridade a pequenos e médios produtores, com recursos para linhas como Pronaf, Pronamp, PCA, Proirriga, Inovagro e Renovagro.
  5. Melhoria do ambiente de negócios, com redução de burocracias e incentivo à ampliação de fontes de financiamento, como o mercado de capitais.
  6. Modernização do Proagro, com foco em maior eficiência orçamentária e proteção ao produtor rural.
  7. Revisão dos limites de renda dos programas Pronaf e Pronamp, ajustando-os à realidade produtiva atual.
  8. Incentivos a práticas socioambientais, com possibilidade de redução de taxas ou ampliação do limite financiável, sem onerar o produtor.
  9. Harmonização das regras ambientais, eliminando entraves criados por resoluções que extrapolam a legislação vigente.
  10. Combate à venda casada e redução de custos acessórios do crédito rural, por meio de atualização das normas do mercado registrador.



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Embrapa Soja celebra 50 anos com workshop em Londrina; saiba como participar



Para celebrar seus 50 anos, a Embrapa Soja realiza no próximo dia 26 de maio, das 13h30 às 18h, um workshop especial na sede da instituição, em Londrina (PR). Intitulado “Embrapa Soja 50 anos: histórico e perspectivas”, o evento reunirá nomes de destaque da cadeia produtiva da soja para discutir a trajetória da Embrapa e os caminhos futuros da sojicultura brasileira. As inscrições já estão abertas aqui, de forma gratuita.

Fundada em 16 de abril de 1975, a Embrapa Soja tem sido protagonista no avanço tecnológico da cultura no Brasil, contribuindo diretamente para que o país se tornasse líder mundial na produção de soja. O workshop será uma oportunidade para celebrar essas conquistas, refletir sobre os desafios atuais e vislumbrar os próximos passos da pesquisa e inovação no setor.

Especialistas do workshop

O evento contará com dois painéis temáticos. O primeiro, “Liderança brasileira na produção mundial de soja: papel da Embrapa Soja”, terá a presença de Décio Luiz Gazzoni, Antônio Márcio Buainain e Rubens José Campo, com moderação de Ricardo Arioli Silva, da CNA.

Na segunda parte do evento, o painel “Desenvolvimento tecnológico e inovação como base para manutenção da sustentabilidade produtiva da soja brasileira” reunirá Maurício Buffon (Aprosoja Brasil), Carlos Ernesto Augustin (Ministério da Agricultura), Romeu Kiihl e José Francisco Ferraz de Toledo, sob a moderação de Alexandre Lima Nepomuceno, atual chefe-geral da Embrapa Soja.

Programação

A programação do evento começa às 13h30, com a recepção dos convidados e a solenidade de abertura. Em seguida, às 14h15, será realizado o Painel 1, que abordará o papel da Embrapa Soja na liderança brasileira na produção mundial de soja. Após um intervalo para café às 15h45, o evento retoma às 16h10 com o Painel 2, dedicado ao debate sobre desenvolvimento tecnológico e inovação na sojicultura. O encerramento está previsto para as 18h.



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Onça que matou caseiro em fazenda no Pantanal é capturada pela polícia



A força-tarefa da PMA (Polícia Militar Ambiental) capturou, na madrugada desta quinta-feira (24), a onça-pintada que atacou e matou o caseiro Jorge Ávalo, 60 anos, próximo ao pesqueiro Touro Morto, no município de Aquidauana, no Pantanal sul mato-grossense.

O caso aconteceu na segunda-feira (21) e o animal, um macho, foi apanhado com o apoio de um especialista em animais de grande porte e guias locais. O onça é monitorada – temperatura e frequência cardíaca –, e será levada para o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande.

“Vamos avaliar e tentar entender o que aconteceu”, disse o pesquisador Gediendson Araújo, que participou da captura da onça.

Na quarta-feira (23), durante coletiva de imprensa o secretário-executivo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, explicou que ataques de onças, como o que ocorreu, são extremamente incomuns na região.

“Estamos diante de um caso muito atípico. Esse não é um comportamento habitual da espécie. A captura do animal é essencial para entendermos o que motivou essa atitude e para que possamos estudar seu comportamento com mais precisão”, afirmou Falcette.

As câmeras de segurança instaladas na sede da fazenda onde o ataque ocorreu, além de vídeos e fotos que registram a rotina dos animais nas proximidades da sede, foram encaminhadas para perícia. O material pode ajudar a esclarecer o comportamento da onça-pintada e fornecer pistas sobre os momentos que antecederam o ataque.

“Uma das poucas certezas até o momento é a de que havia oferta de alimento, conhecido como ceva, para atrair animais silvestres no local. A prática, além de configurar crime ambiental, é extremamente perigosa, pois pode provocar alterações no comportamento natural dos animais”, disse o coronel José Carlos Rodrigues, comandante da PMA.





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Avicultura, a década da afirmação


A avicultura de corte brasileira é uma incontestável potência, o Brasil tem uma posição privilegiada em termos de produção, flutuando entre segundo e terceiro principal maior produtor de carne de frango,atrás dos Estados Unidos e dividindo a segunda posição com a China. O posicionamento do Brasil no mercado global, além da própria evolução da demanda doméstica, vai exigir o crescimento da produção de carne de frango. Essa premissa também se aplica às demais proteínas de origem animal, além de outros alimentos.

O papel brasileiro no mercado global é bastante evidente. Para se ter dimensão da representatividade do país nas exportações, o Brasil já se aproxima de 40% da corrente de comércio global da carne de frango, com uma capacidade singular de compreender e atender às demandas dos mercados mais exigentes, passando pela Europa, Oriente Médio e restante da Ásia.

A evolução da avicultura de corte é um case de sucesso que precisa ser replicado por outros segmentos. O primeiro passo que permitiu a mudança de dimensão do país no mercado global são as integrações, a verticalização da produção, com as grandes indústrias e cooperativas guiando todas as instâncias aumentou de maneira avassaladora a capacidade produtiva do país.

O melhoramento genético, o refino das técnicas de manejo, os avanços da biosseguridade, todos são elementos que justificam a posição de vanguarda do Brasil no mercado internacional.

O somatório de investimento, pesquisa e da dedicação dos milhões de profissionais ligados a avicultura de corte renderam frutos que levaram o setor a um nível de excelência que não se encontra na produção de carne de frango em outros países.

O trabalho de biosseguridade é um capítulo a parte, considerando um imenso diferencial em um momento de muitas fragilidades no hemisfério norte, com a influenza aviária exigindo mudanças de rota em mercados de grande relevância, a exemplo dos Estados Unidos e da Europa. A “blindagem” sanitária desenvolvida pelo Brasil beira a perfeição, mesmo assim o Brasil não está 100% livre de ocorrências, considerando por exemplo o caso isolado de Newcastle em uma granja gaúcha em 2024.

O crescimento da produção de carne de frango, ovos e de carne suína exigirá cada vez mais da produção de grãos do Brasil. Felizmente para o país, há muitas terras agricultáveis que podem ser exploradas pelo país sem a necessidade de abertura de novas áreas. Possuir mais de 160 milhões de hectares de pastagem que podem se tornar lavouras de milho, soja ou outras commodities se torna uma vantagem incontestável, aumentando o potencial de expansão das safras do Brasil.

As vantagens comparativas que o Brasil possui em relação a seus concorrentes é um fator que justifica a expectativa de crescimento ordenado das exportações brasileiras, sem gerar quadros de escassez de oferta. Como se sabe, a carne de frango ocupa um papel essencial na dieta da população brasileira, figurando como uma proteína de altíssima qualidade, baixo custo que atende todas as famílias.

A década tem sido espetacular para a avicultura de corte brasileira, enfileirando recorde sobre recorde nas exportações, com uma demanda doméstica cativa, ganhando competitividade, se comparado às proteínas concorrentes. A década passada foi a década da expansão; a década atual é a década da afirmação! O setor tende a crescer em ótimos níveis, promovendo a criação de novos postos de trabalho e expandindo a renda dos profissionais envolvidos na atividade.

Como desafios podem ser citados nesse espaço as incertezas causadas pelas políticas cada vez mais protecionistas ao redor do mundo, além das questões sanitárias. Apesar do Brasil ser referência global em biosseguridade não é possível relaxar na fiscalização, já foram relatados casos recentes na Argentina, manter a assertividade das medidas de proteção é algo imprescindível.

O papel do governo está na manutenção dessas medidas protetivas mais rigorosas que tornaram o país referência em sanidade animal e de zelar pelas commodities brasileiras nas negociações bilaterais, para que não haja graves prejuízos para um setor que emprega milhões de pessoas. O trabalho conduzido ao longo dessa década é algo exemplar, com abertura de novos mercados, expansão de mercados já cativos, a iniciativa público/privada rendeu frutos para o setor. O restante da década tem tudo para afirmar a avicultura de corte brasileira como grande potência nas exportações.

Fernando Henrique Iglesias, coordenador Safras & MercadoFernando Henrique Iglesias, coordenador Safras & Mercado

*Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)


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Cecafé recebe chineses e reforça liderança sustentável do café brasileiro



Em entrevista concedida a jornalista e apresentadora do Mercado & Companhia, Pryscilla Paiva, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, falou sobre o protagonismo chinês nas exportações brasileiras, o impacto das novas exigências ambientais e as perspectivas diante do pedido da associação americana de isenção tarifária para o café brasileiro.

Segundo a entidade, a visita fortalece a parceria entre os países e posiciona o Brasil como fornecedor confiável e sustentável em um mercado cada vez mais exigente.

A entrevista foi exibida na edição de hoje (24) do telejornal, e pode ser conferida em nosso canal do Youtube.



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Chuva de 100 mm em apenas 24h pode trazer caos a região com 20 milhões de pessoas



Entre a tarde e a noite desta quinta-feira (24) e o decorrer da sexta (25), chuvas fortes com ventania devem atingir grandes áreas do estado de São Paulo, prevê o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A Região Metropolitana, incluindo a capital, prometem ser as áreas mais atingidas. Mais de 20 milhões de pessoas vivem nessas regiões, conforme o último Censo.

O órgão indica que as precipitações podem chegar a 100 mm em apenas 24 horas, acompanhadas de rajadas de vento que, pontualmente, podem superar os 80 km/h, além de uma pequena chance de queda de granizo. Tais condições são propícias para enchentes, deslizamentos, quedas de árvores e de energia elétrica.

Segundo o Instituto, a tempestade no território paulista é causada por um sistema de baixa pressão, calor e alto teor de umidade presentes sobre o continente.

Essa mesma condição de chuvas intensas abrange áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul, que já registraram temporais com volumes significativos desde quarta-feira (23).

A cidade sul-matogrossense de Coxim, por exemplo, registrou até as 8h desta quinta 46,8 mm de chuva, conforme medição da estação do Inmet no município.

Chuva pelo país

No decorrer de quinta e sexta, as chuvas podem atingir áreas do Triângulo e do centro-sul de Minas Gerais, além de regiões do Rio de Janeiro, avalia o Inmet.

No Paraná, as áreas mais afetadas poderão ser o norte, o noroeste e o sudoeste do estado, com destaque para os municípios de Londrina, Campo Mourão e Ponta Grossa.

As regiões Norte, Centro-Oeste e partes do Nordeste, Sudeste e Sul também têm previsão de chuva, mas com grau de severidade menor, com volumes que não devem ultrapassar 50 mm.



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AgroNewsPolítica & Agro

Massey Ferguson une arte e agricultura com pintura ao vivo de colheitadeira na Agrishow 2025



A obra, intitulada “Agricultor”, é uma homenagem aos produtores


Foto: Divulgação

 A Massey Ferguson, referência no mercado agrícola brasileiro, levará para a Agrishow 2025, realizada em Ribeirão Preto (SP) de 28 de abril a 2 de maio, uma iniciativa que integra arte e tecnologia no campo. Durante o evento, os visitantes poderão acompanhar ao vivo a pintura de uma colheitadeira modelo MF 6690 HD pela artista Jaque Vieira, conhecida por suas obras que celebram a identidade brasileira por meio de cores e formas vibrantes.

A obra, intitulada “Agricultor”, é uma homenagem aos produtores rurais que, com dedicação e o apoio da tecnologia, impulsionam o agronegócio e o desenvolvimento do país. A ação reforça o compromisso da Massey Ferguson em conectar tradição, inovação e criatividade, destacando a relevância do setor agrícola.

“Unir arte e agricultura é uma forma de valorizar o trabalho do homem do campo. A arte tem o poder de contar histórias e, nesse caso, ela representa a força do agricultor e a essência do agro brasileiro”, afirma Kellen Bormann, diretora de Vendas da Massey Ferguson.

A pintura será realizada no estande da marca durante os dias de feira, oferecendo aos visitantes a oportunidade de interagir com a artista e acompanhar cada etapa da criação.

 





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Como guerras e crises moldaram o preço das commodities nos últimos 120 anos


Ao longo dos últimos 120 anos, os preços das commodities agrícolas viveram uma verdadeira montanha-russa. Muito além das variáveis climáticas e safras abundantes ou frustradas, foram os grandes eventos históricos — guerras, colapsos financeiros e transformações geopolíticas — os principais responsáveis por sacudir esses mercados (veja detalhes no gráfico abaixo).

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) provocou escassez de alimentos na Europa e impulsionou os preços agrícolas, especialmente nos países exportadores como os Estados Unidos, o Canadá e a Argentina. O Brasil se beneficiou com o café, mas o fim da guerra trouxe uma forte retração da demanda.

A Crise de 1929, com o colapso da Bolsa de Nova York, mergulhou o mundo em uma depressão. Os preços das commodities agrícolas despencaram. O café brasileiro, por exemplo, foi estocado e até queimado para conter a superoferta.

gráfico flutuação commodities agrícolas gráfico flutuação commodities agrícolas
Foto: Elaboração própria

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) novamente elevou a demanda por alimentos e fibras. O trigo e o algodão dispararam, impulsionados pela logística militar. Mas no pós-guerra, a reconstrução europeia e o Plano Marshall reordenaram os fluxos comerciais, favorecendo a mecanização agrícola e o aumento da oferta global.

Os anos 1970 marcaram outro período de volatilidade. O choque do petróleo de 1973 gerou inflação global e levou investidores a buscar refúgio nas commodities. A crise do trigo e do açúcar marcou a década, com países estocando alimentos por segurança.

A década de 2000 trouxe uma nova dinâmica: a ascensão da China e da Índia no consumo global. A soja virou protagonista, impulsionada pela demanda asiática por ração animal. Crises como a de 2008 (subprime) e, mais recentemente, a pandemia da Covid-19 e a Guerra da Ucrânia, também tiveram efeitos explosivos: interrupção de cadeias logísticas, pânico nos mercados e novos picos de preços.

O fator especulação financeira ganhou força nas últimas décadas. A entrada de fundos de investimento e algoritmos de alta frequência nas bolsas de commodities aumentaram a sensibilidade dos preços a notícias macroeconômicas, como decisões de juros nos Estados Unidos ou tensões entre potências.

E o futuro?

Um novo risco sistêmico começa a ganhar corpo: a possível perda da hegemonia econômica dos Estados Unidos e do dólar como moeda central do comércio global. Se confirmada, essa transição pode abalar profundamente o sistema de precificação das commodities.

Uma multipolaridade monetária — com yuan, euro ou moedas digitais soberanas disputando espaço — traria incertezas cambiais, fragmentação de mercados e enfraquecimento das bolsas americanas como referência global.

Em outras palavras: um cenário de alta volatilidade, menos previsibilidade e mais riscos para produtores e investidores.

É importante destacar que o comportamento das commodities agrícolas é um espelho do mundo: reflete não apenas o clima nos campos, mas, sobretudo, os humores da geopolítica e das finanças globais.

E, agora, diante da instabilidade do império que moldou essas regras por mais de um século, o mercado agrícola poderá enfrentar sua maior prova: sobreviver ao fim da era do dólar como âncora.

Miguel DaoudMiguel Daoud

Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Produtores pedem por mais transparência na classificação da soja



A safra de soja em Mato Grosso foi marcada por bom desempenho. O clima colaborou e 100% da área plantada foi colhida com sucesso. No entanto, os custos elevados, com destaque para o óleo diesel, e os preços achatados do grão impactaram diretamente na rentabilidade do produtor. Serviços, mão de obra e reajustes em contratos de arrendamento também aumentaram os desafios, especialmente para quem depende de terras arrendadas, dificultando o planejamento da próxima safra de soja.

Outro ponto que tem gerado preocupação entre os produtores é a divergência na classificação da soja. Em alguns casos, foram relatados descontos considerados excessivos no momento da entrega da produção. Um dos episódios envolve um contrato de 41 mil sacas, que foi negociado por meio de barter com uma empresa que, posteriormente, repassou o grão a uma multinacional. Esta, por sua vez, terceirizou o processo de classificação a uma empresa que enviou um técnico à propriedade rural.

O laudo apresentado foi imediatamente contestado pelo produtor, que apontou inconsistências na avaliação, como a suposta presença de impurezas, carrapicho e insetos. Para esclarecer a situação, foi solicitado um novo laudo, dessa vez por um classificador credenciado pela Aprosoja Mato Grosso. A análise atestou que a carga estava dentro dos padrões exigidos por lei. Ainda assim, a multinacional não compareceu para acompanhar a reavaliação técnica, mesmo diante da divergência entre os laudos.

Casos como esse acendem o sinal de alerta. De acordo com os produtores de soja, episódios dessa natureza comprometem a confiança nas relações comerciais e geram insegurança justamente no período mais sensível da cadeia: a comercialização. Atualmente, estima-se que entre 40% e 50% da soja colhida na região ainda não foi vendida, e cerca de 60% continua estocada em armazéns.

A Aprosoja Mato Grosso destaca a relevância do programa Classificador Legal, que oferece apoio técnico com classificadores credenciados pelo MAPA, garantindo análises precisas, justas e alinhadas com as exigências legais. A entidade também reforça a importância de que as tradings atuem com profissionais habilitados localmente, o que contribuiria para reduzir conflitos e assegurar maior transparência nas negociações.



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Dia Nacional do Churrasco traduz a força da pecuária e a arte de ser brasileiro



Apesar de ser celebrado em diferentes dias, o churrasco é homenageado com uma data especial no Brasil, na Argentina e também nos Estados Unidos. A tradição de assar a carne na brasa é um pouco diferente nesses países, mas com certeza o Brasil se destaca na arte da churrascada. 

Por aqui, existe uma simbologia por trás do churrasco, principalmente relacionada a reunir a família e os amigos próximos no almoço de domingo. Personagens como o tio da churrasqueira já fazem parte do folclore suburbano. Mas mesmo presente em todo o território nacional, é claro que o Dia do Churrasco teria que ser instituído no Rio Grande do Sul.

Os gaúchos são reconhecidamente os melhores churrasqueiros do país. A data foi escolhida em homenagem ao dia 24 de abril de 1948, quando foi fundado o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) em Porto Alegre. A data homenageia também o setor produtor de carnes no Brasil, que é o segundo maior do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Entre selecionar os melhores cortes, os temperos, a temperatura do fogo, o ponto de cozimento da carne e diversos outros pontos, a arte do churrasco é complexa, mas já está na ponta dos dedos – e dos espetos – dos brasileiros. Ao lado de outras tradições como o futebol e o carnaval, não há nada tão brasileiro quanto um churrasco com a família. 

*Sob supervisão de Victor Faverin



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