
Tudo começou em um armazém, aos 15 anos. Natural de Fátima do Sul (MS), a trajetória de Maikon Costa deu o pontapé inicial em Sorriso, no Mato Grosso, onde iniciou sua carreira no setor de soja. De lá para cá, construiu uma história marcada por esforço, reinvenção e propósito. Hoje, aos 30, é engenheiro agrônomo, produtor rural, empresário e referência nas redes sociais como educador agro.
A história de Maikon começa como garçom em uma pizzaria. Foi nesse ambiente que ele chamou a atenção de um cliente, que o convidou a trabalhar como balanceiro de caminhão em um armazém de grãos. A partir desse momento, percorreu todos os setores da empresa até assumir a função de encarregado administrativo.
Seu primeiro grande desafio surgiu quando decidiu migrar para a área comercial. Mesmo sem apoio inicial, Maikon demonstrou seu valor: em apenas três meses como assistente, superou vendedores experientes em volume de vendas. Aos 18 anos, ingressou oficialmente na área comercial de uma multinacional do setor agrícola.
Seu mais novo projeto está localizado no estado do Amapá e envolve toda a cadeia produtiva, desde o cultivo até a industrialização, armazenamento, empacotamento e comercialização.
Apesar das conquistas, Maikon ressalta que seu maior orgulho não está nos resultados financeiros, mas na transformação de vidas. Ele utiliza sua trajetória como inspiração para formar uma nova geração de profissionais do agronegócio, mais conectados, preparados e humanos.
Com presença ativa nas redes sociais, Maikon se destaca por sua linguagem acessível e prática. Compartilha aprendizados, estratégias de vendas, técnicas agronômicas e mensagens motivacionais. Seu lema é direto: “O agro é uma ponte para transformar vidas.”
Para ele, o setor agropecuário precisa de mais do que conhecimento técnico. “Não adianta saber tudo de adubo se você não souber conversar com o produtor. Não adianta ter a melhor lavoura se você não sabe vender”, afirma.
Defensor de um agro mais eficiente e sustentável, Maikon incentiva o uso de tecnologia de precisão, bioinsumos, gestão por dados e soluções digitais. Mas destaca que o mais importante ainda são as pessoas.
“O agro não é só lavoura. É gente, é família e comunidade”, costuma dizer. Ele acredita que a internet democratizou o acesso ao conhecimento e ao mercado: “Você pode estar no interior do Amapá e ainda assim se conectar com o mundo, aprender, vender, crescer. Foi assim que eu fiz, e é isso que eu ensino.”
Maikon encerra suas palestras e publicações sempre com uma mensagem de esperança e ação. “Se você é do agro, não importa onde começou. Importa onde quer chegar. E com trabalho, fé e estratégia, o campo abre as portas. Sempre abriu para mim, agora quero ajudar a abrir para outros.

O fim da isenção de Imposto de Renda a títulos privados e a determinados fundos não prejudicará o produtor, disse nesta quarta-feira (11) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Em audiência conjunta das Comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que a medida, que integra o pacote para compensar a alta no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), corrigirá distorções no mercado financeiro.
“Quando a gente fala de reduzir um pouco o benefício fiscal de título isento é porque estamos com uma Selic de quase 15% ao ano. Nem o Tesouro Nacional está conseguindo concorrer com esses títulos privados. Isso não é demonizar a construção civil. Talvez esse governo seja o maior amigo da construção civil. Metade da construção civil depende do Minha Casa, Minha Vida, que tinha acabado [no governo anterior]”, declarou o ministro.
Conforme a medida provisória que deve ser publicada ainda esta semana, a isenção de Imposto de Renda (IR) sobre as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito ao Agronegócio (LCA), fundos imobiliários e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) deixará de existir a partir de 2026. Pela proposta, esses investimentos pagarão 5% de Imposto de Renda (IR).
Haddad ressaltou que a maior parte dos benefícios da isenção do IR não fica com os produtores.
“Esses benefícios fiscais não vão para o produtor, 60% a 70% ficam no meio do caminho, com o detentor do título ou o sistema bancário. Não fica com o produtor. A gente está vendo essas distorções e procurando corrigir”, disse o ministro.
Haddad negou que a correção de distorções signifique alta de imposto. “Isso não é aumento de tributo. É correção de distorção. São R$ 41 bilhões de renúncia fiscal nos títulos isentos. É mais que o seguro desemprego inteiro. São três [programas] Farmácia Popular. Do que estamos falando? É do tamanho do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, declarou.
Haddad também negou que o agronegócio será prejudicado e ressaltou que o atual governo beneficia o setor com R$ 158 bilhões de renúncias fiscais e com Planos Safras recorde.
“No caso do agro, o governo está prejudicando? Nós fizemos o maior Plano Safra do Brasil pelo segundo ano consecutivo. E a renúncia fiscal do agro é de R$ 158 bilhões. Vamos negar que estamos patrocinando o agro brasileiro? Sou orgulhoso da agricultura brasileira”, declarou.
Assim como na reforma do Imposto de Renda em tramitação no Congresso, Haddad ressaltou que as medidas para compensar a alta do IOF se concentrarão nos mais ricos e atingirão uma parcela ínfima da população.
Segundo o ministro, a aprovação do pacote ajudará a cumprir as metas do arcabouço fiscal, trazendo mais crescimento no médio prazo.
“Só 0,8% da população está afetada por todas as medidas de equilíbrio fiscal e redução da renúncia tributária. Em benefício do quê? Mais crescimento, menos taxa de juros, mais emprego, mais igualdade. Isso vai permitir mais espaço para investimento”, declarou.
O recuo do governo sobre o aumento abrupto das alíquotas do IOF, anunciado como resposta à forte reação política e institucional, não foi suficiente para acalmar tributaristas e o mercado. A nova Medida Provisória, que substitui o decreto inicial, mantém o foco em ampliar a arrecadação — agora com a taxação de apostas eletrônicas (bets), fim das isenções para LCI e LCA, prováveis restrições ao uso dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) e mudanças na tributação das fintechs.
Para o advogado Luís Garcia, sócio do Tax Group e do MLD Advogados Associados, a estratégia revela um cenário preocupante. “Os sucessivos e repentinos aumentos de tributos, sem nenhum sinal concreto de redução de gastos, apontam para um futuro com queda de investimentos, que pode gerar desemprego, inflação e desaceleração do consumo. Muito embora sejam de conhecimento geral os efeitos danosos da combinação de juros altos e carga tributária elevada, o governo parece não se dar conta disso.”
Garcia também alerta para uma das frentes menos discutidas do pacote: a intenção de aproximar a tributação das fintechs à das instituições financeiras tradicionais, como os bancos. “Hoje, as fintechs, por operarem com limites menores de faturamento, podem optar pelo regime do Lucro Presumido, enquanto os bancos estão submetidos ao Lucro Real. A principal diferença está na alíquota da CSLL: 9% para fintechs, contra 20% para bancos. O governo quer igualar esse percentual, o que pode inviabilizar parte do modelo de negócio dessas empresas”, explica.
“As fintechs exercem papel fundamental na democratização dos serviços financeiros, que deverão ficar mais caros. Mais preocupante ainda é o possível aumento no custo do crédito, o que traz entraves à economia, reduz investimento e consumo e penaliza diretamente o consumidor.”
Na avaliação da advogada Livia Heringer, do escritório Ambiel Belfiore Gomes Hanna Advogados, o uso político do IOF desvirtua o papel técnico do tributo e compromete a previsibilidade regulatória: “A recorrente utilização do IOF como instrumento de ajuste fiscal evidencia a fragilidade da estratégia econômica adotada. O imposto, que tem natureza regulatória e deveria cumprir função específica, está sendo manejado com viés arrecadatório, sem a devida transparência e sem diálogo com o setor produtivo. Isso compromete a segurança jurídica e desestimula o investimento privado.”
O tributarista Eduardo Natal, sócio do Natal & Manssur Advogados e presidente do Comitê de Transação Tributária da ABAT, também critica a condução do tema: “Vemos a repetição da estratégia do ‘bode na sala’: cria-se um impacto abrupto para depois suavizar a proposta original, mantendo o aumento de carga tributária como plano viável.”
“Trata-se, mais uma vez, de uma reconfiguração unilateral da carga tributária, que escancara a prioridade arrecadatória da atual política econômica. Ao invés de uma plataforma estruturada de revisão de gastos públicos, a solução recai invariavelmente sobre o aumento de tributos. Isso afasta a previsibilidade necessária ao ambiente econômico.”
O novo pacote prevê:
As exportações brasileiras de ovos, que incluem produtos in natura e processados, atingiram 5.358 toneladas em maio, um aumento de 295,8% em relação às 1.354 toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
A receita proveniente desses embarques em maio também apresentou alta expressiva, somando US$ 13,756 milhões, o que representa um crescimento de 356,2% comparado aos US$ 3,015 milhões registrados em maio de 2024.
No acumulado do ano, de janeiro a maio, as exportações de ovos totalizaram 18.357 toneladas, um volume 165,6% superior às 6.912 toneladas exportadas no mesmo período do ano anterior. Em termos de receita, os cinco primeiros meses do ano somaram US$ 42,100 milhões, com um saldo 195,8% maior em relação aos US$ 14,235 milhões registrados no ano anterior.
Os Estados Unidos consolidaram-se como o principal destino das exportações brasileiras de ovos, com um crescimento de 996% entre janeiro e maio deste ano, totalizando 9.735 toneladas. O Chile aparece em seguida, com 2.354 toneladas (+10,8%), seguido pelos Emirados Árabes Unidos, com 1.422 toneladas (-13,8%), e o Japão, com 1.422 toneladas (160,9%). O México registrou 1.050 toneladas, sem período comparativo.
No comparativo mensal de maio de 2025 com maio de 2024, os Estados Unidos registraram um crescimento ainda mais acentuado de 1.384%, com 4.166 toneladas exportadas. O Chile figurou em segundo lugar, com 534 toneladas (-22,3%), seguido pelo México, com 232 toneladas (sem período comparativo), Japão, com 205 toneladas (+132,7%), e Angola, com 102 toneladas (sem período comparativo).

A segurança jurídica dos produtores rurais que vivem em áreas próximas à fronteira depende da aprovação do Projeto de Lei nº. 4.497, de 2024, que está em tramitação no Congresso. A proposta prevê a ampliação do prazo e a definição de regras claras para que produtores de soja e outras culturas possam regularizar os registros das terras públicas localizadas na faixa de fronteira, região de até 150 quilômetros das divisas do Brasil com países vizinhos, como a Bolívia, em Mato Grosso.
Por isso, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) apoia o projeto e defende sua aprovação com urgência para evitar que agricultores que vivem nessas áreas há décadas sejam tratados como posseiros e percam o direito às suas propriedades.
Segundo a Lei 13.178, de 2015, os imóveis rurais situados em áreas de fronteira devem ter seus registros confirmados até outubro de 2025. Caso isso não ocorra, as terras poderão ser incorporadas ao patrimônio da União e os proprietários poderão ser considerados apenas ocupantes, sem direito a indenização em caso de desapropriação.
Em Mato Grosso, muitos desses títulos foram emitidos pelo antigo Departamento de Terras e Colonização, atualmente Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), sem a aprovação das autoridades federais competentes. Isso gera insegurança para os produtores, pois muitos possuem suas propriedades há mais de 30 ou 40 anos e correm o risco de perder o direito legal sobre elas.
Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT, destaca que o apoio ao projeto busca garantir mais tempo para que os produtores regularizem seus imóveis, assegurando-lhes segurança jurídica. Sem essa prorrogação, muitos podem ser tratados como simples posseiros.
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, reforça a urgência da aprovação, pois muitos imóveis em faixa de fronteira ainda precisam atender a exigências legais federais e o prazo atual é insuficiente. O vice-presidente Luiz Pedro Bier ressalta o papel fundamental da entidade no debate e a preocupação com o curto prazo para o cadastramento das propriedades.
No Brasil, a faixa de fronteiras engloba 588 municípios, dos quais 28 estão parcial ou totalmente localizados em Mato Grosso. A regularização dessas terras é essencial para evitar insegurança jurídica e proteger o patrimônio de famílias que vivem nessas áreas há gerações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após anunciar a realização de um acordo comercial com a China, afirmou que deve trabalhar junto ao líder chinês, Xi Jinping, “de forma próxima para abrir a China ao comércio americano”.
Em publicação na Truth Social, Trump pontuou que a abertura chinesa seria “uma grande VITÓRIA para ambos os países!!!”.
Mais cedo, também na rede social, Trump disse que os EUA terão um “total de tarifas de 55%, enquanto a China terá uma de 10%”, também sem detalhes.
“A relação é excelente”, acrescentou o presidente norte-americano.

A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), no sul de Minas Gerais, considerada a maior do mundo no setor, informou que a colheita do grão atingia 13,7% na sua área de atuação (sul de Minas, Cerrado Mineiro, média Mogiana do estado de São Paulo e Matas de Minas), até sexta-feira passada (6).
Na semana anterior, o índice era de 10,1%. Na mesma época do ano passado, a colheita alcançava 13,6%, 12,9% em 2023 e 7,1% em 2022.
A Cooxupé diz que está presente em cerca de 360 municípios da região de atuação. Até sexta-feira passada, o andamento da colheita alcançava: 17,1% (sul de Minas); 6% (Cerrado Mineiro); São Paulo (20,8%) e Matas de Minas (20%).

As importações brasileiras de arroz cresceram em maio, atingindo o maior volume desde fevereiro/25 e ultrapassando o total embarcado. Isso de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Cepea.
Os valores médios tanto de importação quanto de exportação ficaram acima dos praticados internamente. Foram 126,12 mil toneladas de arroz em casca adquiridas em maio/25, alta de 26,53% frente ao mês anterior, mas queda de 10,06% sobre maio/24.
Os embarques totalizaram 92,16 mil toneladas, volume 9,78% superior ao de abril, mas 10,76% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. O mercado doméstico, por sua vez, vem apresentando baixa liquidez, conforme apontam levantamentos do Cepea.
Entre os compradores, o comportamento variou nos últimos dias. Enquanto alguns agentes seguiram ativos, mas oferecendo preços menores, outros se mantiveram afastados. A movimentação se deu frente às dificuldades para repassar custos levando produtores a optarem por não formar estoques, já que os valores vêm recuando semanalmente.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

O mercado de algodão em pluma iniciou o mês de junho com os preços ainda oscilando dentro de um pequeno intervalo em meio à lentidão dos negócios. É isso que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo o Centro de Pesquisas, alguns vendedores têm optado por liquidar lotes da safra 2023/24, enquanto compradores com menor estoque ficam ativos pontualmente no spot. O foco dos agentes, contudo, têm sido o fechamento de contratos a termo, para recebimento do produto nos próximos meses ou mesmo em 2026.
O instituto aponta que, faltando pouco mais de dois meses para encerrar a temporada 2024/25, o Brasil exportou 2,61 milhões de toneladas de algodão em pluma. de agosto/24 até a primeira semana de junho/25. Valor este que representa queda de 3% em relação ao total escoado em toda a safra anterior.
Em maio, especificamente, foram embarcadas 192,2 mil toneladas. O que é 19,6% abaixo do volume de abril de 2025. O volume ainda é 16,2% menor no comparativo com maio de 2024, também conforme números da Secex.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo