quarta-feira, maio 20, 2026

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Preço do glifosato vem aumentando: E agora?



O glifosato responde por cerca de 30% do mercado global de herbicidas



O glifosato responde por cerca de 30% do mercado global de herbicidas
O glifosato responde por cerca de 30% do mercado global de herbicidas – Foto: Divulgação

Desde meados de maio, o preço do glifosato, herbicida mais usado no mundo, vem registrando alta gradual. Em junho, o pó técnico a 95% subiu 2,6% em relação ao início de maio. Este movimento é impulsionado pela retomada das exportações chinesas para a América do Sul, que atingem pico entre junho e agosto. Além disso, a expansão do cultivo de transgênicos e a eliminação de outros herbicidas, como o paraquate, reforçam a tendência de demanda firme, o que sustenta as cotações.

Nesse cenário, o glifosato responde por cerca de 30% do mercado global de herbicidas. Depois de picos superiores a 80.000 yuans por tonelada em 2021, os preços recuaram, pressionando as margens. Com estoques na China reduzidos a 51.200 toneladas em junho, o que representa quase 8% a menos em um ano, e encomendas agendadas até julho, especialistas indicam que o cenário de preços baixos tornou o reajuste inevitável, além de necessário para reequilibrar a cadeia.

A produção global é altamente concentrada em poucos players. A Monsanto, da Bayer, lidera com 370 mil toneladas anuais, enquanto empresas chinesas como Xingfa Group (230 mil t), Fuhua Chemical (180 mil t) e Xinan Chemical (80 mil t) dividem o restante. O Xingfa confirmou que sua produção já está comprometida e que o aumento de preços deve melhorar o desempenho financeiro. Já a Fuhua reforça sua posição com uma cadeia produtiva integrada e certificação de baixo carbono reconhecida na União Europeia, fator que amplia sua competitividade externa.

Apesar do risco de falência da Monsanto, caso a Bayer não consiga contornar processos judiciais, a perspectiva é de que a demanda por glifosato siga crescendo em 2025. O tema será aprofundado no Workshop de Exportação de Pesticidas da China (CPEW), nos dias 10 e 11 de julho, em Hangzhou, onde fabricantes e compradores debaterão estratégias para superar gargalos e elevar o padrão de qualidade do setor. 

 





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Trânsito na BR-287 sofre bloqueios após cratera abrir cabeceira de ponte no RS



Volume elevado das águas do Arroio Divisa causou a abertura de uma cratera




Foto: Dnit

O tráfego na BR-287 foi interrompido na manhã desta terça-feira (17) após o rompimento de uma das cabeceiras da ponte que conecta os municípios de Jaguari e São Vicente do Sul, na Região Central do Rio Grande do Sul.

Segundo informações divulgadas pelo Diário de Santa Maria, o volume elevado das águas do Arroio Divisa causou a abertura de uma cratera em uma das cabeceiras da estrutura. A outra lateral da ponte também apresentou rachaduras preocupantes, comprometendo a segurança no local.

Ao longo do dia, equipes técnicas trabalharam para restabelecer o tráfego. No fim da tarde, o trecho foi parcialmente liberado sob sistema de pare e siga, permitindo a passagem alternada de veículos em ambos os sentidos.

A expectativa, conforme técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), era de que o tráfego fosse normalizado completamente até o fim da noite desta terça-feira, caso as condições climáticas permitissem a conclusão dos reparos emergenciais.

Enquanto isso, o Dnit orienta os motoristas que preferirem evitar o ponto de bloqueio a utilizarem uma rota alternativa pelas rodovias RS-241 e RS-377, retornando à BR-287 pelo município de São Francisco de Assis.





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RS tem mais um dia de chuvas e alerta de inundação



O tempo instável deve persistir até o fim da semana




Foto: Arquivo

A quinta-feira (19) começou com chuvas intensas no Rio Grande do Sul. A Defesa Civil estadual renovou os alertas em razão da continuidade das instabilidades que atingem diversas regiões. Cidades como Horizontina, Três de Maio, Santo Ângelo e Ijuí seguem sob condição de alerta severa, com alto risco de alagamentos.

Segundo comunicado emitido pela Defesa Civil, a situação se agravou também na região da Fronteira Oeste. Um novo alerta foi publicado para o rio Ibicuí, com condição severa de inundação. O destaque vai para o município de Manoel Viana, onde o risco é considerado muito alto de enchentes. A orientação é clara: evitar áreas de risco e, em caso de emergência, acionar os números 190 ou 193. O alerta é válido até às 6h40 desta sexta-feira, 20 de junho.

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O acúmulo de chuvas nas últimas 24 horas ultrapassou os 100 mm em algumas localidades, contribuindo para o transbordamento de rios, alagamentos urbanos e encharcamento do solo. A Defesa Civil pede atenção redobrada da população e reforça a importância de seguir os protocolos dos Planos de Contingência Municipais, que orientam como agir em casos de desastres.

Além do impacto nas áreas urbanas, há risco de isolamento em zonas rurais, com estradas alagadas e pontes comprometidas. O tempo instável deve persistir até o fim da semana, com a possibilidade de novas frentes úmidas avançando sobre o estado. A manutenção das chuvas pode agravar a situação nos municípios já impactados, especialmente nas regiões de vales e bacias hidrográficas.





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Soja fecha mista em Chicago antes de feriado


A soja negociada na Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou a quarta-feira com variações mistas, refletindo a cautela dos operadores na véspera do feriado americano de Juneteenth, segundo informações da TF Agroeconômica. O contrato de soja para julho, referência para a safra brasileira, fechou com leve alta de 0,07% (ou \$0,75 cent/bushel), cotado a \$1074,75. Já o contrato de agosto subiu 0,05% (ou \$0,50 cent/bushel), para \$1076,75. O farelo de soja para julho recuou 0,07% (\$-0,2/ton curta), a \$284,9, enquanto o óleo de soja caiu 0,04% (\$-0,02/libra-peso), encerrando a \$54,77.

O desempenho praticamente estável se deu em um contexto de avanço da safra nos Estados Unidos. Apesar de algumas chuvas atrasarem o término do plantio, a umidade favorece o desenvolvimento das áreas já cultivadas, equilibrando as expectativas de oferta. Além disso, o mercado acompanhou o tom neutro dos operadores diante da reunião do Federal Reserve (Fed) e das tensões geopolíticas envolvendo Israel e Irã, fatores que adicionaram incertezas no curto prazo.

No cenário macroeconômico, a pressão do presidente norte-americano Donald Trump para que o Fed reduza as taxas de juros ganhou destaque, embora o Comitê tenha decidido mantê-las entre 4,25% e 4,50%. Esse movimento, aliado ao feriado de Juneteenth, contribuiu para um viés de alta moderada para a oleaginosa.

Outro ponto de sustentação dos preços foi a perspectiva de oferta mais restrita nos EUA para o ciclo 2025/2026. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta estoques finais de 8,03 milhões de toneladas, inferiores aos 9,53 milhões do ciclo atual e aos 9,32 milhões de toneladas da safra 2023/2024, sinalizando um cenário de menor disponibilidade que pode sustentar os preços no médio prazo.

 





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Como se comportou a soja antes do feriado?


No mercado da soja, a colheita frustrante tem pressionado o mercado e o armazenamento no Rio Grande do Sul, segundo informações da TF Agroeconômica. “Não temos mais mercado indicando preços no junho. A precificação mudou para o julho, e os preços foram R$ 134,50 para 15/07 (entregas 20/06 a 10/07) e R$ 138,30 para 30/07 (entregas de 15/07 a 30/07)”, comenta.

“Melhores preços estão para o agosto, que marcou R$ 143,50 entrega agosto cheio e pagamento em 29/08. No interior os preços de fábricas seguiram o balizamento de cada praça. R$ 132,00 Cruz Alta – Pgto. 30/07 – para fábrica. R$ 132,00 Passo Fundo – Pgto. começo fim de julho. R$ 132,00 Ijuí Pgto. 30/07 – para fábrica. R$ 132,00 Santa Rosa / São Luiz – Pgto. começo de agosto. Preços de pedra em Panambi subiram para R$ 120,00 a saca ao produtor”, completa.

Enquanto isso, a comercialização avança timidamente em Santa Catarina com colheita praticamente encerrada. “A ausência de dados sobre frete e armazenagem não elimina a importância dessas variáveis, especialmente diante da expectativa de crescimento da safra de inverno, com destaque para a cevada. Esse cenário exige atenção à logística e capacidade de armazenagem, que podem se tornar gargalos importantes caso não

acompanhem o aumento da produção. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 134,98 (+0,69%)”, indica.

Armazenagem ganha protagonismo com colheita encerrada no Paraná. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 133,92 (+0,48%). Em Cascavel, o preço foi 119,28 (+0,05%). Em Maringá, o preço foi de R$ 123,45 (+1,66%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 119,27 (+2,34%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$134,26. No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 130,00”, informa.

Frete em alta reforça importância da armazenagem em Mato Grosso do Sul. “O bom desempenho no campo agora dá lugar aos desafios logísticos, já que os custos de frete seguem pressionados diante da sobreposição entre o escoamento da soja e a chegada da colheita do milho. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 117,02 (-0,24%), Campo Grande em R$ 117,02 (-0,24%), Maracaju em R$ 117,71 (+0,35%), Chapadão do Sul a R$ 113,70 (+0,10%), Sidrolândia a em R$ 117,71 (+0,35%)”, diz.

Déficit de armazenagem desafia avanço logístico em Mato Grosso. “A armazenagem eficiente é vista como alternativa essencial para manter a competitividade e permitir maior flexibilidade na hora da venda, especialmente em períodos de sobrecarga logística como o atual. Campo Verde: R$ 106,92 (-5,29%). Lucas do Rio Verde: R$ 109,05 (-0,89%), Nova Mutum: R$ 108,49 (-1,40%). Primavera do Leste: R$ 106,38 (-5,77%). Rondonópolis: R$ 106,92 (-5,29%). Sorriso: R$ 108,49 (-1,40%)”, conclui.

 





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Com equilíbrio de oferta e demanda, cotações do mercado de suínos fecham a…


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A sexta-feira (16) termina para o mercado de suínos com preços estáveis. Segundo análise do Cepea, há um cenário de oferta equilibrada com a demanda em quase todas as regiões acompanhadas. 

Agentes consultados pelo Centro de Pesquisas indicam que a procura está firme, mas não se aqueceu como o esperado para um início de mês. Nesse cenário, os preços do suíno vivo e da carne estão praticamente estáveis

Segundo dados da Scot Consultoria, o valor da arroba do suíno CIF em São Paulo ficou estável, com preço médio de R$ 162,00, assim como a carcaça especial, fechando em R$ 12,60/kg, em média.

Conforme informações do Cepea/Esalq sobre o Indicador do Suíno Vivo, referentes à quinta-feira (15), os preços ficaram estáveis nas principais praças: Minas Gerais (R$ 8,53/kg), Paraná (R$ 8,21/kg), Rio Grande do Sul (R$ 8,14/kg), Santa Catarina (R$ 8,14/kg), e São Paulo (R$ 8,63/kg). 

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Fonte:

Notícias Agrícolas





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Lavouras de trigo, canola e aveia da região central gaúcha estão submersas, diz Emater



A Defesa Civil e a equipe de extensionistas da Emater-RS têm feito levantamentos sobre os estragos que as fortes chuvas estão causando nas propriedades rurais gaúchas. Fronteira Oeste, Centro e Vale do Rio Pardo são as áreas mais afetadas do estado. Em alguns locais, choveu mais de 350 mm em três dias.

Santa Maria, município da região central, reconhecida pela produção de arroz e de culturas de inverno, foi fortemente afetada. Contudo, o cereal já estava quase totalmente colhido, sem impactos na produção.

Entretanto, o gerente regional da Emater na região de Santa Maria, Guilherme Passamani, conta que os rizicultores sofreram perdas de maquinários e motobombas para irrigação.

Segundo ele, situação muito pior é vivida pelos produtores das culturas de inverno, sendo que algumas delas, como as de trigo, canola, azevém, aveia branca e preta, estavam em processo de recente germinação, com algumas já em estádio vegetativo, e foram submersas.

“São problemas que se somam a outros prejuízos que tivemos no ano passado em função das enchentes e, também, por causa de uma estiagem muito forte que já afetou o nosso estado”, relata.

Passamani conta que perdas na cultura do milho segunda safra, com colheita já prevista, também foram fortemente afetadas. “Também observamos problemas em relação ao fumo, principalmente em regiões da Quarta Colônia, com perdas de mudas e erosão dos camalhões.”

O gerente da Emater-RS ressalta que há tempos o órgão discute com centros de pesquisa, universidades e o governo do estado a questão dos solos gaúchos afetados pelas enchentes de 2024, que tiveram perdas por erosão laminar, formação de sulcos e voçorocas.



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Milho B3 avança com atraso na colheita


De acordo com informações da TF Agroeconômica, o mercado de milho manteve tendência de alta na B3 nesta quarta-feira, refletindo o atraso na colheita do milho safrinha e o ritmo lento do programa de exportação, que levou a Anec a reduzir novamente a perspectiva de embarques para junho. Os contratos futuros encerraram o dia de forma mista: o vencimento de julho/25 ficou em R\$ 623,07, alta de R\$ 0,20 no dia, mas queda de R\$ 0,66 na semana; o contrato de julho/25 registrou R\$ 63,71, com recuo de R\$ 0,15 no dia e de R\$ 0,95 na semana; já setembro/25 fechou em R\$ 67,68, subindo R\$ 0,07 no dia, mas acumulando baixa semanal de R\$ 0,20.

Na bolsa de Chicago (CBOT), o milho também encerrou em alta, sustentado principalmente pela valorização do trigo e pelo desempenho do setor de etanol nos Estados Unidos. O contrato de julho, referência para a safra de verão brasileira, subiu 0,46%, equivalente a US\$ 2,00 cents/bushel, cotado a US\$ 433,50. O contrato de setembro, que baliza a nossa safrinha, avançou 1,24% ou US\$ 5,25 cents/bushel, fechando a US\$ 429,00.

Segundo analistas, os ganhos do milho em Chicago foram impulsionados pela forte alta do trigo, que elevou o apetite dos investidores por grãos, além do anúncio de que os EUA emitiram 1,22 bilhão de créditos de mistura de etanol em maio, ligeiramente acima dos 1,16 bilhão de abril. Apesar disso, o início da safra americana e o desempenho semanal do etanol abaixo do registrado anteriormente ajudaram a conter maiores elevações nos preços.

No Brasil, apesar dos atrasos na colheita do milho safrinha, a expectativa é de que os produtores consigam avançar rapidamente nos trabalhos de campo, como já demonstraram durante o plantio. No entanto, o fraco ritmo de exportação ainda limita uma recuperação mais firme nos preços, o que mantém o mercado atento aos próximos movimentos, tanto internos quanto externos.

 





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o calcanhar de Aquiles do agro brasileiro


A escalada do conflito entre Israel e Irã reacendeu um alerta preocupante para o agronegócio brasileiro: a possível disparada nos preços da ureia e de outros fertilizantes.

Em um cenário de queda nas cotações internacionais das commodities agrícolas, a combinação entre custos crescentes e receitas em baixa pode corroer drasticamente a já apertada margem de lucro do produtor rural.

O Brasil é extremamente vulnerável nesse campo. Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome anualmente — sendo que, no caso específico da uréia, a produção nacional atende a menos de 20% da demanda.

Cerca de 20% da ureia consumida pelo Brasil vem do Irã, país diretamente envolvido na atual tensão geopolítica, o que agrava ainda mais a possibilidade de ruptura no fornecimento.

A China e a Índia, por sua vez, são os maiores produtores e consumidores globais de ureia. Nesses países, o arroz é a principal cultura consumidora do insumo, seguido pelo trigo e outros grãos.

Já no Brasil, a principal cultura que demanda ureia é o milho, seguida pela cana-de-açúcar e pela soja, três pilares da nossa produção agrícola. Isso reforça o impacto direto que qualquer oscilação no mercado internacional terá sobre o custo de produção das nossas lavouras.

Estratégia equivocada do passado

Esse grau de dependência não é fruto do acaso, mas de uma decisão estratégica equivocada adotada no passado. Com os preços internacionais dos fertilizantes — especialmente os nitrogenados — mais baixos que os nacionais, o Brasil optou por importar em vez de estimular a produção interna.

Essa escolha levou a Petrobras a desativar diversas plantas de produção de fertilizantes nitrogenados, como as unidades em Sergipe e na Bahia. Embora consideradas deficitárias na época, tais decisões revelaram-se erros estratégicos graves, sobretudo para um país que está entre os maiores produtores agrícolas do mundo.

Além disso, Israel é fornecedor de cloreto de potássio para o Brasil, nutriente essencial para a fertilização do solo e o bom desenvolvimento de culturas como soja, milho e algodão.

A instabilidade no Oriente Médio, especialmente com riscos de fechamento de rotas marítimas ou sabotagem em infraestrutura logística, pode comprometer o fornecimento e pressionar ainda mais os preços desses insumos.

Outro fator agravante é o aumento do preço do petróleo, que, além de elevar o custo dos próprios fertilizantes nitrogenados (como a ureia, que depende do gás natural), impacta diretamente o frete marítimo e terrestre, encarecendo o custo de importação e distribuição dos insumos.

O que o produtor pode fazer?

Diante desse cenário, quais estratégias os produtores podem adotar para ajudar a mitigar os riscos?

  • Antecipação e compras programadas: produtores que têm capacidade de armazenagem e acesso a crédito podem se beneficiar da antecipação na compra de fertilizantes, evitando a exposição à alta nos momentos de pico. Firmar contratos antecipados com fornecedores também é uma estratégia para garantir preços e disponibilidade.
  • Uso racional de insumos e agricultura de precisão: com margens estreitas, o uso eficiente dos recursos ganha ainda mais importância. Técnicas de agricultura de precisão, como mapeamento de solo e aplicação localizada de fertilizantes, ajudam a reduzir o desperdício e melhorar o retorno sobre o investimento.
  • Substituição e diversificação de fontes: em algumas regiões, é possível substituir parcialmente a ureia por outras fontes de nitrogênio, como sulfato de amônio ou adubação orgânica. Além disso, buscar fornecedores alternativos pode reduzir a dependência de mercados geopolíticos instáveis.
  • Integração com pecuária e uso de matéria orgânica: sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária (ILP), favorecem o uso de resíduos orgânicos e pastagens bem manejadas, o que pode reduzir a dependência de fertilizantes minerais ao longo do tempo.
  • Renegociação de contratos e cooperativismo: a atuação conjunta por meio de cooperativas ou associações de produtores pode fortalecer o poder de barganha na compra de insumos, além de facilitar o acesso a crédito mais barato e suporte técnico. A renegociação de contratos com fornecedores e instituições financeiras também se torna essencial para ajustar prazos e garantir viabilidade financeira.
  • Travamento de preços no mercado futuro: em tempos de incerteza, travar preços de commodities agrícolas na bolsa é uma forma eficaz de proteger a receita esperada. Com os custos de produção sob ameaça, garantir um valor mínimo de venda no mercado futuro pode ser decisivo para preservar a rentabilidade, especialmente em culturas com grande liquidez, como soja, milho e café. Essa ferramenta de hedge ajuda a alinhar melhor os custos e a comercialização, mesmo em cenários de volatilidade.

Conclusão

A guerra no Oriente Médio expõe uma fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro: a dependência externa de insumos estratégicos. Diante da combinação explosiva entre o possível aumento do custo da ureia, o encarecimento do frete e a queda das commodities, o produtor precisa agir de forma pragmática, adotando estratégias técnicas, financeiras e coletivas.

Mais do que nunca, a gestão eficiente será decisiva para manter a rentabilidade no campo — e talvez seja também o momento de o país repensar sua política industrial para fertilizantes, recuperando a capacidade nacional de produção e garantindo segurança estratégica para o setor mais dinâmico da economia brasileira.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Lula defende aumento do IOF como forma de financiar gastos públicos



O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu, nesta quinta-feira (19), a proposta do governo federal de promover mudanças nas regras do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), incluindo o aumento das alíquotas cobradas atualmente.

“O IOF do Haddad [ministro da Fazenda], não tem nada de mais”, disse Lula ao participar do podcast Mano a Mano, apresentado pelo músico e compositor Mano Brown e pela jornalista Semayat Oliveira.

“O Haddad quer que as bets paguem [mais] imposto de renda; que as fintechs paguem; que os bancos paguem. Só um pouquinho, para a gente poder fazer a compensação, porque toda vez que a gente vai ultrapassar o arcabouço fiscal, temos que cortar no Orçamento”, acrescentou o presidente, admitindo que o aumento do IOF “é um pouco para fazer esta compensação” e evitar cortes orçamentários.

Resistência do Congresso ao IOF

As declarações do presidente ocorrem em meio à forte resistência do Congresso Nacional a alterações no IOF.

Na última segunda-feira (16), a Câmara dos Deputados aprovou, por 346 votos a 97, a urgência para a tramitação do projeto legislativo (PDL 314/25) que trata da possível suspensão dos efeitos do recente decreto do governo federal sobre mudanças nas regras do IOF.

A aprovação da urgência permite que o Plenário da Câmara dos Deputados vote o decreto do governo sem que este seja discutido nas comissões parlamentares. O decreto do governo foi apresentado no último dia 11, junto com uma Medida Provisória também relacionada ao IOF.

Com uma proposta de corte de gastos, as duas recentes medidas foram anunciadas como uma forma do governo recalibrar proposta anterior, de 22 de maio – quando a equipe econômica anunciou o contingenciamento de R$ 31,3 bilhões do Orçamento Geral da União a fim de assegurar o cumprimento da meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Na ocasião, o governo propôs elevar a alíquota de várias operações financeiras, incluindo o IOF, mas recuou no mesmo dia, diante das críticas de empresários e parlamentares, incluindo alguns da própria base governista.



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