A Associação Baiana de Pecuária (Acrioeste) anunciou que voltará a realizar leilões de gado em Barreiras, no Oeste da Bahia. O anúncio foi feito na tarde da última quinta-feira (26), após reunião do presidente da entidade, Gill Arêas Machado, com o prefeito do município, Otoniel Teixeira, e seu vice, Túlio Viana.
De acordo com a Acrioeste, além do apoio da prefeitura na realização dos leilões, durante o encontro também foi discutida a criação de uma comissão que dará prosseguimento à busca por um local para a implantação de um novo Parque Multiuso de Barreiras, voltado para dupla aptidão: o agronegócio e grandes eventos.
Segundo a associação de pecuaristas, está entre as propostas da gestão do prefeito Otoniel Teixeira a identificação de uma área adequada para receber esse grande empreendimento, que fortalecerá o agronegócio praticado no Vale do Rio Grande.
O Leilão Padrão Acrioeste será realizado no próximo dia 19 de julho, no Parque Natural Engenheiro Geraldo Rocha, a partir das 14h, com transmissão pelo YouTube.
O leilão ofertará mais de mil animais, entre bezerros, bezerras, garrotes e novilhas da mais alta qualidade genética, oriundos de criatórios de associados da Acrioeste e convidados.


Segundo Gill Arêas Machado, é um momento de muito alegria para a pecuária de Barreiras e para o Oeste da Bahia como um todo, o retorno de leilões de gado em Barreiras.
“O Leilão Padrão Acrioeste é apenas o início dessa parceria com a Prefeitura de Barreiras para que num futuro possamos fazer esse tradicional leilão num local definitivo, a exemplo do Parque Multiuso. A escolha desse novo espaço vai ter acompanhamento da Secretaria Municipal de Agricultura e entidades do setor agropecuário. Vamos construir esse novo Parque em várias mãos e com certeza isso trará grandes frutos para Barreiras e região”, concluiu o presidente da Acrioeste.
Para o prefeito de Barreiras, Otoniel Teixeira, o evento reafirma seu compromisso com a pecuária e os pecuaristas.
“Atualmente, nossa região abriga o maior rebanho bovino do Estado da Bahia, reflexo da força e tradição do setor agropecuário em nosso município. A retomada dos leilões de gado marca um novo ciclo de desenvolvimento para a atividade pecuária local. Este é um passo importante que reforça nosso compromisso em fortalecer ainda mais o setor. Com esse objetivo, autorizamos a criação de uma comissão formada por representantes da Prefeitura e da iniciativa privada para acompanhar a elaboração e implantação do projeto da nova Arena Multiuso “Parque de Exposições de Barreiras”.
Você também pode participar deixando uma sugestão de pauta. Siga o Canal Rural Bahia no Instagram e nos envie uma mensagem.

O governo federal destinou R$ 89 bilhões à agricultura familiar no Plano Safra 2025/26, anunciado nesta segunda-feira (30). Desse total, R$ 78,2 bilhões são voltados especificamente ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que atende pequenos produtores de soja e outras culturas. O valor representa um aumento de 3% em relação à temporada anterior, que contou com R$ 76 bilhões.
A segunda etapa do plano, voltada à agricultura empresarial, deve ser divulgada nesta terça-feira (1º), com expectativa de movimentar cerca de R$ 600 bilhões.
Apesar do volume recorde de recursos, produtores de soja devem enfrentar desafios importantes na próxima safra. O crédito está disponível, mas mais caro. Em 2025, o cenário de juros elevados e o aperto fiscal enfrentado pelo governo encarecem o financiamento rural, mesmo com os subsídios oferecidos.
“Hoje o governo tem essas linhas de crédito, mas basicamente o custo vai ser maior para o produtor este ano em termos de juros”, afirma Rafael Silveira, consultor da Safras & Mercado.
Basicamente, trata-se de um subsídio do governo que recai sobre o Tesouro Nacional. Na prática, o governo participa da equalização dos juros, assumindo parte ou até a maior parte dos encargos financeiros, o que ajuda a reduzir o custo final para o produtor, especialmente os de menor porte.
“Em termos nominais, o volume de recursos é maior neste ano, mas o custo do crédito também está mais elevado por causa dos juros altos e do aperto fiscal enfrentado pelo governo”, pontua Silveira.
Ainda assim, devido às taxas praticadas neste ano, o crédito está mais caro. No caso da soja, os juros para pequenos produtores podem chegar a até 8% ao ano. Segundo Silveira, isso deve impactar diretamente os investimentos na lavoura.
“O crédito em si não é difícil de obter, mas o problema é o custo. Com isso, o produtor pode acabar reduzindo investimentos em tecnologia, como o uso de fertilizantes, por exemplo”, avalia. “Realmente acaba sendo mais oneroso plantar.”
O crédito existe, mas o custo mais alto pode dificultar o acesso ou limitar a escala do investimento. Para os sojicultores, o desafio será produzir com eficiência em um cenário de crédito mais restritivo e margens pressionadas. A necessidade de planejamento e cautela na hora de investir será ainda maior na safra 2025/26.
O mercado de soja no Rio Grande do Sul opera com estratégias para redução de riscos e custos, segundo informações da TF Agroeconômica. “A precificação mudou para o julho, e os preços foram R$ 137,00 para 30/07 (entregas de 15/07 a 30/07). Melhores preços estão para o agosto, que marcou R$ 140,00 entrega agosto cheio e pagamento em 29/08. No interior os preços de fábricas seguiram o balizamento de cada praça. R$ 130,00 (-1,52%) Cruz Alta – Pgto. 15/08 – para fábrica R$ 130,00 (-1,52%) Passo Fundo – Pgto. agosto R$ 130,00 (-1,52%)”, comenta.
Santa Catarina encerra colheita da soja e já define vazio sanitário para a próxima safra. “A comercialização avança de forma tímida, com o mercado travado em função da queda nos prêmios de exportação e nas cotações internacionais. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 135,51 (+0,59%)”, completa.
Paraná encerra colheita com aumento de produtividade e mira próxima safra. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 134,76 (+2,08%). Em Cascavel, o preço foi 120,00 (+1,49%). Em Maringá, o preço foi de R$ 121,22 (+0,81%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 123,85 (+3,76%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$135,51 (+0,02%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00”, indica.
Logística instável desafia comercialização no Mato Grosso do Sul. “O bom desempenho da safra no campo traz, portanto, desafios logísticos relevantes. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 118,37 (+0,11%), Campo Grande em R$ 118,37 (+0,11%), Maracaju em R$ 117,80 (-0,37%), Chapadão do Sul a R$ 108,67 (-1,00%), Sidrolândia a em R$ 117,80 (-0,37%)”, informa.
Mato Grosso encerra colheita histórica, mas alta nos custos pressiona a rentabilidade. “Os preços indicativos em Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, na mesma data, apresentaram variações pontuais no mercado interno. Campo Verde: R$ 113,09 (+0,34%). Lucas do Rio Verde: R$ 108,82 (+1,54%), Nova Mutum: R$ 108,82 (+1,54%). Primavera do Leste: R$ 113,09 (+0,34%). Rondonópolis: R$ 113,09 (+0,34%). Sorriso: R$ 108,82 (+1,54%)”, conclui.
A Agro Penido, comandada por Caio Penido, atual presidente do IMAC, é um exemplo de como a pecuária brasileira pode unir tradição, tecnologia e responsabilidade ambiental. Assista ao vídeo abaixo e confira os detalhes dessa história.
Localizada em Cocalinho (MT), na região do Vale do Araguaia, a fazenda transformou-se em referência na produção de carne premium com carbono positivo, mostrando que é possível produzir proteína animal de alto padrão com sustentabilidade e rentabilidade.
A propriedade surgiu da divisão da antiga Fazenda Roncador, que já foi a maior do Brasil. Hoje, com 15 mil hectares, Caio Penido comanda um sistema moderno de cruzamento industrial, intensificação a pasto e rastreabilidade.


Penido trabalha com cruzamentos entre Nelore e Angus, em sistema de terminação intensiva a pasto com suplementação nutricional.
Em lotes especiais, são utilizados animais tricross (Wagyu, Angus e Nelore) para alcançar alto marmoreio, maciez e sabor diferenciado.
A produção segue boas práticas agropecuárias e busca certificações como Onça Pintada, bem-estar animal e baixo carbono, com validação por certificadoras como IBD/Quima.
“Queremos criar uma carne acima de qualquer questionamento”, afirma Caio. “É o tipo de carne que o Mark Zuckerberg quer fazer no Havaí, mas que a gente já faz aqui no Brasil”, brinca.


Pensando no futuro, Caio criou a Carbono Penido, empresa dedicada aos projetos de carbono da Agro Penido. A iniciativa atua em três frentes principais:
“Estamos restaurando áreas com espécies nativas madeireiras e medindo o carbono fixado no solo”, explica Caio.
A ideia é monetizar o valor ambiental da fazenda, gerando renda e ajudando a preservar a biodiversidade local.


A Agro Penido carrega o legado do avô de Caio, Pelerson Penido, que apostou no desenvolvimento do Araguaia nos anos 1980, com apoio da SUDAM.
Com o tempo, a propriedade evoluiu, passou a adotar práticas sustentáveis, e se integrou a projetos coletivos como a Liga do Araguaia, criada pelo próprio Caio.
Hoje, a fazenda desenvolve ações de regularização ambiental, intensificação sustentável e pagamento por serviços ambientais, com apoio de instituições como Embrapa, TNC, JBS e outras.


Com a COP 30 no Pará e o Congresso Mundial da Carne em Cuiabá, ambos previstos para 2025, Caio acredita que é hora de o Brasil mostrar ao mundo a qualidade da carne nacional: criada a pasto, saborosa, rastreável e com baixa pegada ambiental.
“Sustentabilidade não é custo, é oportunidade. Melhorar o bem-estar animal, restaurar áreas, usar tecnologia… tudo isso melhora a margem da fazenda. É uma agenda ganha-ganha”, reforça Caio.
Ele defende ainda a popularização do mercado de carbono para pequenos produtores, com governança simples e acesso técnico facilitado.

A economia no estado de São Paulo registrou crescimento de 1,9% nos primeiros quatro meses de 2025 em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado, indicaram dados da Fundação Seade.
O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) paulista no período foi impulsionado pelos setores da agropecuária, com alta de 7,8%, e serviços, com 3,1%.
No acumulado dos últimos 12 meses, comparados aos 12 meses imediatamente anteriores, o PIB do estado teve crescimento de 3%. Neste recorte, o destaque foi para o setor de serviços, que avançou 3,5%, seguido pela indústria, com crescimento de 0,8%. Já na comparação com abril de 2024, o indicador avançou 0,1% em abril deste ano.
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, os dados são mais uma comprovação da vocação paulista para o agro. “Temos em São Paulo a mais competitiva e sustentável agropecuária do mundo. Temos cana-de-açúcar, pecuária, os grãos, o suco de laranja, e tantas outras cadeias que dão orgulho para o Brasil e para o mundo”.
O agro paulista tem se destacado também na pauta de exportações do estado, representando, nos cinco primeiros meses de 2025, 40,6% de tudo que São Paulo embarcou para o exterior.
Desde 2024, o estado é o principal exportador agrícola do país, com uma pauta de produtos que tem os seguintes produtos como destaque: complexo sucroalcooleiro (24,3%), carnes (14%), complexo soja (11,7%), grupo de sucos (11,5%) e produtos florestais (11,4%), conforme dados da Agência Paulista de Tecnologias do Agronegócio.

O céu escurece, o vento começa a soprar mais forte e, de repente, a primeira gota d’água cai sobre a lavoura de soja. Mas o que isso significa? Estamos diante de uma chuva passageira, de uma tempestade, de um temporal ou de um caso de tempo severo? Entender essa diferença pode ser decisivo para proteger não só o trabalho no campo, mas também a própria vida.
Quando cai uma chuva intensa acompanhada de ventos e raios, muita gente logo se pergunta: isso foi uma tempestade ou um temporal? Em parte, os dois termos parecem iguais e são usados quase como sinônimos no dia a dia. Mas há uma diferença importante: “temporal” é uma expressão popular, enquanto “tempestade” é o termo técnico e oficial adotado pela meteorologia. Ambos indicam um tempo adverso, mas não significam, necessariamente, uma ameaça grave.
A confusão aumenta quando entra na conversa o chamado “tempo severo”. Esse, sim, merece atenção redobrada. Diferente de uma tempestade comum, o tempo severo traz risco direto à vida e pode causar prejuízos expressivos às lavouras. Segundo o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural, para um evento ser classificado dessa forma, ele precisa cumprir alguns critérios específicos. Entre eles, estão rajadas de vento acima de 93 km/h, granizo com pedras maiores que uma polegada, alagamentos, enchentes e, em casos mais extremos, tornados ou microexplosões.
Nem toda tempestade chega a esse nível de intensidade. Ainda assim, fenômenos considerados moderados, como granizo de menor porte, já são suficientes para causar estragos em áreas agrícolas. Mas a classificação de “severo” só se aplica quando as condições são realmente destrutivas, capazes de dizimar uma lavoura em minutos ou causar acidentes graves em zonas urbanas, com quedas de árvores, destelhamentos e até perdas humanas.
Por isso, entender esses conceitos não é só uma questão de curiosidade, mas uma ferramenta de proteção. Saber diferenciar os tipos de fenômeno ajuda o produtor a interpretar melhor os alertas meteorológicos e a se preparar de forma mais eficiente. A informação é uma aliada poderosa na prevenção de danos. Com atenção ao céu e aos boletins confiáveis, é possível proteger não só as safras, mas também a vida de quem vive do campo.
A segunda onda de frio do inverno e a quarta de 2025 será mais abrangente do que se previa, conforme atualização da Climatempo divulgada nesta segunda-feira (30). O fenômeno começará a afetar mais áreas de estados brasileiros a partir de hoje, com duração até sexta-feira (4).
Com isso, áreas de nove estados brasileiros serão afetados com temperaturas de 5°C ou ainda mais baixas em comparação à média para o período (veja os detalhes no mapa abaixo):


Outras faixas de oito estados brasileiros poderão experimentar termômetros entre 3°C e 5°C abaixo da média:
Temperaturas negativas devem ocorrer em áreas de planalto e serra do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina na passagem desta onda de frio no Sul do Brasil, conforme a Climatempo.
No entanto, a circulação de ventos sobre a região não deve manter umidade para formação das nuvens que eventualmente poderiam trazer alguma precipitação invernal. Assim, não há expectativa de neve no Sul do Brasil entre esta segunda e sexta.
Entretanto, a Climatempo informa que novos eventos de geada que devem ocorrer, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Temperaturas muito próximas e até abaixo de 0 °C devem ser observadas novamente nos dois estados.

Durante muito tempo, falar em clone de animal parecia coisa de cinema futurista. Mas na pecuária de elite, essa técnica já é realidade e está revolucionando a forma como se preserva e multiplica a genética de matrizes campeãs. A chamada transferência nuclear (TN) permite clonar vacas com alto valor genético, criando cópias idênticas do DNA original.
Em entrevista ao Lance Rural, o assessor pecuário Ademir Jovanini, da Premier Assessoria, explicou como a clonagem tem ganhado espaço dentro e fora das pistas. “Antes muitos criticavam, né? Mas hoje é uma super realidade”, resume.
A técnica usada atualmente é a transferência nuclear de células somáticas, conhecida pela sigla TN. Nela, os técnicos retiram o núcleo de uma célula de um animal de alto desempenho e inserem esse material genético em um óvulo sem núcleo. O embrião resultante é implantado em uma receptora e gera um bezerro geneticamente idêntico ao doador da célula.
Leia também: Projeto de lei que regulamenta produção de clones de animais é aprovado
Segundo Jovanini, esse processo tem grande importância para preservar matrizes de elite:
“O primeiro motivo é manter essa genética infinitamente dentro da raça”.

A clonagem permite que características superiores não se percam com o tempo. Vacas com fertilidade comprovada, habilidade materna, carcaça excepcional ou histórico de títulos em exposições se tornam candidatas ideais para a clonagem. Um exemplo clássico é a Parla FIV AJJ, doadora Nelore cujos clones, as chamadas TNs, já são recordistas em leilões e referência em produtividade.
Leia também: O Pacote Genético da Parla FIV AJJ se torna o mais valorizado da raça Nelore
Ao contrário do que muitos pensam, clones não são apenas cópias genéticas “iguais em tudo”. O ambiente, o manejo e a nutrição continuam influenciando o desempenho. Mas a base genética já é um diferencial.
“Já tivemos grandes campeãs nas pistas, filhas de clone”, lembra Jovanini, citando animais como a Rima FIV KAIA, uma das provas vivas de que a clonagem tem potencial produtivo e comercial.
Em leilões de genética, os clones deixaram de ser exceção e passaram a ser estratégia. Rebanhos comerciais ainda veem essa tecnologia com certa distância, mas para criadores que trabalham com melhoramento genético de ponta, os clones são vistos como um investimento de longo prazo.
Além de preservar o legado genético de grandes vacas, a técnica cria oportunidades de negócios em um mercado cada vez mais exigente.
O post Clone: ficção científica ou o futuro real da pecuária? apareceu primeiro em Canal Rural.

O mercado de soja encerrou a última semana com queda na Bolsa de Chicago, influenciado pelas condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos. Segundo a plataforma Grão Direto, a s previsões indicam chuvas regulares e temperaturas dentro da média para o período, o que fortalece a expectativa de uma safra robusta. Como reflexo, o contrato novembro foi negociado abaixo dos US$ 10,25 por bushel, refletindo a pressão vendedora em um ambiente de produtividade promissora.
No cenário interno, o avanço do Brasil no setor de biocombustíveis ganhou destaque com a aprovação, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), das novas proporções obrigatórias de mistura: 30% de etanol na gasolina (E30) e 15% de biodiesel no diesel (B15), a partir de 1º de agosto de 2025. A medida pode ampliar a demanda por óleo de soja em cerca de 150 mil toneladas até o final do ano, contribuindo para a sustentação dos preços da oleaginosa, especialmente no mercado do interior.
O dólar comercial terminou a sexta-feira cotado a R$ 5,48, o menor valor desde outubro de 2024, acumulando uma queda de 11,26% no ano. Mesmo diante de tensões comerciais externas, como as tarifas entre EUA e Canadá, a moeda norte-americana seguiu enfraquecida no Brasil. No exterior, o dólar também perdeu força frente a outras moedas. Para o agro, a valorização do real contribui para a redução de custos com insumos importados, mas reduz a competitividade das exportações brasileiras.
A expectativa é de volatilidade no câmbio nas próximas semanas, impulsionada por incertezas fiscais, geopolíticas e decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Esse cenário reforça a importância da gestão de risco cambial por parte dos produtores.
O mercado aguarda com atenção a divulgação do relatório de área plantada e estoques trimestrais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto ainda para esta semana. Historicamente, a área de milho tende a aumentar em relação à intenção inicial de março, enquanto a soja costuma ter redução.
No entanto, há expectativa de possível aumento na área de soja neste ano, o que pode trazer volatilidade ao mercado caso os números surpreendam. Além disso, os estoques também podem impactar diretamente as cotações internacionais.
Outro ponto de atenção é o novo acordo comercial firmado entre China e Estados Unidos, anunciado em 27 de junho. O pacto suspende tarifas e restrições bilaterais, com a China se comprometendo a fornecer terras raras em troca da retirada de barreiras comerciais por parte dos EUA. O entendimento entre as duas maiores economias do mundo traz alívio imediato ao mercado global de commodities, reduz incertezas e favorece o fluxo comercial.
No caso da soja, o acordo pode impulsionar as exportações americanas para a China, dependendo da extensão da redução tarifária e do apetite chinês. Já no milho, os efeitos devem ser mais indiretos, mas a melhora no ambiente comercial pode favorecer a confiança dos compradores e destravar futuras negociações.
Apesar da trégua comercial entre EUA e China, o Brasil segue em posição estratégica, especialmente se as tarifas chinesas sobre produtos americanos forem apenas parcialmente reduzidas. Nesse cenário, a soja e o milho brasileiros continuam competitivos no mercado asiático. Porém, uma flexibilização mais ampla nas barreiras comerciais pode acirrar a concorrência internacional, pressionando os preços e exigindo mais atenção dos exportadores nacionais.