quinta-feira, março 26, 2026

Agro

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Fiagro para atrair capital estrangeiro será apresentado no Oriente Médio em janeiro



Aumentar o uso do dólar no crédito rural brasileiro foi um dos enfoques do Diário da COP30, apresentado pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues no estúdio do Canal Rural em Belém, capital paraense, nesta terça-feira (18).

O assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) Carlos Augustin focou no Projeto de Cooperação Técnica Internacional entre a Embrapa e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), que anunciou nesta terça a disponibilização de US$ 1 bilhão para financiar projetos de recuperação de pastagens degradadas no Cerrado brasileiro.

Segundo o assessor, para manter recursos pelos próximos dez anos, o Mapa já consolida a ideia de inserir capital estrangeiro como sócio minoritário da compra de terra a ser recuperada de degradação no Brasil.

“A gente tem pedido dinheiro emprestado para os árabes, mas eles não gostam de emprestar dinheiro, gostam de ser sócio. […] Mas como vai ser sócio de um agricultor? Quebramos a cabeça, chamamos o Banco do Brasil e inventamos uma ideia que é a seguinte: a gente cria um Fiagro [Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais] que vai ser dono da terra e qualquer capital estrangeiro pode participar”, detalha.

Desta forma, conforme Augustin, o capital estrangeiro, por meio do Fiagro, seria dono de 48% ou 49% da terra a ser recuperada, mas não do empreendimento. “O empreendimento continua do agricultor, mas com este dinheiro ou os dois juntos, depois vão comprar mais terras, terras baratas, aonde vai produzir e vai melhorar o preço dessa terra [recuperando-a].”

Agustin conta que uma equipe do Mapa irá, em janeiro, ao Oriente Médio para apresentar essa proposta, atendendo a um pedido de investidores árabes.

Popularizar o dólar

O assessor especial do Mapa também destacou no bate-papo que a pasta tem a convicção de que é necessário popularizar o dólar no agronegócio brasileiro, algo que já é feito de forma exitosa na compra de máquinas agrícolas.

“O BNDES hoje tem qualquer linha de crédito em dólar, [seja] custeio, investimento. Pessoa física também [pode solicitar]. Se você quiser fazer um custeio em dólar, quiser fazer um carregamento de estoque em dólar, um armazém, uma recuperação de pastagem, [tudo] em torno de 8,5% [de juros], o que não é muito”, conta.

Segundo Augustin, se a cotação do dólar subir é ainda melhor para o produtor, visto que o preço da soja, do algodão e de outras commodities também se eleva. “Porém, se caiu o dólar, aí é problema. Se você tem contrato em real e o dólar caiu, o teu produto cai, você vai ter que pagar em real”, pondera.

Somando-se às preocupações, o assessor especial do Mapa acredita que a safra 2025/26 não terá uma colheita satisfatória, haja visto o atraso no plantio no Centro-Oeste, em especial em Mato Grosso.

“Nós vamos ter uma safrinha de milho menor e quando se atrasa a janela da soja, todos nós sabemos que a produtividade baixa. Isso com juros de 20% [15% da Selic + juros dos bancos], preço ruim e colheta fraca, problemas pela frente”, enumera Augustin.



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Aveia-branca mantém qualidade enquanto colheita avança


A colheita da aveia-branca no Rio Grande do Sul segue em ritmo avançado, alcançando 72% da área total, conforme informou a Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (13). Segundo o documento, as lavouras ainda não colhidas se encontram “entre os estádios de maturação (23%) e de enchimento de grãos (4%)”, enquanto poucas áreas permanecem em floração.

A Emater aponta que a qualidade dos grãos colhidos está adequada, com PH dentro do padrão industrial e baixo índice de impurezas. O informativo destaca que “não houve danos significativos por pragas ou doenças”, mas registra ocorrências pontuais relacionadas a eventos climáticos, como geada durante a floração. Na Região Oeste, a colheita está praticamente concluída, avançando de forma contínua nas demais áreas produtoras.

A estimativa da Emater/RS-Ascar indica cultivo em 393.252 hectares, com produtividade média atual de 2.445 kg/ha.

Nas regiões administrativas, o avanço varia. Em Bagé, a colheita chega a 86% da área, restando 13% em maturação. A produtividade está em 1.497 kg/ha, resultado influenciado pela restrição hídrica no início do ciclo. Em Caxias do Sul, 43% das lavouras estão em maturação e 14% já foram colhidas, com produtividade média de 2.726 kg/ha. A Emater avalia que “as condições de colheita são favoráveis” e que há expectativa de boa qualidade dos grãos.

Em Erechim, a colheita alcança 70% da área, com produtividade média de 2.400 kg/ha. As lavouras restantes devem ser colhidas nos próximos dias, caso o clima permaneça estável. Em Frederico Westphalen, os trabalhos foram concluídos, e a produtividade média estimada é de 2.400 kg/ha, o que representa aumento de 12% em relação à safra passada. A qualidade dos grãos foi classificada como “excelente”, com peso hectolitro elevado e baixa incidência de grãos chochos.

Na região de Ijuí, 75% da área foi colhida. Em Ibirubá, as produtividades superaram as expectativas iniciais, enquanto em Santo Augusto ficaram ligeiramente abaixo, em torno de 2.400 kg/ha. A Emater informou que “a qualidade do produto está elevada, com PH acima de 50, indicando bom rendimento industrial”.

Em Passo Fundo, 60% das áreas já foram colhidas, e o restante está em maturação fisiológica. A produtividade média é de 2.400 kg/ha. As condições de colheita seguem adequadas, sem registro de prejuízos por excesso de umidade. Em Soledade, 90% da área está colhida, e 10% permanece em maturação. As chuvas da última semana interromperam temporariamente os trabalhos, mas as operações foram retomadas. As produtividades médias estão em torno de 2.700 kg/ha, com boa qualidade dos grãos.





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Presidência da COP30 publica primeiro rascunho de compromisso entre países



Há quatro dias do final da COP30, a presidência brasileira da Cúpula publicou um primeiro rascunho de compromisso entre os países. As nações seguem divididas sobre vários temas, como ambição climática, finanças e comércio.

O documento de nove páginas inicia reafirmando o compromisso com o Acordo de Paris, de 2015, em reduzir as emissões de gases de efeito estufa e a adesão ao multilateralismo.

Assim, o primeiro rascunho aborda quatro pontos sensíveis que seguem travando as negociações:

  • Financiamento climático;
  • Transparência;
  • Comércio; e
  • Revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).

A iniciativa brasileira de acelerar o processo é inédita na história recente das conferências do clima e tem como objetivo garantir um acordo ambicioso, evitando impasses na reta final, uma mobilização para manter viva a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Os negociadores trabalham noite adentro em mutirão para publicar um texto final sobre a primeira parte do pacote de Belém nesta quarta (19), data em que o presidente Lula deve comparecer à capital paraense. Uma outra parte, com pontos menos controversos, deve ser publicada na sexta-feira (21), último dia da COP30.

Esta terça-feira (18), oitavo dia da cúpula, reforçou o papel da agenda de ação na concretização dos compromissos. O financiamento climático foi definido como o principal desafio para a adaptação e mitigação, com impacto prático que se revela no campo, como na recuperação de pastagens degradadas em áreas que absorvem carbono.

A diretora da Agenda de Ação da COP30, Bruna Cerqueira, diz que solicitar mais financiamento climático não é a saída para o problema, mas sim pensar quais os instrumentos financeiros específicos para o produtor recuperar a sua área, o que engloba desde os instrumentos internacionais, dos bancos multilaterais, até ações mais específicas que os países podem inserir em suas políticas fiscais e no trabalho com os bancos privados, por exemplo.

“Então é nisso que a gente está trabalhando, nesses instrumentos específicos que vão nos ajudar a pegar esse dinheiro que está sendo negociado para fazê-lo chegar no chão”, conta.



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Com oferta em ajuste, arroba do boi se mantém firme e exportações aceleram



O Indicador do Boi Datagro fechou esta terça-feira a uma média de R$ 320,57 a arroba na praça-base São Paulo, aumento de R$ 0,30 em comparação a ontem.

De acordo com a analista de mercado da consultoria Datagro Beatriz Bianchi, a oferta interna segue em ajuste, com alguns estados dando sinais de desaceleração na entrega de animais em função do retorno de chuva mais consistente, maior retenção de gado no pasto e, também, pela estação de monta.

“Além disso, vale ressaltar que a oferta segue abundante, com bons incentivos para a atividade de engorda. Em relação às escalas de abate, após uma redução gradual nas últimas semanas, as programações têm apresentado um ritmo mais confortável, operando na faixa dos dez dias corridos”, detalha.

Beatriz ressalta que o mercado interno segue relativamente firme e a demanda externa se mantém aquecida. “O destaque vai para a ordem assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduz as tarifas recíprocas sobre as importações de carne bovina brasileira.”

Segundo a analista, com a medida, os preços da proteína bovina nacional voltam a ficar mais baixos do que os praticados no mercado interno. “Assim, temos um alívio para o setor, viabilizando maior fluxo comercial para os Estados Unidos”, completa.

De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país embarcou 100,8 mil toneladas de carne bovina na primeira semana de novembro, com média diária de, aproximadamente, 20,1 mil toneladas, avanço de 67,5% frente ao registrado no mesmo período de 2024.



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UE retoma pre-listing para carne de aves e ovos do Brasil


A União Europeia confirmou ao governo brasileiro, por meio de carta oficial, o restabelecimento do sistema de habilitação por indicação da autoridade sanitária nacional, o pre-listing, para estabelecimentos exportadores de carne de aves e ovos. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a decisão permite que plantas brasileiras voltadas à exportação para o bloco voltem a ser habilitadas sem a necessidade de avaliações individuais por parte das autoridades europeias.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que “uma grande notícia é a retomada do pré-listing para a União Europeia. Esse mercado espetacular, remunerador para o frango e para os ovos brasileiros estava fechado desde 2018. Portanto, sete anos com o Brasil fora”.

Com a retomada do mecanismo, os estabelecimentos que cumprirem as exigências sanitárias da União Europeia poderão ser indicados pelo Mapa. Após a comunicação oficial ao bloco, essas unidades ficam aptas a exportar. O modelo prevê que o ministério ateste a conformidade das plantas brasileiras com as normas europeias, o que torna o processo de habilitação mais ágil e previsível.

A confirmação ocorreu após uma agenda contínua de negociações com a Comissão Europeia ao longo do ano. Em 2 de outubro, uma missão do Mapa a Bruxelas, liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, apresentou um conjunto de demandas prioritárias, incluindo o restabelecimento do pre-listing para proteína animal, o avanço nas tratativas sobre pescados e o reconhecimento da regionalização de enfermidades.

Na sequência, em 23 de outubro, uma reunião em São Paulo entre Luís Rua e o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, consolidou entendimentos na pauta sanitária e registrou o retorno do sistema de pre-listing para carne de aves. O encontro também encaminhou o avanço das negociações para o pre-listing de ovos e o agendamento de uma auditoria europeia no sistema de pescados.

As autoridades ainda acordaram a retomada de um mecanismo permanente de alto nível para tratar de temas sanitários e regulatórios, com nova reunião prevista para o primeiro trimestre de 2026. O objetivo é ampliar a previsibilidade e a transparência do diálogo bilateral, reduzindo entraves técnicos e favorecendo o fluxo de comércio agropecuário.

Com o pre-listing restabelecido para carne de aves e ovos, o governo afirma que o país reforça o papel dos serviços oficiais de inspeção na garantia da segurança dos alimentos e no atendimento às exigências do mercado europeu, ao mesmo tempo em que avança em uma agenda de facilitação de comércio baseada em critérios técnicos e cooperação regulatória.





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Preço do boi gordo encerra mais um dia em queda; veja cotações



O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com tentativas de compra em patamares mais baixos no decorrer desta terça-feira (18).

“Os frigoríficos ainda estão temerosos em relação à China e qual será o posicionamento do principal importador de carne bovina brasileira em relação às investigações que vem sendo conduzidas desde o final do ano passado”, diz o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias a respeito das medidas de salvaguarda que a nação asiática estuda implementar para se proteger do impacto da importação na produção local.

Segundo ele, a demanda doméstica permanece aquecida, considerando a incidência do 13º salário, criação dos postos temporários de emprego e confraternizações inerentes ao período do final de cada ano.

Preços médios do boi gordo

  • São Paulo: R$ 324,83 — ontem: R$ 326,33
  • Goiás: R$ 320,43 — R$ 320,32
  • Minas Gerais: R$ 318,24 — R$ 318,82
  • Mato Grosso do Sul: R$ 318,75 — R$ 319,20
  • Mato Grosso: R$ 303,43 — R$ 307,00

Mercado atacadista

O mercado atacadista ainda se depara com preços firmes no decorrer da semana, e o ambiente de negócios sugere pela continuidade do movimento de alta no curtíssimo prazo.

  • Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 26,00 por quilo
  • Quarto dianteiro: segue cotado a R$ 19,50 por quilo
  • Ponta de agulha: se mantém a R$ 19,00 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,25%, sendo negociado a R$ 5,3180 para venda e a R$ 5,3160 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3152 e a máxima de R$ 5,3457.



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Embrapa aponta pecuária brasileira como parte da solução para o clima



Um documento de posicionamento lançado pela Embrapa durante a COP30 coloca a pecuária brasileira no centro das estratégias de mitigação climática. O material, elaborado por 18 pesquisadores da instituição, reforça que tecnologias já disponíveis no país, como recuperação de pastagens, manejo eficiente e sistemas integrados, reduzem emissões e elevam a produtividade no campo.

Segundo a Embrapa, práticas como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), adubação balanceada e uso de genética mais eficiente têm mostrado resultados consistentes. Produtores que adotam essas tecnologias observam retorno rápido, com maior margem, menos custos operacionais e mais segurança no negócio.

“A pecuária no Brasil, ela é um sistema baseado a pasto. Nós temos a maior parte da nossa produção em sistemas de produção a pasto. As pastagens gramíneas, elas têm uma alta capacidade de fixação do carbono, de fotossíntese e fixação do carbono, tanto nas pastagens quanto no solo”, pesquisador Embrapa, Luis Orcirio.

Além de aumentar a capacidade de lotação e evitar a abertura de novas áreas, o manejo eficiente torna a atividade alinhada aos critérios ESG (ambiental, social e de governança). A pecuária está presente em todos os municípios brasileiros e oferece oportunidades para pequenos, médios e grandes produtores, gerando renda e fortalecendo a economia rural.

Outro destaque do documento é que a pecuária tropical oferece vantagens competitivas em relação a países de clima temperado. O custo de produção é menor e o bem-estar animal é maior devido às condições naturais do ambiente tropical, o que abre portas para mercados internacionais mais exigentes.

Segundo Orcirio, é possível produzir com baixa emissão e, simultaneamente, aumentar renda e eficiência. “É possível adotar técnicas de manejo que nos permitam colocar carbono no solo, por meio das tecnologias que apresentamos nesses dois dias. Ou seja, a pecuária também pode ciclar nutrientes por meio dos coprodutos e subprodutos da agroindústria” explica.



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Ultra-atleta brasileiro defende carne bovina como alimento poderoso; entenda



A carne bovina é apresentada como o alimento mais poderoso do planeta, capaz de garantir longevidade e alta performance, segundo o ultra-atleta brasileiro Alessandro Medeiros, de 55 anos.

Ele, que adota uma dieta 100% carnívora, é um exemplo dessa teoria, competindo em maratonas extremas que somam mais de 500 quilômetros, muitas vezes em jejum total. Sua história é tema do livro “O Poder da Carne”, lançado em parceria com a nutricionista Letícia Moreira.

Em entrevista ao Giro do Boi, Medeiros afirma que a carne bovina é o único alimento capaz de fornecer energia em jejum. Letícia Moreira, também adepta da dieta carnívora, confirma que o corpo do atleta reaprendeu a utilizar a gordura animal armazenada, gerando o equivalente a mais de oitenta mil calorias durante suas competições.

Confira a entrevista completa:

Quebra de mitos sobre alimentação

O livro, que já se tornou um bestseller, visa desmistificar a ideia de que a proteína e a gordura animal são prejudiciais à saúde. Com explicações técnicas e dados científicos, a obra é considerada um documento para futuros profissionais da área de saúde.

O estilo de vida de Medeiros, que se alimenta exclusivamente de carne e gordura animal, é um manifesto contra verdades absolutas sobre nutrição.

A mensagem que Medeiros deseja transmitir aos produtores rurais é de orgulho: a carne bovina é o melhor alimento do mundo, e a pecuária brasileira é a fornecedora desse “superpoder” que garante a longevidade e a performance humana. O trabalho do atleta reforça a defesa da “comida de verdade”, que não exclui a proteína animal da dieta.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Oceanos podem cortar 35% das emissões de CO2 até 2050



A enviada especial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) para Oceanos, Marinez Scherer, anunciou nesta terça-feira (18) a criação do chamado blue package (pacote azul), um roteiro de ação para acelerar soluções baseadas no oceano. O plano foi criado por atores não estatais, especialistas climáticos brasileiros e a presidência da COP30.

Segundo ela, o blue package pode ajudar a reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em até 35% até 2050 – mais de um terço do necessário para manter o aquecimento em 1,5°C.

“Estamos confiantes de que a COP e todas as partes entendem o papel central do oceano e estão prontas para implementar soluções baseadas no oceano para a crise climática no relatório final dos documentos”, disse a enviada.

“Queremos implementar o que precisamos para restaurar e proteger zonas costeiras e ecossistemas marinhos, e garantir que o oceano continue atuando como o principal regulador climático do planeta”, complementou.

Atração de investimentos

O objetivo do pacote também é criar uma estrutura para destravar financiamento, atrair investimentos privados e construir carteiras confiáveis para detecção de riscos oceânicos.

O blue package inclui cerca de 70 soluções sobre energia renovável oceânica, descarbonização da navegação, aquicultura sustentável, conservação marinha, turismo costeiro, empreendedorismo e inovação. Entre elas, estão melhorar a relação das pessoas com o oceano e opções potenciais de transição para petróleo e gás offshore.

Essas soluções apoiam diretamente a mitigação, adaptação, proteção da biodiversidade, segurança alimentar e resiliência costeira. A estimativa é que seja necessário investir de US$ 130 bilhões a US$ 170 bilhões.

Segundo os organizadores, o valor oferece aos ministérios das finanças, bancos de desenvolvimento e investidores privados uma noção da escala necessária e de oportunidades.

“Destravar esse capital depende de condições adequadas: regulamentações certas, instrumentos de redução de risco e abordagens de financiamento misto [blended finance]. A implementação também exige responsabilização”, disse Marinez Scherer.

Plataforma de monitoramento

A enviada especial também anunciou a criação do Ocean Breakthroughs Dashboard, uma ferramenta para monitorar o progresso do cuidado com os oceanos. A ferramenta entrou no ar ontem (17) e, segundo os responsáveis, representa “um novo contrato social para a proteção dos oceanos”.

Segundo a liderança responsável pela apresentação, o oceano precisa estar no centro da agenda, ao lado das florestas e da biodiversidade, porque “vivemos em um único planeta” e esses sistemas “nos mantêm estáveis e em equilíbrio”. O blue package permitirá conectar compromissos nacionais com esforços globais já em curso.

Também foi anunciado que 17 países já se comprometeram a incorporar o oceano em seus planos climáticos atualizados. Além do Brasil e da França, Austrália, Fiji, Quênia, México, Palau, República das Seychelles, Chile, Madagascar e Reino Unido já haviam aderido à iniciativa. Os novos países são Bélgica, Camboja, Canadá, Indonésia, Portugal e Singapura.



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