segunda-feira, março 23, 2026

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os riscos da falta de inovação no campo


A agricultura moderna é um dos setores que mais dependem da inovação científica. Cada nova tecnologia desenvolvida representa anos de pesquisa, milhões em investimento e, principalmente, uma resposta concreta aos desafios enfrentados no campo — surgimento de novas pragas (ou surtos das atuais), resistência de pragas, mudanças climáticas, perda de produtividade, solos degradados e tantos outros.

O que acontece quando novas moléculas deixam de ser aprovadas ou chegam tarde demais aos produtores?

A resposta é clara — e preocupante: sem inovação, o controle se torna menos eficaz, os custos aumentam e o impacto ambiental cresce.

Nas últimas décadas, a pesquisa para desenvolvimento de novos defensivos agrícolas evoluiu significativamente. As novas moléculas químicas são mais seletivas, eficientes e seguras, e o avanço no portfólio de bioinsumos reforça ainda mais o caminho rumo à sustentabilidade da agricultura. No entanto, o ritmo de aprovação e disponibilização de novas tecnologias segue lento — e isso coloca em risco o acesso do produtor a ferramentas essenciais e compromete as boas práticas de manejo.

Sem novos ingredientes ativos, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) — que combina diferentes tecnologias e estratégias — perde parte do seu potencial. Afinal, é a diversidade de ferramentas que permite evitar a resistência, reduzir impactos e manter a produtividade das lavouras.

 

Resistência de pragas: o preço da estagnação química

As pragas evoluem. E quando as tecnologias permanecem as mesmas por tempo demais, a resistência é apenas uma questão de tempo.

Como destacam Garud et al. (2024), a falta de novas moléculas leva à dependência de ativos antigos, que acabam sendo usados de forma repetitiva. Isso acelera a seleção de populações resistentes e provoca falhas no controle — um ciclo perigoso que afeta produtividade e aumenta custos.

Esse ciclo pode ser evitado com a incorporação contínua de novas tecnologias no campo. Segundo Umetsu e Shirai (2020), mais de 105 pesticidas foram lançados ou estavam em desenvolvimento apenas na última década no mundo — incluindo fungicidas, inseticidas e herbicidas. A maioria dessas moléculas foi projetada com alto potencial de seletividade e menor persistência ambiental, atendendo às novas demandas de segurança e sustentabilidade.

Essa tendencia é mostrada por Lazarevic-Pašti et al. (2025), em seu trabalho, onde destaca que o EIQ (Environmental Impact Quotient), índice que mede o impacto ambiental e à saúde humana dos defensivos, vem caindo de forma consistente nas últimas duas décadas.

Ou seja, as moléculas mais recentes são menos tóxicas, mais específicas e com menor persistência ambiental, reduzindo riscos para polinizadores, inimigos naturais e microrganismos do solo.

Além disso, novas formulações e sistemas de liberação controlada permitem maior eficiência com doses menores, diminuindo o volume de ingrediente ativo aplicado por hectare. Isso se traduz em menor impacto e maior custo-benefício.

O resultado é uma agricultura que não apenas produz mais, mas produz melhor — com segurança, rastreabilidade e responsabilidade ambiental.

Sem inovação com o desenvolvimento de novas ferramentas, o sistema produtivo perde força. Não é apenas um problema agronômico, mas também econômico e ambiental.

O resultado é paradoxal — a ausência de novas tecnologias leva justamente ao aumento dos impactos que se busca evitar.

 

Quando a inovação não chega: o impacto da lentidão regulatória

Desenvolver um novo ingrediente ativo químico é um processo demorado, complexo e caro.  Segundo levantamento da CropLife International (2024), o custo médio global para levar uma molécula do laboratório até o mercado chega a US$ 301 milhões, somando as etapas de pesquisa, desenvolvimento e registro.

O caminho também ficou mais demorado: o tempo médio de pesquisa e desenvolvimento passou de 11 para cerca de 12 anos, refletindo a maior complexidade dos requisitos regulatórios e o volume crescente de dados exigidos para comprovar eficácia, seletividade e segurança.

Após estes 12 anos de P&D, há o tempo de análise técnico-regulatória, o que faz com que este prazo se estender ainda mais para a chegada da tecnologia no campo.

Das muitas moléculas estudadas, apenas uma em cada 140 mil chega ao mercado. Agora, imagine somar a isso processos regulatórios lentos e burocráticos. O resultado é que, muitas vezes, tecnologias seguras e eficazes — já disponíveis em outros países — demoram anos para chegar ao produtor brasileiro.

Essa defasagem cria um cenário de desvantagem competitiva e aumenta a pressão sobre as moléculas antigas, que seguem sendo utilizadas por falta de alternativas.

Em um mercado global que evolui rapidamente, não aprovar ou demorar para aprovar novas tecnologias é também uma forma de retroceder.

 

Regulação com rigor e ciência: o equilíbrio que o agro precisa

No Brasil, o uso de defensivos químicos é rigidamente regulamentado, com uma das legislações mais completas e exigentes do mundo.

A Lei nº 14.785/2023 estabelece normas que abrangem todas as etapas do ciclo de vida dos produtos, desde a pesquisa e desenvolvimento, passando pela produção, comercialização, transporte e aplicação, até o descarte e a destinação final das embalagens.

Esse arcabouço garante que nenhum produto chegue ao campo sem antes passar por três avaliações independentes, conduzidas por órgãos federais com diferentes competências:

•    o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), responsável pela eficácia agronômica;

•    o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que analisa os impactos ambientais;

•    e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia os riscos à saúde humana.

Os critérios utilizados por essas instituições estão alinhados às principais agências internacionais, como a EPA (EUA) e a EFSA (União Europeia), reforçando o compromisso do Brasil com o Código Internacional de Conduta para o Gerenciamento de Pesticidas, da FAO.

Manter o rigor científico é essencial — mas é igualmente importante que o processo não se torne uma barreira à inovação. A lentidão nos registros pode atrasar a chegada de novos produtos, ampliar a dependência de moléculas antigas e gerar, portanto, ineficácia de controle de pragas no campo.

No fim das contas, a inovação só se concretiza quando governo, academia e setor produtivo trabalham juntos.

É dessa colaboração que nasce o equilíbrio entre rigor, agilidade e sustentabilidade — e é ela que garante que o Brasil continue sendo uma referência mundial em produtividade e manejo responsável.

 

Inovação é só o começo: o papel do uso correto

Por mais modernas que sejam as moléculas, o sucesso delas depende do uso responsável e técnico.

A rotação de modos de ação, a dose correta e o momento ideal de aplicação são estratégias essenciais para prolongar a vida útil das moléculas e evitar novas situações de resistência e ressurgência de pragas.

Sem isso, até mesmo as tecnologias mais inovadoras podem perder eficácia rapidamente. O uso inadequado — seja por repetição, subdosagem ou pulverizações excessivas — aumenta a pressão seletiva sobre as populações de pragas, comprometendo o manejo integrado e elevando custos.

O MIP é a base desse equilíbrio. Ele integra bioinsumos, químicos, manejo genético e cultural para garantir produtividade sustentável, usando cada ferramenta no momento certo e da maneira correta.

 

Inovação também é manejo

Falar em novas moléculas não é apenas discutir produtos: é falar em ciência aplicada ao manejo. Cada ingrediente ativo aprovado é o resultado de uma longa jornada de pesquisa, testes e validações que têm como objetivo tornar o campo mais produtivo, seguro e sustentável.

Com novas tecnologias, abrimos espaço para uma agricultura que usa menos, mas produz mais; que protege o solo, a água e a biodiversidade; e que continua a alimentar o mundo com eficiência e responsabilidade.

Como costumo dizer: não existe milagre, existe manejo — e dentro desse manejo, a inovação é a engrenagem que mantém o agro em movimento.

 

Texto desenvolvido por:

Dra. Gabriela Vieira: Engenheira agrônoma, bióloga, doutora em fitossanidade e é especialista em Manejo Integrado de Pragas (MIP) e produtos biológicos. Trabalha como consultora, palestrante e treina profissionais do agro no Brasil todo.

Descascando a Ciência: Empresa de comunicação que traduz a ciência em conteúdos estratégicos e acessíveis. Atuamos com planejamento, produção e divulgação de pesquisas e tecnologias para aproximar ciência, sociedade e mercado.

Principais referências:

CropLife International. Time and Cost of new agrochemical product discovery, development and registration. AgbioInvestor, 2024. 

Garud, A., et al. A Scientific Review of Pesticides: Classification, Toxicity, Health Effects, Sustainability, and Environmental Impact. Cureus, 2024.

Lazarevic-Pašti, T., et al. With or Without You?—A Critical Review on Pesticides in Food. Foods, 2025.

Umetsu, N., & Shirai, Y. Development of Novel Pesticides in the 21st Century. Pesticide Biochemistry and Physiology, 2020.

 





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Seguro rural brasileiro deveria seguir modelos de Espanha e EUA, diz FGV Agro



O projeto de lei 2.951/2024, que atualiza o marco legal do seguro rural, foi aprovado na última quinta-feira (27) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A proposta busca dar previsibilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR) e reorganizar a política de gestão de risco no campo.

Entre as discussões do texto está a obrigatoriedade de o produtor estar assegurado para conseguir receber crédito extraordinário do governo em casos de catástrofe ambiental.

Para o coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, Pedro Loyola, neste caso, o Brasil deveria seguir o modelo adotado na Espanha, onde o Estado não cobre custos de produtores sem proteção, mas nos casos em que a seguradora não arcou com todo o prejuízo, o governo oferece ajuda.

“Então, talvez seja interessante incentivar para que seja um mecanismo do seguro rural, de dar acesso não só ao crédito facilitado, com taxa de juros menores, porque o risco é menor, como também para um fundo de catástrofe ou ajuda extraordinária do governo para uma renegociação”, considera.

De acordo com ele, o seguro rural apenas será bem-sucedido no Brasil quando o governo brasileiro encará-lo como política de Estado e conferir subsídios a sua operacionalização, como também acontece nos Estados Unidos, Turquia e Colômbia, por exemplo.

“Nessas nações, o Estado tem um papel muito importante, não só subsidiando o prêmio do seguro, como atuando junto às seguradoras que não querem, às vezes, atuar em uma região que tem muito problema, então o governo paga parte dos custos administrativos”, exemplifica.

De acordo com Loyola, se o governo não entra como um braço financiador, gera-se uma falha de mercado, ou seja, o preço pago pelo produtor torna-se muito alto porque está diretamente relacionado ao risco da operação, sendo que o seguro agrícola cobre, majoritariamente, danos em culturas causados por secas, geadas, granizos e chuva severa.

“Então se paga muita indenização todo ano porque o Brasil é muito grande e, assim, não se consegue equalizar essa conta. Então o prêmio sobe demais por conta de pagamento de muita indenização, o produtor não contrata e a seguradora não consegue vender”, sintetiza.



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Produção recorde nos EUA pressiona preços do milho



No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná


No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná
No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná – Foto: Leonardo Gottems

A nova projeção do USDA indica avanço significativo na produção, consumo, exportações e estoques finais de milho nos Estados Unidos para a safra 2025/26. Segundo análise do Itaú BBA, a entidade estima que a produção americana alcance cerca de 425 milhões de toneladas, sustentada por aumento de área e melhora de produtividade. Do lado da demanda, as exportações foram ajustadas para 78,1 milhões de toneladas e os estoques finais devem crescer cerca de 40 por cento frente ao ciclo 2024/25.

Mesmo com a projeção de queda nos estoques globais de milho, a oferta elevada nos EUA tende a manter os preços pressionados. O cenário é reforçado pela forte produção chinesa e pela menor necessidade de importações pelo país. Esse equilíbrio confortável no balanço americano funciona como fator limitante para altas expressivas no mercado internacional do cereal.

No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná e em parte do Mato Grosso, enquanto Goiás e Minas Gerais ainda tentam recuperar atrasos. Em Tocantins e Maranhão, as chuvas irregulares dificultam a implantação das lavouras e exigem atenção redobrada nas próximas semanas. A definição da janela ideal será determinante para o nível de investimento da segunda safra.

Com a melhora na relação de troca entre milho e fertilizantes, favorecida pela queda no preço dos insumos, produtores que concluíram rapidamente o plantio da soja podem ampliar a área destinada ao milho safrinha. A decisão final dependerá da combinação entre preços, potencial de rentabilidade, andamento da colheita e risco climático. Caso o ciclo da soja permaneça dentro da normalidade, a perspectiva para o milho 2ª safra segue positiva. Em regiões com atraso, como Goiás e Minas, pode haver limitação de área, redução tecnológica e menor investimento, embora o milho continue sendo a opção mais atrativa pela liquidez e mercado consolidado.





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veja como o mercado fechou a semana



O mercado físico do boi gordo encerra a semana mantendo o padrão dos negócios em grande parte do país.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte ainda sinalizam para uma posição de relativo conforto em suas escalas de abate.

“No entanto, a expectativa é de uma boa demanda em dezembro, com o mercado interno contando com bons indicadores de consumo, enquanto a exportação segue aquecida, com o retorno da demanda norte-americana por carne bovina brasileira”, conta.

Segundo ele, a expectativa é de bom ritmo de exportação para os Estados Unidos, diante da grande necessidade de compra dos norte-americanos, considerando a atual posição do rebanho de bovinos no referido país.

Preços médios da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 322,08
  • Goiás: R$ 313,93
  • Minas Gerais: R$ 317,06
  • Mato Grosso do Sul: R$ 317,27
  • Mato Grosso: R$ 299,53

Mercado atacadista

O mercado atacadista volta a se deparar com acomodação em seus preços no decorrer da sexta-feira.

“O ambiente de negócios volta a sugerir pela alta dos preços no curto prazo, em linha com o ótimo potencial de consumo durante o último bimestre. Cortes do traseiro apresentam maior potencial de valorização nesse período do ano pelo perfil de consumo”, disse Iglesias.

  • Quarto traseiro: segue a R$ 25,50 por quilo;
  • Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 19,00 por quilo;
  • Ponta de agulha: se mantém a R$ 18,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,31%, sendo negociado a R$ 5,3346 para venda e a R$ 5,3326 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3232 e a máxima de R$ 5,3572. Na semana, a moeda teve valorização de 0,08%.



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Milho com sabugo no sistema de creep feeding melhora peso ao desmame dos bezerros



A utilização do milho com sabugo no sistema de creep feeding pode contribuir para o aumento do peso ao desmame dos bezerros, desde que a dieta seja devidamente balanceada.

O pecuarista José Luiz, de Tombos (MG), questionou a viabilidade dessa prática e recebeu a confirmação do zootecnista Luís Kodel, que ressaltou que, embora o milho com sabugo seja uma fonte de energia permitida, é fundamental a complementação proteica.

O creep feeding consiste em oferecer um suplemento exclusivo aos bezerros ainda mamando, o que visa aumentar seu peso ao desmame. Segundo Kodel, o principal ponto de atenção na utilização do milho com sabugo é sua composição quase totalmente energética, o que exige que o produtor adicione fontes proteicas à dieta para garantir um desenvolvimento saudável dos animais.

Confira:

Formulação da dieta para creep feeding

A sugestão de formulação para a dieta do creep feeding deve incluir um equilíbrio entre energia e proteína. O milho com sabugo é valorizado por suas características nutricionais, boa palatabilidade e por ser uma ótima fonte de fibra, essencial para o desenvolvimento do rúmen dos bezerros.

Além disso, Kodel enfatiza a importância de atentar-se às dimensões do cocho do creep feeding, para que apenas os bezerros tenham acesso à mistura, garantindo um consumo adequado. A suplementação correta é crucial para que os bezerros apresentem um bom desempenho e peso ao desmame.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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plantio de soja em MT chega a 99,69% de área



A semeadura da safra 2025/26 de soja no Mato Grosso alcançou 99,69%, segundo boletim do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), com dados de 28 de novembro. Na semana anterior, o índice estava em 98,84%, enquanto no mesmo período do ano passado o plantio já havia sido finalizado, com 100% da área semeada.

Plantio de soja pelo Brasil, segundo a Conab

Pelo Brasil, o plantio da soja atingiu 78% da área prevista, conforme o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O percentual representa avanço de 9 pontos percentuais em relação à semana anterior, quando a semeadura estava em 69%.

Os índices estaduais de plantio são os seguintes: São Paulo (100%), Mato Grosso (99,1%), Mato Grosso do Sul (95%), Paraná (92%), Minas Gerais (79,5%), Goiás (74%), Tocantins (72%), Bahia (65%), Santa Catarina (52%), Rio Grande do Sul (47%), Piauí (35%) e Maranhão (19%).

Com informações da Safras & Mercado.



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Black Friday no agro ainda é oportunidade desperdiçada, aponta estudo



A Black Friday segue como uma das principais do varejo digital brasileiro, mas ainda passa quase despercebida pelas plataformas do agronegócio. A constatação aparece no estudo “Black Friday no agro: os marketplaces do setor aproveitam a data?”, conduzido pela Macfor.

A agência mapeou tendências de busca, desempenho das principais empresas do segmento e estratégias de comunicação adotadas no período promocional. A análise indica um cenário claro: enquanto o interesse do consumidor rural por compras online aumenta, o mercado ainda não converte essa demanda em experiência, competitividade e vendas.

Segundo o sócio e VP de Atendimento e Operações da companhia, Diogo Luchiari Fructuoso, os números evidenciam uma distância crescente entre o comportamento digital do cliente e a maturidade dos canais agrícolas. Ele destaca que o público busca mais, pesquisa mais, mas não encontra, nesses ambientes, a mesma eficiência observada no comércio tradicional.

Busca por produtos agrícolas cresce

O estudo revela que as buscas por produtos agrícolas continuam crescendo de forma consistente. Itens como ureia, tratores, glifosato, sementes e colheitadeiras lideram o ranking, com a ureia superando 74 mil pesquisas e os tratores ultrapassando 60 mil.

Na comparação entre 2024 e 2025, o aumento é robusto: cocho para gado avança 16,67%, tratores crescem 12,5% e glifosato sobe 10,61%. Fructuoso aponta que o comprador do campo está cada vez mais digital, e essa mudança de comportamento exige respostas rápidas das plataformas, que ainda operam com estruturas inferiores às do varejo tradicional.

O levantamento também aponta desafios críticos na experiência do usuário. Muitos sites exigem login para visualizar preços, escondem produtos logo no início da navegação e apresentam layouts pouco intuitivos.

As consequências aparecem nas taxas de rejeição, que superam 80% em canais como a Agroline e passam dos 90% na Grão Direto, conforme o levantamento. Em contraste, páginas que exibem preços e informações de forma clara registram rejeições bem menores, chegando a 24% no caso da Agrosolo, por exemplo.

Outro ponto destacado é o baixo investimento em tráfego pago durante o período promocional. Mesmo marcas consolidadas reduziram os aportes em pesquisa paga em 2024 e novamente em 2025, enquanto empresas menores apenas começam a testar campanhas digitais.

“Essa retração é um sinal de imaturidade estratégica, já que datas de alto volume são historicamente impulsionadas por investimento publicitário intenso. Ainda falta ao agro uma cultura mais consistente de ações segmentadas, conteúdo relevante e presença digital contínua”, reforça Fructuoso.

Apesar disso, algumas categorias tiveram iniciativas pontuais na ocasião, sobretudo em rações, controle biológico, veículos, maquinário pesado e fertilizantes. Houve exemplos de promoções com até 80% de desconto, frete grátis e condições facilitadas, mas de forma isolada e sem campanhas estruturadas.

A agência observa que boa parte dos sites não aproveita o tráfego natural do período e perde a chance de construir relacionamento, fidelizar e aumentar o ticket médio. “A pesquisa confirma que o produtor já está pronto para uma jornada digital semelhante à do varejo, mas o agro ainda precisa acelerar. A Black Friday deveria funcionar como um catalisador de inovação no comércio agrícola, e não como uma data tratada de maneira periférica”, atesta o especialista.

O relatório conclui que a ocasião é uma oportunidade subaproveitada pelo agronegócio brasileiro. E, com o crescimento contínuo das buscas e o avanço da digitalização no campo, o momento é decisivo para as marcas do setor se reposicionarem.



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