sábado, março 21, 2026

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Diagnóstico técnico orienta manejo mais eficiente da soja



O diagnóstico também evidenciou a importância de reduzir áreas de solo exposto


O diagnóstico também evidenciou a importância de reduzir áreas de solo exposto
O diagnóstico também evidenciou a importância de reduzir áreas de solo exposto – Foto: Pixabay

A identificação detalhada das condições do campo tem papel central na definição de estratégias de manejo mais eficientes e duradouras. Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Diones Sousa, uma avaliação recente apontou a presença de plantas daninhas perenes, sinal de falhas anteriores e de que o controle precisa ser mais direcionado. Ele observa que esse tipo de ocorrência exige o uso de herbicidas sistêmicos ou misturas específicas aplicadas no momento adequado, medida essencial para evitar rebrote e aumentar a eficiência operacional.

O diagnóstico também evidenciou a importância de reduzir áreas de solo exposto e fortalecer a cobertura vegetal, prática que contribui para diminuir a reinfestação e o banco de sementes. Para o agrônomo, a análise criteriosa, apoiada em conhecimento técnico e visão comercial ajustada à realidade do produtor, é o caminho para elevar a consistência do manejo.

Sua experiência no setor reforça a ideia de transformar informação técnica em resultados práticos. Isso envolve identificar corretamente os desafios presentes na área, propor soluções que combinem tecnologia, manejo e viabilidade econômica, garantir eficiência no controle dentro do sistema produtivo e orientar decisões que influenciam diretamente a rentabilidade. 

Ele destaca que o manejo inteligente depende de diagnóstico preciso, planejamento estruturado e acompanhamento contínuo. Cada visita ao campo passa a ser vista como uma oportunidade de antecipar problemas, ajustar estratégias e converter dados em soluções aplicáveis. As informações foram divulgadas em seu perfil no LinkedIn.

 





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Aprovações do BNDES a exportadores atingidos pelo tarifaço chegam a quase R$ 10 bi



O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 9,72 bilhões em créditos do Plano Brasil Soberano para empresas afetadas pela nova política tarifária imposta pelo governo dos Estados Unidos.

De acordo o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, esse valor representa 717 operações, sendo 171 com grandes empresas e 546 com micro, pequenas e médias.

“O Plano Brasil Soberano foi uma importante determinação diante do tarifaço unilateral do governo Trump e contribuiu para proteger os empregos e ampliar a resiliência das empresas e da indústria nacional atingida. Com quase R$ 10 bilhões aprovados, mais uma vez, o BNDES foi fundamental para a execução dessa exitosa política pública”, avaliou.

Os estados mais beneficiados até o momento são: São Paulo (R$ 2,96 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 1,33 bilhão), Santa Catarina (R$ 1,26 bilhão) e Paraná (R$ 1,08 bilhões).

No recorte por setor, a indústria de transformação lidera com R$ 7,8 bilhão. Na sequência, aparecem comércios e serviços (R$ 1,21 bilhão), agropecuária (R$ 557,13 milhões) e indústria extrativa (R$ 153,47 milhões).

Novos recursos

A demanda por novos recursos permanece elevada, diz o banco, em nota. Desde 21 de novembro, quando foi aberta uma nova consulta de elegibilidade para fornecedores e empresas exportadoras, 267 protocolos foram criados. A soma do crédito demandado nas diversas linhas disponíveis alcança R$ 4,55 bilhões.

O Plano Brasil Soberano foi lançado em agosto por meio da Medida Provisória 1309/2025, em resposta ao tarifaço implementado pelos Estados Unidos. Uma das medidas previstas é a concessão de R$ 40 bilhões em crédito via BNDES.

As primeiras aprovações ocorreram em setembro. No mês passado, o governo americano anunciou alguns recuos, retirando carne bovina, tomates, café, bananas e outros produtos agrícolas brasileiros da lista de mercadorias afetadas pela sua nova política.

“Apesar da redução das tarifas, a maior parte da indústria brasileira ainda conta com 40% de sobretaxa adicional”, observou o diretor de Planejamento e Relações Institucionais​​ do BNDES, Nelson Barbosa.

Nova consulta de elegibilidade

A nova consulta de elegibilidade foi aberta após uma mudança nos critérios para acesso ao crédito. Inicialmente, foram disponibilizados R$ 30 bilhões provenientes do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para empresas que foram impactadas por uma tarifa de 50% e cujo faturamento bruto com exportações aos Estados Unidos fosse igual ou superior a 5% do total apurado entre julho de 2024 e junho de 2025.

Os outros R$ 10 bilhões, envolvendo recursos próprios do BNDES, foram alocados para a concessão de crédito a empresas que exportam produtos atingidos com tarifas menores que 50%.

Alterações foram anunciadas pelo governo no início do mês passado e formalizadas por meio da Portaria 21 dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Passaram a ter acesso ao crédito as empresas cujo faturamento bruto com exportações aos Estados Unidos fosse igual ou superior a 1% do total apurado entre julho de 2024 e junho de 2025. Além disso, o apoio aos exportadores foi estendido também aos seus fornecedores. Cabe a Receita Federal, juntamente com o MDIC, informar ao BNDES quais são as empresas elegíveis.

*Informações da Agência BNDES



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Mato Grosso amplia exportação de carne bovina para Ásia em 40%



Mato Grosso ampliou em 39,4% os embarques de carne bovina para a Ásia entre janeiro e outubro de 2025, na comparação com igual período de 2024, informou o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) em nota.

O estado enviou cerca de 458 mil toneladas de proteína bovina para 12 países asiáticos. Neste ano, 60,6% de toda a carne exportada pelos pecuaristas mato-grossenses teve como destino o continente, participação maior que os 52,2% registrados em 2024.

“A Ásia é hoje o principal motor de crescimento para as exportações de carne bovina e Mato Grosso está muito bem posicionado para atender essa demanda”, disse, em nota, o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade.

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A China continua como o principal destino. De janeiro a outubro de 2025, os chineses compraram 413,6 mil toneladas, acima das 284,1 mil adquiridas no igual intervalo de 2024.

A Indonésia teve o salto mais expressivo: passou de apenas 250 toneladas em 2024 para 3,1 mil toneladas nos dez primeiros meses de 2025, alta de 1.160%.

Além desses mercados, Mato Grosso também ampliou embarques para Macau, Hong Kong, Filipinas, Timor-Leste, Cingapura, Malásia, Camboja, Maldivas, Casaquistão e Turcomenistão.



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Busca por eficiência na pecuária leva produtores a repensarem o manejo de pastagens



No norte de Mato Grosso, pecuaristas têm buscado novas formas de aumentar a produtividade e reduzir custos no campo. Em Nova Bandeirantes, a fazenda do pecuarista, Henrique Della Rosa, se tornou um exemplo desse movimento ao adotar um sistema de manejo de pastagens mais estratégico, aliado à terminação intensiva a pasto (TIP) e ao uso de tecnologias que otimizaram as operações.

Della Rosa trabalha há cerca de 10 anos com recria e engorda, sempre com foco em melhorar o desempenho do rebanho. O avanço começou com o entendimento de que fatores como tamanho dos piquetes, distância até a água e acesso ao coxo influenciam diretamente no resultado. O sistema de pastejo rotacionado, aprimorado ao longo do tempo, abriu caminho para o próximo passo.

Nos últimos dois anos, a fazenda entrou em uma nova fase com a implementação da terminação intensiva a pasto. O processo envolveu a instalação de uma fábrica de ração, aquisição de carregadeira, distribuidor e outros equipamentos que permitiram maior agilidade e precisão na distribuição do alimento. “A ideia é melhorar a logística e garantir máxima eficiência no ganho de peso”, explicou o produtor.

A propriedade foi dividida em 24 módulos, cada um com setores que reúnem até quatro remangas e de nove a 12 piquetes, com áreas de 5 a 8 hectares. O grande diferencial está no uso do coxo de autoconsumo, que dispensa o manejo diário. A tecnologia, pouco difundida até então, foi testada e adaptada pela equipe.

O resultado foi uma redução significativa na frequência de trato. “Num período de 100 a 120 dias de engorda, visitamos o coxo apenas 25% dos dias, ou seja, duas vezes por semana”, destaca Della Rosa.

Pecuária além da porteira

Além da pecuária, a fazenda mantém áreas de teca e mogno-africano desde 2014. O sistema integrado oferece sombra ao gado e gera renda complementar, embora não seja o foco principal do negócio.

A grande virada, no entanto, veio quando a família passou a olhar a pecuária para além da produção. Após 25 anos concentrados em índices zootécnicos, os últimos cinco foram dedicados a entender melhor a comercialização.

“Isso fez a gente entender que você pode ser o melhor nos índices zootécnicos, mas se você estiver comprando a categoria de animal errada e na hora errada, os seus resultados serão comprometidos. Ou seja, a produção não superará o comércio”, afirma Della Rosa.

Segundo o consultor do programa Fazenda Nota 10 reforça que gestão, números e estratégia são cada vez mais indispensáveis, avaliar custos, margens e produtividade se tornou rotina obrigatória. “O pecuarista precisa conhecer seus números, como está o seu negócio. Olhar para a pastagem, produtividade, saúde e bem-estar animal”, destaca.



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confira como o mercado estreou dezembro



O mercado físico do boi gordo abre a semana apresentando preços em predominante acomodação. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, muitas indústrias permanecem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no restante da semana.

“Vale mais uma vez mencionar que a expectativa de demanda para o mês de dezembro é favorável, com o consumo no mercado doméstico em seu ápice e com um forte ritmo de embarques, com a retomada das vendas aos Estados Unidos como ponto forte em um momento em que a demanda chinesa costuma não ser tão intensa”, ressaltou.

Preços da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 322,33
  • Goiás: R$ 314,11
  • Minas Gerais: R$ 317,35
  • Mato Grosso do Sul: R$ 318,52
  • Mato Grosso: R$ 299,73

Mercado atacadista

O mercado atacadista volta a se deparar com acomodação em seus preços no decorrer da segunda-feira.

“O ambiente de negócios ainda sugere pela alta dos preços no curto prazo, em linha com o ótimo potencial de consumo durante o último bimestre. Cortes do traseiro apresentam maior potencial de valorização nesse período do ano pelo perfil de consumo”, detaha Iglesias.

  • Quarto traseiro: segue a R$ 25,50 o quilo;
  • Quarto dianteiro: ainda está a R$ 1900 por quilo;
  • Ponta de agulha: se mantém a R$ 18,50 por quilo.

Já o dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,44%, sendo negociado a R$ 5,3585 para venda e a R$ 5,3565 para compra



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Alta ou queda? Saiba as cotações de soja na primeira segunda-feira de dezembro



O mercado brasileiro de soja teve um dia de poucas novidades nesta segunda-feira (1°). De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, preços melhoraram em algumas praças, mas foram movimentos pontuais. Ele acrescenta que as melhores indicações apareceram no porto, com pagamento no final de dezembro e janeiro, porém sem grandes ofertas efetivas.

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Segundo Silveira, o produtor continua segurando o que resta da soja disponível, enquanto a safra nova segue com vendas muito lentas. “O dólar subiu e Chicago caiu mais forte, mas os prêmios ajustaram esse movimento, deixando os preços do spot praticamente estáveis”, avaliou.

Soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 136,00 para R$ 137,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 137,00 para R$ 138,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 124,00 para R$ 126,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 126,50
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 127,00 para R$ 128,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 143,00 para R$ 144,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta segunda-feira (1°) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O cenário de ampla oferta mundial da commodity e as dúvidas sobre o ritmo das compras chinesas pressionaram as cotações na abertura da semana, com agentes realizando lucros acumulados recentemente.

O mercado segue cético quanto à possibilidade de a China encerrar o ano com a aquisição de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, conforme o acordo anunciado entre Pequim e Washington no final de outubro. As compras aumentaram, mas ainda aquém do necessário, enquanto a soja sul-americana mantém alta competitividade.

As exportações líquidas norte-americanas de soja na temporada 2025/26 somaram 1,449 milhão de toneladas na semana encerrada em 23 de outubro, segundo o USDA. As inspeções de exportação atingiram 920.194 toneladas na semana encerrada em 27 de novembro.

Contratos futuros

Os contratos da soja em grão para janeiro recuaram 9,75 centavos (0,85%), fechando a US$ 11,28 por bushel. O mês de março terminou a US$ 11,38 por bushel, queda de 8,00 centavos (0,69%).

Nos subprodutos, o farelo para janeiro caiu US$ 4,10 (1,28%), a US$ 314,60 por tonelada. O óleo para janeiro subiu 0,31 centavo (0,59%), fechando a 52,36 centavos de dólar.

Câmbio

O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,3585 para venda e R$ 5,3565 para compra, oscilando entre R$ 5,3277 e R$ 5,3617 ao longo da sessão.



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Espanha registra dois casos de peste suína africana em javalis



A Espanha mobilizou 117 integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME) para combater o surto de Peste Suína Africana (PSA) detectado na última sexta-feira (28) no Parque Natural de Collserola, região metropolitana de Barcelona, e formalizado nesta segunda (1) pelas autoridades do país.

Em coletiva de imprensa, o responsável regional de Agricultura, Òscar Ordeig, contou que dois javalis foram encontrados mortos e testaram positivo para a doença. Segundo ele, os militares destacados se juntam a outros 300 agentes para realizar trabalhos com drones, desinfecção, prospecção, busca e retirada de animais.

Após a confirmação dos casos, os primeiros na Espanha desde 1994, foi decretado alerta sanitário e fechado um amplo perímetro de mata nas imediações do parque onde os casos foram descobertos. De acordo com Ordeig, por enquanto não há registro de outras ocorrências, porém, oito mortes suspeitas de javalis aguardam resultado de laboratório.

A Espanha é o maior exportador de carne suína da União Europeia e ocupa a terceira posição no mundo, vendendo todos os anos cerca de 2,7 milhões de toneladas para mais de 100 países, quase 90% a mais que a 1,45 milhão que o Brasil deve embarcar em 2025.

Conforme as autoridades do país, considera-se que o vírus da PSA pode ter chegado por meio de um embutido contaminado transportado por estrada e consumido pelos javalis, hipótese que ainda não foi confirmada.

Vale lembrar que a Peste Suína Africana não afeta seres humanos, mas é altamente contagiosa e letal entre os suínos.



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Demanda firme sustenta preços no mercado de feijões



No feijão-preto, o cenário permaneceu semelhante ao das últimas semanas


No feijão-preto, o cenário permaneceu semelhante ao das últimas semanas
No feijão-preto, o cenário permaneceu semelhante ao das últimas semanas – Foto: Canva

A semana foi marcada por maior movimentação no mercado de feijões, com destaque para a região de Paranapanema e Itaí, em São Paulo. Segundo o Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (Ibrafe), a demanda pelo feijão-carioca ganhou ritmo e trouxe um ponto de equilíbrio momentâneo às negociações. Os valores ficaram próximos de R$ 240 por saca ao produtor, com prazos de pagamento entre 15 e 30 dias. O comportamento indica estabilidade, embora ainda reflita a postura de compradores que testam alternativas diante da oferta limitada.

No feijão-preto, o cenário permaneceu semelhante ao das últimas semanas. As negociações seguiram entre R$ 130 e R$ 150 por saca de 60 quilos, variando conforme a qualidade e a urgência de cada operação. O mercado avança em ritmo moderado, mas com firmeza suficiente para sustentar as referências dentro desse intervalo.

O feijão-rajado continua com poucos negócios em Minas Gerais. Há conversas em andamento, porém sem volume capaz de firmar uma referência mais sólida. Os preços giram em torno de R$ 190 a R$ 200 FOB Goiás e Minas Gerais, o que evidencia a sensibilidade das condições atuais. Parte do produto permanece estocada com exportadores que não encontraram espaço para escoar todo o volume produzido neste ano.

O comportamento da semana reforça características típicas do período de entressafra, no qual a maior oferta tende a estabilizar as cotações e alongar prazos. O mercado segue operando com cautela e atenção redobrada, especialmente diante da expectativa de estoques mínimos para o Feijão-carioca. As informações foram divulgadas na última sexta-feira.

 





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Especialista chama Marina Silva de ‘extremista’ e critica visão ecológica



A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, voltou a criticar a decisão do Congresso Nacional de derrubar os 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Geral do Licenciamento Ambiental.

Em publicação nas redes sociais, Marina diz que o ato fragiliza salvaguardas ambientais importantes em um momento de crescente ocorrência de eventos climáticos extremos no país.

Segundo a ministra, os vetos presidenciais foram embasados em pareceres técnicos, jurídicos e científicos, construídos com a participação de órgãos ambientais e representantes da sociedade civil.

“Os vetos tinham um propósito muito claro, proteger a vida das pessoas, nossos biomas e o desenvolvimento econômico do país, bem como garantir segurança jurídica para os negócios e empreendimentos responsáveis”, afirmou. Ela citou ainda que a derrubada dos vetos ocorre enquanto o Brasil enfrenta consequências de tragédias como Mariana e Brumadinho, além da seca na Amazônia, das chuvas no Rio Grande do Sul e do tornado no Paraná.

Outro lado

O presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Ibrades), Georges Humbert, discordou da avaliação de Marina e classificou a posição da ministra como “extremista”, afirmando que ela se apoia exclusivamente em uma visão ecológica e ideológica.

Para Humbert, o atual modelo de licenciamento ambiental brasileiro é “atrasado”, baseado em normas de 1986 e 1997, e não acompanha os avanços tecnológicos disponíveis hoje, como monitoramento por satélite, uso de drones e georreferenciamento. “O Brasil tem as normas ambientais mais restritivas e protetivas do G20. Somos campeões em preservação quando comparados às maiores economias do mundo”, destacou.

O presidente lembrou que o país opera há décadas sem uma lei federal de licenciamento, baseando-se em resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), instrumento que, segundo ele, não foi capaz de impedir tragédias como Mariana e Brumadinho.

Para Humbert, ao contrário da visão da ministra, o retrocesso estaria na manutenção do sistema atual, que, em sua avaliação, impede avanços estruturais e não oferece a segurança jurídica necessária.

Ele também argumentou que o licenciamento ambiental deveria tratar de forma diferente realidades distintas entre campo e cidade. “A lei moderniza o sistema ao tratar situações desiguais de forma desigual”, afirmou.

O especialista defendeu ainda que resoluções criadas antes mesmo da Constituição de 1988 não deveriam prevalecer sobre uma lei debatida por mais de 20 anos no Legislativo. “A ausência dessa lei e o veto a ela representam um retrocesso democrático”, completou.

Reflexos para o agronegócio

Ao comentar possíveis reflexos da decisão para o agronegócio, Humbert avaliou que o setor tende a ser beneficiado. Para ele, as atividades agropecuárias têm impactos conhecidos e mitigáveis, que dispensariam um licenciamento trifásico.

“O agro espera que a lei seja estabilizada, que a segurança jurídica ao sistema de licenciamento ambiental e que a ideologia, o extremismo ecológico, a paixão ideológica da ministra não prevaleça à Constituição”, concluiu.



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