quarta-feira, maio 13, 2026

Agro

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China pede respeito aos EUA antes de nova rodada de negociações sobre tarifa



A China afirmou, nesta segunda-feira (28), que busca “respeito mútuo e reciprocidade” nas negociações tarifárias com os EUA, às vésperas de uma nova rodada de conversas bilaterais em Estocolmo. O encontro, que deve se estender por dois dias, tem como objetivo evitar o fim da trégua comercial firmada entre as duas potências, cujo prazo expira em 1º de agosto, segundo informações da agência AFP.

As delegações chinesa e americana se reúnem pela terceira vez na capital sueca, em meio ao
cenário de incertezas sobre o futuro das tarifas impostas por Washington. Bandeiras dos dois países tremulavam em frente ao Rosenbad, sede do governo sueco, conforme relatado pela AFP.

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Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou que “espera-se que a parte americana, junto com a China, reduza os mal-entendidos, fortaleça a cooperação e promova o desenvolvimento estável, saudável e sustentável das relações entre China e Estados Unidos”.

As tratativas ocorrem sob a pressão de um ultimato dado pelo presidente estadunidense Donald Trump, que estipulou o início de agosto como prazo final para rever os acordos com diversos parceiros comerciais. Caso não haja avanços, novas tarifas podem ser aplicadas a uma ampla gama de produtos importados.

Estão previstos aumentos que variam de 10% a 50% para bens provenientes do Brasil, enquanto México e Canadá enfrentam possíveis elevações de 30% e 35%. Se implementadas, essas medidas elevariam ainda mais a média tarifária dos Estados Unidos sobre importações – já no nível mais alto desde a década de 1930, segundo o centro de pesquisa Budget Lab, da Universidade de Yale.



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Embarques de carne bovina no Porto de Paranaguá crescem 48% no primeiro semestre de 2025



A empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, a TCP, alcançou um novo recorde histórico para a operação de contêineres no primeiros semestre de 2025, com a movimentação de 803.041 TEUs (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés), volume que representou uma alta de 3% em relação aos 780.460 TEUs registrados no mesmo período do ano passado.

Um dos destaques do período foi a operação de contêineres refrigerados, como os utilizados na exportação e importação de carnes e congelados, que atingiu uma nova máxima com 69.290 unidades movimentadas, um crescimento de 7% em relação às 64.641 unidades registradas em 2024.

Os embarques de carne bovina na TCP chegaram a 449 mil toneladas, configurando um crescimento de 48% frente às 303 mil toneladas registradas no primeiro semestre do ano anterior. Com isso, a participação de mercado do Terminal passou de 23% para 31% nas exportações neste segmento.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), no acumulado dos seis primeiros meses de 2025, os embarques de carne bovina tiveram uma alta de 13,4%, chegando a 1,47 milhão de toneladas, enquanto o faturamento cresceu 27,1%, atingindo a marca de US$ 7,23 bilhões. As principais origens do produto foram os estados de Mato Grosso e São Paulo, e os três maiores destinos foram China, Estados Unidos e México.

Já a carne de frango congelada seguiu como a principal mercadoria embarcada, com um volume total de 1,13 milhão de toneladas exportadas, conferindo ao Terminal uma participação de mercado de 43% no segmento. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país embarcou 2,6 milhões de toneladas no primeiro semestre, gerando uma alta de 5% na receita, que foi de US$ 4,871 bilhões. Os maiores compradores da carne de frango brasileira foram Emirados Árabes, China e Arábia Saudita.

“Os investimentos mais recentes em infraestrutura foram um fator fundamental para aumentar a capacidade de armazenagem e movimentação de contêineres refrigerados no Terminal. Enquanto mantemos o posto de maior corredor de exportação de carne de frango do mundo, a TCP amplia a sua participação no mercado de carne bovina, assegurando maior eficiência e qualidade de atendimento para os exportadores de carne” afirma Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP.

De acordo com o relatório da ABPA, o volume de carne de frango embarcado deve aumentar no segundo semestre com o crescimento contínuo da produção e da capacidade produtiva do setor, somado ao trabalho institucional brasileiro de retomada do fluxo de exportações para 100% dos destinos restritos após a identificação de um caso de Influenza Aviária, em maio, no estado do Rio Grande do Sul. Desde junho, diversos destinos retiraram os bloqueios depois da publicação da autodeclaração do Brasil de livre de influenza aviária junto à Organização Mundial de Saúde Animal.

Além do mercado de carnes e congelados, a lista dos segmentos comerciais que mais exportaram foram os de madeira (682 mil toneladas) e o de papel e celulose (487 mil toneladas). Nas importações, o protagonismo foi para os setores de químicos e petroquímicos (278 mil toneladas), seguido pelo automotivo (200 mil toneladas) e de eletroeletrônicos (152 mil toneladas).



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preços caem para a menor média nos últimos 12 meses



A falta de umidade dos solos em algumas áreas somada à leve retração de produtores continuou limitando um avanço mais expressivo na oferta de mandioca na semana passada, Isso é o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Por outro lado, conforme o instituto, a demanda enfraquecida pelos derivados seguiu pressionando as cotações da matéria-prima, com a média tendo a maior desvalorização semanal desde janeiro deste ano e recuando para o menor patamar em 12 meses.

Levantamentos mostram que o preço médio a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 471,36 (R$ 0,8198/grama de amido) na última semana. O valor representa queda de 4,3% frente à anterior. 

Em relação ao mesmo período do ano passado, a baixa é de 4,9%, em termos reais (utilizando o IGP-DI como deflator).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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mesmo com reação no indicador, cotações caem



O Indicador do milho Esalq/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP), vem reagindo nos últimos dias, mas ainda acumula queda na parcial de julho. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Segundo o Centro de Pesquisas, ao mesmo tempo em que os vendedores limitam as ofertas em regiões onde a colheita está mais atrasada, em outras localidades, o ritmo acelerado das atividades de campo eleva a disponibilidade, pressionando as cotações.        

Além disso, agentes consultados pelo Cepea relatam que o aumento nos fretes reforça o suporte sobre os preços. 

Pesquisadores ressaltam que as boas expectativas quanto às produções brasileiras e mundiais continuam restringindo os negócios, visto que parte dos consumidores sinaliza estar estocada e aguarda o próximo mês para adquirir o cereal a patamares inferiores aos atuais.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Fundo JBS pela Amazônia lança projeto que pode aumentar em 60% a renda de comunidades rurais



O Fundo JBS pela Amazônia acaba de lançar, em parceria com a organização socioambiental Ecoporé e com os Escritórios Verdes JBS, o projeto Vitrines de Restauração, uma iniciativa inovadora que une recuperação ambiental e desenvolvimento socioeconômico. O objetivo é recuperar áreas degradadas em propriedades rurais em Rondônia. A iniciativa tem potencial de alavancar a restauração em mais de 3.000 hectares de vegetação nativa, especialmente em propriedades rurais da cadeia da pecuária, e gerar um incremento de até 60% na renda das comunidades envolvidas, por meio da comercialização de sementes nativas.

O projeto foi estruturado a partir da atuação dos Escritórios Verdes da JBS, iniciativa da empresa que oferece assistências técnica, ambiental e gerencial gratuitas a produtores interessados em regularização ambiental e em adoção de melhores práticas. Foram mapeados produtores rurais com Cadastro Ambiental Rural (CAR) válido, mas com áreas degradadas a serem recompostas. O Fundo JBS pela Amazônia financia a iniciativa, enquanto a Ecoporé é responsável por sua operacionalização: isolamento das áreas, semeadura por muvuca de sementes e realização de oficinas de capacitação. Os Escritórios Verdes acompanham e orientam o desenvolvimento das ações em campo.

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A muvuca é uma técnica de semeadura direta baseada em uma mistura de sementes de dezenas de espécies nativas e de adubação verde. Inspirada em práticas indígenas do Xingu, ela garante cobertura rápida do solo, fomenta a biodiversidade e favorece a regeneração natural da floresta. A iniciativa ainda fortalece a economia de comunidades tradicionais ao valorizar o trabalho da Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica (RESEBA), iniciativa liderada pela Ecoporé que é formada por indígenas, quilombolas e agricultores familiares, todos remunerados pela produção e fornecimento das sementes utilizadas na recomposição vegetal, gerando renda, promovendo inclusão social e reconhecimento de saberes ancestrais.

“O Vitrines de Restauração tem como proposta unir ciência, engajamento comunitário e sustentabilidade para criar um modelo replicável de restauração florestal, fortalecendo a bioeconomia da região, impulsionando práticas produtivas mais responsáveis”, afirma Lucas Scaracia, gerente-executivo do Fundo JBS pela Amazônia.

O projeto começou com produtores selecionados que se comprometeram a abrir suas propriedades para que outros produtores conheçam a técnica e a repliquem em suas terras.

“Trabalhamos para que cada propriedade atendida seja não apenas uma área restaurada, mas também um espaço de aprendizagem e replicação. Nosso objetivo é que cada produtor engajado se torne um potencial mobilizador. Acreditamos que soluções baseadas na natureza, como a muvuca de sementes, são chave para aliar conservação e desenvolvimento regional, além de promover a regularização ambiental das propriedades, elemento essencial para integridade das cadeias produtivas e acesso a mercados”, afirma Marcelo Ferronato, diretor presidente da Ecoporé.

Em julho será realizada a primeira oficina de apresentação do projeto, e entre outubro e novembro está previsto o início do plantio com sementes. Nesta fase inicial, o Fundo JBS pela Amazônia investirá mais de R$ 200 mil na iniciativa.

O Vitrines de Restauração nasce com foco local, mas com visão de longo prazo. Em um cenário conservador o projeto pode impulsionar a restauração, ao longo de dez anos, de 100 a 300 hectares e utilizar até 21 toneladas de sementes nativas. Já em um cenário mais expansivo, pode chegar a até 3.000 hectares restaurados, com uso de até 210 toneladas de sementes, mantendo o potencial de incremento de até 60% na renda das comunidades envolvidas.



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Indústria do tabaco geral 44 mil empregos no Brasil



Um levantamento realizado junto às empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e ao Sindicato da Indústria do Tabaco no Estado da Bahia (Sinditabaco-BA), atualizou os números de empregos gerados pelas indústrias do setor no Brasil. Na Região Sul, são 30.472 empregos, enquanto no Nordeste, onde há produção de tabaco na Bahia, em Sergipe e Alagoas, são 13.640 postos de trabalho, totalizando 44.112 no Brasil.

O número resulta da soma de 15.758 empregados efetivos, 22.790 trabalhadores temporários contratados na safra, 3.523 terceirizados fixos nas empresas e 2.041 transportadores. Os dados foram coletados entre as associadas das duas entidades, sem contabilizar os postos de trabalho de empresas não associadas nem os empregos indiretos gerados pelo setor.

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Na Região Sul, onde se concentra o maior complexo industrial de tabaco do mundo, há 11.118 empregados efetivos e 14.390 trabalhadores temporários contratados no pico da safra. Também foram contabilizados 3.173 terceirizados fixos, que atuam em áreas como alimentação, segurança e limpeza, além de 1.791 transportadores de tabaco cru, responsáveis pelo transporte da matéria-prima das propriedades até as indústrias.

Já no Nordeste, onde predomina a produção de tabaco para charutos, o Sinditabaco-BA contabilizou 4.640 empregados efetivos e 8.400 temporários contratados durante a safra. A região também conta com 350 terceirizados fixos e 250 transportadores de tabaco, totalizando os 13.640 empregos.

O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, destaca que os postos de trabalho gerados pelo setor contribuem significativamente para a qualidade de vida das famílias dos trabalhadores, além de impulsionar os comércios locais e o setor de serviços.

“Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, onde está concentrada a maior parte das indústrias de tabaco, possuem renda per capita diferenciada. Isso se deve, em grande parte, às indústrias de tabaco, que movimentam a economia regional”, comenta o executivo.



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alta nas cotações é limitada pelo valor elevado do frete



Os preços da soja seguiram em alta na última semana, impulsionados pelo aquecimento nas demandas doméstica e internacional (sobretudo da China). Fato este que elevou os prêmios de exportação no Brasil. É isso o que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Por outro lado, conforme o Centro de Pesquisas, as quedas do real e do dólar, limitaram o movimento da alta. Além disso, o encarecimento dos fretes rodoviários reduziu a receita de sojicultores no País. Essa alta é observada desde o mês passado, mas foi intensificada nas últimas semanas. 

Diante disso, pesquisadores explicam que produtores mostram preferência em negociar a soja com entrega nos próximos meses em detrimento do spot. Isso porque, com a finalização da colheita da segunda safra do milho, a tendência é que a oferta de caminhões aumente e, consequentemente, que o custo com frete rodoviário recue.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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BNDES registra R$ 5,3 bilhões em crédito aprovado no Plano Safra 2025/2026



O BNDES alcançou um volume de R$ 5,3 bilhões em aprovações de crédito do Plano Safra 2025/2026. A aprovação envolveu recursos equalizados dos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), dentre os quais destacam-se o Pronaf, o Pronamp, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota).

Nas linhas de custeio, abertas no dia 17, foi consumido R$ 1,7 bilhão. Nas linhas de investimentos em instalações e máquinas, abertas na quinta-feira (24), foram aprovados R$ 3,6 bilhões.

No total, foram recebidas 13,1 mil operações, por meio de 21 agentes financeiros credenciados, em mais de 20 linhas de financiamento. Deste total de operações, 9 mil foram para custeio, sendo que 5,5 mil destinadas ao Pronaf. Esse modelo de operação permite uma distribuição descentralizada de recursos por todo o país, chegando a 93% dos municípios brasileiros, facilitando o desenvolvimento e a execução da política pública de apoio ao setor.

Na próxima quinta-feira (31), o banco vai abrir a linha para a agricultura familiar destinada a investimentos.

“Este volume expressivo de recursos aprovados em poucos dias demonstra o papel estratégico do BNDES no apoio ao agro brasileiro, promovendo tanto o crescimento da agricultura familiar quanto o desenvolvimento da agricultura empresarial. A demanda está aquecida e o BNDES tem demonstrado que tem capacidade para atuar, de forma diligente, atendendo os produtores na velocidade que o país precisa. Também importante destacar que mais de 90% das operações, cerca de 12 mil, foram operadas por bancos cooperativos e cooperativas de crédito, o que mostra a importância desse segmento para ampliar o acesso ao crédito no Brasil”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

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Recorde de recursos

No Plano Safra 2025/2026, o banco vai disponibilizar R$ 70 bilhões para financiar investimentos da agricultura brasileira, no período entre o dia 01 de julho de 2025 e 30 de junho de 2026. O montante é o maior orçamento já disponibilizado pelo Banco ao setor agropecuário, 5% acima do valor do Plano Safra anterior e 180 % maior que o disponibilizado pelo BNDES no Plano Safra 22/23.

Serão R$ 39,7 bilhões em recursos equalizáveis que poderão ser acessados por meio de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), um incremento de 19% em relação ao ano anterior. Tais programas contam com prazos, taxas e orçamentos determinados.

Deste montante, serão R$ 26,3 bilhões para médios e grandes produtores da agricultura empresarial, com taxas de juros entre 8,5% e 14% ao ano, e R$ 13,4 bilhões para pequenos produtores da agricultura familiar, com juros entre 0,5% e 8% ao ano.

Para a agricultura empresarial, os recursos serão oferecidos por meio de 9 programas, entre eles, Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Proirriga, Prodecoop e PCA. Já para a agricultura familiar, o BNDES opera com diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

No Plano Safra 2025/2026 serão destinados R$ 13,4 bilhões para o Pronaf, aumento de 9% em relação ao montante operado pelo BNDES no Plano Safra anterior.



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AgroNewsPolítica & Agro

Demanda aquecida impulsiona preços da soja, mas frete caro pressiona margens



Produtores apostam em entregas futuras com expectativa de frete menor




Foto: USDA

Os preços da soja registraram nova valorização no mercado brasileiro ao longo da última semana, impulsionados por uma combinação de fatores que reforçam o apetite da demanda tanto no Brasil quanto no exterior. A procura da China, principal compradora do grão, segue intensa e elevou os prêmios de exportação nos portos nacionais, favorecendo a sustentação das cotações.

De acordo com informações divulgadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o movimento de alta foi limitado pelas recentes quedas no dólar e nos preços internacionais da oleaginosa. Além disso, o aumento nos custos de frete rodoviário, intensificado nas últimas semanas, tem reduzido a rentabilidade dos sojicultores brasileiros. O encarecimento logístico é apontado como um dos principais obstáculos no curto prazo.

O levantamento do Cepea também destaca que, diante desse cenário, muitos produtores têm optado por negociar contratos com entrega futura, deixando o mercado spot (de entrega imediata) em segundo plano. A expectativa é de que, com o avanço da colheita do milho safrinha e maior disponibilidade de caminhões, os preços do transporte rodoviário tendam a recuar nos próximos meses.

Essa estratégia de comercialização demonstra cautela por parte dos agricultores, que buscam maximizar a margem de lucro em um ambiente de incertezas cambiais e logísticas. Apesar do bom momento nas exportações, o custo elevado com transporte pode comprometer a competitividade do grão brasileiro no mercado global.

O cenário atual reforça a importância da eficiência logística e da gestão estratégica de contratos por parte dos produtores. Com o mercado externo atento ao fornecimento sul-americano, principalmente após as perdas registradas nos EUA, o Brasil segue como protagonista nas negociações da soja em 2024.





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O que está em jogo para o agro brasileiro?


No domingo (27), os EUA e União Europeia anunciaram um acordo comercial histórico, que evita o aumento de tarifas e amplia a cooperação entre os dois maiores blocos econômicos do mundo. O anúncio foi celebrado por ambos como uma vitória estratégica, mas do outro lado do Atlântico, o setor agroexportador brasileiro acendeu o sinal de alerta.

Mesmo sem ser parte direta do tratado, o Brasil, maior potência agrícola do hemisfério sul, pode ser fortemente impactado. Neste artigo, explico, de forma didática e clara, como o agronegócio brasileiro corre o risco de perder espaço, competitividade e mercado com esse novo alinhamento internacional.

Desvio de comércio: Brasil pode perder mercado para os EUA

Com a redução de barreiras entre EUA e Europa, produtos agrícolas americanos poderão entrar no mercado europeu com menores tarifas ou menos exigências burocráticas. Isso favorece exportações de milho, soja, carnes e outros produtos dos EUA — justamente os principais itens da pauta brasileira.

  • – Se o milho americano chegar mais barato à Europa, o grão brasileiro pode ser descartado por questões logísticas ou regulatórias.
  •  -O mesmo vale para carnes bovinas e suínas, onde a concorrência por cotas e mercados é cada vez mais acirrada.

Regras ambientais e sanitárias mais rígidas podem virar barreira ao Brasil

Um dos pilares do acordo é o alinhamento regulatório, especialmente em questões ambientais e sanitárias. Isso significa que EUA e UE podem adotar padrões conjuntos de produção sustentável, rastreabilidade e controle de emissões.

Para o Brasil, isso representa um risco: produtores que não conseguirem comprovar boas práticas ambientais e rastreabilidade detalhada podem ser excluídos desses mercados.

  • – A União Europeia já exige “desmatamento zero” em seus fornecedores.
  •  -Caso os EUA adotem padrão semelhante, os dois maiores mercados do mundo passarão a exigir certificações que muitos produtores brasileiros ainda não possuem.

Impacto nos preços internacionais das commodities

Com dois gigantes exportadores cooperando, a oferta global de alimentos e matérias-primas tende a aumentar. E o resultado direto disso é a queda dos preços internacionais das commodities agrícolas.

  • – Soja, milho, carne, trigo e outros produtos podem sofrer desvalorização nos mercados internacionais.
  • – Isso afeta a receita direta dos produtores brasileiros, que já enfrentam margens apertadas devido a juros altos, endividamento e aumento de custos operacionais.

O risco de isolamento comercial do Brasil

Enquanto EUA e Europa avançam em parcerias estratégicas, o Brasil ainda luta para ratificar o acordo Mercosul–UE, paralisado por questões ambientais e disputas políticas.

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Se o Brasil não avançar em seus próprios acordos bilaterais ou regionais, corre o risco de ficar à margem das grandes cadeias globais de valor, perdendo acesso a mercados premium.

Além disso, a dependência crescente da China, que já responde por mais de 30% das exportações do agro brasileiro, aumenta a vulnerabilidade geopolítica do país.

O que o Brasil pode (e precisa) fazer

Para enfrentar esse novo cenário, o agronegócio brasileiro e o governo federal precisam agir em três frentes:

  • Aprovar o Acordo Mercosul–UE e buscar novos pactos bilaterais com países estratégicos.
  • Avançar em rastreabilidade, certificações ambientais e sustentabilidade da produção.
  • Investir em agregação de valor, com produtos processados, marcas fortes e diversificação da pauta exportadora.

O novo acordo entre EUA e União Europeia não menciona o Brasil,  mas terá efeitos concretos sobre o país. A competição será mais dura, as exigências serão maiores, e o espaço para improvisos será cada vez menor.

Se quiser manter sua posição de liderança mundial na exportação de alimentos, o Brasil precisará se adaptar rapidamente. O mundo está mudando, e o agro brasileiro não pode ficar parado

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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