A Marfrig informou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que decidiu paralisar a produção de carne bovina de seu complexo de Várzea Grande, em Mato Grosso, destinada aos EUA. De acordo com informações da Folha de São Paulo, o pedido de paralisação temporária está ligado a motivos comerciais. Não há detalhamento sobre o volume que deixará de ser enviado ao consumidor americano.
O analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, destacou que a decisão da Marfrig não surpreende, uma vez dentro desse ambiente de tarifas adicionais por parte dos Estados Unidos as vendas deverão ficar prejudicadas para este destino e os frigoríficos brasileiros deverão buscar novas alternativas.
De acordo com a Marfrig, a paralisação da produção destinada ao mercado americano passou a valer no dia 17 de julho. O retorno, que ainda não tem data prevista para ocorrer, deverá ser informado aos órgãos de fiscalização com 72 horas de antecedência.
A unidade de Várzea Grande é uma das mais importantes da companhia no Brasil, reunindo operações de abate e processamento industrial de carne bovina.
Instalada no complexo adquirido da BRF em 2019, a planta foi reativada com um investimento inicial de cerca de R$ 100 milhões e desde então passou por ampliação.
A capacidade de processamento atual da unidade é de aproximadamente 2.000 cabeças de gado por dia, com produção de alimentos processados de cerca de 70 mil toneladas ao ano.
Na unidade, a Marfrig faz abate, desossa e industrialização de produtos. O local está habilitado para exportar para 22 países, incluindo China e Europa, além dos EUA.
Com a inflação desacelerando, mas alguns preços, como a energia, pressionados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide nesta quarta-feira (30) se pausa o ciclo de alta na Taxa Selic, juros básicos da economia. Os analistas de mercado acreditam na manutenção da taxa no maior nível em quase 20 anos.
Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Desde setembro do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas. Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até o fim de 2025, iniciando uma redução em 2026. A divergência agora está no momento do próximo ano em que os juros começarão a cair.
Na ata da última reunião, em junho, o Copom informou que a Selic será mantida em 15% ao ano por tempo prolongado. Segundo o comitê, os núcleos de inflação – medida que exclui preços administrados e de alimentos in natura – têm se mantido pressionados há meses. Isso, na avaliação do BC, corrobora com a interpretação de que a inflação segue pressionada por demanda que requer “uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado”.
Nesta quarta-feira, ao fim do dia, o Copom anunciará a decisão. Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto, três de 1 ponto percentual, uma de 0,5 ponto e uma de 0,25 ponto.
Inflação
O comportamento da inflação continua uma incógnita. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,24% em junho e para 5,35% em 12 meses. No entanto, o IPCA-15 de julho, que funciona como uma prévia da inflação oficial, veio acima das expectativas e acelerou por causa de preços de energia e de passagens aéreas.
Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, a estimativa de inflação para 2025 caiu para 5,09%, contra 5,2% há quatro semanas. Isso representa inflação acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% para este ano, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.
Taxa Selic
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.
Pelo novo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em maio de 2025, a inflação desde junho de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em junho, o procedimento se repete, com apuração a partir de julho de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,9%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de setembro.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, recebeu nesta terça-feira (29) representantes das empresas norte-americanas Meta, Google, Amazon, Apple, Visa e Expedia. O encontro ocorre a poucos dias do início previsto do tarifaço de 50% das exportações brasileiras aos EUA e em meio à tentativa do governo brasileiro de negociar e evitar a imposição das sanções.
“Nós queremos avançar em todas as convergências. Temos muito mais convergência do que divergência”, destacou o vice-presidente, ao comentar sobre a reunião em entrevista a jornalistas em seu gabinete. Essa é a segunda reunião com representantes das chamadas big techs desde o anúncio das taxações contra o Brasil, há quase três semanas. Desta vez, segundo Alckmin, as empresas apresentaram uma pauta de que inclui assuntos relacionados a “ambiente de regulatório, oportunidade econômica, inovação tecnológica e segurança jurídica”.
“Nós estamos propondo uma mesa de trabalho”, citou o vice-presidente. “Falando em oportunidade econômica, o Brasil vai ser o campeão de data center”, exemplificou. Questionado sobre como a discussão da regulação das big techs no Brasil pode evoluir nesse cenário, Alckmin adotou um tom cauteloso e disse que o governo não teria pressa em acelerar essa discussão.
“Essa questão de regulamentação de big techs, de redes sociais, é uma questão que tá em discussão no mundo. Então, vamos aprender. Onde é que já foi implementado na Europa? O que que deu certo? O que que levou a crítica? Nós não devemos ter muita pressa nisso. Eu acho que a gente deve verificar a legislação comparada e ouvir, ouvir e dialogar”, ressaltou.
Os interesses das empresas de tecnologia dos EUA no Brasil é um dos temas centrais expostos por Donald Trump na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início do mês, quando anunciou o tarifaço. No documento, Trump determinou a abertura de investigação sobre o que chamou de “ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas”.
Além dos representantes das gigantes da tecnologia, o vice-presidente afirmou que a reunião foi acompanhada, por meio de videoconferência, por um representante da Secretaria de Comércio dos EUA, que não teve o nome revelado. Essa participação foi uma solicitação do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em uma nova conversa com Alckmin ocorrida na segunda-feira, contou o vice.
“E sobre a questão tarifária, estamos empenhados em evitar que tenhamos uma tarifa totalmente injustificável, de 50%, sendo que dos grandes países do mundo, tem três que os Estados Unidos têm superávit: Reino Unido, Austrália e Brasil. E sendo que, dos 10 produtos que eles mais exportam, em oito a alíquota é zero, não paga imposto de importação para entrar no Brasil”, insistiu Alckmin.
Além de se reunir com representantes das big techs, o vice-presidente recebeu nesta terça representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O estado é um grande exportador de petróleo e aço para o mercado norte-americano. Quem também se reuniu com Alckmin foi o governador do Ceará, Elmano de Freitas, e representantes empresariais do estado, que é o que mais exporta, em termos proporcionais, para os Estados Unidos. Mais de 40% das vendas externas cearenses têm como destino o país mais rico do mundo, incluído itens como aço, ferro, pescado, crustáceos, máquinas, calçados, entre outros.
A China iniciou a construção de uma das maiores hidrelétricas da história moderna, no alto do Himalaia, na região do Tibete. A obra, avaliada em cerca de US$ 167 bilhões, terá capacidade para gerar aproximadamente 300 bilhões de kWh por ano — o triplo da famosa hidrelétrica das Três Gargantas, até então a maior do mundo e 4 vezes a geração média de Itaipu.
Essa mega infraestrutura faz parte de um plano estratégico do governo chinês para reverter a desaceleração econômica que vem afetando o país. O objetivo é claro: ampliar a oferta de energia limpa, gerar empregos, estimular setores industriais e, principalmente, expandir o consumo de milhões de cidadãos que hoje têm acesso limitado à eletricidade.
Mais energia significa mais produção e consumo. E mais consumo na China significa mais demanda por produtos que o Brasil tem em abundância: soja, milho, carnes, minério de ferro, celulose e petróleo. Ou seja, o Brasil pode se beneficiar diretamente desse novo ciclo de crescimento.
Esse novo movimento chinês reforça o vínculo comercial entre os dois países, abrindo espaço para o Brasil se consolidar como fornecedor estratégico da nova classe média chinesa.
Mas e a dependência? É um risco?
Sim, mas com ressalvas. A crescente interdependência entre Brasil e China é real. No entanto, os riscos dessa dependência são menores do que parecem.
O comércio bilateral está cada vez mais baseado em uma lógica de “irmãos siameses”:Vide EUA X China, hoje ambos os países precisam um do outro para sobreviver e crescer. A China precisará do Brasil como fonte estável de alimentos e energia. O Brasil, por sua vez, depende da China como maior comprador das suas exportações.
Separá-los, hoje, seria tão arriscado quanto tentar separar dois corpos que compartilham os mesmos órgãos vitais. A sobrevivência econômica de ambos está, em muitos aspectos, conectada — o que, paradoxalmente, reduz os riscos e amplia a previsibilidade da relação.
Claro, o ideal seria diversificar mercados e reduzir vulnerabilidades geopolíticas. Mas, no cenário atual, a interdependência estratégica com a China é mais uma oportunidade do que uma ameaça, desde que o Brasil mantenha inteligência comercial e política ativa.
Além dos efeitos econômicos, a construção da barragem é também uma jogada geopolítica. Localizada na bacia do rio Yarlung Tsangpo (parte superior do Brahmaputra), a obra causa desconforto na Índia e em Bangladesh, que temem o controle chinês sobre os recursos hídricos da região.
Internacionalmente, a China envia um recado claro aos Estados Unidos: está disposta a seguir investindo, crescendo e projetando poder a partir de energia limpa e infraestrutura. E isso ameaça diretamente a hegemonia do dólar, especialmente se mais países passarem a negociar com a China em yuans ou moedas locais, tendência já em curso no BRICS, o que desagrada os EUA.
O Brasil precisa ter visão estratégica. Não se trata apenas de vender mais para a China. Trata-se de:
Qualificar sua pauta exportadora;
Atrair investimentos logísticos e industriais ligados à Ásia;
Defender seus interesses no BRICS e fóruns internacionais;
Posicionar-se como liderança confiável no Sul Global.
O novo ciclo de expansão chinesa não será eterno — mas o Brasil pode e deve aproveitá-lo enquanto dura, transformando exportações em desenvolvimento interno.
Conclusão
A mega barragem no Tibete é mais do que uma obra. É o símbolo de uma China que reage à crise com ação, enquanto o Ocidente debate e hesita. Para o Brasil, é um aviso: ou aproveitamos a onda da reconstrução chinesa, ou ficaremos à deriva num mundo cada vez mais competitivo e fragmentado.
A interdependência com a China não é fraqueza, é uma realidade. E pode ser uma força, desde que saibamos conduzi-la com diplomacia, inteligência e propósito.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Tempo firme predomina ao longo do dia na região Sul, sem previsão de chuva nos três estados. O destaque fica para as temperaturas reduzidas, devido à presença da massa de ar polar, que favorece a formação de geada entre o norte do Paraná e a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Outro ponto importante desta quarta-feira é a previsão de nevoeiro na Serra Gaúcha. A umidade relativa do ar também chama atenção, ficando abaixo dos 30% nos horários mais quentes do dia, principalmente no noroeste e norte do Paraná. Há previsão de ressaca entre Mostardas (RS) e Florianópolis (SC), com ondas entre 2,5 m e 3,5 m.
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No Sudeste, o sol predomina na maior parte da região, abrangendo principalmente São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O destaque é a umidade relativa do ar, que ficará abaixo dos 30% nos horários mais quentes do dia no interior de São Paulo, centro-sul e oeste mineiro e na região serrana do Rio de Janeiro. A manhã começa gelada, com previsão de geada na Serra da Mantiqueira. As rajadas de vento seguem intensas no litoral da região, com destaque para o litoral do Rio de Janeiro, onde podem soprar entre 51 e 70 km/h. Há previsão de ressaca entre Iguape (SP) e Macaé (RJ), com ondas entre 2,5 m e 3,5 m. Para o Espírito Santo, a circulação pós-passagem da frente fria favorece pancadas de chuva mais isoladas ao longo do dia, inclusive na capital Vitória.
Enquanto no Centro-Oeste, a previsão é de tempo seco e quente. As temperaturas continuam elevadas em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, e voltam a subir em Mato Grosso do Sul após um breve período mais ameno. Não há previsão de chuva e a umidade do ar permanece baixa, ficando abaixo de 30% nos quatro estados da região. No sul de Goiás, os índices podem cair abaixo de 20%, atingindo o limiar de alerta para a saúde.
Já no Nordeste, a frente fria chega ao litoral sul da Bahia, com previsão de pancadas de chuva de moderada a forte intensidade. As pancadas de chuva também ocorrem entre Sergipe e o litoral do Maranhão, com destaque para a faixa entre o litoral maranhense e o Ceará, onde a precipitação chega com intensidade moderada a forte. Para o interior nordestino, o tempo permanece firme, com umidade relativa do ar abaixo de 30% nos horários mais quentes do dia, abrangendo o sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia.
E na Região Norte, pancadas isoladas continuam no oeste do Acre, norte de Roraima, Amapá e áreas do Amazonas. Nessas localidades, a chuva ocorre de forma passageira, intercalando períodos de sol. Em grande parte da região, as temperaturas voltam a subir, com máximas acima de 32 °C em Manaus e até 34 °C no interior do Acre e no sul do Amazonas.
Imagina usar o focinho do boi como uma digital exclusiva. Essa é a proposta da QR Cattle, empresa brasileira que criou um sistema de identificação biométrica para bovinos a partir do espelho nasal — estrutura única de cada animal, assim como as impressões digitais nos humanos.
Liderado pelo advogado Flávio Mallmann, CEO do Grupo Sistema Sul S.A, e pelo administrador Paulo Bitar, CEO da RD2Buzz Brasil, o projeto nasceu de uma escuta ativa do campo. “Nosso escritório é no meio da estrada. A ideia surgiu escutando o produtor, não foi de dentro do ar-condicionado”, conta Mallmann. A QR Cattle quer levar tecnologia de ponta sem complicar o manejo, ouvindo quem realmente está na lida.
Como funciona a tecnologia?
Inspirado na lógica das digitais humanas, o sistema utiliza inteligência artificial e blockchain para transformar o focinho do boi em uma chave única, segura e imutável. O reconhecimento é feito em até 4 segundos, com o animal em movimento e sem contato físico. O resultado é um “RG animal” que acompanha o bovino por toda a vida produtiva — desde as primeiras horas de nascido. “A gente já registrou um animal com 12 horas de vida”, conta Flávio Mallmann, CEO e cofundador da QR Cattle. “A partir do ID, é como se abrisse uma folha em branco. O produtor pode preencher o que quiser: informações de pai, mãe, origem, saúde, inseminação, vacinas, pesagens… tudo o que for importante pro manejo.”
Tecnologia no campo: sistema da QR Cattle identifica o animal pelo focinho com o uso do celular, trazendo agilidade, segurança e rastreabilidade para o manejo. – Foto: Divulgação | Qr Cattle
A Biometria complementa o brinco eletrônico
A tecnologia não vem para substituir o brinco eletrônico, mas para complementá-lo. “O brinco é a placa, mas a biometria é o chassi. A placa você troca, o chassi não”, compara Mallmann. Em situações de fraude, furto ou perda do brinco, a leitura do focinho oferece uma camada extra de segurança.
O sistema já está preparado para atender às novas exigências do governo. A QR Cattle é integrada ao Sistema Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia de Bovinos e Bubalinos (SISBOV) e ao Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), que passará a ser obrigatório em 2027.
Até hoje, apenas 4 milhões dos mais de 238 milhões de bovinos do país estão registrados no SISBOV. A expectativa é que, com o novo plano, essa realidade mude — e a QR Cattle quer ser protagonista nessa transição.
Pensado para todo tipo de fazenda
Sem exigência mínima de cabeças, a solução pode ser usada em qualquer propriedade, de forma simples. Basta um celular com câmera. O sistema funciona offline e sincroniza os dados assim que houver conexão.
A empresa cobra a partir de R$ 0,95 por animal ao mês. Atualmente, são 200 mil animais cadastrados — 60 mil deles em planos pagos. A meta é atingir 8 milhões até o fim de 2026.
Ganhos para a genética e segurança
Com a biometria, o produtor tem em mãos uma ferramenta poderosa para controle genético. É possível acompanhar o desempenho de cada bezerro desde o nascimento, monitorar linhagens e cruzamentos, e melhorar a seleção do rebanho com base em dados reais.
A tecnologia permite que o produtor evite perdas e identifique com precisão os animais roubados. Em um dos testes, a QR Cattle conseguiu cadastrar um bezerro com apenas poucas horas de vida.
Saúde e bem-estar animal sob controle
Além de identificar o animal de forma única, a tecnologia da QR Cattle permite registrar todo o histórico sanitário do rebanho, contribuindo diretamente para a gestão da saúde animal. As informações são coletadas de forma automatizada e integradas ao sistema por meio de smart contracts em um blockchain privado, garantindo a veracidade dos dados. Isso inclui vacinação, eventos sanitários, manejo e uso de medicamentos. Tudo é vinculado à biometria do focinho e, quando disponível, ao brinco RFID. “No frigorífico, essas informações são auditadas no momento do abate. Se estiver tudo certo, o sistema mostra um check verde para aquele animal”, explica Flávio Mallmann. O resultado é uma cadeia mais segura, com mais confiança para o consumidor e menos riscos para o produtor.
Com apoio de parcerias como o cantor e criador Sorocaba, a QR Cattle quer mostrar que é possível aplicar tecnologia de ponta no campo, sem perder a praticidade. “A gente não quer complicar. A ideia é facilitar a vida de quem já tem muito trabalho”, resume Bitar.
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O mercado segue pressionado pelo bom ritmo do desenvolvimento das lavouras americanas – Foto: Bing
A soja encerrou o pregão desta segunda-feira (29) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo a combinação de ampla oferta nos Estados Unidos e baixa demanda internacional. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de agosto, referência para a safra brasileira, caiu 1,00% ou 10,00 cents por bushel, cotado a US$ 988,75. O contrato de setembro recuou 0,95% (US$ 9,50 cents), fechando em US$ 992,50. O farelo de soja também caiu 1,08% (US$ 2,90/ton curta), enquanto o óleo de soja subiu levemente 0,11% (US$ 0,06/libra-peso).
O mercado segue pressionado pelo bom ritmo do desenvolvimento das lavouras americanas, favorecido pelo clima, e pela falta de interesse da China pela soja dos EUA. Os embarques continuam lentos e os últimos acordos comerciais não trouxeram o volume esperado de compras, o que tem desanimado os produtores, que já se preparam para a nova safra. Enquanto isso, a Argentina reduziu os impostos sobre exportação, incentivando a negociação de soja e farelo no país vizinho.
Nos Estados Unidos, apesar de uma leve queda na qualidade das lavouras, o mercado ainda projeta uma safra robusta. A abundância da oferta combinada com a fraca demanda externa — principalmente pela ausência da China — limita qualquer recuperação significativa nos preços da oleaginosa em Chicago.
Em contraste, o mercado brasileiro vive um momento altista. Os preços internos da soja atingiram patamares recordes na última semana, puxados pela forte demanda externa, sobretudo da China, por prêmios elevados e por um câmbio favorável. A alta da taxa Selic também torna mais caro o custo de armazenagem, o que incentiva os produtores a venderem o grão disponível no curto prazo.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca o alívio nos mercados diante da sinalização de possível isenção tarifária para setores estratégicos do Brasil.
O Ibovespa subiu 0,45%, puxado por Petrobras e Embraer, enquanto a curva de juros recuou com a melhora no sentimento. No exterior, incertezas nas negociações entre EUA e China e a expectativa pela decisão do Fed marcaram o dia.
O petróleo subiu com novas ameaças de sanções à Rússia. Hoje, atenção para o PIB nos EUA, Alemanha e Zona do Euro, além da decisão do Fed e PMIs da China.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
A semana começou com ritmo lento e 60% da safra comercializada no Rio Grande do Sul, segundo informações da TF Agroeconômica. “Preços reportados para pagamento em 08/08 (entrega julho até 07/08) ficaram em R$ 138,00 (-0,72%) porto. Compradores estão olhando com mais força para meses mais à frente. No interior os preços de fábricas seguiram o balizamento de cada praça. R$ 133,00 (-0,75%) Cruz Alta – Pgto. 29/08. R$ 132,00 Passo Fundo – Pgto. fim de agosto. R$ 131,00 Ijuí– Pgto. 29/08 – para fábrica. R$ 132,00 (-0,75%) Santa Rosa / São Luiz – Pgto. 11/09. Preços de pedra em Panambi mantiveram-se em R$ 122,00 a saca ao produtor”, comenta.
Santa Catarina enfrenta lentidão nas vendas. “O aumento da produção estadual, somado à chegada da safra de inverno, tem sobrecarregado a capacidade existente, criando gargalos que afetam o escoamento. A sobreposição de safras intensifica a disputa por espaço de armazenagem e transporte, expondo um desafio estrutural que vai além das flutuações de mercado. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 137,19 (-1,16%)”, completa.
Mais dificuldades com oferta excessiva e armazenamento são vistas no Paraná. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 140,15 (+2,08%). Em Cascavel, o preço foi 124,01 (-0,77%). Em Maringá, o preço foi de R$ 123,47 (-1,66%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 122,49 (-3,09%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 137,13 (-0,04%). Os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00”, informa.
O estado do Mato Grosso do Sul tem vendas lentas e pressão logística. “A lentidão nas vendas segue preocupando, indicando cautela por parte dos produtores e desafios para escoar a produção em um mercado pressionado por uma capacidade estática de armazenamento que é insuficiente, mas como já explicado anteriormente, isso se repete por todo o Brasil, pois a produção cresce mais rápido do que a estrutura. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 120,35 (-0,25%), Campo Grande em R$ 120,40 (-0,33%), Maracaju em R$ 120,35 (-0,23%), Chapadão do Sul a R$ 118,76 (+0,44%), Sidrolândia a em R$ 120,40 (-3,75%)”, indica.
Mato Grosso amplia exportações para a China, mas enfrenta gargalo logístico crítico. “Campo Verde: R$ 117,40 (-0,68%). Lucas do Rio Verde: R$ 115,35 (-1,22%), Nova Mutum: R$ 115,95 (+1,44%). Primavera do Leste: R$ 117,40 (-2,07%). Rondonópolis: R$ 117,40 (-2,07%). Sorriso: R$ 113,80 (+2,175%)”, conclui.
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Na B3, os principais vencimentos registraram recuos – Foto: Divulgação
Segundo análise da TF Agroeconômica, os contratos futuros de milho encerraram esta segunda-feira (29) em baixa tanto na B3 quanto na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionados por fatores internos e externos. A desvalorização acompanha a renovação das mínimas em Chicago, impulsionada por uma safra robusta nos EUA e o avanço da colheita no Brasil, o que torna o milho americano mais competitivo no mercado global.
Na B3, os principais vencimentos registraram recuos: o contrato para setembro/25 fechou em R\$ 65,05, queda de R\$ 0,59 no dia; novembro/25 caiu para R\$ 68,22, baixa de R\$ 0,36; e janeiro/26 recuou para R\$ 71,91, uma redução de R\$ 0,21. No físico, o indicador do milho ESALQ/BM\&FBovespa (Campinas-SP) mostra leve recuperação nos últimos dias, mas ainda acumula perdas em julho. O Cepea destaca que, enquanto regiões com colheita atrasada sustentam preços com menor oferta, áreas como o Centro-Oeste pressionam as cotações com maior disponibilidade do grão. O aumento no custo do frete também atua como fator de suporte pontual.
Já em Chicago, os contratos caíram mesmo diante de dados positivos de demanda. A referência de setembro fechou em US\$ 3,9375 por bushel, com queda de 1,44%, enquanto dezembro recuou 1,19%, para US\$ 4,14. Apesar das vendas extras no dia — somando 450 mil toneladas — e de exportações semanais 54% superiores à anterior, o mercado seguiu pressionado pelo cenário de ampla oferta e expectativa de menor demanda no médio prazo. Além disso, o Secex apontou que o Brasil exportou, até o momento, apenas 42,8% do volume embarcado em julho de 2023. Embora o ritmo esteja melhorando, as projeções indicam que os embarques só devem ganhar força efetiva em agosto.