quinta-feira, maio 7, 2026

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O uso da tecnologia blockchain na rastreabilidade do algodão brasileiro


O algodão é a fibra têxtil vegetal mais comercializada no mundo, sendo o Brasil o terceiro maior produtor global, exportando essa matéria-prima para mais de 150 países. No cenário internacional, há uma crescente exigência por práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade social e ambiental.

Nesse contexto, a BCI – Better Cotton Initiative surge como referência mundial de sustentabilidade no setor algodoeiro, com o objetivo de melhorar o algodão tanto para os agricultores quanto para todos os interessados em seu futuro. A iniciativa também promove o cultivo sustentável e busca padronizar os processos por meio da criação de normas, princípios e critérios.

No Brasil, o setor é liderado pela ABRAPA – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, que, entre seus pilares de atuação, destaca-se pela ênfase na rastreabilidade, permitindo traçar um mapa fiel da produção do algodão nacional, por meio de duas iniciativas: o SAI – Sistema Abrapa de Identificação e a SouABR – Algodão Brasileiro Responsável.

Desse modo, o presente artigo discute como a tecnologia blockchain se consolida como instrumento jurídico e tecnológico fundamental para garantir a rastreabilidade segura da cadeia do algodão, respondendo às demandas globais por sustentabilidade e governança.

A iniciativa SAI desenvolveu um sistema que, por meio de uma etiqueta de identificação semelhante ao “CPF”, permite rastrear com exatidão o fardo: da fazenda onde foi colhido, à usina de beneficiamento, passando pelo laboratório responsável pela análise da qualidade da fibra. Entre suas vantagens, destacam-se o sistema único e confiável de identificação dos fardos, a agilidade na obtenção dos resultados de classificação pelos laboratórios e facilidade da comercialização nos mercados interno e externo.

Já a iniciativa SouABR é a pioneira na rastreabilidade em larga escala da indústria têxtil brasileira por meio da tecnologia blockchain. A partir de um QR Code na etiqueta da peça de roupa, o consumidor consegue acompanhar toda a trajetória da peça, desde o plantio do algodão certificado até o produto final.

Nesse ínterim, cabe esclarecer o conceito de blockchain; entretanto, é imprescindível explicar, antes mesmo, o que é o Bitcoin. O conceito de Bitcoin está apoiado em três grandes pilares: hardware, software e criptoativo. O hardware compreende o conjunto de dispositivos físicos que formam uma rede de computadores descentralizada que servem como mineradores ou validadores, enquanto o software refere-se à blockchain, ao gerador de pares de chave e às regras do protocolo. Por fim, o criptoativo é o pagamento do software para o hardware e desempenha a função de moeda em um sistema de pagamentos.

Portanto, quando nos referimos a blockchain, tratamos de um componente do Bitcoin enquanto software. A blockchain é uma rede descentralizada e distribuída por computadores, que registram de forma imutável, transparente e segura dados, informações e operações. Sendo assim, uma tecnologia de registro distribuído, público, pseudônimo e auditável, que funciona como livro razão. O principal diferencial da blockchain é que não existe autoridade central ou intermediário, portanto, a confiança está exclusivamente na tecnologia.

A partir da blockchain do Bitcoin, surgiram diversas redes blockchain que funcionam de maneiras diferentes. A iniciativa SouABR utiliza a blockchain da Polygon para fazer o registro da cadeia de suprimentos, essa rede é uma sidechain da blockchain Ethereum, ou seja, funciona de forma paralela à rede principal.

A blockchain da Ethereum inovou implementando na sua estrutura a possibilidade de criar um código computacional executável, que seriam os smart contracts. O conceito de smart contracts, embora a expressão possa ser traduzida literalmente como “contratos inteligentes”, esse não se enquadra como categoria contratual nos moldes do ordenamento jurídico brasileiro, em síntese, são cláusulas de execução automática.

No caso da SouABR, utiliza-se um smart contract para registrar, na blockchain, todas as etapas da cadeia produtiva do algodão, desde o plantio até a chegada da peça de vestuário no varejista. A blockchain funciona como livro-razão, cuja versão original está em todos os nós da rede. As regras de funcionamento do protocolo garantem a execução, validando a ordem de inserção dos dados e operações com transparência. Dessa forma, qualquer interessado pode acessar essas informações de forma segura. Além disso, a própria estrutura descentralizada da rede torna praticamente inviável e extremamente onerosa qualquer tentativa de violação, o que garante elevados níveis de segurança e confiabilidade. Por fim, a integridade dos registros é preservada por meio do mecanismo de consenso entre os validadores, que atestam a autenticidade de cada bloco incluído na cadeia.

Assim, a iniciativa utiliza a tecnologia fazendo o registro dos dados em blocos que juntos formam uma rede, cada bloco é autenticado, validado e colocado em sequência, de forma imutável e inviolável. Cada bloco na rede contém uma lista de transações com timestamp, indicando a data e hora exatas. Portanto, o registro se torna uma prova concreta e cabal resistente a adulteração.

Diversos países já reconheceram a validade jurídica da tecnologia blockchain e regularam a matéria, contudo, há ainda um longo caminho a ser percorrido. No Brasil, a matéria ainda está em processo de regulação, sendo tema de diversas consultas públicas do BACEN – Banco Central e de resoluções da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, além da sanção da lei 14.478/22 que dispõe sobre a regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais.

De acordo com Freire (2021), a natureza jurídica da blockchain, considerando apenas o aspecto da tecnologia distribuída e descentralizada de registro eletrônico de dados deve ser definida juridicamente como “obra”, pois trata-se de uma criação intelectual do domínio científico expressa por meio de código e da internet, nos termos do art. 1º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.

Quanto a natureza jurídica do smart contract, essa não é cristalina, segundo Leandro Gobbo (2023, v.22, p.25): “smart contracts são instrumentos cujo objetivo é viabilizar a realização de negócios diferidos no tempo, formalizados por meio de código de computador, escritos em linguagem formal e de exequibilidade automática.”

Além disso, o registro em blockchain consolida-se como prova digital dos atos jurídicos ao longo da cadeia de suprimentos, preservando as posições jurídicas envolvidas. Não obstante, o próprio CPC, no art. 369, permite o emprego de qualquer meio de prova para corroborar a verdade dos fatos. Por sua vez, a blockchain também garante a cadeia de custódia da prova, por conta das características intrínsecas da própria tecnologia que geram uma lista de transações por ordem cronológica, que são auditáveis, transparentes e seguras, atendendo aos critérios de cronologia, integridade, autenticidade e idoneidade da prova, previstos do art. 158-A e seguintes do CPP.

A aplicação da tecnologia blockchain no rastreio do algodão brasileiro representa um marco na modernização da produção têxtil. As iniciativas SAI e SouABR demonstram como a inovação pode atender às crescentes demandas por sustentabilidade, confiabilidade e governança no mercado global. O uso da tecnologia blockchain como instrumento de registro da cadeia de suprimentos tem potencial para transformar as relações comerciais, fortalecendo os vínculos entre todos os agentes da atividade produtiva.

A regulação ainda é uma incógnita, mas o potencial transformador dessa tecnologia em todas as áreas é imensurável, uma vez que o presente artigo tratou da tecnologia somente no viés do registro, cuja viabilidade jurídica foi demonstrada ao longo do texto. Portanto, é inevitável o uso da blockchain nas atividades produtivas, não sendo possível ignorá-la em detrimento do crescimento econômico. Assim, no futuro próximo, espera-se a integração entre a tecnologia e a regulação.

Rafaela Montanari Aguiar Rey Lima

Advogada, formada em Direito pelo UniCEUB, pós-graduada pela Residência Jurídica do Programa de Carreiras da OAB/DF e, atualmente, cursando MBA em Blockchain e Criptoativos pela Trevisan.





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Tamanduá-bandeira retorna à natureza após ser atropelado



Um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) macho, foi devolvido ao seu habitat natural na manhã desta segunda-feira (18), em uma área de mata do município de Angatuba, na região de Itapeva, São Paulo.

O animal havia sido resgatado no dia 30 de junho, pela Polícia Ambiental de Itapetininga, após ser atropelado em uma rodovia do município.

O tamanduá foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetras) de Registro, onde chegou bastante debilitado, com lesões em uma das patas dianteiras e em um dos membros traseiros.

Após passar por sedação e exames, recebeu tratamento e foi mantido em espaço restrito para reduzir a movimentação. A equipe também instalou uma fonte de aquecimento para evitar gasto energético e favorecer a recuperação.

“O animal apresentou muita apatia ao chegar ao centro e demandou cuidados intensivos, incluindo medicação e repouso prolongado. A evolução foi positiva e, após o período de reabilitação, ele demonstrou condições físicas adequadas para retornar à natureza”, destaca biólogo do Cetras Cleber Coelho Machado.

A soltura foi acompanhada por técnicos do centro e pela Polícia Ambiental, garantindo que o animal fosse reinserido em um ambiente compatível com a espécie.

Conheça mais sobre a espécie

Símbolo do Cerrado, o tamanduá-bandeira habita áreas da Mata Atlântica, Pantanal e Amazônia. A espécie alimenta-se de formigas e cupins, que captura com sua língua. De acordo com o biológo, trata-se de um animal solitário, de hábitos terrestres, capaz de percorrer grandes áreas em busca de alimento.

Classificado como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o tamanduá-bandeira enfrenta ameaças como atropelamentos, incêndios florestais, perda de habitat e ataques de cães domésticos.

A conservação da espécie depende diretamente da preservação e fortalecimento das ações de resgate e reabilitação.



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Arroba do boi gordo tem espaço para elevação; veja os preços de hoje



O mercado físico do boi gordo se depara com alguma elevação dos preços no Centro-Norte brasileiro.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos que atuam nos estados da Região ainda encontram maior dificuldade na composição de suas escalas de abate, o que sugere que ao menos no curto prazo haverá espaço para nova elevação dos preços.

“São Paulo vive uma realidade diferente. Os frigoríficos que operam no estado se deparam com escalas de abate mais confortáveis e passam a realizar tentativas de compra em patamares mais baixos, mesmo que sem êxito até o momento. Exportações em altíssimo nível são o grande diferencial”, disse.

Preço médio da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 310,85
  • Goiás: R$ 300,54
  • Minas Gerais: R$ 301,76
  • Mato Grosso do Sul: R$ 319,43
  • Mato Grosso: R$ 308,65

Mercado atacadista

O mercado atacadista ainda se depara com manutenção dos preços ao longo da terça-feira, com menor espaço para reajustes no decorrer da segunda quinzena do mês, período pautado por menor apelo ao consumo.

“Ainda vale mencionar que a carne de frango dispõe de maior competitividade em relação às proteínas concorrentes”, assinalou Iglesias.

O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 23,30 por quilo; o dianteiro segue no patamar de R$ 18 por quilo; e a ponta de agulha permanece a R$ 17,20 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,23%, sendo negociado a R$ 5,5003 para venda e a R$ 5,4983 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4305 e a máxima de R$ 5,5055.



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Movimentação de soja e milho no Arco Amazônico cresceu 288%


A região do Arco Amazônico, que compreende os terminais portuários ao longo do rio Amazonas e seus afluentes — incluindo os localizados abaixo da Baía de Marajó —, registrou movimentação de 87,8 milhões de toneladas em 2024, considerando operações de longo curso e cabotagem.

O número representa um crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior. Deste montante, aproximadamente 64% foram movimentados por Terminais de Uso Privado (TUPs), o que reforça o protagonismo da iniciativa privada na dinâmica logística da região.

As informações são de levantamento da Coordenação de Pesquisas e Desenvolvimento da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), que reúne empresas de grande porte e congrega 70 terminais privados do país.

O documento destaca o crescimento expressivo da movimentação de soja e milho, que, nos últimos dez anos, acumulou alta de 288,1%, percentual significativamente superior ao observado nas principais rotas tradicionais de exportação.

A título de comparação, no mesmo período, a movimentação das duas commodities no complexo portuário de Santos (SP), o maior da América Latina, apresentou crescimento de 55,3%, enquanto no complexo de Paranaguá (PR) avançou 17,2%.

movimentação milho soja Arco Amazônico movimentação milho soja Arco Amazônico
Foto: Divulgação

Em 2024, a movimentação de soja e milho no Arco Amazônico alcançou 30,9 milhões de toneladas, o que corresponde a 22,8% do total nacional de milho e soja movimentado no longo curso e na cabotagem, estimado em 135,3 milhões de toneladas.

Principais cargas movimentadas

A ATP reforça que, em 2024, a movimentação portuária do Arco Amazônico, que inclui todos os estados da Região Norte do país, foi liderada por cargas de granel sólido, com destaque para:

  • Bauxita: 23,9 milhões de toneladas
  • Soja: 17,1 milhões de toneladas;
  • Milho: 13,7 milhões de toneladas

A carga conteinerizada também apresentou volume expressivo, com 9,9 milhões de toneladas movimentadas. Também passaram pelos terminais portuários da região produtos químicos inorgânicos (5,7 mi t), petróleo e derivados sem óleo bruto (5,2 mi t), adubos e fertilizantes (3,9 mi t) e soda cáustica (1,2 mi t), entre outros.

Desafios persistem

Apesar dos avanços, os anos de 2024 e 2025 têm se mostrado desafiadores para o escoamento de cargas pela região, destaca a ATP.

“A estiagem prolongada, com significativa redução nos níveis dos rios, aliada à demora na execução de dragagens de manutenção, resultou em restrições à capacidade de carregamento das embarcações”, diz trecho do documento da entidade.

Como reflexo direto, a movimentação de soja e milho para longo curso e cabotagem no Arco Amazônico apresentou uma queda de 8,7% apenas nos primeiros cinco meses de 2025, comparando com o mesmo período de 2024, apresentando um volume de 13,3 milhões de toneladas.

Busca de soluções

Diante desse cenário, a ATP informa que tem centrado esforços no projeto da Barra Norte, que busca ampliar o calado autorizado e, com isso, aumentar a eficiência logística da região.

“Paralelamente, o Comitê de Infraestrutura da ATP tem atuado junto a instituições como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), visando viabilizar dragagens estratégicas, como a no rio Tapajós”, diz a entidade.

Além disso, a ATP defende a implementação do modelo de concessões hidroviárias, que prevê a transferência ao concessionário de responsabilidades como os levantamentos hidrográficos, a gestão de tráfego, a manutenção e a sinalização náutica.

De acordo com o presidente da ATP, Murillo Barbosa, essa modelagem busca conferir maior previsibilidade e regularidade à navegação interior, reduzindo a dependência de ações emergenciais e garantindo maior estabilidade ao transporte hidroviário.

Para ele, a consolidação do Arco Amazônico como rota logística estratégica depende de políticas públicas estruturantes, de parcerias institucionais e de um ambiente regulatório que favoreça investimentos de longo prazo.

“Com sua vocação natural para a navegação interior e sua posição geográfica privilegiada, a região tem todas as condições para seguir ampliando sua participação no escoamento da produção nacional, desde que superados os atuais gargalos operacionais”, afirma Barbosa.



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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil e União Europeia reforçam parceria estratégica em encontro com a sociedade civil na IX Mesa Redonda em Brasília


Em meio a discussões sobre democracia, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) marcou presença na IX Mesa Redonda da Sociedade Civil UE-Brasil, realizada no Palácio Itamaraty nesta terça-feira (29). Representando a pasta, o Secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, defendeu a importância do Acordo Mercosul-União Europeia como uma resposta concreta aos desafios globais, destacando o papel do agro brasileiro como elo de confiança entre os dois blocos.

“A União Europeia representa 14% das exportações brasileiras do agro. Mais do que os 23 bilhões de dólares exportados anualmente, são os laços históricos e os valores compartilhados que nos aproximam”, afirmou Luís Rua durante painel.

O evento, organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) em parceria com o Comitê Econômico e Social Europeu (CESE), reuniu representantes da sociedade civil, setor produtivo e autoridades dos dois blocos para discutir temas como transição energética, combate à desinformação e desenvolvimento sustentável.

Durante o encontro, o secretário buscou esclarecer pontos sensíveis do Acordo Mercosul-UE, argumentando que os produtos agropecuários exportados pelo Brasil como soja, café e carne de frango não competem diretamente com a produção europeia, mas a complementam.

O secretário também destacou aspectos sobre questões sanitárias e ambientais. Segundo ele, o país cumpre rigorosamente os padrões sanitários exigidos pela União Europeia há mais de quatro décadas, e continua comprometido com uma agenda ambiental robusta. “Nos últimos dois anos, o desmatamento na Amazônia caiu 46%. Estamos recuperando 40 milhões de hectares de pastagens degradadas e incentivando o uso de bioinsumos. É uma agricultura que alia produção e sustentabilidade”.

Ainda segundo Luís Rua, a ratificação do acordo entre os blocos representa mais do que um avanço econômico. “Em um cenário internacional marcado por tensões e conflitos, selar esse acordo é enviar uma mensagem clara de que o comércio, o diálogo e a cooperação seguem sendo caminhos possíveis para o desenvolvimento”, disse.

A IX Mesa Redonda sociedade civil UE-Brasil segue até o dia 30 de julho e deve ser encerrada com a assinatura de uma declaração conjunta entre o CDESS e o CESE, reafirmando o compromisso com o fortalecimento da democracia, da participação social e do desenvolvimento sustentável nas relações entre Brasil e União Europeia.





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Inadimplência no agro atinge níveis históricos: como sair dessa situação?


O agronegócio brasileiro, motor da economia nacional, enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A inadimplência entre produtores rurais disparou: dados da Serasa Experian mostram que 7,9% das pessoas físicas do campo estavam com dívidas em atraso acima de 180 dias no 1º trimestre de 2025, contra 7% no mesmo período do ano anterior .

No Banco do Brasil, responsável por quase metade da carteira de crédito rural, os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 3,49% no 2º trimestre, mais que o dobro do registrado em 2024. O impacto foi devastador: o lucro do banco caiu 60% no período, revelando a profundidade da crise

Segundo a instituição, fatores como juros elevados, custos crescentes de insumos, queda no preço das commodities e condições climáticas adversas estão por trás do aumento do calote. Especialistas preveem pelo menos dois trimestres de estresse financeiro antes de qualquer melhora significativa

Risco que vai além dos bancos

Para os produtores, a inadimplência não é apenas um número. Quando o atraso se prolonga, o fluxo de caixa quebra, o acesso a crédito futuro diminui e o patrimônio corre risco. Trata-se de um ciclo vicioso: menos investimento leva a menor produtividade, que por sua vez reduz a receita e aprofunda a incapacidade de pagar dívidas

Além disso, cresce o uso da recuperação judicial (RJ) como recurso, com aumento de 45% nos pedidos no setor apenas no 1º trimestre de 2025. Embora prevista em lei, especialistas apontam abusos no instrumento, usado como manobra para postergar dívidas sem atacar as causas estruturais.

Como sair da inadimplência ou não cair nela?

Diante desse cenário, especialistas em crédito rural e direito agrário indicam caminhos que podem evitar o colapso financeiro das propriedades. Pincelei algumas das dicas que considero as melhores:

  • Prorrogação via Manual de Crédito Rural (MCR): em caso de frustração de safra, queda de preços ou problemas de caixa, é possível renegociar prazos sem aumento de juros, garantindo fôlego imediato
  • Revisão de contratos: muitos contratos rurais têm cláusulas abusivas ou juros excessivos. A revisão pode alcançar até 10 anos de financiamentos passados, reduzindo a pressão sobre o caixa
  • Gestão e reestruturação financeira: mapear todas as dívidas, identificar quais são negociáveis, organizar prioridades e buscar apoio técnico são medidas cruciais para preservar bens e evitar insolvência
  • Ferramentas alternativas de comercialização: operações como barter (troca de insumos por grãos) e plataformas digitais como Grão Direto reduzem a dependência de crédito tradicional e dão mais previsibilidade aos custos
  • Apoio institucional: programas como Pronaf e Garantia-Safra oferecem linhas de crédito mais acessíveis e proteção contra perdas climáticas, fundamentais especialmente para a agricultura familiar.

A pior atitude neste momento é a negação. A crise da inadimplência no agro é real, já atinge bancos, fornecedores e famílias rurais. Mas, apesar do cenário duro, há saídas: renegociação, revisão de contratos, gestão estratégica e uso de ferramentas inovadoras.

O recado é claro: quem agir agora, preserva sua propriedade e mantém as portas abertas para o futuro. Quem esperar demais, pode ver o patrimônio e a capacidade produtiva escorrerem pelos dedos.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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China prioriza soja brasileira e preços apresentam estabilidade; confira o fechamento de mercado



O mercado brasileiro de soja apresentou negociações melhores nesta terça-feira (19), mas ainda sem volumes expressivos. Segundo a avaliação de Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado, foram registradas pequenas variações nas cotações.

“Nos portos, as cotações ficaram entre estáveis e leves altas, com poucas indicações, já que agosto está praticamente sem janela; em setembro, as movimentações também foram tímidas”, comentou o especialista.

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De acordo com Silveira, no mercado interno, os movimentos foram reduzidos, enquanto a indústria se manteve mais cautelosa e bem posicionada, sem atuar de forma agressiva nos bids ou pressionar os vendedores a ofertarem mais.

Confira os preços da soja no Brasil:

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 135,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 136,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 142,50 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 141,50
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 126,00 para R$ 127,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 126,00 para R$ 126,50
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 127,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a terça-feira com preços em baixa. O mercado foi pressionado pelas sinalizações iniciais de boa produtividade nos Estados Unidos, vindas da crop tour da Profarmer. Preocupações com a demanda chinesa também ajudaram a pressionar as cotações.

A contagem de vagens nas lavouras de soja de Dakota do Sul ficou bem superior ao ano passado e à média dos últimos três anos. A informação é de participantes que acompanharam a “Crop Tour”, realizada pela Pro Farmer. A contagem ficou em 1.188,45 em uma área de três pés por três pés. A média do estado nos últimos três anos ficou em 970,10. No ano passado, a contagem foi de 1.025,89.

Em Ohio, a contagem de vagens da soja chega a 1.287 em uma área de três pés por três pés, ante 1.229 de média dos últimos três anos. No ano passado, o Crop Tour estimou a contagem de vagens em 1.204 na mesma área.

Acordo EUA-China

Produtores de soja dos Estados Unidos pediram ao presidente Donald Trump que firme um acordo com a China para garantir compras da oleaginosa, diante da ausência de contratos antecipados da nova safra.

A China, maior importadora mundial, tem priorizado a soja brasileira, o que pode gerar perdas de bilhões aos agricultores americanos. Em 2023/24, o país comprou 54% da soja exportada pelos EUA, equivalente a US$ 13,2 bilhões.

A American Soybean Association alertou que os produtores enfrentam forte pressão financeira, com preços em queda e custos mais altos. Segundo a entidade, a falta de acordo até o outono agravará os impactos para o setor.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam com baixa de 7,75 centavos de dólar, ou 0,75%, a US$ 10,13 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 10,33 3/4 por bushel, com baixa de 7,50 centavos ou 0,72%

Nos subprodutos, a posição setembro do farelo fechou com alta de US$ 7,00, ou 2,49%, a US$ 287,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em setembro fecharam a 51,68 centavos de dólar, com perda de 1,59 centavo ou 2,98%

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,23%, sendo negociado a R$ 5,5003 para venda e a R$ 5,4983 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4305 e a máxima de R$ 5,5055



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Salário da agropecuária no Paraná supera média nacional em 58,5%



O salário médio mensal dos trabalhadores da agropecuária no Paraná atingiu R$ 3.428 no 2º trimestre de 2025, superando em 58,5% o rendimento médio de R$ 2.163 alcançado pelos ocupados em âmbito nacional.

Os dados partem da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada na última sexta-feira (15).

No período de um ano, a remuneração média dos trabalhadores da agropecuária estadual registrou aumento real de 23%, ou seja, já com o desconto da inflação, enquanto os rendimentos no setor primário brasileiro avançaram 5,2% no mesmo intervalo.

Com isso, o salário médio dos ocupados na agropecuária brasileira correspondeu a apenas 63,1% do rendimento médio referente ao Paraná, abaixo do percentual de 73,7% observado há um ano.

Rendimento médio Paraná x outros estados

  • Santa Catarina: R$ 3.229
  • Mato Grosso do Sul: R$ 3.149
  • Goiás: R$ 3.071
  • São Paulo: R$ 2.989
  • Minas Gerais: R$ 2.440
  • Pará: R$ 1.425.

O maior aumento dos salários no Paraná é resultado, entre outros fatores, da elevação da produção agrícola. Segundo levantamento mais recente do IBGE, acompanhado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas deverá totalizar 45,7 milhões de toneladas no Paraná na safra 2025.

A colheita deve superar em 21,8% o volume produzido no ano passado (37,5 milhões de toneladas). No Brasil, estima-se um incremento da ordem de 16,3%.

Na pauta da agricultura paranaense, verifica-se que a produção de soja apresentará ampliação de 14,2%, saltando de 18,6 milhões de toneladas em 2024 para 21,3 milhões em 2025. Já a produção de milho deverá exibir acréscimo de 33,3%, considerando a 1ª e a 2ª safras, subindo de 15,1 milhões para 20,1 milhões de toneladas.

Culturas de inverno

Outras culturas, como a cevada e a aveia, poderão registrar aumentos ainda mais relevantes. Nesses dois casos, são esperadas taxas de crescimento da produção de, respectivamente, 50,3% e 47,3% na safra 2025. O estado deve fechar o ano com 78,6% de participação na safra brasileira de cevada.

“O território paranaense corresponde a 2,3% da área do país e a nossa participação na produção nacional de grãos ultrapassa 13%, o que não deixa dúvida à elevada produtividade do estado”, destaca Ulisses Maia, secretário do Planejamento do Estado do Paraná.

O Paraná é o segundo maior produtor brasileiro de grão, com 13,4% do mercado nacional. Em julho, ficou com o terceiro maior incremento na expectativa de safra em relação ao mês anterior: as principais variações positivas ocorreram no Mato Grosso (5.536.658 t), em Minas Gerais (561.874 t) e no Paraná (479.700 t).

Sob supervisão de Victor Faverin



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Infração ambiental: nova norma cria risco de ‘punição em dobro’; entenda


Pecuaristas, a legislação ambiental está em constante mudança, e uma nova regra exige atenção redobrada. Um novo artigo em um decreto federal cria uma nova infração ambiental que pune quem não cumpre uma penalidade já imposta por um dano anterior. Assista ao vídeo abaixo e entenda a situação detalhadamente para correr prejuízos.

Isso significa que, mesmo após ser multado, o produtor pode ser penalizado novamente se não cumprir as obrigações exigidas, como recuperar uma área degradada ou demolir construções irregulares.

Nesta terça-feira (19), o advogado Pedro Puttini Mendes, especialista em legislação rural e ambiental, esclareceu o tema no quadro “Direito Agrário” do programa Giro do Boi.

Ele alertou sobre os riscos jurídicos e práticos dessa nova infração e o perigo de uma “punição em dobro” na recuperação ambiental.

O novo artigo 83B e seus problemas

Foto: Canva

O Decreto 12.189 de 2024 criou o artigo 83B, que pune quem não cumpre as obrigações ambientais após uma infração original. A multa pode chegar a impressionantes R$ 50 milhões. No entanto, essa nova infração carrega alguns problemas:

  • Vício jurídico: A forma como a norma foi criada é questionável, pois o decreto é um instrumento do poder executivo que deve apenas regulamentar leis já aprovadas pelo legislativo. Por não ter uma previsão direta em lei, o artigo pode ser considerado inconstitucional e ser contestado na justiça.
  • Problemas práticos: O cumprimento das obrigações nem sempre depende exclusivamente do produtor. Fatores como seca, falta de mudas, burocracia ou exigências de demolição de benfeitorias antigas podem atrasar o processo de recuperação. Mesmo tentando se adequar, o produtor pode ser autuado novamente.

A recuperação de uma área de cerrado, por exemplo, pode levar décadas. Exigir que esse processo seja concluído em um prazo de dois anos, como já foi visto em algumas autuações, é uma imposição que ignora a realidade técnica do campo e os fatores biológicos da regeneração.

Risco de acúmulo de penalidades e injustiça

A nova infração pode servir para reforçar a punição de quem já está tentando fazer a recuperação, gerando um acúmulo de penalidades sobre o mesmo fato. A medida, na prática, ignora o bom direito, a proporcionalidade e o contraditório, que são princípios constitucionais.

Para o produtor rural, isso pode afastar a confiança no sistema e dificultar ainda mais a vida no campo. Por mais que a proteção ambiental seja fundamental, a norma jurídica precisa respeitar os limites constitucionais para ter uma aplicação justa e técnica.

O excesso de normas pode ser prejudicial, pois cria um ambiente de insegurança jurídica que afeta a todos.

O especialista ressalta que o produtor rural, que já enfrenta um cenário de sanções rígidas e responsabilidade objetiva (responde mesmo sem ter causado o dano diretamente), pode ser ainda mais penalizado.

É preciso ficar atento e buscar orientação jurídica para se defender contra essa nova infração ambiental e garantir uma aplicação justa da lei.



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Brasileiros têm 70,5% da renda comprometida com contas a pagar, aponta estudo da Serasa



Estudo feito pela Serasa Experian mostra que 70,5% da renda dos brasileiros está comprometida com contas a pagar, que vão desde dívidas com bancos a faturas de cartão de crédito, energia elétrica e internet, entre outros gastos contratados. Com isso, sobram, na média, R$ 968 a novas despesas no mês.

Quanto menor a renda, maior é, em geral, o comprometimento. Consumidores que ganham até um salário mínimo têm 90,1% dos rendimentos comprometidos por compromissos financeiros assumidos. Já no caso dos brasileiros com rendas superiores a dez salários mínimos, o porcentual comprometido cai para 58,2%, o menor entre todas as faixas analisadas.

Apesar de alto, o comprometimento de renda vem ano a ano se reduzindo. Conforme o estudo da Serasa, em 2022, a parcela da renda comprometida dos consumidores brasileiros era de 72,3%. Essa fatia caiu para 72%, em 2023, e 70,9%, em 2024, até chegar a este ano em 70,5%.

“Isso pode ser reflexo de alguns fatores como o mercado de trabalho aquecido e políticas de estímulo à renda. No entanto, temos observado, atualmente, que esse aumento na renda não está contribuindo para conter a elevação da inadimplência no país”, comenta Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian.



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