quarta-feira, maio 6, 2026

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Trigo encerra semana em leve alta em Chicago



Mercado argentino projeta colheita acima de 20 mi t




Foto: Canva

A cotação do trigo em Chicago apresentou variação ao longo da semana de 15 a 21 de agosto. Segundo a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), o preço para o primeiro mês chegou a recuar para US$ 4,98 por bushel, mas se recuperou no fim do período. “O fechamento da quinta-feira (21) ficou em US$ 5,07, contra US$ 5,03 uma semana antes”, informou a entidade.

Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno atingia 94% da área no dia 17 de agosto, pouco abaixo da média histórica de 95%. Já no caso do trigo de primavera, a colheita alcançava 36% da área, em linha com a média.

Em relação ao comércio exterior, a Ceema destacou que “os embarques de trigo dos EUA, na semana encerrada em 14/08, atingiram 395.240 toneladas”. Com esse volume, o total exportado no atual ano comercial chegou a 4,8 milhões de toneladas, ante 4,64 milhões no mesmo período do ciclo anterior.

Na Argentina, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a estimativa de produção para 19 milhões de toneladas em seu relatório de agosto. Ainda assim, de acordo com a Ceema, “o mercado local continua estimando uma colheita acima de 20 milhões de toneladas”.





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Lula fala em negociar tarifaço, mas diz que não aceita que país seja tratado como subalterno



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu nesta terça-feira (26) a segunda reunião ministerial de 2025. Ao citar a atual política dos Estados Unidos, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais, ele afirmou que o Brasil não aceitará “desaforo, ofensas e petulância de ninguém”. Lula orientou seus ministros a defenderem a soberania do país em seus discursos públicos.

Para ele, as decisões do presidente dos EUA, Donald Trump, são descabidas. Ainda assim, o governo brasileiro segue à disposição para negociar as questões comerciais.

“Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fossemos subalternos. Isso nós não aceitamos de ninguém. É importante saber que o nosso compromisso é com o povo brasileiro”, disse Lula.

“É importante que cada ministro, nas falas que fizerem daqui para frente, façam questão de retratar a soberania desse país. Nós aceitamos relações cordiais com o mundo inteiro, mas não aceitamos desaforo e ofensas, petulância de ninguém. Se a gente gostasse de imperador, o Brasil ainda seria monarquia. A gente não quer mais. A gente quer esse país democrático e soberano, republicano”, acrescentou.

Exportações

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que está à frente das negociações sobre o tarifaço, também apresentou números atualizados sobre o impacto das medidas no comércio brasileiro. Segundo ele, 35,6% de tudo que é exportado pelo Brasil ao país norte-americano estão sob uma tarifa de 50%.

O tarifaço imposto ao Brasil faz parte da nova política da Casa Branca, inaugurada pelo presidente Donald Trump, de elevar as tarifas contra parceiros comerciais na tentativa de reverter a relativa perda de competitividade da economia dos Estados Unidos para a China nas últimas décadas. No dia 2 de abril, Trump impôs barreiras alfandegárias a países de acordo com o tamanho do déficit que os Estados Unidos têm com cada nação. Como os EUA têm superávit com o Brasil, na ocasião, foi imposta a taxa mais baixa, de 10%.

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Porém, em 6 de agosto, Trump aplicou uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil em retaliação a decisões que, segundo ele, prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.

Além disso, Alckmin explicou que 23,2% das exportações ao país norte-americano são taxados de acordo com a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial norte-americana, que é aplicada a todos os países, com exceção do Reino Unido. Para aço, alumínio e cobre, por exemplo, a tarifa é de 50%; automóveis e autopeças são taxados em 25%. O restante dos 41,3% de produtos exportados aos EUA tem uma tarifa de 10%.



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IPCA-15 cai 0,14% em agosto, segundo IBGE



O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou queda de 0,14% em agosto, após ter subido 0,33% em julho, informou na manhã desta terça-feira (26) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O resultado ficou acima da mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, de queda de 0,21%, com intervalo entre retração de 0,28% a uma alta de 0,29%.

Com o resultado anunciado nesta terça, o IPCA-15 acumulou um aumento de 3,26% no ano. A taxa em 12 meses ficou em 4,95%, de acordo com o IBGE. As projeções iam de avanço de 4,80% a 5,41%, com mediana de 4,88%.



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Soro fetal bovino do Brasil ganha acesso à União Euroasiática


O Brasil conquistou mais uma importante abertura de mercado internacional. Nesta segunda-feira (25/8), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou que a União Econômica Euroasiática autorizou a importação de soro fetal bovino brasileiro.

O bloco é formado por cinco países (Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia) e reúne mais de 183 milhões de habitantes. Como adiantando pelo Canal do Criador, em 2024, importou mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para soja, carnes e café.

De acordo com o Mapa, com esse anúncio, o agronegócio brasileiro soma 409 aberturas de mercado desde 2023. O avanço é resultado de negociações conduzidas em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

O que é o soro fetal bovino?

O soro fetal bovino (FBS) é obtido da fração líquida do sangue coagulado de fetos de bezerros e contém nutrientes fundamentais para o crescimento celular, como aminoácidos, açúcares, lipídios e hormônios.

O que é o soro fetal bovino
FOTO: Reprodução l Eva Scientific

Devido à sua composição rica em macromoléculas e fatores nutricionais, é amplamente aplicado na pesquisa biotecnológica, em estudos sobre câncer, desenvolvimento de biofármacos e na produção de vacinas humanas e animais.

O mercado global de soro fetal bovino é segmentado por aplicações, por tipo de produto, por usuários finais (institutos de pesquisa, farmacêuticas e indústrias biotecnológicas) e por regiões como América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico e América do Sul.



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Granizo encobre rodovia do Paraná e moradores acham que é neve



As câmeras de monitoramento da concessionária EPR Litoral Pioneiro registraram, na manhã desta terça-feira (26), imagens impressionantes da chuva de granizo que atingiu a cidade Castro, no Paraná.

Pouco depois das 9h, a região central e diversos bairros do município ficaram cobertos pelo gelo, em um cenário que lembrou neve e surpreendeu moradores. A PR-151, que corta a cidade, também ficou tomada pelas pedras de gelo. Até o momento, não há informações oficiais sobre estragos provocados pela chuva de granizo.

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De acordo com o meteorologista Allef Matos, do Simepar, o fenômeno foi provocado pelo deslocamento de um vórtice ciclônico em altos níveis sobre o Paraná.

“É um sistema de baixa pressão bem desenvolvido que se forma a cerca de 5 quilômetros de altitude, o que favorece a formação de tempestades. Além disso, o sistema carrega ar bastante frio, criando um ambiente atmosférico ideal para a ocorrência de granizo. Como a temperatura na superfície também está mais baixa, as pedras de gelo conseguem se conservar até chegar ao solo”, explica.



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Floração do pêssego avança com risco de geadas



Frio intenso acumulou 704 horas abaixo de 7,2 °C no RS




Foto: Pixabay

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na última quinta-feira (21), o cultivo de pêssego segue em diferentes estágios nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul. Em Caxias do Sul, a poda está praticamente concluída. “Nos pomares das variedades mais precoces, as plantas estão encerrando o florescimento e já apresentam pequenos frutos. As variedades médias e tardias iniciam ou estão em plena floração, provavelmente influenciada pelo número de horas frio”, informou a entidade.

A Emater/RS-Ascar destacou que, em algumas localidades, fatores climáticos têm antecipado a floração até mesmo de cultivares intermediárias. “Esse cenário causa apreensão nos persicultores pela possibilidade de geadas tardias”, registrou o informativo. Para reduzir riscos, seguem os tratamentos preventivos contra antracnose e podridões.

Na região de Pelotas, a cultura permanece em plena floração. “As principais cultivares apresentam excelente aspecto sanitário e expectativa de produção”, apontou a Emater/RS-Ascar. Segundo a publicação, a poda de inverno está em fase final e a primeira adubação já foi iniciada. A entidade ressaltou ainda que o frio intenso acumulou 704 horas de temperaturas iguais ou inferiores a 7,2 °C, valor que já alcança a média histórica registrada pela Estação Meteorológica da Embrapa Clima Temperado, na unidade da Cascata. Diante das baixas temperaturas registradas e previstas, muitos produtores recorreram ao uso de fumaça para proteger os pomares contra geadas, sobretudo em áreas mais baixas e suscetíveis.





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Negociações do acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá serão retomadas, diz Alckmin



Em reunião realizada na segunda-feira (25/8) em Brasília, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, concordaram que há condições para a retomada das negociações do acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá, paralisadas desde 2021.

Na avaliação de Alckmin, foi uma boa conversa, que demonstra a disposição das duas partes em avançar nas tratativas, que podem abrir novas oportunidades para produtores, empresários, trabalhadoras e trabalhadores do Brasil. “Podemos ampliar ainda mais essa parceria para fortalecer as relações bilaterais com o Canadá e aumentar nossas trocas comerciais”, afirmou o ministro após se reunir com Sidhu.

Para avançar neste caminho, está previsto, para outubro, uma reunião entre negociadores-chefe do Canadá e do Mercosul. Neste semestre, o Brasil tem a presidência temporária do bloco regional. A retomada formal das negociações com o Canadá, com estabelecimento de cronogramas de rodadas de negociação, será objeto de coordenação interna no bloco.

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Durante a reunião, os ministros discutiram ainda a importância de fortalecer a cooperação
bilateral e ampliar a complementariedade econômica em diferentes setores como mineração,
agribusiness, fertilizantes, defesa, energia renovável e complexo industrial de saúde. Um trabalho a ser desenvolvido com a participação dos setores privados dos dois países.

Nesta terça-feira (26/8), o vice-presidente embarca para o México e cumprirá uma agenda de encontros políticos e empresariais em busca de ampliar mercados para produtos brasileiros.

Para o Brasil, o acordo com o Canadá tem potencial para ampliar o acesso a mercados, reduzir barreiras comerciais e diversificar destinos das vendas nacionais, além de possibilitar a integração de cadeias produtivas e estimular investimentos sustentáveis. Por meio de um acordo, também será possível avançar em disciplinas de facilitação de comércio, medidas sanitárias e fitossanitárias e regras que favoreçam inovação.

O Canadá é hoje o 7º destino das exportações brasileiras. O Brasil é o maior investidor
latino-americano no Canadá, com oportunidades em infraestrutura, tecnologia, energia renovável e agronegócio.



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Embrapa lança cartilha de boas práticas



A Embrapa Soja, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a BASF Soluções para Agricultura, lançou, nesta segunda-feira (26), a cartilha “Boas Práticas para Integração entre Apicultura e Sojicultura”. O documento funciona como um guia de instruções para apoiar a convivência harmoniosa entre a produção de soja e de mel e já está disponível no site do Senar.

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Para quem é a cartilha?

Destinada a agricultores, apicultores e profissionais do setor agropecuário, a cartilha é resultado de um projeto conjunto realizado pela Embrapa, BASF e Senar ao longo de três safras (2022/2023, 2023/2024 e 2024/2025) em áreas do Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

Durante esse período, técnicos e pesquisadores da Embrapa trabalharam na validação de um protocolo de boas práticas agrícolas e apícolas, buscando uma convivência segura e produtiva entre as abelhas e as lavouras de soja.

“A cartilha representa um passo importante na transferência de tecnologias para o setor produtivo. Reúne informações qualificadas que auxiliam técnicos e produtores a aplicar corretamente o manejo Integrado de pragas, ao mesmo tempo em que promove a comunicação eficaz entre apicultores e sojicultores”, afirma Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja.

Integração entre soja e abelhas

Estudos da Embrapa mostram que a presença de abelhas pode aumentar a produtividade da soja em até 13%, chegando a 18% em alguns casos. Para a apicultura, os benefícios também são expressivos: colmeias próximas às lavouras de soja podem produzir até três vezes mais mel durante a floração da cultura.

Além de ganhos de produtividade, a adoção de boas práticas agrícolas evita impactos negativos de defensivos sobre as abelhas e contribui para a conservação da biodiversidade local. “As abelhas são indicadores de saúde ambiental. Quando bem manejadas, refletem positivamente em matas, cursos de água e demais espécies silvestres próximas às áreas de produção”, observa Gazzoni.

Valoração do serviço ecossistêmico

A polinização é um serviço ecossistêmico essencial para a reprodução de plantas e a produção de frutos, sementes e mel. Embora a soja não seja uma planta melífera clássica, estudos da Embrapa mostram que as abelhas forrageiam nessas lavouras, destacando sua relevância para a produtividade agrícola. Estimativas globais apontam que o valor anual da polinização varia entre US$ 235 e US$ 577 bilhões, enquanto no Brasil chega a cerca de US$ 12 bilhões.

O manejo como orientação na cartilha

O documento orienta que agricultores e apicultores em áreas contíguas mantenham diálogo constante sobre suas atividades, evitando surpresas ou conflitos. “É essencial que haja troca de informações sobre o manejo agrícola e o cuidado com as abelhas, especialmente quando uma ação impacta a outra”, explica Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja.

Apoio

A cartilha, integrante da Coleção Senar, será utilizada como material de apoio em cursos voltados a produtores rurais e apicultores. O documento já está disponível para download gratuito no site do Senar e em formato e-book no aplicativo Estante Virtual.



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é hora de transformar a política agrícola


Todo ano, instabilidades de mercado e eventos climáticos — geadas, secas, enchentes, chuva na colheita, granizo, incêndios — geram prejuízos e pressionam o setor agropecuário. A resposta recorrente do governo é a prorrogação de dívidas.

Esse alívio imediato cria passivos que se arrastam por anos, trava crédito novo e reduz capacidade de investimento. O “sinal trocado” do governo — apostar em renegociações emergenciais em vez de prevenção estruturada — envia a mensagem errada ao setor e mantém produtores reféns de soluções de curto prazo.

Paliativos que custam caro

As soluções emergenciais apenas “resolvem” problemas momentâneos. Cada renegociação carrega consigo a perda de competitividade e a perpetuação do ciclo de vulnerabilidade e pobreza.

Além disso, existe o custo indireto das renegociações: ao carregar um passivo de dois a cinco anos, o produtor tem seu acesso a crédito e investimentos em tecnologia reduzido, sofre queda de produtividade e vê sua renda diminuir.

Sem a proteção do seguro rural, novas instabilidades exigem renegociações adicionais, empurrando com a barriga a situação, mascarando a inadimplência.

Histórico de improvisos

Desde os instrumentos financeiros criados na década de 1970, passando pela securitização e pelo Pesa nos anos 1990, a política agrícola brasileira tem privilegiado soluções paliativas. Grandes renegociações, como a Lei 11.775 de 2008, os ajustes frente às secas e geadas subsequentes e os problemas recentes no Rio Grande do Sul poderiam ter sido significativamente minimizados com a priorização do seguro rural.

Décadas de medidas pontuais custaram caro aos cofres públicos e geraram efeitos negativos em toda a cadeia — do sistema financeiro a cooperativas, revendas, agroindústrias e produtores — mantendo vulnerabilidades estruturais e repetindo ciclos de fragilidade.

Falta decifrar a eficiência da Política Agrícola

É fundamental divulgar de forma transparente quanto cada instrumento — crédito rural, Proagro e seguro rural — realmente custa e qual é seu retorno efetivo. No caso do crédito rural, não basta considerar apenas os valores desembolsados, como se números recordes fossem sinônimo de sucesso.

É preciso avaliar também os benefícios e os custos indiretos associados ao crédito concedido sem garantias, que frequentemente resultam em prorrogações de dívidas, perdas de produtividade e renda e, em situações extremas, prejuízos ao patrimônio, recuperações judiciais ou até mesmo a saída do produtor da atividade rural.

Prevenir é melhor que renegociar

O contraste entre crédito e seguro rural é claro. Em 2021, cada R$ 1 investido em subvenção para o seguro gerou R$ 57 em importância segurada, enquanto o crédito rural gerou apenas R$ 7 em valor financiado.

Em 2024, R$ 600 milhões foram efetivamente liberados para o seguro rural, enquanto R$ 354 milhões permaneceram bloqueados no auge da contratação. Apesar de sua efetividade, o seguro rural ainda recebe recursos irrisórios diante dos bilhões destinados ao combo crédito rural, renegociações e Proagro, que somam mais de R$ 15 bilhões em subsídios.

O Zonamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), da Embrapa, precisa de orçamento robusto para servir como base científica do seguro rural. Apenas com informações confiáveis, planejamento orçamentário previsível e políticas de prevenção estruturadas será possível transformar a política agrícola em um instrumento de resiliência, produtividade e competitividade, rompendo décadas de improvisação.

Neste momento, enquanto o governo federal define o orçamento do próximo ano, é crucial que a Lei Orçamentária Anual (LOA 2026) permita que o seguro rural atue de forma estruturante. Para mudar o jogo e dar à política agrícola a importância que merece, os valores bloqueados de R$ 354 milhões neste ano precisam ser liberados ainda em setembro de 2025 e o orçamento do PSR para 2026 deve prever R$ 3 bilhões estáveis e não contingenciáveis. Agora, a palavra está com o governo e com o Congresso Nacional.

*Pedro Loyola é consultor em gestão de riscos agropecuários e financiamento sustentável e coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Comida de verdade continua dominando pratos pelo mundo


Nos últimos tempos, o planeta se deslumbrou com a ideia de que as proteínas inovadoras seriam transformadoras. Carnes criadas em laboratório, hambúrgueres plant-based, fermentação minuciosa… tudo parecia inevitável. O pressuposto era de que o tradicional arroz com feijão estaria com seus dias contados, substituído por opções modernas, impulsionadas por bilhões em investimentos e reportagens otimistas.

Contudo, a realidade de 2025 apresenta um quadro bem distinto. Empresas tidas como referências mundiais perderam valor e fregueses. A Beyond Meat, outrora destaque nas bolsas de valores, hoje tem um valor ínfimo se comparado ao seu lançamento. No Brasil, a Fazenda Futuro, que representava a entrada do país nesse mercado alternativo, desistiu da expansão global e voltou seu foco ao mercado nacional. A fermentação minuciosa, vista como revolução, continua dispendiosa e dependente de energia.

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As dificuldades não acabam aí. Nos Estados Unidos, alguns estados já vetaram a carne cultivada em laboratório. Na União Europeia, a moderação prevalece. Na Ásia, a adesão é variável, com reações distintas conforme a cultura local. O ânimo inicial se transformou em receio, desconfiança dos clientes e dificuldade das empresas em manter modelos de negócio que, na prática, não geram lucro.

O que revelam os consumidores

Uma pesquisa global solicitada pela Ingredient Communications ajuda a elucidar essa situação. Os vegetarianos, que ainda consomem produtos de origem animal, se tornaram os mais rigorosos e os mais insatisfeitos com as opções plant-based. A satisfação geral diminuiu consideravelmente desde 2018.

Os veganos até manifestam alguma aceitação , embora ainda em níveis baixos. No Brasil, o vegetarianismo cresceu 75% em oito anos, atingindo 30 milhões de adeptos. Um dado chama atenção: os vegetarianos já representam cerca de 20% do consumo de feijão no país. Isso demonstra que, mesmo reduzindo a proteína animal, o feijão, alimento essencial da nossa cultura, permanece como base.

A grande questão das carnes vegetais, dos leites e dos ovos produzidos com ingredientes vegetais reside na experiência sensorial. O sabor, a textura e a suculência ainda não correspondem totalmente às expectativas. Os leites vegetais frequentemente deixam um resíduo de sabor de ervilha ou soja. Os ovos à base de plantas ainda não conseguem reproduzir fielmente a experiência de um ovo tradicional. Existem, contudo, previsões otimistas que apontam para um mercado de 162 bilhões de dólares até 2030, o que representaria um aumento de cinco vezes em relação ao tamanho atual. Essa expansão seria impulsionada principalmente pelos flexitarianos, consumidores que diminuem, mas não eliminam completamente o consumo de carne. No Brasil, 52% da população já se identifica com esse perfil. No entanto, entre as projeções e a realidade, existe uma grande distância que ainda não foi superada.

Enquanto uma parte do mundo deposita suas esperanças em promessas futuras, o setor agrícola brasileiro segue um caminho mais concreto: aumentar a produtividade, investir na qualificação dos produtores e fortalecer a pesquisa. O banco suíço Lombard Odier já reconheceu em um relatório recente que as proteínas alternativas deixaram de ser uma prioridade. O foco agora é a agricultura tradicional, realizada no campo, que garante a segurança alimentar.

No Brasil, essa abordagem ganha ainda mais relevância, pois o prato que nos define é o feijão com arroz. É ele que nutre milhões de pessoas diariamente, oferecendo um equilíbrio nutricional a um custo acessível. Enquanto investidores buscam recuperar perdas, os agricultores brasileiros continuam a cumprir sua missão: fornecer comida de verdade para a população.

Orgulho do que produzimos

Cada nação tem seus próprios motivos de orgulho tecnológico. Alguns países  celebram seus feitos como  foguetes dão ré,  carros elétricos e robôs, inteligência artificial e por aí vai.  Todas essas iniciativas são válidas e importantes. Contudo, existe uma verdade inegável: sem alimentação adequada três vezes ao dia, nenhum gênio pode se destacar ou sequer pensar.

É nesse ponto que reside o nosso orgulho. O Brasil não é apenas um exportador de commodities. Somos o país que alimenta aqueles que constroem foguetes, programam inteligência artificial e desenvolvem o carro do futuro. O agroalimento brasileiro fornece energia para a mente e o corpo de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Essa é uma conquista que sustenta sociedades inteiras, embora muitas vezes receba menos atenção do que as novidades tecnológicas.

Um futuro realista para as proteínas

Os cientistas estão certos em preparar alternativas para alimentar os seres humanos.  Isto poderá em algum momento ser a única saída mas até lá o concreto para a inovação,  não está em tentar substituir radicalmente os alimentos que as pessoas consomem, mas sim em aprimorar o que já existe. Um exemplo disso vem da China, que começou a enriquecer macarrão de arroz com proteína de feijão. Essa estratégia não altera a forma do alimento, mas o torna mais nutritivo. É uma abordagem simples, prática e bem aceita pelos consumidores.

Eis uma abordagem promissora: enriquecer alimentos populares com a proteína dos pulses, elevando seu valor nutricional. É algo familiar, bem recebido e facilmente incorporado pelos consumidores. Bem diferente de imaginar que um brasileiro abandonará o tradicional arroz, feijão, bife e salada em favor de uma alternativa vegetal disruptiva. Essa mudança ainda exige tempo, avanços na tecnologia e preços competitivos para se tornar viável.

No coração da alimentação

Embora o futuro possa incluir carnes criadas em laboratório e hambúrgueres tecnológicos, o presente, que garante o sustento da maioria, permanece sendo, para nós o prato básico, saudável e essencial de feijão com arroz.

E para o mundo muito suco de laranja, café, frutas, amendoim, gergelim, linhaça, painço, chia, pipoca, carnes, feijões são a nossa  contribuição: comida autêntica e acessível, que nutre aqueles que impulsionam o mundo.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


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