Produtores da agricultura familiar de Ribeirão Cascalheira projetam aumentar em 30% a colheita de pequi em 2025, alcançando cerca de 520 toneladas. A expectativa já impulsiona o mercado, nove revendedores começaram as compras para abastecer Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal e os polos de Itumbiara, Rio Verde e Cuiabá.
A caixa com 30 quilos é vendida a R$ 1,00 o quilo. “O pequi sustenta 1,5 mil famílias de agricultores familiares nessa época do ano. No ano passado, vendemos 400 toneladas. A produção neste ano chega a 1,2 mil caixas ao dia”, destaca o técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).
Foto: Assessoria Empaer
Considerada pelos atacadistas a capital do pequi em Mato Grosso no período da colheita, o município de Ribeirão Cascalheira concentra uma safra que se estende por cerca de 100 dias.
A colheita começou em 15 de outubro e vai até meados de dezembro. “É uma importante fonte de renda para os agricultores familiares. Cerca de 80% do pequi é proveniente do extrativismo”, destaca o técnico.
Ele destaca que o pequi da região é nativo e que o tipo de solo favorece à cultura. A Central Estadual de Abastecimento, mercado atacadista de produtos hortifrutigranjeiros, no Distrito Industrial de Cuiabá, é a principal compradora e distribui para todo o estado. “A Ceasa é a maior compradora de Cuiabá, Várzea Grande, Primavera do Leste e Rondonópolis”, destaca Carlos Quintino.
Comprador de pequi nesta época do ano na região de Ribeirão Cascalheira, da empresa Top Frutas de Cuiabá, Evanir Gonçalves da Silva distribui o produto para Goiânia, Brasília, Itumbiara, Rio Verde, Cuiabá, Montes Claros, Minas Gerais, entre outras regiões.
“Estou carregando uma média de dois caminhões por dia. A média é de 1,2 mil caixas ao dia e 40 mil caixas por colheita”, diz.
Ribeirão Cascalheira possui aproximadamente 280 hectares de área com a cultura do pequi, sendo 150 hectares de plantas nativas e 130 hectares de plantio, feito para reflorestar áreas degradadas e para recuperação de áreas de proteção permanente (APP).
Depois de interpretar Daniel Cravinhos na série Tremembé, Felipe Simas volta a viver um personagem real na ficção. No filme Asa Branca – A Voz da Arena, que estreia em 18 de dezembro nos cinemas, o ator dá vida a Waldemar Ruy dos Santos, o Asa Branca, ex-peão que se tornou o locutor de rodeios mais famoso do país nos anos 1990. Asa revolucionou o formato dos rodeios, transformando as montarias em espetáculo e criando um estilo próprio de narração. Fora da arena, protagonizou uma vida intensa marcada por glamour, excessos e dificuldades.
Em entrevista ao Canal Rural, Simas contou que inicialmente interpretaria outro personagem, mas, após testes, os produtores do filme decidiram que ele faria o papel.
“Não era para ser eu o Asa Branca, era para ser um dos outros personagens do filme. Mas quando eu comecei a ler a sinopse, fiquei encantado. Falei: Esse personagem é maravilhoso. Quando me disseram que tinham decidido que eu seria o Asa, eu pirei”.
Nascido no Rio de Janeiro, Simas disse que o clima rural das gravações o fez revisitar lembranças de infância na serra fluminense.
“Nas férias, a gente passava dois meses na casa da minha bisavó em Petrópolis, sempre descalço, na lama, pulando rio, andando a cavalo. O mais próximo que tenho do sertanejo é o cavalo, tenho até cicatrizes de quedas. Esse universo me trouxe de volta meu lado criança, o lado sem julgamento.”
Intensidade
O ator destaca que, apesar das diferenças físicas e comportamentais, encontrou semelhanças na energia e na presença de Asa Branca:
“A fisicalidade dele me impressionou. Quando ele pegava o microfone, a arena era dele. Ele dominava o espaço pela voz e pelo corpo. Isso a capoeira me deu também: uma malemolência, uma ginga que levo para todos os meus trabalhos.”
Para Simas, o maior desafio foi lidar com a intensidade de Asa Branca. “Ele era uma energia ambulante. Essa ausência de autojulgamento me encanta, porque o Felipe é o oposto, se cobra muito. Criar essa liberdade em pouco tempo foi a parte mais difícil, mas a preparação da Fernanda Rocha ajudou muito.”
Banca de jornal
A ideia do filme surgiu quando o diretor Guga Sanders viu em uma banca de jornal uma revista com Asa Branca na capa. “Falava de um cara que já foi milionário, tinha avião, e depois não tinha onde cair morto. Achei interessante. Comprei a revista, li, e fui atrás da história”, relembra.
Guga chegou a conversar com Asa Branca sobre o projeto antes dele morrer em 2020. “Ele adorou a ideia. Queria muito que esse filme acontecesse.”
Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual
Antes de fazer o filme, Guga nunca havia ido a um rodeio, o diretor conta que se surpreendeu com os bastidores e com os cuidados necessários com os touros durante as gravações. “O mais desafiador era filmar cenas com atores e touros juntos. Um touro tem uma tonelada. Nos anos 1990, os peões usavam só chapéu, sem capacete. Tivemos que encontrar profissionais que topassem montar assim. E só podíamos fazer um take por touro, para não exigir demais dos animais. Os touros são caríssimos e precisam ser preservados.”
Emoção no set
Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual
Guga ainda contou para o Canal Rural que Sandra, viúva de Asa Branca, acompanhou algumas gravações no set de filmagem e se emocionou.
“Ela chorou muito. Acho que ver aquilo se realizando, algo que o Asa queria tanto, tocou profundamente. No cinema, vai se emocionar ainda mais”
Para além dos rodeios
Gravado em 20 dias, com locações principalmente em Fernandópolis (SP), o filme recria o ambiente dos rodeios dos anos 1990. Mas, segundo Guga, a história vai além desse universo.
“Vai ter quem conheceu o Asa de perto e sinta falta de partes que não cabem em um filme. Mas a mensagem é muito forte: resiliência, recomeço, amor, perdão e autoconhecimento. Ele saiu pequeno, virou gigante, se perdeu, precisou ir ao fundo do poço para reencontrar seus valores. Essa mensagem é universal.”
O Brasil aparece entre os países com maior potencial para minerais críticos, insumos estratégicos para a transição energética. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, apesar da relevância geológica, o país ainda não converteu esse patrimônio em produção equivalente ao de grandes fornecedores globais.
Os minerais críticos incluem lítio, níquel, cobalto e terras raras, usados em baterias, turbinas eólicas, painéis solares e equipamentos eletrônicos. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Brasil concentra cerca de dez por cento das reservas mundiais desses recursos.
Potencial geológico e desafios internos
O levantamento analisa a posição brasileira na cadeia global de minerais críticos e indica que, nas últimas duas décadas, a participação do país no comércio internacional foi limitada. A baixa presença externa reflete obstáculos internos, como incertezas regulatórias, limitações de infraestrutura e investimentos insuficientes em pesquisa geológica.
Os autores observam que a mineração brasileira permaneceu dependente de ciclos de preços, especialmente do minério de ferro, que responde por mais de dois terços do setor. Entre dois mil e dois mil e dezenove, a atividade oscilou entre zero vírgula setenta e cinco por cento e dois por cento do Produto Interno Bruto (PIB), variando conforme o ritmo das commodities.
Movimentos recentes e perspectivas
O estudo aponta, porém, uma mudança de cenário. Nos últimos anos, aumentaram os investimentos em capital físico e foram retomados os gastos em mapeamento geológico, prática alinhada ao movimento observado em outros países com atuação relevante no setor. Para os pesquisadores, esses sinais sugerem que o Brasil pode estar iniciando um novo ciclo, capaz de ampliar a competitividade da mineração voltada aos minerais críticos.
A equipe do Ipea alerta, contudo, que o avanço depende de expectativas realistas sobre o impacto econômico. A consolidação do setor exige continuidade nos investimentos, segurança regulatória e planejamento para que novos projetos avancem da fase exploratória à produção comercial.
O estudo reforça que o país tem condições de ampliar sua presença em cadeias estratégicas ligadas à transição energética. Mas destaca que a conversão desse potencial em resultados econômicos depende da capacidade de estruturar projetos sustentáveis, competitivos e integrados às demandas globais de longo prazo.
A produção brasileira de café em 2025 está estimada em 56,5 milhões de sacas de 60 quilos, segundo o 4º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado nesta quinta-feira (4). Mesmo sendo um ano de bienalidade negativa, o volume projetado é o terceiro maior da série histórica, atrás apenas das safras de 2018 e 2020, ambas de bienalidade positiva. O número representa ainda alta de 4,3% em relação à produção de 2024.
O resultado combina uma leve redução de 1,2% na área em produção, estimada em 1,85 milhão de hectares, com melhora na produtividade média nacional, projetada em 30,4 sacas por hectare. O avanço é impulsionado principalmente pelo desempenho das lavouras de conilon.
Conilon bate recorde histórico e cresce 42%
Com menor influência da bienalidade, a produção de conilon deve alcançar 20,8 milhões de sacas, o maior volume já registrado pela Conab. Isso supera o recorde anterior, de 2022, quando foram colhidas 18,2 milhões de sacas. A alta é de 42,1% frente à safra passada, favorecida pela regularidade climática, que garantiu maior vigor às plantas.
Entre os estados:
Espírito Santo: 14,2 milhões de sacas (+43,8%)
Bahia: 3,29 milhões de sacas (+68,7%)
Rondônia: 2,32 milhões de sacas (+10,8%)
Arábica recua 9,7% com bienalidade negativa e seca
Já o café arábica registra retração. A Conab estima 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7% em relação a 2024. A redução é explicada pelo ciclo de bienalidade negativa e por períodos de escassez hídrica, que prejudicaram o potencial produtivo.
A área de arábica teve redução de 1,5%, totalizando 1,49 milhão de hectares, enquanto a produtividade caiu 8,4%, para 24,1 sacas por hectare.
Nos estados produtores:
Minas Gerais: 25,17 milhões de sacas (-9,2%)
São Paulo: 4,7 milhões de sacas (-12,9%)
Bahia: 1,14 milhão de sacas (+2,5%), com destaque para o Cerrado baiano (+18,5%)
Exportações caem em volume, mas valor bate recorde
De janeiro a outubro de 2025, o Brasil exportou 34,2 milhões de sacas, queda de 17,8% ante o mesmo período de 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A redução é consequência dos estoques internos menores, após o embarque recorde de 50,5 milhões de sacas em 2024.
Apesar disso, o valor exportado atingiu US$ 12,9 bilhões, superando todo o faturamento de 2024 e já configurando um novo recorde anual, mesmo faltando dois meses para o encerramento do ano. O desempenho é explicado pela alta dos preços internacionais do café em 2025.
Estoques mundiais apertados sustentam preços
Segundo o USDA, mesmo com previsão de aumento na produção global em 2025/26, os preços devem seguir firmes. O motivo é o estoque mundial extremamente baixo, estimado em 21,8 milhões de sacas, o menor nível em 25 anos.
O boletim completo e as tabelas detalhadas do levantamento estão disponíveis no site da Conab.
O poder de compra do produtor rural deve apresentar movimentos distintos entre as principais cadeias em 2025 e 2026. É o que aponta um estudo inédito do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), realizado exclusivamente para o Canal Rural. O levantamento detalha as relações de troca esperadas para soja, milho, café e boi gordo, considerando preços projetados e custos de produção.
Soja 25/26: mais sacas para fechar o orçamento
Para a safra de soja 2025/26, a relação de troca tende a piorar em comparação à média das últimas cinco temporadas (20/21 a 24/25). Segundo o estudo, o produtor deverá entregar mais sacas para honrar o orçamento planejado, efeito direto da queda no poder de compra.
A deterioração ocorre porque os custos reais, especialmente com fertilizantes e defensivos, permanecem elevados, enquanto o preço médio esperado da soja para o próximo ano está abaixo da média recente. Com isso, mesmo um custo relativamente estável pressiona a conta final e reduz a margem.
Milho segunda safra: cenário mais favorável
No milho segunda safra 2025/26, o movimento é o oposto. A relação de troca tende a melhorar, já que o produtor deverá utilizar menos sacas para saldar o orçamento. O Cepea atribui a melhora ao preço médio esperado para a temporada, que é mais positivo, e ao custo mais baixo com fertilizantes e defensivos.
Café arábica: melhora no poder de compra em 26/27
O estudo exclusivo para o Canal Rural mostra ainda que o café arábica de alta tecnologia em Minas Gerais pode ter um avanço no poder de compra na safra 2026/27. A projeção indica redução na quantidade mínima de sacas necessárias para cobrir cada item do custo.
A recuperação das margens ocorre em um contexto de alta internacional dos preços, influenciada pela menor produtividade global. Produtor que conseguiu colheitas próximas da média recente tende a sentir o alívio. Mesmo assim, o Cepea ressalta que problemas de déficit hídrico e calor persistiram, ainda que propriedades irrigadas reduzam parte desse risco.
Boi gordo: custos de reposição e alimentação seguem pesando
Para o boi gordo, o Cepea destaca a forte sensibilidade do sistema aos custos de reposição e alimentação. Esses itens representam pelo menos 80% das despesas anuais de recria e engorda em todas as regiões, considerando preços de setembro de 2025.
O início do período de águas 2025/26 traz sinalização de alta para animais de reposição. Ao mesmo tempo, a incerteza cambial mantém elevados os preços de insumos importados, como fertilizantes e suplementos minerais.
Apesar disso, a boa expectativa para a safra de grãos segura os preços dos ingredientes de ração, o que ajuda a limitar o impacto do aumento dos demais custos nas margens projetadas para 2026.
O estudo também aponta que custos fixos continuam altos, como mão de obra e depreciação. A diluição desses gastos ainda é limitada, reflexo de uma pecuária brasileira que cresce, mas opera abaixo do potencial. Sistemas com maior investimento tendem a apresentar margens melhores no médio prazo, justamente por conseguirem distribuir melhor esses custos.
No Paraná, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e em Santa Catarina, as cotações operam nesse patamar desde meados de setembro. Segundo o centro de pesquisas, o cenário de estabilidade está atrelado ao forte equilíbrio entre a oferta e a demanda por novos lotes de animais para abate por parte dos frigoríficos.
Alguns agentes consultados pelo Cepea indicam que o atual nível de preço de negociação pode indicar que o suinocultor estaria comercializando com rentabilidade positiva, enquanto a indústria consegue garantir consumo na ponta final do mercado.
Em relação à carne, o destaque é a demanda externa aquecida. Pesquisadores ressaltam que a interrupção dos embarques espanhóis, após confirmação de casos de Peste Suína Africana (PSA) naquele país, pode significar uma oportunidade para o Brasil.
A Espanha é o maior produtor de carne suína da União Europeia, tendo sido também a maior exportadora da proteína do mundo em 2023 (quando desconsiderada a União Europeia como bloco único).
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou estabilidade de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 frente ao segundo trimestre, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira. Apesar do desempenho moderado da economia como um todo, o setor agropecuário voltou a ser o principal destaque, sustentando o crescimento do país.
Agro cresce 0,4% no trimestre e dispara 10,1% na comparação anual
Pela ótica da produção, a Agropecuária apresentou alta de 0,4% ante o trimestre anterior, ritmo superior ao dos Serviços (0,1%) e atrás apenas da Indústria (0,8%).
Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço do agro foi ainda mais significativo: crescimento de 10,1%, impulsionado por ganhos de produtividade e expansão das principais culturas do trimestre. OLevantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) apontou aumentos expressivos em:
Milho: +23,5%
Laranja: +13,5%
Algodão: +10,6%
Trigo: +4,5%
A única queda relevante foi na cana-de-açúcar (-1,0%), cuja safra também tem peso na análise trimestral.
Exportações do agro contribuem para o PIB
No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 7,2% em relação ao terceiro trimestre de 2024. Entre os destaques, o agro aparece ao lado de veículos automotores, celulose e do segmento de petróleo e gás.
Agro impulsiona resultados acumulados
O desempenho robusto da produção rural tem sustentado o crescimento agregado da economia ao longo do ano. No acumulado de quatro trimestres terminados em setembro:
Agropecuária cresce 9,6%, muito acima da Indústria (1,8%) e dos Serviços (2,2%).
O PIB acumulado avança 2,7% frente aos quatro trimestres anteriores.
De janeiro a setembro, a agropecuária também lidera: alta de 11,6%, contra 1,7% da Indústria e 1,8% dos Serviços.
PIB chega a R$ 3,2 trilhões no trimestre
O PIB totalizou R$ 3,2 trilhões no terceiro trimestre de 2025. A taxa de investimento ficou em 17,3%, ligeiramente abaixo do nível de 2024 (17,4%), enquanto a taxa de poupança se manteve em 14,5%.
Embora o crescimento geral da economia tenha sido modesto, o setor agropecuário segue desempenhando papel central na expansão do PIB e no dinamismo das exportações brasileiras.
Com a entrada de dezembro, o mercado pecuário se volta ao pico de consumo doméstico, impulsionado pelas festividades e pelo 13º salário. Isso é o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
No front externo, China e Estados Unidos dão sinais de demandas também firmes para este mês que se inicia. Para atender a essas vendas, pesquisadores explicam que parte dos frigoríficos já está com escalas adiantadas e com programação de férias coletivas nos últimos dias do mês. Outra parte das indústrias, no entanto, ainda precisa adquirir boa quantidade de animais e isso pode manter o mercado aquecido principalmente até meados da próxima semana.
Historicamente, conforme o centro de pesquisas, a primeira quinzena do mês costuma ser marcada por forte escoamento de carne no atacado e varejo, o que dá suporte aos preços também da arroba.
No entanto, é comum que, na segunda quinzena, haja uma redução no volume de negócios, paradas técnicas e recessos de final de ano nos frigoríficos. Mesmo assim, com a oferta de animais já ajustada e a exportação em ritmo recorde, os preços de toda a pecuária podem atravessar dezembro sustentados, sem pressão significativa de baixa.
A economia brasileira cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025 na comparação com o segundo trimestre. Em relação ao terceiro trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB), conjunto dos bens e serviços produzidos no país, apresenta alta de 1,8%. No acumulado de quatro trimestres, o PIB teve expansão de 2,7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alta trimestral de 0,1% é considerada pelo IBGE como estabilidade, ou seja, não significativa. No entanto o resultado representa a 17ª expansão trimestral seguida. De acordo com o instituto, o PIB chega a R$ 3,2 trilhões.
Setores
Na passagem do segundo para o terceiro trimestre, a indústria apresentou o maior crescimento (0,8%), seguida pela agropecuária (0,4%). O desempenho dos serviços, que representam o maior peso no PIB, ficou praticamente estável 0,1%.
Observando o comportamento das atividades dentro dos serviços, os destaques foram:
Transporte, armazenagem e correio: + 2,7%
Informação e comunicação: +1,5%
Atividades imobiliárias: +0,8%
A analista das Contas Trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, explica que o desempenho da atividade de transportes é resultado do escoamento da produção extrativa mineral e agropecuária. No trimestre, o comércio, que também está no grupo de serviços, avançou 0,4%.
Na Indústria, houve alta nas indústrias extrativas (1,7%), na construção (1,3%) e nas indústrias de transformação (0,3%). Já o segmento eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos recuou (-1,0%).
Pelo lado das despesas, o consumo das famílias (0,1%) ficou praticamente estável e o consumo do governo avançou 1,3%.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o aumento da capacidade produtiva de um país por meio de investimentos, subiu 0,9%.
O que é o PIB
O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.
O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.
Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, o PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.
Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.
O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.
A redução de 3,04% no IC-Br divulgada pelo Banco Central não é um problema estatístico: é um aviso. O principal indicador de preços das commodities exportadas pelo Brasil mostra que a remuneração internacional está caindo justamente quando o custo interno está subindo.
Para um país que depende do agro, da mineração e da energia para gerar renda e superávit comercial, isso é perigoso. No agronegócio, o segmento mais sensível ao movimento, o índice agropecuário despencou 5,43% em novembro. É um recuo forte, que pega o produtor descapitalizado, endividado e enfrentando juros altos.
O alerta está dado.
A história nos ensina o caminho do prejuízo Os ciclos de commodities sempre seguem a mesma lógica:
Quando os preços sobem, aumentam a renda, investimento e capacidade de pagamento.
Quando caem, os custos permanecem, as dívidas crescem e a margem some.
O comportamento das commodities segue um padrão recorrente observado há mais de 125 anos (analisados): ciclos de baixa comprimem margens, aumentam o peso do crédito e promovem uma transferência estrutural de renda do produtor para o sistema financeiro. O movimento recente do mercado sugere que esse mecanismo histórico pode estar sendo reativado.
A conta já não fecha, e se nada for feito, 2026 pode ser um ano de forte aperto.
Por que a queda do IC-Br preocupa agora Diferente de anos anteriores, o produtor entra nessa fase com:
endividamento recorde,
inadimplência em alta,
Selic a 15%,
câmbio menos favorável,
mercado internacional desaquecido,
supersafras pressionando preços em dólar,
e custos internos ainda elevados.
É a combinação mais perigosa possível: preços caindo + crédito caro + renda comprimida.
Esse é o tipo de movimento que historicamente empurra produtores para renegociação de dívidas, venda de ativos e descapitalização generalizada.
Pode surgir uma crise de preços? Sim, e o risco é crescente A queda do índice pode ser o início de um fenômeno maior, alimentado por:
Desaceleração global (China, Europa e EUA).
Alta oferta de alimentos e minerais no mundo.
Dólar fraco, que reduz a receita em reais.
Tensões geopolíticas e instabilidade comercial.
Incerteza fiscal no Brasil, que mantém juros nas alturas.
Nada disso é rápido de resolver. Por isso o IC-Br funciona como termômetro adiantado. E ele está esfriando.
O que fazer agora para amenizar os efeitos, ações urgentes e práticas
Para o produtor rural e exportador a) Travar preços enquanto há liquidez Usar mecanismos de hedge, barter e contratos antecipados para fixar margens antes que o ciclo se deteriore mais.
b) Reavaliar custos fixos e operacionais Cortar despesas que não geram retorno imediato e renegociar contratos de insumos, frete e armazenagem.
c) Alongar e reestruturar dívidas enquanto ainda é possível Antes do pico da crise, as instituições financeiras negociam melhor. Depois, a taxa piora.
d) Priorizar fluxo de caixa em vez de expansão Momento é de proteção, não de alavancagem.
e) Apostar em agregação de valor e processamento Que transforma grão em proteína, fruto em polpa, leite em derivados… …sofre menos com preços internacionais.
2- Para o setor público a) Criar linhas emergenciais anticíclicas de crédito Taxas abaixo da Selic, carência estendida e foco no custeio da nova safra.
b) Reforçar o seguro rural e ampliar subvenção Menor dependência de renegociação e maior estabilidade de renda.
c) Estabelecer instrumentos de garantia de preços mínimos Gatilhos automáticos para proteger pequenos e médios produtores.
d) Destravar logística e armazenagem Quanto mais o Brasil depende de exportar na “janela”, mais vulnerável fica ao preço internacional.
e) Previsibilidade tributária Evitar novos impostos sobre exportação, sobre LCAs ou sobre insumos.
Para cooperativas e setor privado a) Criar programas coletivos de hedge Facilitam acesso para pequenos e médios produtores.
b) Ampliar serviços financeiros próprios Cooperativas fortes reduzem a dependência dos grandes bancos.
c) Investir em marketing e nichos de exportação Prêmios de qualidade geram proteção contra volatilidade.
Ainda dá tempo de evitar o pior A queda do IC-Br é um aviso claro: está começando um novo ciclo de pressão sobre os preços. E como sempre aconteceu na história, se nenhum movimento for feito, quem paga a conta é o produtor rural, enquanto o sistema financeiro protege sua margem, ou seja, renda saindo do campo e indo para o sistema financeiro,
Mas, ao contrário de crises anteriores, hoje sabemos o que fazer:
proteger caixa,
travar preços,
reduzir risco financeiro,
e exigir políticas anticíclicas que não deixem o setor produtivo sozinho.
O Brasil não pode repetir a velha fórmula de “lucro na alta, prejuízo na baixa”. É hora de agir, antes que a queda das commodities vire uma crise de renda no campo.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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