quinta-feira, março 12, 2026

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Percevejo-marrom ameaça produtividade da soja



Os insetos se alimentam ao perfurar estruturas da planta


Os insetos se alimentam ao perfurar estruturas da planta
Os insetos se alimentam ao perfurar estruturas da planta – Foto: Agrolink

O ataque de percevejos representa um dos principais desafios para a produtividade da soja no Brasil, com potencial de comprometer até 30% da produção quando o controle não é eficiente. Entre as espécies que formam o complexo de percevejos, o percevejo-marrom se destaca como a praga mais agressiva, com ampla presença nas lavouras e elevado impacto econômico, atingindo dezenas de milhões de toneladas do grão a cada safra.

Estimativas da pesquisa agropecuária nacional indicam que os prejuízos causados por percevejos na última safra de soja alcançaram cerca de R$ 12 bilhões. Os insetos se alimentam ao perfurar estruturas da planta, retirando nutrientes essenciais, enfraquecendo vagens e ramos e liberando toxinas que comprometem o desenvolvimento da cultura e a qualidade dos grãos. Falhas no manejo podem resultar em perdas expressivas e penalizações na comercialização. “Estamos falando em mais de 50 milhões de toneladas de soja que sofrem com a presença desse inimigo”, explica Luiz Henrique Marcandalli, head de marketing na Rainbow Agro.

Especialistas apontam que o controle preventivo, iniciado ainda nos estágios iniciais da infestação, é fundamental para reduzir a pressão da praga ao longo do ciclo da cultura. Nesse contexto, o Manejo Integrado de Pragas surge como estratégia central, ao orientar o produtor a adotar monitoramento constante, critérios técnicos de decisão e uso racional de inseticidas.

O avanço tecnológico tem ampliado as opções de controle, com soluções que combinam diferentes mecanismos de ação para maior eficácia e efeito prolongado, inclusive sobre percevejos adultos. “A solução da Rainbow proporciona proteção eficaz à lavoura, minimizando perdas causadas pelos percevejos, como redução de perdas da qualidade dos grãos e penalizações na comercialização”, conclui o head de marketing.

 





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Veto de R$ 160 milhões expõe o exagero dos fundos eleitorais no Brasil digital


Foto: José Cruz/Agência Brasil.
Foto:
José Cruz/Agência Brasil.

O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cerca de R$ 160 milhões no Fundo Partidário, durante a sanção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, reacendeu um debate que o Brasil insiste em empurrar para debaixo do tapete: faz sentido manter fundos bilionários para financiar partidos e campanhas em plena era digital?

À primeira vista, o valor vetado parece expressivo. Mas, quando colocado em perspectiva, ele se transforma quase em detalhe. O mesmo Orçamento que discute esse corte convive com um Fundo Eleitoral estimado em R$ 4,9 bilhões para as eleições de 2026. É aí que mora o verdadeiro problema.

Dois fundos, um mesmo objetivo

O sistema brasileiro mantém dois grandes cofres públicos para alimentar a política eleitoral.

O Fundo Partidário banca o funcionamento cotidiano dos partidos: estrutura, pessoal, despesas administrativas e parte das atividades políticas. Já o Fundo Eleitoral, criado após a proibição das doações empresariais, é destinado exclusivamente às campanhas.

Na prática, são dois instrumentos diferentes financiando o mesmo objetivo final: eleger políticos e manter máquinas partidárias operando. E ambos são abastecidos com dinheiro do contribuinte.

O veto de R$ 160 milhões pode até soar como gesto de responsabilidade fiscal, mas ele perde relevância quando se observa o quadro completo. O elefante na sala não está no Fundo Partidário, está no Fundão.

A política virou campanha permanente

O argumento tradicional para justificar cifras tão elevadas sempre foi o custo das campanhas. Mas esse raciocínio ficou velho.

Hoje, deputados e senadores vivem em campanha permanente, impulsionados por redes sociais, vídeos curtos, transmissões ao vivo, polêmicas calculadas, frases de efeito e até “piadinhas” estrategicamente pensadas para viralizar. A vitrine política está aberta 24 horas por dia, durante os quatro anos de mandato.

Nunca foi tão barato alcançar milhões de pessoas. Nunca foi tão fácil construir imagem, atacar adversários ou mobilizar seguidores. Ainda assim, o sistema insiste em tratar eleição como se estivéssemos nos anos 1990, dependentes de santinhos, carros de som e grandes estruturas físicas.

A pergunta é simples e incômoda: se a tecnologia reduziu drasticamente o custo de visibilidade, por que o financiamento público só cresce?

O teste político do veto

O veto presidencial ainda será analisado pelo Congresso. Deputados e senadores podem derrubá-lo, se assim desejarem. A votação será, mais do que técnica, simbólica.

Quem votar pela derrubada estará assumindo publicamente que considera legítimo ampliar recursos partidários em um país que discute ajuste fiscal, carga tributária elevada e serviços públicos precários. É um teste de coerência, e de coragem.

Menos fundo, mais controle

O debate não deveria ser ideológico, mas pragmático. Se o financiamento público continuar existindo, ele precisa mudar de lógica:

  • Teto rígido para os fundos, sem crescimento real automático.
  • Transparência em tempo real, com prestação de contas acessível ao cidadão comum.
  • Critérios mais duros de desempenho, reduzindo recursos para partidos sem representatividade real.
  • Incentivo à doação de pessoa física, rastreável e transparente, diminuindo a dependência do Tesouro.

O veto de R$ 160 milhões é um gesto. Mas, sozinho, ele não resolve o problema. O Brasil precisa decidir se quer um sistema político compatível com o século XXI ou se continuará financiando, a peso de ouro, uma estrutura que já não se justifica.

No país da internet onipresente e da campanha permanente, o que está em jogo não é apenas dinheiro público, é o respeito com quem paga a conta.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Manejo do mato impacta produtividade do café



A presença de plantas daninhas reduz diretamente a disponibilidade de água


A presença de plantas daninhas reduz diretamente a disponibilidade de água e nutrientes
A presença de plantas daninhas reduz diretamente a disponibilidade de água e nutrientes – Foto: Pixabay

A competição com plantas daninhas está entre os fatores menos perceptíveis e mais relevantes para a queda do desempenho produtivo das lavouras de café, afetando resultados ao longo de toda a safra. Segundo Márcio Raminelli, especialista comercial, esse tipo de interferência atua de forma contínua e compromete o equilíbrio do sistema produtivo.

A presença de plantas daninhas reduz diretamente a disponibilidade de água e nutrientes, recursos essenciais para o desenvolvimento adequado do cafeeiro. Ao disputar esses elementos, o mato eleva o estresse fisiológico das plantas, limita o vigor vegetativo e cria condições mais favoráveis à ocorrência de pragas e doenças. Esse conjunto de efeitos compromete o potencial produtivo e acaba refletindo em aumento dos custos operacionais, já que exige mais intervenções e correções ao longo do ciclo.

Dentro desse cenário, o controle eficiente e sustentável do mato passa a ser um componente estratégico do manejo da lavoura. Uma das soluções disponíveis é o uso de herbicidas pré-emergentes de alta tecnologia, como o Alion®, desenvolvido para estabelecer a base de um manejo moderno e eficiente desde o início do ciclo. A proposta é atuar de forma preventiva, reduzindo a emergência das plantas daninhas e proporcionando maior estabilidade ao sistema produtivo.

Entre os resultados associados a esse tipo de manejo estão o controle consistente do mato, a possibilidade de realizar a adubação em área limpa, a diminuição do número de entradas na lavoura e a maior proteção do solo. Com isso, há ganhos expressivos em eficiência operacional, além de melhor aproveitamento da água e dos nutrientes disponíveis no ambiente. Nesse contexto, o manejo adequado do mato deixa de ser visto como custo e passa a ser entendido como uma forma de proteger o potencial produtivo da lavoura de café.

 





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Centro-Oeste lidera procura por terras rurais em 2025, aponta levantamento


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

A região Centro-Oeste concentrou a maior parte da procura por terras rurais no Brasil em 2025. É o que mostra um levantamento da plataforma Chãozão, especializada na venda de imóveis rurais, que listou os 20 municípios mais consultados por pessoas interessadas em investir no setor ao longo do ano.

Ao todo, dez cidades do ranking estão localizadas no Centro-Oeste. O município de Cocalinho, em Mato Grosso, aparece na primeira posição, com preço médio do hectare de R$ 15.247,19, conforme o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH).

Em seguida, está Paratininga, também em Mato Grosso, onde o hectare é avaliado em média em R$ 28.327,52. O terceiro lugar ficou com Tatuí, em São Paulo, com valor médio de R$ 176.045,16 por hectare.

Lavoura e pecuária puxam a demanda

Segundo a CEO do Chãozão, Geórgia Oliveira, a concentração da procura no Centro-Oeste está relacionada ao perfil produtivo da região.

“Especialmente em estados como Mato Grosso e Goiás, a região Centro-oeste concentra grande parte das principais áreas produtivas do país para lavoura e pecuária, que tiveram grande procura durante este ano”, afirma.

De acordo com os dados da plataforma, terras com aptidão para lavoura representaram cerca de 36% das buscas registradas em 2025. As áreas destinadas à pecuária responderam por aproximadamente 32% do total.

Mato Grosso e Goiás na liderança

Na análise por estado, Mato Grosso liderou o ranking, com seis municípios entre os mais consultados. Goiás aparece em seguida, com quatro cidades. São Paulo foi o principal destaque da região Sudeste, com cinco municípios listados.

Também figuram no levantamento cidades de Minas Gerais, Tocantins e Pará. A presença dos dois últimos reforça o interesse por áreas produtivas na região Norte do país.

Diversidade regional no ranking

Para Oliveira, a distribuição dos municípios no ranking indica um movimento de diversificação do interesse dos investidores. “Chama a atenção pela diversidade de regiões representadas nas primeiras posições do ranking, cada uma com suas inúmeras aptidões produtivas, que vão da pecuária à agricultura de alta performance”, avalia.

Ainda segundo a CEO, esse cenário pode influenciar os próximos anos. “É um bom indício de que, em 2026, essa diversidade pode alavancar ainda mais o Brasil como uma potência única no agro”, completa.

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Julgamento define limites de isenção no seguro rural



A isenção não pode ser ampliada além do que a lei autoriza


A isenção não pode ser ampliada além do que a lei autoriza
A isenção não pode ser ampliada além do que a lei autoriza – Foto: Pixabay

Em setembro de 2025, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou um processo relevante para a tributação de empresas com operações ligadas ao seguro rural e à política de remuneração variável. A análise tem como base explicação de Roberta Gemente, advogada tributarista, sobre o julgamento do processo nº 16327.721107/2021-85, que tratou de autuações de IRPJ e CSLL relativas aos anos-calendário de 2017 e 2018.

A controvérsia envolveu, de um lado, a exclusão de receitas provenientes de operações de seguro rural, sustentada pela empresa com fundamento na isenção prevista no artigo 19 do Decreto-Lei nº 73/66, e, de outro, a glosa de despesas com Participação nos Lucros e Resultados paga a administradores que também mantinham vínculo empregatício. No exame da primeira questão, o colegiado discutiu o alcance da expressão isenção irrestrita de quaisquer tributos federais sobre operações de seguro rural. A fiscalização defendeu interpretação restritiva, enquanto o contribuinte alegava que a norma permitiria afastar a incidência do IRPJ e da CSLL.

O acórdão firmou entendimento de que a isenção não pode ser ampliada além do que a lei autoriza, em respeito às regras do Código Tributário Nacional e da Constituição. Assim, concluiu-se que o benefício alcança apenas o IOF, tributo diretamente ligado à operação de seguro, não sendo aplicável aos tributos incidentes sobre o lucro. O tema foi decidido por voto de qualidade em relação ao IRPJ e por unanimidade quanto à CSLL.

Na segunda discussão, o CARF analisou a dedutibilidade da PLR paga a administradores empregados, diante do conflito entre normas antigas que vedavam a dedução e a Lei nº 10.101/2000, que autoriza o abatimento das parcelas pagas a empregados. O colegiado reconheceu a antinomia normativa e, aplicando os critérios clássicos de solução de conflitos, concluiu que a lei mais recente deve prevalecer, permitindo a dedução da despesa, independentemente do cargo ocupado pelo empregado.

 





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Diversificação redefine exportações agrícolas em 2025


A dinâmica das exportações agrícolas dos Estados Unidos em 2025 evidencia mudanças relevantes na distribuição dos mercados compradores, especialmente no complexo da soja. Dados analisados pelo Purdue Center for Commercial Agriculture mostram que, embora a China siga como um destino importante, a composição das vendas externas tornou-se mais diversificada, reduzindo a dependência de um único comprador.

Em 2025, a China respondeu por 18,7% das exportações norte-americanas de soja, participação inferior à fatia combinada de outros mercados. A União Europeia, considerada em bloco, absorveu 12,9% do volume, enquanto o México representou 12,6% e o Egito ficou com 10,2%. Países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Japão, também tiveram peso relevante, com 5,0% e 5,4%, respectivamente. Espanha, Alemanha, Países Baixos e Taiwan aparecem com parcelas menores, mas consistentes, reforçando a pulverização dos destinos. O grupo classificado como resto do mundo concentrou 21,6% das vendas, o maior percentual individual da distribuição.

Esse cenário ocorre em um contexto de retração do volume total exportado de soja, associada à redução da demanda chinesa. Ainda assim, a presença mais ampla de compradores na Europa, no Sudeste Asiático e no Norte da África contribuiu para amortecer uma queda mais acentuada nas exportações. A leitura dos dados sugere que a diversificação geográfica funcionou como um fator de estabilidade para o setor.

No caso do milho, o movimento foi distinto ao longo de 2025. As exportações avançaram impulsionadas pela entrada e consolidação de novos mercados, mesmo com a redução das compras por parte de clientes tradicionais. O contraste entre as duas culturas reforça a importância estratégica de ampliar e consolidar destinos, não apenas como mecanismo de proteção, mas também como vetor de crescimento no comércio agrícola internacional.

 





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Preços do café devem seguir elevados em 2026


O mercado de café deverá enfrentar mais um ano de alta volatilidade em 2026, impulsionado por estoques globais reduzidos e incertezas climáticas, segundo dados divulgados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Com a safra do Vietnã em andamento, mas ainda sem aliviar o cenário de oferta restrita, os preços tendem a permanecer em patamares elevados, conforme verificado no segundo semestre de 2025. De acordo com o Cepea, mesmo diante de sinais de desaceleração no consumo interno e externo, a escassez de produto continuará exercendo forte influência sobre as cotações.

A sustentação nos preços deve se prolongar até que haja maior clareza sobre dois fatores-chave: o enchimento dos grãos e o desempenho do último terço da colheita brasileira. A definição desses pontos será essencial para avaliações mais precisas sobre oferta e demanda, e para orientar a formação de preços no segundo semestre de 2026.

No Brasil, as expectativas estão mais positivas em relação à safra 2026/27, cuja colheita se inicia majoritariamente após maio. Conforme informações do Cepea, o ciclo atual ocorre sob condições climáticas mais favoráveis do que em anos anteriores, o que pode representar um ponto de virada após cerca de cinco safras marcadas por adversidades climáticas severas.

Além disso, o ciclo 2026/27 será marcado pela bienalidade positiva, fenômeno típico da cultura do café que alterna anos de alta e baixa produtividade. Essa condição, somada ao clima mais estável, fortalece o otimismo entre os produtores e abre espaço para uma recuperação mais significativa do parque cafeeiro nacional.

As primeiras projeções de consultorias privadas indicam uma produção superior a 70 milhões de sacas, considerando o bom desempenho tanto do arábica quanto do robusta. Esse volume, se confirmado, poderá representar uma das maiores safras brasileiras da história.

No entanto, os efeitos dessa possível recuperação ainda não se refletem nas exportações da temporada 2025/26, que devem encerrar com volume abaixo das médias anteriores. A menor oferta e a baixa disponibilidade de café para comercialização limitam os embarques e reforçam a pressão de preços no mercado internacional.

 





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China impõe cotas à carne bovina e afeta exportações brasileiras



Medida entra em vigor em 1º de janeiro



Foto: Pixabay

A China anunciou, nesta quarta-feira (31), a implementação de cotas anuais para a importação de carne bovina de países estrangeiros, como forma de proteger sua cadeia produtiva interna. A nova regra passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 e terá duração inicial de três anos, até dezembro de 2028.

Segundo o Ministério do Comércio chinês, a cota total de importações em 2026 será de 2,7 milhões de toneladas — volume inferior ao registrado nos primeiros 11 meses de 2025 e abaixo do recorde histórico de 2,87 milhões de toneladas compradas em 2024. A expectativa é de que esse teto aumente gradualmente nos anos seguintes.

O Brasil terá a maior fatia da cota em 2026, com 1,1 milhão de toneladas autorizadas. No entanto, o número representa uma queda de 27% em relação ao volume exportado ao país asiático até novembro de 2025, que somou 1,52 milhão de toneladas, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Além das cotas, o governo chinês introduziu uma tarifa adicional de 55% sobre qualquer volume que ultrapasse os limites estabelecidos. A sobretaxa afetará especialmente países da América Latina — incluindo Brasil, Argentina e Uruguai — e também outros grandes exportadores como Austrália e Estados Unidos.

Outros países latino-americanos sofrerão restrições importantes: a Argentina deverá ter uma cota equivalente à metade da brasileira, enquanto o Uruguai poderá exportar até 324 mil toneladas. A divisão por país ainda pode ser ajustada nos anos seguintes, conforme a demanda e acordos bilaterais.

A medida chinesa também coloca em debate a dependência do Brasil em relação ao mercado chinês.





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Brasil lidera produção mundial de carne bovina



A perspectiva para 2026, portanto, é de uma cadeia pecuária que seguirá aquecida



Foto: Pixabay

A pecuária brasileira encerra 2025 com um feito histórico: ultrapassou os Estados Unidos e se tornou a maior produtora de carne bovina do mundo, conforme relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Esse marco reforça o protagonismo do país no setor e alimenta expectativas de expansão, ainda que com ritmo mais lento, no próximo ano.

Segundo dados divulgados pelo Cepea, tanto o mercado interno quanto o externo indicam sinais de crescimento contínuo da demanda. Em ano de Copa do Mundo e eleições gerais no Brasil, o aumento da circulação de dinheiro pode favorecer o consumo de carne, mesmo diante do endividamento das famílias.

No mercado externo, a competitividade do produto brasileiro permanece forte. A cotação do dólar acima de R$ 5 mantém os embarques atrativos, e a dificuldade de outros grandes produtores em recuperar suas ofertas a curto prazo pode beneficiar ainda mais as exportações nacionais.

Ainda de acordo com o Cepea, a expectativa é de que os preços da arroba do boi gordo e da carne bovina sigam sustentados em 2026. A possível escassez de carne no mercado global também tende a valorizar os produtos brasileiros, o que pode ampliar a rentabilidade do setor.

Por outro lado, o aumento da produção enfrentará entraves importantes. O principal desafio está na oferta de bois magros para reposição. Além da quantidade reduzida, preocupa a qualidade genética dos animais disponíveis, o que pode comprometer o desempenho nos confinamentos.

Mesmo com a taxa de lotação elevada nas unidades de engorda, a eficiência produtiva pode ser prejudicada se os animais não apresentarem peso ideal ou potencial de ganho satisfatório. Isso deve apertar as margens dos confinadores, exigindo maior gestão técnica e controle de custos.

A perspectiva para 2026, portanto, é de uma cadeia pecuária que seguirá aquecida, mas com restrições do lado da oferta. A valorização do produto final poderá compensar os custos mais altos e os desafios logísticos e genéticos enfrentados pelos produtores.





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Oferta limitada e consumo firme devem sustentar preços do boi em 2026, projeta Cepea


boi gordo, frigoríficos
Foto: Ministério da Agricultura

A pecuária de corte brasileira deve atravessar 2026 com um cenário de demanda firme, tanto no mercado interno quanto no externo, enquanto a oferta tende a enfrentar limites. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que apontam um ano desafiador para a produção e favorável para os preços.

Segundo o Cepea, o consumo de carne bovina segue sustentado por fatores domésticos e internacionais. Ao mesmo tempo, a expansão da produção nacional não está descartada, mas deve ocorrer de forma mais moderada, diante de entraves na reposição animal e na eficiência produtiva.

Demanda interna e exportações seguem sustentadas

No mercado doméstico, os pesquisadores destacam que o ambiente econômico pode favorecer o consumo ao longo de 2026. A expectativa é de maior circulação de renda em um ano marcado por eleições gerais e pela realização da Copa do Mundo. Esses eventos tendem a estimular gastos, inclusive com alimentos.

Apesar disso, o Cepea pondera que o consumo interno ainda pode ser parcialmente limitado por compromissos financeiros das famílias. Mesmo assim, outros fundamentos macroeconômicos atuam como suporte para as vendas de carne bovina no país.

No comércio exterior, a avaliação é de continuidade do crescimento da demanda pela carne brasileira. De acordo com os pesquisadores, grandes produtores globais enfrentam dificuldades para recompor seus rebanhos no curto prazo, o que mantém a oferta internacional restrita.

Com o dólar acima de R$ 5, a carne bovina do Brasil segue competitiva no mercado global. Esse fator cambial contribui para a manutenção do ritmo das exportações e reforça a atratividade do produto brasileiro no exterior.

Oferta limitada impõe desafios à produção

Pelo lado da produção, o principal desafio para 2026 está na disponibilidade de bois magros para reposição. O Cepea alerta que, além da quantidade reduzida, a qualidade dos animais também preocupa o setor.

Mesmo com taxas elevadas de ocupação nos confinamentos, a eficiência produtiva pode ser comprometida se os animais de entrada forem leves ou não apresentarem genética adequada para ganho de peso. Esse cenário tende a pressionar os custos e reduzir as margens dos confinadores.

No contexto global, as projeções indicam redução da oferta de carne bovina, o que sustenta os preços internacionais. Segundo o Cepea, esse movimento reforça o estímulo à produção, ainda que o crescimento da oferta brasileira dependa de ajustes na base produtiva.

Os pesquisadores lembram que o Brasil alcançou, em 2025, a posição de maior produtor mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Esse patamar amplia as oportunidades, mas também exige atenção redobrada à eficiência e à gestão dos sistemas de produção em 2026.

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