sexta-feira, março 20, 2026

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Farinha à base de castanha-do-brasil apresenta teor de proteína 60% superior à do trigo


Pesquisas da Embrapa mostram que a farinha parcialmente desengordurada e o concentrado proteico de castanha-do-brasil apresentam alto teor de proteínas e têm potencial promissor para o mercado de produtos de origem vegetal. No caso da farinha, o teor proteico é cerca de 60% superior ao da feita com trigo. Os ingredientes foram aplicados na formulação de hambúrgueres, quibes e proteína texturizada, que tiveram boa avaliação de sabor, textura e aparência. A tecnologia está pronta para ser testada em escala comercial.

“A busca por maior diversidade de fontes proteicas nacionais têm estimulado pesquisas voltadas à exploração sustentável da biodiversidade brasileira. Além de contribuir para o aproveitamento de recursos naturais e a geração de emprego e renda, essas iniciativas buscam novos ingredientes para a indústria alimentícia”, afirma Ana Vânia Carvalho, pesquisadora da Embrapa. O trabalho integra o Programa Biomas do The Good Food Institute (GFI) Brasil, com financiamento do Fundo JBS pela Amazônia.

Os processos de obtenção da farinha parcialmente desengordurada, do concentrado proteico e da proteína texturizada, utilizada como substituta de produtos cárneos, foram desenvolvidos no Laboratório de Agroindústria da Embrapa Amazônia Oriental (PA).

A pesquisadora conta que a primeira etapa do trabalho, que está publicado em boletim técnico, foi entender profundamente a matéria-prima. Com aproximadamente 15% de proteína bruta, 67% gorduras, 7% carboidratos e valor energético de 751 kcal/100g, a castanha-do-brasil desponta como um produto promissor para o mercado de proteínas alternativas.

“A castanha-do-brasil é um símbolo da sociobiodiversidade amazônica e surge como alternativa nacional de alto valor agregado. Isso pode fortalecer cadeias produtivas amazônicas, gerando valor para pequenos produtores e indústrias regionais”, acredita Carvalho.

A pesquisadora explica que a remoção parcial do óleo da castanha – usado majoritariamente pela indústria cosmética – gera uma torta, que é a base para os novos ingredientes. “A torta da castanha é um resíduo do processo de extração do óleo. Um subproduto da indústria”, conta.  A pesquisa utilizou também castanhas que não tinham padrão para comercialização in natura – quebradas ou em pedaços, ampliando o aproveitamento das castanhas e reduzindo desperdícios.

Após a extração do óleo, o teor de proteína da castanha, originalmente de 15%, saltou para 32,4% na farinha, um aumento de cerca de 116%.  Em 100 gramas de farinha de trigo integral, por exemplo, estão cerca de 13 gramas de proteína, um pouco mais que a tradicional farinha de trigo “branca”. Já 100 gramas de farinha de castanha apresentam quase 33 gramas de proteína, valor 60% maior que a de trigo.

A partir dessa farinha, os pesquisadores produziram o concentrado proteico que obteve até 56% de proteína. O concentrado e a farinha foram testados na formulação de produtos para o consumidor final.  “Nós avaliamos hambúrguer e quibe usando tanto a farinha quanto o concentrado proteico. Já a proteína texturizada fizemos só com o concentrado, em um blend de proteína de castanha-do-brasil e proteína de soja”, complementa a cientista.

O trabalho destaca que os novos ingredientes apresentam propriedades funcionais adequadas para aplicações alimentícias e elevados teores de aminoácidos, além de serem ricos em selênio – mineral abundante na castanha.

 Na Embrapa Agroindústria de Alimentos ( RJ), foram desenvolvidos o quibe e o hambúrguer, ambos vegetais e com características sensoriais – sabor, textura e aparência – semelhantes aos feitos com produtos de origem animal. O trabalho foi publicado pela instituição e está disponível para download.

Nas receitas dos dois alimentos foram utilizados a farinha parcialmente desengordurada e o concentrado proteico obtido a partir da mesma farinha. “Conseguimos utilizar um coproduto da cadeia de produção da castanha-do-brasil e transformar em um produto para consumo direto, com foco nos públicos vegetarianos, veganos e flexitarianos”, explica a pesquisadora da Embrapa Janice Lima.

Para a formulação do quibe foi usada a farinha com composição em torno de 6% de óleo, 32% de proteínas e 10% de fibra total. Os demais ingredientes da receita podem ser encontrados em supermercados, mercearias e afins. Em caso de preparo doméstico, o produto deve ser consumido logo após ficar pronto. Já a comercialização inclui as etapas de embalagem e congelamento. O alimento pode ser comercializado congelado, cru ou pré-assado, a critério do fabricante. 

Na formulação do hambúrguer vegetal, os resultados de pesquisa propõem a utilização do concentrado proteico de castanha-do-brasil. Tipicamente, o concentrado apresenta em torno de 7% de óleo, 56% de proteínas e 13% de fibra total. Assim como para o quibe, os demais ingredientes do hambúrguer são comerciais. Depois de moldados, os produtos devem ser embalados em sacos plásticos individuais e, em seguida, congelados.

Na composição final, e de acordo com a Instrução Normativa nº 75, de 8 de outubro de 2020, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o quibe é considerado um produto de alto conteúdo de fibras, com 6,8 gramas de fibras a cada 80 gramas do produto, enquanto o hambúrguer pode ser considerado fonte de fibras, com 4,5 gramas de fibras a cada 80 gramas do produto. 

 Além desses alimentos de origem vegetal, também foi obtido um ingrediente texturizado proteico vegetal à base de castanha-do-brasil e soja, contendo cerca de 56% de proteína, que é similar, em uso, à tradicional proteína texturizada de soja (PTS). Segundo a pesquisadora Melicia Galdeano, da Embrapa, o resultado materializa um dos principais objetivos do projeto: desenvolver ingredientes proteicos alternativos a partir de matéria-prima nacional, promovendo a diversificação das fontes proteicas vegetais no Brasil para o mercado plant-based brasileiro.

“Atualmente predominam no mercado de proteínas vegetais opções como a soja e a ervilha. Esse trabalho caminha para o aproveitamento sustentável da castanha, incentivando seu plantio e beneficiando comunidades locais”, destaca Galdeano.

 O teste de aceitação sensorial avaliou a aplicação dos coprodutos da industrialização da castanha-do-brasil em preparações alimentícias e mostrou boa aceitação pelos consumidores participantes. “Os análogos vegetais, quibe,  hambúrguer e texturizado proteico vegetal à base de castanha-do-brasil e soja, apresentaram aparência, sabor e textura característicos de suas versões convencionais, o que indica o potencial de utilização dos coprodutos do processamento da castanha-do-brasil como ingredientes alternativos em produtos desenvolvidos para o público de alimentos plant-based”, finaliza a pesquisadora Daniela Freitas de Sá.





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a cientista que revolucionou os biológicos no Brasil e levou o ‘Nobel da Agricultura’



A trajetória de Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa e vencedora do Prêmio Mundial da Alimentação — conhecido como o “Nobel da Agricultura” — é uma combinação rara de ciência, resistência e impacto global. De uma infância simples no interior paulista ao reconhecimento internacional, ela transformou desafios pessoais e profissionais em contribuições decisivas para a agricultura sustentável. Essa história está agora em documentário da série Memórias do Brasil Rural, produzido pelo Canal Rural (veja o vídeo abaixo).

Criada em Itapetininga (SP), Mariangela encontrou na avó farmacêutica e “visionária” a primeira fonte de inspiração. Foi ela quem alimentou o gosto pela ciência, apresentou livros de microbiologia e plantou o sonho que guiaria toda a carreira da neta. O caminho, porém, não foi linear: da mudança para São Paulo à formação com bolsa em uma escola de excelência, passando pelo choque que causou ao escolher agronomia — uma área pouco valorizada e dominada por homens à época.

Mesmo enfrentando preconceitos e dificuldades financeiras, especialmente após se tornar mãe de duas meninas — uma delas com necessidades especiais —, Mariangela manteve o foco. A virada decisiva veio com o doutorado orientado pela renomada microbiologista Johanna Döbereiner, referência internacional. Foi Johanna quem a levou para a Embrapa, em 1982, abrindo o primeiro grande capítulo de sua contribuição para o país.

A revolução dos biológicos na agricultura brasileira

Depois de estágios no exterior — incluindo Cornell e Universidade da Califórnia, Davis — Mariangela decidiu voltar ao Brasil movida por gratidão e pela convicção de que poderia gerar impacto real no campo. Em Londrina (PR), montou seu próprio laboratório e iniciou pesquisas que mudariam o uso de insumos biológicos no país.

Seus estudos desenvolveram tecnologias pioneiras de inoculação e coinoculação para soja, milho e trigo, ampliando o uso de bactérias benéficas capazes de:

  • Fixar nitrogênio
  • Estimular crescimento
  • Aumentar produtividade

A partir da combinação de microrganismos, Mariangela comprovou ganhos de até 16% na produtividade da soja, o dobro do avanço alcançado com técnicas anteriores. No milho, as descobertas permitiram que bactérias brasileiras hoje estejam presentes em mais de 40% da safra de inverno e em 30% da safra de verão — quase 8 milhões de hectares.

Impacto climático e econômico: bilhões em economia

O efeito das pesquisas da Embrapa lideradas por Mariangela é monumental. Somente na soja, a substituição de fertilizantes nitrogenados pelos microrganismos desenvolvidos economizou:

  • US$ 27 bilhões, na safra mais recente
  • 260 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, evitando emissões que seriam geradas pela produção e uso de adubos

É um dos maiores cases de agricultura de baixo carbono do mundo.

Reconhecimento global e uma bandeira: visibilidade para as mulheres

Em 2025, Mariangela Hungria conquistou o World Food Prize, o principal prêmio global da área de alimentação. O título ampliou sua voz no cenário internacional, permitindo destacar o protagonismo da agricultura brasileira em biológicos, plantio direto e sistemas integrados.

Mas o prêmio ganhou ainda outro significado: foi dedicado às mulheres invisibilizadas no campo — da agricultora familiar às guardiãs de sementes, passando por educadoras e trabalhadoras rurais que sustentam a segurança alimentar.

Resistência, resiliência e perseverança” é o lema que resume sua trajetória. “Ninguém ouviu mais ‘não’ do que eu”, afirma a pesquisadora, lembrando que seguiu firme mesmo quando a área dos biológicos não tinha apoio, dinheiro ou prestígio.

Hoje, seu legado impacta diretamente mais de 1 bilhão de pessoas, ao contribuir para uma agricultura mais produtiva, sustentável e acessível.



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Brasil ‘dribla’ gripe aviária e segue dominando exportações de frango



O Brasil conseguiu atravessar os casos de influenza aviária registrados em 2025 com impacto limitado na produção e nas exportações. A avaliação é do presidente da ABPA, Ricardo Santin, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3), em São Paulo. Ele afirma que o país “está muito melhor preparado” para enfrentar novos episódios da doença e preservar mercados.

Além disso, concorrentes como União Europeia e Estados Unidos sofreram perdas bem maiores, enquanto o Brasil manteve estabilidade e participação de quase 40% do mercado global.

De acordo com os dados divulgados pela entidade, apesar da alta modesta de 0,5% nas exportações este ano, o país conseguiu sair do cenário de crise com integridade. A expectativa é que o embarques cheguem em 5,32 milhões de toneladas, com perspectiva de um avanço ainda maior em 2026, de 3,4%, com 5,5 milhões de toneladas.

Segundo Santin, a reação rápida da cadeia, aliada ao avanço da regionalização sanitária, foi decisiva para reduzir prejuízos e evitar interrupções mais amplas. “O cuidado valeu a pena. Nós trabalhamos bastante para chegar até aqui”, afirmou.

Santin destacou ainda que a União Europeia, um dos principais competidores do Brasil, enfrenta queda nas exportações, agravada pelo aumento dos casos de gripe aviária. Os Estados Unidos, segundo maior exportador global, também registram recuos expressivos e perderam espaço no mercado internacional. Nesse cenário, a Tailândia ganhou participação ao ocupar o vácuo deixado por europeus e norte-americanos.

Regionalização ampliada protege mercados

Para Santin, o trabalho técnico após o primeiro caso de influenza aviária foi determinante. “Eu rezo muito, bato na madeira, mas o que funciona mesmo é trabalhar bastante”, brincou. Ele explicou que o Brasil ampliou significativamente o número de mercados que adotam a regionalização, o que evita o fechamento total das exportações em caso de foco localizado.

Atualmente, o Japão já reconhece a divisão por município; as Filipinas adotam o mesmo modelo; Coreia do Sul e México seguem a regionalização por estado; e o Peru opera por município. Outros países, como Arábia Saudita, Argentina, Reino Unido (com raio de 10 km), Vietnã e Malásia, também avançaram nesse tipo de protocolo.

“Temos mais de 122 mercados que não fecharam no primeiro caso. Hoje, estamos muito melhor preparados para enfrentar 2026. Espero que não aconteça, mas, se acontecer, os impactos serão menores”, avaliou.

Impacto pequeno na receita e estabilidade da produção

O presidente da ABPA afirmou que a perda na receita cambial foi restrita, ficando entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões dentro de um universo de US$ 9,8 bilhões. “Quando vejo os Estados Unidos, que perderam mais de US$ 3 bilhões em um ano — e mais de US$ 10 bilhões em cinco anos —, essa também é uma vitória importante”, disse.

O recuo, segundo Santin, ocorreu principalmente pela troca de destinos. “Às vezes eu tinha um produto valorizado em dez em um lugar e tive que vender por oito em outro. Mas vendi”, afirmou. Apesar disso, o setor manteve estabilidade de produção, das empresas e das exportações, preservando o market share global de 38,6%.

Santin também destacou que nenhum produtor brasileiro perdeu lote em consequência da influenza aviária, diferente dos concorrentes, que enfrentaram redução de alojamentos, problemas na incubação e queda na oferta ao mercado interno.

Biosseguridade reforçada

Com a intensificação da doença no Hemisfério Norte, a ABPA ampliou as ações de prevenção. “Estamos reforçando o trabalho, levando essa mensagem ao produtor e à produtora. Valeu a pena o cuidado”, afirmou o o presidente da entidade.

Ele lembrou que a cadeia possui múltiplas barreiras de controle: acompanhamento nas granjas, assistência técnica, auditoria federal agropecuária, inspeção veterinária nas plantas e congelamento obrigatório a -18°C. “Dificilmente uma ave doente chega ao frigorífico”, ressaltou.

Santin também reforçou que não há transmissão da influenza aviária pelo consumo de carne e que muitos países fecham mercados por excesso de precaução.

Avanço nas negociações internacionais

A ABPA seguirá com missões técnicas para ampliar o reconhecimento da regionalização brasileira. Na próxima semana, representantes do setor participarão de agendas na África do Sul, um dos grandes compradores de carne de frango do Brasil. “A gente está trabalhando para mostrar a seriedade com que tratamos esse tema”, disse Santin.

Segundo ele, manter o Brasil em destaque no mercado global exige continuidade das ações de vigilância. “Além de rezar e bater na madeira, a gente trabalha”, afirmou. “Não podemos baixar a guarda.”



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Frente fria pode levar granizo e rajadas de vento intensas para diferentes regiões; saiba onde



A semeadura da soja segue atrasada em grande parte do país devido à irregularidade das chuvas, mas no Matopiba o cenário é mais favorável. De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, o retorno da umidade tem animado os produtores e permitido o avanço das operações em campo.

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Atraso no plantio

Segundo dados da Conab, o Brasil registra cerca de 4% de atraso no plantio em relação ao mesmo período da safra passada. No Matopiba, porém, o ritmo é mais acelerado, com a atingindo 87% da área semeada, enquanto o Tocantins alcançou 83%, entrando na reta final dos trabalhos. Ainda assim, alguns entraves persistem, especialmente no Maranhão, onde a chuva tem se concentrado mais ao sul do estado, e no Piauí, que depende de maior regularidade das precipitações no centro-sul.

Os mapas de umidade do solo mostram boas condições no sul e oeste da Bahia e também no Tocantins. No estado do Piauí, apenas áreas do extremo sudoeste apresentam umidade adequada, enquanto outras regiões ainda necessitam de volumes mais expressivos de chuva. Nos próximos cinco dias, uma frente fria associada a um ciclone extratropical deve levar 50 a 60 mm de chuva para áreas já úmidas da Bahia, reforçando a janela positiva para o plantio.

Para o norte do Piauí e do Maranhão, a previsão indica chuva, mas ainda de forma bastante irregular, exigindo cautela dos produtores na tomada de decisão. Entre os dias 1º e 12 de dezembro, a tendência é de precipitações mais concentradas no centro-norte do Matopiba, enquanto áreas do centro-sul podem vivenciar um período mais seco, momento oportuno para manejo de solo e tratamentos fitossanitários.

No restante do país, imagens de satélite apontam para temporais generalizados no Brasil central devido à formação de um ciclone. A frente fria resultante deve canalizar umidade e provocar tempestades com potencial para queda de granizo e rajadas intensas de vento em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

No Sul, o tempo volta a ficar firme, mas a chuva retorna na próxima semana, com destaque para acumulados que podem superar 100 a 150 mm no Paraná e interior paulista, trazendo risco de prejuízos às atividades de campo.

Temperaturas elevadas nas áreas de soja

As temperaturas também devem recuar após registros recentes de 40 °C em algumas regiões. A tendência para os próximos dias é de máximas entre 30 °C e 35 °C em boa parte do país, embora no agreste nordestino ainda sejam esperados picos de até 37 °C, aumentando o risco de focos de incêndio.

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ABPA confirma Brasil como terceiro maior exportador de carne suína ‘em breve’



O Brasil deve assumir ainda este ano a terceira posição no ranking mundial de exportadores de carne suína. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Segundo ele, dados mostram que o Canadá, atual terceiro colocado, deve encerrar 2025 com cerca de 1,3 milhão de toneladas, enquanto o Brasil caminha para 1,4 milhão.

Produção brasileira cresce e exportações também

A produção nacional deve alcançar 5,55 milhões de toneladas em 2025, alta de 4,6% em relação ao ano passado. Para 2025, a projeção de é de crescimento de 2,7%, com até 5,7 milhões de toneladas. Santin explica que o ritmo moderado se deve ao peso médio dos animais.

“A produção cresce menos porque o peso aumentou e se mantém em níveis superiores aos do ano passado”, diz. O cenário garante, porém, uma disponibilidade positiva no mercado interno e consumo de até 9,5 quilos por habitante em 2026.

As exportações também seguem firmes e devem subir 10% neste ano, com 1,45 milhão de toneladas, podendo chegar no ano que vem com aumento de até 4%, com 1,55 milhão de toneladas.

Europa enfrenta queda e novos casos de peste suína africana

A perda de espaço dos concorrentes favorece o Brasil. A União Europeia, que começou o ano com crescimento, registra queda nos embarques. Santin destaca que “a Europa está enfrentando a grande dificuldade da peste suína africana, agora encontrada em javalis selvagens na Espanha”.

O país, maior exportador do bloco e responsável por 23% da produção europeia, enfrenta restrições comerciais. “Alguns países já fecharam totalmente para a Espanha, e a China fechou oito plantas na Catalunha”, afirma.

Além disso, ele reforça que o Brasil não comemora problemas alheios, mas precisa reconhecer que esses episódios têm efeitos comerciais que podem abrir espaço para o produto brasileiro.

EUA e Canadá perdem ritmo de exportação

Nos Estados Unidos, as exportações caíram 3,5% entre janeiro e julho. O país não tem surto de peste suína africana, mas, segundo Santin, o consumo interno cresce devido à menor oferta de carne bovina: “Há menos carne bovina no mercado, o que puxa o consumo de suínos internamente.”

O Canadá também perdeu fôlego. Após crescimento de até 3,9% até agosto, os embarques passaram a cair. Santin afirma que, pela média do ano, a exportação canadense deve fechar em 1,3 milhão de toneladas, abaixo da previsão inicial de 1,45 milhão, cenário que abre a brecha para o Brasil assumir a terceira colocação.

China mantém demanda estável e pode ampliar espaço para o Brasil

A China mantém importações entre 1,3 milhão e 1,5 milhão de toneladas. Santin explica que 52% do que a China importa no mundo são miúdos, categoria em que o Brasil pode crescer caso avance a habilitação de plantas do Rio Grande do Sul, Paraná e Rondônia.

Ele afirma que a combinação entre o perfil das compras chinesas e os novos casos de peste suína africana na Espanha cria “um espaço que pode se abrir para o Brasil, sempre dependendo das avaliações técnicas feitas pelos chineses”.

Filipinas permanecem como maior importador do Brasil

As Filipinas seguem como principal destino da carne suína brasileira. O país enfrenta forte queda na produção, pressionada por 31 focos ativos de peste suína africana. “As Filipinas têm mais de 130 casos no ano, o que impacta muito a produção”, diz Santin.

A previsão inicial era de 630 mil toneladas, mas o país já importou 680 mil toneladas até setembro, alta de 20% em relação ao ano passado. Com isso, o Brasil detém 42% desse mercado. Para Santin, as Filipinas devem seguir como o maior comprador da proteína brasileira por mais um ou dois anos, até conseguirem controlar a doença.



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Pará antecipa rastreabilidade e avança na qualidade do gado



O estado do Pará, que possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, está na vanguarda da pecuária nacional ao implementar um programa de rastreabilidade individual dos bovinos, antecipando a exigência do Ministério da Agricultura (Mapa) para dezembro de 2024. Essa iniciativa representa um marco na evolução da qualidade do gado paraense, destacando-se como um case de sucesso em produtividade e sustentabilidade.

Em entrevista ao Giro do Boi, Bruno Brainer, diretor de negócios da Friboi para os estados do Pará e Tocantins, afirmou que “o crescimento da pecuária paraense tem sido vertical”, com a companhia observando um aumento de quase o dobro no volume de abate nos últimos cinco anos.

O peso médio dos machos abatidos, por exemplo, teve um ganho de mais de meia arroba nesse período, impulsionado pelo uso de tecnologia nas fazendas.

Confira:

Reconhecimento da indústria frigorífica

A indústria frigorífica tem reconhecido a melhoria da qualidade da carne produzida no Pará. O estado tem desempenhado um papel central na agenda de sustentabilidade, com a COP 30 realizada no Pará servindo como vitrine para um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que comprovou a trajetória de descarbonização da pecuária.

Essa mudança representa a superação do estigma do “boi erado”, dando espaço a práticas como o confinamento, a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e o uso de genética avançada.

O programa de rastreabilidade individual é considerado um investimento no futuro do mercado. A JBS Friboi e a Fundação Amazon apoiaram a iniciativa com a doação de 3 milhões de tags (brincos e bottons), direcionadas principalmente a pequenos pecuaristas. O trabalho dos produtores paraenses exemplifica que a pecuária pode ser um vetor de crescimento, resultando em animais mais jovens, com mais acabamento e peso.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Maior rede de cafés da China cria linha de produtos em homenagem ao Brasil



Ao longo do mês de dezembro, a maior rede de cafés da China, a Luckin Coffee, que tem mais de 30 mil unidades espalhadas pelo país, terá a marca “Café do Brasil” estampada em todos os seus copos de café vendidos. A campanha “Brazil Season”, mediada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), compõe o conjunto de ações da Agência para promoção comercial e o fortalecimento da marca Brasil entre os consumidores chineses. Ao longo da campanha, estima-se a venda total de 400 milhões de copos com a identidade brasileira.

“Ao longo de um mês, o Brasil será o protagonista, estampado nos copos da Luckin Coffee em toda a China, um mercado que já reúne quase meio bilhão de consumidores de café. Serão cerca de 14 milhões de copos vendidos por dia com a marca brasileira, criando uma oportunidade inédita de posicionamento e reforço da imagem do Brasil como origem de cafés premium no mercado chinês”, comenta o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

Segundo o gerente-geral do escritório Ásia-Pacífico da ApexBrasil, Victor Queiroz, além do visual presente nos copos, a campanha “Brazil Season” conta ainda com ativação em lojas com distribuição de chaveiros e mini capivaras de pelúcia com logo da ApexBrasil para consumidores que adquirirem o café brasileiro. O animal é bastante popular no país asiático. A previsão é que sejam distribuídas até duas mil unidades por loja. “Foram meses de negociação e agora temos essa ótima notícia. Se você estiver na China e hoje for tomar um café na Luckin Coffee, os copos já têm a temática brasileira. São meio bilhão de pessoas tomando um café com a marca Brasil, que inclusive compram muito café brasileiro também”, ressalta Victor Queiroz.

Ao lançar a coleção temática, a proposta da Luckin Coffee é promover os grãos brasileiros comprados pela marca. A ideia surgiu durante a feira China International Import Expo (CIIE), realizada no último mês de novembro em Xangai, que recebeu cerca de 800 mil visitantes e mais de 3,4 mil empresas de 128 países. Na ocasião, cerca de dois mil copos de café brasileiro de alta qualidade foram distribuídos diariamente no Pavilhão do Brasil.
Café brasileiro conquista terra do chá

A parceria da ApexBrasil com a Luckin Coffee já tem história. Tudo começou no final de 2023, por meio do programa Exporta Mais Brasil. Naquela ocasião, compradores da empresa chinesa estiveram em Cacoal, Rondônia, para conhecerem os cafés produzidos na Amazônia, quando 4 mil sacas foram vendidas em um único evento. A partir deste primeiro contato, foi negociado, em junho de 2024, um acordo para o fornecimento de até 120 mil toneladas, até o final daquele ano, a um valor de US$ 500 milhões. A Luckin Coffee também se comprometeu a promover o café brasileiro no mercado chinês. Na ocasião, o vice-presidente Geraldo Alckmin, Jorge Viana e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, além de outras autoridades, estiveram na China para firmar a parceria.

Ainda em 2024, em agosto, Yan Yan Sabrina Zhao, chefe de Desenvolvimento Sustentável da Luckin Coffee, esteve na sede da ApexBrasil em Brasília para retribuir a visita da comitiva brasileira à China. Durante o encontro, ela enfatizou a qualidade do café brasileiro ao afirmar que é o melhor do mundo.

Logo em seguida, em novembro, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência articulou um novo acordo com a rede para a compra de 240 mil toneladas do grão do Brasil entre 2025 e 2029 a um valor recorde estimado de aproximadamente U$ 2,5 bilhões.

Já em maio de 2025, uma nova parceria foi firmada com a gigante chinesa para a abertura de 34 lojas temáticas com identidade brasileira, ampliando a visibilidade dos produtos do Brasil no varejo chinês e promovendo a cultura e os sabores nacionais para o consumidor local.

Com essa nova parceria firmada para a campanha de dezembro, a China, que há milênios tradicionalmente consome chá, mostra que tem se rendido ao café brasileiro e ajudado a movimentar o produto em todo o seu território.

Resultados

Os números mostram que o produto brasileiro está mesmo conquistando os consumidores chineses. Entre janeiro e outubro deste ano, o Brasil já exportou US$ 335,1 milhões de café não torrado para a China. O valor representa mais de 50% do total vendido ao país asiático durante todo o período de 2024. Naquele ano, as exportações do produto para a China somaram US$213,6 milhões.



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Preços do café oscilam com força em novembro



Os preços médios dos cafés arábica e robusta atravessaram novembro em forte oscilação, mas os patamares estiveram bem próximos aos observados em outubro. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores do Cepea indicam que, ao longo do mês, os valores internos do grão foram influenciados pelas, até então, expectativas de exclusão do café da lista de produtos sobretaxados nos Estados Unidos e, posteriormente, a partir do dia 20, pela isenção do grão da tarifa extra de 40%.

Além disso, os cenários climáticos tanto no Brasil quanto no Vietnã também reforçaram a oscilação nos preços domésticos. Em novembro, o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 2.245,16 por saca de 60 kg, sendo apenas 0,5% acima da do mês anterior. Ao longo de novembro, o Indicador operou entre as casas de R$ 2.100 e R$ 2.300, os mesmos patamares registrados em outubro.

Para o robusta, o Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, teve média de R$ 1.384,46/sc em novembro, com elevação de 1% frente à de outubro. Os patamares mínimos e máximos estiveram nas casas de R$ 1.300/sc e R$ 1.400/sc, também semelhantes aos observados no mês anterior

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil lidera transformação verde no campo


Uma nova geração de cafeicultores está colocando o Brasil na vanguarda da produção de alimentos com baixa pegada ambiental. Com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), produtores têm adotado práticas regenerativas e fertilizantes nitrogenados com emissão reduzida de carbono, resultando em ganhos de produtividade e valor agregado para o café nacional.

Fertilizante é responsável por dois terços das emissões do café e está sendo transformado

Estudos indicam que cerca de 67% das emissões de GEE na produção de café estão associadas ao uso de fertilizantes nitrogenados. Para enfrentar esse desafio, empresas começaram a empregar fertilizantes produzidos com amônia de baixa emissão, como os da linha Climate Choice™, que reduzem até 90% da pegada de carbono do insumo. Essa mudança permitiu uma redução média de 42% nas emissões por quilo de café produzido, com registros que chegam a 58% em algumas lavouras.

“A combinação entre fertilizantes de menor impacto e uma nutrição mais equilibrada, baseada em diagnóstico de solo e ferramentas de recomendação, possibilitou ganhos relevantes de produtividade e sustentabilidade”, afirma Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil.

Ganhos em produtividade, renda e qualidade sensorial com o café regenerativo

A integração das soluções nutricionais de baixo carbono com práticas regenerativas como uso de composto orgânico, plantas de cobertura e manejo de solo resultou em aumento de 14% na produtividade (de 48 para 55 sacas/ha), incremento de 3 pontos na qualidade sensorial do café (de 81 para 84 pontos) e ganho médio de R$ 5 mil por hectare em renda do produtor.

A primeira safra de café com o uso desses fertilizantes foi colhida em parceria com a Cooxupé e foi apresentada como case de sucesso do Brasil durante a COP30. O mesmo lote está agora a caminho do Fórum Econômico Mundial, em Davos, reforçando o papel do país na liderança da agricultura de baixo carbono.

Mercado global pressiona por descarbonização da cadeia de alimentos

Com cerca de 50% das maiores empresas de bens de consumo impondo metas de emissão em toda sua cadeia (escopo 3), cresce a demanda por produtos com rastreabilidade ambiental. Nesse contexto, o café de baixo carbono se posiciona como resposta às exigências do mercado externo e como estratégia competitiva para o produtor.

Segundo estudo do Hydrogen Council e McKinsey, até 30% das emissões de um produto podem vir do uso de fertilizantes, e até 95% desse impacto pode ser reduzido com soluções baseadas em amônia de baixa emissão. O impacto no custo final, segundo o levantamento, é de apenas 1% a 3%.

Expansão para outras culturas e futuro promissor para a agricultura regenerativa

O modelo aplicado na cafeicultura brasileira deve agora ser replicado em outras cadeias produtivas. Além da continuidade da parceria com cooperativas cafeeiras, empresas do setor já anunciaram projetos similares com batata, citrus, milho e cevada, todos com foco em descarbonização.

“Nosso objetivo é apoiar o agricultor mesmo em anos mais desafiadores, oferecendo tecnologias que gerem retorno de até 200% sobre o investimento, como os fertilizantes regenerativos e as soluções da linha YaraVita e YaraAmplix”, explica Schmitz.

Fertilizantes sustentáveis impulsionam protagonismo brasileiro na agenda climática

De acordo com dados apresentados no relatório anual da companhia, o Brasil lidera a adoção de fertilizantes de baixa emissão entre os países do Sul Global. Projetos com foco em cafeicultura, batata e cacau, além de iniciativas com biometano e amônia verde, posicionam o país como protagonista na transição para uma agricultura regenerativa e carbono neutro.

A estimativa da empresa é quadruplicar o volume de fertilizantes lower carbon em 2026, alcançando novas culturas e consolidando o café como vitrine internacional da sustentabilidade no campo.





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o leite brasileiro está morrendo


Senhor presidente,

Escrevo em nome de mais de 1 milhão de famílias brasileiras que acordam às 4 horas da manhã para tirar o leite que chega à mesa do senhor, dos seus netos e de todos os brasileiros. Escrevo com o peso de quem já viu vários pequenos produtores venderem as vacas para o abate porque não conseguem mais pagar a ração, a energia e o remédio da criança.

O leite brasileiro está morrendo e o senhor está assistindo essa morte.

Em 2025, até outubro, já entraram no Brasil 1,2 bilhão de litros-equivalentes de leite em pó pelo Mercosul, volume suficiente para abastecer São Paulo por quase quatro meses. Grande parte desse pó não é argentino nem uruguaio: vem de outros países, entra nos vizinhos, ganha carimbo do Mercosul e chega aqui com tarifa zero, enquanto o produtor brasileiro recebe em torno de R$ 2,20 por litro, o pior preço real em duas décadas.

Em dois anos, 120 mil produtores já largaram a atividade. São 120 mil famílias que o Brasil perdeu. Em Minas Gerais, no Vale do Paraíba, no Rio Grande do Sul, em Goiás, no Agreste de Pernambuco, estamos vendo o mesmo filme: vacas indo para o frigorífico, tanques de leite sendo desmontados, jovens desistindo do campo e cidades inteiras perdendo o movimento que girava em torno da bacia leiteira.

O senhor conhece o interior como poucos. Sabe que, para a maioria dessas famílias, o leite é a única renda fixa que entra todo mês. É com ela que se paga a escola, a luz, o mercado, o plano de saúde. Quando o preço desaba, não há reserva, não há plano B. Há fome, há migração, há cidade pequena virando cidade-fantasma.

Não estamos pedindo esmola. Estamos pedindo o uso de instrumentos que já existem e que o próprio Mercosul prevê:

  • Acionamento imediato da cláusula de salvaguarda para leite em pó
  • Exigência de certificado de origem real, com fiscalização efetiva nas fronteiras
  • Cota emergencial de importação até que a triangulação seja investigada e punida
  • Medidas antidumping contra leite subsidiado que entra disfarçado de Mercosul

Argentina e Uruguai já usaram essas ferramentas dezenas de vezes para proteger seus produtores. Por que o Brasil não pode proteger os seus?

Presidente Lula, o senhor sempre disse que seu governo seria o governo dos mais pobres, dos que nunca tiveram voz. Hoje, essas famílias estão gritando, e ninguém no Palácio do Planalto parece ouvir.

Não deixe o Brasil repetir o que já fez com o arroz, o trigo, a maçã e o alho: destruir a produção nacional em nome de um “livre mercado” que só é livre para quem tem subsídio europeu ou escala neozelandesa.

O senhor tem o poder de salvar um milhão de famílias. Tem o poder de evitar que o interior brasileiro vire um deserto de soja e silêncio.

Faça isso agora, enquanto ainda há vacas para ordenhar e crianças que acreditam que podem ficar no campo.

Com respeito e urgência,

Mais de um milhão de famílias de produtores de leite do Brasil (e os que ainda não desistiram)

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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