terça-feira, março 17, 2026

Agro

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Dois dias após ciclone, São Paulo ainda sente efeitos do evento climático extremo


Foto: Agência Brasil

A cidade de São Paulo e sua região metropolitana ainda têm mais de 800 mil consumidores sem energia, dois dias depois da forte ventania que causou destruição em diversas localidades.

O fenômeno foi provocado pela chegada de um ciclone extratropical associado a uma frente fria e derrubou mais de 330 árvores, sendo que muitas caíram sobre a rede de cabos, cortando o fornecimento de energia.

No auge do problema, a região metropolitana de São Paulo teve mais de 2,2 milhões de clientes sem energia. No final dessa quinta-feira (11), ainda havia 1,3 milhão de consumidores sem luz.

Neste momento, segundo a Enel, há 802.474 clientes sem energia. Na cidade de São Paulo esse número é de 585 mil consumidores, 10% do total. O município de Juquitiba tem 7.262 clientes sem energia, o que representa 40% do total da cidade. Embu-Guaçu, que ontem ainda tinha praticamente 100% da cidade às escuras, hoje está com 17% dos consumidores ainda sem energia.

Sem previsão
A Enel informou que restabeleceu o fornecimento de energia para cerca de 1,2 milhão de clientes do total de 2 milhões de afetados. A empresa não deu uma previsão de quando os mais de 800 mil consumidores terão a energia de volta. Segundo a concessionária, há alguns casos complexos que exigem a substituição de postes e transformadores, o que demanda mais tempo de trabalho.

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A mudança da escala 6×1 e o risco de um tiro no pé na economia brasileira


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Foto: Agência Brasil

O Brasil vive um paradoxo com o custo do trabalho formal tão alto que quase 50% dos trabalhadores estão na informalidade. Isso não acontece por preferência do empresário.

Acontece porque o modelo atual se tornou pesado, burocrático e caro demais para quem gera emprego, especialmente pequenos e médios empregadores. É nesse contexto que avança a proposta de mudança da escala 6×1.

E é importante afirmar que a discussão é necessária. A jornada de 44 horas semanais, em muitos setores, está associada a desgaste, problemas de saúde e queda da qualidade de vida. O debate internacional caminha nessa direção, como já discutido pelo Financial Times e outras revistas de economia.

Mas a questão central não é debater, é como implementar. Porque alterações mal desenhadas podem criar efeitos colaterais graves para o emprego, a economia e até para a previdência social.

Qualquer mudança brusca na jornada aumenta custos diretos e indiretos. Se nada vier na outra ponta para compensar, o resultado pode ser:

  • Menos contratações formais
  • Mais informalidade
  • Aumento do desemprego em setores de baixa margem

Ou seja, o inverso do objetivo de fortalecer o trabalhador. E o impacto final depende de quatro pilares:

  • Transição gradual vs. mudança abrupta: mudanças rápidas desorganizam setores inteiros, comércio, serviços, agroindústria e logística.
  • Incentivos para pequenos e médios empregadores: sem estímulos reais, eles não absorvem o custo adicional.
  • Políticas de redução de custos trabalhistas e tributários: não se amplia proteção social apenas no papel: é preciso desonerar a contratação.
  • Formação profissional e aumento de produtividade: países que reduziram a jornada com sucesso aumentaram produtividade, não apenas redistribuir horas.

A informalidade ameaça também a previdência, e esse é o ponto esquecido no debate
Há um problema ainda maior e pouco discutido: a informalidade crônica está destruindo as bases de financiamento da Previdência Social.

O sistema previdenciário brasileiro é de repartição: os trabalhadores ativos financiam os aposentados. Se metade dos trabalhadores está fora do sistema, e se jovens deixam de contribuir por longos períodos, a conta não fecha.

Hoje, o grande gargalo é justamente esse:

  • faltam jovens contribuindo,
  • as contribuições são intermitentes,
  • e a base ativa não cresce no ritmo necessário para oxigenar o sistema no longo prazo.

Qualquer reforma trabalhista que aumente o custo de contratação, mesmo com boas intenções, pode ampliar a informalidade e agravar ainda mais o problema previdenciário.

Ou seja: sem mais jovens dentro do mercado formal, a Previdência entra em modo de asfixia gradual.

Esse risco precisa ser parte central das discussões, e não um detalhe periférico. A mudança da escala 6×1 merece debate, mas exige cuidado. Sem transição gradual, incentivos reais, desoneração e políticas de produtividade, o país corre o risco de:

  • reduzir o emprego formal,
  • aumentar a informalidade,
  • encarecer o custo das empresas,
  • e fragilizar ainda mais o sistema previdenciário, que depende justamente dos jovens formais para sobreviver.

Reforma trabalhista bem feita protege o trabalhador sem matar o emprego, e ajuda a reconstruir a base da Previdência. Qualquer caminho diferente disso empurra o Brasil para um círculo vicioso: crescimento baixo, informalidade alta e um sistema social que perde fôlego ano após ano.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Soja e milho ganham força nos portos do Arco Norte e mudam logística nacional


Foto: Ministério do Portos e Aeroportos

A navegação fluvial na região Norte deixou de ser apenas um meio de transporte regional para se consolidar como um dos pilares da logística brasileira. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que os corredores hidroviários do Arco Norte movimentaram 49,7 milhões de toneladas de soja e milho entre janeiro e outubro de 2025.

Essa infraestrutura conecta as áreas produtoras do Centro-Oeste aos portos exportadores da Amazônia e vem redesenhando a geografia econômica do país. De acordo com o Boletim Logístico da Conab, divulgado em novembro de 2025, os portos do Arco Norte foram responsáveis por 37,2% das exportações brasileiras de soja e por 41,3% das de milho nos dez primeiros meses do ano.

Os números confirmam que a região deixou de ter um papel complementar em relação aos terminais do Sul e Sudeste. Em muitos fluxos, o Arco Norte já se apresenta como a rota mais eficiente para o escoamento da safra.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, trata-se de uma mudança estrutural. Segundo ele, os dados comprovam que o Arco Norte superou a fase de expectativa e se firmou como realidade logística. De acordo com informações de fontes próximas ao governo, o fortalecimento das hidrovias é visto como decisivo para ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional, ao reduzir custos e encurtar prazos de transporte.

Integração multimodal fortalece competitividade

O funcionamento do Arco Norte se apoia em um sistema multimodal. As cargas chegam por rodovias a polos estratégicos como Miritituba e Itaituba, no Pará, Porto Velho, em Rondônia, e o novo polo de Caracaraí, em Roraima. A partir desses pontos, os grãos seguem em comboios de barcaças pelos rios Tapajós, Madeira e Amazonas até portos exportadores como Itacoatiara (AM), Santarém (PA) e Barcarena (PA).

Essa integração reduz a dependência histórica de longos trechos rodoviários em direção ao Sul do país. Além disso, a saída pelo Norte encurta o tempo de viagem até mercados consumidores da Europa e da Ásia, o que se reflete em ganhos logísticos relevantes.

Outro diferencial é o custo do transporte fluvial. Em longas distâncias, a navegação por barcaças pode ser até 50% mais econômica do que o transporte exclusivamente rodoviário, segundo estimativas do setor.

Previsibilidade e contratos de longo prazo

A ampliação do uso das hidrovias exige previsibilidade operacional. O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, afirmou que a estratégia atual é substituir ações emergenciais por contratos de longo prazo, garantindo manutenção contínua da navegabilidade dos rios.

Segundo ele, o objetivo é assegurar que o sistema funcione ao longo de todo o ano, oferecendo segurança ao escoamento da safra e maior sustentabilidade à matriz de transportes brasileira.

A atuação da Secretaria Nacional de Hidrovias está concentrada em três frentes: manutenção da navegabilidade, expansão da infraestrutura e modernização da frota.

Investimentos impulsionam indústria naval

No campo dos investimentos, novos contratos plurianuais de dragagem e sinalização nos rios Amazonas e Solimões somam mais de R$ 370 milhões ao longo de cinco anos. A medida busca garantir condições adequadas de navegação mesmo em períodos críticos do regime dos rios.

Paralelamente, o Fundo da Marinha Mercante tem estimulado a renovação da frota logística. Estão em andamento projetos para a construção de centenas de barcaças e dezenas de empurradores, muitos deles em estaleiros localizados no Amazonas. Além de ampliar a capacidade de transporte, a iniciativa contribui para a geração de empregos e o fortalecimento da indústria naval na região Norte.

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AgroNewsPolítica & Agro

Incertezas pautam mercado da soja


No mercado da soja do Rio Grande do Sul, a combinação de incerteza produtiva e retenção de oferta sustenta a demanda portuária, segundo informações da TF Agroeconômica. “Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 142,00/sc semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 132,14/sc semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 136,00. Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 121,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.

Em Santa Catarina, mesmo com o plantio de soja finalizado, a instabilidade climática persiste como fator de preocupação após danos por granizo em novembro. “O porto registrou alta nos preços, enquanto o restante do estado permaneceu mais estável diante do foco total na logística. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,63 (+0,31%)”, completa.

A demanda da proteína animal garante base firme no Paraná, mas o mercado físico opera com cautela, ajustando prêmios e reduzindo agressividade nas origens. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 141,82 (-0,17%). Em Cascavel, o preço foi R$ 131,65. Em Maringá, o preço foi de R$ 130,95. Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 133,22 por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 142,19. No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 120,00”, indica.

O Mato Grosso do Sul ampliou de forma agressiva sua área de grãos, mas a produtividade recuou diante do estresse hídrico. “A estratégia dominante passa a ser o armazenamento, com o produtor tentando segurar o físico diante de custos crescentes e incerteza no campo. A comercialização segue limitada, e os preços subiram pontualmente em Eldorado. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 126,82, Campo Grande em R$ 126,82, Maracaju em R$ 126,82, Chapadão do Sul a R$ 123,24, Sidrolândia a em R$ 126,82”, informa.

No Mato Grosso, a pressão logística e a proximidade da colheita criam um ambiente de comercialização defensivo, no qual armazenar o grão e segurar o volume físico torna-se a principal estratégia para evitar negociações em níveis deprimidos. “Campo Verde: R$ 122,68. Lucas do Rio Verde: R$ 118,72, Nova Mutum: R$ 118,72. Primavera do Leste R$ 122,68. Rondonópolis: R$ 122,68. Sorriso: R$ 118,72”, conclui.


 





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Corte de juros nos EUA e no Brasil estão no radar do mercado


PODCAST Diário Econômico

No morning call desta sexta-feira (12), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o Fed cortou juros e retomou a expansão do balanço, enfraquecendo o dólar e impulsionando bolsas, com Dow Jones e S&P 500 em recordes.

No Brasil, Copom manteve Selic em 15% e reduziu aposta de corte para março, derrubando juros futuros. O real liderou ganhos entre emergentes e o Ibovespa ficou estável, perto de 160 mil pontos. Hoje, destaque para a Pesquisa Mensal de Serviços e discursos do Fed.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Zona de baixa pressão leva chuva forte para quase todo o país


No Sul, a combinação de uma zona de baixa pressão com a atuação de um cavado meteorológico traz muita instabilidade ao longo do dia. As demais regiões do país seguem praticamente o mesmo enredo. Confira a previsão da Climatempo:

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

A presença de uma área de baixa pressão sobre o Paraguai e a atuação de um cavado meteorológico em níveis médios da atmosfera favorecem novas áreas de instabilidades sobre o Paraná, com pancadas de chuva de moderada a forte intensidade, além do oeste de Santa Catarina e do norte do Rio Grande do Sul. No sudeste paranaense, os volumes de chuva podem ser mais elevados.

Sudeste

Novas áreas de instabilidades avançam pelo oeste e norte de São Paulo e ganham força pelo estado à tarde. As pancadas também avançam por grande parte de Minas Gerais e pelo Espírito Santo, e as chuvas devem ocorrer de maneira moderada a forte intensidade. As temperaturas continuam elevadas pela Região, enquanto no sul paulista devem diminuir.

Centro-Oeste

Com a presença da baixa pressão além do calor e umidade, as instabilidades continuam ocorrendo desde o início da manhã, com chance de chuvas mais fortes e risco de temporais em alguns pontos do sul, sudoeste, oeste e áreas do interior de Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso e em Goiás, as pancadas de chuva seguem de maneira mais espalhada e com moderada a forte intensidade.

Nordeste

As instabilidades se espalham mais pelo Maranhão, e também pelo Piauí e oeste da Bahia. Nessas áreas, as chuvas devem ocorrer de maneira moderada e pontualmente mais fortes. No litoral do Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, há chance de chuvas mais fracas, enquanto no restante da Região o tempo segue mais firme. O calor predomina e as temperaturas seguem elevadas.

Norte

As instabilidades seguem mais espalhadas pela Região desde o começo do dia. No Amazonas, em grande parte do Pará, no Tocantins e norte de Rondônia, há chance de pancadas moderadas, com possibilidade de serem mais fortes em alguns pontos. Já em Roraima e no noroeste do Pará, o tempo segue mais firme.

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AgroNewsPolítica & Agro

Farsul busca renegociação das dívidas de produtores rurais



Governo e setor rural negociam novas condições de crédito



Foto: Nadia Borges

O diretor vice-presidente da Farsul e presidente eleito, Domingos Velho Lopes, esteve em Brasília para defender a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, já aprovado na Câmara dos Deputados e em análise no Senado Federal. Ele participou de agendas ao lado do governador Eduardo Leite e dos secretários Edvilson Brum e Pricilla Santana. O grupo se reuniu com o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, para tratar do tema.

O projeto prevê a utilização de recursos do Fundo Social do pré-sal para refinanciar dívidas de produtores afetados por calamidades, com juros menores e prazos ampliados. A medida, segundo o texto, não altera o resultado primário da União.

No encontro, também foi discutida a Medida Provisória 1.314, que cria uma linha de crédito emergencial, mas “com regras que hoje restringem o acesso e não alcançam a maior parte dos produtores gaúchos”. A entidade já havia encaminhado ao governo federal documento em que aponta entraves à adesão e apresenta sugestões para ampliar o alcance da medida. O grupo também visitou o gabinete do senador Luiz Carlos Heinze, articulador na Comissão Mista responsável pela MP.





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AgroNewsPolítica & Agro

Exportações do agro recuam em novembro, mas soja e carne bovina mantêm ritmo de alta


As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 13,4 bilhões em novembro de 2025, conforme dados divulgados pela consultoria Itaú BBA. O valor representa uma queda de 13% em relação a outubro, mas ainda um avanço de 6% frente ao mesmo mês do ano anterior. A retração mensal foi puxada principalmente pela desaceleração no volume de embarques de etanol, carnes e milho, apesar do desempenho positivo da soja e da celulose.

O complexo soja liderou as vendas externas no mês, com destaque para o grão, que teve embarques de 4,2 milhões de toneladas — um crescimento de 64% na comparação anual. A estabilidade no preço médio (US$ 435,5/t) favoreceu o aumento da receita, que atingiu US$ 1,83 bilhão. Já o farelo de soja apresentou alta modesta de 2,5% no volume exportado, mas com preços em queda de 18% em relação a novembro de 2024.

Na pecuária, a carne bovina in natura manteve desempenho expressivo. Foram 318,5 mil toneladas embarcadas, com aumento de 40% no volume frente ao mesmo mês do ano anterior. A receita somou US$ 1,75 bilhão, sustentada por um preço médio de US$ 5.508,8/t — 13% acima do registrado em novembro de 2024. Em contrapartida, houve queda nas vendas de carne de frango (-6,5% em volume) e de carne suína (-14%), ambas impactadas por menor demanda internacional.

O setor sucroenergético registrou retração em quase todos os seus segmentos. As exportações de etanol caíram 38% em volume e 32% em receita, mesmo com alta de 10% no preço médio (US$ 654/m³). O açúcar VHP teve queda de 4% em volume e 21% nos preços, enquanto o açúcar refinado cresceu 13% em embarques, mas com preços 22% mais baixos que no ano anterior.

Entre os cereais, o milho apresentou um avanço tímido de 6,4% no volume exportado, totalizando 5 milhões de toneladas. No entanto, a queda de 23% na receita mensal indica impacto da menor demanda e da alta concorrência internacional. O preço médio ficou em US$ 215,4/t, com ligeira alta de 5,5%.

Outro destaque positivo foi o algodão, com crescimento de 34% nos embarques em relação a novembro de 2024. A celulose também apresentou bom desempenho, com alta de 14% no volume exportado, totalizando 1,85 milhão de toneladas. Em contrapartida, o café verde registrou queda de 26% nos volumes e de 9% na receita.

No comércio bilateral, os Estados Unidos voltaram a registrar crescimento nas compras do agronegócio brasileiro após a retirada de tarifas de importação para diversos produtos, como carne bovina, café, frutas e sucos. Mesmo assim, o setor agro ainda acumulou queda de 57% nas vendas para os EUA em relação a novembro de 2024, com receita de US$ 643 milhões. A expectativa, segundo o Itaú BBA, é de recuperação gradual dos embarques nos próximos meses com a consolidação da isenção tarifária.

 





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Aumentar consumo de etanol em 21 estados: oportunidade para expansão do setor


O mercado interno brasileiro desponta como o principal vetor de crescimento do setor de etanol, diante da ampliação da produção do etanol de milho e da busca por novas frentes de consumo. A avaliação é do CEO da SCA BrasilMartinho Seiiti Ono, feita durante a live “Expansão do etanol de milho impulsiona novas oportunidades de consumo no Brasil”, transmitida nesta segunda-feira (3/11) pelos canais da SCA Brasil no YouTube e LinkedIn, e que contou com a participação do Presidente Executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM)Guilherme Nolasco.

Ono destacou que 80% das vendas de etanol hidratado no País estão concentradas em apenas seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esses estados reúnem 59% da frota nacional de veículos flex e neles, o consumo de etanol representa 36,6% do ciclo Otto.

A grande oportunidade de ampliação está nos demais 21 estados. Juntos eles respondem por 41% da frota flex, mas o etanol atinge apenas 10,1% do ciclo Otto, com cerca de 4 milhões de metros cúbicos do biocombustível comercializados.

“Há um espaço enorme a ser explorado dentro do próprio território nacional. O desafio é viabilizar logística e preço competitivo, para que o etanol chegue a todas as regiões com condições equilibradas de comercialização”, afirmou o executivo. Segundo ele, o mercado nacional ainda apresenta forte desigualdade tributária, com variação do ICMS entre 11,3% e 22%.

O presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Guilherme Nolasco, concorda que a grande expansão no consumo virá do território brasileiro. “Não falta oportunidade para expandir o etanol no Brasil. O País tem todas as condições de avançar sobre novos mercados, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste, que devem ganhar relevância com a reforma tributária e a reorganização logística do setor”, acrescentou.

O fator milho

Ono explica que comercializar todo o etanol adicional que virá da expansão da produção do biocombustível de milho, representaria vender o etanol em São Paulo a uma paridade de 57 ou 58%. “Seria uma ação predatória de preço, quando o ideal é preservar os seis estados que vendem bem e focar em um preço mais competitivo nos estados que não tem essa atratividade, com um benefício de manutenção de margem para o setor da ordem de R$ 15 bilhões por safra”.

O executivo lembra que o etanol hidratado ainda flutua com impostos diferentes em cada estado, um desafio logístico e tributário que precisa ser enfrentado. “A reforma tributária prevista a partir de 2027 poderá unificar essa cobrança, tornando o produto mais competitivo em todo o país. Temos potencial para dobrar as vendas de etanol nos estados com baixa competitividade, o que elevaria de 4 para 8 milhões de metros cúbicos a demanda anual pelo hidratado nesses estados e aumentaria a participação nacional do combustível no ciclo Otto para até 32%.”

A frota flex já soma 80% dos veículos leves brasileiros, o que reforça o potencial de ampliação do uso do combustível renovável. “A pujança do etanol de milho é importante e vai puxar a expansão do mercado. O mercado internacional é promissor, mas o grande potencial está dentro do Brasil. O mercado interno pode democratizar o consumo e tornar o etanol ainda mais competitivo”, destacou Ono.

De acordo com levantamento da SCA Brasil, entre 2005 e 2024 o Brasil inaugurou 32 novas usinas de etanol de milho, enquanto o número de usinas de cana praticamente se manteve estável com 141 abertas e 133 fechadas. O estudo também aponta que o crescimento do etanol de milho deve dobrar nos próximos anos, enquanto o etanol de cana tende a permanecer em patamar estável.

Para Ono, esse cenário confirma a necessidade de “desenvolver planos de ação específicos para aumentar as vendas de etanol hidratado nos estados sem competitividade, além de trabalhar políticas nacionais de preço e incentivos logísticos”, principalmente enquanto oportunidades como o SAF (combustível sustentável de aviação) e o BioBunker não forem viabilizadas comercialmente.

O exemplo do Mato Grosso

Segundo Nolasco, menos de 20% do etanol produzido no Mato Grosso é consumido dentro do próprio estado, o que demonstra a necessidade de reorganizar a distribuição nacional. “A reforma tributária vai mudar a cobrança para o destino, eliminando distorções e abrindo espaço para novos polos consumidores, como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, além de estados do Norte e Nordeste. O desafio será estruturar clusters logísticos eficientes para levar o etanol a essas regiões de forma competitiva”, alertou.

Ele também salientou o papel do milho na nova geografia do biocombustível. Segundo o dirigente, o milho é mais democrático e está alcançando o território nacional com projetos no Nordeste, Norte e no Sul do Brasil, evidenciando que o etanol está diversificando sua base de produção. Conforme Nolasco, o avanço da produtividade e da tecnologia deve elevar o rendimento para 455 litros de etanol por tonelada de milho, ampliando a eficiência industrial.

Os dados da SCA Brasil indicam ainda que cada ponto percentual a mais na participação do hidratado no ciclo Otto corresponde a um aumento de 742 mil m³ de etanol consumido. Em simulações para 2030, a participação do etanol hidratado poderia chegar a até 32% do ciclo Otto, caso o País mantenha um crescimento de 1,5% ao ano e amplie o uso do biocombustível nas regiões com menor consumo.

“Precisamos olhar para o futuro com responsabilidade e aproveitar as oportunidades. O Brasil tem todas as condições para fortalecer o mercado de etanol e consolidar-se como referência mundial em biocombustíveis de baixo carbono”, concluiu Nolasco.

O programa Conexão SCA Brasil, em sua 17ª edição, foi apresentado pelo jornalista Adhemar Altieri, da MediaLink Comunicação Corporativa, com produção técnica da Propano Filmes. A série promove debates sobre temas estratégicos do agronegócio, com foco em biocombustíveis e sustentabilidade.





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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil e Paquistão fortalecem cooperação rural


Na manhã desta quarta-feira (10), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) recebeu, no Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos (CDRH), em Brasília (DF), representantes do governo da República Islâmica do Paquistão, país da Ásia Meridional, para uma visita institucional, a fim de conhecer as políticas públicas para abastecimento, alimentação e de inteligência executadas pela Companhia.

Na ocasião, o encontro foi aberto com a apresentação institucional do chefe-geral da Coordenadoria de Relações Internacionais, Marisson Marinho, que exibiu uma panorama geral sobre a Companhia, sua atuação e resultados alcançados. Em seguida, foi a vez da assistente da Superintendência de Gestão de Oferta, Sued Wilma Caldas Melo, que abordou a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), como uma ferramenta para garantir a produção agrícola brasileira e também para a formação de estoques públicos do Brasil.

O superintendente de Logística Operacional, Thomé Luiz Freire Guth, ministrou sobre o sistema logístico brasileiro, abrangendo assuntos como transporte e armazenamento no país. Por fim, o superintendente da Agricultura Familiar, Ênio Carlos Mourão de Souza, palestrou sobre as compras públicas da agricultura familiar e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

A delegação, composta por dez representantes do governo da província do Baloquistão que atuam nas áreas de agricultura, proteção social e nutrição, requisitou a estatal brasileira uma sessão com representantes da Conab sobre o tema “Gestão estratégica de estoques alimentares e abastecimento agrícola no Brasil”, que explorou como a gestão estratégica do Brasil em relação aos estoques de alimentos e ao abastecimento agrícola, revelando como esses mecanismos contribuem para a estabilização dos mercados e para a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional nacional.

A proposta é que os participantes conheçam melhor o arcabouço operacional da Companhia e compreendam com mais detalhes seu impacto na redução da pobreza, combate à fome e no apoio à agricultura familiar brasileira, com o objetivo de fortalecer as capacidades técnicas e institucionais do Paquistão por meio do aprendizado das práticas brasileiras em desenvolvimento rural, ampliando o diálogo sobre políticas e estimulando parcerias. Para isso, o programa percorre áreas temáticas essenciais — como agricultura sustentável, gestão hídrica, redução da pobreza, fortalecimento institucional, empoderamento de mulheres e jovens, adaptação climática e segurança alimentar — promovendo a troca estruturada de conhecimentos e experiências. Espera-se que, a partir desse encontro, seja gerada a identificação de modelos adaptáveis ao contexto paquistanês, a fim de aprimorar a compreensão sobre a formulação e execução de programas eficazes, apoiar a criação de novas estratégias públicas e consolidar vínculos duradouros entre instituições brasileiras e paquistanesas, impulsionando futuras ações conjuntas de desenvolvimento rural.

A visita da delegação paquistanesa aconteceu ao Brasil entre os dias 02 e 10 desse mês, com visitas técnicas pela Região Nordeste e reuniões institucionais em Brasília (DF), e faz parte da “Promoção do Desenvolvimento Rural Sustentável: Um intercâmbio de Cooperação Sul-Sul e Triangular entre o Brasil e o Paquistão”, uma iniciativa conjunta entre o Governo do Brasil, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (WFP). Essa troca de experiências é feita no âmbito da Cooperação Sul-Sul e Triangular (SSTC) e é um mecanismo importante para promover a colaboração entre países em desenvolvimento, pois permite que os países compartilhem conhecimentos, experiências e tecnologias para enfrentar desafios comuns de desenvolvimento, ao aproveitar os pontos fortes e as abordagens bem-sucedidas uns dos outros, a fim de trabalhar em prol do desenvolvimento sustentável e da redução da pobreza.

No Brasil, a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) tem a função de coordenar a Cooperação Técnica e Humanitária por meio de diferentes modalidades. A Cooperação Sul-Sul Trilateral (CSST) com organizações internacionais, especialmente no âmbito da parceria com o FIDA, o WFP e a FAO, são estratégicas para alcançar resultados concretos e escaláveis para o Sul Global, por se tratar de uma abordagem valiosa que apoia a disseminação de soluções eficazes e o fortalecimento de parcerias para alcançar a transformação rural e a segurança alimentar e nutricional.

Além disso, com o objetivo de impulsionar a Cooperação Sul-Sul Trilateral, o governo brasileiro tem incentivado uma abordagem conjunta, integrada e sinérgica com organizações internacionais para enfrentar os desafios da Segurança Alimentar e Nutricional. Nesse contexto, um intercâmbio entre o Brasil e o Paquistão visa aprimorar o desenvolvimento rural por meio do aprendizado mútuo e de benefícios recíprocos. Essa iniciativa combina a experiência do Brasil na implementação de programas de desenvolvimento rural, a expertise do FIDA em desenvolvimento agrícola e o trabalho do WFP em segurança alimentar e nutrição.

Ao mesmo tempo em que oferece percepções valiosas para o Paquistão, que busca adaptar e implementar iniciativas semelhantes para fortalecer seu setor agrícola e melhorar a segurança alimentar e nutricional, esse intercâmbio colaborativo também fornece uma plataforma para o Brasil obter novas perspectivas e refinar suas próprias estratégias por meio do diálogo horizontal e do compartilhamento de melhores práticas, estruturas políticas e inovações técnicas com o Paquistão, aumentando ainda mais a capacidade de todas as instituições participantes e partes interessadas envolvidas no desenvolvimento rural.

 





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