terça-feira, março 17, 2026

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VBP do Paraná deve superar R$ 200 bilhões


Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Paraná deve superar R$ 200 bilhões em 2025. O órgão afirma que a estimativa é impulsionada pela “forte recuperação das lavouras paranaenses em 2025” e pelo desempenho da pecuária.

O Deral informa que a consolidação detalhada dos números será concluída nos próximos meses e que “a divulgação do valor preliminar está prevista para o final do primeiro semestre de 2026”. O cálculo envolve mais de 300 itens, muitos ainda em fase de comercialização, o que impede a definição completa dos preços médios. Ainda assim, o boletim aponta tendência de estabilidade ou ajustes pontuais.

Com base nos dados já disponíveis de culturas e cadeias produtivas que representam cerca de 70% do VBP estadual, o Deral avalia que é possível antecipar um cenário de crescimento. O documento destaca que, após a quebra registrada na safra 2023/24 devido às condições climáticas, “na safra 2024/25 o cenário se inverteu”. As culturas monitoradas devem gerar recuperação estimada em R$ 10 bilhões, somando mais de R$ 81 bilhões.

Entre os principais destaques estão soja e milho 2ª safra, com aumentos produtivos de 14% e 35%, respectivamente, e preços considerados estáveis no período. Mesmo com retração de parte das cotações nos demais grãos e nas olerícolas, o avanço da produção deve elevar o VBP dessas cadeias.

No setor pecuário, o boletim descreve que o comportamento também favorece o crescimento do VBP. Frango, bovinos, suínos, leite e ovos devem somar aproximadamente R$ 66 bilhões, o que representa incremento superior a 10% em relação a 2024. Embora haja retração inicial nos abates de bovinos, as demais espécies tendem a apresentar aumento. O Deral ressalta que “as cotações médias dos bovinos devem subir ao menos 20%”, e que o preço médio anual do leite deve encerrar 2025 acima do registrado no ano anterior.

O setor florestal, responsável historicamente por 4% a 5% do VBP estadual, ainda terá seus resultados finalizados. Os sortimentos de serraria e laminação seguem expostos às medidas tarifárias dos Estados Unidos, o que mantém o impacto final indefinido. Mesmo assim, o boletim indica que as cotações médias desses produtos estão “ligeiramente superiores às observadas em 2024”. O setor de frutas também registra aumento dos preços médios, reforçando a projeção de avanço do VBP agropecuário paranaense.





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Milho-verde ganha ritmo, mas enfrenta queda de qualidade



Calor impulsiona milho-verde, mas seca reduz qualidade



Foto: Pixabay

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (11), a produção de milho-verde se intensificou na região administrativa de Lajeado, especialmente em Bom Princípio. Segundo o documento, “os dias mais quentes do período favoreceram o desenvolvimento da maior parte das lavouras”.

A falta de chuva, porém, tem afetado a qualidade de parte da produção. O informativo destaca que “a ausência de precipitação, associada ao calor, reduziu o enchimento de grãos em algumas espigas”.

A Emater informa ainda que os valores de comercialização estão mais baixos neste período. A bandeja com três espigas é vendida entre R$ 2,50 e R$ 3,00 no mercado local.





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Conab libera ranking das propostas aprovadas



PAA terá 6,3 mil t de alimentos adquiridos pela Conab



Foto: Pixabay

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-feira (11) a lista final de classificação das propostas apresentadas para a venda de alimentos no âmbito do Comunicado Compra Institucional nº 08/2025. Segundo a estatal, o ranking reúne “as proposições apresentadas após as análises dos técnicos”, e as organizações fornecedoras poderão consultar sua posição pelo nome da associação ou cooperativa, conforme os critérios definidos na chamada pública.

A aquisição será realizada por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra Institucional. De acordo com a Conab, os recursos utilizados para a compra serão repassados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

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A estatal prevê adquirir aproximadamente 6,3 mil toneladas de alimentos diversos. O volume será direcionado “principalmente às Cozinhas Solidárias dos estados e das capitais da região Sul e Sudeste”, além de outras unidades recebedoras do PAA em todo o país. O objetivo, segundo a Companhia, é apoiar iniciativas de segurança alimentar e nutricional. Clique aqui e acesse a lista de classificação das propostas apresentadas.

 





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Temperaturas elevadas elevam risco de doenças no pimentão



Mercado do pimentão varia entre R$ 30 e R$ 140 no RS



Foto: Pixabay

O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (11) aponta que a produção de pimentão segue em ritmo regular na região administrativa de Lajeado. Em São Sebastião do Caí, a Emater informa que “as áreas de pimentão apresentam adequado desenvolvimento”. Nos cultivos protegidos, as temperaturas mais altas têm provocado casos de podridão-mole e incidência localizada de mosca-branca e ácaros, o que mantém a necessidade de monitoramento e manejo integrado.

Segundo o boletim, a oferta regional tende a aumentar neste período devido à maior entrada de pimentão proveniente da Serra e à ampliação das áreas plantadas. A expectativa é de que esse movimento pressione os valores de mercado. A caixa de 10 quilos do pimentão colorido, amarelo ou vermelho, é comercializada entre R$ 60,00 e R$ 140,00. O pimentão verde varia de R$ 40,00 a R$ 50,00, enquanto o produto de menor calibre é vendido entre R$ 30,00 e R$ 40,00.

Em Bom Princípio, a cultura está em plena colheita. De acordo com o informativo, os produtores registram “apropriado desenvolvimento dos frutos e baixa incidência de pragas e doenças”. Na localidade, a caixa de 10 quilos é comercializada entre R$ 40,00 e R$ 45,00.





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Proteção biológica garante ciclo mais saudável



Entre as alternativas disponíveis, produtores têm recorrido a soluções biológicas


Entre as alternativas disponíveis, produtores têm recorrido a soluções biológicas
Entre as alternativas disponíveis, produtores têm recorrido a soluções biológicas – Foto: USDA

A proteção biológica ao longo de todo o ciclo tornou-se peça central para manter a sanidade das lavouras, especialmente no início do desenvolvimento das plantas. Fungos responsáveis por manchas foliares permanecem nos restos culturais e encontram em períodos de alta umidade condições ideais para novas infecções, o que torna arriscado esperar pelos primeiros sintomas para iniciar o manejo.

Entre as alternativas disponíveis, produtores têm recorrido a soluções biológicas preventivas que fortalecem as plantas e reduzem o inóculo presente no campo. O uso desse tipo de tecnologia já acompanha a expansão do mercado de bioinsumos, que na safra 2024/25 somou cerca de 156 milhões de hectares tratados, avanço de aproximadamente 15% sobre a temporada anterior, segundo levantamento da CropLife Brasil com a consultoria Blink. Em faturamento, os biocontroles atingiram cerca de R$ 5 bilhões na safra 2023/24, refletindo maior confiança do campo nesse modelo de proteção.

Dentro desse movimento, a Biosphera oferece o Powerbac Inductor, formulado com Bacillus velezensis, utilizado no manejo de doenças como antracnose, ferrugem do cafeeiro, manchas foliares, alternaria, mofo-branco e cancro cítrico. O produto atua ao ativar mecanismos de resistência das plantas, produzir substâncias antifúngicas e antibacterianas e inibir a germinação de esporos, além de contribuir para uma fisiologia mais equilibrada. 

“A estratégia não pode depender de sinais visíveis de doença, o manejo biológico deve começar já no vegetativo. Aplicações de biofungicidas preventivas além de fortalecerem as plantas, reduzem o potencial de inóculo no campo”, afirma Renan Berger, engenheiro agrônomo e responsável pelo desenvolvimento de mercado da Biosphera. “Começar cedo é a chave. Proteção preventiva, bioinsumos bem posicionados e um manejo integrado robusto fazem toda a diferença ao longo do ciclo”, reforça Berger.

 





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Regra protege produtor durante análise de seguro



É comum que instituições financeiras incluam produtores em cadastros restritivos


É comum que instituições financeiras incluam produtores em cadastros restritivos
É comum que instituições financeiras incluam produtores em cadastros restritivos – Foto: Pixabay

O PROAGRO é um mecanismo de proteção ao produtor rural diante de perdas causadas por eventos climáticos e prevê regras claras para análise e pagamento de indenizações. Segundo texto de Fábio Lamonica Pereira, a legislação e as normas do Banco Central asseguram que, enquanto houver recurso pendente na Comissão Especial de Recursos, o agente financeiro não pode exigir o pagamento da operação. Quando há negativa total ou parcial da cobertura, o beneficiário pode recorrer e aguardar a decisão sem sofrer cobrança do saldo devedor.

Mesmo assim, é comum que instituições financeiras incluam produtores em cadastros restritivos ou promovam cobranças judiciais antes do fim da análise, prática considerada ilegal pelo judiciário. Em caso recente no Paraná, a Justiça extinguiu a execução de uma cédula rural porque o recurso à CER ainda não havia sido julgado, entendimento que também gerou responsabilização por danos morais e materiais. O mesmo princípio vale para seguros rurais privados vinculados ao crédito. Para o produtor, conhecer essas garantias é essencial para evitar cobranças indevidas durante o período de avaliação da cobertura.

“Assim, o judiciário continua a entender que, na pendência de decisão definitiva de pedido de cobertura de PROAGRO (ou de seguro privado), a instituição financeira não pode cobrar (nem administrativamente nem judicialmente) o débito, sob pena de extinção do procedimento de cobrança e de condenação à indenização, tanto por danos materiais quanto morais. Conhecer e exercer esses direitos é fundamental para a proteção do produtor rural, que deve buscar amparo legal diante de cobrança indevida”, conclui.

 





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Novas normas acendem alerta no campo



“A legislação mudou, os bancos mudaram”


"A legislação mudou, os bancos mudaram"
“A legislação mudou, os bancos mudaram” – Foto: Canva

A entrada em vigor de novas regras tributárias, ambientais e contratuais em janeiro de 2025 deve alterar a rotina de produtores rurais, cooperativas e empresas do agronegócio. O início do ano marca a consolidação de exigências digitais, mudanças no Funrural, revisão de contratos e novos critérios de crédito, criando um cenário de atenção imediata para a safra.

Especialistas apontam que o período será marcado por revisões urgentes de obrigações fiscais e documentais. Para o advogado tributarista e especialista em direito agrário Adriano de Almeida, sócio do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, o início do ano será “um divisor de águas para quem ainda não adaptou a gestão financeira e documental da propriedade às novas exigências legais”, analisa.  

As alterações em contratos de arrendamento, parceria e compra futura também devem gerar impacto imediato, já que muitos documentos passam a exigir revisão diante de novas interpretações administrativas e judiciais. A digitalização definitiva de processos, como CNDs, notas fiscais e registros de transporte, consolida 2025 como o ano da conformidade no campo, com risco de bloqueios operacionais para quem não estiver regularizado.

Os novos critérios ambientais associados ao crédito rural, somados às exigências de rastreabilidade e mercado de carbono, tornam a organização antecipada indispensável. Segundo Adriano, “deixar ajustes para depois da virada pode resultar em perda de crédito, contratos anulados e autuações que comprometem a safra. A legislação mudou, os bancos mudaram, as fiscalizações mudaram. O produtor que entrar em janeiro sem planejamento jurídico e tributário pode perder crédito, ter contratos anulados ou sofrer autuações pesadas. O campo não tem mais espaço para improviso”, finaliza.

 





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Confira como a arroba do boi gordo fechou a semana pelo Brasil


boi gordo preços no Brasil
Foto gerada por IA

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com tentativas de compra em patamares mais baixos.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, os frigoríficos começam a se deparar com a evolução de suas escalas de abate, que hoje atendem entre seis e oito dias úteis na média nacional.

“Soma-se a isso o fato de algumas indústrias terem anunciado férias coletivas. Esse tipo de situação é bastante comum durante o mês de dezembro. Exportações em altíssimo nível ainda são um importante elemento de suporte aos preços neste final de temporada”, disse.

Preço médio da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 321,18
  • Goiás: R$ 312,14
  • Minas Gerais: R$ 310,29
  • Mato Grosso do Sul: R$ 311,59
  • Mato Grosso: R$ 300,07

Mercado atacadista

O mercado atacadista se depara com acomodação em seus preços no decorrer da sexta-feira, ainda em um ambiente pautado por algum espaço para alta dos preços, considerando o bom momento de consumo no mercado interno.

  • Quarto traseiro: R$ 26,25 por quilo;
  • Quarto dianteiro: R$ 18,50 por quilo;
  • Ponta de agulha: R$ 18,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,13%, sendo negociado a R$ 5,4115 para venda e a R$ 5,4095 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3786 e a máxima de R$ 5,4251. Durante a semana, a moeda teve desvalorização de 0,41%.

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Projeto de R$ 100 mi deve colocar Brasil na vanguarda da ciência climática


carbono
Foto: Ministério da Agricultura

O maior projeto já realizado para medir, de forma padronizada e em escala nacional, os estoques de carbono acima e abaixo do solo em todos os biomas do país, foi lançado nesta sexta-feira (12). Trata-se do Carbon Countdown, iniciativa da Shell Brasil, Petrobras e do CCarbon/USP.

A iniciativa inclui áreas agrícolas e ecossistemas nativos e contará com investimento de cerca de R$ 100 milhões, provenientes da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) prevista nos contratos de exploração e produção de óleo e gás.

“O Carbon Countdown estabelece uma linha de base científica inédita para estoques de carbono, construída a partir de metodologias reconhecidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo científico da ONU. Todos os dados serão abertos e disponibilizados publicamente, permitindo aplicações diversas, como conservação, modelagem climática e planejamento territorial”, destaca a Shell Brasil, em nota.

Projetos de crédito de carbono

O diretor de Tecnologia da Shell Brasil, Olivier Wambersie, ressalta que serão cinco anos de muito trabalho integrado e produção de conhecimento.

“O projeto Carbon Countdown nos dá as ferramentas para criar uma base sólida e confiável de dados sobre os estoques naturais de carbono. Essas informações são essenciais para fortalecer projetos de créditos de carbono, iniciativas de restauração e ações de uso do solo, além de consolidar o papel da ciência brasileira nesse mercado emergente”, afirma.

De acordo com ele, as grandes entregas do Carbon Countdown são a geração de um banco de dados geoespacial público, com base em coletas representativas de amostras ambientais, implantação de infraestrutura de pesquisa, e a tropicalização confiável das metodologias internacionais à realidade dos biomas brasileiros, cultivos agrícolas e tipos de solo.

“Esse trabalho se torna ainda mais robusto com a participação de diversas universidades que agregam expertise e conhecimento local a essa iniciativa”, afirma a gerente executiva do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), Lílian Melo.

Já o pesquisador coordenador científico do projeto, pesquisador do CCarbon/USP e Esalq/USP Maurício Roberto Cherubin, ressalta que a iniciativa coloca o Brasil em posição de destaque ao gerar, pela primeira vez, valores de referência nacionais sobre estoques de carbono no solo e na vegetação.

“Esses dados permitirão aprimorar metodologias de quantificação, reduzir incertezas e aumentar a competitividade de projetos de restauração e produção sustentável. O rigor técnico-científico aplicado no desenvolvimento do inventário, aliado ao conhecimento das universidades e centros de pesquisa, cria uma base sólida para futuras inovações e posiciona o país na vanguarda do setor, com potencial de referência para outras regiões do mundo”, afirma.

Abrangência das áreas

O levantamento vai abranger 6.500 áreas demarcadas, com mais de 250 mil amostras de solo e um número ainda maior de amostras de vegetação e outras 400 mil amostras de atributos complementares, caracterizando o maior inventário do tipo já realizado.

O projeto implementa uma rede nacional de pesquisa, com polos regionais nos seis biomas brasileiros Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.

De acordo com os envolvidos no projeto, ao produzir uma base de dados realista e cientificamente validada, o Carbon Countdown fornece segurança para investidores e formuladores de políticas, apoia a transição para uma economia de baixo carbono e amplia o protagonismo do Brasil no mercado global de créditos de carbono, por meio de soluções baseadas na natureza, como projetos agroflorestais, de conservação e reflorestamento.

O Carbon Countdown também investe na formação de equipes, no fortalecimento de laboratórios distribuídos pelo país e na criação de uma base integrada para armazenamento, análise e compartilhamento dos resultados, com liderança científica do CCarbon/USP centro de excelência em ciências agrárias, ambientais, biológicas e sociais.

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Estudo da FGV revisa métricas de remuneração da cana-de-açúcar em São Paulo


Cana-de-açúcar
Foto: Pixabay

Um estudo técnico elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) revisou as métricas de remuneração do preço da cana-de-açúcar de São Paulo. O trabalho foi encomendado pelo Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana), que reúne representantes de produtores e usinas do setor sucroenergético.

A nova metodologia de precificação surge em um momento estratégico para a cadeia da cana, que hoje vai além da produção de açúcar e etanol e inclui biometano e outros biocombustíveis, cada vez mais valorizados no cenário global de transição energética.

Transparência e valorização do produtor

Tanto a União da Indústria da Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) quanto a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) se posicionaram favoráveis à divulgação integral do estudo e dos contratos firmados para sua elaboração.

Segundo o presidente da Unica, Evandro Gussi, a iniciativa tem como base a transparência e o respeito ao fornecedor de cana, peça fundamental da cadeia produtiva.

“Um percentual grande da nossa produção, ela depende do fornecedor de cana. Então ele tem um papel muito relevante. É por isso que a única tem mantido uma mesma visão, que é transparência e respeito ao produtor, ao fornecedor de cana”, afirmou Gussi. 

Nova metodologia e impasse na divulgação

O estudo foi concluído pela FGV em março deste ano e aponta quais perfis de produtores precisam de reajustes na remuneração e quais seriam esses ajustes, considerando critérios técnicos, econômicos e jurídicos.

De acordo com a Unica, a proposta sempre foi implementar imediatamente os resultados. No entanto, divergências sobre a divulgação do conteúdo completo geraram um impasse que atrasou a aplicação da nova metodologia em todo o estado.

Como avanço concreto, a Unica informou que já assinou memorandos de entendimento com 13 associações de fornecedores das regiões de Piracicaba, Capivari e Araraquara, onde a aplicação do estudo começará de forma imediata.

Defesa da publicação integral

Para evitar ruídos e interpretações divergentes, a Unica propôs a abertura total do estudo técnico e do contrato firmado entre as entidades e a FGV. O objetivo é garantir que produtores tenham acesso integral às informações e possam entender os critérios utilizados.

“O fornecedor precisa saber o que foi assinado, o que está no estudo e quais são os seus direitos. A transparência é o caminho mais rápido para a implementação”, destacou Gussi.

Orplana apoia divulgação sem cortes

A Orplana defende que o material seja publicado sem cortes, incluindo anexos e respostas do grupo técnico, garantindo total transparência. A entidade sugere que a publicação ocorra pelos canais oficiais do Consecana e afirma também estar à disposição para contribuir de forma responsável e aliada às diretrizes do colegiado.

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