Diesel mais caro pressiona custos e preço dos alimentos; entenda

A escalada da guerra no Oriente Médio já provoca reflexos nos mercados internacionais e levanta preocupações sobre os impactos para o agronegócio brasileiro. O avanço do conflito tem pressionado o preço do petróleo, o que pode elevar custos de combustíveis, fertilizantes e logística no país.
Em entrevista ao telejornal Mercado & Companhia, o economista Alberto Ajzental, professor da Fundação Getulio Vargas e da Faculdade Cásper Líbero, explicou que a alta do petróleo já é perceptível desde o início da guerra.
Segundo ele, o barril do Brent está sendo negociado em cerca de US$ 100 nesta segunda-feira (16), ante aproximadamente US$ 70 no começo do conflito, no fim de fevereiro. No início do ano, o petróleo era negociado perto de US$ 61.
Ajzental destacou que a valorização da commodity tende a se espalhar por toda a cadeia de derivados. “Na medida em que sobe o petróleo, todos os derivados acompanham, tanto combustíveis como fertilizantes”, afirmou.
Diesel mais caro pressiona custos
O economista também chamou atenção para a dependência brasileira de importações de diesel. De acordo com ele, cerca de 30% do combustível consumido no país vem do exterior.
Isso ocorre porque o Brasil não é autossuficiente na refinação do petróleo e a produção nacional não cobre toda a demanda. Além disso, parte do petróleo importado tem características específicas necessárias para o processo de refino.
Segundo Ajzental, importadores independentes ajudam a complementar o abastecimento interno. Porém, quando os preços praticados no Brasil ficam abaixo das cotações internacionais, essas empresas deixam de trazer o produto. Nesse caso, pode haver redução da oferta no mercado doméstico.
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Impacto indireto na inflação
Embora o diesel tenha peso reduzido no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o economista explicou que o impacto ocorre principalmente de forma indireta.
Ajzental destacou que a gasolina representa mais de 5% da cesta usada para medir a inflação das famílias, enquanto o diesel tem participação de cerca de 0,23%. Ainda assim, o combustível é essencial para o transporte e para a produção agrícola.
“O diesel representa entre 35% e 40% do frete dos alimentos e de 10% a 15% do custo operacional no campo”, disse. Por isso, segundo o economista, o impacto acaba chegando ao consumidor. “Se o diesel sobe, o alimento fica mais caro”, resumiu.
Ele também lembra que alimentos têm grande peso no orçamento das famílias, principalmente das mais pobres.
Efeito na decisão do Copom
A alta das commodities energéticas também entra no radar da política monetária. Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir o rumo da taxa Selic.
Antes da intensificação do conflito, parte do mercado apostava em um corte de 0,5 ponto percentual. Agora, o cenário ficou mais incerto. “Essa crise externa é um choque de oferta”, afirmou Ajzental.
Segundo ele, isso tende a reduzir o espaço para cortes maiores nos juros.
“Provavelmente aquele corte de 0,5 ponto percentual pode diminuir para 0,25 ou até levar à manutenção da Selic por mais tempo”, avaliou.
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