segunda-feira, março 16, 2026

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Etanol brasileiro pode zerar a pegada de carbono


A pesquisa avaliou como a integração de bioenergia com captura e armazenamento de carbono (no inglês, BECCS -Bioenergy with Carbon Capture and Storage) e com a aplicação de biochar (ou biocarvão) em áreas agrícolas poderiam ampliar os ganhos ambientais do RenovaBio, política nacional de biocombustíveis lançada em 2017. Apesar do alto potencial nos efeitos no clima, os resultados também revelam que a viabilidade depende de novos mecanismos de incentivo econômico e regulatório.

O BECCS é uma tecnologia que captura o carbono biogênico, de origem vegetal, emitido na produção de etanol e energia em usinas de cana-de-açúcar. Durante a fermentação do caldo e a queima do bagaço e da palha para produzir vapor e eletricidade, há liberação de CO2, que pode ser capturado e injetado em formações rochosas subterrâneas não porosas, onde permanece armazenado de forma segura. O processo, ainda caro e complexo, exige prospecção geológica e infraestrutura adequada. No Brasil, a Usina FS é pioneira na aplicação do BECCS, iniciativa que reforça o papel dos biocombustíveis na redução das emissões e na transição para uma economia de baixo carbono.

Já o biochar, ou biocarvão, é um material vegetal –como o bagaço de cana– submetido à pirólise, processo de aquecimento com pouco oxigênio que o transforma em uma estrutura sólida e estável de carbono. Aplicado ao solo, o biochar melhora suas propriedades físicas e atua como um reservatório de carbono de longa duração, ajudando no sequestro de CO2 e na sustentabilidade agrícola.

Baseando-se na metodologia oficial do programa, a IC (intensidade de carbono) do etanol hidratado brasileiro é de cerca de 32,8 ramas de dióxido de carbono equivalente por megajoule (gCO2e/MJ), medida que expressa o total de gases de efeito estufa emitidos adotando o CO2 como unidade padrão.

Caso o BECCS fosse incorporado na etapa de fermentação, o índice poderia cair para +10,4 gCO2e/MJ. A aplicação de biochar nos canaviais, na proporção de uma tonelada por hectare, reduziria o valor para +15,9 gCO2e/MJ, explica Lucas Pereira, pesquisador associado à equipe de Avaliação do Ciclo de Vida da Embrapa Meio Ambiente. “Em cenários mais ambiciosos, a captura de carbono também durante a combustão da biomassa permitiria resultados negativos, alcançando –81,3 gCO2e/MJ,” diz.

O resultado de ambos –BECCS e biochar– evita que o carbono retorne à atmosfera. O biochar é um insumo agrícola obtido do aquecimento de biomassa vegetal, formando um material estável que, ao ser aplicado ao solo, mantém o carbono fixado. Já no BECCS, o CO2 emitido nas caldeiras e na fermentação é capturado e injetado sob pressão em formações geológicas no subsolo.

Apesar da relevância, nenhuma das mais de 300 usinas certificadas pelo RenovaBio adota hoje essas tecnologias. O principal entrave está nos custos: enquanto os CBIOs (créditos de descarbonização), negociados em bolsa, giram em torno de US$ 20 por tonelada de CO2, os custos estimados de BECCS variam de US$ 100 a US$ 200/tCO2 até meados do século. Já o biochar, com benefícios comprovados de sequestro de carbono no solo, custa em média US$ 427 por tonelada.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Nilza Patrícia Ramos, o estudo analisou duas frentes de aplicação do armazenamento de carbono na cadeia de etanol: durante a fermentação alcoólica e na produção de eletricidade a partir de bagaço e palha.

“A fermentação se mostra a opção mais promissora, já que o CO2 emitido nesse processo é relativamente puro e tecnicamente mais fácil de capturar. A captura na combustão, embora capaz de produzir emissões negativas em larga escala, esbarra em custos muito mais altos e em desafios de infraestrutura, como transporte e armazenamento geológico do carbono”, disse Ramos.

Ainda que já existam plantas-piloto testando o armazenamento de carbono em usinas de etanol de milho no Brasil, nenhuma unidade sucroenergética opera com a tecnologia. Os especialistas indicam que é necessário mapear formações geológicas adequadas para o armazenamento permanente do CO2 e garantir a segurança contra vazamentos.

A 2ª tecnologia avaliada, o biochar, é um produto da pirólise de resíduos como palha e bagaço. Quando aplicado ao solo, diz o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Cristiano Andrade, ele atua como corretivo agrícola e pode sequestrar carbono de forma estável por décadas. A pesquisa considerou duas taxas de aplicação: 1 t/ha, compatível com a rotina atual das usinas, e 4 t/ha, que seria o limite viável diante da disponibilidade de resíduos. Cada tonelada de biochar pode representar o sequestro de 1,42 tCO2e.

Além do sequestro direto, Andrade esclarece que o biochar pode melhorar a fertilidade do solo e reduzir emissões de N2O (óxido nitroso), gás de efeito estufa muitas vezes mais potente que o CO2. No entanto, experimentos de curta duração mostram que, em alguns casos, as emissões de CO2 podem aumentar depois da aplicação, além do efeito negativo na fertilidade, em usos excessivos.

Para dimensionar o impacto, os pesquisadores compararam os cenários dos veículos movidos a etanol, a gasolina e elétricos, usando dados do Pbev (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular) e do banco internacional ecoinvent. Mesmo sem tecnologias de emissão negativa, o etanol de cana, sendo biogênco, apresenta menor intensidade de carbono que a gasolina, de origem fóssil. Com a adoção de BECCS e biochar, a diferença se amplia e, em alguns cenários, o etanol pode apresentar desempenho ambiental comparável ou até superior ao de veículos elétricos carregados com eletricidade média do sistema brasileiro.

O RenovaBio foi criado para estimular a produção de biocombustíveis com baixa emissão de GEE (gases de efeito estufa) por meio da emissão do CBIO–ativo ambiental comercializado em bolsa de valores –, cuja unidade equivale a uma tonelada de CO2 evitada. Os créditos são adquiridos por distribuidoras de combustíveis fósseis para compensar suas emissões, criando um mercado regulado.

Embora o programa já tenha consolidado um incentivo financeiro, ele pode não ser suficiente para viabilizar tecnologias caras como a captura e armazenamento de carbono e biochar. A pesquisa sugere que políticas complementares, linhas de financiamento e a participação no VCM (mercado voluntário de carbono) serão cruciais para destravar esses investimentos. Em países como os Estados Unidos, por exemplo, o crédito tributário 45Q remunera projetos de captura de carbono com até US$ 180/tCO2, valor muito acima da média praticada no Brasil.

Se implementadas em larga escala, as tecnologias poderiam trazer ganhos expressivos. O estudo estima que a combinação de armazenamento de carbono (fermentação e combustão) e biochar em todas as usinas certificadas poderia resultar em até 197 MtCO2e em créditos de carbono, o equivalente a 12% de todas as emissões brasileiras em 2022. O cenário mais viável, com BECCS aplicado apenas na fermentação, capturaria cerca de 20 MtCO2e/ano, uma média de 75 kt por usina.

O impacto seria decisivo para o cumprimento das metas climáticas brasileiras, que projetam reduzir as emissões líquidas para 1.200 MtCO2e até 2030 – cerca de 500 Mt a menos do que em 2022.

Apesar do otimismo, os autores alertam para lacunas importantes. A maior parte das usinas ainda apresenta fragilidades no inventário de dados agrícolas, o que pode levar a superestimativas ou subestimativas das emissões. Além disso, a análise de mudanças no uso da terra, central para a sustentabilidade da bioenergia, ainda carece de maior detalhamento.

O estudo reforça, contudo, que o Brasil tem condições de liderar a transição para combustíveis de “emissão negativa”. Segundo maior produtor mundial de etanol e biodiesel, o país dispõe de infraestrutura agrícola e industrial robusta e de políticas já consolidadas, como o RenovaBio.

Na avaliação dos pesquisadores, o etanol brasileiro já ocupa posição de destaque como combustível de baixo carbono, mas poderia dar um salto qualitativo com a adoção de tecnologias de “emissão negativa”. Isso colocaria o país na vanguarda da transição energética global, disputando espaço não apenas com fósseis, mas também com veículos elétricos e hidrogênio verde.

Para que isso ocorra, será necessário equilibrar inovação tecnológica, mecanismos econômicos e políticas públicas mais ambiciosas. O futuro do etanol, conclui o estudo, dependerá menos da disponibilidade técnica e mais da capacidade de o Brasil articular incentivos econômicos que tornem o carbono negativo um ativo competitivo no mercado internacional.

O artigo, de autoria dos pesquisadores Lucas Pereira, Marília Folegatti, Nilza Patrícia Ramos, Cristiano Andrade, Anna Pighinelli (Embrapa Meio Ambiente), e Rosana Galindo e Joaquim Seabra (Unicamp), foi publicado na ScienceDirect.





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Destaques do mercado financeiro de hoje: ouça e comece o dia bem informado


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a queda de mais de 2% do petróleo pressionou bolsas globais e ativos domésticos.

No Brasil, o Ibovespa caiu abaixo de 159 mil pontos, puxado por Petrobras e financeiras, enquanto o dólar subiu na contramão do exterior e juros futuros avançaram. Hoje, atenção a IPC Fipe, IGP-M, fluxo cambial e indicadores de inflação da zona do euro.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Pancadas de chuva ganham força em novas áreas; veja a previsão de hoje


chuva, temperatura
Foto: Pixabay

As pancadas de chuva diminuem de intensidade no Sul, Sudeste e Centro-Oeste nesta quarta-feira (17), mas ganham força em outras regiçoes. Confira a previsão do tempo para todo o Brasil:

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

O tempo deve seguir mais estável em grande parte da região devido à atuação de uma área de alta pressão que vem na retaguarda da frente fria. Ainda assim, há chance de chuvas mais fracas e isoladas no litoral do Paraná e em áreas do interior de Santa Catarina. No noroeste paranaense, também chove de maneira mais fraca.

Sudeste

Em São Paulo, as instabilidades diminuem, mas ainda chove ao longo do litoral, norte e leste do estado de maneira moderada a forte intensidade. A frente fria segue se deslocando e, junto ao fluxo de umidade, provoca pancadas de chuva pelo estado de Minas Gerais e principalmente no Rio de Janeiro, onde há chance de volumes elevados de chuva em áreas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e também na região dos Lagos.

Centro-Oeste

A intensidade das pancadas de chuva pela região diminui, mas ainda seguem ocorrendo em grande parte de Mato Grosso e Goiás, além do norte, nordeste e leste de Mato Grosso do Sul, onde chove de maneira moderada a forte e há risco de temporais. Já no restante do estado de Mato Grosso do Sul, além do sudoeste de Mato Grosso, o tempo deve seguir mais firme.

Nordeste

As instabilidades aumentam pelo Piauí, Maranhão e também no Ceará, podendo chover de maneira fraca a moderada e pontualmente mais forte em algumas áreas. No oeste e interior da Bahia, também há chance de pancadas, enquanto no litoral do estado, chove de maneira mais fraca.

Norte

No Amazonas, Acre e em Rondônia, as pancadas de chuva ganham força, além da metade sul e oeste do Pará e também no Amapá, com risco de temporais em algumas áreas. Em Roraima e no Tocantins, as pancadas de chuva também continuam e o tempo segue abafado.

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Secretaria da Fazenda prorroga prazos de adesão a programas de regularização fiscal



Prazo estendido para adesão aos programas de regularização fiscal em Alagoas


Foto: Nadia Borges

A Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas prorrogou os prazos de adesão aos programas de regularização fiscal em vigor no Estado. As novas datas foram oficializadas por meio das Instruções Normativas SEF nº 81, 82 e 83/2025, publicadas nesta segunda-feira (15), no Diário Oficial do Estado (DOE), e ampliam o prazo para que contribuintes regularizem débitos tributários com condições especiais.

Com a prorrogação, a adesão ao Programa de Extinção de Créditos Tributários (PET ICMS) segue até o dia 26 de dezembro de 2025. Já os programas de Recuperação Fiscal (Profis ICMS) e Profis Simples Nacional podem ter adesão realizada até 30 de dezembro de 2025

As medidas permitem quitar débitos com redução de multas e juros, inclusive por meio de parcelamento, garantindo maior flexibilidade financeira aos contribuintes e estimulando a regularização espontânea junto ao fisco estadual. Os programas alcançam diferentes perfis de contribuintes. O PET ICMS é direcionado a débitos de maior valor, enquanto o Profis ICMS atende contribuintes em geral. Já o Profis Simples Nacional é voltado a microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional.

O secretário especial da Receita Estadual, Francisco Suruagy, destacou que a prorrogação amplia as oportunidades de regularização, facilita o acesso dos contribuintes aos programas e fortalece o ambiente de segurança jurídica, contribuindo para o equilíbrio fiscal e o desenvolvimento econômico de Alagoas.

A adesão aos programas pode ser feita de forma totalmente digital. Para o Profis ICMS e o Profis Simples Nacional, o acesso ocorre pelo Portal do Contribuinte da Sefaz-AL ou pela assistente virtual Nise. Já o PET ICMS deve ser solicitado exclusivamente pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI), na opção Fazenda: Parcelamento Especial, por meio de cadastro de usuário externo. Mais informações e detalhamentos sobre os programas estão disponíveis no Diário Oficial do Estado.





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Mais de 500 máquinas entregues a municípios de Mato Grosso


Em Mato Grosso, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, realizou a entrega de mais 310 máquinas do Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que contemplou as 142 prefeituras do estado. A entrega ocorreu nesta terça-feira (16) em Cuiabá e, com este novo repasse, Mato Grosso já totaliza mais de 500 máquinas e equipamentos disponibilizados pelo governo federal aos municípios.

Durante a cerimônia, o ministro Carlos Fávaro destacou que o Promaq integra o conjunto de políticas públicas retomadas no governo do presidente Lula, com foco em aumento de produtividade, modernização da infraestrutura municipal e redução das desigualdades regionais. “Este ano vamos chegar a 5 mil equipamentos entregues aos municípios brasileiros. É uma política estruturante, desenvolvida com o apoio de parlamentares, senadores e deputados federais. Só no estado de Mato Grosso já estamos nos aproximando de 500 equipamentos entregues nas mais diversas parcerias, incluindo emendas parlamentares,” afirmou.

O ministro ressaltou ainda que o Estado conta com o apoio direto de instituições parceiras. “Com a parceria da Universidade Federal de Mato Grosso, são aproximadamente 100 equipamentos, incluindo tratores. No total, são cerca de 500 equipamentos – tratores, máquinas da linha amarela, caminhões e implementos – entregues para Mato Grosso. Tudo isso para ampliarmos a capacidade de prestação de serviços à população mato-grossense e brasileira,” completou.

Nesta nova fase do programa, as prefeituras do estado receberam 310 máquinas, resultado de um investimento superior a R$ 157 milhões. Entre os equipamentos entregues estão tratores, motoniveladoras, pás-carregadeiras, retroescavadeiras, rolos compactadores e caminhões, que irão reforçar as ações de recuperação, manutenção e melhoria da infraestrutura municipal, essencial para a circulação da produção agropecuária e para o atendimento às comunidades rurais.

Em Mato Grosso, estado de grande extensão territorial e com centenas de comunidades rurais que dependem diretamente de estradas vicinais, o Promaq desempenha papel estratégico no fortalecimento das cadeias produtivas, na garantia da mobilidade e na ampliação do acesso da população a serviços públicos essenciais.





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Estresse hídrico afeta pastagens no Rio Grande do Sul


A seca prolongada tem impactado negativamente as pastagens no Rio Grande do Sul, com fortes sinais de estresse hídrico. A falta de chuvas e as altas temperaturas têm desacelerado o crescimento das pastagens anuais e perenes, afetando a oferta de massa verde em diversas regiões do estado. De acordo com a Emater/RS-Ascar, o estresse hídrico tem sido evidente, especialmente nas áreas de capim-sudão e milheto, que têm murchado severamente durante o dia, diminuindo a palatabilidade da forragem.

Em várias regiões, o campo nativo, que vinha se desenvolvendo bem, também entrou em fase de estagnação após um novo período sem precipitações. A situação é ainda mais crítica em áreas de solos rasos, pedregosos e arenosos, que enfrentam maior pressão de pastejo, aumentando o risco de compactação do solo e reduzindo a capacidade de retenção de água. A escassez de umidade também tem retardado atividades como a adubação nitrogenada e a implantação de pastagens, que só poderão ser retomadas quando o solo apresentar condições adequadas.

Na região administrativa de Bagé, as pastagens anuais de verão estão praticamente paralisadas devido à baixa umidade do solo. Em Hulha Negra, o estresse hídrico tem afetado severamente o trevo-branco, enquanto as áreas com trevo-vermelho mostram melhor tolerância. No município de Lavras do Sul, a falta de chuvas por cerca de 20 dias resultou em campos amarelados e murchos, especialmente nas horas mais quentes do dia. Já em São Gabriel, os campos permanecem secos, com poucas novas rebrotas.

Em Caxias do Sul, o desenvolvimento inicial das pastagens foi favorecido pelas altas temperaturas e luminosidade, mas a ausência de chuvas tem dificultado a manutenção da umidade do solo. Em Erechim, apesar da seca, ainda se observa desenvolvimento satisfatório nas pastagens nativas e perenes de verão nas áreas com melhor manejo. Já em Frederico Westphalen, o milheto, sorgo e aveia de verão estão se desenvolvendo bem, oferecendo volume adequado de forragem, mas a combinação de calor intenso e baixa chuva já preocupa quanto à disponibilidade futura de pasto.

Nas regiões de Ijuí e Passo Fundo, a semeadura das forrageiras foi interrompida devido à baixa umidade, e os produtores têm intensificado a armazenagem de feno. Em Pelotas, as pastagens perenes, como Jiggs/tifton, estão em boas condições, mas o desenvolvimento de outras espécies foi limitado pela falta de chuvas. A situação é semelhante em Porto Alegre, onde o crescimento do campo nativo foi retardado e o avanço das pastagens recém-implantadas também estagnou.

Na região de Santa Maria, estima-se que a disponibilidade de forragem tenha diminuído entre 30% e 40%, levando alguns produtores a adotar a irrigação como estratégia para mitigar os efeitos da estiagem e manter a cobertura mínima necessária para o pastejo. Em Santa Rosa, apesar da escassez de chuvas, a oferta de forragem ainda está satisfatória, embora algumas áreas já apresentem sinais de senescência nas plantas.

 





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Altas temperaturas impactam lavouras de pepino no RS



A colheita de pepino segue em andamento em diferentes regiões do Rio Grande do Sul



Foto: Pixabay

A colheita de pepino segue em andamento em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, mas as altas temperaturas têm imposto desafios à produção, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (11). Em Soledade, a colheita de pepino para consumo in natura e para a indústria continua, porém o calor excessivo tem prejudicado a cultura, mesmo em áreas irrigadas. Segundo o levantamento, a elevada taxa de evapotranspiração tem provocado abortamento de flores. O preço pago ao produtor está em R$ 5,50 por quilo.

Na região de Lajeado, no município de São Sebastião do Caí, as lavouras de pepino para conserva apresentam desenvolvimento considerado adequado. Apesar disso, há expectativa de redução na produção e nos preços nas próximas semanas, em razão do aumento da oferta regional. O informativo aponta que, do ponto de vista fitossanitário, foram registrados pulgões, ácaros e mosca-branca, pragas que vêm sendo controladas por meio de manejo adequado. Também foram observados abortamentos florais e queimaduras em folhas e frutos, associados ao excesso de calor, o que pode comprometer parte do pegamento. A comercialização ocorre de forma regular, com preços entre R$ 80,00 e R$ 100,00 por caixa de 18 quilos.

Em Bom Princípio, a produção é considerada compatível com o período, mesmo diante de dias com temperaturas elevadas. As plantas apresentam bom desempenho e, até o momento, não há registro de problemas fitossanitários relevantes. No entanto, episódios de calor intenso causaram queimaduras pontuais em frutos de pepino salada, reduzindo a qualidade comercial de parte da produção. O mercado segue relativamente estável, com oscilações típicas da época. O pepino tipo salada é comercializado em torno de R$ 50,00 por caixa de 20 quilos, enquanto o tipo japonês varia entre R$ 45,00 e R$ 60,00 por caixa de 18 quilos.





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Brasil supera EUA como maior produtor de carne bovina do mundo, aponta USDA


carne bovina exportações China
Foto: Pixabay

O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo há mais de 20 anos, mas, agora, assume também o posto de nação que mais produz a proteína, superando, pela primeira vez, os Estados Unidos. E quem aponta o dado é justamente o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).

Segundo o último relatório publicado pelo órgão, foram produzidos em solo nacional 12,35 milhões de toneladas em 2025, enquanto o país de Donald Trump obteve 11,81 milhões de toneladas, considerando o peso do animal morto.

O Departamento ainda traz um levantamento desde 2021, período no qual o Brasil nunca esteve à frente dos norte-americanos em volume produzido.

Porém, se considerado o número estimado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para este ano, o Brasil apenas encosta nos Estados Unidos, sem ultrapassá-lo, chegando a 11,38 milhões de toneladas de carne bovina neste ano.

Para 2026, o USDA projeta um empate entre os dois países, haja vista que a produção nacional deve cair no ano que vem, como já apontado pela própria CNA. Assim, conforme o Departamento, o Brasil tende a produzir 11,7 milhões de toneladas e os Estados Unidos 11,71 milhões de toneladas.

O declínio dos Estados Unidos no setor se explica pela queda dos estoques de gado, que em janeiro deste ano foram reduzidos para o menor nível em mais de sete décadas por conta da redução de rebanho devido à seca que queimou pastagens e aumentou os custos de alimentação dos animais.

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Pacote de R$ 74,9 milhões mira em máquinas adaptadas à agricultura familiar


Trator implemento agrícola
Foto: Pixabay

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciou nesta terça-feira (16) um pacote de investimentos de R$ 74,9 milhões para fortalecer a agricultura familiar no Brasil.

As medidas incluem um edital para o desenvolvimento de máquinas agrícolas de baixo custo e duas parcerias institucionais voltadas à pesquisa aplicada e ao acesso ao crédito por cooperativas.

Os recursos são não reembolsáveis e vêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O principal eixo do pacote é um edital de R$ 60 milhões para a formação de um consórcio de empresas que irá desenvolver um trator de pequeno porte, entre 15 e 18 cavalos de potência, além de pelo menos seis implementos agrícolas compatíveis. A proposta é criar uma solução tecnologicamente avançada, com baixo custo final e produção nacional.

O edital prevê pontuação adicional para projetos que envolvam cooperativas, Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Os anúncios foram feitos durante a primeira reunião do Conselho Consultivo do Programa Mais Alimentos. Segundo o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a iniciativa reforça o papel da inovação no aumento da produtividade e no fortalecimento do pequeno agricultor. “É uma demonstração da capacidade de induzir a inovação para chegar à ponta e melhorar a produtividade”, afirmou.

Pesquisa e crédito

Outro anúncio foi a parceria de R$ 14,9 milhões com o Instituto de Pesquisa e Educação do Campo (Ipê-Campo), que vai estruturar uma rede nacional de pesquisa focada no desenvolvimento de máquinas agrícolas e bioinsumos adaptados às realidades regionais.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a iniciativa atende a uma demanda histórica dos movimentos sociais e busca ampliar a base científica nacional no setor.

A terceira frente é um Acordo de Cooperação Técnica com a União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias (Unicopas), que representa cerca de 800 mil famílias.

O objetivo é facilitar o acesso das cooperativas às linhas de financiamento da Finep, possibilidade aberta após a modernização da Lei do FNDCT, que passou a permitir que cooperativas se beneficiem diretamente dos recursos do fundo.

Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, os anúncios mostram como a política de ciência e tecnologia pode dialogar com políticas sociais e produtivas. Já o ministro Paulo Teixeira destacou que o pacote representa uma “mudança de paradigma” na agricultura familiar, ao promover mecanização, reduzir a penosidade do trabalho no campo e tornar a atividade mais atrativa para jovens e famílias rurais.

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Endividamento e estiagem pressionam agro do Rio Grande do Sul, diz Farsul


A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) realizou, nesta terça-feira (11), uma coletiva de imprensa para avaliar o desempenho do setor agropecuário em 2025 e apresentar perspectivas para 2026. O encontro contou com a presença do presidente da entidade, Gedeão Pereira, que também assumirá como primeiro vice-presidente gaúcho da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do presidente eleito para o próximo mandato, Domingos Velho Lopes, e do economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz.

O encontro foi conduzido por Gedeão Pereira, que encerra seu mandato em 31 de dezembro. Ao abrir a coletiva, ele relembrou sua trajetória à frente da entidade e destacou o momento de transição institucional. “É a primeira vez em 29 anos que fazemos uma transmissão do cargo da Presidência na Federação da Agricultura”, afirmou. Gedeão assumiu a presidência após o falecimento de Carlos Rivaci Sperotto e, no último dia 9 de dezembro, tomou posse como 1º vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cargo inédito para um representante gaúcho.

Ao avaliar o contexto político e econômico, o presidente da Farsul ressaltou a importância de 2026 para o futuro do agronegócio. Segundo ele, o próximo ciclo eleitoral terá impacto direto sobre o setor no Rio Grande do Sul e no país. “Hoje nós vivemos em um Brasil absolutamente indefinido quanto ao seu futuro. Os bons economistas do Brasil estão apontando para uma crise em que nosso País está se afundando”, declarou.

Gedeão Pereira também chamou atenção para os efeitos da crise climática sobre a economia estadual. Conforme destacou, a recorrência de eventos extremos comprometeu a renda e o consumo no Rio Grande do Sul. “Nos últimos cinco anos, bilhões de reais deixaram de circular no bolso dos gaúchos. Nosso Estado é majoritariamente agrícola. Quando a agricultura falha, a riqueza deixa de circular entre todo nosso povo”, afirmou.

O presidente eleito da Farsul, Domingos Velho Lopes, que assume o comando da entidade no início de 2026, afirmou que dará continuidade ao trabalho técnico desenvolvido pelo Sistema Farsul e buscará ampliar o diálogo com a sociedade, especialmente nos centros urbanos. “Nossa meta é defender o produtor rural, ratificar o que fazemos tecnicamente, e valorizar essa aproximação com a população urbana. Nós precisamos mostrar que somos o maior exportador líquido de alimentos do mundo”, disse.

Durante a coletiva, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, apresentou o balanço econômico do setor agropecuário em 2025 e detalhou a situação da agricultura gaúcha. Segundo ele, o estado enfrenta a quinta safra consecutiva com perdas. “Estamos na quinta safra consecutiva com perdas. Nós vamos ter uma perda de 6% na produção de grãos em comparação com a safra de 2024, que foi um ano muito ruim. O setor está em uma situação em que não conseguimos sair do fundo do poço”, declarou.

Ao analisar o desempenho econômico nacional, Antônio da Luz afirmou que o Brasil perdeu competitividade nas últimas duas décadas. De acordo com ele, o país deixou de acompanhar o crescimento de outras economias. “Aqui falamos de crescimento, de desenvolvimento econômico, de bem-estar social, de segurança, de saúde”, pontuou. O economista alertou para uma desaceleração mais intensa da economia em 2026 e defendeu mudanças no modelo de investimento. “Nós não vamos atingir estabilidade econômica com um fiscal desequilibrado e sem segurança jurídica”, afirmou.

Em relação ao Rio Grande do Sul, Da Luz destacou que o desempenho estadual é ainda mais desfavorável quando comparado ao restante do país. “O ranking da taxa de crescimento estadual coloca o RS na 26ª posição. De 2019 para cá, perdemos 11 pontos percentuais em relação ao País”, disse.

Segundo o economista-chefe da Farsul, os efeitos da estiagem vão além da atividade agropecuária e impactam toda a sociedade gaúcha. Ele apresentou dados que relacionam períodos de seca à redução do crescimento populacional. “O RS cresceu 1,8% entre 2010 e 2022. Santa Catarina cresceu 22%, Paraná cresceu 9,6%. Nós estamos perdendo jovens”, afirmou.

Ao tratar da situação financeira dos produtores, Antônio da Luz ressaltou que o endividamento tende a se manter mesmo diante de uma eventual recuperação da produção. “O endividamento vai continuar. Mesmo que a gente colha uma boa safra, esse problema vai permanecer”, declarou. Ele relacionou esse cenário ao desequilíbrio fiscal, à inflação e aos juros elevados. “Nosso Estado está ficando para trás. E isso traz consequências para toda a população, não só para o produtor”, concluiu.





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