Segundo o instituto, a valorização da carcaça casada vem sendo puxada principalmente pela elevação nos preços do traseiro e da ponta de agulha, mais procurados nesta época do ano, sobretudo para churrasco. O dianteiro (cortes mais baratos) tem se valorizado menos, o que também é comum neste período.
Analisando-se a média dos principais cortes desossados consumidos em churrasco (picanha, maminha e fraldinha), de outubro/25 até a semana encerrada em 12 de dezembro, as valorizações são de 21,5%, 11,2% e 12,8%, nessa ordem, conforme pesquisas do Cepea.
Já o mercado de animais para abate sente o arrefecimento típico da proximidade dos feriados. Pesquisadores explicam que boa parte das escalas deste final de ano e do começo de janeiro está completa, afastando alguns frigoríficos das compras.
Pecuaristas, por sua vez, também se mostram mais recuados, seja porque já fecharam as vendas do ano, seja porque esperam preços maiores em janeiro.
O plantio da safra 2025/26 de soja no Piauí ganhou ritmo com a regularização das chuvas no estado após o dia 20 de novembro. Segundo a Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja PI), os trabalhos já atingem 95% da área estimada em 1,148 milhão de hectares, número projetado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expectativa é de que a área cultivada avance 4,6% em relação à temporada anterior.
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Segundo a Safras & Mercado, o diretor executivo da Aprosoja PI, Rafael Maschio, avalia que a maioria das lavouras apresentou melhora no aspecto após as precipitações e se encontra, em sua maior parte, na fase de crescimento vegetativo, com exceção das áreas irrigadas.
De acordo com a Conab, a produção de soja no Piauí pode alcançar 4,081 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que representa um crescimento de 8% frente ao ciclo anterior. A produtividade média também deve avançar, com alta estimada de 3,3%, chegando a 3.554 quilos por hectare.
A demanda por alguns cortes suínos tipicamente consumidos nas festas de final de ano tem se aquecido no mercado atacadista, elevando as cotações. Isso é o que apontam os levantamentos do centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo o instituto, a média do pernil negociado no atacado do estado de São Paulo na parcial de dezembro (até o dia 16) está em R$ 14,11/kg, 2,3% acima da registrada em novembro/25.
As doenças iniciais da soja estão entre os principais desafios para o bom estabelecimento da lavoura e afetam diretamente a semente e a plântula nos primeiros dias após o plantio. Em um cenário de alternância climática, com chuvas irregulares, calor e baixa umidade, a semente permanece mais tempo exposta a patógenos de solo justamente no momento em que seu vigor e sanidade são determinantes para a formação de um estande uniforme.
Problemas nessa fase comprometem a germinação e a emergência, gerando falhas que muitas vezes só se tornam visíveis quando a lavoura já está implantada. Sementes atacadas por fungos como Rhizoctonia, Fusarium e Pythium podem apodrecer antes de emergir ou originar plântulas fracas, com tombamento e morte precoce. Mesmo quando a planta sobrevive, o dano inicial reduz o desenvolvimento radicular, limita a absorção de água e nutrientes e compromete o potencial produtivo ao longo de todo o ciclo.
A qualidade da semente, aliada ao tratamento de sementes, é considerada a primeira linha de defesa da lavoura. É nesse momento que a semente entra em contato direto com o solo, ambiente favorável à infecção por patógenos. Um tratamento inadequado ou incompatível, associado a erros de plantio, pode ampliar perdas, aumentar a necessidade de replantio e elevar os custos da safra.
Além disso, decisões tomadas no início do ciclo influenciam a ocorrência de doenças ao longo da safra, como mofo-branco e ferrugem asiática, que tendem a avançar com mais intensidade em lavouras mal estabelecidas. O manejo correto da semente e o acompanhamento técnico desde o planejamento do plantio são fundamentais para reduzir riscos, preservar o vigor inicial e sustentar o teto produtivo da soja.
“Quando as doenças aparecem no início da soja, o prejuízo é silencioso, porém definitivo. Plantas com baixa sanidade e vigor produzem menos ramos, menos nós produtivos e menor biomassa, o que reduz diretamente a capacidade de gerar vagens e grãos. Além disso, o sistema radicular fica limitado, a absorção de água e nutrientes reduz e a cultura passa a ser mais sensível aos estresses ao longo do ciclo. Na prática, esses fatores se traduzem em redução de produtividade. E o impacto não é apenas agronômico, é econômico. O produtor enfrenta replantio, aplicações extras de fungicidas e atraso de ciclo, o que compromete a rentabilidade da safra como um todo”, afirma Diego Braga, Consultor de Desenvolvimento de Mercado da Conceito Agrícola.
Apesar da safra robusta e do PIB positivo, o mercado de máquinas agrícolas encerra 2025 em ritmo abaixo do esperado. A avaliação é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, que aponta estabilidade nas vendas ao produtor, avanço concentrado em máquinas de menor potência e um cenário que segue pressionado por crédito caro e menor rentabilidade no campo.
“Foi um ano difícil. Embora o ano termine com um PIB positivo e uma safra boa, a venda de máquinas agrícolas não foi aquilo que nós esperávamos”, afirmou Calvet, ao apresentar os dados do setor.
Segundo a Anfavea, as vendas no varejo de tratores de rodas e colheitadeiras recuaram 0,7% no acumulado do ano. Em 2024, o setor havia vendido pouco mais de 43 mil unidades. Em 2025, o volume ficou praticamente no mesmo patamar. “Foi um ano de queda pequena, mas de estabilidade na venda do varejo”, disse.
No atacado, houve crescimento de 18%, com cerca de 47 mil unidades, mas o executivo pondera que o avanço ocorreu sobre uma base muito baixa de comparação. “Esse desempenho se dá sobre uma base muito fraca de 2024 e é fortemente concentrado em máquinas de baixa potência, com menor valor agregado”, explicou.
De acordo com Calvet, esse perfil de venda levanta questionamentos sobre produtividade no médio prazo. “Essas máquinas de menor potência ditaram o crescimento. No limite, a gente ainda estuda se isso mantém o nível de produtividade da agricultura”, afirmou.
Além disso, a Anfavea aponta aumento dos estoques na rede de concessionárias ao longo do ano. “Houve um forte incremento de estoque na rede, inclusive para evitar desligamentos”, acrescentou o presidente da associação.
Endividamento sobe e crédito encolhe
Ao comentar o cenário financeiro do setor, Calvet foi direto ao separar o desempenho do agro do comportamento do mercado de máquinas. “Tivemos uma safra recorde este ano e uma safra que deve ser boa no próximo. Mas isso não necessariamente vai se traduzir em venda de máquinas”, disse.
Segundo ele, serviços e produtos ligados ao agro não acompanham o crescimento da produção, principalmente por causa da alta da inadimplência e da desaceleração do crédito. “A inadimplência está subindo. Quando isso acontece, a tendência é enxugar a concessão de crédito”, afirmou.
Dados agregados de veículos, que incluem máquinas agrícolas, mostram inadimplência de 5,4% para pessoa física, o maior nível desde novembro de 2023. Para pessoa jurídica, índice mais relevante para o financiamento de máquinas, o percentual chegou a 3,7% em outubro de 2024, o maior patamar desde junho de 2017.
“Não é uma crise no agro, mas há pressão de preços internacionais sobre os principais produtos. A rentabilidade fica menor”, explicou Calvet. “Quando a rentabilidade diminui, o agricultor decide manter a máquina. A renovação do parque passa a ser uma segunda opção de investimento.”
Nesse contexto, o presidente da Anfavea chamou atenção para o comportamento do Moderfrota. “É importante parar para pensar por que, nessa época do ano, ainda tem recurso disponível no Moderfrota”, afirmou. Para ele, a permanência de saldo no principal programa de financiamento de máquinas indica menor demanda por investimento, mesmo com linhas oficialmente abertas.
Nos últimos 12 meses, a concessão de crédito para pessoas jurídicas recuou 2%. “Essas curvas mudam por razões óbvias: uma sobe, a outra cai”, resumiu.
Olhar para 2026
Para 2026, a avaliação da Anfavea é de continuidade dos desafios. “O ano promete um PIB positivo, mas menor. A safra provavelmente não será tão boa quanto a deste ano e deve haver mais pressão sobre os preços das commodities”, disse Calvet.
Segundo ele, a taxa de juros deve seguir elevada pelo menos até o primeiro trimestre, com expectativa de cortes ainda tímidos. “Isso pode retardar uma recuperação mais pujante do setor”, avaliou.
Calvet alertou ainda para os efeitos de médio prazo da postergação de investimentos. “Quando esse processo perdura, pode haver estagnação ou queda da produtividade, com máquinas mais antigas, menor eficiência e aumento do custo operacional ao longo do tempo”, afirmou.
No cenário estrutural, o presidente da Anfavea defendeu o fortalecimento das exportações como forma de reduzir a dependência do mercado interno. “As exportações ainda são pequenas frente ao potencial. Precisamos de uma estratégia mais incisiva de abertura de mercados para equalizar momentos de maior oscilação do mercado doméstico”, concluiu.
O Brasil convive há anos com um paradoxo fiscal difícil de explicar ao contribuinte. A carga tributária é elevada, mas o governo abre mão de uma parcela gigantesca de arrecadação por meio das chamadas renúncias fiscais, isenções e benefícios concedidos a setores específicos. Em 2025, esse valor chega a cerca de R$ 540 bilhões, o equivalente a 4,4% do PIB. É dinheiro que deixa de entrar no caixa público, muitas vezes sem qualquer comprovação clara de retorno em investimento, emprego ou crescimento.
Foi nesse contexto que o Senado aprovou, por ampla maioria, o PLP 128/2025, que prevê um corte linear mínimo de 10% nas renúncias fiscais, dividido em duas etapas: 5% em 2025 e mais 5% em 2026. O texto segue para sanção do presidente Lula e é peça-chave para viabilizar o Orçamento de 2026.
O que está sendo cortado, e o que fica de fora
Renúncia fiscal é, na prática, um “desconto” tributário concedido pelo Estado. Ao longo do tempo, muitos desses incentivos se tornaram permanentes, sem avaliação de custo-benefício. O projeto aprovado não extingue todos os benefícios, mas impõe limites e regras mais duras.
Ficam preservados mecanismos considerados sensíveis, como Simples Nacional, Zona Franca de Manaus, cesta básica, Prouni, Minha Casa Minha Vida e benefícios já concedidos até o fim de 2025. A partir de agora, novos incentivos terão validade máxima de cinco anos e passarão por revisão obrigatória. Além disso, o texto resgata um princípio ignorado há décadas: o total de renúncias não poderá ultrapassar 2% do PIB.
Quem vai pagar mais imposto
Para compensar perdas arrecadatórias decorrentes de negociações no Congresso, o projeto concentra aumentos de impostos em setores que vivem forte expansão:
Apostas esportivas online (bets): a alíquota sobe gradualmente de 12% para 15% até 2028, com parte da arrecadação destinada à saúde e à seguridade social.
Fintechs e instituições financeiras: a CSLL aumenta de forma escalonada, podendo chegar a 15% ou 20%, dependendo do tipo de instituição.
Juros sobre Capital Próprio (JCP): a retenção na fonte sobe de 15% para 17,5%, atingindo principalmente grandes empresas e bancos.
O impacto estimado supera R$ 22 bilhões em 2026, valor crucial para o cumprimento da meta de superávit primário de 0,25% do PIB e para evitar cortes em programas sociais ou emendas parlamentares.
A disputa política e econômica
O governo celebra a medida como um avanço em direção à chamada “justiça tributária”. Para a equipe econômica, trata-se de cortar privilégios históricos e corrigir distorções sem elevar impostos de forma generalizada. Já os setores atingidos reagiram com força. As Fintechs falam em retrocesso e risco à inovação. Entidades do comércio criticam o corte linear, argumentando que ele não diferencia incentivos eficientes de benefícios ineficazes.
Necessidade e pragmatismo
O projeto aprovado é necessário e pragmático. Em um país com dívida elevada e juros altos, revisar renúncias fiscais virou obrigação, não escolha ideológica. O governo acerta ao evitar cortes sociais e ao concentrar a tributação em setores altamente lucrativos, em vez de recorrer a soluções fáceis como aumento de IOF ou novos impostos sobre consumo.
Ainda assim, o alcance é limitado. O corte linear trata situações desiguais da mesma forma e preserva benefícios protegidos por forte lobby político. Falta ousadia para enfrentar temas centrais, como a tributação mais ampla da renda e da riqueza ou uma revisão estrutural de incentivos bilionários.
Mesmo com essas limitações, o PLP 128/2025 cumpre um papel relevante: sinaliza compromisso fiscal sem populismo e ajuda a organizar o Orçamento de 2026. Não resolve o problema tributário brasileiro, mas evita que ele piore. Em tempos de contas apertadas, esse remédio amargo era inevitável, e o país tende a sentir alívio no médio prazo.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, voltou a defender nesta quinta-feira (18) a conclusão do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, destacando o tratado como estratégico para a independência econômica do bloco europeu. A declaração foi feita na chegada à cúpula do Conselho da União Europeia, em Bruxelas.
Segundo Von der Leyen, reduzir dependências externas é um dos principais desafios da UE no atual cenário global, e isso passa pela ampliação de parcerias comerciais. “Precisamos nos livrar de dependências excessivas. Isso só é possível por meio de uma rede de acordos de livre comércio. Nesse contexto, o Mercosul desempenha um papel central”, afirmou.
A presidente da Comissão Europeia ressaltou ainda que o Mercosul é formado por países considerados “com ideias afins”, que compartilham o objetivo de avançar no comércio internacional dentro de regras comuns. Para ela, a aproximação entre os blocos fortalece não apenas a economia europeia, mas também o multilateralismo e a cooperação entre regiões.
“É de enorme importância que obtenhamos luz verde para o Mercosul e que possamos concluir as assinaturas do acordo”, reforçou Von der Leyen, ao comentar o andamento das negociações.
As votações sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul estão previstas para ocorrer durante a cúpula do Conselho da UE, nos dias 18 e 19 de dezembro. De acordo com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a expectativa é de que a assinatura do tratado aconteça no dia 20 de dezembro.
Para que o acordo seja aprovado de forma definitiva, é necessário o aval de pelo menos 15 dos 27 países-membros da União Europeia, desde que representem cerca de 65% da população do bloco. O processo, no entanto, enfrenta resistência de alguns governos e setores econômicos europeus.
Na última segunda-feira (15), o canal francês BFMTV informou que França e Itália avaliam a possibilidade de adiar a votação. Na França, produtores rurais têm intensificado protestos contra o acordo, com bloqueios de estradas e mobilizações em diferentes regiões do país.
A insatisfação do setor agrícola europeu também se reflete em Bruxelas. Nesta quinta-feira, milhares de agricultores se reúnem na capital belga para protestar contra o tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, temendo impactos negativos sobre a produção local.
A principal preocupação dos agricultores europeus é que o acordo facilite a entrada de produtos agropecuários sul-americanos a preços mais baixos, o que, segundo eles, poderia aprofundar a crise no campo europeu. O setor argumenta ainda que haveria uma concorrência considerada desleal, em razão de diferenças nos padrões ambientais e sanitários.
Apesar da oposição, a Comissão Europeia mantém a defesa do acordo. Em setembro, o órgão propôs que o Conselho da UE e o Parlamento Europeu aprovassem os tratados comerciais com o Mercosul e o México, mesmo diante da resistência de países e de organizações europeias influentes.
Os protestos não são novidade. Em 2024, uma onda de manifestações de agricultores contra o acordo com o Mercosul se espalhou por diversos países da União Europeia, evidenciando a sensibilidade política do tema.
O ano de 2025 marcou uma mudança significativa na pecuária nacional, com a carne premium deixando de ser um nicho restrito e passando a moldar a estratégia de produção no campo.
Ivan Júnior, gerente executivo de marcas da Friboi, afirmou em entrevista ao Giro do Boi que o pecuarista brasileiro compreendeu que o “paladar não retrocede” e, por isso, tem investido em genética e nutrição para atender a um consumidor cada vez mais exigente.
A demanda por carne de qualidade alterou radicalmente o perfil dos animais que saem das fazendas. A aproximação entre a indústria e o campo resultou em benefícios diretos para o produtor.
Segundo Júnior, o setor mudou de patamar. “Onde antes se comemorava o abate de bois de 6 a 8 dentes, hoje celebramos o abate de novilhas de 18 arrobas (0 dentes) e bois castrados de 2 dentes com 21 arrobas”.
Confira:
Impacto financeiro e exigências do mercado
Essa agilidade no processo de produção tem reflexo direto no caixa das fazendas. O executivo da Friboi informou que o pecuarista conseguiu reduzir o ciclo de produção pela metade. “O que levava 4 ou 5 anos para dar retorno, agora acontece em 2 ou 2,5 anos, colocando dinheiro no bolso muito mais rápido”.
Parte dessa transformação é atribuída à pressão externa, especialmente da China, que exigiu animais de até 30 meses, forçando o Brasil a investir em genética. Júnior destacou que “o chapéu deve ser tirado para o mercado chinês”, já que essa exigência acelerou a modernização do setor.
A percepção da carne brasileira no cenário internacional mudou drasticamente. O Brasil deixou de ser apenas um fornecedor de “carne ingrediente” e passou a exportar steaks de origem. As linhas premium brasileiras agora competem diretamente com carnes argentinas, uruguaias e americanas em restaurantes gourmet e gôndolas de luxo ao redor do mundo.
Com a redução do rebanho nos estados Unidos, o Brasil encontrou uma oportunidade para ocupar esse espaço global, adotando protocolos rigorosos como o 1953. Para atender a diferentes perfis de consumidores, a Friboi estruturou um portfólio que vai do custo-benefício ao luxo, com linhas que atendem às necessidades do mercado de alta qualidade.
Tendências e alertas para o futuro
Uma tendência notável em 2025 foi a adoção do churrasco como prato principal nas ceias de Natal, substituindo o tradicional peru. Para quem deseja entrar nesse mercado em 2026, Júnior deixou um alerta sobre o manejo, especialmente na Terminação a Pasto (TIP): o produtor deve evitar que o animal passe muito tempo no pasto para não prejudicar a qualidade da carne no mercado premium.
O mercado global de café atravessa um momento de transição, marcado por ajustes na oferta, movimentos distintos entre arábica e robusta e maior atenção às condições climáticas nos principais países produtores. Segundo análise do Itaú BBA, mesmo com a retirada das tarifas americanas para o café verde brasileiro, as exportações seguem limitadas pela menor produção de arábica.
Em novembro, os embarques somaram 3,58 milhões de sacas, volume 27% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. A expectativa é de melhora da demanda dos Estados Unidos, diante dos baixos estoques de passagem, mas a disponibilidade brasileira até o fim do atual ano-safra, em junho de 2025, é estimada em cerca de 3,5 milhões de sacas por mês, abaixo do observado no ciclo anterior. Essa restrição está ligada à menor produção de arábica projetada para 2025/26.
No mercado internacional, os preços do arábica apresentaram leve alta de 1,3% entre o início de novembro e 12 de dezembro, com o primeiro vencimento próximo de USD 3,7 por libra-peso. Já o robusta registrou queda mais expressiva em Londres, de 8,9%, pressionado pelo avanço da colheita no Vietnã e pela expectativa de maior produção, sem relatos relevantes de perdas climáticas.
No Brasil, as chuvas têm sido irregulares nas regiões cafeeiras. Houve melhora no Cerrado em novembro e dezembro, enquanto no Sul de Minas o desempenho foi mais desigual. Ainda assim, o pegamento das floradas foi considerado positivo, e as previsões indicam volumes mais regulares na segunda quinzena de dezembro.
O cenário recente trouxe alívio ao mercado, com clima favorável no Brasil e no Vietnã, maior oferta de robusta na Ásia, retirada das tarifas americanas e postergação das exigências da EUDR. As estimativas para a safra 2025/26 foram ajustadas, com redução no arábica e aumento no robusta, mantendo a oferta total próxima de 63 milhões de sacas.
No morning call desta quinta-feira (18), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que as bolsas de NY recuaram com realização de lucros e queda de empresas de inteligência artificial, enquanto petróleo, ouro e prata avançaram.
O dólar subiu pelo quarto pregão, pressionado por incertezas fiscais e eleitorais, e juros futuros atingiram máximos de meses. O Ibovespa caiu com aumento de tributação e risco regulatório. Hoje, atenção ao Relatório de Política Monetária, CMN, BoE, BCE e CPI dos EUA.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.