segunda-feira, junho 1, 2026

Safra

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Preços do açúcar caem mais de 2% em Nova York e Londres na tarde desta 4ª…


Valorização do dólar incentiva vendas brasileiras para exportação

Logotipo Notícias Agrícolas

Os preços futuros do açúcar ampliaram as perdas registradas pela manhã e passaram a cair mais de 2% nas bolsa de Nova York e Londres no início da tarde desta quarta-feira (09). Segundo informações do Barchart, as cotações são pressionadas pela redução nos valores do petróleo, que chegou a perder em torno de 2% nesta quarta-feira e, por volta das 12h, caía próximo a 1%. Além disso, a alta do dólar em relação ao real incentiva vendas para exportação pelos produtores brasileiros.

Próximo às 12h15 (horário de Brasília), em Nova York o contrato março/25 tinha queda de 0,58 cents, cotado em US$ 21,91 cents/lbp. O maio/25 perdia 0,56 cents, com valor de 20,38 cents/lbp. O julho/25 caía 0,54 cents, negociado em 19,45 cents/lbp. O outubro/25 passava a valer 19,28 cents/lbp, com redução de 0,48 cents.

Em Londres, o contrato dezembro/24 tinha baixa de US$ 13,70, cotado em US$ 561,40/tonelada. O março/25 estava precificado em US$ 567,20/tonelada, queda de US$ 13,20. O maio/25 valia US$ 562,80/tonelada, diminuição de US$ 13,10. O agosto/25 era negociado em US$ 545,50/tonelada, redução de US$ 14,60.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio

Fonte:

Notícias Agrícolas





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Produção mundial de café está estimada em 176,2 milhões para este…


Tal levantamento da produção total de café representa um aumento de 15,65% em relação ao volume físico da safra global efetivamente colhida em 2015

A produção mundial de café calculada com base no desempenho verificado no intervalo de dez safras seguidas registrará um aumento de 15,65%, e assim equivalerá a um crescimento no volume físico em torno de 23,8 milhões de sacas. Tal performance representará um crescimento global do total de 152,4 milhões de sacas efetivamente colhidas em 2015 para as 176,2 milhões de sacas de 60kg, que foram estimadas para a safra de 2024, cujo ano-cafeeiro encontra-se em curso.

Vale ressaltar que esses dados da performance das duas safras citadas da cafeicultura mundial, que estão sendo objeto desta análise e divulgação por meio do Observatório do Café, foram obtidos tendo como referência o somatório da produção total das duas espécies de cafés cultivas no planeta, que são, no caso, a de Coffea arabica (café arábica) e a de Coffea canephora (café robusta+conilon). 

Assim, em relação à safra colhida em 2015, em nível mundial, especificamente da produção total de C. arabica, verifica-se que a colheita efetiva dessa espécie atingiu 86,1 milhões de sacas, volume que correspondeu a 56,5% do total global da safra desse ano. E, em complemento, como a safra de C. canephora foi de 66,3 milhões de sacas, tal volume representou 43,5% do somatório das duas espécies colhidas nesse ano-cafeeiro.

Com relação à estimativa da safra global de 2024, também vale a pena estabelecer um comparativo da participação percentual da produção de cada uma dessas duas espécies de cafés em relação ao total geral estimado. Dessa forma, como a safra de C. arabica está estimada em 99,9 milhões de sacas, esse volume físico representará aproximadamente 57% do total geral do corrente ano.

E, adicionalmente, quanto à espécie de C. canephora, cuja safra foi calculada em 76,4 milhões de sacas, tal volume físico corresponderá a 43% da safra 2024. Fato curioso, que também merece realce, é que a participação percentual das duas espécies de cafés em relação à produção mundial, passados dez anos, praticamente se manteve a mesma.





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Preços ficam estáveis nesta sexta-feira (23) no mercado de suínos


Logotipo Notícias Agrícolas

A sexta-feira (23) termina para o mercado de suínos com preços estáveis, na maioria. Segundo análise do Cepea, os preços do suíno vivo e da carne estão em alta em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo órgão. Em algumas praças, a atual média do vivo é a maior desde fevereiro/21, em termos reais (deflacionamento pelo IGP-DI de julho). 

Segundo pesquisadores do Cepea, os avanços são resultados da oferta reduzida de animais em peso ideal para abate e da forte procura por novos lotes por parte da indústria, que precisa atender às demandas interna e sobretudo, externa. 

De acordo com a Scot Consultoria, o valor da arroba do suíno CIF em São Paulo ficou estável, com preço médio de R$ 167,00, assim como s carcaça especial, fechando em R$ 13,30/kg, em média.

Conforme informações do Cepea/Esalq sobre o Indicador do Suíno Vivo, referentes à quinta-feira (22), houve aumento somente no Paraná, na ordem de 0,84%, chegando a R$ 8,36/kg. Os preços ficaram estáveis em Minas Gerais (R$ 8,97/kg), Rio Grande do Sul (R$ 7,96/kg), Santa Catarina (R$ 8,28/kg), e São Paulo (R$ 8,79/kg).
 

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio

Fonte:

Notícias Agrícolas





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Agricultor brasileiro volta a fazer encomendas de fertilizantes, diz Anda


Logotipo Reuters

SÃO PAULO (Reuters) – O agricultor brasileiro começou os preparativos para a safra 2024/25 com cautela, em meio a preços mais baixos de importantes produtos agrícolas como a soja e o milho, mas voltou a fazer encomendas de fertilizantes em um ritmo melhor, disse o diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão do Adubo (Anda), Ricardo Tortorella, em entrevista à Reuters.

“Ele (agricultor) demorou para tomar a decisão sobre as encomendas, mas voltou a fazer encomendas, estamos com armazéns lotados, portos lotados”, disse o diretor-executivo da Anda, sinalizando que os negócios voltaram a fluir.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro acumulam queda de 1,8% de janeiro a maio, para 14,2 milhões de toneladas, conforme os últimos dados divulgados pela Anda.

Mas Tortorella avalia que essa pequena queda nas entregas, frente a um ano de vendas volumosas como 2023, precisa ser relativizada.

Ele ainda vê um ano de mercado firme no Brasil, ainda que a associação não faça previsões.

“Quando olhamos dados de maio, produção e importação caíram, apesar disso, o produtor está encomendando”, acrescentou.

O Brasil importa grande parte de suas necessidade de fertilizantes.

As entregas de fertilizantes ao mercado caíram 10,1% em maio, para 3,26 milhões de toneladas.

O poder de compra de fertilizantes pelos agricultores caiu em julho ao menor nível em quase dois anos, segundo índice elaborado pela Mosaic, líder de mercado no Brasil, em meio a uma queda nos preços da soja e do milho e uma alta nos custos com adubos.

Mas os negócios voltaram a fluir, notou Tortorella. Ele avalia que o mercado agora está andando no mesmo ritmo do ano passado, quando as vendas foram quase recordes, ficando muito perto dos volumes de 2021.

“Foi um semestre bastante atípico e gerou dúvida ao produtor rural, ele retardou a compra, mas temos sinais até agora que ele vai comprar dentro da normalidade”, disse ele, ressaltando que a fertilizante do solo é fundamental para o aumento da produtividade.

Segundo o diretor-executivo da Anda, um primeiro semestre de vendas mais lentas expõe riscos logísticos para as entregas, mas a “indústria está fazendo tudo para superá-los”.

O plantio da safra de grãos 2024/25 deve começar a partir de meados de setembro, a depender também da chegada das primeiras chuvas.

Cenários sobre o mercado de fertilizantes no Brasil e no mundo vão ser discutidos na próxima terça-feira, no congresso anual da Anda, em São Paulo.

(Por Roberto Samora)





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Maçã/Cepea: Preços estão subindo! – Notícias Agrícolas


Em agosto, as vendas de maçã tiveram uma melhora significativa nos grandes centros consumidores, do Sul e do Sudeste. De acordo com colaboradores do Hortifrúti/Cepea, o retorno às aulas foi o principal fator.

Assim, com a oferta controlada, o preço de algumas variedades e perfis registraram alta nas regiões classificadoras nesta semana (19 a 23/08). Na média das praças, a gala 165 Cat 1, por exemplo, foi negociada a R$ 134,33/cx de 18 kg, aumento de 6% em relação à semana anterior. Já a fuji 165 Cat 1 foi vendida a R$ 130,5/cx de 18 kg, crescimento de 5% no mesmo período.

Para a próxima semana, o preço pode se estabilizar devido ao fim de mês, que tende restringir o comércio.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Cotações no mercado do frango ficam estagnadas nesta sexta-feira (23)


Logotipo Notícias Agrícolas

O mercado do frango encerra esta semana de negociações nesta sexta-feira (23) com cotações estáveis. De acordo com análise do Cepea, o poder de compra de avicultores do estado de São Paulo frente aos principais insumos utilizados na atividade (milho e farelo de soja) vem crescendo em agosto. Isso porque, enquanto os preços do frango vivo estão subindo, os do milho registram pequena alta e os do farelo, queda, em relação a julho. 

De acordo com a Scot Consultoria, o valor do frango na granja em São Paulo ficou estável, custando, em média, R$ 5,50/kg, assim como a ave no atacado, fechando, em média, R$ 6,20/kg.

No caso do animal vivo, o preço não mudou em Santa Catarina, cotado a R$ 4,38/kg, da mesma maneira que no Paraná, custando R$ 4,66/kg.

Conforme informações do Cepea/Esalq,Vivo, referentes à quinta-feira (22), tanto o frango congelado quanto a ave resfriada ficaram estáveis, curando, respectivamente, R$ 7,17/kg e R$ 7,20/kg.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

CMN aprova regras para renegociação de crédito rural em municípios gaúchos…


Entre as medidas, o Conselho autorizou as instituições financeiras a estender o prazo para pagamento das parcelas das operações de crédito rural contratadas até 15 de abril de 2024

Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou nesta quinta-feira (23) a Resolução CMN nº 5.164/24, que autoriza as instituições financeiras a prorrogarem as parcelas das operações de crédito rural de custeio, investimento e industrialização para produtores do Rio Grande do Sul afetados pelas enchentes ocorridas neste ano.

Para que as operações sejam elegíveis, elas devem ter sido contratadas até 15 de abril deste ano, com vencimento entre maio e dezembro de 2024. Além disso, os recursos devem ter sido liberados, parcial ou totalmente, antes de maio.

A medida tem como objetivo auxiliar os produtores rurais e agricultores familiares gaúchos que sofreram perda de renda igual ou superior a 30%. A prorrogação se aplica aos empreendimentos localizados em municípios com decreto de situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecido pelo Governo Federal.

No caso das operações de custeio e industrialização, a prorrogação pode ser estendida por até quatro anos, com a primeira parcela vencendo em 2025. Para operações de investimento, as parcelas podem ser prorrogadas por até 12 meses após a data de vencimento do contrato. Em ambos os casos, as demais condições do contrato original serão mantidas. Os mutuários deverão solicitar a prorrogação até 13 de setembro de 2024.

 

2905ba72-1564-4073-9d8a-637a97373e93
CMN aprova regras para renegociação de crédito rural em municípios gaúchos afetados por enchentes

 

Além disso, a resolução autoriza as instituições financeiras, a seu critério, a prorrogar automaticamente para 15 de outubro de 2024 o vencimento das parcelas de principal e juros das operações de crédito rural de custeio, investimento e industrialização vencidas ou a vencer entre 1º de maio e 14 de outubro de 2024, desde que atendam aos critérios para obtenção dos descontos.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Rio Grande do Sul: Atrasos nas definições sobre recursos financeiros geram…


Logotipo Notícias Agrícolas

Em pesquisa realizada pelo Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), foi detectado que 91% dos moradores do RS sofrem de ansiedade devido ao estresse causado pelas enchentes ocorridas entre abril e maio deste ano. Burnout e depressão também foram listados no documento, que serve de parâmetro para facilitar o planejamento de ações futuras relacionadas à saúde mental.

A pesquisa serve de alerta também para a população rural do RS, que perdeu produções inteiras, animais e perfis de solo que demoraram décadas para se formar. Prejuízos que começam a ser contabilizados após cerca de 90 dias da catástrofe, já que algumas localidades ainda estão com acesso dificultado. Uma jornada que se inicia sem a definição clara de políticas públicas para direcionar esse retorno, criando assim um limbo de expectativas e frustrações.

Essa incerteza resultou no movimento SOS RS, iniciativa pública representativa que visa dar apoio jurídico, psicológico, social e político a milhares de produtores que tiveram suas propriedades destruídas pela força das águas. Grazi Camargo, produtora rural e uma das organizadoras do evento, comenta que o grupo se tornou um pilar de apoio diante desse cenário tão desafiador.

“Já se passaram três meses com quase nenhum apoio governamental. O que tivemos até o momento foi uma prorrogação dos pagamentos de safra e de custeio, que venceram em 30 de maio e 20 de julho, respectivamente. Alguns bancos aceitaram adiar esse pagamento para 15 de agosto, com acréscimo de juros do período em atraso. Esse prazo é inviável pois não houve tempo hábil para as pessoas se recuperarem ou até mesmo reiniciarem suas atividades”, comenta.

Em resposta ao anseio popular, uma Medida Provisória foi publicada no primeiro dia de agosto. Porém, o retorno não agradou o setor e pouco explica sobre como os inúmeros problemas econômicos do Estado serão solucionados.

“Estamos em um cenário pós-guerra e pedimos urgência. Nossa grande preocupação é sobre como a dívida rural, que é gigantesca, será solucionada. Enquanto não tivermos uma posição clara sobre isso, nossa próxima safra corre risco e, pior ainda, gera problemas psicológicos na sociedade”, argumenta Grazi.

A saúde mental é um assunto considerado tabu por parte da população brasileira e a situação se agrava no ambiente rural, já que muitas vezes os agricultores cumprem uma jornada de trabalho solitária e alheia aos tratamentos terapêuticos. Izabela Inforzato, consultora de recursos humanos, vem de uma família de produtores rurais e se especializou no atendimento de profissionais agropecuários. Dentro dessa expertise, normalmente o processo terapêutico busca encontrar uma linha de equilíbrio entre as equipes que trabalham no campo e os administradores das propriedades.

“A situação do RS extrapola isso por afetar todos os envolvidos na produção ao mesmo tempo, o que exige acompanhamento diferenciado. Essas pessoas precisam resgatar sua essência e reencontrar suas raízes, já que muitos aprenderam a trabalhar no seio familiar. A partir disso, direcionar essas capacidades no que mais gostam de fazer e assim ter um caminho para recomeçar”, orienta.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS), em parceria com o Sistema CNA/SENAR, lançou o programa “Telessaúde no Campo”, que fornece atendimento médico e apoio psicológico aos trabalhadores rurais e seus familiares, residentes dos municípios decretados em calamidade pública e emergência. Para agendar consultas, é necessário ligar para o número 0800 941 546.

“Na nossa última manifestação, levamos uma psicóloga para abordar esse tema. Ouvimos relatos graves, de pessoas que estão feridas por dentro, mas que não levam mais essas preocupações para seus familiares. Essas pessoas buscam voltar às suas atividades, mas para isso é preciso ter recurso financeiro. Não dá para reconstruir o que foi perdido sem capital e é isso que estamos cobrando constantemente do governo”, reitera Grazi.

HISTÓRIAS DE UM RS EM CONSTRUÇÃO

Bibiana Terra Barbosa – Produtora Rural

Sou produtora rural de Palmares do Sul, no litoral norte do RS, e tenho duas propriedades. Nossa sede, que fica entre duas lagoas, foi a mais afetada pelas cheias e ficou 100% impactada. Já vivemos outras enchentes, então sabíamos o que fazer, mas dessa vez foi um nível jamais visto. Nossos galpões de produtos, máquinas, peças, tudo encheu de água. Consegui sair com meus filhos antes da situação ficar crítica, mas meu irmão e meu marido ficaram no local, na tentativa de inibir roubos.

No entanto, a água continuou subindo e eles saíram do local, deixando a propriedade abandonada por cerca de um mês. Só conseguimos entrar de carro recentemente e começamos a mensurar os danos e realizar a limpeza. É muito lodo, fedor e muita coisa estragada. Um prejuízo enorme e uma grande devastação, sendo que na lavoura perdemos nossos canais de irrigação e ainda não sabemos como será a safra de arroz, pois não há estrutura para o plantio.

Meus silos foram afetados pela falta de energia e isso comprometeu a qualidade do arroz armazenado. Não sei nem o que conseguirei vender, já que uma parte pode ter apodrecido ou amarelado. Os animais também foram muito afetados e tivemos que improvisar áreas para eles ficarem, estando sem pastagens.

Teremos muitos detalhes para consertar o trabalho de uma vida inteira, ou seja, não conseguiremos nos organizar o suficiente até o dia 15. Em condições normais, nessa mesma época eu já estaria com todo meu planejamento pronto, com custeios feitos e insumos negociados. No entanto, não tenho nada disso em mãos e não sei nem como serão feitas as minhas vendas ou o valor que irei receber pela minha produção.

Precisa ser um planejamento de longo prazo. Enquanto isso, fico pensando na questão da negociação, esperando para tomar uma decisão sobre a nova safra, mas ao mesmo tempo tenho que pensar em como vender os produtos e fazer o máximo de esforço para manter toda a equipe.

O produtor rural sabe que precisa ser resiliente, no entanto estamos desamparados e ninguém dorme direito com essas preocupações. Não temos medo do trabalho da reconstrução, o que incomoda é a falta de uma resposta definitiva, de uma ação governamental além do discurso bonito.

Carolina Neves Palmeiro e Joaquim Rodrigues de Freitas – Produtores Rurais

Carolina: Moramos em Pelotas, cuja zona urbana não foi tão atingida quanto outras cidades. Tivemos tempo para evacuar, mas no campo não teve o que fazer e algumas áreas estão alagadas até agora, com o gado sem ter o que comer. Recentemente fomos até Brasília e parece que as pessoas acham que o problema já acabou. Pelo contrário, os problemas estão apenas começando e a devastação econômica está presente em todo o Estado.

Todo mundo está desmotivado, sem saber o que fazer. Queremos honrar nossas dívidas, mas para isso precisamos ter a capacidade de nos reerguer e até agora não vejo condições para isso acontecer. Não bastasse isso, além das condições climáticas severas, as pressões por pragas e doenças estão cada vez mais intensas. Se não houver uma movimentação forte e eficiente sobre isso, ficaremos muito vulneráveis a essas condições adversas.

Joaquim: O sul vem de três anos de seca e muita gente já enfrenta problemas para continuar na atividade. Este ano era para ser de recuperação, mas acabamos perdendo tudo mais uma vez. Nossa perda de lavoura foi de praticamente 100%, então estamos muito apreensivos pois muitas famílias dependem dessa produção para se sustentar.

Esperamos um pronunciamento do governo, que até agora não trouxe boas perspectivas, e estou assustado pois não tenho como atender meus compromissos. Nem mesmo o gado, que sempre teve liquidez, está com poucas vendas. Estamos à deriva e com muito medo pela sociedade como um todo, já que, se não houver negociação, haverá uma quebradeira generalizada. Já passei por outras crises, mas essa vai demorar muito tempo para se recuperar. Se não houver apoio e forma de viabilizar, vai ser bem complicado.

Luise Jardim Pedó – Advogada

É uma situação muito delicada e de abandono, principalmente para os pequenos produtores e para a agricultura familiar, que é a maior característica produtiva do RS. O produtor é mais familiar e parece até um contrassenso, pois o atual governo levantou a bandeira da agricultura familiar, mas é justamente esse produtor que está mais abandonado neste momento.

Tem agricultores com essa característica que não têm como plantar ou planejar a próxima safra. São pessoas que já sofreram com dois, três anos de seca e que agora passam por essa situação de alagamentos. Mesmo em cidades em que a situação de calamidade não foi decretada temos problemas, pois a soja apodreceu na lavoura e esses casos não fazem parte da prorrogação do dia 15 de agosto.

A orientação que tenho dado é para que meus clientes façam o pedido de prorrogação conforme o manual de crédito rural, que prevê essa condição para caso de perda de safra comprovado por laudo técnico realizado antes do vencimento. Porém, nem todos os produtores estão conseguindo realizar esse laudo por ser muito criterioso e por exigir capacidade financeira para pagar o recurso a longo prazo. Pode ser que muitos desses pedidos sejam indeferidos, pois muitos agricultores não sabem nem quais serão as condições de plantio e isso vai virar um problema social muito grande.

Além disso, os pequenos agricultores não têm assistência jurídica ou organização administrativa. É diferente de produtores mais capitalizados, que possuem a capacidade de negociar soja, mesmo que avariada, para ter um capital de giro. Para aqueles que têm menos de 100 hectares, a margem fica muito apertada, com cerca de R$ 5 mil de lucro por mês e poucos recursos para superar crises. Esses estão com uma dívida muito alta e apenas esse lucro mensal não fica viável para realizar o pagamento, são necessários outros recursos para dar maior segurança a esses agricultores.

Dou como exemplo a história do meu pai, que sempre foi produtor rural, desde muito jovem. Ele buscou uma formação como agrônomo para sair de um contexto social muito humilde e acreditava que estudar era o caminho para o sucesso. Ele se formou como agrônomo e mudou o contexto social dele, pois teve a oportunidade de trabalhar como responsável técnico de uma grande lavoura de arroz.

A partir dessa experiência, ele resolveu arriscar produzir por conta própria. Para isso, minha família vendeu o único imóvel que tinha e deu entrada em uma área arrendada. Porém, a pessoa que comprou o imóvel não fez o pagamento total e isso foi um baque. Meu pai teve que cuidar da lavoura como podia, chegou a pulverizar essa área a pé, utilizando um costal.

Apesar das dificuldades, a lavoura dele rendeu bem e isso deu a oportunidade para ele deslanchar na produção. Até que em 2004 houve uma enchente em que perdemos muita coisa para a inundação. Não por acaso, naquele ano entrou arroz do Uruguai no país, algo muito parecido com o que tentaram fazer recentemente. Esse arroz veio mais barato, pois os custos de produção no Uruguai são menores e isso fez com que o mercado regulasse os preços para baixo.

Ele tentou armazenar arroz, pensando que a situação fosse melhorar, mas acabou vendendo a um preço muito pior e não conseguiu pagar os custos da safra. Além disso, ele era avalista de um vizinho, que também não conseguiu pagar as contas. Esse vizinho nunca conseguiu se recuperar do prejuízo e meu pai demorou 20 anos para quitar essa dívida como avalista.

Por insistência e ajuda de um amigo, ele atuou como consultor para áreas de arroz e soja em terras baixas. Abriu sua própria empresa e conseguiu se estabilizar. Minha formação em direito agrário nasceu dessa história e isso me forjou para ter uma compreensão da situação atual. Meu pai demorou 20 anos de reestruturação, com alguns traumas que ele leva até hoje, como o receio de voltar a plantar. Fico pensando nos produtores nesse momento, já que nem todos conseguiram ter uma formação como a de meu pai e dependem exclusivamente de suas lavouras. Me preocupa quanto tempo essas pessoas levarão para retomar o controle de suas vidas.

Leia mais:





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Incêndios em canaviais impactam preços do açúcar e bolsas fecham em alta…


Logotipo Notícias Agrícolas

Os contratos futuros do açúcar nas bolsas de Nova York e Londres fecharam com altas altas de até  3,03% nesta sexta-feira (23). Os ganhos, que foram registrados desde a quarta-feira (21), ganharam mais força por conta de registros de incêndios em lavouras de cana-de-açúcar no Brasil.

Em Nova York, o contrato outubro/24 encerrou o dia a 18,39 cents/lbp, aumento de 0,54 cents (3,03%). O março/25 terminou a semana valendo 18,72 cents/lbp, com alta de 0,55 cents (3,03%) nesta sexta-feira. O maio/25 subiu 0,47 cents (2,68%) e foi a 18,03 cents/lbp. O julho/25 fechou cotado em 17,60 cents/lbp, 0,40 cents (2,33%) de ganho.

Na Bolsa de Londres, o açúcar branco fechou em alta de US$ 13,60 (2,66%) no contrato outubro/24 e foi a US$ 525,70/tonelada. O dezembro/25 ganhou US$ 10,40 (2,07%) e terminou o dia a US$ 512,70/tonelada. O março/25 registrou um aumento de US$ 10,50 (2,11%) e passou a valer US$ 508,10/tonelada. O maio/25 subiu US$ 10,00 (2,02%), cotado em US$ 505,50/tonelada.

“Os preços do açúcar ampliaram seus ganhos hoje devido a relatos de que a seca causou incêndios florestais e danificou algumas plantações de açúcar no principal estado produtor de açúcar do Brasil, São Paulo”, destacou o Barchart.

Entre a quarta-feira (21) e a quinta-feira, um grande incêndio foi registrado em um canavial no município de Paraíso do Norte, no noroeste do Paraná. As informações são de que um homem de 42 anos tentou controlar as chamar e ficou gravemente ferido.

Outro incêndio registrado em lavoura de cana-de-açúcar no oeste de São Paulo. Motoristas registraram as chamas na Rodovia Armando de Sales Oliveira, na altura do km 354 sentido oeste e km 360 sentido oeste. Muitos veículos tiveram que parar na pista por conta da fumaça que impedia a visão da estrada.

Além disso, o relatório da Conab divulgado na última quinta-feira (22) já vinha trazendo suporte positivo para o adoçante, segundo o Barchart: “Os preços do açúcar estão subindo com o suporte remanescente de quinta-feira, quando a Conab, agência de previsão de safra do governo brasileiro, cortou sua estimativa de produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil 2024/25 para 42 MMT de uma previsão anterior de 42,7 MMT, citando menores rendimentos de cana-de-açúcar devido à seca e ao calor excessivo”.

No mercado brasileiro, o Indicador do Açúcar Cristal do Cepea registrou uma redução de 0,82% na saca de 50kg, que passou a valer R$ 128,40. Já o Indicador do Açúcar Cristal Empacotado está cotado em R$ 15,26/5kg. O Açúcar Refinado Amorfo segue com valor de R$ 3,38/kg.





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Queimadas: a ameaça constante aos produtores de cana-de-açúcar


Incêndios na região de Ribeirão Preto-SP causam grandes prejuízos e preocupação entre agricultores

Onde há fumaça, há fogo. E onde há queimada, há prejuízo para o produtor de cana-de-açúcar. Essa dura realidade foi vivida por diversos produtores na região de Sertãozinho, SP, nesta quinta-feira (22), quando um incêndio de grandes proporções devastou parte das propriedades, trazendo não apenas fumaça, mas perdas significativas que ainda estão sendo calculadas.

Na ocasião, um incêndio se alastrou rapidamente por uma área de canavial próxima à Rodovia Armando de Sales Oliveira (SP-322). As chamas obrigaram a evacuação imediata das sedes e casas localizadas nas propriedades atingidas. Funcionários do Bio Parque Santa Elisa, localizado nas proximidades, também tiveram que suspender suas atividades e evacuar o local como medida de segurança.

“Tentamos combater o fogo, mas com a seca e o vento forte, pouco pôde ser feito. A única coisa que conseguimos foi salvar a sede, onde estavam meus pais, funcionários, crianças, e graças a Deus ninguém se feriu”, declarou produtor Marco Guidi, que inalou muita fumaça durante a tentativa de combater o incêndio e precisou ficar hospitalizado por três horas.

“Tenho uma propriedade que foi queimada e não sei se a cana vai brotar novamente, pois a camada de húmus na terra, que se forma a partir da palhada ao longo dos anos, foi completamente destruída pelo fogo. Isso cozinha a soqueira de cana, e não sei se terei cana no próximo ano. O prejuízo ainda é incerto, mas a área de muda, onde investi R$ 40 mil em adubo líquido, foi perdida. Não perdi só o adubo, mas também as mudas, e agora não sei o que vou plantar no ano que vem. É uma propriedade que considero inoperante. Esse é o resultado do fogo que começou a 3 quilômetros de distância e foi se espalhando”, relatou.

Marcos Paulo Meloni, proprietário dos sítios São Pedro e São Luiz, ainda não tem dimensão do seu prejuízo. “A nossa cana estava em palha e, por conta da seca, estava difícil de brotar. Agora, com o fogo, é impossível. Aqui, só com reforma, e nem imagino quanto vai custar. Este ano, o custo médio por alqueire foi de R$ 24 mil, e no ano que vem, não sei como será”, lamenta o produtor.

Já o produtor José Rogério Sanches Soto teve um pouco mais de sorte. Apesar do desespero, ele e sua equipe conseguiram apagar o fogo na área de reserva, que estava próxima às casas.

O produtor Gabriel Merlo Galdeano, que não teve sua propriedade atingida, foi um dos primeiros a perceber o incêndio. “Estava trabalhando na lavoura quando vi o fogo e já avisei o grupo da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste) PAM (Plano de Auxílio Mútuo). Logo depois, outro foco surgiu, e o fogo se espalhou rapidamente, atingindo a mata, a cana e a palhada. É muito triste”, relatou, suspeitando que o incêndio tenha sido criminoso.

O Plano de Auxílio Mútuo (PAM), mencionado por Galdeano, é um programa que estabelece medidas e ações coordenadas para minimizar os riscos e combater incêndios. Segundo Almir Torcato, gestor executivo da Canaoeste, a associação disponibiliza para seus membros um sistema de monitoramento das áreas via satélite.

“Quem combate ao incêndio é o plano integrado entre os produtores, utilizando informações de satélite. Além das propriedades dos associados, monitoramos também algumas áreas públicas”, explica Torcato.

Ele enfatiza que o produtor não tem interesse algum em incendiar a cana, uma prática que foi abandonada desde as décadas de 2017, quando era utilizada na colheita. Hoje, o processo é totalmente mecanizado. “Atualmente o setor como um todo não mede esforções para o combate aos focos de incêndio, pois além de prejudicar o meio ambiente, causa um enorme prejuízo financeiro”, acrescenta.

Ele também chama a atenção para o clima seco nesta época do ano, que favorece a proliferação de incêndios. Torcato destaca a importância da conscientização sobre os cuidados necessários nas áreas próximas à cidade, como evitar o descarte de cigarros, a realização de churrascos e outras atividades que possam gerar faíscas e resultar em incêndios desastrosos, como o que ocorreu na quinta-feira.

Nesta sexta-feira (23), a associação divulgou uma nota de repúdio e esclarecimentos acerca dos incêndios criminosos que vêm atingindo imóveis rurais da região. No documento, reforça a informação que os incêndios não são provocados pelos produtores de cana-de-açúcar e tampouco pelas usinas e isso se dá por várias razões, grande parte delas evidenciada no protocolo “Etanol Mais Verde”, firmado em 2017 entre produtores, usinas e o Governo do Estado de São Paulo, onde deixaram claro e afirmaram o compromisso do setor com a preservação do meio ambiente e com a extinção da queimada como método de colheita da cana.

“Um canavial atingido por incêndio pode se deteriorar significativamente dentro de poucos dias ocorrendo perdas da qualidade dos açúcares, aumento da presença de impurezas e a decomposição dos tecidos vegetais da matéria

prima, tornando a cana inadequada para o processamento industrial. O incêndio na palhada é também altamente prejudicial, acarretando principalmente perda de matéria orgânica dos solos, perda da biodiversidade dos solos e compactação”, informa a associação.

Além disso, aponta que os incêndios trazem prejuízos econômicos diretos aos produtores rurais, trazendo diversas implicações legais, com aplicação de multas de valores elevados, partindo de R$ 1.000,00 por hectare de cana queimada, indo até R$ 7.000,00, por hectare de vegetação nativa queimada, isso quando não há incidência de agravantes, o que pode levar a duplicação ou triplicação desses valores, tudo sem prejuízo da obrigação de reparação dos danos ambientais e responsabilização criminal.

“Sabendo de todos esses prejuízos fica a pergunta: quem em sã consciência colocaria fogo em sua própria casa? Sabendo de todos os riscos e prejuízos que podem ocorrer, você atearia fogo em seu próprio canavial?”, pergunta Torcato.

A associação destaca ainda que estamos enfrentando uma verdadeira catástrofe climática conhecida como “triplo 30”, que é composta pela conjunção de três fatores climáticos:

– umidade relativa do ar abaixo de 30%;
– temperaturas acima de 30°C e
– ventos acima de 30 km/hora. Além desses eventos que favorecem a ocorrência de incêndios e sua propagação, de modo a tornar quase impossível o efetivo controle pelas brigadas de incêndio das unidades industriais e dos produtores, importante destacar que nossa região está há aproximadamente 100 (cem) dias sem um volume de chuva significativo.

“Pedimos desesperadamente o apoio da população e das autoridades para apuração dos responsáveis por tais atos criminosos e apoio do corpo de bombeiros para combate aos incêndios. Rogamos ainda à Polícia Militar Ambiental que siga os estritos termos das legislações vigentes, responsabilizando apenas quando houver efetiva comprovação do nexo de causalidade, sob pena de punirem injustamente o produtor que já vem sofrendo inúmeros prejuízos”, conclui a associação.





Source link