sábado, julho 25, 2026

Política & Agro

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Fretes e armazenagem limitam ganhos da soja


O mercado da soja encerrou o dia com oscilações limitadas, em um ambiente ainda marcado pela cautela dos agentes diante da falta de sinais concretos de demanda chinesa. Segundo a TF Agroeconômica, a Bolsa de Chicago fechou praticamente estável, com o contrato de julho em queda de 0,29%, a US$ 12,0950 por bushel, enquanto agosto recuou 0,10%, a US$ 12,0975 por bushel.

O comportamento refletiu o ajuste das expectativas após a empolgação da véspera com um possível acordo de US$ 17 bilhões, ainda sem confirmação prática por parte do mercado asiático. A pressão adicional veio do relatório de Progresso de Safras do USDA, que indicou avanço do plantio norte-americano de 49% para 67% da área prevista, acima das expectativas e do ritmo registrado no ano passado. No Brasil, a Conab apontou a colheita em fase final, com 98,8% da área concluída.

No mercado interno, o Rio Grande do Sul teve valorizações nominais, com Santa Rosa e Passo Fundo a R$ 126,00 por saca e o Porto de Rio Grande a R$ 131,00. A revisão da produção estadual para pouco mais de 19 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior de 21,44 milhões, reforçou a percepção de perdas causadas pela irregularidade das chuvas. A ameaça de paralisação rodoviária e as dúvidas sobre o piso mínimo de fretes também aumentaram os prêmios de risco.

Em Santa Catarina, a colheita superou 70% da área, com recuperação moderada no interior e cotação de R$ 131,00 no Porto de São Francisco do Sul. No Paraná, Ponta Grossa chegou a R$ 128,50, enquanto a colheita atingiu 96% e a disputa por armazenagem ganhou força com o avanço do etanol de milho e o plantio do trigo.

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul encerrou a safra com recorde de 17,759 milhões de toneladas, enquanto Mato Grosso confirmou produção histórica de 51,56 milhões. Apesar dos volumes elevados, os gargalos de armazenagem, o custo dos fretes e a pressão logística seguem limitando a rentabilidade dos produtores.

 





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Milho fecha misto com atenção ao clima


O mercado brasileiro de milho encerrou a segunda-feira com comportamento misto, em um ambiente marcado por baixa liquidez, compradores cautelosos e atenção às condições das lavouras nos principais estados produtores. Segundo a TF Agroeconômica, a recuperação do dólar deu algum suporte às cotações na B3, enquanto o relatório da Conab acendeu alerta para a safrinha em áreas afetadas por clima adverso.

Na bolsa brasileira, os contratos futuros tiveram leves oscilações. O vencimento julho de 2026 fechou a R$ 67,20, com alta diária de R$ 0,14 e queda semanal de R$ 1,38. Setembro de 2026 encerrou a R$ 69,73, com baixa de R$ 0,09 no dia e de R$ 1,16 na semana. Novembro de 2026 terminou a R$ 72,64, também com recuo diário de R$ 0,09 e perda semanal de R$ 0,25.

No campo, o cenário segue desigual. Mato Grosso e Paraná mantêm condições favoráveis em parte das áreas, apesar de geadas isoladas e chuvas fortes em algumas regiões paranaenses. Em Goiás, porém, há perdas severas associadas ao estresse hídrico em lavouras plantadas fora da janela ideal.

No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 96% da área, com negócios pontuais e média estadual de R$ 58,08 por saca. Em Santa Catarina, as indicações seguem próximas de R$ 70,00, enquanto a demanda gira em torno de R$ 65,00, mantendo o mercado travado pela diferença entre pedidas e ofertas.

No Paraná, a pressão sobre os preços continua, com demanda ao redor de R$ 60,00 CIF e produtores mais flexíveis diante da necessidade de liberar espaço nos armazéns. Em Mato Grosso do Sul, a oferta elevada mantém o mercado pressionado, com preços entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca, apesar da melhora pontual no clima.

 





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Preços do trigo seguem firmes no Sul



No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade


No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade
No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do país segue sustentado pela demanda dos moinhos, pela busca por produto de melhor qualidade e pela comparação direta entre o cereal nacional e o importado. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário mostra preços firmes no Rio Grande do Sul, estabilidade relativa em Santa Catarina e avanço das referências no Paraná, com pouca oferta disponível em algumas regiões.

No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade, produto que não tem sido encontrado com facilidade. Para lotes considerados bons, o preço chegou a até R$ 1.500 por tonelada CIF, com pagamento em 45 dias. A avaliação é que, em alguns casos, o comprador prefere pagar esse valor por um trigo nacional com qualidade mais garantida do que pelo argentino, considerado mais incerto. A consultoria pondera, porém, que esse não representa um preço de mercado amplo, mas o maior valor negociado na semana.

A queda do dólar não alterou de forma significativa a movimentação da demanda por importação. Também houve aumento na procura por trigo branqueador, com bons volumes negociados. Maio está totalmente coberto pelos moinhos, que devem buscar apenas oportunidades, enquanto junho é estimado em 50% coberto. Para a safra nova, foram ouvidos poucos lotes a R$ 1.250 CIF porto e indicações de compra a R$ 1.100 no interior, sem aceitação. Cerca de 40 mil toneladas já foram negociadas a futuro, entre moinhos e exportação. A área no Rio Grande do Sul deve cair 25% ou mais, com redução de 60% no investimento em adubação.

Em Santa Catarina, o mercado permanece o mais estável da região Sul. O trigo catarinense subiu para o mínimo de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto ofertas do Paraná ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 para trigo pão no Sudoeste. O trigo gaúcho aparece entre R$ 1.350 e R$ 1.400 FOB para branqueador.

No Paraná, o mercado segue firme, com negócios entre R$ 1.330 e R$ 1.400 FOB e novas ideias de venda entre R$ 1.400 e R$ 1.500 FOB. O trigo nacional disputa espaço com o importado e mantém vantagem em qualidade e logística.

 





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Chuvas afetam cana-de-açúcar e batata no Centro-Sul


Segundo informações do Meteored, a chegada de chuvas intensas ao Centro-Sul do Brasil nesta semana acendeu o alerta entre produtores de cana-de-açúcar e batata em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. A previsão indica acumulados elevados entre domingo e segunda-feira, principalmente em regiões do sul e oeste sul-mato-grossense, noroeste e centro-oeste paranaense e sudoeste paulista. O cenário aumenta o risco de temporais, alagamentos e interrupções nas operações rurais.

De acordo com a análise, as chuvas chegam em um momento considerado sensível para as atividades no campo. A colheita da cana-de-açúcar está no início da safra e depende de períodos de tempo firme para garantir o corte, o carregamento e o transporte da matéria-prima até as usinas. Já nas áreas de batata da segunda safra, parte das lavouras ainda se encontra em fase de frutificação e maturação, etapas em que o excesso de umidade pode comprometer a qualidade dos tubérculos e dificultar a colheita.

Na cana-de-açúcar, o principal impacto esperado é operacional. Conforme o Meteored, “a colheita mecanizada precisa de solo com boa sustentação, e a chuva volumosa pode deixar carreadores, estradas rurais e áreas de corte com barro”. A análise aponta que isso tende a atrasar a entrada das máquinas nas lavouras, reduzir o ritmo de carregamento e afetar a entrega de matéria-prima às usinas, principalmente em áreas atingidas por temporais consecutivos em um intervalo de 48 horas.

O levantamento também destaca a dimensão da atual safra brasileira de cana-de-açúcar. A estimativa para o ciclo 2026/27 é de 9,1 milhões de hectares colhidos, sendo 5,7 milhões localizados na região Sudeste e 2 milhões no Centro-Oeste. Entre os municípios monitorados com maior atenção estão Rio Brilhante, Nova Alvorada do Sul, Dourados e Ivinhema. No Paraná, o alerta inclui Maringá, Loanda, Goioerê e Paranavaí. Em São Paulo, as áreas observadas incluem Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo e Palmital.

No caso da batata, o relatório ressalta que a cultura apresenta maior sensibilidade ao excesso de chuva. No Paraná, a segunda safra já alcançou 99% da área plantada, enquanto 40% das lavouras foram colhidas. Ainda segundo a análise, 56% das áreas estão em fase de frutificação e 26% em maturação. O texto destaca que “ainda tem bastante batata no campo, que precisa ser colhida com cuidado para evitar encantamento e doenças”.

As áreas de maior atenção para a cultura da batata incluem os municípios de Guarapuava, Pinhão, Palmas, Castro, Lapa e Ponta Grossa. Em São Paulo, o monitoramento se concentra em Itapeva, Capão Bonito, Itapetininga, Buri, Taquarivaí e São Miguel Arcanjo.

Após a passagem das chuvas mais intensas, a recomendação será observar as condições de tráfego e sustentação do solo antes da retomada das atividades. Segundo o Meteored, nos canaviais a prioridade será evitar compactação do terreno durante o retorno das máquinas. Já nas lavouras de batata, a atenção deve se voltar às áreas mais baixas, aos talhões com drenagem lenta e às lavouras próximas da colheita, onde poucos dias de excesso de umidade podem afetar a qualidade do produto.

A previsão indica que a próxima semana será marcada primeiro pela ocorrência das chuvas fortes e, na sequência, pela reorganização das operações no campo. Conforme a análise meteorológica, onde o tempo voltar a firmar rapidamente os impactos devem ficar restritos a atrasos pontuais. Já nas regiões onde a instabilidade persistir, produtores de cana e batata poderão enfrentar mais dificuldades no manejo das lavouras, no transporte da produção e no planejamento operacional das equipes.





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Polos de irrigação mudam a economia no campo


O Brasil possui atualmente cerca de 16 polos de agricultura irrigada reconhecidos pelo Governo Federal e busca ampliar esse modelo para outras regiões do país. A estruturação dos polos ajuda a organizar a gestão da água e impulsiona o crescimento da produção agrícola nas regiões onde são implantados.

Os polos de irrigação funcionam dentro da lógica de gestão das bacias hidrográficas e têm como objetivo auxiliar na governança das demandas regionais para a produção sustentável de alimentos, que inclui o uso da água. Reúnem produtores, técnicos, instituições de pesquisa, órgãos governamentais e representantes da sociedade em torno do planejamento da irrigação, considerando as características produtivas e hídricas de cada região.

Mais do que áreas de produção, os polos surgem da própria dinâmica das regiões agrícolas e da necessidade de organizar o uso da água, a infraestrutura e o desenvolvimento regional. Ao contrário de programas criados “de cima para baixo”, eles nascem da realidade dos produtores, das bacias hidrográficas e das características de cada território.

“A irrigação não se desenvolve no improviso. Ela cresce onde existe organização do uso da água”, afirma Everardo Mantovani, Professor Titular Sênior da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e conselheiro da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).

Segundo ele, os polos ajudam justamente a estruturar esse crescimento. “Onde a irrigação se organiza, a região cresce junto. A produção aumenta, mas também avançam logística, infraestrutura, armazenagem, tecnologia e geração de oportunidades”, destaca.

Pesquisa da Abimaq em parceria com a ESALQ/USP, realizada em quatro polos de agricultura irrigada, identificou impactos econômicos e sociais relevantes nas regiões analisadas. Em alguns casos, o PIB per capita chega a ser até 256% maior em comparação com outros municípios rurais.

O levantamento também aponta maior circulação econômica e menor dependência de programas de transferência de renda em áreas ligadas à agricultura irrigada.

“A água entra na lavoura e o dinheiro circula na cidade”, resume Mantovani.

Hoje, os polos estão presentes em regiões estratégicas da agricultura irrigada brasileira, como Oeste da Bahia, Petrolina/Juazeiro, Alto Paranapanema, Alto Teles Pires, Ibiapaba (CE), Camaquã (RS) e Planalto Central de Goiás, entre outras áreas reconhecidas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Criado em 2019, o Polo de Irrigação do Planalto Central de Goiás é um dos exemplos desse processo. Inicialmente formado por 14 municípios, ele foi reorganizado e atualmente concentra ações em sete cidades: Cristalina, Luziânia, Silvânia, Vianópolis, Ipameri, Campo Alegre de Goiás e Catalão — regiões com forte presença da agricultura irrigada e alta demanda por gestão do uso da água.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares irrigados, mas estimativas técnicas apontam potencial para chegar a até 60 milhões de hectares. Para especialistas do setor, esse crescimento depende cada vez mais de planejamento, governança hídrica e uso eficiente da água.

“A expansão da agricultura irrigada no Brasil atual ocorre principalmente em regiões com gestão estruturada da água, onde o uso é organizado, monitorado e planejado”, explica Mantovani.

Dados do setor mostram que cerca de 45% dos pivôs centrais do país estão na Bacia do Rio Paraná e quase 30% na Bacia do São Francisco — regiões onde a gestão dos recursos hídricos é mais consolidada.

A Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID) acompanha e participa ativamente desses processos, contribuindo tecnicamente com informações, experiências e apoio à construção de políticas públicas voltadas à agricultura irrigada e à gestão da água há 50 anos.

“Existe um entendimento cada vez maior de que irrigação não significa desperdício. Pelo contrário: a irrigação moderna depende de planejamento, monitoramento e uso eficiente da água”, conclui Mantovani.


 





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Pesagem inteligente ganha protagonismo


O avanço da produção agrícola no Distrito Federal e região tem favorecido a demanda por soluções de pesagem e controle operacional voltadas ao campo. Em 2025, a comercialização de equipamentos como balanças rodoviárias, balanças de fluxo para grãos e sistemas de enchimento de bags e sacos valvulados foi muito positiva, especialmente para o segmento de sementes de soja e milho. Por essas razões, a Toledo do Brasil marca sua presença na AgroBrasília 2026 com expectativas otimistas.

A soja lidera a produção agrícola do DF. Segundo relatório da Emater-DF, em 2025 foram 92 mil hectares plantados e quase 398 mil toneladas produzidas considerando soja grão e sementes. Neste cenário, as culturas de soja, milho e feijão seguem entre as principais atendidas pelas tecnologias de pesagem da Toledo do Brasil no DF, cenário que deve permanecer no primeiro semestre de 2026, acompanhando a expansão das atividades agrícolas da região.

Durante a AgroBrasília 2026, a Toledo do Brasil levará ao Pavilhão de Negócios, na Av. Buriti, Quadra 08, soluções voltadas à pesagem de precisão e análise de grãos. Entre os equipamentos expostos estarão balanças de piso e bancada, balanças analíticas, soluções para pesagem de animais vivos e o lançamento do Medidor de Umidade de Grãos: MUG. O equipamento chega ao mercado com foco em operações agrícolas que buscam mais controle na colheita, armazenamento e comercialização de grãos. “A solução permite medir a umidade de diferentes tipos de grãos de forma rápida, apoiando decisões sobre momento ideal de colheita, armazenamento e processos industriais”, ressalta Paulo Faber, especialista em pesagem e gerente de negócios regionais no DF.

Ele complementa que, no campo, o monitoramento da umidade é utilizado para reduzir perdas operacionais e auxiliar na entrega de grãos dentro dos padrões exigidos pelo mercado. Já em armazenadoras e indústrias, o controle contribui para processos ligados à conservação e qualidade do produto final. “Além do segmento de grãos, a empresa também apresentará soluções para pecuária, com sistemas de pesagem de animais vivos voltados à gestão zootécnica e acompanhamento de desempenho no rebanho”, ele ressalta. Esta presença atende um cenário positivo na pecuária: de acordo com dados da Emater-DF, o rebanho bovino do Distrito Federal alcançou 74.375 cabeças em 2025, com produção de 4,8 milhões de quilos de carne bovina e produção de 32,3 milhões de litros de leite, dados de 2025. 

A expectativa da empresa para a AgroBrasília 2026 é de aumento no fluxo de visitantes e geração de negócios, impulsionados pela busca dos produtores por soluções ligadas à automação, controle e gestão de dados dentro das propriedades rurais. O setor agropecuário no DF, a região reúne desde pequenas propriedades familiares até grandes áreas voltadas à produção de grãos, cenário que amplia a demanda por tecnologias aplicadas à eficiência operacional no campo.





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Commodities agrícolas sobem em semana de ajustes


O mercado agrícola internacional encerrou a semana com valorização em parte relevante das commodities, sustentado por preocupações climáticas, ajustes de posições e incertezas sobre a oferta em diferentes cadeias. Segundo o Rabobank, nos sete dias encerrados em 12 de maio de 2026, o índice S&P GS AG avançou 2,0% na comparação semanal, com altas em cacau, trigo, soja, farelo de soja e algodão compensando perdas em óleo de palma, boi gordo, açúcar, óleo de soja e suínos.

No conjunto dos produtos agrícolas, os agentes não comerciais venderam 85.070 lotes líquidos, reduzindo a posição comprada líquida para 518.688 lotes. O movimento ocorreu apesar do avanço do índice no período e refletiu ajustes de exposição em um ambiente de sinais mistos entre as principais commodities.

O destaque da semana foi o cacau negociado na ICE de Nova York, que subiu 12,6%. A valorização refletiu preocupações com a próxima safra principal da África Ocidental, além dos efeitos associados ao El Niño e ao aumento dos preços dos fertilizantes. O Rabobank também apontou que a cobertura de posições vendidas ajudou a impulsionar as cotações, com movimentos fortes em meio à incerteza sobre os fundamentos. Os fundos geridos compraram 2.867 lotes líquidos, ficando com posição vendida líquida de 13.969 lotes.

O trigo em Chicago avançou 8,2%, sustentado por temores de piora nas condições do trigo de inverno, diante de temperaturas congelantes e clima seco. As expectativas de menor produção no Hemisfério Sul também deram suporte aos preços. Ainda assim, os fundos geridos venderam 9.120 lotes líquidos, ampliando a posição vendida líquida para 19.023 lotes.

No café arábica negociado na ICE, a alta foi de 3,3%, embora o Rabobank tenha indicado pressão geral sobre os preços por projeções baixistas para a safra brasileira e expectativas de superávit. Breves recuperações ligadas a interrupções logísticas não impediram novas pressões macroeconômicas. Os fundos geridos venderam 6.007 lotes líquidos, mantendo posição comprada líquida de 25.028 lotes.

 





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Investigação dos EUA sobre prática comercial do Brasil não pode ser teatro…


Logotipo Reuters

Por Bernardo Caram

17 Abr (Reuters) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira que a investigação aberta pelos Estados Unidos para analisar práticas comerciais do Brasil com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana, “não pode servir como um mero teatro” para validar a imposição de tarifas.

Em entrevista à imprensa em Washington, onde participa das “reuniões de primavera” do FMI-Banco Mundial, Durigan disse esperar que todos os pontos levantados pelo governo do país norte-americano e respondidos pelo Brasil sejam devidamente considerados.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) abriu em julho do ano passado uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, citando temas como o Pix, desmatamento ilegal, proteção insuficiente à propriedade intelectual e decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo big techs.

Como mostrou a Reuters, o governo do Brasil fez reunião com membros do USTR sobre o Pix em Washington nesta semana e autoridades brasileiras avaliaram a conversa como produtiva, mas apontaram que persiste a percepção de que, independentemente disso, o tema pode ser usado pela administração do presidente Donald Trump para justificar a imposição de tarifas.

Na entrevista, Durigan disse que não tratou do tema da Seção 301 nas “duas ou três” reuniões nesta semana nas quais encontrou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ressaltando que discutiu pautas relacionadas a inteligência artificial, stablecoins (moedas digitais lastreadas a ativos reais) e cooperação internacional.

MINERAIS CRÍTICOS

O ministro afirmou que deve debater ainda nesta sexta-feira, com países do G7, temas relacionados a minerais críticos. Ele disse que o Brasil tem interesse em ampliar parcerias nessa área, mas rejeitou hipótese de o país apenas exportar esses insumos sem tratamento a países desenvolvidos.

“O que nos importa é que a gente garanta algum adensamento, alguma tecnologia no Brasil”, disse.

Em relação às medidas adotadas pelo Brasil para mitigar efeitos da guerra no Irã, Durigan afirmou que as ações podem eventualmente não ser prorrogadas em maio caso o conflito seja encerrado, mas ponderou que ainda há elevada incerteza sobre o tema.

Ele acrescentou que o governo brasileiro passará a ter uma “integração semanal” com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial para que as ações de enfrentamento aos efeitos da guerra sejam tomadas pelo país com base na experiência internacional.

Na entrevista, o ministro se posicionou contra uma eventual classificação, pelos EUA, de organizações criminosas que atuam no Brasil como terroristas. Para ele, embora perigosos, esses grupos “não se tratam de organizações terroristas”.

“O que eu tenho dividido, inclusive com os norte-americanos, foi o sucesso do anúncio da semana passada da ampliação da parceria da Receita Federal com a aduana norte-americana, e acho que isso pode ajudar mais do que botar um rótulo”, disse.

Durigan ainda afirmou que o plano do governo para renegociação de dívidas de famílias e empresas está pronto para ser anunciado. Ele disse que o pacote não envolverá gasto primário do Tesouro Nacional e ressaltou que o governo vai “mobilizar a garantia”, mas não explicou como isso seria feito sem impactar as contas públicas.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)





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Exportação ao Golfo recua em abril e no acumulado; agro segue ‘no azul’


Vendas aos países árabes da região caem 24,99% no mês, acumulam perdas de 0,67% sobre 2025 e agro ainda avança 1,97%

As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, registraram em abril o segundo recuo do ano com o conflito no Oriente Médio. No mês, as receitas recuaram 24,99%, para US$ 455,54 milhões, sobre abril do ano passado. No acumulado do ano houve queda de 0,67%, com total de US$ 2,82 bilhões, segundo levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, com base em dados do Governo Federal.

De acordo com a entidade, apesar do recuo, os números indicam que a demanda no CCG ainda é relevante, mesmo com o aumento dos custos logísticos provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que elevou despesas com fretes e seguros, além de impor a necessidade de transbordos rodoviários e aéreos por milhares de quilômetros.

“Os exportadores encontraram soluções logísticas para colocar seus produtos na região, ainda que a custos maiores. E os mercados árabes, mesmo nessa situação, ainda geram receitas expressivas, especialmente nas categorias do agronegócio, das quais dependem para a segurança alimentar de suas populações”, afirma Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

As vendas de produtos agropecuários para o CCG ainda estão no azul, acumulando alta no ano de 1,97%, ou US$ 1,76 bilhão, com frango, açúcar, carne bovina, milho e café na dianteira da pauta exportadora. Os dados mostram perdas em categorias importantes que foram, no entanto, contrabalançadas por avanços em outros produtos.

As exportações de frango acumulam queda de 5,98%, para US$ 791,19 milhões. Apesar disso, o Catar, que possui portos apenas no Golfo, ampliou as compras do produto em 13,82%, para US$ 70,29 milhões, recorrendo a portos sauditas no Mar Vermelho, ao transporte por caminhões e a aviões para manter o fluxo comercial. 

As vendas de açúcar cresceram 28,74% entre janeiro e abril, para US$ 442,59 milhões, com os principais avanços registrados na Arábia Saudita, onde a alta foi de 46,35%, e em Omã, com embarques de açúcar brasileiro saltando 6.332,27% no período, mesmo com parte dos portos do país afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.

A carne bovina segue com desempenho positivo no quadrimestre, avançando 28,77%, para US$ 219,30 milhões, e crescimento em todos os mercados do CCG. Em abril, no entanto, os números mostram uma desaceleração dos embarques, com as receitas recuando 46,90% em relação a março, num claro sinal de reversão de tendência.

O milho, em abril, registrou recuperação. Após embarques praticamente inexistentes em março, as vendas do grão somaram US$ 11,80 milhões no mês passado, acumulando no ano alta de 11,69%, totalizando US$ 73,01 milhões, com vendas impulsionadas sobretudo por negócios com o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos.

O café acumula alta de 58,50% no quadrimestre, com vendas de US$ 64,67 milhões. Os maiores aumentos foram vistos nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita e em Omã, em meio a um movimento que parece ter sido de recomposição de estoques.





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Centro-Sul registra alta na produtividade da cana


A produtividade da cana-de-açúcar no Centro-Sul cresceu 13% em abril, segundo dados divulgados pelo CTC – Centro de Tecnologia Canavieira, em Piracicaba (SP), nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. A média passou de 73,8 toneladas por hectare na safra 2025/26 para 83,4 t/ha em 2026/27, resultado que pode influenciar o ritmo de moagem e o planejamento das usinas na região.

De acordo com levantamento do CTC – Centro de Tecnologia Canavieira, a produtividade média da cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou 83,4 toneladas por hectare em abril. O resultado representa avanço de 13% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando a média registrada foi de 73,8 toneladas de cana por hectare.

Os dados fazem parte do Boletim de Olho na Safra, elaborado com informações da Plataforma de Benchmarking do CTC. Além do ganho em produtividade, a qualidade da matéria-prima apresentou variação positiva no período.

Segundo dados divulgados pelo CTC – Centro de Tecnologia Canavieira, o ATR, indicador que mede a quantidade de Açúcar Total Recuperável por tonelada de cana, subiu 0,5%. O índice passou de 112,1 kg ATR/t na safra 2025/26 para 112,6 kg ATR/t em 2026/27.

O aumento da produtividade da cana no Centro-Sul ocorre em um momento estratégico para o setor sucroenergético, já que abril marca o início de atividades relevantes da safra em importantes polos produtores. Com maior volume médio por hectare e leve melhora no ATR, usinas e produtores podem ajustar expectativas sobre moagem, rendimento industrial e oferta de matéria-prima ao longo da temporada.

O desempenho, no entanto, ainda depende da continuidade das condições de campo e da evolução dos indicadores nos próximos meses da safra 2026/27.

A alta de 13% na produtividade da cana sinaliza um início mais favorável para a região Centro-Sul frente ao mesmo período da safra anterior. Para o setor, o dado reforça a importância do acompanhamento técnico da safra, especialmente em um cenário no qual produtividade agrícola e qualidade industrial são decisivas para a rentabilidade das unidades produtoras.





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