sábado, julho 25, 2026

Política & Agro

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Dívida rural pode dobrar no RS, alerta Farsul


A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul defendeu nesta quinta-feira (21) um conjunto de 12 medidas consideradas estruturais para a securitização da dívida rural em debate no Congresso Nacional. Em carta pública, a entidade, que propõe medidas relacionadas ao PL 5.122, afirmou que o estoque de dívidas em situação crítica no campo gaúcho já soma R$ 171 bilhões e pode dobrar nos próximos 12 meses.

Entre os principais pontos apresentados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul estão a definição de um teto de juros equivalente à taxa neutra do Banco Central, atualmente estimada em 8,5% ao ano, além de prazo mínimo de 15 anos para pagamento e período de carência antes da primeira parcela. Para a entidade, juros em patamares de dois dígitos tornam inviável uma securitização sustentável, enquanto prazos menores acabam comprometendo o fluxo de caixa do produtor rural.

A Federação também defende que a proposta contemple dívidas fora do sistema financeiro tradicional, incluindo operações realizadas junto a cooperativas de grãos, revendas de insumos e cerealistas. Outro ponto defendido é a inclusão das chamadas operações “mata-mata”, quando produtores contrataram novos financiamentos para quitar dívidas anteriores. Segundo a entidade, a data de corte para enquadramento deve ser fixada, no mínimo, em 30 de abril de 2026, abrangendo ainda renegociações realizadas por meio da MP 1.314, que somam mais de R$ 39 bilhões em recursos livres.

Sobre as fontes de financiamento para a medida, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul afirmou que não possui preferência por um mecanismo específico, mas defende que a solução tenha caráter estrutural. O Fundo Social do Pré-Sal é citado pela entidade como uma alternativa adequada. “Anúncios superlativos com recursos que não se materializam não são política pública – são gestão de expectativas”, registra o documento.

Prestes a completar 100 anos — a Federação foi fundada em 1927 —, a entidade afirma que os 12 pilares apresentados são resultado de “décadas de acompanhamento técnico” e sustenta que cada um deles “foi testado em crises anteriores”. Segundo a carta, o atual cenário de endividamento é consequência de “crises climáticas sem precedentes” que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos anos, com sucessivos episódios de estiagem e enchentes.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul declarou ainda que permanece “aberta ao diálogo e à negociação” e direcionou apelos a parlamentares e à sociedade. “Estamos às vésperas de uma solução definitiva; contamos e precisamos de vocês”, afirma o documento. Em outro trecho, a entidade conclui: “O campo não pede privilégio; pede condição”.





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Safra de arroz confirma alta produtividade


A colheita do arroz está tecnicamente concluída no Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pela Emater/RS-Ascar. O avanço dos trabalhos foi favorecido pela sequência de dias secos e pelas boas condições de trafegabilidade nas áreas produtoras. Restam apenas lavouras pontuais de ciclo tardio em fase final de colheita.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, a safra confirmou altos níveis de produtividade na maior parte do Estado, embora algumas áreas semeadas fora da janela preferencial ou afetadas por eventos climáticos ao longo do ciclo tenham registrado redução de rendimento.

Nas áreas já colhidas, produtores iniciaram operações de manejo pós-colheita, incluindo a incorporação de resteva para acelerar a decomposição da palhada. Em algumas localidades, ainda há dificuldades de acesso interno às lavouras em razão das chuvas intensas registradas no início de maio.

Segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz, a área cultivada com arroz no Estado alcançou 891.908 hectares. A produtividade média projetada pela Emater/RS-Ascar é de 8.744 quilos por hectare.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o predomínio de tempo firme permitiu o avanço e a conclusão da colheita em diversos municípios. Em Quaraí, as lavouras mais tardias reduziram a produtividade média final para 8.840 quilos por hectare, abaixo da expectativa inicial de 9.179 quilos por hectare. Em Maçambará, a colheita foi encerrada com produtividade média de 9.000 quilos por hectare, alta de 4,08% em relação à projeção inicial. Em São Borja, os rendimentos também ficaram próximos de 9.000 quilos por hectare. Já em São Gabriel, menos de 1% dos 25.800 hectares cultivados ainda aguardam colheita, e há registros pontuais de dificuldades de acesso às áreas devido às chuvas torrenciais registradas em 1º de maio.

Na região de Pelotas, a colheita está praticamente finalizada, restando apenas áreas pontuais no município de Tavares. A produtividade média regional está estimada em 9.647 quilos por hectare, conforme levantamento da Emater/RS-Ascar.

Na regional de Santa Maria, a colheita foi concluída, confirmando uma safra de elevado rendimento, com produtividade média próxima de 8.000 quilos por hectare. Em São João do Polêsine, a produtividade média final atingiu 8.500 quilos por hectare. Nas áreas já colhidas, produtores realizam a incorporação da resteva para acelerar a decomposição da palhada.

Na região de Soledade, o predomínio de tempo firme ao longo da semana também possibilitou a finalização da colheita do arroz, segundo a Emater/RS-Ascar.





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Produção de laranja perde força em 2026/27


A safra de laranja 2026/27 no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro deve alcançar 255,2 milhões de caixas, o que representa retração de 12,9% em relação ao ciclo anterior, quando foram produzidas 292,9 milhões de caixas. Os dados constam no relatório de acompanhamento da safra divulgado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, com informações do Fundo de Defesa da Citricultura.

Segundo o levantamento, mesmo com crescimento de 1,1% na área produtiva, que chegou a 366 mil hectares, a produtividade média caiu 13,8%, ficando em 697 caixas por hectare. A redução é atribuída às condições climáticas irregulares registradas em 2025, marcadas por estiagem entre maio e setembro e temperaturas elevadas, fatores que prejudicaram a primeira florada. O avanço do greening também contribuiu para o recuo da produção.

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, as chuvas registradas entre outubro de 2025 e março de 2026 favoreceram a segunda florada. Ainda assim, essa etapa passou a representar 56% da produção total, ante 70% no ciclo anterior, tornando a safra mais tardia e mais suscetível a perdas até o período de colheita.

O relatório aponta diferenças expressivas entre as regiões produtoras. O Norte lidera a produção, com estimativa de 71,2 milhões de caixas e produtividade média de 812 caixas por hectare, impulsionado principalmente pelo uso de irrigação. No Sudoeste, a produção deve cair 29,4%, enquanto o Sul registra o menor rendimento médio, com 545 caixas por hectare. Já o Noroeste apresenta perspectiva de crescimento de 35,2% na produção e avanço de 28,6% na produtividade, resultado associado à melhor adaptação hídrica e à ampliação da irrigação.

Entre as variedades cultivadas, as maiores quedas são esperadas nos grupos tardios. A variedade Natal deve registrar retração de 33,5%, enquanto Valência/Folha Murcha deve cair 22,8%. Segundo o relatório, o desempenho é impactado pelo avanço do greening e pelos efeitos da colheita tardia. Em contrapartida, variedades precoces apresentam maior resistência, com previsão de crescimento de 2,4% para Hamlin, Westin e Rubi, além de alta de 9,1% para o grupo de outras precoces.

O levantamento também indica aumento da taxa de queda projetada para 23,7% e perda total de frutos estimada em 31,3%, cenário que amplia a preocupação com o agravamento fitossanitário dos pomares e os desafios para manter a produtividade nas próximas safras. Além disso, a possibilidade de formação do fenômeno El Niño pode provocar chuvas irregulares, elevando o nível de incerteza para a consolidação da safra.





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Exportação de carne bovina cresce 15% no ano



Paraná sente impacto das geadas nas pastagens



Foto: Pixbay

O Brasil exportou mais de 953 mil toneladas de carne bovina no primeiro quadrimestre de 2026, volume 15% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 30% acima do resultado de 2024. Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, com base em análise quinzenal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

Segundo o levantamento, a China segue como principal destino da carne bovina brasileira. O volume adquirido pelo mercado chinês apresentou crescimento de quase 20% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2025, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.

Na B3, a arroba do boi gordo continua em movimento de correção, influenciada pela maior disponibilidade de animais para os frigoríficos neste período do ano. Cotada a R$ 344,80, a arroba acumula queda de 2,72% ao longo do mês.

No Paraná, o frio e a ocorrência de geadas nas últimas semanas afetaram a produtividade das pastagens em algumas regiões do Estado. Atualmente, o boi gordo é comercializado, em média, por R$ 343 no mercado paranaense, conforme o boletim do Departamento de Economia Rural.

 





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Rússia envia a primeira carga de trigo ao Irã via Mar Cáspio em anos


Logotipo Reuters

MOSCOU, 17 Abr (Reuters) – A Rússia enviou trigo ao Irã pelo Mar Cáspio, pela primeira vez em anos, no primeiro trimestre de 2026, mostraram dados nesta sexta-feira, à medida que o lago salgado ganha importância como rota comercial entre os dois países devido à guerra no Oriente Médio.

O Irã já vinha recebendo cevada e milho russos pelo Mar Cáspio, mas o trigo estava sendo enviado dos portos do Mar Negro do país para os principais terminais de grãos do Irã no Estreito de Ormuz.

Os dados da unidade de controle de qualidade de grãos do Ministério da Agricultura mostraram que, nos primeiros três meses do ano, a Rússia enviou 500 mil toneladas métricas de milho para ração, 180 mil de cevada para ração e mais de 4 mil toneladas de trigo de grau alimentício de seus portos do Mar Cáspio para o Irã, o terceiro maior comprador de trigo russo nesta temporada.

“Os portos do Mar Cáspio não exportam trigo há mais de oito anos, todo o fluxo havia sido direcionado para o Mar Negro, para Novorossiysk”, disse Alexander Sharov, chefe da consultoria RusIranExpo.

Em março, a Rússia exportou 300.000 toneladas de grãos pelo Mar Cáspio, em comparação com quase nenhum embarque em março de 2025, quando havia restrições de exportação para cevada e milho, de acordo com dados de embarque de fontes do setor divulgados esta semana.

Os dados do Ministério da Agricultura mostraram que os embarques de grãos da região de Astrakhan aumentaram 61%, para 730.000 toneladas no primeiro trimestre. As remessas foram destinadas principalmente ao Irã.

A Rússia, o maior exportador de trigo do mundo, vem aprimorando sua logística de exportação do Mar Cáspio nos últimos anos, visando também os mercados dos países do Golfo Pérsico, Iraque e Afeganistão.

Ela opera três portos de grãos no Mar Cáspio, dois em Astrakhan e um em Makhachkala, com uma capacidade combinada de pelo menos 3 milhões de toneladas. Um novo terminal de 1,5 milhão de toneladas em Makhachkala deve entrar em operação em 2028.

(Reportagem de Olga Popova)





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Plano de saúde do solo leva análise contínua para propriedades rurais


A ideia pode soar curiosa em um primeiro momento. Afinal, a gente já conhece o plano de saúde para humanos. Nos últimos anos, virou rotina também para pets. Mas agora o conceito chegou ao campo e colocou o solo no centro da conversa.

Em um momento em que produtividade, rastreabilidade e sustentabilidade caminham juntas, o monitoramento da saúde do solo começa a ganhar um formato mais contínuo, conectado e estratégico. E foi justamente dessa lógica que surgiu o Soil Healthcare, iniciativa lançada pelo IBRA Megalab, que propõe transformar a análise de solo em um acompanhamento recorrente, parecido com a lógica de um plano de saúde.

A proposta nasce em meio a um gargalo importante do agro brasileiro. Segundo estimativas do setor, o Brasil possui um déficit de cerca de 8 milhões de análises de solo por ano, mercado que representa aproximadamente R$ 1 bilhão em potencial para laboratórios especializados.

O ponto a ser refletido, é que o impacto da falta de análise vai muito além de um simples exame que deixou de ser feito. Sem diagnóstico adequado, o produtor pode aplicar fertilizantes em excesso, corrigir áreas sem necessidade ou até deixar de identificar limitações químicas e físicas do solo que reduzem a produtividade. Estudos agronômicos mostram que falhas no manejo nutricional e na correção do solo podem provocar perdas expressivas de rendimento e eficiência no uso de fertilizantes, especialmente em culturas de alta exigência nutricional.

No campo, o solo funciona quase como um “prontuário silencioso” da safra. Ele registra histórico de manejo, compactação, fertilidade, matéria orgânica, retenção de água e, mais recentemente, carbono.

Foi observando essa mudança de cenário que surgiu a ideia do programa. “O plano de saúde do solo surgiu para trazer de forma mais simplificada o acesso ao diagnóstico e ao monitoramento da saúde do solo. A gente enxergou que ainda existe um gap muito grande de análise de solos no Brasil e que muitos produtores acabam não se beneficiando dessas informações por não terem um acesso mais facilitado”, afirma Thiago Camargo, sócio-diretor do IBRA Megalab.

Do satélite ao laboratório

O programa funciona integrado a um ecossistema que conecta monitoramento remoto, empresas de amostragem, análises laboratoriais e engenheiros agrônomos cadastrados em diferentes regiões do Brasil.

A lógica lembra mesmo os níveis de cobertura de um plano de saúde tradicional. Na prática, o produtor pode contratar desde um plano mais básico, focado em monitoramento e indicadores estratégicos, até pacotes mais avançados, que incluem coleta georreferenciada, interpretação técnica e construção de estratégias para aumento de carbono no solo.

No pacote inicial, chamado Soil Healthcare Essential, o acompanhamento já inclui monitoramento via satélite, indicadores de vigor vegetativo, dashboard digital da propriedade e métricas relacionadas ao estoque de carbono da área. Mesmo no plano mais básico, o produtor já consegue acessar parâmetros estratégicos para tomada de decisão e rastreabilidade da propriedade.

Conforme o nível avança, entram análises laboratoriais completas, histórico evolutivo por talhão, planejamento de amostragem e suporte agronômico remoto contínuo. 

Além do trabalho preventivo, a proposta também atua de forma corretiva. Caso o monitoramento identifique limitações produtivas ou desequilíbrios nutricionais, a rede de engenheiros agrônomos conectada ao programa auxilia na interpretação técnica e nas recomendações de manejo.

Mas aí você pode estar se perguntando: isso é para o Brasil todo ou só para áreas mais tradicionais na produção de grãos como no centro-oeste e sul do país? A resposta dada pelo executivo é clara. “Há mais de 45 anos o IBRA está no mercado, então a gente tem uma atuação nacional. O produtor que tem uma área no Goiás e também uma área no Paraná ou, eventualmente, em qualquer outra região do Brasil, ele tem acesso a todas essas informações, trazendo métricas de sensoriamento remoto e diagnósticos feito em cada uma dessas áreas, de uma forma consolidada para acompanhar o desempenho da saúde do solo, tudo isso com maior resiliência climática.

Carbono entra no radar da fazenda

Mas talvez uma das palavras que mais chamou a atenção durante a apresentação do projeto para a imprensa, na sede da empresa em Sumaré (SP), foi a palavra “carbono”.

Nos últimos anos, o mercado global passou a olhar com mais atenção para práticas agrícolas ligadas à regeneração do solo, redução de emissões e captura de carbono. Na prática, isso significa que a saúde do solo deixou de ser apenas uma questão agronômica e passou também a fazer parte da agenda financeira e comercial do agro.

Empresas, indústrias, tradings, bancos e mercados consumidores têm ampliado exigências ligadas à rastreabilidade e sustentabilidade das cadeias produtivas. O próprio mercado de carbono vem acelerando discussões globais sobre mensuração, monitoramento e comprovação ambiental. 

Segundo estudos recentes sobre oportunidades para o Brasil no mercado de carbono, o país aparece como um dos protagonistas potenciais da economia de baixo carbono, especialmente pela força do agro e pela capacidade de gerar soluções ligadas à conservação e manejo sustentável. A regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), aprovada em 2024, também colocou o tema de vez no radar das empresas e do setor produtivo. 

Dentro do Soil Healthcare, uma das frentes é justamente estimar e acompanhar indicadores relacionados ao carbono da propriedade. “Hoje compradores já exigem parâmetros ligados ao carbono e à agricultura sustentável. O produtor não quer apenas mostrar que deixou de emitir carbono, mas também que está sequestrando carbono no solo. Isso agrega valor à produção. E com o avanço do sensoriamento remoto e metodologias reconhecidas internacionalmente, conseguimos trazer essa mensuração de forma mais prática, escalável e econômica para o produtor rural”, destaca Thiago Camargo.

A lógica funciona quase como um histórico clínico da fazenda. Quanto mais informações registradas ao longo dos anos, maior a capacidade de demonstrar evolução da área, práticas sustentáveis e indicadores técnicos que podem futuramente dialogar com programas ambientais, rastreabilidade e até projetos ligados ao mercado de carbono.

 





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Boi gordo fecha semana com queda em São Paulo



Novilha e boi China recuam em São Paulo



Foto: Divulgação

O mercado do boi gordo encerrou a semana com queda nas cotações em praças paulistas, segundo análise divulgada nesta sexta-feira (22) no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. De acordo com a consultoria, o aumento da oferta de animais permitiu aos frigoríficos alongarem as escalas de abate e adotarem uma posição mais confortável nas negociações, abrindo espaço para tentativas de compra em valores menores. O avanço do mês também dificultou o escoamento da carne bovina no mercado interno, pressionando parte das categorias.

Nas praças paulistas, a cotação do boi gordo e da vaca permaneceu estável. Já a novilha registrou recuo de R$ 3,00 por arroba, enquanto o chamado “boi China” teve queda de R$ 2,00 por arroba. As escalas de abate estavam, em média, programadas para nove dias, conforme levantamento da Scot Consultoria.

No Mato Grosso, após a queda observada na quinta-feira (21) em todas as regiões do estado, os preços recuaram apenas na região Norte nesta sexta-feira. Segundo a análise, o boi gordo e a novilha tiveram desvalorização de R$ 3,00 por arroba. As escalas de abate no estado atendiam, em média, entre sete e 10 dias.

No Acre, a pressão baixista também atingiu o mercado pecuário. A cotação do boi gordo caiu R$ 2,00 por arroba, enquanto as fêmeas registraram queda de R$ 3,00 por arroba, conforme o informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria.





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Geadas aceleram corte do milho silagem no Rio Grande do Sul



Frio impacta qualidade do milho para silagem



Foto: Agrolink

A colheita do milho destinado à silagem no Rio Grande do Sul chegou a 97% da área cultivada e se aproxima da conclusão, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pela Emater/RS-Ascar. Restam apenas áreas de segunda safra em fase de maturação.

De acordo com o levantamento, as geadas registradas nas últimas semanas anteciparam o corte de parte das lavouras e levaram produtores a destinarem áreas inicialmente voltadas à produção de grãos para a ensilagem. A Emater/RS-Ascar informou que, em alguns casos, o material colhido apresentou menor qualidade bromatológica em razão da perda de área foliar e da dessecação precoce das plantas.

Nas áreas de cultivo tardio, as baixas temperaturas também aceleraram o encerramento do ciclo das lavouras. Com isso, produtores optaram por antecipar a colheita para preservar o valor nutricional da forragem destinada à alimentação animal.

A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta área cultivada de 345.299 hectares, com produtividade média projetada em 37.840 quilos por hectare.

Na região administrativa de Erechim, a colheita alcançou 97% da área cultivada, com produtividade média de 44.100 quilos por hectare de massa verde. Segundo o informativo, as lavouras de safrinha foram severamente afetadas pelas geadas registradas no período.

Já na região de Santa Rosa, as baixas temperaturas e o risco de novas geadas levaram parte dos produtores a antecipar o corte das lavouras, mesmo com níveis elevados de umidade, em uma tentativa de reduzir perdas na qualidade da silagem.





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Excesso de chuva impacta lavouras de canola


O plantio de canola avança dentro da janela preferencial de semeadura no Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pela Emater/RS-Ascar. As lavouras implantadas estão, principalmente, nas fases de germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial. Nas áreas mais precoces, as plantas já ingressaram no estágio de roseta, período em que produtores realizam adubação nitrogenada em cobertura e manejo de plantas daninhas.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, as chuvas registradas em 1º de maio, que haviam reduzido o ritmo operacional da semeadura, também causaram problemas de estabelecimento em parte das áreas recém-implantadas. Em algumas lavouras, o excesso de umidade provocou selamento superficial e formação de crosta no solo, comprometendo a emergência das plantas e a uniformidade do estande.

O levantamento aponta ainda uma tendência de expansão da área cultivada com canola no Estado, impulsionada pela busca dos produtores por alternativas mais atrativas economicamente em comparação aos cereais tradicionais de inverno.

A área cultivada em 2026 ainda está sendo levantada pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, conforme dados do IBGE, foram cultivados 174.394 hectares de canola no Rio Grande do Sul, com produtividade média de 1.653 quilos por hectare e produção total de 285.481 toneladas.

Na região administrativa de Bagé, o tempo seco favoreceu a semeadura, especialmente na Fronteira Oeste, onde a colheita antecipada da soja permitiu a liberação mais rápida das áreas. Em Maçambará, algumas lavouras apresentam estande abaixo do ideal devido às chuvas intensas registradas entre abril e o início de maio. Também seguem as aplicações de herbicidas para o controle de azevém nas áreas já estabelecidas.

Na região de Ijuí, a Emater/RS-Ascar observa tendência de aumento expressivo da área cultivada. A semeadura alcança cerca de 60% da área projetada, com predominância de lavouras em germinação e emergência. As primeiras áreas implantadas já estão em estágio de roseta e recebem adubação nitrogenada e manejo de plantas daninhas.

Em Santa Rosa, a semeadura atingiu 48% da área prevista. O avanço dos trabalhos depende das condições de umidade do solo, embora ainda esteja dentro da janela recomendada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Segundo o informativo, os elevados volumes de chuva registrados no início de maio, especialmente em Bossoroca, onde foram acumulados 130 milímetros, causaram selamento superficial e formação de crosta no solo, comprometendo a emergência das plantas, provocando desuniformidade no estande e exigindo replantio pontual em algumas áreas.





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Bactérias encontradas na macadâmia podem gerar bioinsumos contra doenças da cultura


Pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual Paulista, em parceria com a QueenNut e a Embrapa Meio Ambiente, identificaram que duas bactérias naturalmente associadas à macadâmia — Serratia ureilytica e Bacillus subtilis — apresentam potencial para o controle de doenças que atingem a parte aérea da planta. Problemas nas flores e no caule comprometem a produtividade, reduzem a vida útil dos pomares e afetam a rentabilidade da cultura, que vem ampliando espaço no mercado brasileiro. Os estudos avançam agora para o desenvolvimento de bioinsumos à base desses microrganismos.

A identificação e o isolamento dessas bactérias representam um avanço nas pesquisas voltadas ao controle biológico de dois dos principais problemas sanitários da macadâmia no Brasil: a queima dos racemos, estruturas que agrupam as flores em forma de cacho, e a podridão do tronco.

Os resultados integram a tese de doutorado de Marcos Abreu, desenvolvida na Universidade Estadual Paulista, sob orientação do pesquisador Bernardo Halfeld, da Embrapa Meio Ambiente. As pesquisas surgiram a partir de um levantamento iniciado em 2018 e divulgado pela Embrapa em 2024, que mapeou as principais doenças presentes em plantios comerciais de macadâmia na principal região produtora do país.

De acordo com Abreu, o diagnóstico foi considerado um marco para a cadeia produtiva por reunir, pela primeira vez, informações organizadas sobre os principais patógenos da cultura no Brasil. A partir desse cenário, os pesquisadores passaram a buscar alternativas de manejo mais sustentáveis e alinhadas às exigências de mercados consumidores atentos à redução do uso de agroquímicos.

Segundo Halfeld, o controle de doenças da parte aérea é um dos principais desafios do manejo sanitário da macadâmia. “Os resultados mostram que microrganismos naturalmente associados à cultura são capazes de reduzir os danos causados por doenças importantes e contribuir para um sistema de produção mais profícuo, resiliente e sustentável”, afirma.

Um dos estudos teve foco na queima dos racemos, causada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum. A doença afeta diretamente as estruturas florais da macadâmia e compromete a formação dos frutos. Em condições favoráveis ao fungo, as perdas podem ser significativas.

Os pesquisadores buscaram alternativas biológicas utilizando bactérias naturalmente presentes no ambiente da cultura. A proposta foi utilizar a própria microbiota da macadâmia como aliada no combate ao patógeno.

Foram obtidos 104 isolados bacterianos das flores, sem direcionamento para gêneros específicos, avaliados quanto à capacidade de inibir o desenvolvimento do fungo. Entre os materiais mais promissores, destacaram-se Serratia ureilytica e Bacillus subtilis pelo potencial de reduzir a incidência da doença nas flores e a esporulação do patógeno.

A redução da produção de esporos é considerada estratégica porque interfere diretamente na disseminação da doença dentro do pomar. Na prática, isso significa diminuir os sintomas nas flores e limitar a capacidade do fungo de provocar novas infecções.

Os cientistas também observaram que o efeito benéfico promovido pelos microrganismos ocorre por diferentes mecanismos simultaneamente. Entre eles estão a produção de compostos antifúngicos voláteis e não voláteis e a competição por nutrientes, fatores que interferem diretamente no desenvolvimento do fungo causador da doença. Segundo os pesquisadores, essa combinação de mecanismos amplia o potencial de controle.

Outro aspecto considerado estratégico é o fato de as bactérias serem nativas da própria cultura. Como já estão adaptadas aos órgãos da macadâmia, apresentam maior capacidade de sobrevivência e atuação em condições reais de campo. “Trata-se de uma abordagem bastante promissora porque utiliza microrganismos naturalmente presentes na planta como ferramenta de proteção da própria cultura”, ressalta Abreu.

Os testes também indicaram que a maioria das bactérias apresentou compatibilidade com defensivos agrícolas utilizados na cultura, demonstrando potencial para aplicação em programas de manejo integrado de doenças. A única restrição observada foi em relação ao uso de cobre, ao qual Serratia ureilytica apresentou sensibilidade.

O segundo estudo concentrou-se na podridão do tronco, causada pelo fungo Lasiodiplodia pseudotheobromae. Considerada uma das doenças mais severas da macadâmia, ela provoca lesões em tecidos lenhosos, morte de ramos e, em situações mais graves, perda completa da planta.

Nesse trabalho, os pesquisadores avaliaram o potencial de diversas bactérias, com destaque para espécies do gênero Bacillus, já conhecidas pela atuação no controle biológico de doenças.

Os experimentos foram conduzidos em mudas enxertadas, considerando diferentes combinações entre copa e porta-enxerto. O objetivo foi compreender o efeito das bactérias e sua interação com materiais vegetais de diferentes níveis de resistência genética.

Os resultados mostraram que espécies como Bacillus velezensis e Bacillus subtilis reduziram de forma significativa a severidade das lesões provocadas pelo fungo. As bactérias atuaram inibindo o desenvolvimento do patógeno por meio da produção de metabólitos antifúngicos.

Os pesquisadores também observaram que a combinação entre cultivar e porta-enxerto influencia diretamente os níveis de suscetibilidade à doença e o sucesso do controle biológico. Algumas combinações apresentaram menor severidade da podridão do tronco, indicando potencial para seleção de materiais mais resistentes e para ampliar a eficiência do biocontrole.

Para Luana Vieira, da Universidade Estadual Paulista, os resultados reforçam a importância de estratégias integradas de manejo, associando controle biológico, escolha adequada de materiais genéticos e boas práticas agronômicas.

Outro diferencial apontado pelos pesquisadores foi a confirmação do potencial de controle biológico diretamente em plantas, e não apenas em testes laboratoriais. Os ensaios realizados em casa de vegetação com mudas enxertadas aproximam os resultados das condições reais de produção, especialmente porque a doença pode causar a morte de plantas jovens com caule de pequeno diâmetro.

Segundo Halfeld, os resultados demonstram que o controle biológico pode atuar em diferentes órgãos da planta, como flores e caule, ampliando as possibilidades de uso de bioinsumos para o controle de doenças da parte aérea.

A análise conjunta dos estudos aponta um avanço para a macadamicultura brasileira. Pela primeira vez, os pesquisadores demonstraram de forma consistente o potencial do controle biológico contra doenças que atingem diferentes fases e estruturas da planta.

Enquanto a queima dos racemos afeta diretamente as flores e compromete a produção de frutos, a podridão do tronco reduz o estabelecimento de mudas em campo e diminui a longevidade dos pomares. A existência de microrganismos capazes de controlar doenças em diferentes órgãos da planta amplia as perspectivas de adoção em programas de manejo integrado.

Os trabalhos também reforçam a importância do uso de microrganismos nativos ou adaptados à cultura. Além de aumentar as chances de sucesso no campo, essa estratégia pode favorecer o desenvolvimento de bioinsumos mais específicos e eficientes para a macadâmia.

Outro ponto destacado é a possibilidade de integração entre controle biológico, manejo químico e resistência genética. Os estudos indicam que o manejo sanitário da cultura tende a evoluir para sistemas combinados, capazes de reduzir perdas com maior estabilidade e menor impacto ambiental.

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda existem etapas importantes antes da adoção comercial em larga escala. Entre os próximos desafios estão o desenvolvimento de formulações dos bioinsumos e a avaliação da viabilidade econômica da tecnologia.

Ainda assim, os cientistas avaliam que os estudos representam um passo importante para a construção de sistemas produtivos mais sustentáveis para a macadâmia. “A tendência é que o manejo de doenças evolua para abordagens integradas, combinando biologia, genética e práticas agronômicas. O controle biológico tem potencial para ocupar papel central nesse processo”, conclui Halfeld.

Com isso, a cadeia produtiva da macadâmia passa a contar com novas perspectivas para ampliar a produtividade, reduzir impactos ambientais e fortalecer a competitividade da cultura no Brasil.

Os resultados estão publicados em dois artigos:

– Efficacy of indigenous bacterial antagonists from the anthosphere of Macadamia integrifolia in controlling Cladosporium raceme blight – autores: Marcos Giovane Pedroza de Abreu, Luana Laurindo de Melo, Vanessa Rafaela de Carvalho (Universidade Estadual Paulista – Unesp), Leonardo Massaharu Moriya (QueenNut Macadâmia), Sonia Claudia do Nascimento de Queiroz e Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira (Embrapa Meio Ambiente).

– Biocontrol potential of stem blight in macadamia by Bacillus spp. in plantlets with different scion-rootstock combinations – autores: Marcos Giovane Pedroza de Abreu, Luana Laurindo de Melo, Vanessa Rafaela de Carvalho (Universidade Estadual Paulista – Unesp), Leonardo Massaharu Moriya (QueenNut Macadâmia) e Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira (Embrapa Meio Ambiente)





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