sábado, julho 25, 2026

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Margem do esmagamento sobe em Mato Grosso



Mato Grosso mantém ritmo forte na soja



Foto: Leonardo Gottems

De acordo com análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária nesta segunda-feira (25), a margem bruta de esmagamento da soja em Mato Grosso cresceu 5,79% em abril de 2026. O avanço foi impulsionado pela maior oferta de soja no estado, que pressionou os preços do grão, combinada à valorização do óleo e do farelo de soja. Com isso, a margem das indústrias fechou na média de R$ 694,12 por tonelada. Segundo o instituto, o cenário favoreceu a rentabilidade do setor e manteve o indicador entre os maiores níveis registrados para o período nos últimos cinco anos.

Apesar da margem positiva, o volume processado em abril de 2026 apresentou retração de 2,24% em comparação com março, totalizando 1,20 milhão de toneladas esmagadas. Conforme o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a redução foi reflexo de paradas programadas para manutenção em algumas indústrias instaladas no estado.

Por outro lado, no acumulado entre janeiro e abril de 2026, o esmagamento de soja em Mato Grosso alcançou 4,50 milhões de toneladas, volume 3,79% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O resultado demonstra continuidade do ritmo elevado de processamento da oleaginosa no principal estado produtor do país.

O levantamento também aponta que, nas três primeiras semanas de maio de 2026, a margem bruta da indústria recuou 7,22% em relação ao mesmo período de abril, ficando na média de R$ 650,33 por tonelada. De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o movimento foi pressionado pela queda nas cotações dos coprodutos da soja em Mato Grosso.





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Mapa lança sistema unificado para registro de agrotóxicos no Brasil


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou, nesta terça-feira (26), o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (Sispa), ferramenta criada para modernizar, dar mais transparência e aumentar a eficiência do processo de registro de agrotóxicos e afins no Brasil. 

A iniciativa atende às determinações da Lei nº 14.785/2023, que estabeleceu o Mapa como órgão registrante de agrotóxicos e afins, além de prever a adoção de protocolo único para os pedidos de registro e a criação do Sispa como sistema eletrônico integrado de tramitação e avaliação. O sistema foi desenvolvido em parceria com o setor privado, com participação de entidades como Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), que investiram mais de US$ 6 milhões no projeto, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). 

Durante o evento de lançamento, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou a importância da nova ferramenta. “Nós temos razões de sobra para celebrar esse momento. O Sispa tem como objetivo modernizar o registro dos defensivos agrícolas no Brasil. Nosso desafio diário é construir as condições para uma agricultura cada vez mais sustentável e competitiva”. 

O ministro ressaltou ainda que o sistema faz parte de um amplo esforço de transformação digital na defesa agropecuária. “Além do Sispa, alcançamos a marca de 100 mil certificados eletrônicos para produtos de origem vegetal. Tudo isso fortalece e moderniza nossa agricultura”, afirmou. 

O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, classificou o lançamento como um momento há muito aguardado tanto pelo setor público quanto pelo privado. “Essa modernização não diminui o rigor técnico nem os requisitos, mas traz eficiência administrativa. Reduz custos para a União e entrega soluções claras para todos os envolvidos. É um dia muito importante”, disse. 

Com a nova sistemática, os pedidos de registro passam a ser protocolados em um único ambiente eletrônico coordenado pelo Mapa. Antes, as empresas precisavam apresentar requerimentos separadamente ao Mapa, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela avaliação toxicológica, e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela avaliação ambiental. 

O Sispa permitirá a integração dos fluxos de análise entre os três órgãos federais responsáveis pela avaliação dos produtos, proporcionando maior agilidade, rastreabilidade e transparência em todas as etapas do processo. A plataforma também possibilitará a geração e disponibilização de informações relacionadas ao registro e ao comércio de agrotóxicos e afins. 

O diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Ruy Pereira, destacou que o Sispa representa mais do que um avanço tecnológico. “O Sispa simboliza a capacidade que temos no Brasil de fazer convergir os interesses e as ações de diferentes instituições para uma solução pública integrada, orientada pela eficiência, pela transparência e pelo interesse público”, afirmou. 

Ruy Pereira acrescentou que o sistema também fortalece a posição do Brasil em mercados exigentes, como o da União Europeia, ao reforçar a segurança e a governança regulatória dos defensivos agrícolas. 

Representando o IBA, o diretor-executivo da Abrapa, Márcio Portocarrero, enfatizou os ganhos esperados pelo setor produtivo. “A expectativa dos produtores é que o sistema permita encurtar prazos, ampliar a transparência, a eficiência e a efetividade dos processos. Também esperamos que os pedidos já ingressem de forma mais padronizada, reduzindo retrabalho e permitindo maior agilidade na chegada de novas moléculas ao mercado”, afirmou. 

Pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), Adalberto Maluf avaliou o lançamento como um marco para a governança ambiental. “O MMA considera o Sispa um marco e um avanço estratégico importante para fortalecer a governança ambiental regulatória. O sistema amplia a integração entre os órgãos envolvidos e aumenta significativamente a transparência e a previsibilidade dos processos”, disse. 

O diretor-presidente substituto da Anvisa, Leandro Safatle, ressaltou que o Sispa resolve uma demanda histórica de integração entre os órgãos responsáveis pelo registro. “Havia três sistemas distintos, com dificuldades de comunicação e pouca uniformidade nos fluxos processuais. O Sispa representa uma evolução importante ao integrar os processos de um dos maiores sistemas regulatórios do mundo, envolvendo mais de 300 empresas e cerca de mil produtos registrados anualmente”, afirmou. 

Com o novo sistema, todas as petições passam a ser feitas de forma unificada e exclusivamente eletrônica em uma única plataforma. As empresas poderão acompanhar em tempo real o andamento dos processos nos três órgãos, reduzindo o chamado “efeito pingue-pongue” de documentos. 

A implementação do Sispa reduz a duplicidade de procedimentos, amplia a integração entre os órgãos responsáveis e fortalece a gestão dos processos de registro de agrotóxicos e afins no país. 





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Safra de milho mantém boa perspectiva



Clima favorece colheita do milho



Foto: Canva

De acordo com análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária nesta segunda-feira (25), a colheita do milho da safra 2025/26 começou em Mato Grosso e, até o dia 22 de maio, alcançou 0,57% da área estimada em 7,39 milhões de hectares. Apesar do percentual ainda reduzido, o ritmo está 0,26 ponto percentual acima do registrado no mesmo período da safra anterior, indicando uma leve antecipação dos trabalhos no estado.

O levantamento aponta que a região Médio-Norte lidera o avanço da colheita, com 1,18% da área já colhida. Segundo os informantes consultados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a maior parte das lavouras apresenta bom desenvolvimento, principalmente nas áreas semeadas dentro da janela ideal de plantio, cenário que sustenta uma perspectiva positiva para a safra estadual.

Mesmo com o início das operações, a colheita ainda ocorre de forma pontual em Mato Grosso, já que grande parte das áreas segue aguardando o ponto ideal de maturação para intensificar os trabalhos no campo. O instituto destaca que o avanço mais consistente deve ocorrer nas próximas semanas, conforme as lavouras atinjam condições adequadas para a retirada dos grãos.

A expectativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária é de que a colheita ganhe ritmo a partir de junho. A previsão de baixos volumes de chuva nas próximas semanas deve favorecer o avanço das atividades nas diferentes regiões produtoras do estado.





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Chuvas elevam risco de cercospora no milho


A cercosporiose do milho, causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, segue entre as principais preocupações fitossanitárias das regiões produtoras de milho do Brasil em safras marcadas por chuvas frequentes e temperaturas amenas a quentes. A doença tem maior incidência em áreas do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente entre dezembro e junho, período em que a combinação de umidade elevada e molhamento foliar favorece epidemias. O manejo, segundo orientações técnicas de instituições como a Embrapa Milho e Sorgo, exige integração de estratégias como escolha de híbridos tolerantes, rotação de culturas, manejo de palhada, ajuste de época de semeadura e uso racional de fungicidas. O acompanhamento técnico por engenheiro(a) agrônomo(a) também é apontado como essencial para definir o momento correto de intervenção.

O avanço da cercosporiose está relacionado à intensificação dos sistemas de produção, principalmente em áreas com sucessão de culturas e semeaduras tardias. Em estados como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, o clima com temperaturas entre 20 °C e 28 °C e alta umidade relativa cria ambiente favorável para o fungo. O sistema de plantio direto, embora importante para conservação do solo, também contribui para a manutenção do inóculo na palhada de milho deixada na superfície.

A doença é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, que ataca principalmente as folhas e compromete a área fotossintética da planta. O patógeno sobrevive em restos culturais infectados e libera esporos em condições de umidade, disseminados pelo vento e por respingos de chuva. Após a infecção, surgem lesões que dão continuidade ao ciclo da doença ao longo da safra, especialmente em ambientes com folhas molhadas por longos períodos.

As condições climáticas exercem papel decisivo no desenvolvimento da cercosporiose. Temperaturas amenas a quentes, alta umidade relativa, excesso de sombreamento no dossel e sucessão de milho sobre milho elevam a pressão da doença. O uso de híbridos suscetíveis também acelera o avanço da epidemia nas lavouras.

A identificação correta da cercosporiose é considerada fundamental para o manejo integrado. Os sintomas incluem lesões alongadas que evoluem para manchas de coloração marrom-clara a cinza, geralmente alinhadas às nervuras das folhas. Em situações severas, ocorre queima intensa das folhas superiores, reduzindo diretamente a capacidade fotossintética da planta. Técnicos alertam que a doença pode ser confundida com outras manchas foliares, o que torna importante o diagnóstico especializado.

Os impactos na produtividade variam conforme a intensidade da doença e o estádio em que a infecção ocorre. Quando atinge folhas próximas à espiga durante o florescimento e enchimento de grãos, a cercosporiose pode reduzir significativamente o peso dos grãos e comprometer o rendimento final da lavoura. Estudos citados pela Embrapa e por universidades brasileiras indicam que, em áreas sem manejo adequado, as perdas podem gerar impactos econômicos relevantes.

Especialistas apontam que o manejo da doença em anos chuvosos deve considerar diferentes fatores simultaneamente, como histórico da área, volume de palhada infectada, suscetibilidade do híbrido, previsão climática e posição das lesões na planta. Nesse cenário, o monitoramento frequente da lavoura é considerado decisivo para orientar as intervenções e evitar aplicações desnecessárias de fungicidas.

A escolha de híbridos mais tolerantes aparece como uma das principais ferramentas preventivas contra a cercosporiose. Informações técnicas de empresas e instituições de pesquisa ajudam produtores a selecionar materiais com melhor pacote sanitário, principalmente em áreas com alta pressão da doença e histórico de sucessão milho-milho.

A rotação de culturas e o manejo de restos culturais também são apontados como pilares do controle integrado. Alternar o milho com culturas não hospedeiras reduz a quantidade de inóculo disponível para a próxima safra. Ao mesmo tempo, práticas que favoreçam a decomposição da palhada ajudam a diminuir a sobrevivência do fungo no sistema produtivo.

Outra estratégia recomendada é o ajuste da época de semeadura, buscando evitar que as fases mais sensíveis da cultura coincidam com períodos de maior umidade. O escalonamento do plantio e o respeito às janelas do zoneamento agrícola também contribuem para reduzir riscos fitossanitários e facilitar o manejo operacional da lavoura.

O manejo da densidade de plantas e da fertilidade do solo influencia diretamente o ambiente dentro da lavoura. Dosséis muito fechados aumentam o tempo de molhamento foliar, favorecendo a doença. Já a nutrição equilibrada fortalece as plantas diante de estresses, enquanto desequilíbrios nutricionais podem elevar a suscetibilidade às manchas foliares.

O controle químico segue como ferramenta importante, mas deve ser utilizado dentro de um programa integrado. Instituições de pesquisa indicam que os fungicidas apresentam maior eficiência quando aplicados nos estádios iniciais da doença e antes do comprometimento severo das folhas superiores. A decisão sobre a primeira aplicação deve considerar sintomas iniciais, previsão de chuvas e estádio fenológico da cultura.

A rotação de modos de ação é apontada como fundamental para evitar resistência do fungo aos fungicidas. As recomendações incluem alternar grupos químicos, utilizar misturas registradas e respeitar doses, intervalos e número máximo de aplicações definidos em bula e receituário agronômico.

A qualidade da pulverização também ganha importância em períodos chuvosos, quando as janelas de aplicação costumam ser reduzidas. Técnicos recomendam atenção à regulagem dos pulverizadores, escolha adequada das pontas e monitoramento das condições climáticas para evitar perdas por deriva e lavagem dos produtos.

O manejo da cercosporiose deve estar alinhado a outras práticas agronômicas da lavoura. Programas fitossanitários integrados, controle de plantas daninhas e manejo de pragas ajudam a reduzir fatores que favorecem o microclima úmido e o enfraquecimento das plantas, contribuindo para maior equilíbrio do sistema produtivo.

As orientações técnicas também reforçam a necessidade de seguir rigorosamente a legislação relacionada ao uso de defensivos agrícolas. O uso de equipamentos de proteção individual, o respeito aos períodos de carência e a utilização apenas de produtos registrados fazem parte das exigências previstas para o manejo fitossanitário da cultura.

Entre os principais pontos recomendados para o controle da cercosporiose estão o monitoramento constante da lavoura, a escolha de híbridos tolerantes, a rotação de culturas, o posicionamento correto de fungicidas e a integração das práticas de manejo. O registro das estratégias utilizadas e dos resultados obtidos também é considerado importante para o planejamento das próximas safras. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

 





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Algodão recua após semanas de alta



Bolsa de NY registra queda no algodão



Foto: Canva

De acordo com análise semanal divulgada nesta segunda-feira (25) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, as cotações do algodão na bolsa de Nova York interromperam a sequência de altas observada nas últimas semanas e passaram a registrar recuo. Segundo o instituto, fatores como o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que influenciou os preços do petróleo, além das condições climáticas desfavoráveis durante a semeadura da safra 2026/27 nos Estados Unidos, sustentaram a valorização recente da pluma no mercado internacional.

O relatório aponta que o contrato para julho de 2026 chegou a atingir ¢US$ 87,77 por libra-peso no início de maio, acumulando valorização de 33,09% em relação ao começo de março. No entanto, nos últimos dias, o cenário mudou e o contrato encerrou a semana cotado a ¢US$ 77,42 por libra-peso. Conforme o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a retração está relacionada à melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e à queda nos preços do petróleo, movimento que tende a aumentar a competitividade das fibras sintéticas frente ao algodão.

A análise também destaca que houve correções técnicas nos contratos futuros após sucessivas sessões de valorização. Além disso, o início da colheita no Brasil passou a ser acompanhado de perto pelos agentes do mercado, já que o aumento da oferta de pluma disponível tende a ampliar a pressão sobre as cotações nas próximas semanas.





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El Niño coloca agro gaúcho em alerta


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (21) pela Emater/RS-Ascar, os prognósticos consolidados para a atuação do fenôeno El Niño entre o fim do inverno e a primavera de 2026 acendem um alerta para o setor agropecuário do Rio Grande do Sul. Segundo a entidade, os modelos climáticos apontam para excesso hídrico significativo, cenário que já influencia a expectativa de redução da área cultivada com grãos de inverno, especialmente trigo e cevada, além de elevar o risco de inundações em diferentes regiões do estado. “O momento é de planejamento e adoção de medidas conservacionistas”, destacou a Emater/RS-Ascar.

A entidade orienta que técnicos e produtores aproveitem o período atual para revisar e fortalecer práticas de conservação do solo e dos recursos hídricos. Conforme o informativo, medidas que aumentem a infiltração e a retenção de água no perfil do solo ajudam a reduzir o escoamento superficial e retardam a elevação abrupta dos cursos d’água, diminuindo os impactos de enchentes nas bacias hidrográficas. Ao mesmo tempo, essas práticas ampliam a capacidade de armazenamento de água para períodos de estiagem de curta duração.

O levantamento também destaca que sistemas de manejo conservacionista, como o plantio direto e a manutenção de cobertura vegetal permanente, podem triplicar a taxa de infiltração de água no solo em comparação aos sistemas convencionais. Solos com níveis adequados de matéria orgânica, segundo a Emater/RS-Ascar, têm capacidade de armazenar centenas de milhares de litros adicionais de água por hectare. O informativo ainda aponta a construção e recuperação de terraços, o cultivo em nível e o uso de mix de plantas de cobertura como estratégias importantes para reduzir perdas de solo e água e aumentar a estabilidade produtiva.

Na pecuária, a recomendação é para planejamento antecipado do manejo das áreas. Entre as medidas indicadas estão o ajuste da carga animal, a adequação do pastejo e a redução do trânsito excessivo de animais em locais mais suscetíveis ao encharcamento e à degradação do solo.

A Emater/RS-Ascar reafirmou que seguirá atuando junto aos produtores gaúchos no desenvolvimento de sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. Segundo o órgão, iniciativas como o Programa Operação Terra Forte funcionam como instrumentos de apoio técnico para recuperação e manejo conservacionista dos solos. A entidade também ressaltou a importância de ferramentas de monitoramento climático, como o SIMAGRO, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, no suporte à tomada de decisões diante da intensificação da variabilidade climática.

O informativo conclui que a adoção de sistemas produtivos voltados à conservação do solo fortalece a resiliência da agropecuária e contribui para ampliar os processos de infiltração hídrica nas áreas de precipitação, reduzindo o escoamento superficial e os impactos hidrológicos negativos ao longo das bacias hidrográficas do estado.





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Arco Norte se consolida como rota de entrada e saída de produtos agropecuários


Os portos do Arco Norte são os principais eixos de entrada de adubos e fertilizantes no país, ultrapassando o volume de desembarque verificado em Paranaguá. A mudança foi iniciada em 2024 e se consolidou no ano passado, quando em 2025 foram registradas 13,36 milhões de toneladas internalizadas a partir do Arco Norte contra 10,89 milhões de toneladas desembarcadas no porto do Paraná. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) durante a apresentação do Anuário Agrologístico 2026 – Volume 3.

“Claramente, a gente percebe nos últimos 10 anos um deslocamento do sul para o norte do Brasil. A parte do Centro-Norte do país tem assumido uma relevância muito significativa na saída do grão brasileiro e também tem se aproveitado dessa própria logística para a importação dos fertilizantes que vem de fora do Brasil, em especial o potássio, a ureia e também o fosfatado, que são utilizados para a produção agrícola brasileira. Esse deslocamento se deve, principalmente, a investimentos públicos que foram feitos e isso tem contribuído para que haja essa mudança significativa. Antes todo o grão de Mato Grosso saía ou por Paranaguá ou, principalmente, por Santos. Agora, se reduziu a distância até o porto pela região do estado do Pará, como também do Maranhão, pelo porto de Itaqui, e isso tem contribuído de forma bastante expressiva para ampliação da área de produção”, avalia o presidente da Conab, Sílvio Porto.

“Um dos fatores que explica essa alta é a utilização da modalidade de frete de retorno, visando à diminuição do custo logístico. Ou seja, movimenta-se em direção aos portos com os grãos e retorna para as regiões produtoras com os fertilizantes”, explica o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos. “Isso torna evidente a importância do governo federal continuar com os investimentos na região do Arco Norte e nos sistemas de transportes para essas rotas, não somente visando a exportação dos grãos, mas também, às importações dos insumos, completando o atendimento logístico da cadeia produtiva como um todo, aumentando a competitividade nacional”, complementa.

Ainda de acordo com o Anuário, no período de 2021 a 2025, foi alcançado um crescimento nas importações de fertilizantes por esse complexo portuário de 62,7%, contra queda de -0,8% observado em Paranaguá. “As melhorias das condições de infraestrutura nos Portos do Arco Norte e a proximidade com as principais regiões produtoras de grãos e fibras do país, juntamente com os fretes de retorno, contribuem para que o fluxo de importações de fertilizantes por esta região”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Companhia, Thomé Guth.

Dentre os portos do Arco Norte, foram desembarcadas em Itaqui, no Maranhão, 34% do volume de fertilizantes internalizados pelo conjunto dos portos. O porto de Santarém, no Pará, participou com 22% do total regional, captando especialmente, as cargas oriundas dos estados do Pará e de Mato Grosso e do oeste de Tocantins. Já o porto de Salvador respondeu por 21% das importações, visando o atendimento da região do Matopiba, particularmente o Oeste Baiano, grande produtor de algodão, soja e milho.

A consolidação da região do Arco Norte como eixo de escoamento dos produtos agropecuários também traz novos desafios para o setor público. “Nós precisamos entender que esses processos logísticos também são vetores da expansão agrícola brasileira, e acende uma grande preocupação principalmente a expansão agropecuária na Amazônia, o que isso gera um tensionamento, desmatamento e conflitos agrários. Esse anuário nos permite que façamos uma análise mais ampla não só do fluxo das mercadorias, mas os impactos nos territórios gerados a partir desse processo de expansão agropecuária”, pondera o presidente da estatal.





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Produção de café em Baependi cresce 15,5% com apoio do ATeG


O técnico de campo Luiz Felipe Kraus assumiu, em 2022, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) de café em Baependi, no Sul de Minas, e os 28 produtores atendidos cultivavam 85,56 hectares e alcançavam produtividade média de 15,08 sacas/ha. Três anos depois, em 2025, a produtividade anual saltou para 32,29 sacas/ha, um avanço de 15,5%, desempenho superior ao resultado nacional, que cresceu 5,26% no período e fechou o ano com média de 30,4 sacas/ha.

Para Luiz Felipe, o crescimento expressivo é fruto do trabalho conjunto entre assistência técnica e produtores. “Tem a dedicação na nossa prestação de serviços, somada à credibilidade da instituição e à confiança do produtor, que segue as recomendações e adota novas tecnologias de manejo”, destaca.

Entre as práticas estimuladas pelo programa estão adubação equilibrada, manejo adequado do solo e das podas, análises frequentes, espaçamento correto das plantas e renovação de áreas desgastadas. O técnico também promove intercâmbio entre propriedades, incentiva o associativismo para reduzir custos com insumos e estimula a participação em eventos como a Semana Internacional do Café (SIC) e o Cupping Senar.

Os efeitos ultrapassam as fronteiras das propriedades assistidas. O presidente do Sindicato Rural de Baependi, Sirlei Silvério, afirma que os resultados motivaram produtores de municípios vizinhos, como Aiuruoca e Alagoa, a investir mais no café. “São pequenos produtores, mas o número cresceu mais de 500%”, afirma. O terroir das terras altas da Mantiqueira favorece, segundo técnicos, cafés especiais, de bebida mole e adocicada, com maior valor de mercado, fator que também impulsiona novos cafeicultores.

Qualidade reconhecidaFoi seguindo essas orientações que Michel Lopes Maciel e a família mudaram a forma de plantar, colher, beneficiar e vender o café. O cultivo começou em 2020 com 1500 pés. Em 2022, eles entraram para o grupo de ATeG e as mudanças foram significativas. “Se não fosse o ATeG, a gente não teria um café especial e nem a produção que tem hoje”, afirma Michel.

Em 2025, a lavoura chegou a 5 mil pés, o que rendeu 50 sacas, e ainda vieram as conquistas em duas premiações: 2º lugar na categoria Café Natural e 2º lugar na pontuação geral do 33º Concurso de Qualidade Minasul de Cafés Especiais, em Varginha (MG); e o 2º lugar na categoria Arábica Natural – Sul de Minas do 9º Cupping ATeG Café + Forte, realizado na SIC, em Belo Horizonte.

A força que vem da famíliaA sucessão familiar também é um dos quesitos trabalhados pelo ATeG e, segundo Luiz Filipe, um dos pontos fortes dos produtores de Baependi. Um dos casos de sucesso é o de Simone Vieira. A plantação de café na família começou há 44 anos, com os pais dela. Dos três filhos, apenas Simone – a única mulher – se interessou pelo trabalho no campo. “A vida inteira acompanhei meu pai”, conta.

Recentemente, Simone começou a assumir a dianteira dos negócios, mas seu Raul ainda participa. Além do café, a família também planta milho e cria bezerros. O marido de Simone ajuda com a criação e a filha Rafaela, de 14 anos, já segue os passos da mãe. “Ela gosta muito de lavoura, de gado. Se Deus quiser, vai ser minha sucessora”, diz a mãe orgulhosa.

Para 2026, a expectativa de Simone é colher 75 sacas/ha, um resultado, segundo ela, que só foi possível com o incentivo do profissional do Senar.





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Chuvas favorecem soja 2026 em Roraima, mas El Niño preocupa


De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia, o calendário de cultivo da soja em Roraima apresenta características distintas em relação ao restante do país por coincidir com a estação chuvosa da região. A condição climática, marcada pela regularidade das precipitações, garante maior segurança produtiva e estabilidade no rendimento das lavouras. O zoneamento agrícola para a cultura no estado começou no fim de março e segue até meados de junho, período considerado mais adequado devido às condições favoráveis de chuva.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o cenário da safra 2026 tem sido positivo até o momento. Desde o início da janela recomendada para semeadura, o estado registra chuvas frequentes e, em alguns períodos, volumes expressivos de precipitação, favorecendo a emergência das plantas e a formação adequada do estande. O levantamento aponta ainda que as perdas observadas até agora permanecem reduzidas, reflexo da regularidade das chuvas, da ausência de deficiência hídrica e das temperaturas consideradas favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Nas próximas semanas, as lavouras devem entrar em fases de maior demanda hídrica, tornando a manutenção das chuvas um fator decisivo para o desempenho produtivo. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia, a estação chuvosa em Roraima é influenciada principalmente pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), cuja posição mais ao sul entre abril e agosto favorece chuvas intensas e persistentes. Historicamente, junho e julho representam o pico da estação chuvosa, com acumulados que frequentemente superam 250 milímetros, volumes considerados suficientes para atender à demanda hídrica da soja quando distribuídos de forma equilibrada ao longo do ciclo. A partir de agosto, porém, o deslocamento sazonal da ZCIT para latitudes mais ao norte reduz gradativamente as precipitações, elevando o risco de déficit hídrico em áreas de plantio tardio.

O relatório alerta, no entanto, que a estabilidade produtiva da safra pode ser comprometida pela atuação do fenômeno El Niño. O aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica tropical e provoca redução e irregularidade das chuvas na porção norte da Amazônia durante a primavera e o verão. Esse cenário tende a antecipar o fim da estação chuvosa e aumentar o risco de secas severas, afetando diretamente o suprimento hídrico necessário ao desenvolvimento da soja e ampliando a possibilidade de perdas nas lavouras.

A previsão climática elaborada em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos indica que, entre junho e agosto, os volumes de chuva podem ficar até 50 milímetros abaixo da média climatológica em Roraima. O cenário reforça a preocupação com as fases de maior exigência hídrica da cultura.

Diante desse quadro, os órgãos meteorológicos recomendam atenção redobrada ao planejamento das atividades agrícolas no estado. A orientação é para que produtores acompanhem continuamente as atualizações climáticas e meteorológicas, utilizando as informações como suporte à tomada de decisões no manejo das lavouras, na redução de riscos operacionais e na organização das operações de campo.





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Comissão de Cana da Faesp debate desafios econômicos e regulatórios da safra 2026/27


A Comissão de Cana-de-Açúcar e Energia Renovável da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) realizou, nesta quinta-feira (21), reunião voltada à análise dos impactos regulatórios, produtivos e de mercado sobre a rentabilidade dos produtores rurais paulistas na safra 2026/27. A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente Tirso Meirelles, que reafirmou o compromisso da Federação com a defesa do equilíbrio nas relações contratuais e da sustentabilidade econômica do setor, diante do atual cenário marcado por elevados custos de produção, retração dos preços do açúcar e do etanol e crescente deterioração da rentabilidade no campo.

“A subvenção econômica à gasolina amortece o impacto da alta internacional do petróleo, evitando um efeito cascata nos preços de alimentos e transportes. Entretanto, a medida gera preocupação ao comprometer a competitividade do etanol no mercado e reduzir a previsibilidade regulatória do setor. Além de desestimular investimentos em biocombustíveis, o mecanismo afeta diretamente a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Se o preço da gasolina cai devido à subvenção, o preço do etanol precisa cair proporcionalmente para manter a conhecida paridade de 70%. Isso amplia a pressão negativa sobre as margens da atividade”, comentou.

A reunião contou com a participação de Raphael Delloiagono, analista de Inteligência de Mercado do PECEGE, que apresentou as perspectivas para a safra sucroenergética 2026/27, incluindo estimativas de produção, preços e custos do setor, além de simulações relacionadas aos impactos da subvenção econômica à gasolina, autorizada pela Medida Provisória nº 1.358/2026, sobre o valor da cana-de-açúcar.

As projeções para o Centro-Sul indicam produção de aproximadamente 635,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, volume cerca de 4% superior ao registrado no ciclo anterior, impulsionado principalmente pela recuperação da produtividade agrícola. A maior atratividade do etanol em relação ao açúcar deve resultar em uma safra mais alcooleira, com previsão de incremento de cerca de 4,2 bilhões de litros na produção total do biocombustível em comparação à safra anterior, totalizando 37,90 bilhões de litros.

A revisão do modelo do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP), criado para estabelecer parâmetros técnicos e econômicos que orientam a remuneração da cana-de-açúcar no estado, também esteve no centro das discussões, em razão de sua relevância como referência para a formação de preços e para a mitigação das assimetrias de informação na cadeia sucroenergética. Os participantes reforçaram a necessidade de aprofundamento técnico e institucional do debate, com foco na ampliação da transparência, previsibilidade e segurança econômica nas relações entre fornecedores e indústria.

Outro tema abordado foi sobre os testes de campo com a tecnologia conhecida como “bisturi”, apontada como alternativa com potencial para elevar a eficiência operacional e reduzir custos, especialmente entre pequenos e médios produtores. A técnica vem sendo avaliada quanto à sua capacidade de contribuir para a revitalização dos canaviais e para o prolongamento da vida útil das áreas produtivas, reduzindo a necessidade de renovação integral dos talhões.

O coordenador da Comissão, Nelson Perez Junior, relatou resultados preliminares positivos obtidos em áreas experimentais em sua propriedade e ressaltou a importância do avanço das pesquisas e da difusão técnica da tecnologia, após validação agronômica e econômica, no âmbito do futuro Centro de Excelência da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, em Ribeirão Preto.

Ao final da reunião, a Comissão deliberou encaminhamentos voltados à mitigação dos impactos da política federal de combustíveis sobre a competitividade do etanol, aprofundamento das discussões sobre o Consecana-SP e o fortalecimento de iniciativas voltadas à inovação, eficiência produtiva e redução de custos na atividade canavieira paulista.





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