sexta-feira, julho 24, 2026

Política & Agro

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exportações de algodão atingem novo recorde


Mato Grosso registrou, em maio de 2026, o maior volume de exportação de algodão já observado para o mês em toda a série histórica. Segundo análise divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o estado embarcou 194,42 mil toneladas da pluma, respondendo por 66,77% das exportações brasileiras do produto no período.

O desempenho reforça a posição de Mato Grosso como principal exportador nacional de algodão e ocorre em meio à forte demanda internacional. Entre os principais destinos das exportações mato-grossenses em maio, Bangladesh liderou as compras, com 45 mil toneladas, seguido pelo Paquistão, que adquiriu 35,83 mil toneladas.

O levantamento aponta ainda uma mudança no perfil dos compradores nos últimos meses. A China, tradicionalmente o principal destino do algodão exportado pelo estado, reduziu suas importações e deixou de ocupar a liderança dos embarques mensais nos dois últimos meses.

Apesar da retração recente, os chineses seguem como os maiores compradores da temporada 2025/26. No acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026, o país importou 381,15 mil toneladas de algodão mato-grossense. Bangladesh aparece na sequência, com aquisições de 326,31 mil toneladas no mesmo período.

Com os resultados de maio, Mato Grosso alcançou 1,82 milhão de toneladas exportadas na temporada, renovando pelo segundo ano consecutivo o recorde de embarques para o período analisado.

De acordo com as estimativas do Imea, o ritmo das exportações deverá continuar elevado nos próximos meses. A projeção do instituto é de que os embarques da temporada 2025/26, compreendida entre agosto de 2025 e julho de 2026, totalizem 2,08 milhões de toneladas, consolidando mais um ciclo histórico para a cotonicultura mato-grossense.





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Mercado do boi segue estável em São Paulo


O mercado do boi gordo iniciou esta quarta-feira (10) com estabilidade nas praças pecuárias paulistas, segundo análise divulgada pela Scot Consultoria no boletim “Tem Boi na Linha”.

De acordo com a consultoria, a cotação da arroba não apresentou alterações na comparação diária. O cenário foi marcado por uma oferta restrita de animais para abate e por frigoríficos atuando de forma cautelosa, adquirindo apenas o volume necessário para atender às escalas de abate.

A Scot Consultoria destacou que o mercado permaneceu equilibrado, com disponibilidade limitada de bovinos e menor apetite de compra por parte das indústrias. Nas praças paulistas, as escalas de abate atendiam, em média, nove dias de programação.

Em Minas Gerais, o movimento foi diferente. A menor oferta de animais levou os frigoríficos a elevarem os preços pagos pela arroba para garantir o abastecimento das escalas de abate.

Na região do Triângulo Mineiro, a arroba subiu R$ 3,00 para todas as categorias. Em Belo Horizonte, o boi gordo teve valorização de R$ 3,00 por arroba, enquanto as fêmeas registraram alta de R$ 5,00.

No Norte de Minas, os preços do boi gordo e da vaca avançaram R$ 5,00 por arroba, enquanto a novilha apresentou aumento de R$ 3,00. Já na região Sul do estado, a valorização foi de R$ 5,00 por arroba para todas as categorias comercializadas.

A cotação do chamado “boi China”, destinado ao mercado externo, também apresentou avanço de R$ 3,00 por arroba nas praças mineiras.

No Oeste do Maranhão, por outro lado, o mercado permaneceu estável, sem alterações nos preços praticados. Assim como em São Paulo, as escalas de abate na região atendiam, em média, nove dias.





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Manejo da soja busca reduzir impactos da estiagem


O cultivo da soja em regiões sujeitas à menor disponibilidade hídrica entre maio e dezembro exige ajustes no planejamento da lavoura para reduzir riscos de perdas e garantir melhor aproveitamento da água disponível no solo. Em cenários de seca ou maior frequência de veranicos, especialistas destacam que decisões relacionadas à época de semeadura, população de plantas e espaçamento entre linhas podem influenciar diretamente o estabelecimento da cultura e o potencial produtivo.

O principal desafio em períodos de menor volume de chuvas é assegurar uma emergência uniforme das plantas. A falta de umidade na camada superficial do solo pode comprometer a germinação das sementes, provocando falhas de estande, desuniformidade no desenvolvimento das plantas e aumento da competição por água ao longo do ciclo.

Segundo as orientações técnicas apresentadas no material, o manejo deve ser encarado como uma estratégia de conservação da água. O objetivo é posicionar a semeadura em momentos mais favoráveis quanto à umidade do solo e distribuir as plantas de forma que haja melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. “Busca-se semear no momento mais provável de boa umidade, distribuir melhor as plantas no espaço e evitar densidades excessivas que acelerem o esgotamento da água disponível no perfil do solo”, destaca o documento.

A definição da época de plantio, conforme o material, deve considerar fatores como o histórico climático da região, o tipo de solo, a cultivar escolhida e o sistema de produção adotado. Em áreas com risco de seca, a recomendação é trabalhar com uma janela de semeadura, em vez de uma data fixa, permitindo que o produtor aproveite períodos mais favoráveis de umidade.

A disponibilidade de água no solo também influencia diretamente a emergência das plantas. A profundidade de semeadura, a presença de palhada e as condições físicas do solo são apontadas como fatores decisivos para o sucesso do estabelecimento da lavoura. Solos compactados ou com formação de crostas superficiais tendem a dificultar a emergência das plântulas, exigindo maior atenção ao preparo da área.

Outro ponto destacado é a definição da população de plantas. O material explica que o manejo deve buscar equilíbrio entre evitar falhas de estande e reduzir a competição por água. Em ambientes mais sujeitos ao déficit hídrico, populações excessivamente elevadas podem acelerar o consumo da água armazenada no solo e comprometer a produtividade em fases mais sensíveis da cultura.

“A tendência técnica é buscar populações moderadas, ajustando a densidade conforme tipo e arquitetura da cultivar, histórico de produtividade do talhão e previsão de chuvas para as fases críticas”, informa o texto.

O espaçamento entre linhas também deve ser analisado de forma estratégica. Espaçamentos mais estreitos favorecem o fechamento mais rápido das entrelinhas e reduzem a evaporação da água do solo, enquanto espaçamentos mais amplos podem diminuir a competição inicial entre plantas. A escolha depende da cultivar utilizada e das condições específicas de cada ambiente produtivo.

Além dos ajustes relacionados ao plantio, o documento ressalta a importância da integração com outras práticas de manejo, como o sistema de plantio direto, a manutenção de palhada, o manejo adequado da fertilidade do solo e o controle eficiente de plantas daninhas. Essas medidas ajudam a ampliar a retenção de água no perfil do solo e favorecem o desenvolvimento radicular das plantas.

O texto também destaca que a qualidade da operação de semeadura ganha ainda mais importância em condições de seca. Regulagem adequada dos equipamentos, controle da profundidade de plantio, velocidade de operação e uso de sementes com alto vigor são fatores que contribuem para reduzir falhas de emergência.

Como orientação prática, o material recomenda avaliar a umidade da camada superficial do solo antes da semeadura e, quando necessário, considerar o adiamento do plantio dentro da janela recomendada, em vez de realizar a operação em condições inadequadas. “É mais prudente manter-se em uma faixa intermediária” de população de plantas em ambientes sujeitos ao déficit hídrico, destaca o documento.

A publicação conclui que o sucesso do manejo da soja em períodos de seca depende da combinação de diferentes estratégias. A escolha adequada da época de semeadura, o ajuste da população de plantas, o uso de espaçamentos compatíveis com o ambiente e a adoção de práticas conservacionistas podem contribuir para reduzir falhas de estande, otimizar o uso da água e minimizar perdas causadas pela estiagem.

O texto ressalta ainda que as recomendações de população, espaçamento e época de plantio devem ser adaptadas às condições específicas de cada propriedade, sempre com base em resultados locais de pesquisa e na orientação de um engenheiro agrônomo. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Superávit comercial soma US$ 3,2 bilhões em junho


A balança comercial brasileira iniciou junho com saldo positivo de US$ 3,2 bilhões, resultado de exportações de US$ 8 bilhões e importações de US$ 4,7 bilhões na primeira semana do mês. A corrente de comércio alcançou US$ 12,7 bilhões no período, conforme dados divulgados na segunda-feira (8) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No acumulado de 2026, as exportações somam US$ 156,6 bilhões, enquanto as importações atingem US$ 120,7 bilhões. Com isso, o superávit comercial chega a US$ 35,9 bilhões e a corrente de comércio alcança US$ 277,21 bilhões.

Na comparação entre as médias diárias da primeira semana de junho de 2026 e de junho de 2025, as exportações cresceram 37,6%, passando de US$ 1,451 bilhão para US$ 1,997 bilhão. As importações também avançaram, embora em ritmo menor, com alta de 2,3%, passando de US$ 1,158 bilhão para US$ 1,186 bilhão.

A média diária da corrente de comércio atingiu US$ 3,184 bilhões, enquanto o saldo médio diário ficou em US$ 811,63 milhões. Em relação ao mesmo período de junho do ano passado, a corrente de comércio registrou crescimento de 22%.

O avanço das exportações foi observado em todos os grandes setores da economia. Na agropecuária, a média diária embarcada aumentou 36,6%, enquanto a indústria extrativa registrou crescimento de 38,5%. Já os produtos da indústria de transformação apresentaram alta de 37,6%.

Até a primeira semana de junho, as exportações da agropecuária somaram US$ 1,88 bilhão. Entre os produtos que mais contribuíram para o resultado estão o café não torrado, com aumento de 43,8%, a soja, com avanço de 27,9%, e o algodão em bruto, que registrou crescimento de 138,1%.

Na indústria extrativa, as vendas externas chegaram a US$ 1,74 bilhão, impulsionadas principalmente pelo minério de ferro e seus concentrados, cujos embarques cresceram 42,9%, pelos minérios de cobre e seus concentrados, que avançaram 296,5%, e pelos óleos brutos de petróleo, com alta de 8,9%.

A indústria de transformação exportou US$ 4,33 bilhões no período. Os principais destaques foram a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com crescimento de 56,9%, os farelos de soja e outros alimentos para animais, que avançaram 115,1%, e os óleos combustíveis de petróleo, com aumento de 178,6%.

Apesar do resultado positivo, alguns produtos apresentaram retração nas exportações. Entre eles estão os produtos hortícolas frescos ou refrigerados, com queda de 46,8%, a madeira em bruto, com recuo de 28,6%, e as matérias vegetais em bruto, que registraram redução de 13,2%. Também houve diminuição nas vendas externas de fertilizantes brutos, minérios de níquel, gás natural, açúcares e melaços, além de aeronaves e equipamentos relacionados.

Pelo lado das importações, o crescimento foi liderado pela indústria extrativa, que avançou 41,6% e movimentou US$ 270 milhões. A agropecuária registrou aumento de 8%, alcançando US$ 100 milhões, enquanto a indústria de transformação teve alta de 0,8%, com importações de US$ 4,36 bilhões.

O aumento das compras externas foi impulsionado por produtos como pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado, com crescimento de 33,8%, cevada não moída, que avançou 99,4%, e produtos hortícolas frescos ou refrigerados, com alta de 47,2%. Na indústria extrativa, destacaram-se os fertilizantes brutos, com aumento de 527,6%, além dos óleos brutos de petróleo, que cresceram 108,3%.

Na indústria de transformação, os maiores avanços ocorreram nas importações de tubos e perfis ocos de ferro ou aço, com crescimento de 455,8%, válvulas, diodos e transistores, que registraram alta de 99,8%, e veículos automóveis de passageiros, com aumento de 21,2%.

Alguns segmentos, no entanto, apresentaram retração nas importações. Entre eles estão trigo e centeio não moídos, milho não moído e látex e borracha natural na agropecuária. Também houve redução nas compras de carvão mineral, outros minerais em bruto e minérios de base na indústria extrativa. Já na indústria de transformação, caíram as importações de óleos combustíveis, motores e máquinas não elétricos e aeronaves e equipamentos relacionados.

Os resultados da primeira semana de junho reforçam o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro em 2026, sustentado principalmente pelo avanço das exportações agropecuárias, minerais e industriais.





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Restrição da UE afeta carnes, mel, ovos e pescados


A decisão da União Europeia de restringir a importação de produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026 decorre de uma falha de “coordenação, comprovação ou resposta tempestiva” por parte do governo brasileiro. A avaliação consta em nota técnica divulgada pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Segundo a entidade, a medida europeia, baseada nas regras do bloco para o uso de antimicrobianos, não representou uma surpresa para o mercado. A análise destaca que a exigência para comprovar conformidade com as normas sanitárias da União Europeia, que proíbem o uso desses medicamentos como promotores de crescimento, foi estabelecida em outubro de 2024, oferecendo tempo para que o Brasil realizasse as adequações necessárias.

De acordo com a Assessoria Econômica da Farsul, “o episódio sugere menos uma mudança súbita de regra e mais uma falha de coordenação do Brasil diante de uma exigência europeia já conhecida”.

A restrição atinge cadeias específicas da produção agropecuária brasileira, incluindo aves, bovinos, equídeos, tripas, mel, ovos e pescados. Conforme a nota técnica, os produtos potencialmente afetados responderam por US$ 1,848 bilhão das exportações brasileiras destinadas ao bloco europeu em 2025.

A carne bovina concentra a maior parcela desse valor, com US$ 1,008 bilhão exportado ao mercado europeu. Em seguida aparece a carne de frango, que movimentou US$ 763 milhões no período.

No Rio Grande do Sul, o impacto é considerado menor em termos proporcionais, mas ainda relevante para o setor agropecuário. Em 2025, os produtos abrangidos pela medida somaram US$ 133,8 milhões em exportações para a União Europeia, o equivalente a 6,2% da pauta do agronegócio gaúcho destinada ao bloco.

A nota técnica também aponta sinais de antecipação dos embarques diante da proximidade da restrição. Segundo a análise, houve “indícios fortes” de aceleração das exportações de frango, peru e mel em maio de 2026, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul.

Apesar disso, a equipe econômica da Farsul ressalta que a interpretação dos dados exige cautela. O documento observa que maio coincidiu com a entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, fator que também pode ter impulsionado as vendas externas.

“A coincidência impede atribuir o aumento das vendas exclusivamente à antecipação do veto”, destaca a nota técnica. Segundo a entidade, o crescimento dos embarques pode refletir não apenas a tentativa de antecipação das exportações, mas também uma recomposição comercial e o aproveitamento das preferências tarifárias previstas no acordo.

Enquanto isso, o governo brasileiro informou ter recebido a decisão da União Europeia com surpresa e afirmou que busca, por meio de negociações diplomáticas e técnicas, obter esclarecimentos e tentar reverter a medida antes de sua entrada em vigor.





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Santa Catarina alcança recorde nas exportações de carnes


Santa Catarina alcançou o melhor desempenho da série histórica nas exportações de carnes nos cinco primeiros meses de 2026, consolidando sua posição entre os principais fornecedores brasileiros no mercado internacional. Entre janeiro e maio, o estado embarcou 883,7 mil toneladas de carnes, incluindo frango, suínos, bovinos, perus, patos e marrecos, gerando US$ 2,01 bilhões em receitas.

Os números representam crescimento de 7,4% em volume e de 12,1% em faturamento na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Economia e analisados pelo Epagri/Cepa.

Segundo a análise, o resultado reforça a competitividade da produção catarinense e a confiança dos mercados internacionais no sistema sanitário do estado. O desempenho também marca o melhor resultado já registrado para o período, tanto em quantidade exportada quanto em faturamento.

A carne suína foi um dos destaques do período. Entre janeiro e maio, Santa Catarina exportou 308,4 mil toneladas do produto, com receitas de US$ 771,2 milhões. Na comparação com os cinco primeiros meses de 2025, houve aumento de 3% no volume embarcado e de 6,3% no faturamento. O resultado representa o maior já registrado para o período na série histórica.

As exportações de carne de frango também apresentaram crescimento. O estado embarcou 543,1 mil toneladas nos primeiros cinco meses do ano, gerando US$ 1,15 bilhão em receitas. O volume exportado avançou 9,4%, enquanto o faturamento cresceu 13,5% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. De acordo com os dados analisados pela Epagri/Cepa, trata-se do maior faturamento já registrado para o período desde o início da série histórica, em 1997, além do segundo maior volume embarcado.

Atualmente, a produção catarinense de carnes abastece mais de 150 mercados internacionais, com presença em destinos considerados estratégicos, como Japão, Coreia do Sul, União Europeia, China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Países Baixos. Os primeiros registros de exportações catarinenses para a União Europeia datam de 1989.

O estado também destaca seu histórico sanitário. Em 2007, Santa Catarina foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa sem vacinação. Em 2015, recebeu o reconhecimento como zona livre de peste suína clássica. Além disso, apresenta a menor incidência de brucelose bovina do país e está entre os estados com menor ocorrência de tuberculose bovina.

Outro diferencial apontado é a rastreabilidade animal. Santa Catarina foi o primeiro estado brasileiro a implantar a identificação individual de todos os bovinos e bubalinos, medida que amplia o controle sanitário e o monitoramento da cadeia produtiva.





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Senado aprova refinanciamento de dívidas rurais


O campo brasileiro pode respirar um pouco mais fundo. O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) uma linha especial de refinanciamento voltada a produtores rurais endividados, com condições mais favoráveis do que as praticadas pelo mercado: juros reduzidos, carência de até três anos e prazo de pagamento que pode chegar a uma década. De acordo com as informações divulgadas pela Agência Senado, a proposta, que tramita como PL 5.122/2023, segue agora de volta à Câmara dos Deputados, onde as alterações feitas pelos senadores precisarão ser analisadas antes da sanção.

O momento não poderia ser mais delicado para o setor. Quem resume bem o cenário é a senadora Tereza Cristina (PP-MS): uma safra plantada com o dólar a R$ 6 está sendo colhida com a moeda americana próxima a R$ 5, enquanto as cotações das commodities seguem pressionadas para baixo e os juros permanecem elevados. Para muitos produtores, o resultado é uma equação impossível de fechar sem algum tipo de suporte externo.

Como vai funcionar

A linha especial permitirá renegociar dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural firmadas até 31 de dezembro de 2025 — data que o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), estendeu em relação ao texto original, que previa junho do mesmo ano. Multas, mora e demais encargos por inadimplência serão desconsiderados no recálculo dos débitos.

As taxas de juros foram desenhadas para respeitar o porte de cada produtor:

3,5% ao ano para beneficiários do Pronaf e pequenos produtores

5,5% ao ano para participantes do Pronamp e médios produtores

7,5% ao ano para os demais

O prazo total de pagamento é de dez anos, aos quais se somam até três anos de carência. Além disso, as instituições financeiras ficam autorizadas a suspender por 180 dias cobranças, execuções judiciais e inscrições em cadastros de inadimplentes — dando fôlego para que os acordos sejam estruturados sem pressão imediata.

Quem pode acessar e quanto

São elegíveis produtores rurais individuais, associações, cooperativas de produção e condomínios rurais que comprovem perdas associadas a calamidades ou a impactos econômicos adversos. O teto por operação é de R$ 10 milhões para produtores individuais e R$ 50 milhões para entidades coletivas.

Um dos pontos mais relevantes da versão aprovada pelo Senado é a ampliação dos critérios de elegibilidade. O texto original restringia o benefício a produtores afetados por eventos climáticos extremos — como as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. Renan Calheiros abriu o escopo para contemplar também quem sofreu perdas decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Irã, que afetaram diretamente os custos de produção e as cadeias de insumos no Brasil.

De onde vem o dinheiro

Para viabilizar a operação, o governo federal poderá usar receitas correntes e superávits do Fundo Social do Pré-Sal referentes aos anos de 2025, 2026 e 2027, além de superávits de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda. O texto também autoriza o uso dos fundos constitucionais regionais — FNO, FNE e FCO — e do Funcafé, dentro de suas áreas de atuação. Se esses recursos se esgotarem, o Fundo Social assume os custos remanescentes.

A operacionalização poderá ser feita pelo BNDES, por bancos públicos e por cooperativas de crédito. O limite global da linha ainda será definido pelo Poder Executivo.

Renan reconheceu que a negociação com o governo não foi simples. Segundo ele, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mostrou-se receptivo ao longo das conversas, a área técnica da pasta apresentou mais resistências — o que acabou levando o relator a incorporar no próprio texto as soluções que não foram acordadas nas reuniões.





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Bioinsumos avançam na cafeicultura



O manejo biológico vem ganhando espaço


O manejo biológico vem ganhando espaço
O manejo biológico vem ganhando espaço – Foto: Pixabay

O uso de soluções biológicas tem avançado na cafeicultura como alternativa para ampliar a sustentabilidade, reduzir a dependência de insumos químicos e manter a produtividade diante de desafios fitossanitários e climáticos. No Brasil, maior produtor mundial de café, a Conab estima para a safra 2026 produção de 66,2 milhões de sacas, alta de cerca de 17% sobre o ciclo anterior.

Segundo Renato Costa, gerente de marketing regional da Biotrop, o café é uma cultura de alto valor agregado e exigente no controle de pragas, doenças e estresses abióticos. Nesse contexto, o manejo biológico vem ganhando espaço dentro de estratégias voltadas à produtividade e ao atendimento de exigências ambientais, embora a adoção ainda dependa de mais assistência técnica e informação ao produtor.

Em Guaxupé (MG), a Fazenda Jaboticabeiras, propriedade familiar com mais de um século na produção de café, utiliza há mais de oito anos um manejo integrado que combina práticas tradicionais e soluções biológicas. A estratégia busca melhorar o aproveitamento de nutrientes, aumentar a resiliência das plantas e reduzir gradualmente a necessidade de defensivos químicos, sem comprometer a produção. A fazenda também utiliza plantas de cobertura, com ganhos na estrutura do solo, na matéria orgânica, na retenção de água e no controle de plantas daninhas.

Em Altinópolis (SP), a Fazenda Liberdade iniciou o manejo biológico em 2019 e já aplica a estratégia em 264 hectares, com ações no solo e na parte aérea. A proposta é fazer com que os biológicos atuem de forma preventiva, enquanto os químicos sejam usados de maneira corretiva. Mesmo após secas severas e granizo, análises de solo em parceria com o IBA indicaram melhora na estrutura e na atividade biológica, incluindo avanço de 150% em parâmetros físicos e de 22% em indicador biológico.

 





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Sementes certificadas ajudam no manejo preventivo



Essa etapa reduz de forma significativa o risco de contaminação


Essa etapa reduz de forma significativa o risco de contaminação
Essa etapa reduz de forma significativa o risco de contaminação – Foto: Divulgação

O uso de sementes certificadas é uma das medidas preventivas mais importantes para reduzir a entrada e a disseminação de plantas daninhas nas áreas agrícolas. A orientação é do Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), que aponta a escolha correta das sementes como o primeiro passo no manejo dessas espécies.

Além de garantir qualidade genética e alto potencial de germinação, as sementes certificadas passam por processos rigorosos de controle e beneficiamento. Essa etapa reduz de forma significativa o risco de contaminação por sementes de plantas daninhas, fator que pode comprometer o estabelecimento da cultura e dificultar o controle ao longo do ciclo produtivo.

O uso de sementes sem origem comprovada, por outro lado, pode favorecer a introdução de novas espécies em áreas agrícolas. A presença dessas plantas aumenta a complexidade do manejo, eleva os custos de produção e contribui para a dispersão de populações resistentes a herbicidas, um dos principais desafios enfrentados no campo.

A adoção de sementes certificadas também está relacionada à maior segurança no estabelecimento da lavoura e à preservação do potencial produtivo. Ao reduzir a entrada de plantas daninhas na área de cultivo, o produtor diminui a pressão inicial sobre a cultura e fortalece as estratégias de controle ao longo da safra.

Outro ponto destacado é a importância dessa prática dentro do manejo integrado de plantas daninhas. Quando associada a outras medidas de prevenção e controle, a semente certificada contribui para tornar o programa mais eficiente e sustentável. A medida também apoia estratégias voltadas à prevenção e ao manejo da resistência a herbicidas, evitando que o problema avance para novas áreas e comprometa a produtividade.

 





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