sexta-feira, julho 24, 2026

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Novas soluções para controle do pulgão-lanígero em maçã


O pulgão-lanígero, considerado uma das principais pragas da cultura da macieira, está no foco de uma pesquisa conduzida pela Epagri. O inseto produz uma secreção branca semelhante à lã ou algodão, que recobre as colônias e dificulta a ação de Inseticidas, favorecendo a permanência das infestações nos pomares. Além de enfraquecer as plantas, a praga compromete a produtividade e a qualidade dos frutos. Estudos já realizados apontam que a eficiência dos produtos disponíveis ainda é limitada e os custos de controle permanecem elevados.

O trabalho está sendo desenvolvido na Estação Experimental de Caçador, unidade de referência em melhoramento genético da macieira. A pesquisa é coordenada pela engenheira agrônoma e pesquisadora entomologista Janaína Pereira dos Santos, que busca avaliar a eficácia agronômica de alternativas químicas e biológicas para o manejo da praga. O objetivo é definir estratégias mais seguras e sustentáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina, o estudo tem conclusão prevista para novembro de 2027. A expectativa é desenvolver duas tecnologias voltadas ao controle do pulgão-lanígero: uma metodologia específica para avaliação da eficácia de inseticidas, com recomendações de uso racional, e estratégias de manejo químico e biológico que considerem os impactos econômicos e ecológicos nos sistemas de produção convencional, integrado e orgânico.

“Queremos gerar dados confiáveis para subsidiar recomendações práticas aos produtores em diferentes sistemas produtivos”, resume Janaína. Segundo a pesquisadora, os trabalhos envolvem tanto a avaliação de novos inseticidas quanto a reavaliação de produtos já registrados. Ao todo, nove inseticidas, entre químicos e biológicos, estão sendo testados em experimentos conduzidos em estufas e também em condições de campo, para validar os resultados obtidos.

Entre os produtos avaliados estão inseticidas biológicos destinados aos pomares orgânicos. Janaína destaca que o controle do pulgão-lanígero é ainda mais complexo nesse sistema produtivo devido à escassez de produtos eficientes registrados e compatíveis com as exigências da agricultura orgânica. Segundo ela, ampliar as opções de controle é importante para atender consumidores que buscam alimentos produzidos sem o uso de agrotóxicos.

A pesquisadora ressalta ainda que o desenvolvimento de alternativas biológicas pode beneficiar especialmente pequenos e médios produtores. De acordo com Janaína, esse público costuma buscar certificações e mercados diferenciados, como o segmento orgânico, para aumentar sua competitividade. Além disso, o uso de produtos biológicos contribui para reduzir a exposição dos trabalhadores rurais a substâncias tóxicas e minimizar impactos ambientais relacionados à contaminação do solo, da água e do ar.

Outro objetivo do estudo é contribuir para a redução dos custos de produção da cadeia da maçã. A proposta da Epagri é identificar Inseticidas e estratégias de manejo fitossanitário mais eficientes e economicamente viáveis, permitindo o uso racional dos produtos e evitando gastos com tratamentos que não apresentam resultados satisfatórios no controle da praga.





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Certificação rastreia lote e origem de azeites produzidos no RS


Produtores de azeite extravirgem do Rio Grande do Sul podem inscrever, até 30 de junho, lotes da safra 2026 no Selo Premium Origem e Qualidade RS. A certificação avalia a procedência das azeitonas e as características físico-químicas e sensoriais dos produtos. Os lotes aprovados poderão utilizar a identificação nas embalagens comercializadas. O programa é conduzido pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Sict), com participação do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva).

O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, afirma que o Selo Premium está alinhado à diferenciação do azeite extravirgem produzido no Brasil a partir da qualidade. “O Ibraoliva defende a diferenciação do azeite extravirgem produzido no Brasil a partir da alta qualidade. Nós focamos, desde o início, em um azeite superpremium, que tenha qualidades sensoriais diferentes dos azeites que chegam aos supermercados e, na sua análise físico-química, parâmetros mais baixos do que os azeites normalmente comercializados no país”, explica.

Segundo Obino Filho, a certificação integra essa proposta ao reunir a avaliação técnica e a identificação do produto. “O Selo Premium se inscreve dentro dessa bandeira defendida pelo Ibraoliva, porque é um programa com o selo da responsabilidade e da certificação do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Inovação, e do Ibraoliva”, afirma.

Entre os critérios analisados está a acidez. Enquanto o limite máximo para que um azeite seja classificado como extravirgem é de 0,8%, os produtos candidatos ao Selo Premium devem apresentar índice de até 0,3%. “É mais fácil falar da acidez, que o consumidor conhece. A acidez máxima de um azeite para ser extravirgem é 0,8%. No caso do Selo Premium, o azeite tem que ter 0,3% para receber o selo”, observa Obino Filho.

A certificação é concedida para lotes identificados. Dessa forma, o produto encontrado pelo consumidor no mercado, em empórios ou na venda direta corresponde ao mesmo lote submetido às avaliações. “No Selo Premium, os lotes apresentados são identificados. Se o consumidor encontrar na gôndola de um mercado, em um empório ou na venda direta um produto que tem o selo, ele tem a certeza de que faz parte daquele lote que foi examinado sensorialmente, provado por especialistas e aprovado. É um azeite sem defeito e que também passou por uma análise físico-química mais rigorosa do que a normal”, destaca.

O processo também verifica a origem das azeitonas utilizadas. Conforme o presidente do Ibraoliva, o selo informa que a matéria-prima foi produzida no Rio Grande do Sul e que o azeite passou pelas análises previstas no programa. “O consumidor que comprar um azeite que passou por esse critério tem a identificação de origem das azeitonas que deram origem ao produto, ou seja, produzidas no Rio Grande do Sul. Esse azeite passou por critérios rigorosos de análise físico-química e análise sensorial. É, com certeza, um azeite superpremium, e aquele azeite que tem o selo pertence ao lote identificado, selecionado e aprovado”, salienta Obino Filho.

Para cada variedade inscrita, o produtor deverá encaminhar duas garrafas de 250 mililitros, de vidro verde ou âmbar, lacradas e com azeite do mesmo lote. Uma amostra será destinada à análise e a outra ficará armazenada como contraprova. As embalagens devem apresentar o nome do produtor, a marca, a variedade e o lote. Caso o azeite apresente algum defeito mínimo, é eliminado. Após a avaliação, os participantes serão comunicados sobre o resultado. A impressão e a entrega dos selos serão organizadas posteriormente para os produtos aprovados.





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da ciência brasileira à segurança alimentar global


Com trajetória enraizada na Esalq/USP, professor e pesquisador é referência internacional em agricultura tropical sustentável e lidera iniciativas que transformam conhecimento e inovação em riqueza para o bem comum

Professor e pesquisador na área de agronomia pela Esalq, Durval Dourado Neto foi diretor da faculdade entre 2019 e 2023. 

A liderança do Brasil na agricultura tropical não surgiu por acaso. Foi construída em laboratórios, salas de aula e campos experimentais, com a dedicação de pesquisadores que desenvolveram tecnologias capazes de adaptar cultivos às condições tropicais e ampliar a produtividade no país. Se hoje o Brasil é uma potência agrícola, com responsabilidade alimentar mundial, é graças ao desenvolvimento da ciência tropical.

Parte dessa história pode ser contada a partir da atuação de Durval Dourado Neto. Com uma trajetória enraizada no ensino, pesquisa e extensão pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, Esalq/USP, de docente a diretor, o pesquisador é uma das principais referências do Brasil e do mundo na área de agronomia, agricultura digital e sustentabilidade. Ao longo de mais de quatro décadas, lidera iniciativas focadas em transformar conhecimento em inovação para a sociedade.

Atualmente, Durval coordena os trabalhos do Centro de Agricultura Tropical Sustentável, em inglês, Sustainable Tropical Agriculture Center, STAC, iniciativa sediada na universidade que integra academia, setor público e iniciativa privada para desenvolver soluções estratégicas voltadas à segurança alimentar global. O Centro foi concebido para fortalecer o papel da agricultura tropical sustentável por meio da integração entre pesquisa, inovação e cooperação internacional.

Carreira

Cientista brasileiro, o professor foi responsável pela formação de mais de 10,2 mil alunos de graduação, mestres e doutores, com produção científica robusta entre centenas de artigos, dezenas de livros e softwares. Além de sua contribuição educacional, cumpriu viagens internacionais com a universidade e desenvolveu estudos que são a base de projetos setoriais do país.

Na agricultura, focou em extrair o máximo potencial genético de culturas como soja, milho, feijão e cana-de-açúcar em ambientes tropicais complexos, contemplando abordagens econômica, social e ambiental.

Seu trabalho ajudou a converter conhecimento científico em aplicações práticas na agricultura brasileira, com base na teoria tridimensional do direito: fato, valor e norma. Em entrevista ping-pong especial à CropLife Brasil, Durval compartilhou momentos marcantes de sua vida acadêmica, carreira, reflexões e os projetos conduzidos pelo STAC.

“Se a nossa agricultura tropical hoje existe, é porque criamos vários sistemas de produção, incorporando tecnologia desenvolvida por grandes multinacionais, como o inseticida, o fungicida, o herbicida e as sementes.”

Profº Durval Dourado Neto

1. Por gentileza, professor Durval, conte-me um pouco da sua história e pesquisa acadêmica. Como você chegou aos trabalhos de agricultura tropical e sustentabilidade? Quem é Durval Dourado Neto?

Eu nasci em Goiânia, em 1962. Fui para Brasília com 5 anos de idade, onde fui criado. Minha trajetória acadêmica começou na Universidade Federal de Viçosa, em 1981, em Minas Gerais. Eu me formei em dezembro de 1984 e, imediatamente, em fevereiro de 1985, fui para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, Codevasf, em Barreiras, na Bahia. Trabalhei lá por um tempo no apoio técnico a agricultores da região.

Quando, na época, houve a emancipação de projetos de irrigação, em 1986, o então presidente da companhia, Eliseu Alves, que mais para frente viria a ser presidente da Embrapa, me ofereceu uma oportunidade de vir fazer mestrado na Esalq/USP, em Piracicaba, num programa de desenvolvimento de irrigação no Brasil.

Naquela época, fui desenvolvendo e estruturando essa parte de pesquisa na área de agricultura de precisão. Era incipiente ainda, mas eu já programava, fazia software e etc.

Durval Dourado Neto recebe as vestes talares. Foto: Gerhard Waller/Esalq.

Foi quando recebi um convite para fazer doutorado. Donald R. Nielsen, que era um professor da Universidade da Califórnia e influência na área, sugeriu para o meu orientador do mestrado, Paulo Leonel Libardi, que me mantivesse por ali. Logo no primeiro semestre do doutorado, entrei para a cadeira docente de agricultura irrigada, em julho de 1989. Nessa época, eu tinha 26 anos, ainda mestre e doutorando.

Esse mesmo professor, Donald Nielsen, foi quem influenciou a minha carreira acadêmica desde o início. Em outubro de 1989, eu fui para Trieste, na Itália, primeira viagem internacional que fiz, para participar de um College On Science Physics, no Centro Internacional de Física Teórica, com o professor Nielsen. Ele era professor titular do Land, Air and Water Resources de Davis, na Califórnia, Estados Unidos. Também fui para Davis, de 1993 a 1995, para fazer meu pós-doutorado. Isso mudou a minha vida, porque eu tive uma experiência internacional.

De lá para cá, venho trabalhando diretamente no Departamento de Produção Vegetal da Esalq, que é o antigo Departamento de Agricultura. Entrei como professor assistente, mas, em 1992, quando terminei o doutorado, virei professor doutor. Depois, fiz livre-docência e, em 2006, virei professor titular. São 37 anos sendo professor no departamento. Durante minha carreira, fui chefe do departamento, coordenador da pós-graduação em Fitotecnia e diretor da Esalq por 4 anos.

Profº Durval possui mestrado e doutorado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Esalq/USP. Foto: Danilo Lysei/CLB.

2. O que cativa o senhor na trajetória acadêmica e na ciência para continuar aqui tantos anos, principalmente na ciência brasileira?

Bem, a academia, a gente entende por três grandes áreas de atuação: pesquisa, ensino e extensão. Eu tenho atuado nessas três áreas com equilíbrio.

No caso da graduação, por exemplo, eu tenho um grupo de extensão, o Grupo de Estudos Luiz de Queiroz, que vai fazer 25 anos agora. Desde que começamos, tivemos 589 estudantes. Nós fomos para diferentes países, em 24 viagens internacionais. Fomos para Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Costa Rica, México, Estados Unidos, Portugal, França e Espanha.

No âmbito da graduação, a gente deve ter dado aula para mais de 10 mil alunos, principalmente no curso de agronomia. Eu tive a satisfação de ter sido homenageado por umas 12 ou 14 turmas.

Na pós-graduação, que é a área em que tenho atuado mais fortemente, tenho o orgulho de ter cerca de 150 alunos defendidos, de mestrado e doutorado.

Já no campo da pesquisa e extensão, sou pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, e tenho somado aproximadamente 300 trabalhos publicados. Os livros publicados também são 50 no total, todos na área de agronomia.

A atuação acadêmica é multidisciplinar e tem essa transversalidade de ensino, pesquisa e extensão. Hoje estamos coordenando esse Centro de Agricultura Tropical Sustentável, com alguns projetos. Entre eles, o de agricultura irrigada, estudo que deu origem ao Plano Nacional de Irrigação. Outro é para conectividade rural, em que identificamos, no Brasil, quantas antenas precisaríamos ter em cada município brasileiro para acesso à internet, mas com um viés de agricultura, em função da inclusão digital, que permite ao agricultor criar negócios, ter maior segurança na propriedade e ter acesso à educação. Também há outros projetos de segurança alimentar e biomas.

Em 2024, o docente foi vencedor do Prêmio Fundação Bunge, categoria Vida e Obra, em reconhecimento às suas produções acadêmicas. Foto: Danilo Lysei/CLB.

3. Quais são os principais objetivos do STAC e seu diferencial estratégico? A que se propõe a sua criação? Como o senhor avalia a importância do centro para o país, em uma das universidades mais renomadas da América Latina?

O Centro de Agricultura Tropical Sustentável, Sustainable Tropical Agriculture Center, STAC, foi criado em 2023, durante a gestão do então reitor, professor Carlos Gilberto Carlotti Junior. Na verdade, esse é um dos centros. Ele criou 10 na USP.

Foi idealizado com um propósito claro: articular soluções estratégicas e inovadoras para a segurança alimentar global por meio da agricultura tropical sustentável. Sediado aqui na Esalq, tem a missão de promover a contínua integração entre a academia, o setor público e a iniciativa privada, tanto no Brasil quanto no exterior.

O Centro de Agricultura Tropical Sustentável, em inglês, STAC, fica localizado em Piracicaba, a quase 160 km da capital paulista. Foto: Danilo Lysei/CLB.

Nosso escopo de atuação abrange o desenvolvimento de diagnósticos sobre a cadeia global de alimentos, a formulação de políticas públicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, da Agenda 2030 da ONU, além da forte dedicação à pesquisa, inovação, empreendedorismo e formação de lideranças. O STAC atua produzindo sínteses de conhecimento tecnológico para fornecer subsídios científicos robustos à tomada de decisão.

“Basicamente, o que a gente procura fazer é utilizar todo o conhecimento científico que nós temos para resolver problemas práticos com base nas demandas da sociedade.”

Profº Durval Dourado Neto

Historicamente, a ciência agrícola global foi pautada e desenvolvida por centros de excelência localizados no Hemisfério Norte, quase sempre voltados para climas temperados. O nosso grande diferencial estratégico é corrigir essa assimetria.

Com a recente inauguração da nossa sede física, em 12 de janeiro de 2026, o STAC se consolida como um hub internacional, assumindo a missão de liderar o desenvolvimento da ciência para os trópicos.

Francisco Maturro, Durval Dourado Neto, Carlos Gilberto Carlotti Junior e Klaus Reichard na inauguração da sede do STAC, em janeiro de 2026. Foto: Gerhard Waller/Esalq.

Abrigarmos este centro na Universidade de São Paulo, uma das instituições mais renomadas da América Latina, é fundamental. É a chancela da USP que garante o rigor científico necessário para atestar ao mundo que as nossas práticas são, de fato, sustentáveis e replicáveis.

Para o Brasil, o STAC representa um marco na diplomacia científica. É o passo definitivo para a consolidação do nosso protagonismo: deixamos de ser vistos apenas como um grande produtor agrícola para nos firmarmos como um dos principais provedores de conhecimento agroambiental do século XXI. Nossa ciência e nossa articulação serão fundamentais para um país que tem a responsabilidade de suprir de 14% a 20% da demanda por segurança alimentar mundial até 2050.

Eu costumo dizer que é como aquela teoria do fato, valor e norma, que no direito é conhecida como teoria tridimensional. Tem o fato, que é a realidade; o valor, como a sociedade enxerga o fato; e a norma, que é a consequência do valor dado ao fato. Ou seja, o resultado dessa interpretação. Nós estamos constantemente com esses desafios de fato, valor e norma. Transformar conhecimento em riqueza. Basicamente, essa é a grande missão. Porque, na verdade, quando você entende o modelo fato, valor e norma, o grande desafio das discussões está justamente no valor.

Famoso vitral do Edifício Central da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Esalq/USP, onde estudantes posam para fotos institucionais. Foto: Danilo Lysei/CLB.

4. Quais são as principais características que diferenciam a agricultura tropical de outros sistemas agrícolas no mundo? Por que o ambiente tropical representa ao mesmo tempo oportunidades e desafios para a produção agrícola?

A distinção fundamental entre a agricultura tropical e a de clima temperado, praticada na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, reside na dinâmica biológica. Em regiões de clima temperado, o inverno rigoroso e a neve atuam como “esterilizadores naturais”, quebrando o ciclo reprodutivo de pragas, doenças e plantas daninhas.

Nos trópicos, a vida pulsa ininterruptamente, 365 dias por ano. Essa característica central define tanto os nossos maiores obstáculos quanto a nossa principal vantagem competitiva.

Essa ausência de interrupção biológica impõe condições que exigem um manejo agronômico de altíssima complexidade. Destacam-se dois grandes desafios:

Pressão fitossanitária severa: sem o “inverno esterilizador”, o enfrentamento a pragas, doenças e plantas invasoras precisa ser constante e pautado por muita tecnologia.

Solos intemperizados: cultivamos em solos antigos e naturalmente pobres em nutrientes, que demandam um esforço contínuo de estruturação e correção química, física e biológica.

Se a falta de um inverno rigoroso traz desafios, ela é, ao mesmo tempo, o nosso maior trunfo. O ambiente tropical transforma o desafio agronômico em uma janela de oportunidades sem precedentes para a oferta global de alimentos por meio da intensificação do uso da terra.

Isso é possível graças à abundância de radiação fotossinteticamente ativa aliada à disponibilidade hídrica em grande parte do nosso território. É exatamente essa conjugação que viabiliza o nosso modelo de duas a três safras anuais na mesma área, uma capacidade produtiva incomparável no mundo, que coloca o Brasil na vanguarda da segurança alimentar global.

Durval posa ao lado da lápide de Luiz Vicente de Sousa Queiroz, transferida para frente do prédio central da Esalq em 1964. Foto: Danilo Lysei/CLB.

5. Quais tecnologias ou modelos produtivos desenvolvidos no Brasil poderiam ser replicados em outros países tropicais? Na sua visão, quais são as principais contribuições que a agricultura tropical brasileira pode oferecer para a mitigação das mudanças climáticas, considerando os avanços na produtividade, sustentabilidade e adoção de tecnologias?

O Brasil viveu uma transição histórica: deixamos de importar pacotes tecnológicos de clima temperado, quase sempre incompatíveis com a nossa realidade, para nos tornarmos os maiores desenvolvedores de ciência agrícola tropical do mundo.

Hoje, o modelo mais valioso que temos para compartilhar com outras nações da zona intertropical, como países da África, Ásia e América Latina, baseia-se nas nossas tecnologias “poupa-terra”. Elas provam que é possível intensificar a produção e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente.

No campo dos insumos, destaco três inovações brasileiras que são perfeitamente replicáveis:

Sementes e melhoramento genético, a tropicalização: fomos pioneiros na adaptação de culturas de clima temperado para o calor. O desenvolvimento de cultivares de soja adaptadas a baixas latitudes, por exemplo, é um marco científico nosso. Essa mesma genética tem o potencial de revolucionar a produção em países africanos que possuem condições edafoclimáticas, solo e clima, muito semelhantes às do Cerrado brasileiro.

Defensivos e Manejo Integrado de Pragas, MIP: como a nossa dinâmica biológica não para ao longo do ano, desenvolvemos inteligência agronômica. Criamos protocolos rigorosos de Manejo Integrado de Pragas específicos para os trópicos, o que nos permite otimizar a eficiência dos defensivos químicos de forma muito mais racional, barateando custos e reduzindo impactos. Esse modelo de gestão é exportável para qualquer nação tropical.

A revolução dos insumos biológicos: este é o nosso grande salto atual e nossa principal vitrine global. O Brasil lidera hoje a adoção em larga escala de bioinsumos, biodefensivos e biofertilizantes. Desenvolvemos um modelo altamente escalável que utiliza a própria biodiversidade tropical para o controle natural de pragas e para a fixação biológica de nitrogênio no solo. É uma tecnologia limpa, acessível e a solução ideal para ser replicada em outras nações em desenvolvimento.

“Como engenheiro agrônomo, compreendi que o avanço da nossa agricultura dependeria de uma forte base em ciência, princípios.”

Profº Durval Dourado Neto

Nossa maior contribuição para a mitigação das mudanças climáticas é entregar ao mundo a prova empírica de que é perfeitamente possível expandir a oferta de alimentos sem a necessidade de supressão vegetal, desmatamento, de novas áreas.

A chave para isso é a intensificação sustentável, alicerçada na ciência desenvolvida para a ocupação inteligente do nosso território, e a adoção em larga escala das nossas já consolidadas tecnologias “poupa-terra”.

Na prática, geramos impacto climático positivo por meio de grandes frentes tecnológicas e de manejo, como o desenvolvimento de tecnologias para a correção e produção no Cerrado e a adoção do Sistema de Plantio Direto e do sistema de cultivo mínimo.

Além dessas conquistas, destacam-se o contínuo melhoramento genético do Nelore, do café, do feijão, da cana-de-açúcar e de outras espécies, responsável por garantir maior resiliência climática e expressivos ganhos de produtividade; e a adaptação estratégica de espécies exóticas, com a introdução e o desenvolvimento de sistemas avançados de manejo de gramíneas forrageiras de origem africana, poáceas, que revolucionaram a pecuária brasileira e viabilizaram o maior e mais eficiente sistema de produção de proteína animal a pasto do mundo.

Importante citar os Sistemas Agroflorestais, SAFs, a revolução dos bioinsumos, os sistemas da Integração Lavoura-Pecuária, ILP, e da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, ILPF, que otimiza o uso do solo o ano inteiro, a recuperação de áreas degradadas e o uso racional de recursos, com aplicação de sistemas de irrigação de precisão e manejo inteligente de água e nutrientes.

Ao adotarmos essas tecnologias, vamos muito além de apenas evitar novas emissões: transformamos a agricultura em um gigantesco sumidouro de carbono.

O agronegócio brasileiro, quando pautado pelo rigor da ciência tropical que desenvolvemos, não é o antagonista do clima; ele é, de fato, a mais eficiente Solução Baseada na Natureza, NbS, Nature-based Solutions, operando em escala global.

Perfil

Durval Dourado Neto é membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica. Atua como pesquisador científico e professor titular, desde 2006, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo. É também atual coordenador do Centro de Agricultura Tropical Sustentável.

Cientista dedicado ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária, na Esalq teve passagens acadêmicas pela chefia do Departamento de Produção Vegetal, coordenação de curso de pós-graduação, vice-diretoria e diretoria da universidade, este último entre 2019 e 2023.

Graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa de Minas Gerais, UFV-MG, possui mestrado, com ênfase na área de concentração em Irrigação e Drenagem, e doutorado em Agronomia, área de concentração em Solos e Nutrição de Plantas, além de doutorado em Fitotecnia, ambos pela Universidade de São Paulo, Esalq/USP. Também tem especialização e pós-doutorado em Física do Solo e Modelagem em Agricultura pela University of California Davis, nos Estados Unidos.

Ao longo de quase 40 anos de carreira, ensinou a mais de 10,2 mil alunos de graduação, orientou 154 mestres e doutores, publicou 296 artigos científicos nacionais e internacionais, escreveu 50 livros e desenvolveu 81 softwares. Com atuação em todo o Brasil e em 62 países, destaca-se pela contribuição à pesquisa, à formação de recursos humanos e ao desenvolvimento da agricultura tropical do Brasil.

Natural de Goiânia, cresceu em Brasília e migrou para estudos na região Sudeste.





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Setores do vinho e cachaça miram novos mercados


A 32ª edição da Caravana do Agro Exportador reuniu representantes dos setores vitivinícola e da cachaça em São Paulo para discutir oportunidades de negócios e estratégias de inserção no mercado internacional. O encontro foi realizado no Expo Center Norte, durante a Wine São Paulo Trade Fair e a Cachaça Trade Fair, reunindo vinícolas, alambiques, empresários, técnicos e representantes dos setores público e privado.

A programação abordou temas ligados à exportação de vinhos, espumantes, sucos de uva, cachaças e seus derivados. O foco nos dois segmentos acompanha o crescimento da produção nacional e os esforços para ampliar a participação brasileira no comércio exterior.

Dados apresentados durante o evento mostram que o Brasil produziu 280 milhões de litros de vinho em 2025 e exportou vinhos e espumantes para cerca de 63 países, alcançando receita de US$ 13,3 milhões. Na cadeia da cachaça, os estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária declararam produção de 292,5 milhões de litros em 2024, enquanto as exportações do setor somaram US$ 17,1 milhões em 2025.

Durante a Caravana, representantes da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, vinculada ao Mapa, apresentaram ações voltadas à promoção comercial e ao apoio aos exportadores. Entre as iniciativas destacadas estão a participação em feiras internacionais e o uso das plataformas AgroInsight, ConectAgro e Passaporte Agro para facilitar o acesso a mercados externos.

As exigências relacionadas ao registro de estabelecimentos, certificações e requisitos dos países importadores também estiveram em pauta. Técnicos do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal esclareceram dúvidas dos participantes sobre os procedimentos necessários para ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior.

O Instituto Brasileiro da Cachaça e o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul apresentaram projetos de promoção comercial e qualificação do setor. Entre as iniciativas destacadas estão os programas “Cachaça: Taste the New, Taste Brasil” e “Wines of Brazil”, desenvolvidos em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

A programação também contou com a participação virtual dos adidos agrícolas brasileiros na União Europeia, nos Estados Unidos e no México. Os representantes apresentaram informações sobre acesso a mercados, tendências de consumo e exigências para a comercialização desses produtos. No caso europeu, também foram debatidas as perspectivas relacionadas ao Acordo Mercosul-União Europeia.

Outro destaque do encontro foi a participação de Fernanda Spinelli, delegada científica brasileira de Enologia e presidente da Subcomissão de Métodos de Análises da Organização Internacional da Vinha e do Vinho. Ela abordou transformações observadas no mercado global, como o aumento da demanda por bebidas desalcoolizadas, produtos com menor teor de açúcar e itens de origem orgânica, além dos desafios relacionados às mudanças climáticas e à adoção de novas tecnologias.

Coordenada pela SCRI, a Caravana do Agro Exportador percorre diferentes regiões do país levando informações sobre acesso a mercados, certificações, promoção comercial e exigências para exportação. Segundo os organizadores, a programação é adaptada às características e necessidades de cada cadeia produtiva, reunindo representantes do governo, do setor privado e de entidades parceiras.





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RS amplia área de milho e eleva produção



Área cultivada de milho cresce 13,1%



Foto: Canva

A colheita de milho da safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul alcançou cerca de 98% da área cultivada e entra na fase final, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (11) pela Emater/RS-Ascar. As áreas ainda não colhidas correspondem, principalmente, a lavouras implantadas no período tardio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), concentradas em pequenas propriedades rurais.

De acordo com a entidade, as condições climáticas registradas em maio, marcadas por menor temperatura e boa disponibilidade de radiação solar, contribuíram para o prolongamento do ciclo das lavouras semeadas mais tarde. Com isso, uma pequena parcela das áreas permaneceu em fases de enchimento de grãos e maturação durante o período.

A Emater/RS-Ascar informa que, de forma geral, o desempenho das lavouras foi considerado satisfatório. Os grãos colhidos apresentam boa qualidade, embora a elevada umidade observada em parte da produção tenha exigido processos de secagem para garantir condições adequadas de armazenamento.

A produtividade média estadual foi reestimada em 7.362 quilos por hectare, resultado praticamente estável em relação à projeção inicial de 7.376 quilos por hectare, realizada antes do início do plantio. Já a área cultivada passou por revisão e totalizou 812.540 hectares, representando aumento de 13,1% na comparação com os 718.190 hectares semeados na safra 2024/2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Mesmo com impactos pontuais provocados pelo déficit hídrico ao longo do ciclo produtivo, a produção gaúcha de milho está estimada em 5.981.614 toneladas. O volume representa crescimento de 13,1% em relação às 5.290.051 toneladas colhidas na safra anterior, consolidando um avanço tanto em área cultivada quanto em produção no Estado.





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o Brasil em dois extremos nesta semana


O Brasil enfrenta nesta quarta-feira (17) e quinta-feira (18) de junho um cenário meteorológico dividido: enquanto o centro-sul do país convive com frio intenso e risco de geada nas serras, a Região Norte concentra os maiores volumes de chuva do período. No Sul, o tempo abre espaço para a instabilidade na quinta, com retorno das precipitações ao oeste gaúcho acompanhadas de trovoadas.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na Região Sul, as manhãs dos dois dias serão marcadas pelo frio intenso, com temperaturas próximas a 0 °C e risco de geada nas serras gaúchas e catarinenses e no sul do Paraná. A quarta-feira (17) deve ter tempo aberto na maior parte da região, mas a chegada de uma frente de instabilidade na quinta (18) deve trazer chuva e possíveis trovoadas ao oeste do Rio Grande do Sul. Com exceção do noroeste e do litoral paranaense, onde as mínimas ficam acima de 10 °C, o restante da região amanhece entre 4 °C e 9 °C, com máximas que não devem ultrapassar os 24 °C e ficam entre 14 °C e 16 °C nas áreas serranas.

No Sudeste, o frio também é destaque, especialmente nas áreas de serra de São Paulo e Minas Gerais, onde os termômetros devem marcar cerca de 4 °C. O interior paulista e o centro-sul mineiro registram entre 6 °C e 10 °C. Há ainda chance de geada fraca e isolada em regiões de baixada. Apesar das manhãs geladas, o tempo estável favorece uma elevação gradual das temperaturas ao longo do dia, com as máximas mais altas ocorrendo no norte de Minas, chegando a 30 °C. Chuvas isoladas estão previstas para a região serrana do Rio de Janeiro, Espírito Santo e nordeste de Minas na quarta (17), cenário que se mantém apenas em Minas na quinta (18).

No Centro-Oeste, predomina o tempo firme e o céu claro nos dois dias, com exceção do Mato Grosso, que deve registrar chuvas isoladas com trovoadas. O sul do Mato Grosso do Sul concentra as menores temperaturas da região, entre 8 °C e 10 °C, enquanto o norte e leste do Mato Grosso e o noroeste de Goiás podem chegar a 34 °C.

No Nordeste, chuvas isoladas estão previstas na faixa litorânea que vai da Bahia ao Maranhão e em áreas serranas do Ceará e da Bahia. Na quinta-feira (18), as precipitações se concentram entre o centro e leste baiano, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. O frio atinge as serras baianas, com mínimas de 14 °C, enquanto o interior da região, como Piauí e Vale do São Francisco, deve registrar máximas de até 36 °C.

Na Região Norte, o padrão de pancadas de chuva se mantém. Para a quarta-feira (17), há previsão de chuvas com trovoadas no Amazonas, centro-norte do Pará, Amapá e Roraima — quadro que se repete na quinta (18). O Tocantins, o sul de Rondônia e a divisa entre Pará e Mato Grosso seguem com tempo firme e seco nos dois dias. As temperaturas variam de mínimas de 17 °C no sul de Rondônia a máximas de até 36 °C no Tocantins.





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AgroNewsPolítica & Agro

Trigo ganha ritmo, mas área deve encolher


A semeadura do trigo avançou de forma significativa no Rio Grande do Sul nas últimas semanas, impulsionada pelas condições favoráveis do solo e pela expectativa de novas precipitações. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (11) pela Emater/RS-Ascar, as lavouras já implantadas apresentam, de modo geral, germinação adequada, emergência uniforme e bom desenvolvimento inicial.

Apesar da evolução dos trabalhos no campo, a expectativa segue sendo de redução da área cultivada em comparação à safra anterior. Conforme a entidade, fatores como restrições de crédito, menor nível tecnológico empregado, custos elevados de produção e incertezas climáticas têm influenciado as decisões dos produtores. Também foi observada maior utilização de sementes salvas e redução dos investimentos em fertilização de base como forma de diminuir os custos de implantação.

Em algumas regiões do Estado, áreas inicialmente destinadas ao trigo poderão ser substituídas por culturas alternativas, plantas de cobertura ou atividades pecuárias. A estimativa oficial da área cultivada na safra 2026 ainda está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na temporada anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, alcançando produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção de 3,45 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Na região administrativa de Bagé, o avanço da semeadura ocorreu de forma desigual entre os municípios. Em Maçambará, os trabalhos permaneceram praticamente paralisados devido à baixa umidade do solo, atingindo pouco mais de 40% da área prevista. As primeiras lavouras apresentam bom estande de plantas e seguem recebendo aplicações para manejo de plantas daninhas em pré-plantio e pós-emergência.

Em Itacurubi, cerca de 30% dos 1.500 hectares projetados já foram semeados, favorecidos pelas chuvas registradas no final de maio. A Emater/RS-Ascar observa diminuição do interesse pela cultura na região, com parte dos produtores destinando áreas para pastagens voltadas à pecuária de corte ou para arrendamento.

Na região de Caxias do Sul, a semeadura começou de forma pontual nos municípios de menor altitude. Nos Campos de Cima da Serra, responsáveis por aproximadamente 90% da área regional de trigo, os trabalhos ainda não foram iniciados devido ao calendário mais tardio de implantação.

Na regional de Frederico Westphalen, a semeadura já alcança cerca de 80% da área prevista. As lavouras apresentam estabelecimento inicial satisfatório e desenvolvimento vegetativo considerado adequado. As condições de temperatura e umidade do solo seguem favorecendo o crescimento das plantas e o avanço dos trabalhos dentro da janela recomendada.

Na região de Ijuí, a semeadura ganhou ritmo nas últimas semanas, beneficiada pelas condições de solo mais seco e pela previsão de chuvas. As primeiras áreas implantadas encontram-se em emergência, formação das primeiras folhas e início do perfilhamento. Também seguem os trabalhos de dessecação e preparação das áreas. A expectativa é de redução próxima de 20% na área cultivada, cenário associado à menor disponibilidade de crédito e à redução dos investimentos tecnológicos. A entidade também registra aumento no uso de sementes salvas e crescimento dos contratos destinados à produção de trigo para etanol.

Na regional de Passo Fundo, a implantação já alcança aproximadamente 70% da área projetada. As lavouras encontram-se em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo inicial, apresentando evolução considerada satisfatória diante das condições climáticas observadas.

Em Santa Maria, a estimativa inicial aponta redução de até 36% na área cultivada em relação à safra anterior. Em Tupanciretã, principal município produtor da região, cerca de 40% dos 10,9 mil hectares projetados já foram implantados.

Na região de Santa Rosa, a semeadura atingiu aproximadamente 40% da área prevista. As condições de umidade do solo e a boa incidência solar favoreceram o desenvolvimento das lavouras já implantadas, que apresentam aumento da área foliar e melhora do aspecto visual. A expectativa também é de retração da área cultivada. Muitos produtores optaram pelo uso de sementes salvas, redução da aplicação de fertilizantes e menor investimento tecnológico para diminuir riscos econômicos. Em algumas propriedades foram registradas infestações de corós, exigindo medidas de controle. Há ainda relatos de que parte das áreas poderá ser destinada apenas à cobertura do solo caso o cenário para produção de grãos se torne menos favorável.

Na regional de Soledade, a área destinada ao trigo também deverá apresentar redução em comparação ao ciclo anterior. A semeadura alcança cerca de 20% da área projetada, favorecida pelas condições climáticas. As lavouras implantadas apresentam germinação adequada, desenvolvimento inicial satisfatório e emergência uniforme.





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Sindilat destaca desafios e oportunidades no Dia Mundial do Leite


Para marcar o Dia Mundial do Leite, celebrado nesta segunda-feira (1º/6), o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) se uniu às mais de 600 pessoas, entre produtores, estudantes, técnicos e autoridades, na cidade de Três de Maio (RS).

Em um dos principais polos da bacia leiteira do Noroeste gaúcho, o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, destacou a importância do leite no desenvolvimento do estado. “O leite é central na economia de centenas de municípios gaúchos. Precisamos construir um ambiente que permita ao setor ter competitividade para as indústrias, rentabilidade ao produtor, eficiência e perspectiva de futuro. O diálogo entre todos os elos da cadeia é fundamental para que o Rio Grande do Sul siga como referência nacional na produção leiteira”, destacou no painel “Visão do Sindilat/RS sobre o futuro do setor leiteiro do RS”.

Entre as atividades realizadas no Parque de Exposições Germano Dockhorn, o painel Perspectiva do Setor Leiteiro – Leite do Futuro foi mediado pelo secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini. “Precisamos de políticas públicas fortes para proteger o mercado nacional, principalmente na questão da elevação da entrada dos importados, eliminar gargalos produtivos e fortalecer programas como o Programa Mais Leite Saudável, que contribuem para a qualidade, a assistência técnica e a competitividade do setor”, defendeu no painel que contou com a participação do engenheiro agrônomo e diretor da Transpondo – Desafios da Cadeia do Leite, Wagner Beskow, falando sobre gestão, tecnologia e eficiência produtiva. A programação incluiu ainda recepção temática com produtos lácteos, lançamento do concurso Produtor de Leite Destaque Amufron, apresentação da Expo Terneira 2026 e almoço de confraternização.

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AgroNewsPolítica & Agro

Aveia-branca avança e se aproxima do fim da semeadura


A implantação da aveia-branca está próxima da conclusão na maior parte das regiões produtoras do Rio Grande do Sul. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (11) pela Emater/RS-Ascar, as condições climáticas têm favorecido a emergência, o estabelecimento e o desenvolvimento inicial das lavouras, que apresentam estande considerado adequado e baixa incidência de pragas e doenças.

As áreas semeadas mais cedo já se encontram em fase inicial de perfilhamento. Nesse estágio, os produtores intensificam a aplicação de nitrogênio em cobertura e realizam os demais tratos culturais necessários para o desenvolvimento da cultura. O cenário observado no campo tem contribuído para a evolução das lavouras dentro das expectativas para o período.

Em relação à área cultivada, a Emater/RS-Ascar aponta um quadro de estabilidade em parte das regiões produtoras. Em outras localidades, há registro de expansão moderada da cultura, reforçando a importância da aveia-branca nos sistemas produtivos de inverno do Estado.

A estimativa da área destinada à safra de 2026 ainda está em levantamento pela entidade. Na safra de 2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Rio Grande do Sul cultivou 393.135 hectares de aveia-branca, alcançando produtividade média de 2.394 quilos por hectare e produção total de 935.664 toneladas.

Na região administrativa de Frederico Westphalen, a semeadura já foi concluída. A expectativa é de aumento da área cultivada em comparação à safra anterior. As lavouras apresentam bom estabelecimento e desenvolvimento, enquanto os produtores seguem realizando adubação nitrogenada em cobertura e monitoramento fitossanitário das áreas.

Na regional de Ijuí, a implantação alcança cerca de 85% da área projetada. A tendência é de manutenção da área cultivada em relação ao ciclo passado, uma vez que os aumentos previstos em alguns municípios devem compensar reduções registradas em outros. As primeiras lavouras implantadas já estão em início de perfilhamento e apresentam estande e desenvolvimento considerados satisfatórios, com baixa incidência de pragas e doenças.

Na região de Passo Fundo, a semeadura atinge aproximadamente 98% da área prevista. As lavouras encontram-se distribuídas entre as fases de germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial, mantendo evolução compatível com as condições observadas até o momento.

Na regional de Santa Maria, a estimativa inicial indica redução da área cultivada em comparação à safra anterior. Em Tupanciretã, principal município produtor da região, a semeadura foi concluída nos 7.700 hectares previstos para a cultura.





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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado do boi gordo inicia semana sem definição em São Paulo


O mercado do boi gordo começou a terça-feira (16) sem uma tendência definida em São Paulo. De acordo com a análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgada pela Scot Consultoria, as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias negociadas.

Após as valorizações registradas ao longo da semana anterior, os negócios avançaram com fluidez. Os vendedores conseguiram escoar os lotes sem dificuldades, enquanto os frigoríficos que aceitaram os preços pedidos pelos pecuaristas conseguiram ampliar e alongar suas escalas de abate. No entanto, o início da terceira semana do mês trouxe um cenário de maior cautela entre os agentes do mercado.

Segundo a Scot Consultoria, mesmo as indústrias que já estavam abastecidas voltaram às negociações, mas apresentando ofertas menores pelas boiadas. O movimento reflete uma oferta suficiente para atender à demanda, porém sem excedentes, além das preocupações relacionadas ao preenchimento da cota destinada à China e ao desempenho das vendas de carne no mercado interno, que ficaram abaixo das expectativas.

Nesse contexto, a consultoria destaca que a postura dos pecuaristas será decisiva para determinar os próximos movimentos do mercado. Apesar da queda nas temperaturas, as chuvas continuam garantindo boa umidade no solo, favorecendo as condições das pastagens e permitindo que os produtores mantenham uma estratégia mais gradual de comercialização dos animais.

Os frigoríficos com escalas mais curtas permaneceram ativos e continuaram pagando os valores de referência vigentes. As escalas de abate atendiam, em média, sete dias de operação.

No Acre, o mercado apresentou firmeza, mas sem alterações nos preços praticados.

No mercado externo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura perderam ritmo na segunda semana de junho em comparação com a primeira, mas seguiram em patamar elevado. Nos nove primeiros dias úteis do mês, os embarques somaram 129,7 mil toneladas, com média diária de 14,4 mil toneladas, volume 19,6% superior ao registrado no mesmo período de junho de 2025.

A receita também segue em trajetória positiva. A cotação média da tonelada exportada alcançou US$ 6,6 mil, alta de 20,4% na comparação anual.

De acordo com a análise da Scot Consultoria, a combinação entre volumes elevados de embarque e preços mais altos pagos pela carne bovina mantém a perspectiva de um desempenho histórico para o setor. Com menos da metade dos dias úteis de junho transcorridos, o faturamento acumulado pelo segmento já corresponde a 64,8% de toda a receita obtida em junho do ano passado, o que reforça a expectativa de que junho de 2026 seja o melhor mês de junho da série histórica em faturamento com exportações de carne bovina.





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