segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

AgroNewsPolítica & Agro

Crise no agro exige reação urgente e nova securitização


A crise no agro brasileiro, marcada por custos elevados, eventos climáticos extremos e juros altos, tem pressionado produtores e ampliado o risco de inadimplência no setor. O cenário, analisado por Maurício Buffon, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja – Aprosoja Brasil, reacende o debate sobre a necessidade de uma nova securitização para garantir a continuidade da produção e evitar impactos na economia nacional.

O agronegócio brasileiro atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. No artigo “O Agro Brasileiro no limiar de uma nova securitização”, Buffon avalia que o setor vive uma “tempestade perfeita”, formada pela combinação de fatores econômicos e climáticos.

Segundo ele, a pandemia de Covid-19 e os conflitos geopolíticos elevaram significativamente os custos de produção, especialmente dos fertilizantes — insumo no qual o Brasil depende mais de 90% de importações. Ao mesmo tempo, secas e inundações em regiões como Rio Grande do Sul e Centro-Oeste comprometeram safras e reduziram margens de lucro.

O reflexo direto desse cenário é o avanço do endividamento rural. Com juros reais em níveis elevados e inflação de custos persistente, muitos produtores passaram a enfrentar dificuldades para honrar compromissos financeiros. Buffon destaca que os pedidos de Recuperação Judicial (RJ) no campo cresceram mais de 500% em 2023 em relação ao ano anterior. Para o dirigente, esse avanço da inadimplência deixou de ser um risco pontual e passou a representar uma ameaça sistêmica ao agronegócio e à economia brasileira.

Outro ponto crítico está na estrutura atual de crédito rural. Na avaliação de Buffon, o modelo vigente prioriza garantias para as instituições financeiras, em detrimento da proteção ao produtor. Sem mudanças estruturais, o financiamento da próxima safra já apresenta sinais de desaceleração, o que pode comprometer o setor responsável por grande parte da geração de riqueza e divisas do país.

Nova securitização ganha força no debate

Diante desse cenário, ganha força a defesa de uma solução mais ampla. A proposta vai além de prorrogações pontuais e aponta para um programa estruturado de renegociação de dívidas. Buffon observa que a mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Instituto Pensar Agro (IPA) indica que o tema deve ganhar prioridade legislativa em 2026.

O Projeto de Lei 5122 aparece como peça central dessa estratégia, com potencial de criar uma nova arquitetura de crédito e seguro rural, ampliando a segurança jurídica para os produtores.

A crise atual coloca em xeque a capacidade do Brasil de manter sua posição como protagonista global na produção de alimentos e energia limpa. Na análise de Buffon, a aprovação de medidas estruturantes pode não apenas aliviar o endividamento, mas também permitir que produtores retomem investimentos em produtividade e inovação.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Santa Catarina bate recorde em exportação de carnes


Santa Catarina alcançou no primeiro trimestre de 2026 o melhor resultado da série histórica nas exportações de carnes, considerando tanto receita quanto volume. De janeiro a março, o estado embarcou 518,4 mil toneladas, com faturamento de US$ 1,17 bilhão, o que representa crescimento de 4% em quantidade e de 9,6% em receita na comparação com o mesmo período de 2025.

Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e organizados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), que acompanham o desempenho do setor.

A carne suína foi o principal destaque do período. O estado exportou 182,4 mil toneladas, com receita de US$ 454,3 milhões, avanços de 4% em volume e 7,5% em faturamento. O resultado também representa o melhor desempenho da série histórica para o trimestre.

O Japão liderou os destinos da carne suína catarinense, respondendo por 31,7% da receita total, seguido por Filipinas e China. O mercado japonês registrou expansão significativa, com aumento de 59,8% no volume exportado e de 53,7% na receita, impulsionado pela demanda asiática. No cenário nacional, Santa Catarina concentrou 47,8% do volume e 50,1% das receitas das exportações brasileiras de carne suína no período.

As exportações de carne de frango também apresentaram crescimento. Foram embarcadas 316,7 mil toneladas, com faturamento de US$ 664,3 milhões, altas de 3,2% em volume e 7,7% em receita. O resultado configura o maior faturamento da série histórica e o segundo maior volume já registrado para o trimestre.

Apesar do desempenho geral positivo, houve recuo nos embarques para o Oriente Médio em março. Segundo o analista da Epagri/Cepa, Alexandre Giehl, “A retração reflete tensões geopolíticas na região, que têm provocado atrasos logísticos e aumento de custos”. Ainda de acordo com ele, o crescimento das exportações para mercados como Japão, China e Chile compensou a queda registrada naquele destino.

No consolidado nacional, Santa Catarina respondeu por 24,5% da receita e 22,3% do volume das exportações brasileiras de carne de frango no trimestre, mantendo posição relevante no setor.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Colheita do feijão avança e confirma estimativas


A colheita do feijão da primeira safra no Rio Grande do Sul está em fase de encerramento, sem maiores restrições operacionais, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (23). Na maior parte das regiões produtoras, os rendimentos ficaram próximos das expectativas iniciais, embora haja variações conforme o sistema de cultivo e as condições hídricas.

Na região dos Campos de Cima da Serra, onde se concentra a maior produção estadual, os trabalhos estão praticamente concluídos, restando apenas áreas pontuais com cultivares tardias. A produtividade média regional não deve ultrapassar 1.200 kg por hectare, abaixo do esperado. Em áreas irrigadas, os rendimentos chegaram a 2.800 kg por hectare, enquanto nas lavouras de sequeiro variaram entre 900 e 1.200 kg por hectare, evidenciando o impacto das condições de umidade sobre o resultado final. A estimativa estadual de produtividade é de 1.781 kg por hectare, segundo a Emater. A área cultivada com feijão de primeira safra no estado está estimada em 23.029 hectares.

Para a segunda safra, as lavouras se encontram majoritariamente em fase reprodutiva avançada, com enchimento de grãos e início de maturação, e apenas uma pequena parcela já foi colhida. O desenvolvimento da cultura tem sido favorecido pela disponibilidade de água no solo e pelas temperaturas amenas, o que mantém o potencial produtivo.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, “As plantas apresentam desenvolvimento vegetativo e reprodutivo satisfatórios, além de formação de vagens e enchimento de grãos ideais, mantendo o bom potencial produtivo”. A colheita ocorre de forma gradual, acompanhando a distribuição das fases das lavouras, sem variações expressivas de produtividade entre as áreas.

No aspecto fitossanitário, as lavouras apresentam condições adequadas na maior parte das regiões, com baixa incidência de pragas e doenças. Ainda assim, a elevada umidade relativa do ar aumenta o risco de doenças fúngicas, o que exige monitoramento contínuo. A projeção para a segunda safra é de área de 11.690 hectares e produtividade média de 1.401 kg por hectare.

Na região de Ijuí, a cultura se aproxima da maturação, com predominância da fase de enchimento de grãos, representando 64% das lavouras. Cerca de 14% das áreas estão maduras e 5% já foram colhidas. Em Santa Maria, a colheita atinge aproximadamente 30% da área, com produtividade confirmando o potencial projetado.

Na região de Soledade, as lavouras apresentam desenvolvimento dentro do esperado, embora a alta umidade tenha aumentado a pressão de doenças, com destaque para a antracnose. As áreas se distribuem entre fases de enchimento de grãos, florescimento, maturação e vegetativa, mantendo o potencial produtivo ao longo do ciclo.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Geopolítica e energia moldam o cenário das commodities


O mercado global de commodities agrícolas inicia o segundo trimestre de 2026 em um ambiente de possível alívio, após meses de forte volatilidade. Informações divulgadas pela Hedgepoint Global Markets indicam que a redução das tensões geopolíticas pode favorecer cortes de juros, embora clima, energia e oferta ainda mantenham o setor em alerta.

O primeiro trimestre foi marcado pela intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, que afetou diretamente o complexo de energia, a inflação, o dólar e as condições financeiras globais, conforme análise da Hedgepoint Global Markets.

Para o segundo trimestre, a consultoria aponta que um eventual cessar-fogo pode reduzir as tensões no curto prazo, contribuir para a queda do petróleo e melhorar o apetite por risco. Esse cenário abriria espaço para cortes nas taxas de juros, mas os efeitos inflacionários do choque energético ainda exigem cautela dos bancos centrais.

No açúcar, o ambiente segue pressionado pelo excesso de oferta. Ainda assim, o mercado encontra algum suporte no complexo energético, por causa da relação com o etanol e da definição do mix produtivo no Brasil. A Hedgepoint também avalia que o café mantém viés baixista nos fundamentos, diante da expectativa de uma safra robusta no Brasil. Por outro lado, custos elevados, dificuldades logísticas e a estrutura do mercado limitam correções mais intensas. No cacau, os preços passam por ajustes diante da expectativa de excedente e de uma demanda mais fraca.

Grãos respondem a biocombustíveis e tensão global

Entre os grãos, a soja encontrou sustentação na perspectiva de maior demanda nos Estados Unidos, impulsionada pelo avanço da mistura de biocombustíveis. A eclosão do conflito no Oriente Médio reforçou esse movimento, ao valorizar o óleo de soja.

Já o milho operou de forma lateral durante boa parte do primeiro trimestre, em meio ao equilíbrio entre ampla oferta e forte demanda por exportações norte-americanas. A partir de março, porém, o setor de energia, especialmente o etanol, deu novo fôlego às cotações.

No trigo, as preocupações com a qualidade da safra de inverno dos Estados Unidos e a possível redução da área plantada em 2026/27 sustentaram os preços em Chicago. A leitura foi reforçada pelo início do conflito no Oriente Médio.

Clima ganha força como vetor dos preços agrícolas

A Hedgepoint destaca que o clima deve assumir papel central no segundo trimestre. Modelos climáticos indicam o fim do La Niña e maior probabilidade de formação de um El Niño entre maio e julho.

Esse fenômeno pode alterar padrões climáticos globais e aumentar o risco de seca, chuvas excessivas e ondas de calor em regiões produtoras importantes. O impacto pode chegar diretamente à produtividade e aos preços agrícolas.

Energia mantém canal de volatilidade aberto

A análise da Hedgepoint mostra que o mercado de energia continuará exercendo influência relevante sobre as commodities. No primeiro trimestre, riscos geopolíticos, inclusive sobre infraestrutura e rotas estratégicas, sustentaram preços elevados e maior volatilidade.

Mesmo com expectativa de alívio parcial, a permanência de riscos geopolíticos e logísticos mantém o complexo energético como um dos principais canais de transmissão de instabilidade para as commodities.

Cenário exige atenção do produtor e do mercado

O segundo trimestre começa com sinais de melhora no ambiente global, mas ainda sem afastar os riscos. Para produtores, tradings e agentes financeiros, clima, energia e geopolítica seguem como variáveis decisivas na formação dos preços agrícolas.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa Soja prorroga até 30 de abril envio de trabalhos para a 40ª Reunião de Pesquisa de Soja



A expectativa da organização é receber cerca de 500 participantes



Foto: Nadia Borges

A submissão de trabalhos científicos para a 40ª edição da Reunião de Pesquisa de Soja (RPS) foi prorrogada até o dia 30 de abril. Promovido pela Embrapa Soja, o evento será realizado nos dias 10 e 11 de junho, em Londrina (PR), e vai reunir pesquisadores, técnicos, consultores, estudantes e profissionais ligados à cadeia produtiva da soja. Segundo a organização, os trabalhos devem ser enviados na forma de resumos e serão publicados na versão on-line dos Resumos Expandidos da reunião.

A prorrogação abre uma nova janela para que instituições públicas e privadas ampliem sua participação em um dos fóruns técnicos mais tradicionais da sojicultura brasileira. A expectativa da organização é receber cerca de 500 participantes, com foco na troca de conhecimento, atualização profissional e construção de estratégias voltadas à sustentabilidade e à competitividade da cultura.

Com caráter técnico-científico, a RPS chega à 40ª edição mantendo o papel de discutir os principais avanços, desafios e inovações que impactam a cadeia da soja no Brasil. A reunião também busca fortalecer a integração entre pesquisa, extensão e setor produtivo, além de impulsionar ações de transferência de tecnologia em um momento em que a oleaginosa segue no centro das discussões sobre produtividade, sanidade, manejo e sustentabilidade.

Ao ampliar o prazo, a comissão científica tenta estimular a adesão de novos estudos e experiências regionais, enriquecendo o debate técnico previsto para junho em Londrina. Na prática, isso significa mais espaço para apresentação de resultados de pesquisa, validação de tecnologias e compartilhamento de soluções voltadas ao campo, em uma cultura estratégica para o agronegócio nacional.

Serviço

40ª Reunião de Pesquisa de Soja (RPS)

Data: 10 e 11 de junho de 2026

Local: Londrina (PR)

Submissão de trabalhos: até 30 de abril

Inscrições e informações: site oficial da RPS.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Insumos elevam custo da safra de milho no Mato Grosso


O custo de produção do milho para a safra 2026/27 em Mato Grosso foi estimado em R$ 3.686,80 por hectare em março de 2026, alta mensal de 3,38%, segundo análise divulgada na segunda-feira (20) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária. A projeção foi elaborada pelo projeto CPA-MT, desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso.

De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a elevação foi impulsionada pelo aumento dos custos com fertilizantes, corretivos e defensivos, que avançaram 5,67% e 3,12%, alcançando R$ 1.474,59 por hectare e R$ 895,70 por hectare, respectivamente, em meio às tensões geopolíticas que restringem a oferta e elevam os preços dos insumos.

Nesse contexto, considerando o preço médio do milho da safra 2026/27 em março de 2026, de R$ 43,48 por saca, a relação de troca indica a necessidade de 99,06 sacas por hectare para a aquisição de uma tonelada de ureia, 125,37 sacas por hectare para MAP e 81,85 sacas por hectare para KCl, com altas mensais de 20,30%, 13,55% e 11,44%, respectivamente.

Como reflexo desse cenário, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária aponta que o volume de insumos negociados e as importações de fertilizantes em Mato Grosso, até março de 2026, estão abaixo do observado no mesmo período do ano anterior.

Por fim, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária ressalta que a alta dos insumos reforça a importância do planejamento de compras como estratégia para mitigar custos e reduzir margens negativas para o produtor.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

El Niño pode ser intenso no segundo semestre, alertam previsões


Apesar de informações divulgadas por alguns portais indicarem que o Oceano Pacífico teria atingido o limiar de El Niño, dados analisados pela Meteored com base no boletim semanal da NOAA apontam que as condições permanecem dentro da neutralidade. Ainda assim, novas projeções climáticas reforçam a possibilidade de um evento mais intenso no segundo semestre.

Segundo as publicações recentes, o Boletim Semanal da NOAA indicaria anomalias de temperatura da superfície do mar de +0,5°C na região Niño 3.4, patamar associado ao início do fenômeno. No entanto, essa informação não é confirmada pelos dados oficiais mais recentes.

De acordo com a NOAA, a anomalia semanal registrada na última semana foi de +0,1°C na região Niño 3.4, valor que se mantém dentro do intervalo considerado neutro. Os dados constam no boletim mais recente analisado pela Meteored.

O boletim também apresenta a atualização das projeções dos modelos climáticos, que indicam maior intensidade do fenômeno nos próximos meses. As informações divulgadas se baseiam em dados observados no Oceano Pacífico e em simulações atualizadas.

A NOAA divulga semanalmente as condições do oceano, e os dados mais recentes, compilados pela Meteored a partir do boletim de 20 de abril, mostram anomalias de +0,1°C na região Niño 3.4, +0,6°C na Niño 4, +0,3°C na Niño 3 e +1,2°C na região Niño 1+2, próxima à costa do Peru.

A divergência nas informações pode estar relacionada ao uso de dados diários de temperatura da superfície do mar, que apresentam maior variação. Nessas medições, é possível observar valores entre 0,5°C e 1°C, o que pode ter contribuído para a interpretação de que o limiar de El Niño teria sido alcançado.

Especialistas ressaltam que anomalias diárias ou semanais dentro do limiar não são suficientes para caracterizar o fenômeno, uma vez que há variações significativas em curtos períodos.

Pelo critério tradicional, um evento El Niño exige cinco trimestres móveis consecutivos com anomalias iguais ou superiores a +0,5°C na região Niño 3.4. Para a declaração operacional, a NOAA considera também se a anomalia mensal atingiu esse patamar e se há indicação de persistência nos meses seguintes.

As projeções mais recentes dos modelos climáticos indicam avanço do aquecimento no Pacífico equatorial ao longo de 2026, conforme atualização divulgada na segunda-feira (20).

Segundo os dados analisados, a média das previsões aponta que o limiar de El Niño deve ser atingido no trimestre de abril a junho. Além disso, as anomalias projetadas superam +2°C no período de outubro a dezembro.

Na comparação com as previsões divulgadas em março, houve aumento nas estimativas de intensidade do fenômeno, que antes indicavam anomalias superiores a +1,5°C para o mesmo período.

Apesar disso, os modelos climáticos apresentam limitações e enfrentam o período conhecido como “barreira da primavera/outono”, quando a previsibilidade é reduzida.

Mesmo com essas incertezas, o histórico recente das projeções indica que o fenômeno El Niño 2026/2027 tende a se intensificar, segundo a análise da Meteored.

Especialistas também destacam que a intensidade do fenômeno não implica, necessariamente, impactos proporcionais, já que os efeitos regionais dependem de diversos fatores e não evoluem de forma linear com o aumento da temperatura da superfície do mar.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Itália intensifica sua aposta no mercado brasileiro de vinhos


Dados do Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços revelam que, no ano passado, o Brasil importou mais de 165 milhões de litros de vinho, alta de 3,5% em relação a 2024, tendo investido, para isso, US$ 558,7 milhões contra os US$ 523,4 milhões do ano anterior. 

A Itália, maior produtora mundial de vinhos, é hoje o quinto maior exportador em valor da bebida para o Brasil, atrás do Chile, Argentina, Portugal e França. Em 2025, as vendas somaram US$ 49,2 milhões, contra os US$ 43,2 milhões de 2024, com alta de 13,9%. O total de litros exportado manteve-se estável – cerca de 9,8 milhões. 

Mas, mais importante que o tamanho do mercado é a mudança de perfil do consumo: o Brasil avança na premiumização, processo pelo qual os consumidores trocam produtos de entrada por opções de maior qualidade e preço -, que é hoje o principal motor do mercado de vinhos no País. Esse movimento implica crescimento do valor médio das importações, expansão do e-commerce, maior abertura a brancos, rosés e espumantes, e busca crescente por rótulos de origem, diversidade regional e valor agregado. 

De acordo com Milena Del Grosso, diretora da ICE – Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas no Brasil | Departamento para a Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália, “o país europeu é o exemplo mais nítido desse movimento de premiumização”. Ela destaca que “o volume de vinhos italianos exportado para o Brasil manteve-se estável, enquanto o faturamento cresceu”. Prova disso é o aumento no preço dos vinhos italianos, que passou de US$ 3,98 em 2024 para US$ 4,56 no ano passado – alta de 14,6%. 

Para reforçar sua aposta no mercado nacional e incrementar as vendas, a Agência ICE organiza o Pavilhão Italiano na Wine South America 2026, uma das principais feiras vitivinícolas da América Latina, que será realizada entre os dias 12 e 14 de maio em Bento Gonçalves (RS). Participarão mais de 30 empresas, com um amplo portfólio composto por cerca de 300 rótulos provenientes de todas as principais regiões vitivinícolas italianas, com destaque para vinhos de terroirs ainda pouco explorados no Brasil, denominações de origem, espumantes, brancos de altitude, vinhos vulcânicos e novos produtores em busca de importadores e canais de distribuição qualificados. 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

IAC apresenta novas variedades de cana e de amendoim


O Programa Cana IAC apresentará suas duas mais novas variedades de cana-de-açúcar —IAC07-2361 e IACCTC09-6166 — na Agrishow 2026. Outras dez cultivares de destaque nacional estarão plantadas no plot do Instituto, de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto, interior paulista, no mesmo espaço onde funciona a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Cana do Instituto Agronômico (IAC), da APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Durante o evento, o público também poderá saber mais sobre o Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), que tem produção estimada anual de 200 milhões de mudas de MPB, e a Tecnologia do Terceiro Eixo, adotada em 30% do setor e estratégica para reduzir a exposição da cana ao déficit hídrico.

“Será uma oportunidade para os visitantes interagirem com os nossos pesquisadores e técnicos e conhecerem os materiais mais recentes liberados pelo Programa Cana IAC e por vários outros programas de melhoramento genético do Instituto, a exemplo de grãos, café e horticultura, além de tecnologias de irrigação e de segurança na aplicação de agrotóxicos”, afirma Marcos Guimarães de Andrade Landell, líder do Programa Cana e coordenador do IAC. 

As variedades IAC07-2361 e IACCTC09-6166 são indicadas para a região Centro-Sul do Brasil e ampliam as opções de diversificação dos produtores, contribuem para a competitividade e a resiliência da canavicultura e se destacam pela alta produtividade agroindustrial e características que facilitam os manejos ao longo dos ciclos produtivos.

A IAC07-2361 tem alta produtividade e rusticidade e raro florescimento. A variedades é uma excelente opção por sua adaptação na mecanização no plantio e na colheita, ótima população de colmos ao longo dos cortes e porte semiereto e boa resistência ao acamamento. Todas essas características garantem a qualidade da matéria-prima entregue à indústria.

A IACCTC09-6166 se destaca pela elevada produtividade e manutenção de população uniforme de colmos ao longo dos cortes, alta adaptabilidade a diferentes ambientes e Longo Período de Utilização Industrial (PUI), favorecendo a qualidade da matéria-prima. Tem ainda excelente adaptação às condições de cultivo mecanizado, porte semiereto e boa resistência ao acamamento.

Cultivares IAC de amendoim ocupam cerca de 70% dos campos paulistas desta oleaginosa

O público poderá conhecer a IAC OL7, a nova cultivar de amendoim que amplia as opções ao setor e se destaca pelo ciclo mais curto, com cerca de 130 dias, e maior potencial produtivo, alcançando 7 mil quilos por hectare de amendoim em casca. Seus grãos são considerados “alto oleicos” por terem de 70% a 80% de ácido oleico, além do padrão de grãos tipo exportação. Tem menor suscetibilidade às manchas foliares.

Também estarão expostas a mais plantada: a IAC OL3, que tem características semelhantes à IAC OL7. A IAC OL5 se destaca pela tolerância ao estresse hídrico, além de reunir essas desejáveis características agronômicas e industriais. Os visitantes poderão ver ainda a IAC 503, a segunda cultivar do IAC mais plantada, que alia resistência e rusticidade, tem ciclo longo e o mesmo teor de 70% a 80% de ácido oleico.

Feijão IAC Nelore pode ser armazenado por um ano

Com grão tolerante ao escurecimento, característica que agrada ao consumidor, que rejeita feijão escuro, e favorece a cadeia produtiva, que pode armazená-lo por cerca de 12 meses, sem perder venda. Assim é a cultivar IAC Nelore estará exposta na Agrishow. Seu caldo é espesso e tem alta qualidade, com excelente aceitação no mercado e aprovação pela indústria. Ela também tem potencial produtivo de 70 sacas por hectare e alta tolerância à antracnose por ser resistente a várias raças fisiológicas do patógeno que acometem o feijoeiro no Brasil.

“Nós o desenvolvemos em função da cultivar IAC 2051, que apesar de todas as qualidades, como produtividade, grão claro, escurecimento muito lento, ele apresenta suscetibilidade para a antracnose, doença fúngica que pode causar perdas de até 100% do feijoeiro. Por isso o Nelore foi desenvolvido para suprir essa suscetibilidade que o IAC 2051 tem para a antracnose”, explica Alisson Chiorato, pesquisador do IAC.

Raízes do agro: o público verá de perto as cultivares de mandioca IAC de mesa e para a indústria, que ocupam cerca de 80% do mercado nacional. As novas opções de batata-doce coloridas e com maior teor de betacaroteno também poderão ser vistas.

As equipes de pesquisadores e técnicos do IAC estarão à disposição do público.

Gestão da irrigação: técnicas para obter resultados com segurança hídrica e sustentabilidade

O uso eficiente da água na agricultura será apresentado ao público da Feira com conceitos de monitoramento, gestão e eficiência do uso desse recurso natural escasso. As estratégias de manejo da irrigação, considerando a dinâmica da integração entre planta, cultivares, ambiente onde está instalada a lavoura e sua disponibilidade hídrica são essenciais para a garantia de eficiência dessa técnica com vistas para a produtividade e o consumo hídrico pela planta.

Segundo a pesquisadora e vice-coodenadora do IAC, Regina Célia de Matos Pires, Pires, o monitoramento do clima é fundamental na tomada de decisão ao longo do ciclo da cultura e no entendimento dos resultados, assim como o monitoramento da água disponível no solo e a profundidade do sistema radicular das plantas.

“Isso é muito importante sobretudo quando se realiza a irrigação de salvamento – ao conhecer essa disponibilidade consigo fazer o balanço hídrico e adotar estratégias mais assertivas na irrigação e em especial na modalidade de salvamento da cana, por exemplo”, completa.

Além de medições clássicas, ao monitorar é possível recorrer às tecnologias atuais, como o uso de imagens obtidas por meio de câmeras, que podem facilitar muito o manejo e a tomada de decisão, em especial em grandes culturas. “Cada parâmetro monitorado aumenta a confiabilidade na tomada de decisão”, afirma.

QUEPIA completa 20 anos e tem parceria com dez fabricantes de vestimentas de proteção para aplicadores de agrotóxicos

“Atualmente, EPI que não passa pelos ensaios de qualidade não chega mais ao mercado. Isso significa que todos os trabalhadores hoje em dia estão mais seguros.”

A frase é do pesquisador do IAC, responsável pelo Programa IAC de Qualidade em Equipamento de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA), Hamilton Humberto Ramos. O Programa é uma iniciativa do Instituto Agronômico (IAC), implementada em 2006, para certificar a qualidade e eficácia de EPI na agricultura, especialmente vestimentas contra agrotóxicos. No QUEPIA são desenvolvidos novos materiais e testados os existentes a fim de garantir a segurança do trabalhador rural. Em parceria com a ABNT, também estabelece normas nacionais e internacionais relacionadas a EPI agrícola. 

Os estudos são direcionados ao desenvolvimento de vestimenta de EPI com proteção e conforto térmico adequados a trabalhadores em pequenas propriedades e em situação de alta exposição.

“A qualidade não é restrita apenas para trabalhadores em pequenas propriedades, mas em geral para os diferentes cenários existentes na tecnologia de aplicação”, completa.

Segundo o pesquisador, os critérios de segurança e conforto são os estabelecidos na norma ISO 27065 e abrangem ensaios de resistência química e mecânica do EPI. “Além disso, avaliamos a qualidade da modelagem da vestimenta para que não haja impedimento de qualquer movimento, não se rasgue com movimentos comuns à operação ou mesmo permita a passagem de produto por possíveis aberturas ocasionadas pela forma como foi construída”, explica Ramos.

Os estudos asseguram que os materiais e vestimentas atendam plenamente aos critérios de segurança, mantendo sua eficácia mesmo após o número de lavagens indicado pelo fabricante e considerando os diferentes tipos de higienização aplicados.

“Além de ter qualidade, o EPI deve estar adequado ao nível de exposição que a aplicação proporciona — um costal e um tratorizado, por exemplo, possuem exposições diferentes —. Também devem ter tamanho adequado ao usuário e passar por manutenção para garantia da vida útil. Só utilizar EPI não garante a segurança”, comenta.

O projeto ainda busca por novos tecidos passíveis de serem usados na confecção de vestimentas de proteção em parceria com fabricantes de tecidos.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Mercado do boi segue sem mudanças



Escalas de abate chegam a oito dias



Foto: Canva

O mercado do boi gordo manteve cotações estáveis em São Paulo, segundo análise divulgada na quarta-feira (22) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. A cotação não mudou em nenhuma categoria na comparação com o dia 20 de abril. Parte dos frigoríficos sinalizou aumento pontual da oferta e já conseguiu alongar as escalas em razão do menor número de dias de abate na semana, por causa do feriado de Tiradentes. Com isso, já houve tentativas de compra da arroba do boi gordo a preços menores. Ainda assim, a oferta seguiu restrita, sobretudo para frigoríficos menores, que não tinham contratos de compra e atuavam no mercado spot, o que contribuiu para a sustentação dos preços. Parte dos compradores ainda se organizava para definir os preços de compra da semana e não havia retomado as negociações.

As escalas de abate estavam, em média, para oito dias.

Em Mato Grosso, o mercado abriu a quarta-feira estável, sem alteração nas cotações de nenhuma categoria nas praças pecuárias do estado, conforme a Scot Consultoria. Muitos frigoríficos ainda trabalhavam com escalas curtas, em meio à escassez de bovinos terminados para abate, e tinham pagado mais pela arroba. Já havia maior pressão baixista, especialmente por parte dos frigoríficos maiores, para pagar menos pela arroba bovina, mas o movimento ainda não era suficiente para a queda das referências. A cotação da arroba do “boi China” não mudou.

Em Alagoas, a cotação também permaneceu estável na comparação diária, de acordo com a Scot Consultoria.





Source link