segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

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Safra menor expõe fragilidade no setor de arroz



O novo ciclo é cercado por incertezas


O novo ciclo é cercado por incertezas
O novo ciclo é cercado por incertezas – Foto: Nadia Borges

A safra de arroz 2025/26 no Rio Grande do Sul começa sob um cenário de cautela, marcado por ajustes na área plantada e maior atenção às condições de mercado. As informações são de Marcos Massoni, gerente de logística. A redução de 13% na área cultivada indica um movimento estratégico dos produtores diante de um ambiente econômico mais desafiador, com crédito restrito, juros elevados e impacto da queda do dólar sobre a rentabilidade.

O novo ciclo é cercado por incertezas que influenciam diretamente as decisões no campo. Há indicativos de manutenção ou até nova retração da área plantada, refletindo o aumento do endividamento e os preços considerados ainda baixos. Nesse contexto, muitos produtores optam por segurar a produção, aguardando melhores oportunidades de comercialização.

O ritmo mais lento da colheita também contribui para esse comportamento. As exportações mais intensas no início da safra reduziram a pressão por vendas imediatas, enquanto a soja surge como alternativa de geração de caixa no curto prazo, garantindo maior flexibilidade ao produtor na gestão do arroz.

No mercado externo, as exportações seguem essenciais para o equilíbrio dos estoques e sustentação dos preços. Ainda assim, os custos de produção permanecem elevados, com destaque para os fertilizantes, pressionados por fatores globais como conflitos internacionais e encarecimento de insumos energéticos.

A variação do dólar tem efeito direto sobre o setor, ao mesmo tempo em que reduz custos de insumos importados e limita a competitividade das exportações. Dados recentes apontam produção de 11,1 milhões de toneladas, com área de 1,53 milhão de hectares. O cenário reforça a necessidade de planejamento e leitura estratégica para equilibrar custos e aproveitar oportunidades.

 





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Nova safra de mandioca apresenta mudanças no cultivo



Produtores adotam novas variedades de mandioca



Foto: Canva

No Rio Grande do Sul, as lavouras de mandioca avançam para fases decisivas do ciclo produtivo, com início da colheita em algumas regiões.

Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (23), na região administrativa de Santa Maria, a maior parte das áreas está em fase de enchimento das raízes tuberosas e maturação, etapa que define o rendimento final da cultura. Em algumas propriedades, a colheita e a comercialização já começaram, com produção direcionada principalmente a mercados locais e feiras. De acordo com o relatório, “a produção tem sido destinada principalmente a mercados locais e feiras, contribuindo para a geração de renda aos produtores”.

No aspecto fitossanitário, há registros de antracnose, doença que afeta a parte aérea das plantas. Conforme a Emater/RS-Ascar, “há registros de incidência de antracnose, doença que afeta predominantemente a parte aérea das plantas”.

Na região de Soledade, a cultura está em início de colheita, embora parte das áreas ainda não tenha atingido o ponto ideal. O desenvolvimento das raízes apresenta atraso em relação ao esperado. Tradicionalmente, a variedade Vassourinha é a mais cultivada, mas nesta safra houve mudança no perfil de plantio.

Segundo o levantamento, “a escassez de mudas levou os produtores à adoção de outras variedades”. Em Mato Leitão, essas novas cultivares vêm sendo bem aceitas pelos consumidores, indicando adaptação ao mercado.





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safra de uva entra na etapa pós-colheita



Colheita de uva avança para fase de vinificação



Foto: Divulgação

No Rio Grande do Sul, a safra de uva avança para a fase pós-colheita em diferentes regiões, com atividades voltadas ao manejo dos vinhedos e à vinificação. 

Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (23), na região administrativa de Caxias do Sul, produtores realizam coleta de amostras de solo para correção da fertilidade, especialmente em áreas que registraram produção acima da média. Embora a colheita das uvas destinadas à vinificação já tenha sido concluída, ainda há variedades de mesa em fase de colheita, com destaque para a Itália. De acordo com o relatório, “o preço recebido pelo produtor de uvas de mesa varia de R$ 7,50 a R$ 12,00/kg”.

Na região de Soledade, a colheita foi finalizada e a produção segue para a etapa de processamento. Os vinhos coloniais elaborados a partir de uvas americanas estão em fase de vinificação em cantinas artesanais. Segundo a Emater/RS-Ascar, “os destaques da safra foram a boa sanidade e o elevado grau Brix, que se destacaram pela alta qualidade das uvas, além da expressiva produtividade”.

O cenário indica transição do campo para a indústria, com continuidade das atividades ligadas ao processamento e à comercialização da produção.





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Banco público domina dívida rural em MG


A presença dominante da Caixa Econômica Federal no passivo do Grupo Agro Cerealli, em Coromandel, no cerrado mineiro, dá o tom da recuperação judicial e coloca o crédito rural público no centro da reestruturação. As informações são de Rafael Fonseca Nogueira, Head de NPL & Recuperação de Crédito.

O grupo, formado pelos produtores Silvio C. S. e Romualdo S., responsáveis pela Fazenda Arcos São João, apresentou dívida total de R$ 40,8 milhões. Desse montante, R$ 29,5 milhões estão concentrados na Caixa, distribuídos em 19 contratos de crédito rural, incluindo Pronamp, FCO, custeio e investimento. O banco responde sozinho por 72% do passivo informado.

Essa concentração altera o peso das negociações. Em uma recuperação judicial na qual um banco público detém mais de metade da dívida, a dinâmica tende a ser diferente daquela observada em casos pulverizados entre bancos privados, cooperativas e fornecedores. A Caixa chega ao processo com poder relevante na formação de maioria e com influência direta sobre os rumos da assembleia geral de credores.

O pedido foi protocolado em 27 de janeiro de 2026 como tutela cautelar antecedente, mecanismo que permite suspender execuções por 60 dias para mediação antes do pedido formal de recuperação. O deferimento ocorreu em 13 de abril de 2026, com Inocêncio de Paula Sociedade de Advogados nomeado administrador judicial.

Além da Caixa, o quadro financeiro inclui a DLL, braço financeiro do Rabobank, como segundo maior credor, com R$ 3,8 milhões em financiamentos de máquinas. O crédito cooperativo também aparece na composição do passivo, com Sicredi Planalto, credor de R$ 2,6 milhões, e Unicred Evolução, com R$ 600 mil.

A lista ainda traz a Louis Dreyfus como credora em processo judicial de R$ 1,3 milhão e a Agrolend com CPR-F, instrumento usado para antecipar receita futura da lavoura. Com o deferimento da RJ, o processo deve avançar para a publicação do Quadro Geral de Credores, habilitação dos créditos, apresentação do plano em até 60 dias e assembleia, etapa em que a posição da Caixa será determinante.

 





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Exportações de grãos despencam


As exportações de grãos da Ucrânia registraram queda relevante ao longo do atual ano comercial, refletindo mudanças no cenário produtivo e logístico do país. O desempenho mais fraco ocorre em um contexto de pressões externas e ajustes de mercado, com impactos diretos sobre o ritmo de embarques e a formação de preços.

Durante os primeiros nove meses do ciclo, os embarques ucranianos ficaram 22% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano anterior, segundo relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos EUA. A análise aponta que o recuo está ligado a uma combinação de fatores, com destaque para os efeitos da guerra com a Rússia, que continua concentrada no território ucraniano.

De acordo com o órgão, os ataques à infraestrutura, incluindo ferrovias, portos e a rede elétrica, reduziram a capacidade de escoamento em determinados momentos, dificultando o transporte entre as áreas de produção e os terminais de exportação.

Outro ponto relevante foi o comportamento dos preços internacionais. Desde o início do ano comercial 2025-26, as cotações dos grãos ficaram abaixo das registradas no ciclo anterior, cenário associado à maior produção global estimada e ao aumento dos estoques finais. Nesse ambiente, produtores ucranianos passaram a reter parte da produção, favorecidos pela ampliação da capacidade de armazenagem nas propriedades desde o início do conflito.

A entidade também destaca que as quotas de importação adotadas pela União Europeia contribuíram para redirecionar os embarques a mercados tradicionais, o que resultou em preços menos atrativos aos agricultores.

Para o próximo ciclo, a perspectiva é de recuperação. A projeção indica avanço significativo nas exportações, com destaque para a cevada, que pode crescer 133%, além de aumentos de 26% no milho e 19% no trigo. A produção total também tende a subir, impulsionada por rendimentos acima da média, favorecidos pelas condições climáticas positivas nesta primavera.

 





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Diesel pode bater recorde histórico em 2026


O consumo de combustíveis no país deve seguir em expansão em 2026, impulsionado principalmente pelas atividades produtivas e pelo transporte de cargas. A projeção indica crescimento tanto no diesel quanto nos biocombustíveis, em linha com o ritmo da economia.

Segundo relatório da StoneX, a demanda por diesel B deve atingir 70,8 milhões de m³ em 2026, avanço de 1,9% na comparação anual. O desempenho é sustentado pela evolução da colheita agrícola, aumento das exportações e maior movimentação no transporte rodoviário. A análise aponta que, apesar de um início de ano mais fraco, com recuo de 1,7% no primeiro bimestre, a tendência é de recuperação ao longo dos meses, apoiada pela retomada do fluxo logístico.

“A recuperação do consumo está diretamente ligada à dinâmica econômica do país, especialmente ao agro e à logística, que seguem puxando a demanda por combustíveis”, realça o especialista de Inteligência de Mercado, Bruno Cordeiro.

O crescimento deve ser mais intenso nas regiões Sudeste e Sul, impulsionado pela indústria e pela produção agrícola, enquanto o Centro-Oeste deve avançar de forma mais moderada. Na oferta, a produção nacional de diesel A cresceu 4,5% no primeiro trimestre, o que deve reduzir as importações para 17,2 milhões de m³ no ano, com leve queda de 0,6%.

No segmento de biocombustíveis, a expansão é mais significativa. A demanda por biodiesel deve alcançar 10,4 milhões de m³, alta de 7,2%, refletindo a ampliação da mistura para B15 e o aquecimento econômico. O óleo de soja segue como principal insumo, com participação crescente. Em um cenário alternativo com adoção do B16, o volume pode chegar a 10,76 milhões de m³.


 





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Sinais silenciosos derrubam produção de aves



O controle passa por uma estratégia integrada


O controle passa por uma estratégia integrada
O controle passa por uma estratégia integrada – Foto: Divulgação

A queda de desempenho nos plantéis avícolas é um dos principais sinais de alerta para problemas sanitários que impactam diretamente a produtividade. Entre os fatores mais recorrentes estão as doenças respiratórias, que comprometem o consumo de ração, o ganho de peso e aumentam as perdas no sistema produtivo.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), essas enfermidades geralmente não têm uma causa única, sendo resultado da interação entre vírus, bactérias e fungos, muitas vezes associada a falhas de manejo e condições inadequadas no ambiente do aviário. A redução no desempenho costuma surgir antes mesmo dos sinais clínicos mais evidentes.

“A queda de desempenho costuma ser um dos primeiros sinais de que algo está errado dentro do aviário. Redução do consumo de ração, crescimento abaixo do esperado e desuniformidade entre as aves são indícios comuns. Geralmente, esses sinais vêm acompanhados de sintomas mais evidentes, como espirros, secreção nasal, dificuldade para respirar, ruídos respiratórios e apatia. Tais quadros podem estar associados a agentes patogênicos, presentes em desafios sanitários no campo”, explica Gabriela Romanzini, coordenadora de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

O controle passa por uma estratégia integrada, que inclui biosseguridade, manejo adequado e monitoramento constante. A identificação precoce é essencial para reduzir impactos produtivos e preservar a saúde do lote.

Entre as soluções disponíveis está o AuroPac ST, da MCassab, que combina diferentes princípios ativos para atuar tanto no controle dos agentes infecciosos quanto na melhora da respiração. A associação contribui para reduzir a carga bacteriana e facilitar a eliminação de secreções. “A melhoria da função respiratória favorece a retomada do consumo de ração, reduz o estresse fisiológico e impulsiona o ganho de peso das aves, resultando em lotes mais uniformes e produtivos, com menor mortalidade e menos condenações”, finaliza.

 





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Mercados agrícolas seguem pressionados por tensão global


Os mercados agrícolas operam em uma tarde marcada pela combinação de tensão geopolítica, ajustes nas bolsas internacionais e atenção crescente ao clima no Brasil. Segundo a Agrinvest, os preços nesta quinta-feira refletem a cautela dos investidores diante das tensões no Oriente Médio, do comportamento do petróleo e dos impactos sobre câmbio, grãos e derivados.

No ambiente macroeconômico, o petróleo Brent segue acima de US$ 100, sustentado pelos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz. O cenário mantém os mercados em alerta, enquanto as bolsas nos Estados Unidos e no Brasil operam em leve queda. Declarações de Trump também contribuem para elevar a tensão geopolítica. No câmbio, o dólar registra alta de 0,20%, cotado a R$ 4,97.

Na Bolsa de Chicago, a soja recua em meio a negócios envolvendo barcos argentinos CFR China, o que reduz as chances de novas compras chinesas nos Estados Unidos. O movimento pressiona as cotações do grão, enquanto o trigo lidera os ganhos. A alta do cereal é impulsionada pelo avanço do petróleo, pela seca nos Estados Unidos e pela licitação saudita de 710 mil toneladas. O milho, por sua vez, opera estável, buscando sustentação na valorização do trigo. Na CBOT, a soja cai 4 pontos, o óleo sobe 0,05, o milho avança 2 pontos, o farelo ganha 0,60 e o trigo sobe 13,50 pontos.

No mercado brasileiro, o milho passa por correção na B3, mas as preocupações climáticas com a safrinha 2026 seguem no radar. A cultura está em uma janela considerada crítica para definição de produtividade, em meio a um bloqueio atmosférico que gera calor e seca no Centro-Oeste e no Sudeste. O contrato de maio de 2025 do milho na B3 recua 0,96%, a R$ 67,99 por saca.

No clima, as chuvas seguem concentradas nas extremidades do país, com baixa probabilidade de precipitação no Cerrado. Nos próximos dias, a maior chance de chuva fica no Sul, especialmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e no extremo Norte, em áreas do Pará, Tocantins, Maranhão e Piauí. O interior permanece seco, mantendo a preocupação com a safrinha.

 





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Petrobras deixa de atender 10% do pedido de diesel de distribuidoras para…


Logotipo Reuters

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 17 Abr (Reuters) – A Petrobras voltou a não atender os pedidos totais de diesel de grandes distribuidoras, dessa vez para entregas previstas para maio, enquanto a petroleira busca evitar importar o combustível em meio a altos preços do mercado internacional, afirmaram duas fontes com conhecimento do assunto.

A negativa gira em torno de 10% do volume demandado pelas distribuidoras, disseram duas fontes de empresas diferentes, sob condição de anonimato.

Os pedidos das distribuidoras são baseados em negócios feitos pelas empresas junto à Petrobras nos últimos três meses, e ajustados ao longo do período seguinte. Em abril, a estatal havia negado 20% de uma cota das empresas, segundo fontes do mercado disseram anteriormente.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente. Mas duas pessoas da empresa com conhecimento da situação afirmaram que as grandes distribuidoras estariam pedindo volumes acima da demanda, buscando ganhar mercado de companhias menores.

O setor brasileiro de diesel, o combustível mais negociado do país, vem enfrentando tensão desde o início da guerra, já que o Brasil importa cerca de 25% de sua demanda, com a Petrobras, maior produtor local, respondendo também por parte das importações. Com o objetivo de limitar a alta dos preços gerada pelo conflito no Golfo Pérsico, o governo lançou um programa de subsídio, entre outras medidas.

Uma fonte ponderou que as distribuidoras estão acostumadas com os chamados “cortes” na cota, porque o contrato da Petrobras permite certa flexibilidade.

“Mas não eram cortes assim tão fortes, às vezes de 5%, por aí…”, afirmou.

Em março, para entrega em abril, os cortes chegaram a mais de 20%, segundo fontes, e levaram as maiores distribuidoras a dobrar importações para atender seus contratos.

A petroleira também planeja ofertar volumes menores em maio em relação a abril, disse uma fonte.

“Como ela não está importando, então ela está com mais dificuldade de produto, por isso que ela está tendo que cortar alguns pedidos”, disse a segunda pessoa.

Sobre as compras externas, a Petrobras reiterou por email, no início da semana, que não fará importações em abril e maio.

Na ocasião, a empresa afirmou ainda que postergou uma parada programada em uma unidade de produção de diesel da refinaria Repar, no Paraná, o que impactou positivamente o balanço do produto no sistema da companhia, “reduzindo a necessidade de importações diante dos compromissos previstos para abril e maio de 2026”.

DEMANDA MAIOR

A oferta mais restrita ocorre enquanto ministros do governo têm acusado distribuidoras e outros agentes da cadeia de combustíveis de elevar os preços ao consumidor, por oportunismo. 

Duas fontes da Petrobras afirmaram que a companhia tem atendido os volumes médios dos últimos três meses. Uma delas afirmou que o mercado demandou “muito mais do que é capaz de absorver”.

A pessoa disse ainda, na condição de anonimato, que as grandes distribuidoras querem ganhar com mais volumes de vendas.

“O mercado das grandes cresceu porque as pequenas não têm capital”, afirmou.

(Reportagem de Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier; edição de Roberto Samora)





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Microbioma altera equilíbrio metabólico das plantas


A relação entre crescimento e defesa nas plantas envolve uma disputa constante por energia, nutrientes e carbono. Segundo Larissa Rossini, Field Development Manager, esse equilíbrio ajuda a explicar por que o microbioma rizosférico se tornou uma variável central na eficiência metabólica e na resiliência das lavouras.

As plantas operam sob um orçamento metabólico rígido. Cada mol de ATP destinado à formação de biomassa deixa de ser usado em processos ligados à imunidade. Estimativas clássicas indicam que entre 10% e 40% dos fotoassimilados são transferidos à rizosfera por meio de exsudatos. Esse fluxo não representa desperdício, mas uma forma de pagamento por serviços ecossistêmicos realizados por micro-organismos associados às raízes.

A arquitetura molecular desse processo envolve diferentes vias de sinalização. O eixo TOR e SnRK1 funciona como sensor entre crescimento e sobrevivência. A via do ácido salicílico está ligada à imunidade contra biotróficos, enquanto jasmonato e etileno atuam contra necrotróficos e herbívoros. Receptores como PRRs reconhecem padrões moleculares associados a micróbios e ativam respostas iniciais de defesa.

O desequilíbrio aparece com força quando há excesso de nitrogênio, especialmente na forma de nitrato. A disponibilidade elevada acelera o crescimento pela via TOR, mas pode reduzir respostas ligadas ao ácido salicílico e ao gene PR-1. O resultado é uma planta metabolicamente favorecida, porém mais exposta do ponto de vista imunológico.

Nesse contexto, os parceiros da rizosfera ganham importância. Fixadores de nitrogênio, como Rhizobium e Azospirillum, podem contribuir com 40 a 200 quilos de N por hectare ao ano. Solubilizadores de fósforo, como Bacillus e Pseudomonas, atuam por meio de ácidos orgânicos e fosfatases. Micorrizas dos gêneros Glomus e Rhizophagus podem fornecer até 80% do fósforo e 25% do nitrogênio demandados pela planta.

O conceito de microbial damper resume esse papel funcional. Em troca de exsudatos ricos em carbono, a planta terceiriza parte da nutrição e da defesa, amortecendo oscilações provocadas por seca, patógenos ou déficits nutricionais. Com o microbioma preservado, meta-análises indicam redução de 20% a 50% no uso de fertilizante sintético.

A implicação prática está no manejo. Rotação de culturas, cobertura permanente do solo, menor revolvimento e uso criterioso de fungicidas sistêmicos passam a ser vistos como engenharia metabólica aplicada, com potencial para reduzir custos de insumos e ampliar a resiliência produtiva.

 





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