quinta-feira, julho 23, 2026

Política & Agro

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por que o preço cai para o produtor, mas nem sempre cai no mercado?


O Brasil caminha para uma safra recorde de grãos em 2025/26, mas volume alto não garante renda maior ao produtor. Com mais oferta no mercado, preços podem cair; com armazenagem limitada, parte dos produtores precisa vender no pico da colheita; e, com custos dolarizados, a margem depende tanto da produtividade quanto do câmbio, que voltou a subir depois de sua queda em maio deste ano.

Produção e renda não são a mesma coisa. A receita do produtor depende de três variáveis: quantidade colhida, preço recebido e custo de produção. Em uma safra alta, o volume sobe, mas o preço pode cair justamente porque há mais produto disponível. Quem tem armazém, capital de giro, acesso a hedge ou programas para minimizar riscos consegue esperar melhores preços; quem precisa pagar financiamento ou liberar espaço vende mais cedo e pode capturar menos valor.

A Conab estima safra total de grãos de 358,6 milhões de toneladas em 2025/26, novo recorde se confirmado. A soja deve alcançar 180,3 milhões de toneladas, com incremento de 8,8 milhões de toneladas sobre a safra anterior.

O IBGE informou que a capacidade disponível de armazenagem agrícola era de 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025. Comparada à safra projetada pela Conab, isso mostra uma diferença de cerca de 124,8 milhões de toneladas entre produção estimada e capacidade estática disponível, embora a capacidade não precise armazenar toda a safra ao mesmo tempo. No mercado da soja, o Cepea apontou em junho que a demanda externa e a depreciação do real ajudavam as cotações no Brasil, mas a ampla oferta global limitava altas mais fortes.

Na prática, a “supersafra” também encarece o caminho entre a fazenda e o comprador. No pico da colheita, milhares de produtores precisam escoar soja ao mesmo tempo, enquanto armazéns cheios reduzem a possibilidade de esperar por preços melhores.

A disputa por caminhões aumenta, filas se formam nas rotas de escoamento e o frete deixa de ser apenas um custo operacional: vira um fator decisivo na margem. Em algumas rotas, produtores e transportadores relatam que o valor pode até dobrar no período mais apertado da safra. Quem já travou parte dos custos e da venda por meio de barter tende a atravessar essa variação com mais previsibilidade. Já quem deixa para vender tudo no mercado físico em março ou abril fica mais exposto ao preço baixo da colheita, ao frete caro e à falta de espaço para armazenar.

Mas na prática, uma “supersafra” ajuda a baixar alimentos ou aperta a margem do produtor?

Ela pode fazer as duas coisas. Para o consumidor final, mais oferta tende a aliviar preços de itens ligados a grãos, como óleo, ração e carnes, mas esse efeito depende de indústria, varejo, câmbio e exportações. Para o produtor, a supersafra pode significar receita maior só se o preço não cair mais do que o ganho de produtividade.

 





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como o mercado internacional influencia o preço no Brasil


O café colhido no Brasil pode ser vendido em reais, mas seu preço conversa o tempo todo com o mercado global. Em maio de 2026, o Cepea apontou queda de 8,7% na média mensal do café arábica, pressionada pelo avanço da colheita brasileira. Mas o mesmo produto também reage a dólar, estoques internacionais, clima em outros países produtores e contratos negociados em bolsas externas.

Produtos exportáveis têm preço formado por paridade internacional. Isso significa que o produtor compara quanto receberia vendendo no mercado interno com quanto poderia receber exportando. Se o dólar sobe, o preço em reais tende a ficar mais atraente para exportação; se a oferta mundial aumenta, os preços podem cair; se há quebra de safra em outro país, o Brasil pode vender mais caro.

O Cepea informou que o café arábica teve média de R$ 1.653,92 por saca de 60 kg em maio de 2026, queda de R$ 157,95 por saca, ou 8,7%, frente a abril. A pressão veio do avanço da colheita da safra 2026/27 no Brasil. Em junho, o Cepea relatou que chuvas em regiões produtoras interromperam quedas no café arábica, porque atrapalharam a colheita e reduziram pontualmente a oferta. O peso do mercado externo aparece também na soja e na carne: em maio, o agro exportou US$ 16 bilhões, a China comprou perto de 40% do total, e a soja em grãos foi o principal produto exportado pelo setor.

Um acontecimento fora do Brasil pode mexer no preço do alimento aqui dentro porque vários alimentos brasileiros competem no mercado global. Uma demanda maior da China por soja ou carne, uma quebra de safra de café em outro país, uma mudança no dólar ou uma queda nos estoques internacionais altera o preço de referência. O efeito chega ao produtor primeiro e depois pode alcançar indústria, varejo e consumidor.

Quando o mercado externo paga mais, parte da produção tende a seguir para fora, e o preço interno passa a disputar com o preço de exportação. Para o produtor, isso pode significar receita maior, principalmente quando o dólar está alto. Para quem compra no supermercado, porém, o efeito pode ser o contrário: carne, café ou derivados da soja ficam mais caros mesmo que tenham sido produzidos aqui. Ou seja, em produtos exportáveis, o preço no Brasil não depende apenas da oferta nacional, mas também de quanto o mundo está disposto a pagar por eles.





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por que o tomate sobe 20% em um mês e pesa no almoço?


O tomate virou um dos símbolos da inflação de maio. Segundo o IBGE, o item subiu 20,62% no IPCA do mês, enquanto a alimentação no domicílio avançou 1,65%. A alta ajuda a explicar por que a inflação dos alimentos é sentida de forma tão direta pelas famílias: ela aparece em produtos comprados com frequência e usados no preparo das refeições do dia a dia.

A variação não ocorre por um único motivo. O preço do tomate muda rapidamente porque se trata de um alimento perecível, dependente do clima, da oferta regional e das condições de transporte. Quando a colheita atrasa, quando a chuva prejudica a qualidade do produto ou quando uma região produtora entrega menos do que o esperado, a oferta disponível diminui. Como o consumo não cai na mesma velocidade, o ajuste tende a aparecer no preço.

Em maio, o grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela inflação do mês. O IPCA geral ficou em 0,58%, mas os alimentos subiram 1,33%. Dentro de casa, a pressão foi maior, com avanço de 1,65%. Além do tomate, também tiveram alta a batata-inglesa, a cebola e as carnes. São produtos diferentes, mas todos mostram como a inflação dos alimentos pode ser influenciada por oferta, logística, custo de produção e ritmo de consumo.

No caso do tomate, a sensibilidade é maior porque o produto tem prazo curto de comercialização. Diferentemente de grãos, que podem ser armazenados por mais tempo, o tomate precisa chegar rapidamente ao atacado, ao varejo e ao consumidor. Se amadurece demais, perde valor. Se chega danificado, também perde qualidade. Por isso, qualquer redução de oferta pode provocar reação rápida nos preços.

O movimento começa no campo, mas passa por várias etapas até chegar à gôndola. Produtores, atacadistas, transportadores, feirantes, supermercados e restaurantes lidam com custos e perdas ao longo da cadeia. Quando o produto encarece no atacado, parte desse aumento tende a ser repassada ao consumidor final. Esse repasse pode aparecer no preço do quilo no supermercado, na feira ou até no prato pronto vendido por bares e restaurantes.

O frete também pesa nessa conta. Mesmo quando há produto disponível, é preciso levá-lo das regiões produtoras até os centros consumidores. Combustível, distância, pedágios, perdas no transporte e disponibilidade de caminhões entram no preço final. Em alimentos perecíveis, a logística tem peso ainda maior, porque atrasos e danos reduzem a quantidade efetivamente vendida.

Esse processo ajuda a entender por que alguns alimentos mudam de preço de uma semana para outra. O mercado de hortifrútis acompanha o volume diário de produtos que chega aos entrepostos e atacados regionais. Quando chega menos tomate, compradores disputam a mercadoria disponível. Quando a oferta aumenta, o preço pode recuar em pouco tempo.

A queda no campo ou no atacado, porém, nem sempre chega imediatamente ao consumidor. Supermercados e restaurantes trabalham com estoques, contratos, custos fixos e margens. Além disso, o varejo pode demorar a repassar reduções, principalmente quando ainda tenta recompor custos anteriores. Já as altas costumam aparecer mais rapidamente, porque o produto precisa ser comprado de novo com frequência.

A alta de 20,62% do tomate em maio mostra como alimentos frescos podem pressionar o orçamento em pouco tempo. Quando a oferta diminui e a demanda permanece relativamente estável, o preço reage. Para o consumidor, o resultado aparece no carrinho, na feira e nas refeições fora de casa.





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Produção menor exige compra antecipada de sementes



A orientação é antecipar as compras


A orientação é antecipar as compras
A orientação é antecipar as compras – Foto: Foto: Gessi Ceccon

A redução na área destinada à produção de sementes de Brachiaria ruziziensis deve exigir mais planejamento de produtores e distribuidores para a safra 2025/26. Após anos de excesso de oferta, o mercado entra em fase de reequilíbrio, com perspectiva de menor disponibilidade e valorização dos lotes de melhor qualidade.

Dados do Sistema de Gestão da Fiscalização, do Ministério da Agricultura e Pecuária, mostram que a área inscrita caiu de 121.260 hectares em 2024/25 para 54.948 hectares em 2025/26. A retração foi de 54,69%, a maior registrada para a espécie no período recente.

Nesse contexto, o recuo pode ocorrer após uma rápida expansão da produção, que passou de pouco mais de 51 mil hectares em 2022/23 para mais de 121 mil hectares em 2024/25. O aumento da oferta pressionou os preços e reduziu a atratividade da multiplicação de sementes.

Segundo Thiago Maschietto, da SBS Green Seeds, a demanda deve continuar sustentada pelo plantio direto e pela integração lavoura-pecuária. Ele afirma que, com a oferta mais ajustada, pode haver maior disputa por sementes certificadas.

A orientação é antecipar as compras, priorizar fornecedores com histórico de qualidade e avaliar contratos prévios para garantir volume antes do pico da demanda. “Nosso compromisso é garantir que, mesmo em um mercado de oferta ajustada, nossos parceiros tenham acesso a sementes de excelência. Mas para isso, o planejamento antecipado é fundamental. Quem esperar o último momento poderá enfrentar dificuldades para encontrar o volume e a qualidade desejados”, finaliza o CEO.

 





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Movimento do arroz desafia percepção de sobra



O volume representa uma média mensal de 647 mil toneladas no período


O volume representa uma média mensal de 647 mil toneladas no período
O volume representa uma média mensal de 647 mil toneladas no período – Foto: José Luis da Silva Nunes

O mercado de arroz entra em uma fase de atenção diante do ritmo de saída do produto e da percepção de excesso de oferta acumulada nos últimos meses. Segundo Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, os dados mais recentes do IRGA indicam que 3,24 milhões de toneladas em base casca foram beneficiadas e movimentadas no Rio Grande do Sul entre janeiro e maio de 2026.

O volume representa uma média mensal de 647 mil toneladas no período. Quando considerado o atual ano-safra, entre março e maio, a média sobe para 688 mil toneladas por mês, reforçando a leitura de que o arroz segue deixando a cadeia em ritmo relevante.

O indicador não se limita às exportações. Ele reúne as saídas das indústrias para o mercado interno, outros estados e também para o exterior. Por isso, os números ajudam a dimensionar a velocidade de absorção do produto, além de colocar em perspectiva o debate sobre estoques elevados e dificuldades de comercialização.

Embora a indústria ainda enfrente obstáculos para repassar preços ao varejo e preservar margens, a movimentação registrada pode ajudar a explicar a menor disponibilidade de determinados lotes e os sinais de recuperação nas cotações do arroz em casca.

A análise sugere que o setor precisa observar não apenas o tamanho da produção, mas também a velocidade com que o cereal é absorvido. O acompanhamento dos estoques, das exportações e dos dados de consumo nos próximos meses será decisivo para avaliar se a percepção de sobra corresponde ao comportamento real do mercado. As informações foram divulgadas na rede social LinkedIn.

 





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Soja recua em Chicago com pressão externa


O mercado da soja terminou a quinta-feira sob pressão externa, com perdas em Chicago e movimentação desigual nas principais praças brasileiras. Segundo a TF Agroeconômica, o fortalecimento do dólar e a queda do petróleo apagaram os ganhos da sessão anterior, apesar de compras pontuais feitas pela China.

Na Bolsa de Chicago, o contrato de julho recuou 0,82%, para US$ 11,2275 por bushel, enquanto agosto caiu 0,75%, a US$ 11,2825. O farelo para julho perdeu 1,15%, cotado a US$ 301,30 por tonelada curta, e o óleo caiu 2,59%, para 69,69 centavos de dólar por libra-peso. A China confirmou a compra de 132 mil toneladas da nova safra, além de outras 120 mil toneladas com destino não informado, mas o ritmo ainda é considerado abaixo do esperado pelo mercado.

No Rio Grande do Sul, a colheita está tecnicamente encerrada, com produtividade média de 2.707 quilos por hectare e produção de 18,13 milhões de toneladas, 14,8% abaixo da estimativa inicial. A média semanal da saca avançou 0,31%, para R$ 115,36, enquanto o Porto de Rio Grande manteve R$ 132 no disponível.

Em Santa Catarina, a colheita também terminou e o mercado voltou as atenções para as culturas de inverno e os riscos de geada. No Paraná, as exportações do complexo soja somaram 6,72 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, com receita de US$ 2,94 bilhões, alta anual de 18%.

Em Mato Grosso do Sul, o vazio sanitário segue até 15 de setembro, enquanto os preços ficaram praticamente estáveis. Já em Mato Grosso, o esmagamento atingiu recorde de 1,28 milhão de toneladas em maio, sustentado pela demanda por óleo e farelo. A pressão logística provocada pela colheita do milho segunda safra continua elevando a disputa por espaço nos armazéns e mantendo os fretes firmes.

 





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Putin diz que Ucrânia abriu “nova página” com ataques a Luhansk e à região…


Logotipo Reuters

 

1 Jun (Reuters) – O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira que a Ucrânia havia “aberto uma nova página em uma série de crimes com seus ataques a um dormitório na região nordeste de Luhansk e a um prédio de apartamentos em uma parte da região de Kherson, na Ucrânia, controlada pela Rússia”.

“Cometendo conscientemente os crimes mais graves contra crianças e adolescentes na faculdade de professores em Starobilsk, e agora em Henichesk, a liderança de Kiev decidiu abrir uma nova página na série de seus crimes”, disse Putin em uma reunião dedicada às consequências do ataque ao dormitório em Starobilsk, segundo as agências de notícias russas.

O ataque de drones na cidade de Starobilsk, controlada pela Rússia, matou 21 pessoas no final de maio, enquanto um ataque de drones em um prédio de apartamentos na cidade de Henichesk, controlada pela Rússia, no domingo, matou uma criança e feriu 11.

(Reportagem da Reuters)

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Mercado de milho fecha estável e com baixa liquidez



Os contratos futuros fecharam mistos


Os contratos futuros fecharam mistos
Os contratos futuros fecharam mistos – Foto: Divulgação

O mercado de milho encerrou a quinta-feira com estabilidade e leves baixas, em um ambiente de cautela, baixa liquidez e expectativa de maior oferta. Segundo a TF Agroeconômica, nem a forte alta do dólar alterou as cotações na B3, diante do feriado nos Estados Unidos nesta sexta-feira e da ausência de notícias positivas adicionais para o mercado brasileiro.

Os contratos futuros fecharam mistos. Julho de 2026 ficou em R$ 63,98, estável no dia e com recuo de R$ 0,27 na semana. Setembro terminou a R$ 67,10, com baixa diária de R$ 0,21 e avanço semanal de R$ 0,68. Novembro encerrou a R$ 70,49, queda de R$ 0,17 no dia e alta de R$ 0,48 na semana. O mercado também acompanha os preços da energia após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, importante comprador de milho e frango brasileiros.

No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 99% da área, enquanto os preços variam de R$ 57 a R$ 63 por saca. A média estadual recuou 0,12%, para R$ 58,91. Em Santa Catarina, as indicações seguem próximas de R$ 65, mas a demanda gira ao redor de R$ 60, mantendo os negócios restritos.

No Paraná, o mercado spot segue pouco movimentado, com indicações perto de R$ 65 e demanda em torno de R$ 60 por saca CIF. As chuvas atrasaram a colheita da segunda safra, e 79% das lavouras estão em boas condições. Em Mato Grosso do Sul, a entrada gradual da colheita pressiona as cotações, entre R$ 49 e R$ 52. A demanda da bioenergia sustenta parte do consumo, mas estoques elevados e compradores cautelosos limitam uma recuperação mais ampla. As informações foram divulgadas no dia de hoje.

 





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Mercado de trigo mantém baixa liquidez no Sul



Em Santa Catarina, houve negócios isolados de trigo pão a R$ 1.360 FOB


Em Santa Catarina, houve negócios isolados de trigo pão a R$ 1.360 FOB
Em Santa Catarina, houve negócios isolados de trigo pão a R$ 1.360 FOB – Foto: Divulgação

O mercado de trigo no Sul continua marcado por baixa liquidez, compras pontuais e cautela diante do ritmo reduzido de moagem. Segundo a TF Agroeconômica, os moinhos mantêm cobertura confortável no curto prazo e evitam alongar posições, enquanto vendedores observam a possibilidade de preços mais firmes.

No Rio Grande do Sul, voltaram a ser negociados pequenos lotes de trigo comum a R$ 1.350 por tonelada, com embarque em julho e pagamento no começo de agosto. Junho está totalmente coberto e julho tem cobertura estimada em 60%, o que leva as indústrias a buscar apenas oportunidades e a concentrar atenção em agosto. Para a próxima safra, produtores demonstram preocupação com custos elevados, preços achatados, risco de El Niño e ocorrência de alto teor de DON. Cooperativas do centro e noroeste já mencionam redução de até 40% na área, que poderia ficar em pousio, mas a projeção ainda não é oficial. Em Panambi, o preço de balcão permaneceu em R$ 69 por saca.

Em Santa Catarina, houve negócios isolados de trigo pão a R$ 1.360 FOB e de trigo melhorador a R$ 1.400 FOB, valores inferiores aos do produto importado. No balcão, as cotações ficaram estáveis em Rio do Sul, Chapecó, Joaçaba e Xanxerê. Canoinhas subiu para R$ 68 por saca e São Miguel do Oeste avançou para R$ 71,50, refletindo ajustes ligados à demanda local.

No Paraná, os poucos negócios ocorreram a R$ 1.420 CIF moinho nos Campos Gerais e a R$ 1.480 no Norte. O trigo branqueador segue próximo de R$ 1.450 FOB. Para a safra nova, as referências variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB para setembro. Já o trigo argentino nacionalizado subiu para US$ 300 por tonelada, sem oferta concreta na semana.

 





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Safra de laranja começa com indústria seletiva


A comercialização da laranja da safra 2026/27 destinada ao processamento industrial começou de forma lenta no cinturão citrícola e em outras regiões produtoras. Segundo dados divulgados pelo Cepea, as indústrias ainda priorizam frutas próprias e avaliam qualidade, maturação e rendimento antes de ampliar as compras de terceiros.

A entrada da safra 2026/27 de laranja no mercado industrial ocorre em um ambiente de maior seletividade por parte das processadoras. De acordo com o Cepea, as negociações avançam de maneira gradual, enquanto boa parte das empresas mantém o foco no processamento de frutas próprias neste início de temporada.

O movimento ajuda a explicar o ritmo mais lento de contratação. Segundo dados divulgados pelo Cepea, em alguns casos já há recebimento de frutas de terceiros, mas vinculadas a contratos renegociados. A ampliação das compras, no entanto, ainda depende principalmente dos parâmetros de qualidade e do rendimento industrial das frutas disponíveis.

Como muitos pomares ainda não chegaram ao ponto ideal de maturação, as indústrias têm direcionado a demanda para regiões mais adiantadas. De acordo com o Cepea, as compras estão concentradas em frutas de meia estação do norte paulista e do Triângulo Mineiro, onde o desenvolvimento dos pomares permite maior avanço das operações.

Mesmo com o aumento da participação de variedades precoces, agentes consultados pelo Cepea indicam que as processadoras seguem dando preferência às frutas de meia estação provenientes de pomares mais avançados. A escolha reflete a busca por melhor desempenho no processamento e maior segurança quanto ao aproveitamento industrial.

Fora do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro, a avaliação inicial é mais cautelosa. Fontes do setor apontam qualidade abaixo do esperado em algumas áreas, especialmente no Paraná. Segundo o Cepea, esse quadro pode restringir o potencial de valorização da laranja paranaense neste começo de safra.

A expectativa é que o mercado ganhe mais ritmo nas próximas semanas. Pesquisadores do Cepea apontam que, com a retomada gradual das atividades industriais, o número de unidades em operação deve aumentar ao longo de julho.

 





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