segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

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RS investe R$ 14 bilhões nem prevenção e reconstrução pós-enchentes


Dois anos após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul informa que os investimentos em ações de reconstrução superam R$ 14 bilhões, contemplando centenas de municípios. Os recursos integram o Plano Rio Grande, lançado no primeiro mês da crise, com orçamento total de R$ 14,5 bilhões.

Segundo o governo estadual, o plano reúne iniciativas voltadas à reconstrução de estruturas afetadas e à ampliação da capacidade de resposta a eventos climáticos. A estratégia inclui ações de prevenção, recuperação e fortalecimento da infraestrutura e da economia, com foco na adaptação a novos cenários. De acordo com a gestão estadual, trata-se de um modelo estruturado de planejamento para enfrentar impactos climáticos no presente e no futuro.

Do total aprovado, mais de R$ 4,4 bilhões já foram pagos e executados, enquanto cerca de R$ 8,1 bilhões estão empenhados. Os recursos têm origem no Executivo estadual e na suspensão do pagamento da dívida com a União por 36 meses, iniciada em maio de 2024. Para gerir os valores, foi criado o Fundo do Plano Rio Grande.

Atualmente, o plano reúne 227 projetos em diferentes fases. O governador Eduardo Leite afirmou que o Estado ampliou sua capacidade de resposta. “O Rio Grande do Sul está muito mais preparado para enfrentar eventos climáticos adversos. Isso é um fato. Desde os primeiros momentos, ainda antes das águas baixarem, colocamos em prática o Plano Rio Grande com um grande conjunto de medidas para tornar o Rio Grande do Sul mais resiliente. Nosso Estado nunca havia tido um plano estruturado com essa finalidade, e o Brasil também não. Agora, sim, temos programa de Estado, não de um governo apenas, para encarar as mudanças climáticas no presente e no futuro”, disse.

Sobre os investimentos, o governador acrescentou que parte significativa dos recursos já foi aplicada. “Já aprovamos mais de R$ 13,9 bilhões em projetos e ações de reconstrução. Mais de R$ 4 bilhões já foram pagos, ou seja, são iniciativas já concluídas para melhorar a vida das pessoas e deixar nosso Estado mais preparado. Isso é muito mais que um número: é um marco histórico de investimento”, afirmou.

De acordo com o governo, o Plano Rio Grande já executou medidas nas áreas de emergência, recuperação, diagnóstico, resiliência e preparação em diversas áreas, como meio ambiente, habitação, segurança, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico e social, entre outros.

O Plano Rio Grande já executou medidas de emergência, recuperação, diagnóstico, resiliência e preparação em diversas áreas, como meio ambiente, habitação, segurança, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico e social, entre outros.

Alguns exemplos de atuação nesses dois anos são:

  • reformas e obras em estradas estaduais, escolas e hospitais;
  • abrigos emergenciais, benefícios sociais, moradias provisórias e casas definitivas;
  • desassoreamento e batimetria dos rios, assim como dragagem de hidrovias;
  • colaboração para a reestruturação de bairros em cidades afetadas, sistema de proteção nos municípios, Defesa Civil mais preparada e com maior efetivo, mais equipamentos para as forças de segurança, planos de contingência em todos os municípios;
  • e novos radares, estações hidrometeorológicas e alertas à população.


 





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Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas instrui produtores rurais em Ubiratã


O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) reuniu produtores rurais, em Ubiratã, com o objetivo de iniciar um projeto-piloto na região de Campo Mourão para a otimização da eficiência, segurança e sustentabilidade das pulverizações de defensivos agrícolas. O encontro deu ênfase na tecnologia de aplicação agrícola (TAA) e Inspeção Periódica de Pulverizadores (IPP). Os extensionistas Antônio Eduardo Egydio e Eduardo Campos Barbosa abordaram conteúdos teóricos e práticos nos seguintes temas de deriva na pulverização: como evitar, pontas de pulverização na tecnologia de aplicação, tecnologias de formação de gotas, integração da ponta com o sistema de aplicação, regulagem, calibração e boas práticas de pulverização, erros comuns da pulverização e como evitá-los e regulagem do pulverizador com uso do FLUXIN.

O evento de capacitação contou com a participação de 14 produtores do Projeto de Grãos, assistidos pelo extensionista local Luiz Henrique Oliveira Souza, responsável pelo projeto. O bate-papo contemplou que a aplicação de defensivos agrícolas é uma prática periódica na agricultura, seja para a prevenção ou para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas, com a finalidade de manter a sanidade das culturas e proteger o potencial produtivo da lavoura. Contudo, observou-se a necessidade do produtor utilizar o produto correto, na dose recomendada, para alcançar a eficiência no controle esperado. 

Na maioria casos em que há algum tipo de ineficiência, o problema não está no defensivo em si, mas na forma e condições em que ele é aplicado. Segundo explicaram os extensionistas, o conhecimento dos componentes da tecnologia de aplicação permite a tomada de decisão mais certeira no controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Sendo que a qualidade da pulverização está diretamente associada à redução de perdas, o que pode depender do uso apropriado dos equipamentos, da escolha adequada das pontas de pulverização e da realização da aplicação em condições climáticas favoráveis.

O projeto-piloto na região de Campo Mourão visa a ampliação para outros municípios da COMCAM, reforçando a importância das boas práticas agrícolas, auxiliando para a redução de desperdícios, menor impacto ambiental e maior eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas, além de repassar conhecimentos técnicos e promover a profissionalização dos produtores rurais.





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Juros altos aumentam endividamento das famílias brasileiras


As Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), indicam que as famílias seguem pressionadas por crédito caro e recorrem ao uso de modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito.

Em março, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada, em 61,5% ao ano, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual (p.p).

Com o brasileiro pagando juros tão altos, a inadimplência do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,3% da carteira em março, com queda de 0,1 p.p. no mês, mas aumento de 1,0 p.p. em 12 meses.

Entre as famílias, a taxa chegou a 5,3%, com avanço de 1,4 p.p. em um ano.

De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro (aumento de 0,1 p.p. no mês, e de 1,3 p.p. em 12 meses), enquanto o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7% (alta de 0,2 p.p. no mês e de 1,9 p.p. na comparação anual).

O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) somou R$ 7,2 trilhões em março, com crescimento de 0,9% no mês.

O crédito às famílias alcançou R$ 4,5 trilhões, com alta mensal de 0,8% e expansão de 10,9% em 12 meses.

No crédito livre destinado às pessoas físicas, o saldo chegou a R$ 2,5 trilhões, avançando 1,1% no mês e 12,3% em relação a março de 2025. O BC destacou o aumento das operações com cartão de crédito à vista, crédito consignado para trabalhadores do setor privado e financiamentos de veículos.

Já o crédito direcionado às famílias — que inclui linhas com recursos e condições definidas por regras específicas — totalizou R$ 2,0 trilhões, com crescimento de 0,5% no mês e 9,3% em 12 meses.

O crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 21,0 trilhões em março, o equivalente a 162,3% do Produto Interno Bruto (PIB – soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente em um ano), com leve retração de 0,3% no mês. Em 12 meses, houve crescimento de 11,2%.

O crédito ampliado às empresas atingiu R$ 7,1 trilhões, com expansão mensal de 1,5%, impulsionada principalmente pelos títulos privados de dívida, empréstimos externos e operações do SFN.





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Ciclone provoca alerta de chuva de mais de 100 mm neste fim de mês


A atuação de um ciclone e de sua frente fria deve provocar tempestades e volumes de chuva superiores a 100 milímetros na região Sul do Brasil nos próximos dias, segundo informações da Meteored. Ao mesmo tempo, outros sistemas atmosféricos mantêm a condição de chuvas intensas nas regiões Norte e Nordeste.

De acordo com a análise, até este sábado, uma área de baixa pressão sobre o Rio Grande do Sul deve se intensificar gradualmente e dar origem a um ciclone extratropical sobre o oceano Atlântico, favorecendo a ocorrência de chuvas no centro-sul do país.

Em paralelo, um segundo ciclone mais intenso deve se formar na altura da Argentina ao longo do fim de semana, impulsionando uma frente fria em direção ao Brasil entre sábado (25) e domingo (26). A interação entre os sistemas deve ampliar os volumes de precipitação na região Sul.

Entre sexta-feira (24) e sábado (25), são previstas pancadas de chuva intensas sobre o Rio Grande do Sul. No domingo (26), a frente fria avança em direção ao norte, provocando precipitações em Santa Catarina e Paraná.

Nos dias seguintes, o sistema tende a permanecer quase estacionário, mantendo condições para tempestades em áreas de Santa Catarina e do Paraná, enquanto o Rio Grande do Sul deve registrar melhora no tempo. O mesmo sistema também favorece a ocorrência de chuvas no Mato Grosso do Sul.

O cenário eleva o risco de impactos como interrupções no fornecimento de energia elétrica, danos em lavouras, queda de árvores, transbordamento de rios e alagamentos ao longo do fim de semana e início da próxima semana na região Sul e em Mato Grosso do Sul.

Além disso, áreas das regiões Norte e Nordeste também permanecem sob alerta para chuvas intensas. No litoral norte do país, a atuação da Zona de Convergência Intertropical contribui para a formação de tempestades na faixa equatorial.

As instabilidades são reforçadas pela Oscilação de Madden-Julian, que se encontra em fase favorável à ocorrência de chuvas no centro-norte do Brasil. Nessas regiões, os acumulados podem variar entre 150 e 200 milímetros até o final da próxima quarta-feira.

Os volumes mais elevados são esperados em estados como Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará e norte do Tocantins, além de áreas do Maranhão, norte do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Enquanto isso, grande parte da região Sudeste e áreas do Nordeste devem manter tempo firme, com destaque para temperaturas elevadas. No sul e oeste de São Paulo, podem ocorrer pancadas isoladas, mas o predomínio será de tempo seco e quente.

Nessas áreas, as temperaturas máximas podem chegar a 36°C, com níveis de umidade relativa do ar abaixo de 30%, condição que pode agravar problemas de saúde e favorecer a ocorrência de incêndios florestais.

 





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RS colhe 88% da área de arroz irrigado


A colheita de arroz irrigado no Rio Grande do Sul atingiu 88% da área cultivada. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (23), o avanço das operações foi condicionado pelas precipitações recorrentes no período, que mantiveram elevados os níveis de umidade dos grãos e restringiram o ritmo dos trabalhos no campo.

Mesmo com volumes moderados de chuva, a combinação com alta umidade relativa e ocorrência de garoa exigiu maior seletividade nas janelas operacionais. As áreas remanescentes estão, em sua maioria, em estádios finais do ciclo, prontas para colheita.

De forma geral, o desempenho produtivo é considerado satisfatório, sustentado por condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo. Há variações localizadas associadas a fatores operacionais e de manejo, mas a qualidade dos grãos é considerada adequada, com bom rendimento industrial.

A área cultivada no estado é de 891.908 hectares, conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz, e a produtividade média está projetada em 8.744 kg por hectare pela Emater/RS-Ascar.

Na região administrativa de Bagé, a colheita foi impactada pelas chuvas e pela elevada umidade dos grãos. Na Fronteira Oeste, em São Gabriel, os trabalhos alcançam 92% dos 25.800 hectares cultivados, com produtividades superiores a 8.000 kg por hectare, embora haja descontos por impurezas. Em Manoel Viana, falhas no fornecimento de energia elétrica comprometeram a irrigação e reduziram a produtividade em áreas do assentamento Santa Maria. Já em Dom Pedrito, na Campanha, 70% dos 36.000 hectares foram colhidos, com resultados dentro do esperado.

Na região de Pelotas, a colheita atingiu 86% da área e avançou até ser interrompida por chuvas registradas em 16 de abril. As áreas restantes estão maduras e prontas para colheita, com previsão de continuidade dos trabalhos ao longo do mês.

Na região de Santa Maria, a colheita alcança cerca de 75% da área. Em Cacequi, as operações estão em fase final, com produtividades consideradas adequadas. A região apresenta desempenho produtivo positivo, com variações entre municípios e propriedades.

Na região de Soledade, 75% da área foi colhida, com desaceleração no período devido ao tempo úmido. As lavouras apresentam padrão produtivo elevado e qualidade de grão que favorece o rendimento industrial. As áreas remanescentes estão distribuídas entre fases de enchimento, maturação e prontas para colheita, indicando a proximidade do encerramento do ciclo.





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Parceria busca ampliar o uso de bioinsumos no algodão


Representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão e da Biotrop firmaram, na última sexta-feira (24), uma parceria com o objetivo de ampliar o uso de bioinsumos na cadeia produtiva do algodão no Brasil. A iniciativa busca incentivar alternativas ao uso de defensivos químicos no manejo de pragas, como o bicudo-do-algodoeiro.

O encontro contou com a participação do vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella; dos produtores e conselheiros Carlos Alberto Moresco e Luiz Carlos Bergamaschi; do diretor executivo Marcio Portocarrero; do gerente do programa Cotton Brazil, Fernando Rati; e da diretora de relações institucionais Silmara Ferraresi. Pela Biotrop, participaram o presidente Jonas Hipólito, a head de algodão Paula Luporini e o diretor comercial Carlos Baptista.

Durante a reunião, Celestino Zanella destacou o potencial da iniciativa. “O principal objetivo da Abrapa é viabilizar a cotonicultura, e o controle biológico de pragas é de extrema importância neste processo. A Biotrop tem realizado um trabalho brilhante nos últimos anos, e poderá ajudar os produtores na construção do futuro do algodão”, afirmou.

O diretor executivo Marcio Portocarrero apresentou as frentes de atuação da entidade e ressaltou o papel do programa Algodão Brasileiro Responsável no incentivo ao uso de soluções biológicas. “Atualmente 78% das fazendas brasileiras que produzem algodão participam do programa ABR, dentre elas 83,6% usaram no último ano produtos biológicos para o controle de pragas e doenças”, disse.

Para Fernando Rati, o uso de bioinsumos também impacta a percepção do produto no exterior. “O bioinsumo é um instrumento poderoso para reforçar o posicionamento do internacional do algodão brasileiro enquanto produção agrícola ambientalmente responsável”.

A pauta também incluiu iniciativas de promoção e rastreabilidade, como o programa SouABR e o movimento Sou de Algodão. Silmara Ferraresi destacou o engajamento das empresas. “O movimento Sou de Algodão tem atualmente um time de empresas apoiadoras comprometidas com a sustentabilidade e origem do algodão, que estão conquistando um público cada vez mais engajado por valorizarem a transparência e a qualidade daquilo que consomem”, afirmou.

O presidente da Biotrop, Jonas Hipólito, destacou sobre a aplicação prática dos bioinsumos. “O biológico chega como uma ferramenta a mais para o cotonicultor, que permite fazer a gestão das pragas desafiadoras, como é o caso do bicudo. Isso acontece com controle efetivo, custo atrativo e rentabilidade tão necessária para o desenvolvimento da atividade”, afirmou.

 





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Brasil anuncia investimento de R$ 465 milhões na cadeia leiteira


O Governo do Brasil anunciou nesta segunda-feira (27) novas políticas para fortalecer a cadeia leiteira da agricultura familiar em todo o país, com investimentos que somam R$ 465 milhões. Do total, R$ 450 milhões serão destinados ao Programa de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar (Pronaf Mais Leite). Também foi firmado um contrato de R$ 15 milhões para a construção da primeira agroindústria de leite em pó no estado de São Paulo. Os anúncios ocorreram em Andradina (SP), com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

Alckmin destacou a implementação da primeira agroindústria de leite em pó na Coapar. “Eu estive aqui há quatro anos e vi o quanto a Coapar cresceu, fabricando queijo, iogurte, manteiga e agora será a primeira fábrica a produzir leite em pó no nosso estado. E vejam a importância da agroindústria: ela agrega valor. É pegar um produto da terra e fazer manufatura. A Coapar é um exemplo de sucesso. Aqui ficam duas lições: a do associativismo e a do cooperativismo”, declarou.

Segundo a ministra Fernanda Machiaveli, a cadeia leiteira tem forte presença da agricultura familiar. “Nós temos vários motivos para celebrar. O leite é uma cadeia produtiva constituída majoritariamente nas pequenas propriedades dos assentamentos da reforma agrária e nas propriedades da agricultura familiar”, afirmou. O Brasil possui cerca de 1,17 milhão de propriedades rurais voltadas à produção de leite, sendo aproximadamente 950 mil ligadas à agricultura familiar.

Durante o evento, o Banco do Brasil, o governo federal e a Coapar assinaram contrato para a construção da unidade industrial. O investimento de R$ 15 milhões permitirá substituir a produção terceirizada, com capacidade de processar 25 mil litros de leite por dia.

O vice-presidente da cooperativa, Lourival Placido de Paula, relembrou a trajetória da organização. “A primeira cooperação que fizemos foi quando montamos o acampamento e entramos debaixo do barraco de lona. Isso aqui é uma resistência. A Coapar é a resistência dos pequenos, daqueles que não têm nada: o produtor que tem 15 litros de leite por dia, 20 litros, 50 litros, o que tem 100, o que tem 200. Todos em assentamento, para resistir contra os grandes e mostrar que unidos, juntos, podemos muito mais. Podemos construir um país melhor a partir da união e do desenvolvimento pelos quais lutamos e que queremos”, afirmou.

Representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Gilmar Mauro também comentou a iniciativa. “Neste dia, será assinado o contrato da primeira indústria de leite em pó do estado de São Paulo. Não tem outra, vai ser a primeira, aqui na Coapar. Nós entendemos, e é preciso dizer que se hoje estamos produzindo comida para o povo brasileiro, aqui e em todo o Brasil, e somos bem vistos nas nossas feiras, é sempre bom lembrar uma coisa: tudo isso começou com a ocupação do latifúndio. Porque se não tivéssemos ocupado o latifúndio, não teríamos hoje uma Copar”, disse.

No âmbito do programa Terra da Gente, o governo assinou decretos de desapropriação por interesse social de áreas em Americana (SP) e Santa Quitéria (CE), que devem beneficiar mais de 100 famílias. Também foram liberados mais de R$ 155 milhões para pagamento de créditos a mais de 9 mil beneficiários em todo o país. Desde 2023, mais de 230 mil famílias foram incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária (PRNA).

Além disso, foram anunciadas medidas complementares, como a destinação de R$ 100 milhões em leite em pó pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para Cozinhas Solidárias, o lançamento de chamada pública de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), via Anater, no valor de R$ 30 milhões, e uma nova linha de crédito do Pronaf voltada a cooperativas de leite, com volume total de R$ 150 milhões.





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Agricultura regenerativa exige manejo integrado


A agricultura regenerativa ganhou espaço como tendência no campo, mas a execução ainda é apontada como um dos principais desafios para que os resultados apareçam nas áreas produtivas. A interpretação de que regenerar significa simplesmente eliminar insumos pode levar a decisões de manejo que comprometem a resposta do sistema e travam o desenvolvimento das lavouras.

Segundo Marcelo Fiorentim, engenheiro agrônomo, muita gente tem errado ao cortar insumos acreditando que a biologia resolverá sozinha, ao aumentar palhada sem compreender sua dinâmica e ao confiar apenas no laudo de análise de solo, ignorando o funcionamento do sistema. Para ele, quando esses fatores não são considerados em conjunto, o produtor pode não entender por que a área deixa de responder.

O material destaca que regenerar não é excluir, mas fazer o sistema funcionar. Isso passa por solo estruturado, raiz ativa e nutriente disponível no tempo certo. Sem essas condições, a proposta deixa de ser regeneração e passa a ser apenas uma ilusão de solo bom.

Um dos erros apontados é cortar a adubação sem garantir uma base nutricional adequada. A orientação apresentada é ajustar o solo primeiro e, depois, usar a biologia como multiplicador. O conteúdo ressalta que a biologia não cria nutrientes, mas potencializa o que já existe, e que o sistema precisa estar em condições de responder antes da atuação biológica.

Outro ponto é o manejo da palhada. O aumento de volume, sem controle da relação carbono e nitrogênio, pode imobilizar nitrogênio, dificultar o arranque da cultura e travar o sistema. A correção indicada é manejar a palhada com estratégia, priorizando decomposição e liberação de nutrientes no momento adequado.

A análise de solo também é tratada como ferramenta importante, mas insuficiente quando vista isoladamente. Teores altos não garantem nutrição se o nutriente não estiver disponível quando a planta precisa. Por isso, o manejo deve considerar o sistema como um todo, incluindo pH ajustado, raiz ativa e biologia ativa.

 





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Embrapa completa 53 anos como pilar da ciência agropecuária brasileira


Neste 26 de abril de 2026, a Embrapa celebra 53 anos de atuação, consolidada como uma das instituições científicas mais relevantes do país e referência global em agricultura tropical.

Criada oficialmente em 1973, a partir da Lei nº 5.851, a empresa nasceu com uma missão clara: desenvolver ciência, tecnologia e inovação para transformar a agricultura brasileira. Mais de cinco décadas depois, os resultados desse projeto são visíveis na produtividade do campo, na segurança alimentar e no posicionamento do Brasil como potência agroambiental.

Ao longo desse período, a instituição protagonizou uma transformação estrutural na agricultura nacional. Tecnologias desenvolvidas viabilizaram a ocupação produtiva de áreas antes consideradas marginais, como o Cerrado, além de impulsionar ganhos de eficiência em diferentes cadeias produtivas.

A construção de um projeto de Estado

A origem da empresa está diretamente associada à visão estratégica do então ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima, responsável por articular a criação de uma companhia pública voltada à pesquisa agropecuária.

Nesse processo, também teve papel fundamental o primeiro presidente, José Irineu Cabral, que liderou a implantação inicial e a estruturação de suas bases técnicas e organizacionais. Seu trabalho foi decisivo para consolidar o modelo de pesquisa que sustentaria o crescimento ao longo das décadas seguintes.

Na sequência, nomes como Eliseu Roberto de Andrade Alves contribuíram para a expansão e consolidação da atuação em diferentes frentes da pesquisa agropecuária. Ao longo da trajetória, a organização se caracterizou por uma gestão baseada em diretorias colegiadas, nas quais diferentes lideranças executivas tiveram papel relevante na condução estratégica.

Liderança atual e agenda de inovação

Atualmente, a empresa é presidida por Silvia Massruhá, desde maio de 2023. A gestão tem ampliado o foco em agricultura digital, inteligência artificial, sustentabilidade e novas fronteiras tecnológicas, mantendo a organização alinhada às demandas contemporâneas do agro.

Presidentes ao longo da história

Ao longo de seus 53 anos, a instituição foi conduzida por diferentes lideranças que ajudaram a consolidá-la como referência global em pesquisa agropecuária tropical. Desde sua criação, a gestão também se caracterizou por um modelo de decisões colegiadas, com participação ativa das diretorias executivas.

Confira os presidentes ao longo da trajetória:

José Irineu Cabral (1973–1978)

Eliseu Roberto de Andrade Alves (1979–1984)

Luiz Carlos Pinheiro Machado (1985)

Ormuz Freitas Rivaldo (1986–1988)

Carlos Magno Campos da Rocha (1989–1990)

Murilo Xavier Flores (1990–1995)

Alberto Duque Portugal (1995–2002)

Clayton Campanhola (2003–2005)

Silvio Crestana (2005–2009)

Pedro Arraes (2009–2012)

Maurício Antônio Lopes (2012–2018)

Sebastião Barbosa (2018–2019)

Celso Luiz Moretti (2019–2023)

Silvia Massruhá (2023–atual)

Rede nacional e diversidade de atuação

Com mais de 40 unidades de pesquisa distribuídas pelo país, a empresa atua de forma abrangente, contemplando diferentes biomas e sistemas produtivos. Além de centros já reconhecidos, como Embrapa Soja, Embrapa Gado de Corte e Embrapa Cerrados, outras unidades desempenham papel estratégico na diversificação da pesquisa nacional.

É o caso da Embrapa Hortaliças, Embrapa Territorial, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e da Embrapa Semiárido, esta última responsável por avanços fundamentais na produção de frutas irrigadas no Nordeste brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento regional e a geração de renda.

Essa capilaridade permite o desenvolvimento de soluções adaptadas às diferentes realidades do país, abrangendo desde genética e biotecnologia até manejo de solo, clima e agricultura de precisão.

Impacto econômico e social

Os avanços tecnológicos impulsionados ao longo das últimas décadas também tiveram reflexos diretos na economia e no consumo. Com o aumento da produtividade e da eficiência no campo, o preço real dos alimentos apresentou tendência de queda ao longo dos anos, ampliando o poder de compra da população brasileira e contribuindo para a segurança alimentar.

Mais do que ganhos produtivos, trata-se de um impacto estrutural que conecta ciência, economia e sociedade.

Um legado que projeta o futuro

Ao completar 53 anos, a instituição reafirma seu papel como um dos principais ativos estratégicos do Brasil. Sua trajetória demonstra como o investimento contínuo em ciência e inovação pode transformar realidades e posicionar o país de forma competitiva no cenário global.

Celebrar a Embrapa é reconhecer um projeto de longo prazo que segue em evolução, sustentado pelo conhecimento, pela pesquisa e pelo compromisso com o desenvolvimento do Brasil.





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Produtor endividado pode ficar sem socorro?


O endividamento rural passou a ocupar lugar central nas discussões sobre a continuidade da atividade agropecuária, diante da combinação de juros elevados, aumento dos custos de produção, queda de rentabilidade, oscilações de preços e frustrações de safra. A avaliação é de Tobias Marini de Salles Luz, advogado e sócio-fundador da banca LCB Advogados, para quem o Projeto de Lei 5.122/2023, conhecido como PL da Securitização, parte de uma premissa correta, mas ainda precisa ser ajustado para funcionar de forma efetiva.

A proposta autoriza o uso de recursos do Fundo Social para criar uma linha especial de financiamento destinada à quitação de débitos rurais ligados a atividades prejudicadas por eventos climáticos adversos. O texto inclui parcelas vencidas ou a vencer de crédito rural, operações renegociadas ou não, empréstimos usados para amortização ou liquidação de dívidas e Cédulas de Produto Rural emitidas até 30 de junho de 2025.

Entre os pontos positivos estão prazo de dez anos para pagamento, três anos de carência, juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor, e vedação à exigência de garantias adicionais além das usuais no crédito rural. O projeto também prevê que a contratação da linha não impeça novas operações nem leve o produtor a cadastros restritivos.

A principal crítica está no § 8º do art. 2º, que estabelece filtros de acesso ao programa. O dispositivo exige enquadramento municipal em critérios como calamidade, atraso de dívidas ou perdas apuradas por médias locais, além de comprovação individual de perdas em duas ou mais safras de ao menos 30% da produção.

Para o advogado, esse modelo pode excluir produtores endividados que perderam renda sem registrar quebra de produção, como arrozeiros do norte do Paraná e integrantes da cadeia do leite. A proposta defendida é excluir o § 8º, preservando os demais pontos do projeto. Na avaliação, critérios excessivamente estatísticos e territoriais podem transformar uma solução ampla em um programa restrito, incapaz de reorganizar o passivo rural de quem precisa.

 





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