quarta-feira, julho 22, 2026

Política & Agro

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Nova regra amplia dúvidas sobre dívida rural



“Diante disso, cabe ao produtor seguir o entendimento vigente”


“Diante disso, cabe ao produtor seguir o entendimento vigente"
“Diante disso, cabe ao produtor seguir o entendimento vigente” – Foto: Pixabay

A mudança nas regras para o alongamento de dívidas rurais pode ampliar a insegurança dos produtores diante de pedidos de prorrogação. A avaliação é do advogado em Direito Bancário e do Agronegócio Fábio Lamonica Pereira, ao analisar a Resolução 5.314, de 25 de junho de 2026.

A norma alterou o Manual de Crédito Rural e passou a prever que a instituição financeira pode prorrogar a operação por sua conveniência e decisão. Apesar disso, o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula 298, estabelece que o alongamento não é mera faculdade do banco, mas direito do devedor quando os requisitos legais forem cumpridos.

Entre as condições estão dificuldade de comercialização, frustração de safra, ocorrências prejudiciais às lavouras e problemas no fluxo de caixa provocados pelo acúmulo de perdas. Também é necessário comprovar a capacidade de pagamento.

Na análise do advogado, a nova redação pode abrir espaço para decisões subjetivas e negativas de pedidos, o que tende a aumentar a judicialização. Para o produtor, a orientação é formalizar a solicitação com suporte técnico e documentação. Em caso de recusa, a questão poderá ser levada ao Judiciário, que deverá avaliar a aplicação do entendimento já vigente.

“Diante disso, cabe ao produtor seguir o entendimento vigente e, em sendo o caso, tecnicamente amparado, notificar a instituição financeira para que cumpra com a obrigação (e não faculdade) de alongar o débito, desde que preenchidos os requisitos legais e, se preciso, em caso de negativa, procurar socorro do judiciário para que a questão seja, de fato, definida”, conclui.

 





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Preços mais competitivos fortalecem avanço do etanol no Brasil


O mercado brasileiro de combustíveis vive um momento favorável para o etanol. Impulsionado pela perspectiva de aumento da safra de cana, recorde de oferta, puxada principalmente pela produção a partir do milho, e maior competitividade em relação à gasolina, o biocombustível deve ampliar sua participação no abastecimento.

O preço do etanol segue na contramão da gasolina desde o início do conflito geopolítico que abalou o setor energético global. Enquanto a gasolina subiu 5,4% para o consumidor brasileiro, o etanol registrou quedas expressivas: recuou 24% nas usinas (preço ao produtor) e 11% nas bombas (preço ao consumidor).

A chamada paridade — indicador utilizado para avaliar a vantagem econômica do biocombustível diante da gasolina — opera perto de 60% nos principais mercados. “Com os preços praticados atualmente, o etanol se torna ainda mais competitivo, favorecendo o aumento da demanda”, destaca Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil.

A expectativa, porém, é de aumento significativo da oferta de etanol nesta safra, tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, o que deve pressionar ainda mais os preços e ampliar a competitividade do biocombustível. “Teremos uma oferta recorde, o que naturalmente exige preços mais competitivos para ampliar o consumo”, pontua o CEO da SCA Brasil. No milho, novas plantas industriais em operação no país devem adicionar mais de 2 bilhões de litros à oferta nacional, reforçando a disponibilidade do combustível no mercado interno.

O crescimento do etanol fortalece a segurança energética brasileira e reduz a dependência de combustíveis fósseis. Segundo Ono, considerando a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina e o consumo de etanol hidratado, cada 100 litros de combustível consumido, mais de 50 litros são de etanol, ou seja, a dependência é inferior a 50% de combustíveis fósseis no abastecimento da frota com ciclo otto.

Nesse contexto, a possível aprovação da mistura E32 — que amplia para 32% a participação do etanol anidro na gasolina — poderá acelerar ainda mais esse movimento. Na avaliação de Ono, medida poderá gerar uma demanda adicional entre 600 milhões e 1 bilhão de litros de etanol por ano. “A ampliação da mistura fortalece toda a cadeia produtiva, reduz a necessidade de importação de gasolina e ajuda a manter um combustível mais competitivo ao consumidor brasileiro, além de contribuir positivamente para a balança comercial brasileira”, finaliza.

 





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Inverno deve ser mais quente com avanço do El Niño


Uma nova massa de ar polar deve manter as temperaturas baixas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste no início de julho. No entanto, informações do Meteored indicam que o cenário tende a mudar ao longo do mês, com temperaturas acima da média e um inverno mais quente no Brasil nas próximas semanas, em parte devido ao avanço do El Niño.

Junho foi marcado por temperaturas inferiores à média em grande parte do país, especialmente no Centro-Sul. Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo registraram anomalias negativas de temperatura durante o mês, prolongando o padrão de frio observado ao longo do outono de 2026.

Segundo a previsão, a nova massa de ar frio continuará influenciando o tempo na próxima semana, mantendo o frio sobre boa parte do Centro-Sul e favorecendo a permanência das temperaturas abaixo da média nos primeiros dias de julho.

Apesar disso, o Meteored destaca que o restante do mês não deverá ser dominado pelo frio intenso. As projeções climáticas apontam para uma mudança no padrão atmosférico a partir da segunda quinzena de julho, após a passagem da massa de ar polar prevista para o início do mês.

Os modelos numéricos indicam que, ao longo de julho, o frio deve perder intensidade gradualmente. As áreas com anomalias negativas de temperatura tendem a diminuir de forma significativa, reduzindo a influência do ar frio sobre o território brasileiro.

Esse comportamento está associado ao enfraquecimento das massas de ar polar que conseguirão avançar pelo país durante o mês. As estimativas iniciais apontam que as temperaturas máximas poderão voltar a superar os 30°C em áreas da Região Sudeste na segunda metade de julho.

De acordo com o Meteored, esse cenário também começa a refletir os efeitos do El Niño, com a atmosfera respondendo ao aquecimento das águas oceânicas por meio de mudanças no regime de ventos e, consequentemente, na distribuição das chuvas nas próximas semanas.

As previsões ainda indicam que o fenômeno pode alcançar intensidade elevada. A média dos modelos dinâmicos aponta anomalias de até 2,7°C acima da média no Oceano Pacífico Equatorial, enquanto alguns cenários projetam desvios superiores a 3,5°C.

Em anos de El Niño, um dos efeitos característicos é o aumento das temperaturas médias em grande parte do Brasil. Segundo o Meteored, isso reforça a possibilidade de um inverno mais quente do que o normal, com temperaturas que podem até superar as registradas durante o outono.

Ainda conforme o instituto, o fenômeno também pode favorecer a ocorrência de ondas de calor mais intensas e novos recordes de temperaturas máximas entre 2026 e 2027.





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Produtividade da soja cai 14,8% no Rio Grande do Sul



Colheita da soja foi concluída no Rio Grande do Sul



Foto: Canva

A colheita da soja foi concluída no Rio Grande do Sul, restando apenas áreas pontuais de segunda safra, sem representatividade estatística nos resultados estaduais. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, os números finais da safra refletem a grande variação no volume de chuvas ao longo do ciclo, fator que provocou diferenças expressivas de produtividade entre regiões, municípios e propriedades.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, a produtividade média estadual da safra 2025/2026 foi revisada para 2.707 quilos por hectare, resultado 14,8% inferior aos 3.180 quilos por hectare projetados antes do início do plantio. A área cultivada no Estado foi estimada em 6.697.172 hectares.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a colheita também foi finalizada. O levantamento aponta grande variação de rendimento entre os municípios. As menores produtividades foram registradas em áreas de Augusto Pestana, Coronel Barros e Jóia, onde os volumes de chuva ficaram abaixo da necessidade da cultura durante fases consideradas críticas do desenvolvimento. Em contrapartida, Santa Bárbara do Sul apresentou desempenho superior, com produtividade média acima de 3.600 quilos por hectare.





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Ureia, MAP e potássio registram queda no Brasil


As cotações da ureia, do MAP e do cloreto de potássio registraram queda nos últimos dias no mercado brasileiro de fertilizantes, refletindo um cenário de maior pressão baixista no mercado global. Segundo análise de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o principal fator por trás desse movimento é o avanço das tratativas de paz no Oriente Médio, que reduz as incertezas logísticas e amplia as perspectivas de oferta.

De acordo com Pernías, a possível reabertura do Estreito de Ormuz à navegação tende a facilitar o escoamento dos fertilizantes produzidos e exportados pelos países da região. “Os fatores baixistas continuam pesando no mercado global de fertilizantes. No Brasil, por exemplo, os últimos dias registraram uma queda nas cotações da ureia, do MAP e do cloreto de potássio, sinalizando que, neste momento, o tom de fraqueza tem predominado no setor”, afirmou.

O analista explica que a melhora nas condições logísticas se soma ao enfraquecimento da demanda internacional. Segundo ele, fornecedores e tradings têm encontrado dificuldades para redirecionar suas cargas, o que tem levado à redução dos preços de venda. “Esse sentimento baixista, é importante ressaltar, está em larga medida relacionado ao avanço das tratativas de paz no Oriente Médio. A resolução do conflito tende a abrir o Estreito de Ormuz para a navegação, facilitando o escoamento dos fertilizantes produzidos e exportados pelos países do Oriente Médio, assim como a reduzir as incertezas logísticas globais”, destacou.

Apesar do movimento de queda, Pernías avalia que os efeitos não devem atingir todos os segmentos do mercado de fertilizantes da mesma forma. Conforme o especialista, os nitrogenados tendem a sentir um impacto maior, já que o Oriente Médio concentra importantes produtores e exportadores de ureia. Já os fosfatados enfrentam um cenário diferente, marcado por custos elevados de produção, principalmente devido ao preço do enxofre, além de um mercado que já apresentava oferta restrita antes mesmo do conflito.

Na avaliação da StoneX, esse contexto cria perspectivas distintas para os importadores brasileiros. “Por enquanto, o cenário atual sugere que os importadores brasileiros que retornarem às compras nas próximas semanas encontrarão cotações relativamente mais baixas no mercado de nitrogenados, onde a queda de preços foi substancial nas últimas semanas, e possivelmente um quadro mais desafiador para suas aquisições de fosfatados, haja vista que as relações de troca entre a soja e o MAP, por exemplo, continuam nos piores níveis dos últimos anos”, concluiu Pernías.





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Soja reage em Chicago e preços voltam a R$ 116 no RS


A soja encerrou a semana com recuperação em Chicago e leve melhora no mercado brasileiro, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA. O movimento ocorreu entre 19 e 25 de junho de 2026, influenciado por sinais de retomada das compras chinesas nos Estados Unidos, câmbio mais favorável no Brasil e atenção crescente ao possível retorno do El Niño.

O primeiro mês cotado para a soja na Bolsa de Chicago perdeu força nos primeiros dias da semana, chegando a US$ 11,08 por bushel no dia 24 de junho. No dia seguinte, porém, houve forte recuperação, com fechamento a US$ 11,27 por bushel, acima dos US$ 11,22 registrados uma semana antes, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, o anúncio das estatísticas de exportação dos Estados Unidos permitiu ao mercado especular que a China estaria voltando a comprar soja norte-americana a partir dos acordos estabelecidos em maio. Esse cenário animou as cotações, ainda que momentaneamente. O boletim também observa que o conflito no Oriente Médio parece ter entrado em uma trégua, embora ainda não seja possível afirmar que o litígio bélico caminhe para o encerramento.

Na semana encerrada em 18 de junho, os Estados Unidos embarcaram 241.045 toneladas de soja, volume abaixo do esperado pelo mercado. Com isso, as vendas no atual ano comercial chegaram a 36,8 milhões de toneladas, ficando 19% menores do que no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Apesar da reação pontual, os operadores do mercado internacional consideram que a tendência para os preços da oleaginosa em 2026/27 é baixista, diante da perspectiva de safra recorde no Brasil e de uma safra melhor nos Estados Unidos, onde o clima, até o momento, transcorre normalmente. De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, apenas problemas climáticos nas lavouras poderiam puxar as cotações para cima em Chicago. Nesse contexto, o possível retorno do fenômeno El Niño passa a exigir atenção do mercado.

No Brasil, o câmbio, que chegou a R$ 5,18 por dólar durante a semana, ajudou os preços a melhorarem um pouco, mesmo com Chicago operando, na média, em patamar mais baixo. As principais praças do Rio Grande do Sul voltaram a indicar R$ 116,00 por saco, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 105,00 e R$ 116,00 por saco, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Uma nova estimativa privada para a área a ser semeada com soja no Brasil em 2026/27 aponta 49 milhões de hectares, com aumento de 443 mil hectares sobre o ciclo anterior. Se confirmada, a área avançará 0,9% em relação à última semeadura. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, com base na AgRural, esse comportamento estaria ligado a margens mais apertadas, alta dos custos de produção, preços relativamente estáveis, aumento do endividamento, crédito mais escasso e caro, além da preocupação com o El Niño, que pode atrasar o plantio e prejudicar a produtividade em alguns estados.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais atualizou as estatísticas do complexo soja. O esmagamento da oleaginosa no Brasil deve chegar a 63 milhões de toneladas em 2026, com produção de 48,1 milhões de toneladas de farelo e 12,6 milhões de toneladas de óleo. A produção total de soja está estimada em 180,2 milhões de toneladas, conforme dados da Conab citados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA. As exportações brasileiras de soja em grão estão projetadas em 114,1 milhões de toneladas, enquanto as vendas externas de farelo devem atingir 24,9 milhões de toneladas e as de óleo de soja, 1,65 milhão de toneladas.

Em valores, o complexo soja deve gerar cerca de US$ 60 bilhões em exportações em 2026. Nos quatro primeiros meses do ano, o esmagamento no país chegou a 18,1 milhões de toneladas, aumento de 10,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA. No Mato Grosso, a futura produção de soja deve alcançar 48,9 milhões de toneladas, volume 5,2% menor que o de 2025/26, conforme o Imea, também citado pela CEEMA. O resultado, no entanto, dependerá dos efeitos climáticos associados ao El Niño.





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Milho tenta recuperação em Chicago


O milho encerrou a semana com recuperação parcial na Bolsa de Chicago, mas os custos de produção seguem pressionando a rentabilidade no Brasil, especialmente em Mato Grosso. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, o mercado acompanhou entre 19 e 25 de junho de 2026 a estabilidade dos preços internos, o avanço da colheita da safrinha e o aumento das despesas no campo.

Em Chicago, o primeiro contrato do milho caiu para US$ 4,07 por bushel em 24 de junho, a menor cotação desde 12 de setembro de 2025. No fechamento da quinta-feira, 25, o cereal reagiu e chegou a US$ 4,14 por bushel. Ainda assim, permaneceu abaixo dos US$ 4,17 registrados uma semana antes, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Os embarques de milho dos Estados Unidos somaram 1,45 milhão de toneladas na semana encerrada em 18 de junho, ficando no limite mínimo do intervalo esperado pelo mercado. Com isso, o total exportado no atual ano comercial chegou a 67,1 milhões de toneladas, 25% acima do volume registrado no mesmo período do ano anterior, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

No mercado brasileiro, os preços permaneceram estáveis. As principais praças do Rio Grande do Sul indicaram R$ 58,00 por saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 40,00 e R$ 59,00 por saco, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

A colheita do milho safrinha avançava em Mato Grosso e atingia 20,9% da área total no início da semana. A área semeada no estado é de 7,39 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 120,3 sacos por hectare. A expectativa é de uma produção de 53,4 milhões de toneladas, conforme o Imea, citado pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

No Centro-Sul do Brasil, a colheita da safrinha 2026 alcançava 16% da área cultivada em 18 de junho, segundo a AgRural, também citada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

A pressão maior, no entanto, vem dos custos. Levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário, desenvolvido pelo Senar MT por meio do Imea, apontou que o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio. O valor representa alta de 14,46% em relação ao consolidado da safra 2025/26, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

O Custo Operacional Efetivo foi projetado em R$ 5.528,49 por hectare, alta de 15,03% na comparação anual. Para cobrir esse custo, considerando produtividade projetada de 120,28 sacas por hectare, o produtor precisa vender o milho a pelo menos R$ 45,96 por saca. Já o Custo Total foi estimado em R$ 7.418,49 por hectare, aumento de 10,3% frente à temporada anterior, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Ainda em Mato Grosso, a produção cresceu nos últimos seis anos, mas os preços não acompanharam o mesmo ritmo. Em 2020, a média anual da saca foi de R$ 43,24. Em 2021, impulsionada por problemas climáticos, oferta restrita e forte demanda internacional, a cotação atingiu média de R$ 71,14, chegando a superar R$ 78,00 em alguns meses. A partir de 2022, o mercado entrou em acomodação. Em 2023, a média anual caiu para R$ 43,34 e, em 2024, ficou em R$ 41,33 por saca. Em 2026, considerando os preços de janeiro a junho, a média está em R$ 45,31, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

A demanda das indústrias de etanol de milho tem ajudado a sustentar parte do mercado mato-grossense. Em 2026, a expectativa é que essas unidades processem cerca de 16 milhões de toneladas do cereal, volume superior a 30% da produção estadual, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Mesmo assim, a alta dos custos reduz a margem do produtor. De acordo com o Imea, citado pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, o Custo Operacional Efetivo passou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 na safra 2025/26, avanço superior a 42%. O Custo Total subiu de R$ 4.395,84 para R$ 6.725,91 por hectare no mesmo período, alta de aproximadamente 53%.

Os fertilizantes e corretivos continuam sendo o principal componente do custo de produção. Na safra 2025/26, eles responderam por 29,6% dos custos operacionais, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

A rentabilidade também recuou. O Lajida passou de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para R$ 683,18 por hectare na safra 2025/26. Para 2026/27, a projeção é de apenas R$ 70,96 por hectare. De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, o preço necessário para viabilizar a produção e permitir ao produtor financiar a próxima safra deveria ficar entre R$ 50,00 e R$ 55,00 por saco. Atualmente, o produtor local recebe entre R$ 38,00 e R$ 44,00.

Em números revisados, analista privado espera uma colheita final de 139,9 milhões de toneladas de milho no Brasil, enquanto a safrinha chegaria a 99 milhões de toneladas, conforme a Safras & Mercado, citada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

A expansão das safras também aumenta a pressão sobre a logística. Embora Mato Grosso tenha a maior capacidade instalada de armazenagem do país, com cerca de 57,9 milhões de toneladas, esse volume cobre apenas 52% da produção total de grãos do estado, segundo a Conab citada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA. Considerando apenas soja e milho, a cobertura é de 56%, com déficit estimado em 45,3 milhões de toneladas.





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Preços do trigo seguem firmes no Brasil


O trigo voltou a recuar na Bolsa de Chicago, mas os preços seguem sustentados no Brasil. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, o mercado foi influenciado entre 19 e 25 de junho de 2026 pela pressão da colheita no Hemisfério Norte, pela desvalorização do real, pela falta de produto de maior qualidade e pela redução da área semeada no país.

Em Chicago, o primeiro contrato do trigo voltou a operar abaixo de US$ 6,00 por bushel durante a semana e chegou a US$ 5,85. Depois, houve leve recuperação, com fechamento a US$ 5,91 por bushel na quinta-feira, 25 de junho. Uma semana antes, a cotação estava em US$ 6,05 por bushel, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

A queda externa ocorreu em meio ao anúncio de trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã, ainda que o mercado tenha acompanhado momentos de continuidade no fechamento do Estreito de Ormuz. Além disso, a pressão da colheita no Hemisfério Norte contribuiu para os recuos de curto prazo, mesmo com menor produção nos Estados Unidos, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Os embarques semanais de trigo dos Estados Unidos somaram 393.150 toneladas, dentro das projeções do mercado. Com esse resultado, o total embarcado no atual ano comercial, iniciado em 1º de junho, supera em 15% o volume registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

No Brasil, o cenário é diferente. A falta de trigo de qualidade superior e o encarecimento das importações, provocado pela desvalorização do real, mantêm os preços em alta. Durante a semana, o dólar chegou a R$ 5,18. No Rio Grande do Sul e no Paraná, o saco de trigo variou entre R$ 70,00 e R$ 71,00 nas principais praças dos dois maiores estados produtores do cereal, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

A redução da área semeada nesta nova safra também reforça o movimento de alta. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, a queda deve superar 20% no país, adicionando mais um fator de sustentação aos preços.

Ao mesmo tempo, o plantio da safra de trigo 2026 segue avançando no Brasil. No início da semana, a semeadura chegava a 75% do total previsto. O percentual supera a média histórica para o período, que é de 64%, segundo dados da Conab citados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Até 19 de junho, o plantio já havia sido concluído em Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em Goiás, os trabalhos chegavam a 99%; no Paraná, a 84%; no Rio Grande do Sul, a 63%; e em Santa Catarina, a 23,9%, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA. A colheita da safra também já começou. Em Goiás, os produtores haviam colhido 25% do total cultivado no estado. Apesar do avanço local, esse volume corresponde a apenas 0,7% do total brasileiro, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

 





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Búfala brasileira supera recorde mundial com 40,250 quilos de leite



Marca registrada na Expass Agro 2026 supera resultado obtido em 2024


Foto: Fazenda Búfalas da Mantiqueira/Divulgação

A búfala Serena, de propriedade do produtor Thiago Quirino Mansfeld, de Piquete (SP), registrou 40,250 quilos de leite em duas ordenhas durante a Expass Agro 2026, realizada em Passos (MG), e superou o recorde mundial estabelecido pelo próprio criador na edição de 2024. Naquele ano, outro animal de Mansfield havia alcançado 39,820 quilos e ultrapassado a marca de 37 quilos, então pertencente a um animal do Paquistão.

Nascida em 27 de fevereiro de 2022, Serena integra o plantel da Fazenda Búfalas da Mantiqueira. A competição fez parte da programação da Expass Agro e contou com a participação da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB).

Segundo Mansfeld, o novo recorde resulta da combinação entre potencial produtivo, alimentação e condução diária do animal. “Foi uma combinação quase perfeita. Não digo perfeita porque ainda podemos alcançar outros resultados. Melhoramos a nutrição, o manejo e também apostamos em um animal com potencial maior”, diz o produtor.

O desempenho de Serena, na avaliação de Mansfeld, também mostrou a diferença entre animais submetidos a condições semelhantes dentro da mesma categoria. Ele observa que outros concorrentes receberam alimentação, dieta e manejo próximos aos adotados pela equipe, mas não alcançaram produção equivalente. “O tripé é manejo, dieta e genética. Temos um animal de alto potencial, uma dieta ajustada com acompanhamento dos zootecnistas e alimentos de primeira linha. A genética é a cereja do bolo”, avalia.

Mansfeld atribui parte do resultado ao acompanhamento feito durante a disputa. Para ele, a rotina de manejo pode permitir que o potencial produtivo do animal apareça na pista. “O manejo foi impecável. Todos os concorrentes tentam fazer o melhor pelos animais, mas o nosso resultado surpreendeu”, relata.

 





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Clima quente eleva alerta para ferrugem polissora no milho


A ferrugem polissora, doença foliar causada pelo fungo Puccinia polysora, está entre as principais ameaças à produtividade do milho em regiões de clima quente e úmido no Brasil. Com a combinação de chuvas de verão, temperaturas elevadas e grande área cultivada prevista para o período entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, produtores das principais regiões produtoras precisam redobrar a atenção ao monitoramento dos talhões — especialmente aqueles com histórico da doença, uso de cultivares suscetíveis e sistemas de cultivo intensivo.

Em condições favoráveis, a doença pode reduzir significativamente a área foliar verde, antecipar a senescência e comprometer o enchimento de grãos. As perdas podem chegar a dezenas de por cento quando o ataque ocorre de forma precoce e intensa no terço médio e superior das plantas — um cenário que preocupa especialmente quem adota o modelo safra mais safrinha com pouca rotação.

O que é a ferrugem polissora e por que ela avança rápido

O Puccinia polysora é um fungo biotrófico que infecta principalmente as folhas do milho, formando pústulas que liberam esporos disseminados pelo vento a médias e longas distâncias. O ciclo é curto: o esporo germina na presença de água livre sobre a folha, penetra nos tecidos, completa a colonização e já produz novas pústulas — reiniciando o processo várias vezes ao longo da safra.

Na entressafra, o fungo sobrevive em plantas voluntárias de milho e restos culturais infectados, mantendo-se ativo na paisagem. É justamente esse ponto que explica por que sistemas com alta intensidade de cultivo — safra e safrinha seguidas, com pouca rotação e presença de milho quase contínua na área — têm registrado maior pressão da doença. A chamada “ponte verde” garante ao fungo hospedeiros disponíveis o ano inteiro, favorecendo infecções mais precoces nas novas lavouras e disseminação mais rápida entre talhões de diferentes idades.

As práticas de manejo que mais pesam no risco

O clima é determinante, mas o manejo amplifica ou atenua o risco. A escolha de cultivares com baixa resistência genética à ferrugem polissora é um dos fatores mais críticos: em ambientes de alta pressão de inóculo, híbridos suscetíveis desenvolvem sintomas mais precoces e intensos, comprometendo a área foliar verde justamente na fase de enchimento de grãos.

A densidade de semeadura também entra na equação. Populações de plantas acima do recomendado, associadas a cultivares de porte elevado, fecham o dossel, reduzem a circulação de ar entre as plantas e prolongam o tempo de permanência de água sobre as folhas — criando um microclima altamente favorável ao fungo. O mesmo efeito é observado em talhões de baixada e em áreas próximas a cursos d’água, onde o orvalho tende a durar mais.

A adubação nitrogenada desequilibrada também aparece como agravante. Altas doses de nitrogênio, especialmente quando não balanceadas com outros nutrientes, estimulam crescimento vegetativo exuberante, resultando em tecido foliar mais tenro e suscetível e em dossel mais denso, com maior retenção de umidade. Em sistemas irrigados, o risco sobe ainda mais quando a irrigação é feita no final da tarde ou à noite, prolongando o molhamento foliar nas horas mais críticas para a infecção.

O que esperar para a próxima safra em áreas com histórico da doença

Para produtores com registros de alta severidade de ferrugem polissora em safras anteriores, o alerta é redobrado. Nesses talhões, é provável que haja maior presença de inóculo residual e que o microclima seja naturalmente propício à doença. Somado a isso, regiões com grande concentração de áreas de milho — especialmente com sobreposição de janelas de semeadura — criam um cenário de alta pressão regional de inóculo que escapa ao controle direto do produtor, mas que precisa ser considerado no planejamento fitossanitário.

O período mais crítico dentro do ciclo vai do estádio V6-V8, quando surgem as primeiras lesões em cultivares suscetíveis, ao enchimento de grãos — fase em que a manutenção de alta severidade compromete diretamente a fotossíntese e o potencial produtivo da lavoura.

Monitoramento criterioso antes de qualquer decisão de controle

O conhecimento dos fatores de risco serve para definir prioridades de observação no campo, não para acionar automaticamente o controle químico. Talhões com cultivares suscetíveis, histórico de forte incidência, alta densidade de plantas, ausência de rotação e localização em áreas de maior umidade devem ser os primeiros a receber monitoramento intensivo, a partir dos estádios vegetativos intermediários.

A decisão sobre qualquer intervenção química deve considerar o nível de infecção efetivamente observado na lavoura, o estádio fenológico do milho, as condições climáticas previstas para as semanas seguintes e as informações de rótulo dos produtos, sempre com suporte de receituário agronômico.





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