segunda-feira, junho 1, 2026

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Produtividade da batata anima produtores gaúchos



Batata-doce ganha qualidade após chuvas no Estado



Foto: Pixabay

Os produtores de batata-doce na região de Uruguaiana estão satisfeitos com o desempenho das lavouras, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (7) pela Emater/RS-Ascar. O levantamento aponta melhora na produtividade e na qualidade das raízes após a regularização das chuvas nas últimas semanas.

Na regional administrativa de Bagé, cerca de 25% dos 25 hectares cultivados já foram colhidos. A colheita começou em fevereiro nas áreas implantadas de forma escalonada, mas o início da safra foi marcado por produtividade reduzida e raízes menores em razão do forte estresse hídrico registrado anteriormente.

De acordo com o boletim, as chuvas abaixo da média em março também contribuíram para o atraso da colheita, que avançou em abril com melhores condições de umidade no solo. “As condições de umidade no solo estavam ideais, o que refletiu em produto de ótima qualidade no tamanho apreciado pelo mercado consumidor”, informa a Emater/RS-Ascar.

Os preços pagos pela batata-doce variam entre R$ 2,40 e R$ 3,00 por quilo, com abastecimento direcionado principalmente para supermercados e feiras locais. O relatório também aponta aumento na necessidade de capinas devido ao crescimento de plantas invasoras, favorecido pelas chuvas regulares e pelas temperaturas elevadas.

Já na cultura da batata, a regional de Passo Fundo destaca o desenvolvimento das lavouras em Ibiraiaras. Segundo a Emater/RS-Ascar, a cultura está em fase de floração e a expectativa de produtividade varia entre 25 e 30 toneladas por hectare. Os preços pagos aos produtores chegam a R$ 150,00 pela saca de 50 quilos da batata rosa e R$ 200,00 pela batata branca.





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excesso de umidade preocupa produtores gaúchos



Silagem avança para reta final no Estado



Foto: Canva

A colheita do milho destinado à silagem no Rio Grande do Sul alcançou 89% da área cultivada e entra na fase final, conforme aponta o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (7) pela Emater/RS-Ascar. As áreas restantes correspondem principalmente a cultivos tardios de segunda safra, ainda em fases reprodutivas.

Segundo o levantamento, o avanço da colheita foi prejudicado pelas chuvas frequentes, que elevaram a umidade do solo e das plantas. Apesar disso, as lavouras remanescentes apresentam bom acúmulo de biomassa devido à disponibilidade hídrica ao longo do ciclo.

A Emater/RS-Ascar alerta, no entanto, que o excesso de umidade no momento da colheita pode afetar a qualidade do material ensilado. “O excesso de umidade no momento da colheita pode comprometer a compactação e a qualidade fermentativa do material ensilado”, informa o boletim.

As produtividades seguem próximas das estimativas iniciais, embora tenham sido registradas variações em algumas regiões em razão de déficits hídricos durante fases críticas do desenvolvimento e de casos pontuais de acamamento das plantas.

A estimativa atual indica área cultivada de 345.299 hectares, com produtividade média projetada em 37.840 quilos por hectare.

Na regional administrativa de Ijuí, a colheita está praticamente concluída, restando apenas áreas de segundo cultivo. O relatório aponta ocorrência localizada de acamamento provocado por chuvas acompanhadas de ventos fortes, o que afetou parcialmente o aproveitamento da massa para ensilagem.

Já na regional de Soledade, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras. “As temperaturas elevadas para o período, associadas a bom teor de umidade do solo e a menor radiação solar, favoreceram o desenvolvimento das lavouras, promovendo acúmulo de biomassa, mas prolongando as fases fenológicas do ciclo”, destaca a Emater/RS-Ascar.





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controle do falso-carvão exige planejamento


O falso-carvão do arroz, doença causada pelo fungo Ustilaginoidea virens, tem ampliado a preocupação entre produtores de arroz irrigado em regiões com histórico recorrente da doença. O problema afeta diretamente as espiguetas da planta durante as fases de florescimento e enchimento dos grãos, reduzindo a produtividade e comprometendo a qualidade industrial do cereal.

Segundo especialistas, a recorrência do falso-carvão está associada à permanência do fungo em restos culturais e no solo, favorecendo novas infecções entre as safras. Em áreas onde o manejo se repete ano após ano, a pressão de inóculo aumenta e eleva o risco de epidemias, especialmente em ambientes de alta umidade e com uso intenso de adubação nitrogenada.

A doença se caracteriza pela formação de massas esverdeadas, amareladas ou alaranjadas nos grãos, substituindo parcial ou totalmente o desenvolvimento normal da espigueta. Essas estruturas são resultado da colonização do fungo durante o florescimento da cultura.

“O falso-carvão deixou de ser uma curiosidade de lavoura para se tornar um problema real em diversas regiões produtororas de arroz irrigado”, aponta o material técnico. O documento destaca que práticas isoladas, como a aplicação exclusiva de fungicidas, tendem a apresentar eficiência limitada em áreas com histórico elevado da doença.

Entre os fatores que favorecem o avanço do problema estão o excesso de nitrogênio, principalmente em coberturas próximas ao florescimento, o uso contínuo de cultivares suscetíveis, lavouras muito adensadas e o manejo inadequado da irrigação, mantendo elevada umidade no ambiente das panículas.

O monitoramento constante das lavouras também é considerado fundamental. O período entre os estádios reprodutivos R2 e R4, correspondente à emissão das panículas e ao florescimento, é apontado como o mais crítico para observação dos primeiros sintomas e definição das estratégias de controle.

De acordo com o conteúdo técnico, o manejo integrado é a principal ferramenta para reduzir os impactos da doença. “Mudanças planejadas em cultivar, adubação, irrigação e manejo químico são fundamentais para reduzir a pressão da doença ao longo das safras”, ressalta o documento.

As recomendações incluem o uso de cultivares menos suscetíveis, manejo equilibrado da adubação nitrogenada, ajuste da irrigação para reduzir períodos prolongados de umidade nas panículas, manejo adequado da palha e rotação de culturas sempre que possível.

O uso racional de fungicidas também faz parte da estratégia de controle. A orientação é utilizar apenas produtos registrados para a cultura do arroz, respeitando rótulo, bula e receituário agronômico, além de alternar modos de ação para evitar o desenvolvimento de resistência do fungo.

O material alerta ainda para os impactos econômicos da doença. Além da redução no número de grãos cheios por panícula, o falso-carvão pode elevar a quantidade de impurezas nos lotes, causar desvalorização comercial e aumentar os custos de beneficiamento.

Em áreas com histórico, a soma de perdas pequenas, porém recorrentes, ao longo de várias safras, pode representar significativo prejuízo econômico.

A orientação final é que produtores mantenham registros das áreas afetadas e revisem anualmente as estratégias de manejo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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como melhorar a uniformidade dos frutos na lavoura


O manejo do florescimento, da irrigação e da nutrição tem papel central na uniformidade da maturação do café, fator considerado decisivo para reduzir custos de colheita e melhorar a qualidade da bebida. A avaliação consta em análise técnica sobre o desenvolvimento do cafeeiro entre setembro de 2025 e junho de 2026, período considerado estratégico para a formação da próxima safra.

Segundo o material, a desuniformidade de maturação ainda é um dos principais desafios enfrentados pelos cafeicultores. A presença de frutos verdes, cereja e passa ao mesmo tempo na mesma planta aumenta o número de passadas de colheita, dificulta a mecanização e compromete a padronização dos lotes comercializados.

O estudo aponta que o problema está ligado a diferentes fatores, como irregularidade das chuvas, estresse hídrico, desequilíbrio nutricional, falhas no controle fitossanitário e manejo inadequado da arquitetura das plantas. “Maturação uniforme começa meses antes, na forma como o produtor conduz o florescimento, o manejo de água, a adubação e a sanidade da lavoura. Não se corrige desuniformidade apenas na fase final de maturação”, destaca o texto.

A análise explica que o florescimento do cafeeiro depende principalmente da alternância entre um período de déficit hídrico moderado e a retomada da umidade no solo. Quando há alternância frequente entre seca e chuva, ocorre a emissão de várias floradas em momentos distintos, resultando em frutos em diferentes estágios de desenvolvimento.

Durante a fase de frutificação e enchimento dos grãos, o cafeeiro exige equilíbrio hídrico e nutricional para manter o desenvolvimento homogêneo. O documento ressalta que deficiência de nutrientes, falta de água ou ataques de pragas e doenças podem provocar queda de frutos, má formação e diferenças de maturação entre ramos e plantas.

Entre os nutrientes considerados fundamentais para uniformidade da lavoura estão nitrogênio, potássio, cálcio, magnésio, boro e zinco. O texto alerta, porém, que o excesso de nitrogênio em períodos próximos à indução floral pode estimular brotações desbalanceadas e ampliar a desuniformidade. “O objetivo é fornecer nutrientes na medida e no tempo certo, evitando picos de crescimento desbalanceado e carências em fases críticas”, informa a análise.

O manejo hídrico também aparece como um dos principais pontos de atenção. Em áreas irrigadas, a recomendação é utilizar o déficit hídrico controlado para sincronizar as floradas e, posteriormente, retomar a irrigação de forma contínua, evitando várias ondas de florescimento. “O objetivo é reduzir o número de grandes floradas e concentrar o volume principal em uma ou poucas emissões, facilitando a uniformidade de idade dos frutos”, aponta o documento.

Na fase de maturação, oscilações de água podem acelerar ou atrasar a mudança de cor dos frutos, afetando diretamente o teor de açúcares e a qualidade da bebida. O material destaca que a estabilidade hídrica é determinante para manter o desenvolvimento uniforme.

A sanidade da lavoura também influencia diretamente o processo. Doenças como ferrugem-do-cafeeiro e cercosporiose, além de pragas como bicho-mineiro e broca-do-café, reduzem a capacidade fotossintética da planta e prejudicam o enchimento dos frutos. Segundo o texto, áreas com ataques desuniformes tendem a apresentar diferenças significativas no ritmo de maturação.

Outro fator apontado é o excesso de carga produtiva. Plantas muito carregadas, sem equilíbrio nutricional e estrutural, costumam produzir frutos menores e com amadurecimento irregular. O documento recomenda podas de formação e renovação para melhorar a entrada de luz, ventilação e equilíbrio entre os ramos.

A análise orienta os produtores a registrar o comportamento das floradas, os problemas fitossanitários e os resultados da colheita para aperfeiçoar o manejo ao longo das safras. “Não existe uma receita única. A decisão depende da análise da lavoura em vários aspectos”, ressalta o texto.

O material também reforça que qualquer intervenção envolvendo fertilizantes, defensivos agrícolas ou reguladores vegetais deve seguir receituário agronômico, uso de equipamentos de proteção individual e legislação ambiental vigente. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Agro + Verde recupera 3.300 hectares no oeste de Minas Gerais


Um total de 3.300 hectares foram recuperados pelo projeto Agro + Verde nas regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A iniciativa é do Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes), em parceria com a Cargill, e incentiva as práticas de preservação ambiental. Os produtores assistidos recebem orientações técnicas e insumos para melhorar a qualidade das pastagens e restaurar áreas de APP’s e Reserva Legal em propriedades da pecuária de corte e de leite.

“O Agro + Verde consolida nossa visão estratégica de que a sustentabilidade e a produtividade são indissociáveis. Ao apoiarmos o produtor na resolução de passivos ambientais e na recuperação de pastagens, transformamos a realidade econômica da propriedade. Parcerias com empresas como a Cargill são fundamentais, pois o investimento na sustentabilidade do campo fortalece a potência do nosso agro e garante o alimento na mesa da sociedade”, ressaltou o gerente executivo do Inaes, Bruno Rocha.

O analista de projetos do Inaes, Alexandre Schroder, explica que 75 produtores da região foram contemplados nas duas fases do projeto, finalizado no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba no último mês. “Do total de 3.300 hectares recuperados, 2.200 são de pastagens que estavam degradadas e 1.100 de áreas de APP e Reserva Legal dentro das propriedades”, explicou.

O presidente do Sindicato Rural do Prata, Luiz Eduardo Brant de Carvalho Neto, destaca os impactos positivos do projeto no município. “Passamos por uma seca rigorosa que degradou nossas pastagens e muitos produtores não tinham condições de investir em suas áreas. Por isso, o projeto veio em ‘boa hora’ para melhorar a pastagem, dando mais lucratividade na atividade e preservando as áreas de APP e Reserva Legal”, afirmou.

O gerente regional do Sistema Faemg Senar, Ricardo Tuller, ressaltou que o projeto veio complementar várias ações, entre elas o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e as capacitações, como de produção de mudas e de recuperação de áreas e pastagens degradadas. “Esta parceria ofereceu suporte ao produtor rural na implementação das recomendações repassadas durante a nossa assistência técnica”, completou.

Benefícios aos produtores O Agro + Verde promoveu uma revolução na propriedade do pecuarista de corte Roni Caetano de Almeida, em Uberlândia. “Aqui não tinha pastagem e eu só tinha 15 animais”, relembra. Com o apoio do projeto, ele recuperou 6,5 hectares da área total de 7,13 ha, fez cercamento da mina d’água e realizou o plantio de 400 mudas na propriedade. “Recebi calcário, sementes e adubo, o projeto me ajudou muito e consegui dobrar o número de animais. Hoje está sobrando pasto aqui”, comemora.

No município de Monte Alegre de Minas, o projeto também trouxe melhorias para o pecuarista Jacques Geandro Benedetti. “O Agro + Verde proporcionou uma injeção de ânimo para reformarmos 100% da pastagem da propriedade, deixando com uma qualidade excepcional. Isso proporcionou um aumento na capacidade de lotação. Hoje estamos trabalhando com seis Unidades Animais (UA) por hectare e pretendemos chegar a 10 UA/ha, índice bem acima da média brasileira”, destacou.  





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Veja a lista de estados que terão queda brusca na temperatura


As temperaturas no Rio Grande do Sul registraram queda de até 14°C entre quinta-feira (7) e sexta-feira (8), com o avanço de uma massa de ar polar sobre o centro-sul do Brasil. Segundo informações do Meteored, o frio deve ganhar força ao longo do fim de semana e atingir também áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país.

A frente fria começou a avançar sobre o Brasil na quinta-feira e provocou temporais e ventos fortes no Rio Grande do Sul. As regiões de fronteira com o Uruguai e a área central do estado foram as mais afetadas, com registros de destelhamentos, queda de árvores, bloqueios em estradas e danos em estruturas. Entre os casos registrados está a queda de uma turbina de um parque eólico devido à força do vento.

Enquanto a frente fria avança sobre estados do Centro-Oeste e Sudeste, a massa de ar polar que atua na retaguarda do sistema derrubou as temperaturas principalmente na metade oeste do Rio Grande do Sul nesta sexta-feira.

De acordo com a previsão, o frio deve se intensificar nos próximos dias, com possibilidade de temperaturas negativas na Região Sul. O sistema também poderá provocar precipitação invernal, incluindo neve e chuva congelada em áreas serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Além disso, a massa de ar frio deve alcançar o sul da Região Norte, provocando o fenômeno conhecido como friagem.

A previsão semanal do modelo ECMWF, utilizada pelo Meteored, indica que entre os dias 11 e 18 de maio as temperaturas ficarão abaixo da média em grande parte do país. As maiores anomalias estão previstas para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a metade oeste de Mato Grosso do Sul, onde os termômetros podem registrar valores até 3°C inferiores à média histórica para o período.

No sábado (9), o amanhecer deve ter temperaturas próximas de 0°C entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nas regiões serranas, as mínimas podem variar entre 1°C e 8°C nas demais áreas. A previsão aponta ainda possibilidade de geada entre a metade norte gaúcha e Santa Catarina. Já na metade sul do Rio Grande do Sul, os ventos mais intensos devem reduzir a formação de geada, mas aumentar a sensação de frio.

Entre Paraná e Mato Grosso do Sul, as mínimas previstas variam entre 10°C e 15°C, com máximas também baixas para o período. Em Mato Grosso do Sul, cidades como Dourados e Campo Grande podem registrar apenas 7°C na segunda-feira (11).

No domingo (10), Dia das Mães, o frio deve aumentar nas áreas serranas do Sul do país. O Meteored prevê mínimas de até -1°C, mas os valores podem chegar a -3°C em alguns pontos. “Entre a madrugada e o amanhecer, há uma pequena chance de neve ou chuva congelada sobre essas áreas”, informa a previsão.

A tarde de domingo também será marcada por temperaturas baixas. Em Mato Grosso do Sul, máximas em torno de 14°C representam uma diferença de cerca de 14°C abaixo da média histórica para esta época do ano.

Na segunda-feira (11), o frio segue avançando. Nas serras gaúcha e catarinense, as mínimas podem atingir até -5°C em alguns municípios. Temperaturas próximas de 0°C também são esperadas entre a metade norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O sistema ainda deve provocar queda nas temperaturas no interior de São Paulo, onde cidades poderão registrar menos de 10°C. Na capital paulista, o frio deve ser mais intenso a partir de terça-feira (12), quando a mínima prevista é de 12°C.

Segundo o Meteored, o frio intenso durante as noites e madrugadas deve persistir no centro-sul do país pelo menos até quarta-feira (13), embora as temperaturas máximas apresentem leve elevação a partir de segunda-feira.





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Campo Futuro levanta custos de produção em seis cadeias produtivas essa semana


A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu, essa semana, 10 painéis do Projeto Campo Futuro nas cadeias da avicultura, silvicultura, café, suínos, hortaliças e pecuária de leite.

Aves e suínos – Os painéis de aves e suínos analisaram propriedades modais no município de Rio Verde e Palmeiras de Goiás (GO). Na produção de ovos férteis, o projeto analisou uma propriedade na região que possui três galpões de pressão negativa, com alojamento de 36.864 aves por ano e produção de aproximadamente 6,92 milhões de ovos incubáveis por ano.

O custo operacional efetivo (COE) ficou em R$ 0,17 por ovo. A mão de obra foi o item de maior peso no COE, representando 38,6%. Na sequência, apareceu a manutenção, com 22,1% do COE.

Outro painel levantou os custos de frango de corte no sistema de integração vertical, considerando uma granja modal com quatro galpões de pressão negativa. Segundo observou a análise, por ano, são alojadas 88.656 aves em 6,1 lotes. O peso de abate é de 2,8kg por ave. O custo operacional efetivo foi estimado em R$ 1,01 por ave e a energia elétrica foi o item de maior peso no COE, representando 33%.

Em Palmeiras de Goiás, o projeto analisou uma propriedade modal com quatro galpões do tipo dark house. Anualmente, a propriedade aloja 112.291 aves em 5,93 lotes por ano. O peso final é de 3,1kg aos 45 dias. O custo operacional efetivo (COE) foi estimado em R$ 1,22 por ave. A manutenção foi o item de maior peso no COE, com 26,8%. A energia apareceu na sequência, com 25% do COE.

Na cadeia da suinocultura, o Campo Futuro analisou os sistemas de produção de leitões em uma granja com quatro galpões e 1.170 matrizes. Anualmente, são produzidos 36.673 leitões desmamados, com peso médio de 21,5kg. O COE da atividade foi estimado em R$ 191,18 por leitão. A alimentação representou 51% desse custo, seguida pela sanidade (21,5%) e mão de obra (14,9%).

Com relação às unidades de terminação de suínos, as granjas modais possuem 4 galpões onde são terminados 9.250 suínos por ano, em 2,61 lotes por ano. O peso médio de saída é de 137,3kg por suíno. O COE foi estimado em R$39,95 por suíno terminado. A manutenção representou 44,3% do COE. Na sequência, apareceram a mão de obra (28,9%) e energia elétrica 10%).

Hortaliças – Na Bahia, o levantamento de custos avaliou a produção de cenoura em Irecê, com base em um sistema modal com área de 1,5 hectare cultivada. O painel apontou que os plantios se concentram a partir de novembro, com colheitas até abril, buscando reduzir perdas climáticas. A atividade é conduzida com mão de obra familiar, em sistema irrigado e semimecanizado, com forte terceirização de serviços mecanizados.

A produtividade média na região é de dois mil sacas de 29 kg por hectare, com venda realizada na roça e colheita, lavagem e classificação feitas pelos compradores, o que reduz a remuneração do produtor, observou a análise técnica. Segundo os dados, apesar do volume colhido, apenas cerca de 50% são efetivamente pagos; do restante, 30% são vendidos como cenoura AAA (alto padrão) pelo valor cheio e 20% por cerca de um terço desse preço.

“Aos preços atuais (R$ 110/saca) a atividade teria margem positiva, porém, a maior parte da produção foi vendida a cerca de R$ 50/saca, resultando em margem bruta positiva, mas margem líquida negativa, sem geração de caixa para depreciação e remuneração do produtor”, destaca Letícia Fonseca, assessora técnica da CNA.

Café – Também na Bahia, o Campo Futuro promoveu painel na produção de café arábica em Barra da Estiva. Esse foi o primeiro levantamento de custos da cultura no município, que avaliou uma propriedade modal de três hectares de área produtiva, em sistema manual e sequeiro e com produtividade média no biênio de 20 sacas/ha.

De acordo com o estudo, a composição do custo operacional efetivo (COE), os desembolsos para a colheita, principalmente com a mão de obra contratada para a operação, foi o item de maior peso com uma parcela de 47,5%, seguido pelos desembolsos para a condução da lavoura (35,1%).

“Considerando a receita recebida, as margens da atividade na região estão bastante apertadas, principalmente devido à baixa produtividade e a falta de realização de tratos de pós-colheita visando a qualidade do café, o que poderia proporcionar melhores remunerações aos produtores”, afirmou Carlos Eduardo Oliveira, assessor técnico.

Leite – Na pecuária de leite, a CNA levantou os custos de produção em Tangará da Serra (MT), em propriedades modais de 30 hectares e 100 litros produzidos diariamente. O sistema delineado permitiu cobrir apenas os desembolsos da atividade, ficando aquém da depreciação, prolabore e remuneração do capital imobilizado na atividade, denotando sua viabilidade apenas no curto prazo. Entretanto, a atividade se mostrou competitiva ante outras opções de uso da terra, haja visto que a produção de leite superou o valor pago pelo arrendamento na região em 38%.

Pinus – O painel de pinus em Guarapuava (PR) fechou o levamento de custos da semana. A propriedade modal analisada foi de 50 hectares, com incremento médio anual (IMA) de 30 m3/ha/ano. O corte raso é realizado no 15º ano, com 1 desbaste no nono ano do ciclo. A análise apontou que a praça apresentou resultados positivos, demonstrando a atratividade e sustentabilidade da atividade no curto e longo prazo.





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Produtor rural prioriza previsibilidade no campo



“O produtor está menos disposto a assumir risco”


“O produtor está menos disposto a assumir risco"
“O produtor está menos disposto a assumir risco” – Foto: Canva

O comportamento de investimento no campo passa por um ajuste marcado por maior cautela e busca por previsibilidade. Em um ambiente de custos pressionados, crédito mais seletivo e maior variabilidade climática, o produtor segue disposto a investir, mas com exigência maior sobre retorno, risco e estabilidade ao longo da safra.

A mudança ficou evidente na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), onde decisões de investimento apareceram mais associadas à consistência dos resultados do que à simples expansão da produção. Na prática, projetos passaram a ser avaliados com mais profundidade, com prioridade para soluções capazes de gerar retorno no curto e médio prazo e reduzir a exposição a fatores externos.

Nesse cenário, tecnologias ligadas ao controle operacional ganharam espaço. A irrigação, antes analisada sobretudo pelo potencial de aumento de produtividade, passou a ser vista também como instrumento para diminuir os impactos da irregularidade das chuvas e dar mais estabilidade ao planejamento da fazenda.

A Netafim registrou avanço na geração de novos projetos durante o evento, especialmente em culturas nas quais a previsibilidade da produção tem peso direto na rentabilidade. Segundo Ricardo Almeida, CEO Mercosul da empresa, o momento tem levado a uma mudança mais estrutural na forma como o produtor avalia investimentos, com menor disposição para assumir riscos e maior foco em decisões que tragam estabilidade ao longo da safra.

“O produtor está menos disposto a assumir risco e mais focado em decisões que tragam estabilidade ao longo da safra. Isso tem encurtado o horizonte de avaliação e aumentado a exigência por retorno mais tangível”, afirma. “Antes, a irrigação era vista principalmente como uma alavanca de produtividade. Hoje, ela passa a ser considerada uma ferramenta de gestão de risco, porque permite reduzir a exposição a fatores que o produtor não controla, como o maior deles: o clima”, destaca.


 





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Gestão, eficiência e planejamento serão decisivos para a pecuária em 2026, alerta Embrapa


Cenário de valorização da arroba convive com alta da reposição, juros elevados e incertezas geopolíticas

A pecuária brasileira deve enfrentar em 2026 um cenário marcado por oportunidades, mas também por aumento da complexidade na gestão da atividade. Apesar da valorização da arroba do boi gordo, fatores como alta no preço da reposição, juros elevados, volatilidade internacional e possíveis impactos sobre fertilizantes e exportações exigirão planejamento e tomada de decisão baseada em indicadores técnicos e econômicos.

Essa é a avaliação do pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne), Guilherme Cunha Malafaia. Segundo ele, este ano os sistemas mais eficientes e estruturados serão premiados. “Em 2026, não basta produzir bem. Será necessário administrar capital, risco e eficiência produtiva com muito mais rigor”, afirma.

Para Malafaia, um dos principais pontos de atenção é o aumento expressivo nos preços do bezerro e do gado magro, reflexo da entrada da pecuária em um novo ciclo de retenção de fêmeas para recomposição do rebanho nacional.

Com isso, a relação de troca entre boi gordo e reposição atingiu um dos maiores níveis da série histórica. Ele comenta que atualmente são necessárias cerca de nove arrobas de boi gordo para a compra de um bezerro, tornando a aquisição de animais um fator determinante. O pesquisador destaca que a “decisão de compra da reposição precisa ser estratégica. Comprar mal em 2026 pode comprometer toda a operação, mesmo em um cenário de arroba valorizada”.

Gestão de risco ganha importância

Diante do ambiente macroeconômico atual, o qual combina juros elevados, crédito mais seletivo e aumento do custo de capital, se amplia a necessidade de gestão financeira nas propriedades.

Entre as estratégias recomendadas estão o uso de instrumentos de proteção de preços, como operações de hedge e contratos a termo, além do planejamento financeiro estruturado e da avaliação criteriosa do retorno sobre o capital investido. Malafaia é enfático: “o produtor precisará atuar cada vez mais como gestor financeiro da atividade”.

Sustentabilidade e rastreabilidade

Outro ponto relevante é o avanço das exigências socioambientais nos mercados internacionais. Sustentabilidade e rastreabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a representar condições de acesso a mercados e linhas de financiamento.

O pesquisador cita como exemplos as exigências relacionadas à regulamentação ambiental europeia e o interesse de mercados estratégicos, como Japão e Coreia do Sul, em sistemas com rastreabilidade individual, monitoramento de fornecedores e mensuração de pegada de carbono. Nesse contexto, a pecuária tropical brasileira com sistemas baseados em pastagens e tecnologias de baixo carbono, desenvolvidas pela Embrapa, se sobressaem.

Eficiência produtiva e resiliência climática

A intensificação sustentável da produção também foi apontada como estratégia central para reduzir custos e aumentar a resiliência dos sistemas pecuários frente às mudanças climáticas.

Entre as práticas destacadas estão recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), confinamento estratégico, melhoramento genético e redução da idade de abate.

O especialista em cadeias produtivas avalia que “o sistema que combina pastagem recuperada, integração, suplementação estratégica e gestão eficiente terá mais condições de permanecer competitivo”.

Dependência do mercado chinês

Malafaia comenta os riscos associados à elevada dependência das exportações brasileiras de carne bovina em relação à China, destino de mais da metade do volume exportado pelo Brasil.

De acordo com ele, eventuais restrições comerciais reforçam a importância da diversificação de mercados e da abertura de novos destinos para a carne bovina. Entre os mercados considerados estratégicos estão Japão, Coreia do Sul e União Europeia, especialmente para produtos com maior valor agregado e atributos ligados à sustentabilidade.

Por fim, “o ambiente atual premia gestão baseada em evidências, disciplina financeira, rastreabilidade e intensificação sustentável. Quem operar apenas no improviso poderá enfrentar dificuldades”, conclui o pesquisador da estatal.





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Produtor precisará entregar mais soja para pagar insumos


Os impactos da geopolítica mundial, da desvalorização do dólar e da alta dos fertilizantes dominaram as discussões do ENSSOJA 2026. Durante palestra no evento, o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, alertou para um cenário de pressão crescente sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, mesmo diante de mais uma safra recorde de soja.

Segundo ele, parte da sustentação atual dos preços da soja não está ligada diretamente aos fundamentos tradicionais de oferta e demanda, mas sim aos efeitos macroeconômicos provocados pelo cenário internacional.

“A desvalorização do dólar promove uma inflação de commodities. Parte do preço que a soja tem hoje não é porque mudou a oferta e a demanda, mas porque o dólar se desvalorizou contra qualquer moeda”, explicou durante a apresentação no ENSSOJA 2026.

De acordo com a análise apresentada, se o dólar tivesse hoje a mesma força frente às moedas globais observada há um ano, os preços da soja precisariam recuar quase 10% para representar o mesmo valor real.

Além do câmbio, os conflitos geopolíticos também têm sustentado volatilidade no mercado internacional. A insegurança sobre abastecimento global, energia e fertilizantes acabou adicionando um componente extra de incerteza às commodities agrícolas.

No campo, o Brasil registrou mais uma safra histórica. Segundo os dados apresentados por André Pessoa, o país cultivou cerca de 49 milhões de hectares de soja e deve colher quase 185 milhões de toneladas, com produtividade média próxima de 63 sacas por hectare.

Mesmo com uma produção recorde, os estoques finais permaneceram relativamente apertados nos últimos anos, variando entre 5 e 7 milhões de toneladas na virada das temporadas.

No entanto, o cenário para 2025/26 começa a mudar. Com os Estados Unidos novamente ativos no mercado internacional desde dezembro, a oferta global ganhou força. Ainda assim, o Brasil deverá exportar volumes recordes, estimados em pelo menos 112 milhões de toneladas, além de registrar processamento doméstico acima de 61 milhões de toneladas.

Apesar disso, a expectativa é que o país encerre o ciclo com estoques maiores pela primeira vez em três ou quatro anos.

“Chicago subiu, mas o câmbio e o prêmio tiraram o que Chicago nos deu”, resumiu André Pessoa ao comentar a dificuldade de reação dos preços internos.

Em regiões produtoras como Sorriso, no Mato Grosso, as cotações praticamente ficaram estáveis ao longo da safra, variando de cerca de R$ 101 para R$ 103 por saca.

Ao mesmo tempo, os custos de produção seguem pressionados. O esperado era que o dólar mais baixo reduzisse os preços de fertilizantes e defensivos em reais. Porém, a escalada dos conflitos no Oriente Médio elevou os custos internacionais dos insumos e anulou parte desse efeito cambial.

Segundo a análise apresentada no ENSSOJA 2026, apenas os impactos do conflito internacional já representam um aumento mínimo equivalente a 1,5 saca de soja por hectare no custo da próxima safra.

As relações de troca também pioraram. Dependendo da região do país, o produtor precisa comprometer entre 3 e 6 sacas adicionais para adquirir os mesmos insumos básicos da safra passada.

Entre os fertilizantes, André Pessoa destacou preocupação maior com o fósforo, considerado o problema mais estrutural no momento. Isso porque o produto depende diretamente do enxofre, cujo abastecimento global passa por regiões afetadas pelas tensões no Oriente Médio.

“O enxofre há dois ou três anos era menos de 100 dólares a tonelada. Hoje está em 1.000 dólares”, afirmou.

Outro alerta feito durante o painel no ENSSOJA 2026 envolve a mudança de estratégia das empresas de fertilizantes. Após prejuízos registrados durante a guerra da Ucrânia, muitas companhias passaram a importar apenas produtos já vendidos e contratados previamente pelos produtores.

Na prática, isso reduz a formação de estoques antecipados e aumenta os riscos logísticos caso haja agravamento dos conflitos internacionais ou atraso nas compras da próxima safra.





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