domingo, maio 31, 2026

Política & Agro

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Mercado lácteo terá novos índices oficiais


O Cepea, ligado à Esalq/USP, passou a disponibilizar ao setor leiteiro brasileiro três novos indicadores de mercado: o Indicador do Leite UHT Sudeste (R$/litro), o Indicador do Queijo Muçarela Sudeste (R$/kg) e o Indicador do Leite em Pó Industrial 25 kg São Paulo (R$/kg). Os novos índices foram lançados oficialmente nesta quarta-feira (13), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em Brasília, e passam a servir como referência oficial para liquidação de contratos OTC, do mercado de balcão, desenvolvidos pela StoneX.

Segundo as instituições envolvidas, os indicadores elaborados pelo Cepea e a nova ferramenta de hedge lançada pela StoneX representam um avanço para o setor de lácteos no Brasil. A iniciativa busca estimular o desenvolvimento do mercado futuro de derivativos voltados à cadeia leiteira, ampliando instrumentos de gestão de risco e proteção de margens para produtores, indústrias e demais agentes do setor.

A pesquisadora responsável pela área de leite do Cepea, Natália Grigol, afirmou que “o lançamento da parceria Cepea–StoneX acontece em um momento particularmente importante para o setor lácteo brasileiro. Nas últimas décadas, a cadeia passou por transformações profundas: mudanças institucionais, aumento da produtividade, intensificação tecnológica, concentração e maior complexidade concorrencial. Ao mesmo tempo, a comercialização do leite e dos lácteos continuou marcada por volatilidade e incertezas. Nesse contexto, torna-se cada vez mais clara a necessidade de referências confiáveis e de instrumentos mais sofisticados de gestão de risco”.

Já a manager da StoneX Leite Brasil, Marianne Tufani, destacou que “a volatilidade sempre fez parte do mercado de lácteos, mas, nos últimos anos, ela se tornou ainda mais intensa e difícil de gerenciar. O hedge surge como uma ferramenta essencial para transformar incerteza em previsibilidade e permitir que os agentes do setor foquem na sustentabilidade de seus negócios. Nosso papel é apoiar desde o produtor, a indústria até o varejo, com estratégias personalizadas que considerem a realidade de cada empresa e sua exposição ao mercado”.

PERIODICIDADE:

Indicador do Leite UHT Sudeste (R$/litro): diária

Indicador do Queijo Muçarela Sudeste (R$/kg): diária

Indicador do Leite em Pó Industrial 25 kg São Paulo (R$/kg): semanal





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Mercado do boi registra queda em São Paulo


De acordo com análise divulgada nesta quarta-feira (13) pela Scot Consultoria no informativo “Tem Boi na Linha”, o mercado do boi gordo iniciou o dia com queda nas cotações em São Paulo. O recuo atingiu todas as categorias negociadas, em um cenário marcado por oferta confortável de bovinos e menor necessidade de compra por parte dos frigoríficos.

Segundo a consultoria, na comparação com terça-feira (12), a cotação do boi gordo e do chamado “boi China” caiu R$ 3 por arroba. Já entre as fêmeas, o recuo foi de R$ 2 por arroba. O movimento ocorreu em meio ao alongamento das escalas de abate, favorecido pela facilidade de compra das indústrias frigoríficas e por um mercado com menor ritmo de aquisição.

As escalas de abate em São Paulo atendiam, em média, dez dias, de acordo com o levantamento da Scot Consultoria.

Na Bahia, o mercado também registrou pressão negativa nas cotações devido à elevada oferta de bovinos e ao ritmo mais lento no escoamento da carne. Frigoríficos do estado já relatavam aumento na formação de estoques e menor necessidade de reposição.

Na região Sul da Bahia, a queda foi de R$ 2 por arroba para todas as categorias. Já na região Oeste, o boi gordo também apresentou recuo de R$ 2 por arroba, enquanto as cotações das fêmeas permaneceram estáveis.

As escalas de abate na Bahia atendiam, em média, entre 17 e 19 dias, conforme os dados divulgados pela consultoria.

No Rio Grande do Sul, o cenário foi diferente. A oferta mais restrita de bovinos terminados, influenciada pelo ciclo forrageiro regional, manteve as cotações sustentadas nas principais praças pecuárias do estado.

Segundo a Scot Consultoria, os preços permaneceram estáveis para todas as categorias negociadas no mercado gaúcho, sem alterações em relação ao dia anterior.

As escalas de abate no Rio Grande do Sul atendiam, em média, seis dias. Todos os preços considerados no levantamento eram brutos e com prazo.





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guerras elevam custos e preocupam o agro


O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio, somado à instabilidade climática e ao aumento dos custos de produção, tem ampliado a preocupação do agronegócio brasileiro diante de um cenário de incertezas para os próximos meses. A valorização do petróleo, impulsionada pelos conflitos internacionais, já pressiona os custos logísticos, fertilizantes e insumos utilizados no campo, enquanto especialistas alertam para riscos de desabastecimento e perda de competitividade.

O tema foi debatido na 31ª edição do talk show “A Voz do Mercado”, realizada nesta quarta-feira (13), com mediação de Ivan Wedekin e Suelen Farias. O encontro teve como tema “O Agro e as Guerras: Impactos sobre o setor, a economia e o futuro” e reuniu representantes do mercado, da indústria e da logística para discutir os reflexos dos conflitos globais sobre cadeias de abastecimento, fertilizantes, comércio internacional, segurança alimentar e infraestrutura.

Participaram do debate Alfredo Kober, CEO da ICL América do Sul, José Roberto, sócio fundador da MB Associados, e Maxwell Rodrigues, empresário, palestrante e apresentador de TV. A transmissão foi realizada ao vivo pelo canal do Portal Agrolink no YouTube.

Para assistir o programa na íntegra, clique aqui.

José Roberto alerta para risco de recessão e desabastecimento

Durante o debate, José Roberto afirmou que o cenário internacional já provoca efeitos concretos sobre os preços globais e aumenta o risco de desaceleração econômica. Segundo ele, os impactos começaram a ser sentidos logo nos primeiros meses do conflito.

“O risco está maior. Até uns dois meses do conflito, nós já tivemos um choque de energia de forma bastante significativa. Que se traduziu numa pressão de preços que se espalhou pelo mundo todo. Tanto no ponto de vista do petróleo e os seus derivados, fertilizantes, petroquímicos, um conjunto grande de produtos. Até mesmo o enxofre está sendo afetado pela importância da região, mas a atividade econômica nessa primeira fase, ela não sofreu tanto diretamente porque de um lado quando a guerra começou existiam muitos navios que estavam em direção aos países consumidores e essa viagens levam 20, 25 ou 30 dias. Então nessa primeira fase da guerra continuou chegando produtos nos países consumidores e ao mesmo tempo eles começaram a se utilizar dos estoques disponíveis, então teve um efeito imediato no preço, expectativas, mas não teve um efeito na produção.”

Na avaliação do economista, o prolongamento do conflito e a permanência de gargalos logísticos elevam o risco de escassez de produtos e de medidas protecionistas adotadas por diferentes países. “Dado o impasse do cessar fogo, e dado o Estreito de Ormuz continuar fechado, os países começam a entrar perigosamente numa fase onde o perigo de faltar coisas acontece. E nós já estamos vendo essas situações e as defesas que os países fazem. Por exemplo, a China proibiu a exportação de certos tipos de produtos e derivados. Outros países estão fazendo o mesmo.”

José Roberto também destacou que o agronegócio brasileiro já enfrenta aumento nos custos operacionais devido à valorização do diesel e dos fertilizantes. “Para a agricultura brasileira, já é um choque de custos, porque o diesel subiu de preço, preços de fertilizantes também subiram. Nós estamos entrando nessa fase que é muito perigosa, e o pior é que não há expectativa nenhuma quanto a um cessar fogo.”

Segundo ele, mesmo que haja um acordo diplomático nos próximos dias, os impactos econômicos ainda devem persistir por meses. “No momento em que um cessar fogo com credibilidade possa ser assinado ainda levaram 6, 8 ou 10 semanas para os fluxos de vendas de produção e distribuição começarem a se normalizar. E você voltar a ter melhora nos estoques dos países consumidores, ou seja, nós já temos um problema contratado para os próximos 2 ou 3 meses por mais que se faça um acordo.”

Maxwell Rodrigues aponta fragilidade logística brasileira

Ao abordar os reflexos da crise sobre o transporte marítimo e os custos de frete, Maxwell Rodrigues afirmou que o Brasil sofre impactos imediatos sempre que há instabilidade no mercado internacional, principalmente pela dependência logística externa e pela deficiência estrutural do país. “no nosso micro sistema, no Brasil a gente sofre naturalmente o reflexo imediato com qualquer marola no mercado internacional se torna um grande tsunami dentro do nosso país. Um tsunami porque nós não temos uma indústria estabelecida dentro do país, uma estrutura muito bem elaborada.”

Segundo ele, a ausência de uma logística eficiente de retorno para cargas importadas aumenta os custos para o agronegócio brasileiro. “Nós temos uma falta de infraestrutura significativa, e quando eu ouço questões direcionadas a importação de insumos para o nosso agronegócio, nós temos um impacto logístico significativo porque a gente não trata do frete de retorno, a gente exporta muito e obrigatoriamente a gente não consegue ter fluidez logística para que tenhamos um bom frete de retorno e façamos uma redução do nosso custo.”

Maxwell Rodrigues afirmou ainda que o cenário internacional passa por uma reorganização das rotas marítimas globais, o que pode abrir oportunidades para o Brasil, desde que o país avance em infraestrutura e políticas públicas. “Nós temos hoje um novo arranjo logístico mundial, nós nos acostumamos e sabemos que boa parte com o maior percentual das transações comerciais no mundo é feito por mar, e no Brasil são 90% de tudo aquilo que nós temos de transação com o mundo é feito por mar.”

Para ele, o país precisa aproveitar o momento para reduzir gargalos históricos e ampliar a competitividade do agronegócio. “A grande pergunta é, ‘se nós estamos preparados para fazer essa lição de casa, se nós estamos com políticas públicas para que a gente possa fazer o enfrentamento da falta de infraestrutura.’ Particularmente no meu entendimento o esforço desprendido pelo agronegócio é um sucesso alcançado e a próxima etapa está ligada diretamente a infraestrutura que nós temos no nosso país. Infraestrutura essa extremamente crítica e que afeta diretamente a nossa competitividade.”

Alfredo Kober destaca pressão financeira no campo

Representando a indústria de insumos, Alfredo Kober afirmou que o aumento dos custos das matérias-primas e dos juros tem ampliado a dificuldade financeira dos produtores rurais. “ O grande impacto que a gente viu é o aumento das matérias primas, se nós retrocedemos uns anos, em 2021 no período da pandemia, começamos o ano com um índice de 2% na taxa Selic e terminamos com 9%. E agora estamos numa taxa de 15%, com a perspectiva que havia de redução de juros que não se confirma para esse ano.”

Segundo o executivo, o aumento dos custos compromete diretamente a capacidade de compra de insumos pelos agricultores e reduz as margens das principais culturas do país. “Nós temos um primeiro grande impacto pelo do aumento nos custos nessas matérias primas e na dificuldade do produtor de adquirir os insumos. Todos os insumos com esse crescimento exorbitante impactam na capacidade de pagamento e na projeção de rentabilidade dos agricultores.”

Kober afirmou que a soja, principal cultura agrícola brasileira, já opera com margens próximas de zero em algumas regiões, especialmente diante do avanço das dívidas acumuladas nos últimos anos. “A principal cultura, a soja, neste ano a perspectiva é com a margem próxima a 0, isso sem considerar esse acúmulo de juros (taxa Selic + Spread), nós estamos falando de produtores que estavam endividados a quatro anos atrás e a dívida deles quase dobrou nesse período.”

O executivo também alertou para possíveis problemas de abastecimento de fertilizantes na próxima safra, uma vez que a indústria ainda trabalha com estoques reduzidos. “Isso complica bastante o cenário porque 3 meses para fazer um ajuste na oferta, nós vamos estar exatamente no começo da safra e com risco de volatilidade que diferente do ano de 2023, onde o mercado estava abastecido e depois houve uma redução no preço desses insumos, nesse momento nós temos um baixo abastecimento.”

Segundo Alfredo Kober, o cenário já provoca retração nas compras e menor aplicação de fertilizantes pelos produtores. “A indústria não está com o estoque preparado para atender toda a safra, porque ela está aguardando também essa confirmação. E isso é um aspecto que vai levar a uma redução da aplicação de fertilizantes. Esse aumento tem resultado numa paralisia no mercado”.

A edição do talk show contou com apoio da Abisolo e do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial, ligado à Fundação Instituto de Administração, com foco na ampliação do debate sobre temas estratégicos para o agronegócio brasileiro.





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Bioinsumos avançam com alerta no solo


A expansão dos bioinsumos reforça a busca da agricultura por alternativas de manejo mais alinhadas à adaptação climática, à eficiência produtiva e à redução de impactos ambientais. Segundo Jacques Dieu, especialista em agricultura regenerativa, o avanço dessa tecnologia precisa ser acompanhado por diagnóstico do solo para evitar perdas de eficiência e riscos no campo.

O tema ganhou destaque no BioSummit 2026, realizado em Campinas, nos dias 6 e 7 de maio, ao apontar os bioinsumos como uma das principais apostas da agricultura diante das mudanças climáticas. No Brasil, a área tratada com esses produtos chegou a 194 milhões de hectares em 2025. Em cinco anos, a adoção passou de 22% para 47%, crescimento que representa quatro vezes a média global.

Os ganhos ambientais também ajudam a explicar esse avanço. Dados apresentados com base em informações da Embrapa indicam que 1 quilo de defensivo químico emite de 20 a 25 quilos de CO₂, enquanto a mesma quantidade de bioinsumo gera de 3 a 5 quilos. A diferença reforça o papel dos produtos biológicos em estratégias de redução da pegada de carbono na produção agropecuária.

Apesar do crescimento, há pontos de atenção. O Brasil registrou 277 produtos biológicos formulados a partir de apenas duas cepas de microrganismos. Essa baixa diversidade funcional aumenta o risco de aplicações redundantes ou incompatíveis com a microbiota nativa do solo, reduzindo o potencial esperado no manejo.

Nesse contexto, a análise da diversidade microbiana passa a ser uma etapa estratégica. A BeCrop®, da Biome Makers Inc., é apresentada como uma ferramenta capaz de mapear a microbiota funcional do solo, identificar grupos ativos, excessos e deficiências na ciclagem de nutrientes, além de apontar patógenos, riscos de doenças e indicadores de estresse abiótico. A tecnologia também permite monitorar o sequestro de carbono e validar práticas regenerativas.

A mensagem central do BioSummit 2026 é que os bioinsumos avançam como caminho para uma agricultura mais biológica, mas seu uso exige dados. Sem diagnóstico, o manejo pode operar abaixo do potencial, enquanto a integração entre biodiversidade microbiana e decisão agronômica tende a ampliar a resiliência climática de forma mensurável.

 





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Açúcar fecha semana em alta após volatilidade



A trajetória mudou ao longo da semana


A trajetória mudou ao longo da semana
A trajetória mudou ao longo da semana – Foto: Pixabay

O mercado de açúcar e etanol encerrou a semana marcado pela volatilidade externa, com os preços reagindo às oscilações do petróleo e às incertezas sobre a demanda por biocombustíveis. Segundo a StoneX, o contrato NY #11 teve uma semana positiva, apesar dos movimentos bruscos provocados pelas negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

No início da semana, o açúcar encontrou sustentação na confirmação de um mix mais voltado ao etanol no começo da safra 2026/27 no Centro-Sul brasileiro. O petróleo Brent em patamares elevados também contribuiu para o movimento de alta, ao reforçar a atratividade do etanol como alternativa à gasolina. Esse cenário deu suporte aos preços do adoçante, já que uma maior destinação da cana para o biocombustível tende a reduzir a oferta relativa de açúcar.

A trajetória mudou ao longo da semana com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã em direção a um memorando de entendimento para a reabertura gradual do Estreito de Ormuz. A expectativa provocou queda expressiva do Brent e da gasolina, reduzindo a paridade do etanol e pressionando o NY #11, que chegou à mínima semanal de 14,57 centavos de dólar por libra-peso. Na sexta-feira, a valorização do real brasileiro ajudou na recuperação parcial, levando o contrato julho de 2026 a encerrar a semana a 14,69 centavos de dólar por libra-peso.

No etanol, os preços do hidratado no mercado spot também recuaram ao longo da semana, passando de R$ 2,82 por litro para R$ 2,78 por litro na sexta-feira (08). A queda refletiu o mesmo fator que pressionou o açúcar, com o recuo do petróleo e da gasolina associado às expectativas de reabertura do Estreito de Ormuz.

No campo regulatório, o cancelamento da reunião do CNPE que trataria do aumento temporário da mistura de etanol na gasolina para 32% acrescentou incerteza ao mercado. Sem nova data confirmada, o biocombustível ficou sem o suporte regulatório que já havia sido parcialmente incorporado aos preços, mantendo dúvidas sobre a demanda doméstica.

 





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Preços de fertilizantes seguem firmes no Brasil



A demanda enfraquecida tem atuado como fator de pressão


A demanda enfraquecida tem atuado como fator de pressão
A demanda enfraquecida tem atuado como fator de pressão – Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de fertilizantes mantém preços CFR em alta, mesmo em um ambiente de consumo mais fraco e de maior cautela por parte dos compradores. Segundo análise da StoneX, a sustentação das cotações está ligada principalmente à oferta limitada, aos custos elevados de produção e aos fretes marítimos ainda pressionados.

A demanda enfraquecida tem atuado como fator de pressão baixista sobre o mercado, mas não tem sido suficiente para provocar recuos mais amplos nos preços. Esse movimento reflete um equilíbrio ainda sensível entre compradores mais cautelosos e restrições que seguem limitando a disponibilidade de produto no mercado internacional.

No segmento de nitrogenados, foram registradas quedas moderadas, associadas à menor demanda. Ainda assim, correções mais expressivas tendem a ser limitadas pelos entraves logísticos que persistem em decorrência da guerra. Esse cenário mantém parte da sustentação dos preços, mesmo com menor ritmo de compras.

Entre os fosfatados, o mercado permanece firme. Os altos custos de insumos, as restrições de oferta e as incertezas ainda presentes no segmento impedem quedas acentuadas nas cotações. A postura cautelosa dos compradores contribui para reduzir o ritmo de negócios, mas não altera de forma significativa a pressão exercida pelos custos e pela disponibilidade limitada.

Já o segmento de potássicos apresenta poucas alterações. Esse grupo de fertilizantes segue como o menos impactado pelo conflito, o que ajuda a explicar a maior estabilidade em relação aos demais segmentos. Ainda assim, o comportamento geral do mercado continua influenciado por fatores externos, especialmente custos produtivos, fretes e limitações de oferta.

Mesmo com a demanda fraca, o cenário para fertilizantes no Brasil segue marcado por preços resistentes a quedas mais intensas. A combinação de custos elevados, oferta restrita e dificuldades logísticas mantém o mercado pressionado, enquanto compradores adotam postura mais cautelosa diante das incertezas.

 





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Óleos vegetais recuam com volatilidade do petróleo



A commodity chegou a atingir o maior nível em três anos e meio


A commodity chegou a atingir o maior nível em três anos e meio
A commodity chegou a atingir o maior nível em três anos e meio – Foto: Abiove

Os óleos vegetais encerraram a semana sob pressão, em um ambiente marcado pela volatilidade do petróleo e pela reavaliação de fatores ligados ao setor de biocombustíveis. Segundo a StoneX, na semana encerrada em 8 de maio, o contrato de julho do óleo de soja fechou cotado a US¢ 74,32 por libra-peso, com queda de aproximadamente 1,12% em relação ao fechamento da semana anterior.

A commodity chegou a atingir o maior nível em três anos e meio, sustentada pela demanda robusta por biocombustíveis e pela escalada das tensões no Oriente Médio. No entanto, o movimento perdeu força ao longo do período, após relatos de avanço nas negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu o prêmio de risco embutido nas cotações e contribuiu para a reversão dos ganhos.

Apesar da queda do óleo de soja, os RINs D4 atingiram novo recorde histórico na semana, a US$ 2,075. O desempenho evidencia a tensão no mercado de créditos de biodiesel dos Estados Unidos, mesmo diante das oscilações do petróleo. O comportamento dos créditos reforça que as pressões no setor de biocombustíveis seguem relevantes, independentemente do ajuste observado em parte das commodities energéticas e agrícolas.

O óleo de palma também registrou queda semanal. O contrato de julho encerrou o período a US$ 1.162,27 por tonelada, baixa de 0,6%. Nesta segunda-feira, porém, o contrato apresentava recuperação, sendo negociado a US$ 1.159,20 por tonelada, com alta de 0,82%. O avanço era apoiado pela valorização do petróleo e do óleo de soja, mas encontrava limite nos dados do MPOB, que indicaram aumento dos estoques malaios em abril para 2,31 milhões de toneladas.

 





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Brasil tenta reverter veto da União Europeia à carne e animais brasileiros



Governo diz receber decisão “com surpresa”



Foto: Pixabay

O governo brasileiro afirmou nesta terça-feira (12) ter recebido “com surpresa” a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o bloco europeu a partir de setembro deste ano. A manifestação foi feita em nota conjunta divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

“O governo brasileiro recebeu, hoje (12/5), com surpresa, a notícia da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia, a partir de 3 de setembro de 2026”, informou o comunicado oficial.

Segundo o governo, a decisão ocorreu após votação realizada no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização da lista de países habilitados. A nota destaca que, neste momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal seguem ocorrendo normalmente.

“O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”, afirmou o comunicado.

O chefe da delegação brasileira junto à União Europeia já tem reunião marcada para esta quarta-feira (13) com autoridades sanitárias do bloco europeu para buscar esclarecimentos sobre a medida.

Na nota, o governo brasileiro ressaltou ainda que o país possui um sistema sanitário reconhecido internacionalmente e destacou a posição do Brasil como maior exportador mundial de proteínas de origem animal e principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu.





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produção de grãos cresceu 61% na última década


Grande produtor de café, leite, alho, batata e frutas como morango e laranja, Minas Gerais também vem ampliando sua participação na produção nacional de grãos. Estudo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa) aponta que a produção de milho, feijão, sorgo e soja no estado passou de 11,8 milhões de toneladas na safra 2015/2016 para uma estimativa de 18,9 milhões de toneladas em 2025/2026. O crescimento de 61% colocou Minas na sexta posição nacional, respondendo por cerca de 6% da produção brasileira.

Segundo o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, a expansão do setor deve continuar impulsionada pelo avanço da agricultura de precisão, pelo uso de irrigação e pelo desenvolvimento de cultivares mais adaptadas às mudanças climáticas. As pesquisas vêm sendo conduzidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). “Embora as pesquisas com o café estejam mais adiantadas, a tendência é que o melhoramento genético e a adaptação tecnológica avancem para culturas de grãos mais sustentáveis nas lavouras de soja, trigo, milho, feijão e sorgo”, ressaltou o secretário.

Para Thales Fernandes, outro fator importante para o crescimento da produção de grãos em Minas foi a intensificação do uso das áreas agrícolas. “Nos últimos anos, muitos produtores passaram a cultivar soja na primeira safra e milho na segunda, a chamada safrinha, período onde, normalmente, não havia uma escala de plantio definida. Isso permitiu ampliar a produção total utilizando a mesma área de forma mais eficiente”, explicou o secretário. Segundo ele, enquanto parte do milho de verão perdeu espaço para a soja, o milho de segunda safra avançou no estado. “A soja passou de 4,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas no período e se consolidou como o segundo principal produto da pauta de exportações mineira, atrás apenas do café”, ressaltou.

Em relação à safra 2026/2027, o secretário afirmou que o cenário exige atenção diante das incertezas climáticas e econômicas. “Estamos vivendo um momento de incerteza com os juros altos, o El Niño chegando, o que pode atrasar as chuvas, a questão da guerra que tem bloqueado a passagem no Estreito de Ormuz e dificultando a chegada dos fertilizantes em nosso país”, afirmou Thales Fernandes.

De acordo com o 7º Levantamento de Estimativa de Produção de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/2026 em Minas Gerais deve alcançar 9,1 milhões de toneladas de soja, 7 milhões de toneladas de milho, 1,6 milhão de toneladas de sorgo e 499 mil toneladas de feijão. As regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste do estado seguem entre os principais polos produtores de grãos.

Além da expansão na produção de grãos, Minas Gerais lidera o ranking nacional nas produções de café, leite, alho, ervilha, batata-inglesa e rebanho de equinos. O estado também ocupa a segunda posição na produção de cana-de-açúcar, citros, feijão, banana e sorgo, além da terceira colocação em produtos como abacaxi, cebola, tomate, ovos e tilápia.





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Decisão da UE ameaça mercado de US$ 1,8 bilhão para o Brasil


A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia acendeu um alerta no setor agropecuário. A medida, comunicada ao governo brasileiro nesta terça-feira (12/5), pode atingir um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em 2025, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Apesar da preocupação, o MAPA e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçam que as exportações seguem normalmente e que a decisão só passaria a valer a partir de 3 de setembro de 2026.

Segundo a União Europeia, o Brasil ficou fora da atualização da lista por não ter apresentado garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, conforme informou a agência de notícias France Presse. O tema é sensível porque envolve regras sanitárias, acesso a mercados e a confiança internacional sobre os sistemas de controle de produtos de origem animal.

A decisão foi aprovada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. Em nota oficial, o Ministério da Agricultura informou que recebeu a notícia “com surpresa” e destacou que, neste momento, os embarques brasileiros continuam ocorrendo normalmente.

O impacto potencial é relevante. A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros, com receita de US$ 1,8 bilhão. A carne bovina responde pela maior parte desse valor: foram US$ 1,048 bilhão em vendas e 128 mil toneladas embarcadas ao mercado europeu. O bloco é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, depois de China e Estados Unidos.

A carne de frango também aparece entre os produtos expostos à decisão. Em 2025, as exportações brasileiras de frango para a União Europeia somaram US$ 762 milhões, com volume de 230 mil toneladas. Outros produtos de origem animal, como o mel, também podem ser afetados. No ano passado, as vendas brasileiras de mel ao bloco europeu alcançaram US$ 6 milhões, com embarques de mil toneladas. Segundo a ABPA, o Brasil não exporta carne suína para a União Europeia.

O ponto central da controvérsia está nos antimicrobianos, substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento. Para voltar à lista europeia, o Brasil terá de avançar em uma das frentes apontadas no material: restringir legalmente o uso dos medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.

Na avaliação do governo brasileiro, há espaço para reverter a decisão antes que ela produza efeitos comerciais. O MAPA afirmou que tomará “prontamente todas as medidas necessárias” para que o país retorne à lista de autorizados e mantenha o fluxo de vendas ao mercado europeu, destino para o qual o Brasil exporta há 40 anos. O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia tem reunião marcada para esta quarta-feira (13/5) com autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a medida.

A ABPA também adotou tom de reação técnica. Em posicionamento oficial, a entidade informou que o Brasil, por meio do MAPA e com apoio do setor produtivo privado, prestará os esclarecimentos necessários à União Europeia sobre as diretrizes relacionadas aos antimicrobianos. A associação sustenta que o país cumpre integralmente os requisitos europeus, inclusive os regulamentos ligados ao tema.

A entidade ressaltou ainda que as exportações não estão suspensas. Segundo a ABPA, a lista de países em não conformidade ainda depende de publicação oficial e só entrará em vigor em 3 de setembro. Até lá, o setor pretende demonstrar que os protocolos exigidos pela União Europeia são atendidos pelas empresas brasileiras e fiscalizados pelo órgão oficial.

O setor produtivo também busca reforçar a imagem sanitária do país. Na nota, a ABPA afirma que o Brasil possui estruturas de controle produtivo, rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos. O MAPA, por sua vez, destacou que o Brasil é o maior exportador mundial de proteínas de origem animal e tem sistema sanitário de qualidade internacional reconhecida.

Mesmo sem suspensão imediata, a decisão pressiona frigoríficos, exportadores, produtores e cadeias ligadas à proteína animal. O risco está na possibilidade de perda ou interrupção de acesso a um mercado de alto valor agregado, especialmente para a carne bovina, que tem na União Europeia um dos principais destinos em receita.

Nos próximos meses, o resultado das tratativas entre Brasil e União Europeia será decisivo para medir o tamanho do impacto. Se a medida for revertida antes de setembro, o efeito tende a ficar restrito à tensão diplomática e sanitária. Caso contrário, o agro brasileiro poderá enfrentar prejuízo em um mercado bilionário, com reflexos comerciais para carnes, produtos de origem animal e para a reputação sanitária do país no comércio internacional.





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