domingo, maio 31, 2026

Política & Agro

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Menor safra 26/27 pode aliviar estoque de suco



Redução da oferta brasileira tende a limitar parte da pressão


Foto: Canva

A safra 2026/27 de laranja do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro está projetada em 255,2 milhões de caixas de 40,8 kg, volume 13% inferior ao da temporada anterior, de acordo com a primeira estimativa do Fundecitrus divulgada neste mês. Segundo o Cepea, em termos de mercado, a redução da oferta brasileira tende a limitar parte da pressão observada sobre os estoques globais de suco de laranja ao longo da safra 2025/26.

Apesar disso, analistas do Cepea ressaltam que o potencial de recuperação das cotações internacionais dependerá menos do ajuste produtivo isoladamente e mais da capacidade de retomada da demanda nos principais mercados consumidores. Isso porque o setor entra em 2026/27 em uma conjuntura bastante distinta daquela observada durante o choque de escassez de 2024, quando a forte restrição de oferta elevou rapidamente os preços internacionais em um ambiente de estoques de suco extremamente baixos.

Ainda de acordo com o Centro de Pesquisas, na atual temporada, o mercado voltou a operar com maior disponibilidade relativa de produto, recomposição parcial dos estoques globais e demanda mais cautelosa, especialmente nos mercados maduros. Nesse contexto, a sensibilidade dos preços internacionais às oscilações da oferta tende a ser menor do que a observada no período anterior. 





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Embarques voltam a crescer com demanda chilena



Cenário evidencia o excelente papel desempenhado pelo Brasil


Foto: Pixabay

As exportações brasileiras de ovos voltaram a crescer em abril, interrompendo dois meses de desaceleração. O avanço foi impulsionado pelo Chile, que registrou o primeiro caso de gripe aviária em granja comercial e importou volume recorde de toda a série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), tornando-se o destino de 84% dos embarques nacionais de ovos in natura. 

Dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que o Brasil exportou 2,31 mil toneladas de ovos in natura e processados em abril, volume 24% superior ao registrado em março/26, mas 47% inferior ao de abril/25. Do total embarcado, 1,64 mil toneladas correspondem a ovos in natura, avanço de 53% em comparação ao mês anterior. Já os ovos processados somaram cerca de 668 toneladas, queda de 16% em relação a março. 

De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário evidencia o excelente papel desempenhado pelo Brasil no fornecimento de ovos para países que enfrentam surtos de gripe aviária, assim como observado em 2025, com o aumento gradual dos envios aos Estados Unidos. Como o Brasil sustenta o status de livre da doença, mantém um alto potencial para atender à demanda externa.





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Crédito rural terá fiscalização rígida: entenda o que muda


Resolução CMN nº 5.267/2025 amplia o controle sobre a aplicação dos recursos e combina documentação com monitoramento por satélite.

A fiscalização do crédito rural no Brasil mudou com a entrada em vigor da Resolução CMN nº 5.267/2025, em 1º de março de 2026. Segundo Frederico Franco, gerente e especialista em GRC e Auditoria na Kassy Consultoria, a norma busca combater fraudes e desvios de finalidade que se tornaram recorrentes no setor.

Fiscalização do crédito rural entra em nova fase

A resolução representa uma mudança estrutural na forma como bancos e produtores terão de comprovar o uso dos recursos contratados. O foco está em impedir que valores liberados para custeio, compra de máquinas, aquisição de gado ou melhorias na lavoura sejam utilizados para outras finalidades.

No material, Franco aponta que a prática irregular era conhecida no mercado, mas difícil de comprovar. Agora, segundo ele, “essa era a realidade. Agora mudou”.

Satélite mostra a lavoura, mas não comprova tudo

Um dos pontos centrais da nova regra é que o monitoramento por satélite não será suficiente para validar toda a operação. A tecnologia permite identificar se houve plantio, mas não comprova, sozinha, a compra de gado, insumos ou equipamentos.

“O satélite fiscaliza o que é visível; a documentação fiscaliza o que é invisível”, resume Franco. Conforme o especialista, os investimentos menos visíveis concentram parte relevante dos desvios, como operações declaradas para compra de animais ou insumos sem comprovação integral do destino do dinheiro.

Bancos devem exigir notas e comprovantes

Com a nova exigência, os bancos terão de implementar um sistema de monitoramento contínuo mais rigoroso. A comprovação documental passa a ter papel central, com notas fiscais, recibos e comprovantes de investimento para cada gasto informado.

Segundo o texto, “o banco vai exigir comprovação de cada real gasto”. A documentação deverá ser cruzada com imagens de satélite para verificar a coerência entre o crédito contratado e a atividade desenvolvida na propriedade.

Na prática, operações para compra de gado, aquisição de insumos ou manutenção de equipamentos deverão estar acompanhadas dos respectivos documentos. “Não é mais aquele ‘confio na sua palavra’”, afirma Franco.

Produtor regular tende a ser beneficiado

Para quem aplica o crédito rural corretamente, a avaliação apresentada no material é positiva. A redução de fraudes tende a diminuir prejuízos para os bancos, evitar desperdício de dinheiro público e reduzir distorções que prejudicam produtores que seguem as regras.

Franco também relaciona a mudança a um ambiente de maior rastreabilidade no agro. De acordo com ele, a resolução está alinhada ao Acordo Mercosul-União Europeia, que exige rastreabilidade total dos produtos exportados.

Novo normal no campo

A fiscalização do crédito rural passa a depender da combinação entre imagens de satélite e documentação financeira. O novo modelo amplia o controle sobre a destinação dos recursos e reduz o espaço para desvios de finalidade.

Na síntese de Franco, o setor entra em um “novo normal”, no qual documentação e satélite trabalham juntos para acompanhar a aplicação do crédito rural.





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Demanda por soja segue no foco do mercado


Os mercados agrícolas internacionais abriram a sessão sob pressão, em um ambiente marcado por ajustes técnicos, realização de lucros e atenção renovada ao fluxo de demanda por grãos. Segundo a TF Agroeconômica, os contratos em Chicago registraram quedas acentuadas na véspera, após vendas maciças de milho, soja e trigo por fundos, movimento que ganhou força depois que as cotações alcançaram importantes níveis de resistência técnica.

Na soja, a compra feita pela China de um carregamento brasileiro para entrega em julho reforçou a competitividade da América do Sul frente à oferta dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o USDA anunciou vendas privadas de 252 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos, com 132 mil toneladas da nova safra, voltadas principalmente ao México. Apesar disso, as vendas semanais de exportação norte-americanas seguiram fracas, somando 102,1 mil toneladas da safra antiga e 80,8 mil toneladas da nova safra.

O comportamento dos fundos também influenciou a direção dos preços. Após o último relatório do USDA e a aproximação das resistências técnicas, investidores passaram a realizar lucros, ampliando a pressão baixista. No farelo de soja, as vendas nos Estados Unidos foram consideradas fortes, enquanto os prêmios na Argentina e na Europa permaneceram firmes.

No campo político e comercial, a declaração do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, de que a questão da soja estaria resolvida indicou que o acordo existente com a China é, por ora, o único compromisso em vigor. O mercado havia antecipado possíveis novos anúncios de compras agrícolas após o encontro entre Trump e Xi, inclusive de soja de safras mais antigas.

As projeções de oferta sul-americana também pesaram sobre o cenário. O Brasil elevou sua estimativa de produção de soja em 2026 para 180,1 milhões de toneladas e a de milho para 140,2 milhões. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Rosário ajustou a previsão da soja para 50 milhões de toneladas e a do milho para 68 milhões. No milho argentino, os prêmios de exportação recuaram 4 centavos, refletindo maior pressão de oferta regional.

 





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Brasil é país destaque da Coffeex Istanbul 2026


O Brasil foi o país destaque da 8ª edição da Coffeex Istanbul, feira internacional dedicada ao setor cafeeiro, realizada entre os dias 8 e 10 de maio, em Istambul, na Turquia. A participação brasileira apresentou ao mercado turco a diversidade da produção nacional, com foco em cafés especiais, controle de qualidade, rastreabilidade e novas oportunidades comerciais.

O pavilhão brasileiro foi resultado de parceria entre o Consulado-Geral do Brasil em Istambul e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O espaço reuniu produtores nacionais interessados em ampliar o contato com importadores de grãos selecionados e também funcionou como referência institucional para empresários turcos do setor cafeeiro. A programação contou ainda com a presença do adido agrícola do Brasil na Turquia, Diego Rodrigues, que acompanhou a agenda brasileira na feira e o diálogo com representantes do setor local.

Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil chegou à feira com uma produção marcada pela diversidade de origens, variedades e perfis de bebida. O país reúne cafés arábica, tradicionalmente associados a bebidas de maior complexidade, e cafés canéfora, como o conilon e o robusta, que vêm ganhando espaço em mercados de maior valor agregado.

A participação brasileira na Coffeex Istanbul ocorreu também em um ano de reconhecimento internacional da cadeia cafeeira. Em março, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou resolução liderada pelo Brasil que estabeleceu o 1º de outubro como Dia Internacional do Café. A iniciativa reconhece a relevância econômica, social e sustentável do setor cafeeiro e reforça o papel do Brasil nas discussões internacionais sobre a cadeia produtiva.

No Brasil, mais de 300 mil famílias se dedicam à produção cafeeira. Em 2025, o país registrou produção estimada em 56,5 milhões de sacas de 60 kg, enquanto as exportações somaram cerca de 39,4 milhões de sacas.

Além da diversidade produtiva, o café brasileiro conta com ações oficiais de fiscalização e controle de qualidade conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O trabalho inclui registro e habilitação de estabelecimentos, coleta de amostras, análises laboratoriais oficiais e adoção de medidas fiscais, quando necessário, com foco na segurança e na conformidade do produto consumido no Brasil e exportado para outros países.

Atualmente, o país possui 1.729 estabelecimentos ativos com registro válido junto ao Mapa na cadeia do café. Minas Gerais concentra 634 unidades, seguido por São Paulo, com 335, e Espírito Santo, com 210. Juntos, os três estados reúnem cerca de 70% do total.

Na Coffeex Istanbul, essa diversidade foi apresentada por meio de cafés especiais arábica, cafés robusta brasileiros, métodos de fermentação e processamento natural, além de iniciativas de produção sustentável e rastreável. A programação também incluiu apresentações de baristas, workshops e conferências voltadas à cultura do café e ao fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e a Turquia.

A presença brasileira ocorreu em um momento de crescimento do consumo de café na Turquia, especialmente em segmentos ligados a cafés especiais, torrefação premium e experiências de consumo conhecidas como “terceira onda”. A feira aproximou produtores, compradores, torrefadores, distribuidores e profissionais do setor em uma agenda voltada à geração de negócios e à troca de conhecimento.

Para o Brasil, a participação na Coffeex Istanbul reforça a estratégia de promoção internacional dos cafés nacionais e de diversificação de mercados para produtos de maior valor agregado. Ao apresentar diferentes origens, métodos de produção e mecanismos de controle oficial, o país busca ampliar a presença do café brasileiro em um mercado consumidor em expansão e fortalecer sua posição como fornecedor de cafés de qualidade, seguros e competitivos.

Informações à [email protected]





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Pesquisa inédita na Epagri desenvolve manejo sustentável de pragas no cultivo de pitaia em SC


A busca por alternativas para diversificar a produção levou muitos agricultores nos últimos 15 anos a apostar no cultivo de pitaia, uma fruta rústica originária da América Central, que conseguiu se adaptar ao litoral do Estado, com projeção de colheita de 7,6 mil toneladas em 2026. Este feito só foi possível graças ao empenho de pesquisadores, que estão construindo um conjunto de conhecimentos para melhorar a produtividade da nova cultura e fazer o controle biológico das pragas, que surgiram a partir do momento que o cultivo se tornou comercial. 

O resultado desses esforços, na área de entomologia, foi a identificação de 19 potenciais pragas, entre percevejos, caracol, besouros e formigas. “A maior parte são percevejos porque estão presentes em outras culturas da região, principalmente grãos, que são colhidos no início do ano, na mesma época da safra da pitaia”, explica o entomologista Marcelo Mendes de Haro. 

Por demanda dos produtores, a Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI) começou um trabalho pioneiro com pesquisadores e extensionistas em 2016 para que a cultura da pitaia catarinense ganhasse em qualidade, variedade e produtividade. 

“Havia uma dificuldade muito grande na época porque tudo que se sabia sobre pitaia era baseado em literatura estrangeira. E pelo fato de não ter praticamente nenhum defensivo agrícola registrado no Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA), a única forma de combater pragas é através da manipulação do ambiente e do controle biológico”, aponta o pesquisador, que se especializou em unir os conhecimentos agronômicos com ecologia. 

Marcelo é autor do projeto de pesquisa “Manejo integrado de pragas de pitaia: desenvolvimento e implementação de tecnologias de produção orgânica”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa em Santa Catarina (Fapesc) e finalizado em 2024. O estudo apontou a presença de 10 percevejos, três espécies de besouros, duas espécies de caracóis e dois grupos de formigas, além de uma espécie de abelha-irapuá, protegida pela norma do Conama 346/2004, que regulamenta o manejo de abelhas nativas sem ferrão. “Por ser uma espécie polinizadora não se pode nem retirar o ninho, muito menos utilizar inseticidas”, pontua.

O pesquisador explica que cada praga atinge o pomar em um estágio de desenvolvimento da planta. Os caracóis se alimentam dos brotos e atrasam a maturidade do pomar em até três anos. Os besouros desfolhadores, conhecidos como vaquinhas, se alimentam do caule. A formiga carpinteira cava o fruto no início do outono para fazer seu ninho, e a formiga cortadeira corta o caule para cultivar o fungo do qual se alimenta. Já os percevejos se alimentam da seiva do fruto, caule e botão floral. “Eles não causam dano à polpa, mas deixam a fruta feia, afetando a viabilidade comercial”, explica.

O entomologista trabalha em parceria com o engenheiro-agrônomo e fitotecnista Alessandro Borini Lone, que fez mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) sobre cultivo de pitaia. Desde 2016, Alessandro e Marcelo fazem visitas técnicas às propriedades, participam de Dia de Campo e capacitam técnicos e extensionistas de todo o Estado ensinando técnicas de manejo sustentáveis. 

Marcelo explica que o controle biológico tem três pontos principais: cobertura do solo, adubação equilibrada e uso de quebra-ventos para proteger as plantas das intempéries e enriquecer o ecossistema. “O solo nunca pode estar descoberto. É preciso ter mais plantas no ambiente para que outros insetos se alimentem da praga”, ensina. 

No verão, a recomendação é o amendoim-forrageiro e no inverno, um mix de sementes (aveia preta e branca, centeio, nabo-forrageiro e ervilhaca). A adubação varia de acordo com a análise de solo. Para garantir um solo fértil e produtivo, o agricultor pode acessar, através das políticas públicas, o Kit Solo Saudável. São duas cotas para cada produtor no valor de R$3.150,00. Em relação aos quebra-ventos, Marcelo recomenda o plantio de hibiscos e manacá, cujas flores multicoloridas atraem as pragas. “Até bananeiras são úteis porque atraem insetos benéficos que são predadores das pragas”, revela. 

Em 2025 Alessandro deu início à pesquisa “Seleção de genótipos de pitaia para Santa Catarina” com o objetivo de desenvolver cultivares adaptados às características edafoclimáticas (solo e clima) do Litoral catarinense. O banco de germoplasma de pitaia na EEI já dispõe de 80 híbridos, que serão avaliados até 2027 para iniciar a pré-seleção de materiais. No ano passado foram avaliados 40 híbridos e este ano mais 20, resultando na seleção de oito materiais promissores.

“Esta primeira etapa de melhoramento genético é dedicada à busca por frutos de qualidade, com bom potencial de dulçor, tamanho, cor da casca e polpa e viabilidade econômica”, explica. Paralelamente, Alessandro iniciou em 2026 um novo projeto em parceria com o melhorista Ramon Scherer, com recursos do CNPQ. 

A pesquisa “Melhoramento de banana e pitaia a partir da pré-seleção de materiais” prevê a realização de um ensaio da produtividade no campo a partir da clonagem de materiais por estaquia, e um comparativo com cultivares comerciais. Até hoje, apenas a Embrapa tem cultivares de pitaia registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). 

A falta de informações sobre cultivo de pitaia no Estado levou a Epagri a publicar o primeiro boletim técnico, em 2020. “Cultivo de Pitaia” foi baseado numa capacitação realizada na EEI para que técnicos e extensionistas pudessem atender às demandas dos produtores. A publicação trouxe informações sobre produção de mudas, Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), adubação, identificação e manejo de pragas, doenças, polinização e colheita. Participaram da publicação, além de Alessandro e Marcelo, o especialista em solo, Gelton Guimarães, o fitopatologista André Beltrame, e os extensionistas Diego da Silva e Ricardo Martins.

Em 2022, foram publicados dois folders técnicos assinados por Alessandro e Marcelo. “Controle de caracóis em pomares de pitaia” traz informações sobre as espécies que atacam os pomares, os danos produzidos na planta e a forma correta de fazer o controle com calda bordalesa. “Ensacamento de frutos de pitaia no manejo de pragas” ensina a técnica de proteger as frutas de percevejos, abelha-irapuá e formigas com um saco de TNT por um período de 30 dias após a polinização, o que reduz em até 65% as lesões do fruto. E no ano passado, Alessandro assinou com Gelton um capítulo da atualização técnica de “Calagem e adubação em frutíferas”, intitulado “Calagem, adubação e nutrição da cultura da pitaia”.

No mesmo ano foi publicado o livro “Pitaia no Brasil: nova opção de cultivo“, de autoria dos extensionistas Maria do Céu Monteiro da Cruz e Ricardo Sant’Anna Martins, que atuam no sul do Estado, região que concentra a mais parte dos produtores de pitaia catarinenses. A obra traz dados de socioeconomia, espécies, melhoramento genético, cultivares, biologia floral, polinização, propagação, instalação do pomar, adubação, controle de pragas e doenças, colheita, pós-colheita e cultivo orgânico.

Para popularizar o consumo e agregar valor ao produto, foi lançado em março, durante a 2ª FrutiEEI, em parceria com a extensão, o boletim didático “Receitas com pitaia”. A publicação traz dicas de congelamento e preparos inusitados, como a farinha de pitaia e o Tempurá de Botão Floral, entre outras delícias doces e salgadas. Participaram da elaboração das receitas os extensionistas sociais Natalia Kowinkiewicz (ex gestora do Cetrei), Geisebel Patrício e Márcio Palhano. Todas as obras estão disponíveis para download.

Tempurá de botão floral

Ingredientes 

4 botões florais médios (12 a 13cm)100g de farinha de trigo 20g de amido de milho 2 colheres de sopa de maionese 150ml de água gelada Sal Temperos a gosto 

Modo de preparo 

Misture os ingredientes secos, acrescente a maionese e a água aos poucos. Corte os botões em quatro partes. Passe na farinha de trigo. Empane com a massa, frite em óleo a 180°C até dourar. Se preferir um empanamento mais leve, acrescente mais água à massa, deixando a mistura mais líquida. Sirva com molho de sua preferência.

Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc

Informações para a imprensaIsabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri(48) 3665-5407 / 99161-6596





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Mercado exige mais prova em bioestimulantes


O mercado de bioestimulantes passa por uma fase de maturação, em que promessas genéricas e apelos comerciais perdem espaço para evidências técnicas, repetibilidade de resultados e integração ao manejo agronômico. A avaliação é de Renato Seraphim, estrategista de agronegócio, a partir de análise recente de Sebastian Bachem sobre a maturação global do setor em 2026.

Segundo Seraphim, o segmento deixou para trás a etapa em que bastava apresentar uma narrativa convincente ou uma “garrafa bonita” para ganhar mercado. A exigência agora recai sobre produtos capazes de demonstrar, no campo, incremento real de produtividade, com base em fisiologia vegetal, dados consistentes e desempenho repetível em diferentes safras e condições de cultivo.

A mudança também reflete uma reorganização do próprio mercado. Formulações genéricas, com componentes de origem duvidosa ou efeitos pouco documentados, tendem a perder espaço diante de moléculas definidas, mecanismos de ação compreendidos e protocolos de aplicação mais precisos. Nesse novo ambiente, a pergunta central deixa de ser se o produto funciona e passa a ser se ele funciona sempre da mesma forma.

Seraphim destaca que empresas como Kracht Landbouw Wetenschap, DNAgro do Brasil e Solusolo têm avançado ao tratar o bioestimulante como parte de um sistema de manejo, e não como uma solução isolada. Na avaliação dele, essas companhias se diferenciam por buscar demonstrar o chamado UPlift, entendido como o aumento mensurável de produtividade entregue pelo manejo no campo.

No ambiente tropical brasileiro, essa discussão ganha peso adicional. Veranicos, oscilações térmicas e outros fatores climáticos podem limitar o potencial genético das sementes e ampliar a necessidade de ferramentas de resiliência. Nesse contexto, o bioestimulante deixa de ser visto como item opcional e passa a ocupar papel estratégico na mitigação de riscos e na busca por estabilidade produtiva.

A tendência apontada por Seraphim é de consolidação do setor em torno de ciência aplicada, rastreabilidade de resultados e suporte técnico. Quem não conseguir comprovar performance fisiológica, consistência entre safras e integração real ao sistema produtivo terá mais dificuldade para sustentar espaço comercial.

 





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Endividamento de R$ 10,8 bi coloca agro do Paraná em risco, alerta Sistema FAEP


O endividamento rural do Paraná chegou a R$ 10,8 bilhões em janeiro deste ano, segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. Esse número é o chamado “saldo problemático”: a soma das dívidas em atraso (de até 90 dias), das inadimplentes (com atraso acima de 90 dias) e daquelas que foram prorrogadas ou renegociadas.

 “Os índices de janeiro são preocupantes por si só, mas estimamos que o número atual de endividamento já possa estar alcançando o dobro desse valor, ultrapassando os R$ 20 bilhões”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

O Paraná tinha, em janeiro, aproximadamente R$ 99 bilhões em empréstimos com instituições financeiras que operam crédito rural. Logo, o saldo problemático do Estado representa 11% do total de empréstimos — um indicador considerado alto para o setor, que tem um padrão histórico de baixa inadimplência.

As circunstâncias se repetem no panorama nacional. Em janeiro, de acordo com o mesmo levantamento, o Brasil somava cerca de R$ 881 bilhões em empréstimos rurais, com saldo problemático de aproximadamente R$ 153,6 milhões — equivalente a 17,4% do total.

A inadimplência entre produtores rurais foi recorde em 2025, conforme as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias foi de 6,5% no ano passado. O valor representa um salto em relação aos anos de 2024 e 2023, que registraram inadimplência de 2,3% e de 1,1%, respectivamente.

O quadro de endividamento é resultado de um conjunto de fatores: sucessivas quebras de safras devido a intempéries climáticas; juros elevados que dificultam a quitação de empréstimos; aumento dos custos de produção (como a elevação dos preços de fertilizantes e diesel); queda nos preços das commodities (provocando aperto na margem de lucro do produtor); além da falta de recursos para contratar seguro rural, o que garantiria maior estabilidade ao produtor mesmo frente a instabilidades.

Fatores como esses levaram Luiz Flamengo, avicultor do município de Paranacity, no Noroeste do Estado, a contrair uma dívida de cerca de R$ 450 mil. Ele trabalha com o manejo de frango de postura, no regime de integração.

“Na avicultura, os custos operacionais crescem em uma ascendência vertiginosa”, afirma. “Vimos aumento na tarifa de energia elétrica e aumento dos insumos de manutenção e manejo avícola, como cal virgem, peças de manutenção de equipamentos, lenha para aquecimento e mão de obra terceirizada para manutenção mecânica e elétrica”, relata.

Por outro lado, a remuneração por ave segue apenas o percentual de reajuste da inflação, sem considerar o aumento dos custos de produção. Vendo sua margem de lucro se dissipar, Flamengo chegou a vender um veículo para quitar uma dívida passada.

“O endividamento nos impede de honrar os compromissos financeiros assumidos com fornecedores e agentes financeiros”, diz o produtor.

Medidas urgentes

O Sistema FAEP alerta que o endividamento coloca em risco a atividade rural, assim como a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico do Estado.

“Com margem reduzida e dívidas em atraso, o produtor não tem acesso ao crédito rural e, consequentemente, não tem recursos para investir no cultivo de uma nova safra. Isso afeta a produção de alimentos, gerando uma redução na oferta de produtos no mercado, o que inevitavelmente pressiona os preços para cima e compromete a segurança alimentar da população”, afirma o presidente do Sistema FAEP.

“É urgente um programa de renegociação de dívidas, por parte do governo federal, incluindo a abertura de novas linhas de crédito para o produtor”, defende.

Na próxima terça-feira, será votado no Senado o Projeto de Lei (PL) 5.122/23, que permite a renegociação de dívidas rurais por meio de financiamento com recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Desde o início da tramitação do projeto, o Sistema FAEP tem dialogado com parlamentares, levando informações sobre os desafios dos produtores rurais e a necessidade da implementação de medidas para sanar o endividamento.





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Interceptação de aspargos em Guarulhos impede entrada de praga no Brasil


A interceptação de uma carga com cerca de uma tonelada de aspargos importados do Peru acendeu um alerta fitossanitário no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A ação foi realizada na última semana por equipes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após a identificação de uma praga quarentenária ausente no Brasil.

Segundo informações divulgadas pelo Mapa, a carga era composta por 200 caixas de aspargos. Durante a fiscalização, os agentes detectaram a presença do inseto Prodiplosis longifila, espécie considerada de alto risco fitossanitário pelo potencial de disseminação e pelos danos que pode causar à produção agrícola.

As amostras foram enviadas para análise laboratorial no dia 8 de maio. O laudo conclusivo foi emitido nesta quarta-feira (13), após a realização de diferentes métodos de identificação, como exame visual, análise morfológica em microscópio, consulta bibliográfica, PCR e sequenciamento genético.

A confirmação reforça a importância da fiscalização em pontos de entrada de produtos agropecuários, especialmente em cargas vegetais vindas de países onde determinadas pragas já estão estabelecidas.

Praga é ausente no Brasil e de difícil controle

Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate ou negrilla, a Prodiplosis longifila apresenta ampla capacidade de infestação e é considerada de difícil controle.

De acordo com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as larvas se desenvolvem dentro de tecidos vegetais jovens, como botões florais, brotos terminais e frutos em formação. Esse ataque pode provocar deformações, abortamento de flores e redução da produtividade.

A praga pode atingir culturas de alto valor econômico, como tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra e cebola. O inseto se adapta melhor a regiões de clima quente e elevada umidade relativa do ar, com capacidade de dispersão por voo em distâncias de até 300 metros.

Entrada da praga poderia afetar cadeias produtivas

De acordo com estudos da Embrapa Territorial, uma eventual introdução da Prodiplosis longifila no Brasil poderia trazer impactos significativos para cadeias estratégicas do agronegócio. Entre os riscos estão o aumento dos custos de manejo, perdas produtivas e possíveis prejuízos a mercados internacionais.

As regiões de fronteira no Norte do país são apontadas como mais vulneráveis à entrada inicial da praga. Já polos produtores de citros e hortaliças poderiam enfrentar impactos econômicos relevantes caso houvesse disseminação. Em países onde a praga já está presente, como Peru e Colômbia, há registros de perdas severas em lavouras, especialmente de tomate e citros. Nessas áreas, a presença do inseto exige intensificação de medidas de controle fitossanitário e manejo integrado.





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