domingo, maio 31, 2026

Política & Agro

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Café apreendido é destinado à compostagem no Paraná



UFPR recebe café irregular para reciclagem



Foto: Divulgação

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Universidade Federal do Paraná concluíram, nesta terça-feira (12), a destinação ambientalmente adequada de cerca de 1,5 mil pacotes de café apreendidos durante ações de fiscalização da qualidade vegetal no Paraná. O material foi encaminhado para compostagem em atividade realizada no Campus Botânico da UFPR, em Curitiba.

O lote de café torrado e moído da marca Made in Brazil, adquirido pela universidade para consumo interno, teve a comercialização suspensa após fiscalização do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR). Durante a inspeção, foram identificadas impurezas e matérias estranhas acima dos limites permitidos pela legislação.

Após a apreensão, o produto permaneceu armazenado até a definição da destinação final. O café foi incorporado a leiras de compostagem junto com aparas de grama, folhas secas, esterco bovino e água. As embalagens foram separadas para reciclagem.

Segundo os responsáveis pela ação, o composto orgânico produzido poderá ser utilizado em atividades de manejo e recuperação de solo desenvolvidas pela própria universidade.

A destinação do material foi acompanhada por auditores fiscais federais agropecuários e integrou as medidas adotadas pelo Mapa para impedir o retorno do produto irregular à cadeia de consumo.

De acordo com o ministério, ações de fiscalização e destinação adequada de produtos apreendidos contribuem para proteger o consumidor, garantir a conformidade dos produtos de origem vegetal comercializados no país e fortalecer a integridade da cadeia produtiva do café. A iniciativa também busca reforçar práticas ambientalmente responsáveis no tratamento de produtos considerados impróprios para consumo.

O Mapa informou ainda que vem intensificando a fiscalização da cadeia do café no Paraná. Até o momento, já foram realizadas 194 coletas oficiais de amostras no estado. Casos de não conformidade resultaram em autuações, multas, apreensões e auditorias em estabelecimentos torrefadores e embaladores. Recentemente, mais de 21 toneladas de café irregular foram apreendidas em compras públicas realizadas em Curitiba.





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Boas práticas avançam no uso de defensivos



“Os clientes se sentem mais seguros quando recebem instruções sobre aplicação”


“Os clientes se sentem mais seguros quando recebem instruções sobre aplicação"
“Os clientes se sentem mais seguros quando recebem instruções sobre aplicação” – Foto: Canva

A segurança na aplicação de defensivos agrícolas tem avançado como parte das estratégias de sustentabilidade no campo, com foco na proteção dos trabalhadores, no uso correto das tecnologias e na redução de impactos ambientais. Nesse cenário, programas de capacitação buscam aproximar orientação técnica e boas práticas agrícolas.

A Syngenta reconheceu Representantes Técnicos de Vendas (RTVs) e gestores que se destacaram em 2025 na disseminação de protocolos de segurança e sustentabilidade. A iniciativa integra o PROS, programa conduzido pela área de Boas Práticas Agrícolas, voltado à conscientização sobre uso seguro e correto de defensivos, utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e armazenagem adequada de embalagens.

Segundo a companhia, o programa reforça o papel dos RTVs como agentes de orientação no campo, levando aos agricultores recomendações técnicas associadas à segurança do trabalho e à responsabilidade ambiental. A ação também está ligada à prioridade de ampliar a produtividade com menor impacto.

“Os clientes se sentem mais seguros quando recebem instruções sobre aplicação correta dos produtos. A Syngenta é uma empresa de defensivos agrícolas, e quando levamos o tema da segurança da aplicação, eles deixam de ver a gente só como uma empresa que vende o insumo, mas também como um parceiro que dá todo o respaldo, seja ele técnico, seja ele relacionado à integridade do trabalhador e proteção do meio ambiente”, afirma Karla Winny, RTV da Syngenta.

Os participantes destacam que os treinamentos fortalecem a relação com os produtores, ao ampliar o suporte no pós-venda e orientar sobre a aplicação correta das soluções. Além do PROS, a empresa mantém o Aplica Certo, com cursos e certificados sobre segurança na aplicação, tratamento de sementes e cuidados com o solo. Em 2025, as plataformas de Boas Práticas Agrícolas da divisão de Proteção de Cultivos da Syngenta capacitaram 81.893 pessoas em uso seguro no Brasil, avanço de 35% em relação a 2024.

 





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Produção de cana deve crescer no novo ciclo


A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27 deve avançar em produção e área colhida, em um ciclo marcado pela recuperação parcial dos canaviais e pela necessidade de maior eficiência no campo. Segundo a Conab, a produção nacional está estimada em 709,1 milhões de toneladas, alta de 5,3% sobre a safra anterior, o que representa a segunda maior produção da série histórica. A área destinada à colheita deve crescer 1,9%, para 9,1 milhões de hectares.

No Sudeste, principal região produtora, a expectativa é de 459,1 milhões de toneladas, aumento de 6,8% frente ao ciclo 2025/26. A produtividade média regional é estimada em 80,852 toneladas por hectare, avanço de 4,6%.

Apesar da maior disponibilidade de matéria-prima, a produção de açúcar deve alcançar 43,95 milhões de toneladas, enquanto o etanol tende a concentrar o crescimento do setor, com projeção de 40,69 bilhões de litros, alta de 8,5%. O movimento reflete mudanças no mix das usinas, influenciadas pela competitividade do biocombustível e pela busca por eficiência agrícola e industrial.

“Esse cenário tende a resultar em um ciclo mais robusto, ainda em fase inicial, mas que exigirá atenção constante aos desafios agronômicos e estratégicos ao longo do desenvolvimento da cultura”, ressalta o engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, Michel Tomazela.

A recuperação produtiva ocorre após impactos climáticos nas últimas safras, mas o setor ainda enfrenta irregularidade de chuvas, ondas de calor e estresses localizados. Esse cenário aumenta a importância do planejamento, do monitoramento das lavouras e do manejo integrado de pragas, plantas daninhas e doenças.

Entre os desafios estão a cigarrinha-das-raízes, o bicudo-da-cana-de-açúcar e a matocompetição em fases iniciais da cultura. A maturação também ganha relevância, especialmente pela influência do teor de sacarose na qualidade da matéria-prima e no ATR. No Centro-Sul, a variabilidade climática tem dificultado a uniformidade desse processo, reforçando a adoção de estratégias para proteger produtividade, qualidade industrial e rentabilidade.

 





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Biológicos reduzem pressão de custos no campo



Nesse contexto, os insumos biológicos aparecem como alternativa


Nesse contexto, os insumos biológicos aparecem como alternativa
Nesse contexto, os insumos biológicos aparecem como alternativa – Foto: Divulgação

A instabilidade internacional tem aumentado os riscos para a produção de alimentos e pressionado os custos no campo, sobretudo em cadeias dependentes de insumos importados. A avaliação é de Antonio Carlos da Silva Gonçalves, engenheiro agrônomo e gerente de marketing da Biotrop, que aponta guerras, sanções econômicas e problemas logísticos como fatores de impacto direto sobre a agricultura brasileira.

Segundo o especialista, o país importa cerca de 90% dos fertilizantes usados nas lavouras, o que amplia a exposição do produtor a choques externos. Conflitos recentes e tensões geopolíticas, como os da Ucrânia e do Oriente Médio, chegaram a provocar altas de até 120% em determinadas matérias-primas. Em algumas culturas, os fertilizantes representam mais de 50% do custo operacional, tornando o impacto rápido nas margens.

Nesse contexto, os insumos biológicos aparecem como alternativa para reduzir a dependência de agroquímicos, manter a eficiência produtiva e dar mais previsibilidade à gestão de custos. O Brasil conta com estrutura consolidada de fabricação de biológicos, além de empresas, instituições e profissionais voltados à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções baseadas no solo, na microbiologia e na planta.

Biofertilizantes ajudam a ativar a biologia do solo, liberar nutrientes retidos e aumentar o aproveitamento do adubo aplicado. Microrganismos também podem produzir fitohormônios e favorecer a fixação biológica de nitrogênio, reduzindo a dependência de insumos influenciados pelo preço do gás e do petróleo.

“Nosso papel é estar ao lado do agricultor e oferecer soluções eficazes, que respeitam o meio ambiente e as pessoas. Em momentos de instabilidade global, como o atual, somam-se a esses fatores os desafios de custos. Os biológicos são produzidos localmente, utilizam insumos naturais e possibilitam manter a operação com previsibilidade econômica”, conclui.

 





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Demora amplia risco nas dívidas rurais



O cenário ficou mais sensível com o aumento dos pedidos de recuperação judicial


O cenário ficou mais sensível com o aumento dos pedidos de recuperação judicial
O cenário ficou mais sensível com o aumento dos pedidos de recuperação judicial – Foto: Pixabay

A demora em buscar orientação diante de dívidas rurais tem ampliado o risco financeiro e patrimonial de produtores em diferentes regiões do país. Segundo Leandro Amaral, advogado especialista em crédito rural e direito do agronegócio, a espera até sinais avançados de crise reduz as alternativas de negociação e defesa disponíveis ao produtor.

A avaliação aponta que muitos produtores deixam de agir no primeiro momento de aperto por vergonha, negação ou expectativa de melhora na safra seguinte. O problema é que a próxima safra depende de fatores fora do controle do produtor, como clima, preços, câmbio, juros e condições de comercialização. Enquanto isso, documentos assinados para ganhar prazo, como confissões de dívida, hipotecas e alienações fiduciárias, podem limitar estratégias futuras.

O cenário ficou mais sensível com o aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Conforme os dados citados, foram 1.990 pedidos em 2025, ante 1.272 em 2024 e 534 em 2023. Goiás apareceu como o segundo estado com mais casos, com 296 registros, atrás de Mato Grosso, com 332.

Também pesam o juro elevado, a queda das margens e a mudança na postura dos credores. A alienação fiduciária, que avançou nas operações de custeio, altera o grau de risco para quem oferece máquinas, terras ou outros bens em garantia. Além disso, mudanças no provisionamento bancário tornaram as instituições mais cautelosas para renegociar e mais rápidas para executar.

“Procure quem entende do assunto. Alguém que conheça o sistema do credor, o calendário do tribunal, o contrato que você assinou e o que está disponível para você nesta fase específica em que você está. A vergonha que te impede de pedir ajuda hoje vai parecer pequena perto do peso que vai chegar amanhã se você continuar empurrando. Quem alimenta o país tem direito a saber das ferramentas que existem para defender o que construiu. Eu sigo falando para que você decida cedo. O resto, só depende de você”, conclui.

 





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Projeto amplia uso de etanol nos Estados Unidos



Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação


Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação
Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação – Foto: Divulgação (IA)

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma proposta que permite a venda do combustível E15 durante todo o ano no país. A medida amplia o uso de uma mistura com até 15% de etanol na gasolina e agora segue para análise do Senado norte-americano. O tema mobiliza entidades ligadas ao agronegócio e aos biocombustíveis, que defendem impactos positivos para produtores rurais, consumidores e para a segurança energética do país.

A chamada Lei Nacional de Escolha do Consumidor e do Varejista de Combustíveis foi retirada do projeto da lei agrícola aprovado pela Câmara no fim de abril. Segundo entidades do setor, a ampliação da comercialização do E15 pode aumentar a demanda por milho, principal matéria-prima do etanol nos Estados Unidos, além de reduzir custos para motoristas.

A American Coalition for Ethanol afirmou que a medida pode ajudar consumidores diante da alta dos preços dos combustíveis e contribuir para reduzir impactos de possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo. A entidade também destacou o cenário econômico enfrentado pelos agricultores americanos, que convivem com queda de renda e aumento dos custos de produção.

Dados da Renewable Fuels Association indicam que o E15 já está disponível em mais de 4,8 mil postos de combustíveis nos Estados Unidos. A associação afirma que a mistura oferece economia de até 40 centavos de dólar por galão em relação à gasolina convencional. Nos últimos dias, o desconto médio em comparação ao E10, mistura padrão no país, superou 10%.

Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação da proposta. A Associação Nacional de Produtores de Milho afirmou que a medida pode fortalecer economias rurais e ampliar o mercado interno para o cereal em um momento de sucessivos prejuízos no campo.

Por outro lado, a Associação Americana de Soja demonstrou preocupação com impactos negativos para produtores da oleaginosa. A entidade informou que análises recentes apontam possível redução da renda líquida agrícola devido às isenções previstas para pequenas refinarias no projeto. A associação afirmou que continuará buscando alternativas que permitam o uso do E15 sem prejuízos ao mercado da soja.

 





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EUA enviam trigo para assistência alimentar



O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte


O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte
O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte – Foto: Pixabay

A assistência alimentar internacional voltou a ter destaque com o anúncio de um novo envio de produtos agrícolas para países que enfrentam insegurança alimentar. A iniciativa prevê o uso de grãos e outros alimentos em programas emergenciais, com foco em regiões afetadas por dificuldades de abastecimento e acesso à comida.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou em 13 de maio que 20 mil toneladas de trigo cultivado no país serão enviadas no âmbito do programa Alimentos para a Paz. O carregamento faz parte de uma ação mais ampla, estimada em US$ 452 milhões, que prevê o envio total de 211 mil toneladas de produtos agrícolas a países como Etiópia, Quênia e Haiti.

O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte e deve atender programas emergenciais de alimentação. Além do trigo, a iniciativa inclui outros produtos agrícolas, como arroz e sorgo. O trigo será destinado a ações na África Oriental, com distribuição pelo Programa Mundial de Alimentos.

Representantes da US Wheat Associates destacaram a concessão como a primeira remessa de trigo sob a administração do programa Alimentos para a Paz pelo USDA. A entidade também avaliou que a participação do órgão reforça o papel dos Estados Unidos não apenas como vendedor de grãos, mas como parceiro em ações de combate à fome.

A Lei de Alimentos para a Paz, também conhecida como Lei Pública 480, foi sancionada em 1954 pelo então presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower. Desde sua criação, o trigo norte-americano tem sido uma mercadoria relevante na assistência alimentar, frequentemente representando metade da ajuda em espécie e consumindo cerca de 1 milhão de toneladas do produto por ano.

Em dezembro de 2025, o USDA e o Departamento de Estado dos EUA assinaram um acordo interinstitucional para que o USDA assumisse a administração do programa. O órgão já opera outras iniciativas internacionais de alimentação em espécie, como o McGovern-Dole Alimentos para a Educação e o Alimentos para o Progresso. Uma transferência permanente, porém, dependeria de ação do Congresso.

 





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Mercado avalia impactos da produção de arroz


A colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul está praticamente encerrada e o mercado passa agora a avaliar com mais clareza o tamanho da safra e seus efeitos sobre a comercialização. As informações são de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, com base em números divulgados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA).

A safra 2025/26 atingiu 98,68% da área colhida no Estado, com produtividade média de 8.818 quilos por hectare. Na prática, esse desempenho projeta uma produção próxima de 7,76 milhões de toneladas de arroz em casca apenas no Rio Grande do Sul, volume considerado extremamente relevante para a formação do mercado nacional.

Os dados indicam avanços expressivos nas principais regiões produtoras. A Fronteira Oeste aparece com 98,41% da área colhida e produtividade média de 9.068 quilos por hectare, mantendo a liderança estadual em rendimento. A Zona Sul também apresenta desempenho forte, com 99,69% da colheita concluída e média de 9.033 quilos por hectare, consolidando uma safra tecnicamente excelente.

A Campanha alcançou 99,43% da área colhida, com produtividade média de 8.743 quilos por hectare. A Região Central registra 96,74% de avanço e média de 8.473 quilos por hectare. Na Planície Costeira Externa, a colheita chegou a 98,68%, com rendimento médio de 8.262 quilos por hectare, enquanto a Planície Costeira Interna atingiu 98,99%, com média de 8.890 quilos por hectare.

Com a colheita praticamente concluída, a atenção do setor se desloca para a capacidade de escoamento interno, o ritmo das exportações e o poder financeiro da indústria e dos produtores para retenção de estoques. O desafio deixa de ser produzir bem e passa a ser comercializar bem.

Apesar do resultado técnico positivo no campo, o setor enfrenta crédito caro, custos elevados de carregamento e necessidade de maior fluidez comercial. Também será importante acompanhar o comportamento do Mercosul e da Ásia nos próximos meses, diante do aumento global dos custos de diesel, fertilizantes e financiamento agrícola. Em uma safra cheia, a falta de estratégia comercial pode ampliar a pressão sobre as margens da cadeia.

 





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Exigência europeia reacende debate sanitário



A análise também aponta a existência de um componente político


A análise também aponta a existência de um componente político
A análise também aponta a existência de um componente político – Foto: Divulgação

A decisão europeia sobre a conformidade para exportação de proteínas animais colocou em debate a relação entre exigências regulatórias, rastreabilidade e competitividade no comércio internacional de alimentos. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio diretor da Athenagro, a exclusão do Brasil da lista da União Europeia de países com conformidade reconhecida não deve ser interpretada como um embargo imediato às carnes brasileiras.

A avaliação é que a medida está mais ligada à cobrança por comprovação documental do sistema produtivo do que à identificação de um risco sanitário comprovado. A União Europeia passou a exigir equivalência regulatória completa sobre o uso de antimicrobianos, incluindo controle veterinário, monitoramento e registros ao longo de toda a vida produtiva dos animais.

Nesse contexto, a rastreabilidade ganha peso central. O bloco europeu quer garantias de que os processos adotados nos países exportadores sejam equivalentes aos aplicados internamente, especialmente no controle de substâncias utilizadas na produção animal. O caso da monensina e de outros ionóforos passou a receber maior atenção justamente porque há questionamentos sobre a diferença entre o que a Europa permite em seu mercado interno e o nível de comprovação exigido de fornecedores externos.

A análise também aponta a existência de um componente político e comercial relevante. Produtores rurais europeus, especialmente franceses, têm pressionado por regras mais rígidas, em meio à preocupação com a competitividade das proteínas do Mercosul no mercado europeu. A discussão ocorre em paralelo ao avanço do acordo Mercosul–União Europeia, em um cenário no qual exigências sanitárias podem funcionar, na prática, como barreiras não tarifárias.

Apesar da preocupação, o impacto econômico imediato tende a ser limitado para o Brasil. A União Europeia representa hoje uma fatia menor das exportações brasileiras de proteína animal na comparação com mercados como China, Estados Unidos, Oriente Médio e países do Sudeste Asiático. Assim, não há indicação de colapso comercial no curto prazo, embora o país precise contornar a restrição iminente, prevista para começar em setembro.

 





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Fertilizante caro amplia desafio da safra



O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta


O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta
O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta – Foto: Canva

A relação de troca entre soja e fertilizantes fosfatados segue pressionada e amplia a preocupação sobre o poder de compra do produtor rural neste momento da temporada. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o índice que compara a soja no porto com o preço do map no porto chegou ao maior valor da série histórica para o período.

O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta para operações de barter, mas funciona como um parâmetro para medir a capacidade de compra do produtor. A avaliação mais precisa, no entanto, depende da regionalização dos custos e das condições de mercado em cada praça.

O ponto central é que a relação entre soja e MAP está em patamar mais desfavorável do que em outros momentos recentes. Há uma diferença importante em relação a 2022, período marcado pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele ano, a relação de troca começou a melhorar a partir de maio. Agora, até o momento, esse movimento ainda não aparece.

Os preços do MAP seguem firmes no mercado brasileiro, com indicações entre US$ 900 e US$ 930 por tonelada CFR Brasil, sem sinais claros de queda. O SSP chegou a registrar alguns reajustes, mas de forma pontual. Esse cenário reforça as dúvidas sobre o tamanho real da demanda por fósforo no Brasil neste ano, especialmente diante de uma restrição de oferta considerada evidente no quadro global.

O ambiente é visto como desafiador também pelo encurtamento das janelas de compra e aplicação. Ao mesmo tempo, a soja não tem apresentado reação suficiente para aliviar a pressão sobre a relação de troca. Os avanços pontuais nos preços têm duração curta e não alteram de forma consistente o quadro para o produtor.

Nesta semana, a soja voltou a encerrar com queda relevante em Chicago. O encontro entre Trump e Xi frustrou o mercado, que esperava possíveis avanços ligados à oleaginosa. Como isso não ocorreu, a pressão sobre as cotações permaneceu, mantendo a relação de troca com o MAP em nível historicamente elevado para o período.

 





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