terça-feira, julho 21, 2026

Política & Agro

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Câmbio puxa preços da soja no Brasil



Cotações avançam mesmo diante da menor oferta de cotas



Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de soja segue aquecido desde junho e iniciou julho com demanda ainda mais firme. Segundo dados divulgados pelo Cepea, a valorização do dólar frente ao Real tem favorecido a competitividade do produto nacional no exterior, sustentado os prêmios de exportação e incentivado negociações antecipadas.

O movimento tem dado suporte aos preços da soja em grão no mercado interno. De acordo com o Cepea, as cotações avançam mesmo diante da menor oferta de cotas portuárias disponíveis para embarques imediatos, fator que limita parte das operações no curto prazo.

O maior apetite dos compradores internacionais pela soja brasileira também tem levado ao fechamento de negócios para embarques em novembro, segundo pesquisadores do Cepea. Na temporada anterior, esse tipo de negociação começou apenas em agosto e, ainda assim, já era visto pelo mercado como um movimento antecipado.

Em 2026, a comercialização ocorre de forma ainda mais acelerada, de acordo com o Centro de Pesquisas. O avanço reflete a combinação entre câmbio favorável, prêmios de exportação mais elevados e demanda externa consistente pela oleaginosa brasileira.

 





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Idaf orienta agroindústria de leite de búfala para obtenção do Selo D’Colônia em Cruzeiro do Sul


Com o objetivo de fortalecer a agroindústria familiar e ampliar as oportunidades de comercialização de produtos de origem animal, o governo do Acre, por meio do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), realizou, na manhã desta sexta-feira, 3, uma visita técnica à agroindústria Carvalac, em Cruzeiro do Sul, produtora de iogurte de leite de búfala. A ação teve como foco orientar os produtores sobre as adequações necessárias para a obtenção do Selo D’Colônia.

O Selo D’Colônia é uma certificação do governo do Acre, executada pelo Idaf, voltada aos empreendimentos da agricultura familiar e da produção artesanal. A iniciativa facilita o acesso ao Serviço de Inspeção Estadual (SIE), promovendo a regularização sanitária e permitindo a comercialização legal e segura de produtos como leite e derivados, queijos, mel, ovos e pescados.

“A iniciativa de levar a equipe técnica até o local de produção fortalece a agroindústria familiar no estado. Nosso papel é orientar os produtores para que atendam às exigências sanitárias, agreguem valor aos seus produtos e possam conquistar novos mercados com segurança e qualidade”, destaca a médica veterinária do Idaf, Soraia Aguiar.

Durante a visita, a equipe técnica avaliou as instalações, acompanhou o processo de fabricação e apresentou as adequações necessárias para que a agroindústria atenda à legislação vigente. O trabalho busca garantir que o estabelecimento cumpra os padrões higiênico-sanitários exigidos, oferecendo ao consumidor um alimento seguro e de alta qualidade.

Para o produtor Onilton de Carvalho Francisco, a obtenção do Selo D’Colônia representa um importante passo para o crescimento do empreendimento familiar.

“Quando a equipe do Idaf conheceu nosso produto durante a Expoacre Juruá, apresentou o Selo D’Colônia e explicou os benefícios que ele pode trazer para a nossa agroindústria. Nosso objetivo é ampliar a comercialização do iogurte de leite de búfala, porque acreditamos na qualidade do produto e sabemos que ele tem grande potencial de mercado. É dessa atividade que tiramos o sustento da nossa família”, afirmou.

Além das orientações técnicas, a visita reforçou o potencial da agroindústria para a obtenção do Selo D’Colônia. O iogurte de leite de búfala ganhou destaque durante a Expoacre Juruá, onde foi muito bem aceito pelo público. A excelente receptividade dos consumidores, aliada à qualidade do produto e às suas características diferenciadas, evidencia seu potencial para conquistar novos mercados e fortalecer a agroindústria familiar acreana.

“O iogurte de leite de búfala nos surpreendeu pela excelente aceitação durante a Expoacre Juruá. O retorno extremamente positivo do público demonstra que se trata de um produto de alta qualidade e com grande potencial de mercado. O Selo D’Colônia vem para agregar credibilidade, garantir a segurança dos alimentos e abrir novas oportunidades de comercialização, valorizando a produção artesanal e fortalecendo a agricultura familiar do Acre”, ressalta a médica veterinária do Idaf, Soraia Aguiar.





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Exportações de algodão batem recorde em junho


As exportações brasileiras de algodão atingiram em junho de 2026 o maior volume já registrado para o mês. Foram embarcadas 217 mil toneladas da fibra, alta de 63,4% em relação a junho de 2025. A receita somou US$ 350,6 milhões, avanço de 64,1% na comparação anual.

Segundo dados da Secex, divulgados pelo MDIC, o resultado reforça o ritmo forte dos embarques no primeiro semestre. Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã concentraram 71,1% do total exportado no mês. Bangladesh liderou as compras, com 21,7%, seguido por Turquia, com 17,7%, Paquistão, com 17,4%, e Vietnã, com 14,3%.

A Anea avalia que o desempenho também marcou o encerramento positivo do ciclo comercial 2025/2026. Mesmo após um início mais lento, o país registrou recordes mensais em sete dos 12 meses da safra e ampliou espaço em mercados estratégicos. Bangladesh e Turquia alcançaram volumes históricos de compras, enquanto a Índia mais do que dobrou seu maior resultado anterior.

“Apesar de um início de safra mais lento, em função de atrasos gerais, o Brasil conseguiu manter volumes elevados ao longo do período e registrar recordes mensais de exportação em sete dos 12 meses da safra, outubro, novembro, dezembro, março, abril, maio e junho. “Foi uma safra muito boa, de ponta a ponta. Mesmo com um início mais fraco, o Brasil conseguiu exportar volumes expressivos, bater recordes em vários meses e ganhar espaço em mercados importantes para o algodão brasileiro”, afirma o presidente da Anea, Dawid Wajs.

O algodão respondeu por 0,97% das exportações brasileiras em junho e ocupou a 17ª posição na pauta nacional. No agro, representou 4,31% dos embarques e ficou em terceiro lugar. A diversificação logística também avançou, com Santos ainda na liderança e maior participação de Salvador e outros portos. “Salvador tem se tornado um porto cada vez mais importante para o algodão brasileiro. Santos continua dominante, mas outros portos vêm ajudando a exportar a fibra nacional, o que é positivo para a logística do setor”, afirma o presidente da Anea.

 





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Cessar-fogo provavelmente terminará se ataques israelenses ao Líbano…


Logotipo Reuters

 

Por Yomna Ehab

DUBAI, 1 Jun (Reuters) – É muito provável que o cessar-fogo acordado entre o Irã e os Estados Unidos no início de abril termine se os ataques israelenses contra o Hezbollah, apoiado por Teerã no Líbano, persistirem, disse a TV estatal iraniana nesta segunda-feira, sem fornecer mais detalhes.

Mais cedo, a agência de notícias estatal iraniana Tasnim disse que Teerã estava interrompendo as negociações indiretas com os EUA depois que Israel ordenou que suas tropas se aprofundassem no Líbano, complicando os esforços diplomáticos para pôr fim a três meses de guerra.

Não houve confirmação imediata das informações por parte das autoridades iranianas, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, disse a um repórter da NBC que não tinha recebido informações do Irã sobre qualquer suspensão das negociações. Trump também disse que muito foi dito publicamente, acrescentando: “Acho que ficar em silêncio seria muito bom”.

Em sua reportagem, Tasnim disse que a equipe de negociação do Irã estava parando de trocar mensagens com Washington por meio de mediadores sobre os ataques ao Líbano, onde a guerra dos EUA e Israel contra o Irã reacendeu o conflito de Israel com o Hezbollah.

A medida representa mais um obstáculo para as esperanças de um fim rápido para a crise, depois que o Irã disse que havia atacado uma base aérea dos EUA após os ataques dos EUA no fim de semana contra alvos militares iranianos, o que colocou ainda mais pressão sobre um frágil cessar-fogo.

Os preços do petróleo subiram mais de US$6 por barril após a reportagem da Tasnim.

ATAQUES ISRAELENSES NO LÍBANO

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques aos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, nesta segunda-feira, provocando outra onda de deslocamento em um conflito que já deslocou mais de 1 milhão de pessoas no Líbano.

O gabinete de Netanyahu acusou o Hezbollah de repetidas violações de um cessar-fogo acordado no final de abril.

Trump reiterou anteriormente nas mídias sociais que acreditava que Teerã queria chegar a um acordo. Mas as esperanças de um avanço foram atenuadas por comentários de autoridades iranianas que criticaram a “constante mudança” da postura de negociação dos EUA.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também mencionou o Líbano, onde outro cessar-fogo está em vigor, como um obstáculo.

“A violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, disse ele no X.

Em resposta aos avisos israelenses de retirada para os moradores de Beirute, o comandante do Comando Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ali Abdollahi, disse em um comunicado divulgado pela mídia estatal que as pessoas que vivem no norte de Israel devem “deixar a área se não quiserem ser prejudicadas”.

A guerra lançada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Ela também causou problemas econômicos ao redor do mundo ao elevar os preços da energia desde que o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma rota vital de fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.

CESSAR-FOGO DESGASTADO

A Tasnim disse que o Irã e a Frente de Resistência, que inclui seus aliados xiitas no Iêmen, Líbano e Iraque, estabeleceram uma agenda para bloquear completamente o estreito e ativar outras frentes, incluindo o Estreito de Bab El Mandeb, para “punir” Israel e seus apoiadores.

Se os houthis, aliados do Irã no Iêmen, abrirem uma nova frente no conflito, um alvo óbvio seria o Estreito de Bab El Mandeb, na costa do Iêmen, um ponto de estrangulamento de navegação e uma passagem estreita que controla o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez.

Referindo-se às exigências do Irã sobre o Líbano, a Tasnim disse que “não haverá conversações até que as posições do Irã e da resistência sobre esse assunto sejam atendidas”.

De acordo com fontes iranianas próximas aos tomadores de decisão, Teerã está pressionando por um acordo provisório limitado com os EUA em uma tentativa de aliviar a crescente pressão econômica e estabilizar a situação interna, evitando grandes concessões em seu programa nuclear.

O Irã e os EUA têm trocado fogo esporádico apesar do cessar-fogo, enquanto o Paquistão tem tentado mediar um acordo de paz duradouro.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, expressou preocupação com a sustentabilidade do cessar-fogo nesta segunda-feira, durante conversas com seu colega iraniano Abbas Araqchi, informou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão.

Os militares dos EUA disseram que no fim de semana atingiram as defesas aéreas iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones que estavam ameaçando navios após “ações agressivas do Irã”, incluindo o abate de um drone dos EUA sobre águas internacionais.

A Guarda Revolucionária do Irã disse nesta segunda-feira que tinha como alvo uma base aérea usada pelos EUA em resposta a um ataque no sul do Irã.

A Guarda não identificou a base, mas o Kuweit ativou as defesas aéreas na segunda-feira e denunciou os ataques iranianos com mísseis e drones, que, segundo ele, estavam prejudicando os esforços para reduzir as tensões na região.

(Reportagem dos escritórios da Reuters; Redação de Lincoln Feast, Timothy Heritage e Gareth Jones; Edição de Raju Gopalakrishnan, Alex Richardson e Andrew Heavens)





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a trajetória do cacau brasileiro


No Dia Mundial do Chocolate, celebrado nesta terça-feira (7), o Brasil revisita uma trajetória de altos e baixos que marca sua relação com o cacau: de potência mundial na virada do século 20 a vítima de uma das pragas mais devastadoras da agricultura nacional — e agora, décadas depois, em processo de recuperação gradual, puxado por Bahia e Pará.

O cacau chegou ao Brasil ainda no século 17 e encontrou na Bahia o solo ideal para prosperar, transformando o estado no principal polo produtor nacional e em um gigante mundial da cultura no início do século 20. Essa fase de expansão sustentou a economia regional e atraiu investimentos por décadas, até que, entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990, a vassoura-de-bruxa — doença causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa — se espalhou pelas lavouras baianas. A praga dizimou plantações inteiras, derrubou drasticamente os volumes produzidos e provocou uma crise socioeconômica profunda na região, da qual o setor levaria décadas para começar a se recuperar.

O cenário atual, no entanto, aponta para uma retomada. Dados preliminares do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projetam crescimento de 5,3% no volume de cacau produzido na Bahia em 2026 na comparação com 2025 — sinal de recomposição gradual depois de anos de retração agrícola na região. O movimento é puxado, em parte, pela valorização do cacau tanto no mercado nacional quanto no internacional, o que tem estimulado novos investimentos na cultura. A retomada também aparece nos números mais recentes da cadeia: o recebimento de amêndoas no primeiro trimestre de 2026 cresceu 61,1% frente ao mesmo período do ano passado, com Bahia e Pará concentrando praticamente toda a produção nacional, enquanto o Pará desponta como nova fronteira produtiva do cacau brasileiro.

A força de uma associação criada há mais de 20 anos

Parte dessa reorganização do setor tem origem em 2004, quando as principais indústrias moageiras identificaram a necessidade de uma entidade que representasse a cadeia diante dos desafios e oportunidades de crescimento do mercado. Nascia ali a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), formada desde então por Barry Callebaut, Cargill e Olam, com a chegada da IBC como nova associada em 2024. Juntas, essas empresas respondem por algo entre 93% e 95% de toda a compra e moagem de cacau no país — uma concentração que dá à AIPC papel central no debate sobre o futuro da cultura.

A cadeia do cacau vai muito além da moagem: segundo a associação, o setor sustenta mais de 4.000 empregos diretos e indiretos e integra uma rede de mais de 120 mil pessoas, entre produtores rurais e indústrias de chocolate, gerando cerca de R$ 23 bilhões por ano em valor para o país.

Chocolate em alta, mas com espaço para crescer

O avanço da matéria-prima tem reflexo direto na mesa do brasileiro. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o país produziu 805 mil toneladas de chocolate em 2024, volume que subiu para 814 mil toneladas em 2025. Os números de 2026 ainda não fecharam, mas o presidente da entidade, Jaime Recena, estima que a produção segue em trajetória de crescimento.

Ainda assim, o brasileiro consome bem menos chocolate que os grandes mercados mundiais: o consumo per capita no país é de quase 4 kg por ano, contra 9 kg a 10 kg por ano nos mercados norte-americano e europeu, de acordo com Recena — uma distância que a indústria enxerga como potencial de expansão para os próximos anos.

Preço elevado ainda pesa sobre a cadeia

Se a produção brasileira vive um momento de retomada, o mercado internacional segue em um patamar de preços que ajuda a explicar por que o chocolate não chega mais barato ao consumidor. Depois de meses de forte volatilidade, as cotações internacionais mostram sinais de acomodação, mas seguem elevadas: segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), o preço diário da commodity foi de US$ 5.169,23 por tonelada em 1º de julho de 2026, recuando para US$ 5.116,52 por tonelada no dia seguinte. Nos contratos futuros de Nova York, as cotações ficaram em US$ 5.178,33 e US$ 5.141,67 por tonelada nos mesmos dias, enquanto em Londres os contratos fecharam em £ 3.883,00 e £ 3.811,33 por tonelada.

Mesmo abaixo dos picos históricos do período de escassez global, o mercado avalia que o cacau entrou em um novo patamar de preços, estruturalmente mais alto que o observado em anos anteriores. Para a indústria de chocolates e derivados, o desafio deixou de ser apenas a oscilação diária das bolsas e passou a ser o custo elevado da matéria-prima como um todo — o que reduz margens, limita promoções e mantém pressionados os preços de barras, bombons, coberturas, achocolatados e insumos usados pela confeitaria. No Brasil, as cotações acompanham esse movimento externo, somado a fatores internos como logística, disponibilidade de produto, qualidade das amêndoas e variação cambial.

É nesse cruzamento entre retomada histórica e preço internacional ainda pressionado que o Dia Mundial do Chocolate encontra o setor em 2026: mais de três décadas depois da crise causada pela vassoura-de-bruxa, o cacau brasileiro volta a crescer, mas o caminho até uma barra de chocolate mais acessível ainda passa por um mercado global em reacomodação.





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Reconstrução depende de limites e compromisso



“Sua reconstrução também começa aí: não apenas no desenho das normas”


“Sua reconstrução também começa aí: não apenas no desenho das normas"
“Sua reconstrução também começa aí: não apenas no desenho das normas” – Foto: Pixabay

A erosão institucional avança quando regras formais continuam existindo, mas perdem eficácia, legitimidade e capacidade de orientar a vida pública. A análise é de Antônio Márcio Buainain, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do CEA/IE/Unicamp e do INCT/PPED.

Segundo o autor, o Brasil construiu instituições relevantes desde a Constituição de 1988, com ampliação de direitos, transparência, participação social e mecanismos de controle. O problema está na distância entre o desenho formal e as condutas necessárias para sustentar essas estruturas.

A crise aparece na ineficácia, na aplicação seletiva das regras, na captura por interesses específicos, na judicialização excessiva, na opacidade orçamentária e na perda de autoridade do Estado. Também se manifesta quando relações privadas e privilégios enfraquecem a impessoalidade das funções públicas.

Para Buainain, a legalidade é indispensável, mas não basta. A reconstrução depende de instituições mais eficazes e transparentes, acompanhadas de autocontenção, responsabilidade, respeito aos limites e compromisso com o interesse público.

“Sua reconstrução também começa aí: não apenas no desenho das normas, mas no modo como autoridades, organizações e cidadãos escolhem agir quando a regra permite abusar, a conjuntura estimula radicalizar e a vantagem imediata recomenda esquecer o interesse público. Instituições melhores são indispensáveis. Mas nenhuma instituição será melhor do que os comportamentos que aceitarmos como normais dentro dela”, conclui.





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Dólar forte e El Niño devem ditar preços no 2º semestre


Um El Niño forte, o dólar em alta e a guerra no Oriente Médio devem comandar o comportamento das commodities no terceiro trimestre de 2026. É o que aponta a StoneX, que divulgou nesta terça-feira (7) a 36ª edição do seu Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities. Segundo dados divulgados, três frentes vão concentrar as atenções do mercado nos próximos meses: os rumos do conflito no Oriente Médio, a permanência de condições financeiras restritivas nas grandes economias e a possibilidade de um El Niño de intensidade forte e historicamente relevante. Juntos, esses fatores devem pressionar preços, margens e o fluxo de comércio internacional de commodities.

Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX, resume o momento como de complexidade elevada: “Entramos no terceiro trimestre em um ambiente de elevada complexidade para os mercados globais. Geopolítica, política monetária e clima seguem exercendo influência simultânea sobre os preços das commodities, exigindo atenção redobrada de empresas e participantes das cadeias produtivas. Nosso relatório busca justamente traduzir esses movimentos e identificar os fatores que podem gerar riscos ou oportunidades nos próximos meses.”

Para grãos e oleaginosas, de acordo com a StoneX, o abastecimento ainda é confortável no curto prazo, mas isso não afasta os riscos: o calor intenso já registrado no início do verão nos Estados Unidos e em regiões produtoras da Europa acende um sinal de alerta sobre a produtividade das lavouras. Some-se a isso o custo elevado de insumos como fertilizantes e energia, que pode influenciar as decisões de plantio da próxima safra no Hemisfério Sul.

O mercado de fertilizantes deve ter um comportamento desigual, aponta o relatório. A volta das exportações chinesas de ureia e o arrefecimento das tensões no Oriente Médio tendem a beneficiar quem compra — mas nem todos os segmentos vão sentir o alívio da mesma forma. Enquanto os nitrogenados seguem com suporte de demanda de países como Brasil e Índia, os fosfatados continuam travados por restrições na oferta de enxofre e custos de produção que não cedem.

Já no setor de energia, a StoneX projeta que a guerra envolvendo o Irã continue sendo o principal fator de influência sobre os preços do petróleo. Mesmo com uma acomodação recente das cotações, a oferta global se recupera em ritmo lento, enquanto a demanda segue aquecida — puxada pela Ásia e pela atividade forte das refinarias nos Estados Unidos. O resultado é um equilíbrio entre oferta e demanda que deve permanecer apertado.

As soft commodities devem seguir caminhos distintos, segundo a StoneX. O algodão tem preços sustentados pela combinação de produção global menor com demanda asiática mais forte. O café, por outro lado, deve sentir a pressão da entrada da safra recorde do Brasil no mercado — ainda que estoques baixos, atrasos na colheita e riscos climáticos sirvam de contrapeso. O açúcar segue refém da oferta ampla do Centro-Sul brasileiro, enquanto o cacau dá sinais de acomodação, beneficiado pela retomada da produção na África Ocidental, mesmo com a volatilidade ainda alta.

Para os metais, a StoneX projeta cenários diferentes conforme o tipo. Ouro e prata permanecem sensíveis à tensão entre riscos geopolíticos e a postura rígida do Federal Reserve. Os metais industriais, por sua vez, seguem com demanda firme puxada pela inteligência artificial, pela transição energética e pela formação de estoques estratégicos — embora juros altos, dólar forte e sinais mistos da indústria global limitem altas mais fortes.

No câmbio, a expectativa da StoneX é de que o USD/BRL continue pressionado para cima pela diferença entre as políticas monetárias dos Estados Unidos e do Brasil. A manutenção — ou até uma eventual alta — dos juros americanos, somada a novos cortes esperados na Selic, deve seguir favorecendo o dólar frente ao real. “O fortalecimento do dólar e a perspectiva climática para a safra 2026/27 são dois temas que merecem atenção especial neste trimestre. Ambos têm potencial para gerar impactos relevantes sobre custos, margens e formação de preços em diferentes cadeias de commodities”, complementa Andrioli.





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Frente fria traz temporais e reforça onda de frio


Uma nova frente fria acompanhada por uma intensa massa de ar polar deve avançar pelo Brasil a partir de sexta-feira (10), provocando chuva forte, temporais e queda das temperaturas na Região Sul. De acordo com informações do Meteored, o sistema também deve manter o frio intenso e o risco de geadas ao longo da próxima semana.

Nos últimos dias, outra frente fria atuou sobre o país associada a uma massa de ar frio, provocando chuva e redução das temperaturas em grande parte do centro-sul brasileiro. O sistema, porém, já deixou de influenciar a Região Sul, onde esta terça-feira (7) será marcada por tempo aberto, seco e estável.

Segundo o Meteored, após um período de dias ensolarados e sem chuva, uma nova mudança nas condições do tempo está prevista para sexta-feira (10). A expectativa é de formação de nuvens e pancadas de chuva nos três estados da Região Sul ao longo do dia.

As previsões indicam que as tempestades devem ganhar força durante o fim de semana. No sábado (11), a queda da pressão atmosférica sobre a Região Sul tende a intensificar as chuvas em praticamente todo o território da região, com exceção do sudoeste do Rio Grande do Sul.

Com o fortalecimento da frente fria, o Meteored alerta para aumento do risco de transtornos, incluindo interrupções no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos, pequenos deslizamentos e incidência de descargas elétricas, especialmente durante o sábado.

A análise meteorológica aponta que a maior frequência de ciclones e frentes frias em julho está relacionada à mudança no comportamento da Oscilação Antártica, cujo índice começa a migrar de valores positivos para negativos.

Na prática, segundo o Meteored, valores negativos desse índice favorecem a atuação mais frequente de sistemas transientes sobre a Região Sul, como ciclones e frentes frias de curta duração e deslocamento rápido, capazes de provocar tempestades mais intensas.

Além da chuva, a frente fria será acompanhada por uma massa de ar polar que avançará pelo país durante o fim de semana. O sistema deve provocar queda das temperaturas na Região Sul a partir de domingo (12) e manter o frio intenso ao longo da próxima semana, com possibilidade de atingir também áreas do Sudeste e do Centro-Oeste.

Embora os modelos meteorológicos não indiquem temperaturas negativas nas áreas serranas da Região Sul, o Meteored informa que permanece o risco de temperaturas muito baixas e de novas geadas. O pico do frio está previsto entre terça-feira (14) e quarta-feira (15) da próxima semana.





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Mercado do boi gordo perde força


O mercado do boi gordo iniciou a semana sob pressão em São Paulo, com compradores ofertando valores menores enquanto os pecuaristas resistiam às novas referências. De acordo com a análise desta segunda-feira (6) do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, o cenário resultou em menor volume de negócios, embora parte das negociações tenha sido concluída.

Segundo a consultoria, a oferta de compra abaixo das referências reduziu o ritmo das negociações. Os frigoríficos que já estavam ativos mantiveram os preços praticados anteriormente, enquanto as indústrias que retomaram as compras na terça-feira passaram a trabalhar com valores mais baixos.

A Scot Consultoria informa que a oferta de animais permaneceu ajustada à demanda. No entanto, o consumo interno continuou abaixo do esperado e as vendas não apresentaram recuperação, mesmo após a virada do mês. Além disso, diminuiu o interesse por bovinos jovens aptos à exportação, fator que contribuiu para o enfraquecimento do mercado.

Nesse cenário, as cotações do boi gordo, do chamado “boi China” e da novilha recuaram R$ 3,00 por arroba na comparação diária. Para a vaca, os preços permaneceram estáveis. As escalas de abate atendiam, em média, uma semana.

No sudoeste de Rondônia, o movimento também foi de queda. O boi gordo e o “boi China” perderam R$ 3,00 por arroba, enquanto a novilha registrou retração de R$ 2,00 por arroba. A vaca manteve estabilidade nas cotações.

Conforme a análise da Scot Consultoria, havia resistência dos pecuaristas em aceitar preços menores. Apesar disso, os negócios seguiram lentos e as compras ocorreram de forma moderada, permitindo o preenchimento gradual das escalas de abate, sem necessidade de alongamento por parte dos frigoríficos. Na região, as escalas também atendiam, em média, uma semana.

No oeste do Maranhão, a cotação do boi gordo caiu R$ 3,00 por arroba na comparação diária. Para as demais categorias, os preços permaneceram inalterados. As escalas de abate na região atendiam, em média, seis dias, segundo o levantamento da Scot Consultoria.





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Geadas persistem e chuva fica restrita ao Norte


A atuação de um sistema de alta pressão deve manter o tempo estável entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9) em grande parte do Centro-Sul do Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, a previsão indica predomínio de céu com pouca nebulosidade e ausência de chuva na maior parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Com esse cenário, a área de baixa umidade relativa do ar deve avançar na quinta-feira (9), principalmente sobre São Paulo e todo o Centro-Oeste. As chuvas ficam concentradas no extremo norte da Região Norte e na faixa litorânea do Nordeste, com maiores volumes previstos entre o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará na quarta-feira. Também há previsão de nevoeiro em áreas do Sul e do Sudeste durante as primeiras horas da manhã.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, os principais destaques do período são os avisos de baixa umidade para áreas do interior das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e norte do Paraná, além dos alertas de geada para a Região Sul, sul de Mato Grosso do Sul e região serrana do sul de Minas Gerais. As temperaturas seguem baixas durante as madrugadas no Centro-Sul, com mínimas próximas de 0°C nas áreas serranas da Região Sul e de 3°C no sul de Mato Grosso do Sul. Já as maiores máximas do país permanecem entre o centro-sul do Pará e o Tocantins, podendo alcançar entre 36°C e 38°C.

Na Região Norte, entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9), o tempo permanece quente e úmido no extremo norte, favorecendo pancadas de chuva sobre o norte do Amazonas, Roraima, noroeste do Pará e Amapá. As menores temperaturas, em torno de 16°C, devem ser registradas no sul de Rondônia e do Tocantins. Em contrapartida, o centro-sul do Pará e grande parte do Tocantins terão máximas entre 36°C e 38°C, além dos menores índices de umidade relativa do ar, inferiores a 30%. Nessas áreas, o Instituto Nacional de Meteorologia mantém aviso amarelo para baixa umidade, com índices entre 20% e 30%, válido para os dois dias.

Na Região Nordeste, a previsão restringe as chuvas à faixa litorânea entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9). O destaque é o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, onde são esperados os maiores acumulados na quarta-feira, com aviso amarelo para chuvas intensas. Nas demais áreas do litoral, as precipitações devem ocorrer de forma localizada. No interior nordestino, o tempo permanece quente e seco, com umidade mínima entre 20% e 30%, principalmente no Sertão. Maranhão, Piauí, sul do Ceará, oeste de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e da Bahia concentram os menores índices de umidade. As mínimas variam entre 10°C e 12°C, enquanto as máximas ficam entre 35°C e 37°C.

Na Região Centro-Oeste, o tempo seguirá estável e sem previsão de chuva entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9). As temperaturas máximas permanecem elevadas no centro-norte de Mato Grosso e no noroeste de Goiás, variando entre 34°C e 36°C. O período será marcado pelo predomínio de sol e poucas nuvens, com destaque para a baixa umidade relativa do ar, que deve atingir quase toda a região, especialmente na quinta-feira, quando os índices podem variar entre 20% e 30% durante a tarde. Outro destaque é o declínio das temperaturas mínimas no centro-sul de Mato Grosso do Sul, onde os termômetros podem marcar 3°C após a passagem de uma frente fria, favorecendo a formação de geada. Para essa condição, o Instituto Nacional de Meteorologia mantém aviso amarelo. A partir de quinta-feira, as temperaturas voltam a subir gradualmente no estado, mas as mínimas ainda devem variar entre 5°C e 7°C.

Na Região Sudeste, a influência do sistema de alta pressão mantém o tempo firme entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9). Ainda na quarta-feira há previsão de chuva isolada na faixa leste de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, mas na quinta-feira não há expectativa de precipitações em toda a região. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê formação de nevoeiro nas manhãs de quarta e quinta-feira sobre o sul de São Paulo e, posteriormente, também na faixa leste paulista, sul de Minas Gerais e centro-sul do Rio de Janeiro. Os avisos de baixa umidade permanecem vigentes entre 12h e 18h, inicialmente sobre o centro-norte de Minas Gerais e, na quinta-feira, avançam para o extremo oeste e sul mineiro e praticamente todo o estado de São Paulo, exceto a faixa leste. Também há aviso de geada para a região serrana do extremo sul de Minas Gerais.

As temperaturas continuam baixas durante as madrugadas no Sudeste. O sul de São Paulo e o sul de Minas Gerais devem registrar mínimas entre 8°C e 10°C na quarta-feira, permanecendo próximas de 10°C na quinta-feira. No Espírito Santo, as mínimas ficam entre 18°C e 20°C. Durante as tardes, as máximas apresentam pouca variação e chegam a 30°C no noroeste de Minas Gerais, enquanto o oeste mineiro e paulista devem registrar entre 26°C e 28°C na quinta-feira. Entre as capitais, São Paulo terá a menor máxima, em torno de 24°C, enquanto Belo Horizonte deve alcançar aproximadamente 27°C.

Na Região Sul, o sistema de alta pressão mantém o tempo estável entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9), após a passagem da frente fria. A previsão indica céu com pouca nebulosidade e ausência de chuva em praticamente toda a região. Na quarta-feira, há possibilidade de nevoeiro pela manhã entre o leste do Paraná e o nordeste de Santa Catarina. Permanecem em vigor avisos de geada para áreas do oeste dos três estados da região. Já na quinta-feira, o principal alerta é para baixa umidade entre 12h e 18h na porção centro-norte do Paraná. As temperaturas mínimas permanecem abaixo de 10°C em praticamente toda a Região Sul na quarta-feira, com valores próximos de 0°C nas áreas serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Na quinta-feira, as máximas sobem discretamente, mas seguem amenas. O extremo noroeste do Paraná pode registrar até 26°C, enquanto nas demais áreas os termômetros não devem ultrapassar 22°C. Na Serra Catarinense, a máxima prevista é de cerca de 16°C.





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