domingo, maio 31, 2026

Política & Agro

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Polos de irrigação mudam a economia no campo


O Brasil possui atualmente cerca de 16 polos de agricultura irrigada reconhecidos pelo Governo Federal e busca ampliar esse modelo para outras regiões do país. A estruturação dos polos ajuda a organizar a gestão da água e impulsiona o crescimento da produção agrícola nas regiões onde são implantados.

Os polos de irrigação funcionam dentro da lógica de gestão das bacias hidrográficas e têm como objetivo auxiliar na governança das demandas regionais para a produção sustentável de alimentos, que inclui o uso da água. Reúnem produtores, técnicos, instituições de pesquisa, órgãos governamentais e representantes da sociedade em torno do planejamento da irrigação, considerando as características produtivas e hídricas de cada região.

Mais do que áreas de produção, os polos surgem da própria dinâmica das regiões agrícolas e da necessidade de organizar o uso da água, a infraestrutura e o desenvolvimento regional. Ao contrário de programas criados “de cima para baixo”, eles nascem da realidade dos produtores, das bacias hidrográficas e das características de cada território.

“A irrigação não se desenvolve no improviso. Ela cresce onde existe organização do uso da água”, afirma Everardo Mantovani, Professor Titular Sênior da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e conselheiro da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).

Segundo ele, os polos ajudam justamente a estruturar esse crescimento. “Onde a irrigação se organiza, a região cresce junto. A produção aumenta, mas também avançam logística, infraestrutura, armazenagem, tecnologia e geração de oportunidades”, destaca.

Pesquisa da Abimaq em parceria com a ESALQ/USP, realizada em quatro polos de agricultura irrigada, identificou impactos econômicos e sociais relevantes nas regiões analisadas. Em alguns casos, o PIB per capita chega a ser até 256% maior em comparação com outros municípios rurais.

O levantamento também aponta maior circulação econômica e menor dependência de programas de transferência de renda em áreas ligadas à agricultura irrigada.

“A água entra na lavoura e o dinheiro circula na cidade”, resume Mantovani.

Hoje, os polos estão presentes em regiões estratégicas da agricultura irrigada brasileira, como Oeste da Bahia, Petrolina/Juazeiro, Alto Paranapanema, Alto Teles Pires, Ibiapaba (CE), Camaquã (RS) e Planalto Central de Goiás, entre outras áreas reconhecidas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Criado em 2019, o Polo de Irrigação do Planalto Central de Goiás é um dos exemplos desse processo. Inicialmente formado por 14 municípios, ele foi reorganizado e atualmente concentra ações em sete cidades: Cristalina, Luziânia, Silvânia, Vianópolis, Ipameri, Campo Alegre de Goiás e Catalão — regiões com forte presença da agricultura irrigada e alta demanda por gestão do uso da água.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares irrigados, mas estimativas técnicas apontam potencial para chegar a até 60 milhões de hectares. Para especialistas do setor, esse crescimento depende cada vez mais de planejamento, governança hídrica e uso eficiente da água.

“A expansão da agricultura irrigada no Brasil atual ocorre principalmente em regiões com gestão estruturada da água, onde o uso é organizado, monitorado e planejado”, explica Mantovani.

Dados do setor mostram que cerca de 45% dos pivôs centrais do país estão na Bacia do Rio Paraná e quase 30% na Bacia do São Francisco — regiões onde a gestão dos recursos hídricos é mais consolidada.

A Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID) acompanha e participa ativamente desses processos, contribuindo tecnicamente com informações, experiências e apoio à construção de políticas públicas voltadas à agricultura irrigada e à gestão da água há 50 anos.

“Existe um entendimento cada vez maior de que irrigação não significa desperdício. Pelo contrário: a irrigação moderna depende de planejamento, monitoramento e uso eficiente da água”, conclui Mantovani.


 





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Pesagem inteligente ganha protagonismo


O avanço da produção agrícola no Distrito Federal e região tem favorecido a demanda por soluções de pesagem e controle operacional voltadas ao campo. Em 2025, a comercialização de equipamentos como balanças rodoviárias, balanças de fluxo para grãos e sistemas de enchimento de bags e sacos valvulados foi muito positiva, especialmente para o segmento de sementes de soja e milho. Por essas razões, a Toledo do Brasil marca sua presença na AgroBrasília 2026 com expectativas otimistas.

A soja lidera a produção agrícola do DF. Segundo relatório da Emater-DF, em 2025 foram 92 mil hectares plantados e quase 398 mil toneladas produzidas considerando soja grão e sementes. Neste cenário, as culturas de soja, milho e feijão seguem entre as principais atendidas pelas tecnologias de pesagem da Toledo do Brasil no DF, cenário que deve permanecer no primeiro semestre de 2026, acompanhando a expansão das atividades agrícolas da região.

Durante a AgroBrasília 2026, a Toledo do Brasil levará ao Pavilhão de Negócios, na Av. Buriti, Quadra 08, soluções voltadas à pesagem de precisão e análise de grãos. Entre os equipamentos expostos estarão balanças de piso e bancada, balanças analíticas, soluções para pesagem de animais vivos e o lançamento do Medidor de Umidade de Grãos: MUG. O equipamento chega ao mercado com foco em operações agrícolas que buscam mais controle na colheita, armazenamento e comercialização de grãos. “A solução permite medir a umidade de diferentes tipos de grãos de forma rápida, apoiando decisões sobre momento ideal de colheita, armazenamento e processos industriais”, ressalta Paulo Faber, especialista em pesagem e gerente de negócios regionais no DF.

Ele complementa que, no campo, o monitoramento da umidade é utilizado para reduzir perdas operacionais e auxiliar na entrega de grãos dentro dos padrões exigidos pelo mercado. Já em armazenadoras e indústrias, o controle contribui para processos ligados à conservação e qualidade do produto final. “Além do segmento de grãos, a empresa também apresentará soluções para pecuária, com sistemas de pesagem de animais vivos voltados à gestão zootécnica e acompanhamento de desempenho no rebanho”, ele ressalta. Esta presença atende um cenário positivo na pecuária: de acordo com dados da Emater-DF, o rebanho bovino do Distrito Federal alcançou 74.375 cabeças em 2025, com produção de 4,8 milhões de quilos de carne bovina e produção de 32,3 milhões de litros de leite, dados de 2025. 

A expectativa da empresa para a AgroBrasília 2026 é de aumento no fluxo de visitantes e geração de negócios, impulsionados pela busca dos produtores por soluções ligadas à automação, controle e gestão de dados dentro das propriedades rurais. O setor agropecuário no DF, a região reúne desde pequenas propriedades familiares até grandes áreas voltadas à produção de grãos, cenário que amplia a demanda por tecnologias aplicadas à eficiência operacional no campo.





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Commodities agrícolas sobem em semana de ajustes


O mercado agrícola internacional encerrou a semana com valorização em parte relevante das commodities, sustentado por preocupações climáticas, ajustes de posições e incertezas sobre a oferta em diferentes cadeias. Segundo o Rabobank, nos sete dias encerrados em 12 de maio de 2026, o índice S&P GS AG avançou 2,0% na comparação semanal, com altas em cacau, trigo, soja, farelo de soja e algodão compensando perdas em óleo de palma, boi gordo, açúcar, óleo de soja e suínos.

No conjunto dos produtos agrícolas, os agentes não comerciais venderam 85.070 lotes líquidos, reduzindo a posição comprada líquida para 518.688 lotes. O movimento ocorreu apesar do avanço do índice no período e refletiu ajustes de exposição em um ambiente de sinais mistos entre as principais commodities.

O destaque da semana foi o cacau negociado na ICE de Nova York, que subiu 12,6%. A valorização refletiu preocupações com a próxima safra principal da África Ocidental, além dos efeitos associados ao El Niño e ao aumento dos preços dos fertilizantes. O Rabobank também apontou que a cobertura de posições vendidas ajudou a impulsionar as cotações, com movimentos fortes em meio à incerteza sobre os fundamentos. Os fundos geridos compraram 2.867 lotes líquidos, ficando com posição vendida líquida de 13.969 lotes.

O trigo em Chicago avançou 8,2%, sustentado por temores de piora nas condições do trigo de inverno, diante de temperaturas congelantes e clima seco. As expectativas de menor produção no Hemisfério Sul também deram suporte aos preços. Ainda assim, os fundos geridos venderam 9.120 lotes líquidos, ampliando a posição vendida líquida para 19.023 lotes.

No café arábica negociado na ICE, a alta foi de 3,3%, embora o Rabobank tenha indicado pressão geral sobre os preços por projeções baixistas para a safra brasileira e expectativas de superávit. Breves recuperações ligadas a interrupções logísticas não impediram novas pressões macroeconômicas. Os fundos geridos venderam 6.007 lotes líquidos, mantendo posição comprada líquida de 25.028 lotes.

 





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Investigação dos EUA sobre prática comercial do Brasil não pode ser teatro…


Logotipo Reuters

Por Bernardo Caram

17 Abr (Reuters) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira que a investigação aberta pelos Estados Unidos para analisar práticas comerciais do Brasil com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana, “não pode servir como um mero teatro” para validar a imposição de tarifas.

Em entrevista à imprensa em Washington, onde participa das “reuniões de primavera” do FMI-Banco Mundial, Durigan disse esperar que todos os pontos levantados pelo governo do país norte-americano e respondidos pelo Brasil sejam devidamente considerados.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) abriu em julho do ano passado uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, citando temas como o Pix, desmatamento ilegal, proteção insuficiente à propriedade intelectual e decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo big techs.

Como mostrou a Reuters, o governo do Brasil fez reunião com membros do USTR sobre o Pix em Washington nesta semana e autoridades brasileiras avaliaram a conversa como produtiva, mas apontaram que persiste a percepção de que, independentemente disso, o tema pode ser usado pela administração do presidente Donald Trump para justificar a imposição de tarifas.

Na entrevista, Durigan disse que não tratou do tema da Seção 301 nas “duas ou três” reuniões nesta semana nas quais encontrou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ressaltando que discutiu pautas relacionadas a inteligência artificial, stablecoins (moedas digitais lastreadas a ativos reais) e cooperação internacional.

MINERAIS CRÍTICOS

O ministro afirmou que deve debater ainda nesta sexta-feira, com países do G7, temas relacionados a minerais críticos. Ele disse que o Brasil tem interesse em ampliar parcerias nessa área, mas rejeitou hipótese de o país apenas exportar esses insumos sem tratamento a países desenvolvidos.

“O que nos importa é que a gente garanta algum adensamento, alguma tecnologia no Brasil”, disse.

Em relação às medidas adotadas pelo Brasil para mitigar efeitos da guerra no Irã, Durigan afirmou que as ações podem eventualmente não ser prorrogadas em maio caso o conflito seja encerrado, mas ponderou que ainda há elevada incerteza sobre o tema.

Ele acrescentou que o governo brasileiro passará a ter uma “integração semanal” com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial para que as ações de enfrentamento aos efeitos da guerra sejam tomadas pelo país com base na experiência internacional.

Na entrevista, o ministro se posicionou contra uma eventual classificação, pelos EUA, de organizações criminosas que atuam no Brasil como terroristas. Para ele, embora perigosos, esses grupos “não se tratam de organizações terroristas”.

“O que eu tenho dividido, inclusive com os norte-americanos, foi o sucesso do anúncio da semana passada da ampliação da parceria da Receita Federal com a aduana norte-americana, e acho que isso pode ajudar mais do que botar um rótulo”, disse.

Durigan ainda afirmou que o plano do governo para renegociação de dívidas de famílias e empresas está pronto para ser anunciado. Ele disse que o pacote não envolverá gasto primário do Tesouro Nacional e ressaltou que o governo vai “mobilizar a garantia”, mas não explicou como isso seria feito sem impactar as contas públicas.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)





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Exportação ao Golfo recua em abril e no acumulado; agro segue ‘no azul’


Vendas aos países árabes da região caem 24,99% no mês, acumulam perdas de 0,67% sobre 2025 e agro ainda avança 1,97%

As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, registraram em abril o segundo recuo do ano com o conflito no Oriente Médio. No mês, as receitas recuaram 24,99%, para US$ 455,54 milhões, sobre abril do ano passado. No acumulado do ano houve queda de 0,67%, com total de US$ 2,82 bilhões, segundo levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, com base em dados do Governo Federal.

De acordo com a entidade, apesar do recuo, os números indicam que a demanda no CCG ainda é relevante, mesmo com o aumento dos custos logísticos provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que elevou despesas com fretes e seguros, além de impor a necessidade de transbordos rodoviários e aéreos por milhares de quilômetros.

“Os exportadores encontraram soluções logísticas para colocar seus produtos na região, ainda que a custos maiores. E os mercados árabes, mesmo nessa situação, ainda geram receitas expressivas, especialmente nas categorias do agronegócio, das quais dependem para a segurança alimentar de suas populações”, afirma Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

As vendas de produtos agropecuários para o CCG ainda estão no azul, acumulando alta no ano de 1,97%, ou US$ 1,76 bilhão, com frango, açúcar, carne bovina, milho e café na dianteira da pauta exportadora. Os dados mostram perdas em categorias importantes que foram, no entanto, contrabalançadas por avanços em outros produtos.

As exportações de frango acumulam queda de 5,98%, para US$ 791,19 milhões. Apesar disso, o Catar, que possui portos apenas no Golfo, ampliou as compras do produto em 13,82%, para US$ 70,29 milhões, recorrendo a portos sauditas no Mar Vermelho, ao transporte por caminhões e a aviões para manter o fluxo comercial. 

As vendas de açúcar cresceram 28,74% entre janeiro e abril, para US$ 442,59 milhões, com os principais avanços registrados na Arábia Saudita, onde a alta foi de 46,35%, e em Omã, com embarques de açúcar brasileiro saltando 6.332,27% no período, mesmo com parte dos portos do país afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.

A carne bovina segue com desempenho positivo no quadrimestre, avançando 28,77%, para US$ 219,30 milhões, e crescimento em todos os mercados do CCG. Em abril, no entanto, os números mostram uma desaceleração dos embarques, com as receitas recuando 46,90% em relação a março, num claro sinal de reversão de tendência.

O milho, em abril, registrou recuperação. Após embarques praticamente inexistentes em março, as vendas do grão somaram US$ 11,80 milhões no mês passado, acumulando no ano alta de 11,69%, totalizando US$ 73,01 milhões, com vendas impulsionadas sobretudo por negócios com o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos.

O café acumula alta de 58,50% no quadrimestre, com vendas de US$ 64,67 milhões. Os maiores aumentos foram vistos nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita e em Omã, em meio a um movimento que parece ter sido de recomposição de estoques.





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Centro-Sul registra alta na produtividade da cana


A produtividade da cana-de-açúcar no Centro-Sul cresceu 13% em abril, segundo dados divulgados pelo CTC – Centro de Tecnologia Canavieira, em Piracicaba (SP), nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. A média passou de 73,8 toneladas por hectare na safra 2025/26 para 83,4 t/ha em 2026/27, resultado que pode influenciar o ritmo de moagem e o planejamento das usinas na região.

De acordo com levantamento do CTC – Centro de Tecnologia Canavieira, a produtividade média da cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou 83,4 toneladas por hectare em abril. O resultado representa avanço de 13% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando a média registrada foi de 73,8 toneladas de cana por hectare.

Os dados fazem parte do Boletim de Olho na Safra, elaborado com informações da Plataforma de Benchmarking do CTC. Além do ganho em produtividade, a qualidade da matéria-prima apresentou variação positiva no período.

Segundo dados divulgados pelo CTC – Centro de Tecnologia Canavieira, o ATR, indicador que mede a quantidade de Açúcar Total Recuperável por tonelada de cana, subiu 0,5%. O índice passou de 112,1 kg ATR/t na safra 2025/26 para 112,6 kg ATR/t em 2026/27.

O aumento da produtividade da cana no Centro-Sul ocorre em um momento estratégico para o setor sucroenergético, já que abril marca o início de atividades relevantes da safra em importantes polos produtores. Com maior volume médio por hectare e leve melhora no ATR, usinas e produtores podem ajustar expectativas sobre moagem, rendimento industrial e oferta de matéria-prima ao longo da temporada.

O desempenho, no entanto, ainda depende da continuidade das condições de campo e da evolução dos indicadores nos próximos meses da safra 2026/27.

A alta de 13% na produtividade da cana sinaliza um início mais favorável para a região Centro-Sul frente ao mesmo período da safra anterior. Para o setor, o dado reforça a importância do acompanhamento técnico da safra, especialmente em um cenário no qual produtividade agrícola e qualidade industrial são decisivas para a rentabilidade das unidades produtoras.





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Exigências sanitárias pressionam pecuária



O tema ganha força também após a suspensão do uso da virginiamicina


O tema ganha força também após a suspensão do uso da virginiamicina
O tema ganha força também após a suspensão do uso da virginiamicina – Foto: Pixabay

A ampliação das exigências sanitárias internacionais voltou a pressionar a pecuária brasileira a buscar alternativas produtivas alinhadas à segurança alimentar e à ausência de resíduos químicos. A recente restrição da União Europeia à importação de determinados produtos de origem animal do Brasil, motivada pela falta de garantias sobre o não uso de antimicrobianos, reforçou o debate sobre tecnologias capazes de manter produtividade e competitividade em mercados mais rigorosos.

O tema ganha força também após a suspensão do uso da virginiamicina no mercado nacional, cenário que aumenta a necessidade de soluções para substituir aditivos tradicionais. Para o médico veterinário Cláudio Franco Real, do Grupo Real, a escolha dos protocolos produtivos passou a ser estratégica. Segundo ele, a homeopatia veterinária, pesquisada e aplicada há mais de quatro décadas pela empresa, pode contribuir para a produtividade e atender às novas demandas regulatórias.

“O anúncio deve ser lido como um sinalizador de que a busca pelo alimento seguro deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma necessidade mercadológica. A escolha dos protocolos produtivos e das tecnologias utilizadas na pecuária é cada vez mais estratégica”, comenta.

O desafio do setor, porém, vai além da substituição de insumos. A integração da nutrição animal aos sistemas de rastreabilidade passa a ser vista como etapa essencial, incluindo o controle sobre aditivos, suplementos e tecnologias utilizados durante todo o ciclo produtivo.

Para Cleisy Ferreira, doutora em Zootecnia, os aditivos homeopáticos já são uma realidade no campo, com aplicações em controle parasitário, reprodução, desempenho zootécnico e problemas de pele. Com as novas exigências, especialistas avaliam que o Brasil pode transformar o cenário em oportunidade, desde que avance em rastreabilidade e adoção de tecnologias compatíveis com mercados exigentes.

 





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Feijão carioca sobe mais de 70% no ano


O mercado de feijão segue operando em cenário de valorização em maio, tanto para o carioca quanto para o preto, refletindo a restrição de oferta e as incertezas climáticas observadas principalmente na região Sul do país, conforme aponta o Indicador Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

A média dos preços regionais do feijão carioca levantados pelo indicador em maio, até o dia 15, acumula valorização anual superior a 70%, atingindo os maiores níveis da série histórica iniciada em setembro de 2024. Para o feijão preto, a alta anual chega a 32,3%, sustentada principalmente pela menor produção registrada nesta safra.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, as altas continuaram disseminadas no mercado ao longo da semana. A demanda permaneceu concentrada principalmente no Paraná, diante do ritmo atual da colheita no estado, onde parte dos grãos apresenta elevada umidade e necessita de secagem antes da comercialização.

O movimento de cautela e a restrição na oferta ganharam força após as geadas registradas no início da semana na região Sul do país, especialmente em áreas de baixada. Segundo agentes consultados pelo indicador, os impactos sobre as lavouras ainda seguem em avaliação.

No mercado de feijão preto, entre os dias 8 e 15 de maio, as cotações avançaram impulsionadas pela procura por novos lotes e pela postura mais firme dos produtores, atentos aos possíveis prejuízos nas lavouras mais tardias. Em Curitiba, os preços subiram 14,08%, enquanto na Metade Sul do Paraná o avanço foi de 14,29%. Em Itapeva, no interior paulista, a valorização registrada foi de 8%.

Para o feijão carioca notas 8 e 8,5, os aumentos também prevaleceram nas regiões acompanhadas, sustentados pela demanda aquecida e pela oferta limitada de lotes. As maiores altas voltaram a ser observadas no Paraná. Na Metade Sul do estado, os preços avançaram 12%, enquanto em Curitiba a valorização chegou a 10,71%.

Já o feijão carioca peneira 12, nota 9 ou superior, segue com preços sustentados pela escassez de lotes dentro do padrão exigido pelas indústrias. Na semana, o destaque foi o Noroeste de Minas Gerais, onde as cotações avançaram 8,29% devido ao baixo volume de grãos armazenados disponíveis. Na Metade Sul do Paraná, as altas ficaram em 3,33%, limitadas pelas condições de qualidade e pelas variedades ofertadas.





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Fazenda eleva projeção da inflação para 4,5%


O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação para este ano, levando a estimativa oficial ao limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. A revisão foi divulgada no Boletim Macrofiscal, publicado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica, e reflete os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% para este ano e em 2,6% para 2027.

O documento reúne previsões econômicas que servem de base para a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. O texto, que deve ser enviado ao Congresso Nacional na sexta-feira (22), orienta a execução do Orçamento federal e inclui indicações de bloqueios e contingenciamentos para cumprimento das metas fiscais.

Segundo a equipe econômica, a principal pressão inflacionária veio da alta do petróleo no mercado internacional, que superou os US$ 110 por barril em meio às tensões no Golfo Pérsico. “A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, informa a Secretaria de Política Econômica no relatório.

O governo afirmou, porém, que parte do impacto deverá ser reduzida pela valorização do real e por medidas adotadas para conter o repasse dos combustíveis ao consumidor. “Parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal”, destacou o documento.

Com a revisão, a projeção oficial de inflação ficou exatamente no teto do sistema de metas contínuas, que estabelece centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Para 2027, a estimativa de inflação também foi elevada, passando de 3% para 3,5%.

Apesar da piora no cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a previsão de crescimento econômico para este ano. Para 2027, a expectativa também foi preservada em 2,6%, percentual que a equipe econômica projeta para os anos seguintes.

A avaliação da equipe econômica é de desaceleração gradual da atividade nos próximos trimestres devido aos efeitos da política monetária restritiva, com retomada parcial prevista para o fim do ano. “No primeiro trimestre, a projeção agregada também foi preservada, embora com alterações de composição: a indústria passou a contribuir menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição”, informa a Secretaria de Política Econômica.

O governo prevê uma desaceleração mais intensa no segundo e terceiro trimestres, seguida de recuperação parcial da indústria no encerramento do ano.

As estimativas do governo seguem acima das projeções do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, analistas projetam inflação de 4,92% neste ano e crescimento econômico de 1,85%.

A Secretaria de Política Econômica afirmou que segue monitorando os riscos internacionais, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como fator de sustentação da atividade econômica.

A alta do petróleo também deve ampliar as receitas do governo federal. De acordo com cálculos da Secretaria de Política Econômica, o avanço nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês.

O cálculo considera receitas provenientes de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero. “O ganho arrecadatório viabiliza uma resposta fiscal firme e responsável, aliada da política monetária e do compromisso com a consolidação em curso”, destaca a Secretaria de Política Econômica.

Com informações da Agência Brasil*





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São Paulo ultrapassa R$ 128 milhões em compras da agricultura familiar


Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, as cooperativas vêm ampliando a participação da agricultura familiar paulista nas compras públicas de alimentos. Por meio do Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS), produtores organizados conseguem expandir mercado, aumentar a renda no campo e fortalecer o abastecimento de instituições públicas.

Com os avanços registrados no PPAIS, o estado de São Paulo passou de R$ 17,2 milhões em compras públicas da agricultura familiar em 2023 para R$ 53,8 milhões em 2025. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o programa já soma R$ 36,8 milhões comercializados.

Desde 2023, o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social movimentou mais de R$ 128 milhões em compras públicas de alimentos produzidos por agricultores familiares e cooperativas de diferentes regiões do estado. O programa é considerado um dos principais instrumentos de apoio financeiro à produção rural paulista, ao garantir mercado para agricultores familiares por meio das compras institucionais.

Coordenado pela Fundação Itesp, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o PPAIS conecta a produção da agricultura familiar às compras públicas estaduais, garantindo mercado, previsibilidade de renda e fortalecimento das cadeias produtivas regionais. Os alimentos adquiridos abastecem escolas, universidades, hospitais e unidades prisionais, promovendo segurança alimentar e incentivando a produção paulista.

Os números mostram a expansão do programa nos últimos anos. Em 2023, o PPAIS movimentou R$ 17,2 milhões em compras públicas da agricultura familiar. Em 2024, o valor subiu para R$ 20,4 milhões. Já em 2025, o programa alcançou R$ 53,8 milhões comercializados. Em 2026, apenas até abril, o volume já supera R$ 36,8 milhões, mantendo o ritmo de crescimento e ampliando a participação de cooperativas e produtores rurais no abastecimento das instituições públicas estaduais.

Os resultados refletem mudanças promovidas pelo governo paulista, como o aumento do limite de venda por produtor e cooperativa de R$ 52 mil anuais para R$ 104 mil anuais, a ampliação do número de produtos adquiridos pelo estado — incluindo o café — e os mutirões de emissão da DCOMP (Declaração de Conformidade ao Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social), realizados pela Fundação Itesp para habilitar produtores e cooperativas junto ao programa.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, afirmou que os números reforçam o compromisso do governo paulista com a agricultura familiar e com políticas públicas voltadas ao setor. “São mais de R$ 128 milhões movimentados pelo PPAIS desde 2023, levando renda para milhares de produtores e fortalecendo cooperativas em todas as regiões do estado. O programa demonstra como políticas públicas bem estruturadas conseguem ampliar mercado, estimular a produção e gerar desenvolvimento no campo ao mesmo tempo que garantem segurança alimentar”, declarou.

Novas cadeias produtivas vêm ganhando espaço dentro do programa. Além do crescimento do hortifruti, os segmentos de leite e café passaram a ter maior participação na atual gestão. Em 2025, o Governo de São Paulo incluiu o café torrado e moído nas compras do PPAIS, ampliando oportunidades para cooperativas da agricultura familiar e agregando valor à produção paulista.

Segundo o analista de desenvolvimento agrário e gestor do programa, Clóvis Etto, o fortalecimento das cadeias produtivas foi determinante para o desempenho recente do programa. “O hortifruti já se consolidou em praticamente todas as regiões do estado. Agora, o foco é impulsionar cadeias estratégicas como leite e café, ampliando oportunidades para as cooperativas e agregando valor à produção da agricultura familiar”, afirmou.

A inclusão do café entre os produtos adquiridos abriu novas perspectivas para cooperativas paulistas. A Coopercuesta, da região da Cuesta Paulista, está entre as beneficiadas pela medida. “Produzimos entre 5 mil e 6 mil sacas de café por ano, mas apenas cerca de 20% chegavam ao mercado Fair Trade internacional. Com o PPAIS, nossa expectativa é ampliar significativamente o processamento e a comercialização no mercado interno, levando mais estabilidade, renda e desenvolvimento para os produtores da região”, afirmou Luís Carlos Josepetti Bassetto.

A expectativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo é que o PPAIS mantenha o ritmo de crescimento ao longo do ano e alcance R$ 100 milhões em compras públicas apenas em 2026, ampliando as oportunidades de comercialização para agricultores familiares, fortalecendo cooperativas e garantindo o abastecimento de equipamentos públicos com alimentos produzidos no campo paulista.





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