sábado, maio 30, 2026

Política & Agro

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Mercado do boi gordo inicia semana estável


O mercado do boi gordo iniciou a terça-feira com ritmo lento de negociações em São Paulo, segundo análise divulgada no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. Parte dos frigoríficos permaneceu fora das compras ao longo do dia, avaliando estratégias de atuação diante de escalas de abate consideradas mais confortáveis.

De acordo com a consultoria, os frigoríficos que estiveram ativos tentaram pressionar as cotações logo na abertura do mercado, mas poucos negócios foram efetivados. A movimentação ficou condicionada à aceitação dos pecuaristas em negociar a preços menores, o que acabou mantendo os valores estáveis ao longo do dia.

Ainda conforme a análise da Scot Consultoria, as escalas de abate em São Paulo estavam, em média, programadas para 10 dias, cenário que contribuiu para a postura mais cautelosa das indústrias frigoríficas.

No Rio de Janeiro, o mercado registrou recuo nas cotações. Na comparação diária, o preço caiu R$ 2,00 por arroba para todas as categorias acompanhadas pela consultoria.

O desempenho das exportações brasileiras de carne bovina in natura também segue no radar do setor. Apesar da perda de ritmo em relação à primeira semana do mês, os embarques continuam em níveis elevados. Até a segunda semana de maio, o Brasil exportou 141,3 mil toneladas, com média diária de 14,1 mil toneladas, volume 36,2% superior ao registrado por dia em maio de 2025.

Segundo a análise da Scot Consultoria, o preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6,4 mil, alta de 24,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Caso o ritmo atual seja mantido, maio de 2026 poderá se consolidar como o melhor maio da série histórica em volume exportado de carne bovina, além de registrar o maior volume mensal embarcado no ano.

O faturamento das exportações também avança em ritmo acelerado. Impulsionado pelos preços mais altos pagos pela carne bovina brasileira, o acumulado de maio já corresponde a 80,5% de toda a receita registrada em maio de 2025, mesmo com apenas 10 dias úteis contabilizados.

A expectativa do mercado é de que, mantidos os embarques e os preços atuais, o faturamento das exportações brasileiras de carne bovina possa superar US$ 1,8 bilhão no mês, alcançando novo recorde histórico para o período.





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Agro argentino deve gerar mais dólares em 2026



A melhora nas projeções está ligada principalmente à soja e ao milho


A melhora nas projeções está ligada principalmente à soja e ao milho
A melhora nas projeções está ligada principalmente à soja e ao milho – Foto: Pixabay

O setor agropecuário da Argentina deve voltar a ter papel central na geração de dólares para a economia do país em 2026. A combinação entre uma safra maior e preços internacionais mais firmes elevou as projeções de entrada de divisas, reforçando a importância do campo argentino em um momento de forte necessidade de recursos externos.

Segundo estimativas da Bolsa de Comércio de Rosario, a liquidação de divisas do agro argentino deve alcançar US$ 36,111 bilhões em 2026. O número supera em US$ 800 milhões a previsão feita em abril e praticamente iguala o resultado registrado em 2025, mantendo o complexo agroexportador como a principal fonte genuína de dólares da Argentina.

A melhora nas projeções está ligada principalmente à soja e ao milho. Após atualização do GEA-BCR, a estimativa para a safra argentina de soja 2025/26 passou para 50 milhões de toneladas, avanço de 2 milhões em relação ao cálculo anterior. No milho, a projeção subiu para 68 milhões de toneladas, 1 milhão acima do previsto em abril.

Com maior disponibilidade de grãos, a indústria argentina também tende a ganhar fôlego. A moagem de soja deve crescer 1 milhão de toneladas, enquanto as exportações de farelo e óleo de soja devem aumentar. No milho, as vendas externas teriam acréscimo de 500 mil toneladas.

O cenário internacional também contribui para o resultado. A recuperação das cotações de boa parte dos produtos agrícolas elevou o valor esperado das exportações da Argentina. O cálculo considera as divisas liquidadas no Mercado Livre de Câmbio e aquelas canalizadas via Contado com Liquidação.

Nos quatro primeiros meses de 2026, o setor agroexportador argentino aportou cerca de US$ 8,516 bilhões, abaixo dos mais de US$ 9 bilhões do mesmo período de 2025. A diferença é atribuída ao efeito residual da redução temporária de retenções, à antecipação de vendas e ao avanço mais lento da colheita em abril.


 





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China e EUA ampliam acordo agrícola



O novo acordo difere do firmado em outubro


O novo acordo difere do firmado em outubro
O novo acordo difere do firmado em outubro – Foto: Pixabay

Os mercados agrícolas internacionais reagiram em alta ao anúncio de novos compromissos comerciais entre Estados Unidos e China, em um movimento que voltou a colocar a demanda chinesa no centro das atenções para grãos e proteínas. A sinalização de compras adicionais de produtos agropecuários dos EUA foi interpretada como favorável ao comércio agrícola e sustentou ganhos nas bolsas no início da semana.

Segundo comunicado divulgado pela Casa Branca no domingo, 17 de maio, a China comprará US$ 17 bilhões adicionais por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos em 2026, de forma proporcional, além de 2027 e 2028. O compromisso se soma às compras de soja assumidas em outubro de 2025, quando foi firmado um acordo para aquisição de 12 milhões de toneladas no ano comercial 2025-26 e 25 milhões de toneladas anuais nos três anos seguintes.

Embora o novo comunicado não tenha detalhado quais commodities de grãos serão incluídas, a reação foi ampla nos contratos futuros negociados na CME na segunda-feira, 18 de maio. O milho teve o desempenho mais forte, com o contrato do mês seguinte fechando em alta de 4,7% ante a sessão anterior. O movimento também impulsionou o trigo, com avanço de 2,3% em Kansas City, 2,6% em Minneapolis e 4,5% em Chicago nos contratos de julho. A soja para julho subiu 3,1%, enquanto o óleo de soja avançou 2,4% e o farelo registrou ganhos modestos.

O novo acordo difere do firmado em outubro por ser baseado em valor financeiro, e não em volume específico. Além dos grãos, a China renovou licenças vencidas para mais de 400 unidades de processamento de carne bovina dos EUA e adicionou novas autorizações. Também retomará importações de aves de estados americanos sem casos confirmados de influenza aviária altamente patogênica pelo USDA.

O comércio agrícola entre os dois países tem sido marcado por tensões tarifárias desde 2018. Em 2025, nova rodada de tarifas voltou a afetar o fluxo comercial, com queda de 75% nas exportações americanas de soja para a China em relação a 2024, segundo avaliação de Joseph Glauber.

 





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Setor do arroz avalia novos hábitos de consumo


As mudanças nos hábitos de consumo vêm ampliando o debate sobre o papel dos alimentos tradicionais na rotina dos brasileiros, especialmente em cadeias que historicamente tiveram presença constante no prato da população. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, ao analisar os sinais de transformação no setor do arroz.

Segundo ele, temas como safra, produtividade, clima, exportações, custos, mercado e preços seguem fundamentais para quem atua nessa cadeia. No entanto, a discussão também precisa avançar sobre quem está no fim desse processo: o consumidor. A reflexão parte da percepção de que, durante décadas, arroz e feijão ocuparam espaço quase automático na mesa dos brasileiros, mas esse comportamento já não pode ser observado da mesma forma.

O consumidor atual vive uma rotina diferente. As famílias estão menores, o tempo disponível diminuiu e os aplicativos passaram a fazer parte do dia a dia. Ao mesmo tempo, a conveniência ganhou importância, dietas passaram a influenciar escolhas e a proteína assumiu maior protagonismo em muitas conversas sobre alimentação. Nesse contexto, a decisão de compra não envolve apenas o alimento em si, mas também praticidade, tempo, experiência e identificação.

A análise não aponta para o abandono do arroz pelo brasileiro, mas sugere uma mudança na forma de observar o consumo. Em vez de discutir apenas quanto arroz é consumido, o setor passa a enfrentar uma questão mais ampla: qual espaço o produto continuará ocupando na vida das próximas gerações.

Para Cardoso, mudanças de hábito não acontecem de maneira brusca. Elas começam pela rotina, depois alteram a frequência e, com o tempo, podem modificar aspectos culturais. Por isso, o desafio do setor nos próximos anos pode ir além de produzir mais ou acompanhar preços e mercados. A tarefa também envolve manter o arroz relevante no prato, no cotidiano e na percepção do consumidor.

 





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Pecuária avança com maior produtividade



O levantamento mostra a evolução da produção de carne bovina


O levantamento mostra a evolução da produção de carne bovina
O levantamento mostra a evolução da produção de carne bovina – Foto: Pixabay

O avanço da pecuária de corte no Brasil nas últimas décadas tem sido acompanhado por ganhos de produtividade que reduziram a necessidade teórica de ocupação de novas áreas para sustentar a produção atual de carne bovina. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio diretor da Athenagro, os dados da consultoria indicam que, de 1990 a 2025, o chamado efeito poupa terra na atividade soma 423 milhões de hectares.

O levantamento mostra a evolução da produção de carne bovina, da área total de pastagens e da área poupada de desmatamento a partir do aumento de tecnologia desde o início dos anos 1990. Ao final de 2025, em um período marcado pela atenção à COP de Belém, os dados gerados pela Athenagro sobre esse efeito passaram a ser mais demandados.

De acordo com Nogueira, as informações costumam receber críticas de ambientalistas quando são divulgadas. Ele destaca que o raciocínio em torno do efeito poupa terra é teórico e não representa uma medida direta de combate ao desmatamento. A proposta, segundo a análise, é demonstrar com dados que a pecuária brasileira cresceu apoiada em produtividade, e não em expansão de área.

O cálculo parte da identificação da área que seria necessária para alcançar a produção atual de carne bovina caso a produtividade permanecesse no mesmo nível observado no início dos anos 1990. Nessa comparação, sem os ganhos tecnológicos incorporados ao longo do período, a pecuária brasileira precisaria ocupar 583 milhões de hectares para produzir a mesma quantidade de carne registrada em 2025.

O gráfico elaborado pela Athenagro indica que a área poupada cresceu de forma consistente ao longo da série histórica, chegando a 397 milhões de hectares em 2024 e a 423 milhões de hectares em 2025. No mesmo período, a produção de carne bovina avançou, enquanto a área efetiva de pastagens se manteve em trajetória mais estável, reforçando a leitura de que o aumento produtivo ocorreu com maior eficiência no uso da terra.

 





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Fretes e armazenagem limitam ganhos da soja


O mercado da soja encerrou o dia com oscilações limitadas, em um ambiente ainda marcado pela cautela dos agentes diante da falta de sinais concretos de demanda chinesa. Segundo a TF Agroeconômica, a Bolsa de Chicago fechou praticamente estável, com o contrato de julho em queda de 0,29%, a US$ 12,0950 por bushel, enquanto agosto recuou 0,10%, a US$ 12,0975 por bushel.

O comportamento refletiu o ajuste das expectativas após a empolgação da véspera com um possível acordo de US$ 17 bilhões, ainda sem confirmação prática por parte do mercado asiático. A pressão adicional veio do relatório de Progresso de Safras do USDA, que indicou avanço do plantio norte-americano de 49% para 67% da área prevista, acima das expectativas e do ritmo registrado no ano passado. No Brasil, a Conab apontou a colheita em fase final, com 98,8% da área concluída.

No mercado interno, o Rio Grande do Sul teve valorizações nominais, com Santa Rosa e Passo Fundo a R$ 126,00 por saca e o Porto de Rio Grande a R$ 131,00. A revisão da produção estadual para pouco mais de 19 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior de 21,44 milhões, reforçou a percepção de perdas causadas pela irregularidade das chuvas. A ameaça de paralisação rodoviária e as dúvidas sobre o piso mínimo de fretes também aumentaram os prêmios de risco.

Em Santa Catarina, a colheita superou 70% da área, com recuperação moderada no interior e cotação de R$ 131,00 no Porto de São Francisco do Sul. No Paraná, Ponta Grossa chegou a R$ 128,50, enquanto a colheita atingiu 96% e a disputa por armazenagem ganhou força com o avanço do etanol de milho e o plantio do trigo.

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul encerrou a safra com recorde de 17,759 milhões de toneladas, enquanto Mato Grosso confirmou produção histórica de 51,56 milhões. Apesar dos volumes elevados, os gargalos de armazenagem, o custo dos fretes e a pressão logística seguem limitando a rentabilidade dos produtores.

 





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Milho fecha misto com atenção ao clima


O mercado brasileiro de milho encerrou a segunda-feira com comportamento misto, em um ambiente marcado por baixa liquidez, compradores cautelosos e atenção às condições das lavouras nos principais estados produtores. Segundo a TF Agroeconômica, a recuperação do dólar deu algum suporte às cotações na B3, enquanto o relatório da Conab acendeu alerta para a safrinha em áreas afetadas por clima adverso.

Na bolsa brasileira, os contratos futuros tiveram leves oscilações. O vencimento julho de 2026 fechou a R$ 67,20, com alta diária de R$ 0,14 e queda semanal de R$ 1,38. Setembro de 2026 encerrou a R$ 69,73, com baixa de R$ 0,09 no dia e de R$ 1,16 na semana. Novembro de 2026 terminou a R$ 72,64, também com recuo diário de R$ 0,09 e perda semanal de R$ 0,25.

No campo, o cenário segue desigual. Mato Grosso e Paraná mantêm condições favoráveis em parte das áreas, apesar de geadas isoladas e chuvas fortes em algumas regiões paranaenses. Em Goiás, porém, há perdas severas associadas ao estresse hídrico em lavouras plantadas fora da janela ideal.

No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 96% da área, com negócios pontuais e média estadual de R$ 58,08 por saca. Em Santa Catarina, as indicações seguem próximas de R$ 70,00, enquanto a demanda gira em torno de R$ 65,00, mantendo o mercado travado pela diferença entre pedidas e ofertas.

No Paraná, a pressão sobre os preços continua, com demanda ao redor de R$ 60,00 CIF e produtores mais flexíveis diante da necessidade de liberar espaço nos armazéns. Em Mato Grosso do Sul, a oferta elevada mantém o mercado pressionado, com preços entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca, apesar da melhora pontual no clima.

 





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Preços do trigo seguem firmes no Sul



No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade


No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade
No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do país segue sustentado pela demanda dos moinhos, pela busca por produto de melhor qualidade e pela comparação direta entre o cereal nacional e o importado. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário mostra preços firmes no Rio Grande do Sul, estabilidade relativa em Santa Catarina e avanço das referências no Paraná, com pouca oferta disponível em algumas regiões.

No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de qualidade, produto que não tem sido encontrado com facilidade. Para lotes considerados bons, o preço chegou a até R$ 1.500 por tonelada CIF, com pagamento em 45 dias. A avaliação é que, em alguns casos, o comprador prefere pagar esse valor por um trigo nacional com qualidade mais garantida do que pelo argentino, considerado mais incerto. A consultoria pondera, porém, que esse não representa um preço de mercado amplo, mas o maior valor negociado na semana.

A queda do dólar não alterou de forma significativa a movimentação da demanda por importação. Também houve aumento na procura por trigo branqueador, com bons volumes negociados. Maio está totalmente coberto pelos moinhos, que devem buscar apenas oportunidades, enquanto junho é estimado em 50% coberto. Para a safra nova, foram ouvidos poucos lotes a R$ 1.250 CIF porto e indicações de compra a R$ 1.100 no interior, sem aceitação. Cerca de 40 mil toneladas já foram negociadas a futuro, entre moinhos e exportação. A área no Rio Grande do Sul deve cair 25% ou mais, com redução de 60% no investimento em adubação.

Em Santa Catarina, o mercado permanece o mais estável da região Sul. O trigo catarinense subiu para o mínimo de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto ofertas do Paraná ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 para trigo pão no Sudoeste. O trigo gaúcho aparece entre R$ 1.350 e R$ 1.400 FOB para branqueador.

No Paraná, o mercado segue firme, com negócios entre R$ 1.330 e R$ 1.400 FOB e novas ideias de venda entre R$ 1.400 e R$ 1.500 FOB. O trigo nacional disputa espaço com o importado e mantém vantagem em qualidade e logística.

 





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Chuvas afetam cana-de-açúcar e batata no Centro-Sul


Segundo informações do Meteored, a chegada de chuvas intensas ao Centro-Sul do Brasil nesta semana acendeu o alerta entre produtores de cana-de-açúcar e batata em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. A previsão indica acumulados elevados entre domingo e segunda-feira, principalmente em regiões do sul e oeste sul-mato-grossense, noroeste e centro-oeste paranaense e sudoeste paulista. O cenário aumenta o risco de temporais, alagamentos e interrupções nas operações rurais.

De acordo com a análise, as chuvas chegam em um momento considerado sensível para as atividades no campo. A colheita da cana-de-açúcar está no início da safra e depende de períodos de tempo firme para garantir o corte, o carregamento e o transporte da matéria-prima até as usinas. Já nas áreas de batata da segunda safra, parte das lavouras ainda se encontra em fase de frutificação e maturação, etapas em que o excesso de umidade pode comprometer a qualidade dos tubérculos e dificultar a colheita.

Na cana-de-açúcar, o principal impacto esperado é operacional. Conforme o Meteored, “a colheita mecanizada precisa de solo com boa sustentação, e a chuva volumosa pode deixar carreadores, estradas rurais e áreas de corte com barro”. A análise aponta que isso tende a atrasar a entrada das máquinas nas lavouras, reduzir o ritmo de carregamento e afetar a entrega de matéria-prima às usinas, principalmente em áreas atingidas por temporais consecutivos em um intervalo de 48 horas.

O levantamento também destaca a dimensão da atual safra brasileira de cana-de-açúcar. A estimativa para o ciclo 2026/27 é de 9,1 milhões de hectares colhidos, sendo 5,7 milhões localizados na região Sudeste e 2 milhões no Centro-Oeste. Entre os municípios monitorados com maior atenção estão Rio Brilhante, Nova Alvorada do Sul, Dourados e Ivinhema. No Paraná, o alerta inclui Maringá, Loanda, Goioerê e Paranavaí. Em São Paulo, as áreas observadas incluem Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo e Palmital.

No caso da batata, o relatório ressalta que a cultura apresenta maior sensibilidade ao excesso de chuva. No Paraná, a segunda safra já alcançou 99% da área plantada, enquanto 40% das lavouras foram colhidas. Ainda segundo a análise, 56% das áreas estão em fase de frutificação e 26% em maturação. O texto destaca que “ainda tem bastante batata no campo, que precisa ser colhida com cuidado para evitar encantamento e doenças”.

As áreas de maior atenção para a cultura da batata incluem os municípios de Guarapuava, Pinhão, Palmas, Castro, Lapa e Ponta Grossa. Em São Paulo, o monitoramento se concentra em Itapeva, Capão Bonito, Itapetininga, Buri, Taquarivaí e São Miguel Arcanjo.

Após a passagem das chuvas mais intensas, a recomendação será observar as condições de tráfego e sustentação do solo antes da retomada das atividades. Segundo o Meteored, nos canaviais a prioridade será evitar compactação do terreno durante o retorno das máquinas. Já nas lavouras de batata, a atenção deve se voltar às áreas mais baixas, aos talhões com drenagem lenta e às lavouras próximas da colheita, onde poucos dias de excesso de umidade podem afetar a qualidade do produto.

A previsão indica que a próxima semana será marcada primeiro pela ocorrência das chuvas fortes e, na sequência, pela reorganização das operações no campo. Conforme a análise meteorológica, onde o tempo voltar a firmar rapidamente os impactos devem ficar restritos a atrasos pontuais. Já nas regiões onde a instabilidade persistir, produtores de cana e batata poderão enfrentar mais dificuldades no manejo das lavouras, no transporte da produção e no planejamento operacional das equipes.





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Polos de irrigação mudam a economia no campo


O Brasil possui atualmente cerca de 16 polos de agricultura irrigada reconhecidos pelo Governo Federal e busca ampliar esse modelo para outras regiões do país. A estruturação dos polos ajuda a organizar a gestão da água e impulsiona o crescimento da produção agrícola nas regiões onde são implantados.

Os polos de irrigação funcionam dentro da lógica de gestão das bacias hidrográficas e têm como objetivo auxiliar na governança das demandas regionais para a produção sustentável de alimentos, que inclui o uso da água. Reúnem produtores, técnicos, instituições de pesquisa, órgãos governamentais e representantes da sociedade em torno do planejamento da irrigação, considerando as características produtivas e hídricas de cada região.

Mais do que áreas de produção, os polos surgem da própria dinâmica das regiões agrícolas e da necessidade de organizar o uso da água, a infraestrutura e o desenvolvimento regional. Ao contrário de programas criados “de cima para baixo”, eles nascem da realidade dos produtores, das bacias hidrográficas e das características de cada território.

“A irrigação não se desenvolve no improviso. Ela cresce onde existe organização do uso da água”, afirma Everardo Mantovani, Professor Titular Sênior da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e conselheiro da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).

Segundo ele, os polos ajudam justamente a estruturar esse crescimento. “Onde a irrigação se organiza, a região cresce junto. A produção aumenta, mas também avançam logística, infraestrutura, armazenagem, tecnologia e geração de oportunidades”, destaca.

Pesquisa da Abimaq em parceria com a ESALQ/USP, realizada em quatro polos de agricultura irrigada, identificou impactos econômicos e sociais relevantes nas regiões analisadas. Em alguns casos, o PIB per capita chega a ser até 256% maior em comparação com outros municípios rurais.

O levantamento também aponta maior circulação econômica e menor dependência de programas de transferência de renda em áreas ligadas à agricultura irrigada.

“A água entra na lavoura e o dinheiro circula na cidade”, resume Mantovani.

Hoje, os polos estão presentes em regiões estratégicas da agricultura irrigada brasileira, como Oeste da Bahia, Petrolina/Juazeiro, Alto Paranapanema, Alto Teles Pires, Ibiapaba (CE), Camaquã (RS) e Planalto Central de Goiás, entre outras áreas reconhecidas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Criado em 2019, o Polo de Irrigação do Planalto Central de Goiás é um dos exemplos desse processo. Inicialmente formado por 14 municípios, ele foi reorganizado e atualmente concentra ações em sete cidades: Cristalina, Luziânia, Silvânia, Vianópolis, Ipameri, Campo Alegre de Goiás e Catalão — regiões com forte presença da agricultura irrigada e alta demanda por gestão do uso da água.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares irrigados, mas estimativas técnicas apontam potencial para chegar a até 60 milhões de hectares. Para especialistas do setor, esse crescimento depende cada vez mais de planejamento, governança hídrica e uso eficiente da água.

“A expansão da agricultura irrigada no Brasil atual ocorre principalmente em regiões com gestão estruturada da água, onde o uso é organizado, monitorado e planejado”, explica Mantovani.

Dados do setor mostram que cerca de 45% dos pivôs centrais do país estão na Bacia do Rio Paraná e quase 30% na Bacia do São Francisco — regiões onde a gestão dos recursos hídricos é mais consolidada.

A Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID) acompanha e participa ativamente desses processos, contribuindo tecnicamente com informações, experiências e apoio à construção de políticas públicas voltadas à agricultura irrigada e à gestão da água há 50 anos.

“Existe um entendimento cada vez maior de que irrigação não significa desperdício. Pelo contrário: a irrigação moderna depende de planejamento, monitoramento e uso eficiente da água”, conclui Mantovani.


 





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